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terça-feira, 23 de junho de 2020

Somberland - Just Flesh For The Worms - 2020 - Download


Gênero: Black Metal

01. To Die to Reborn
02. Ocean of Fire and Lust
03. Funeral Mist in Somberland
04. Dead Light Previails
05. Black Will Force
06. Under Thy Darkened Shade
07. Graves of Ashes and Dust
08. His Suffering My Pleasure
09. The Meeting

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Em 2017, com “Pest’Ology”, a banda catarinense Somberland se colocou em cena como um reforço de peso para o tradicional secto do death/black metal nacional, principalmente pela sonoridade belicosa e a temática anti-cristã, indo além de apenas blasfêmias gratuitas.

Agora, três anos depois, temos em mão seu mais novo trabalho, “Just Flesh For the Worms”, que confirma a rápida evolução desde sua formação em 2015.

E isso não significa que se renderam às estranhezas do avant-garde ou que mudanças drásticas foram impostas à sua musicalidade neste segundo disco, mesmo com uma mudança importante na formação.

Em 2018 o guitarrista Diavolus, peça fundamental para o excelente resultado de “Pest’Ology”, deixou o Somberland, sendo substituído por Odium, um músico experiente no cenário e que abriu novas possibilidades para a música do quarteto.

As passagens instrumentais permanecem bem trabalhadas por uma técnica apurada dentro do caos de agressividade cáustica, assim como a identidade é criada à partir das referências que escolhem, partindo de influências óbvias como Emperor, Dissection, e Watain para criar seu próprio universo.

O tal amadurecimento se dá pela forma com que essas influências criam esse universo próprio. A faixa de abertura, “To Die to Reborn” resume bem isso, sendo um dos destaques ao lado de “Dead Light Previails”, “Ocean of Fire and Lust” (com seu groove sorumbático) e “Under Thy Darkened Shade”, essas duas últimas com uma bem sacada verve black n’ roll.

As guitarras são outro exemplo dessa forma com que trabalham suas influências, pois não só oscilam entre o thrash metal e o death metal, como renovam os cânones do black metal com dinamismo e variação sem perder um grama de rispidez, principalmente nos riffs cortantes, como nos mostram as faixas “Funeral Mist in Somberland”, “Graves Of Ashes and Dust” e “His Suffering My Pleasure”.

Se bem que “Graves Of Ashes and Dust” tem uma parte arrastada que dá um sabor levemente progressivo ao trabalho. Pensando bem, isso é algo percebido em todas as composições, em suas mudanças constantes, nos criativos e funestos movimentos climáticos e no trabalho diferenciado das guitarras.

Isso fica ainda mais evidente quando trocam aquelas palhetadas que nunca viram riffs por arpejos melancólicos, solos com certa sofisticação e criam uma parede sonora que vibra intensidade e agressividade gerando um contraste interessante,algo que pode ser conferido em “Dead Light Previails” e “Black Will Force” (essa com o melhor trabalho de guitarras do disco).

Ou seja, o grande trunfo do Somberland continua residindo na agressividade, mas com propósito técnico e senso melódico. Algo que parece simples, mas é resultado da soma de habilidade instrumental, conhecimento de causa do gênero que pratica, dinamismo polirrítmico, criatividade para sobrepor camadas de peso e velocidade e uma produção precisa, capaz de potencializar suas qualidades, tanto nos momentos mais lapidados quanto nos mais cáusticos.

Aliás, a produção dá o clima e a cruza certos para não descaracterizar sua proposta sombria, virulenta e desoladora enquanto dá contornos cerebrais à estética rápida e pesada, sem se entregar às facilidades do ruído sistemático.

Merece nota positiva também o trabalho gráfico do material físico. A capa está belíssima e estampa um encarte com um layout interessante, mostrando que o cuidado do quarteto não se resume apenas à sua música.

Com “Just Flesh for the Worms” o Somberland não nos dá uma bela continuação do que apresentaram em “Pest’Ology”, mas também deixa a prateleira de promessas ao confirmar sua candidatura ao posto de um importante e forte nome no tradicionalíssimo black metal brasileiro.

Infelizmente, no dia de publicação desta resenha o status da banda consta como split up no seu perfil no site Metal Archives e sua página no Facebook já não está mais acessível. Vamos aguardar e torcer para que seja apenas algo momentâneo.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Somberland - Pest'Ology - 2017 - Download


Gênero: Black Metal

1. PestOlogy
2. Here Has No Place for God
3. Fallen Angel
4. Forever Dark Wood
5. Dark Silence of Death
6. Wrath of the Tyrant
7. Into the Front
8. Sadistic Instincts Arise
9. …When Future No Matter

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O Black Metal nasceu dos sentimentos mais primitivos do ser humano, com o intuito de cruzar as fonteiras racionais da música, sem se ater a detalhes técnicos e aos tradicionalismos metálicos.

Todavia, aquela vibração sonora poluída e causticante foi dando espaço a uma evolução em diversos caminhos distintos gerando um dos espectros de digressão estílica mais interessantes dentro do Heavy Metal, que permite termos sob um mesmo rótulo, bandas tão diferentes quanto instigantes.

Neste sentido a cena brasileira, além de precursora, possui uma dos conjuntos mais interessantes no mundo atual do Black Metal, que ganha o reforço de peso da banda catarinense Somberland, dona de uma belicosa e blasfema postura anti-cristã.

Nascida na cidade de Criciúma, em 2015, a banda traz à tiracolo uma demo que chamou a atenção da cena, intitulada “Dark Silence of Death” (2016), pela coesão, destreza e personalidade atingida em pouco tempo, e “Pest’Ology” (2017), seu primeiro full lenght chega mostrando que a evolução e amadurecimento seguem em alta rotação, através de passagens instrumentais bem trabalhadas por uma técnica apurada na entropia da agressividade cáustica, e na velocidade bem controlada dentro dos arranjos de seus odiosos hinos anti-religiosos.

Musicalmente a banda não segue a formatação linear Black Metal, inserindo intensidade e envolvência pela técnica harmônica e agressiva do Thrash Metal (confira “Wrath of the Tyrant” e “Sadistic Instincts Arise”), numa torrente de riffs, ora cortantes, ora arrastados, com a marca brasileira do Death Metal, trocando a rispidez inerente ao modo sueco do metal negro (mais evidentes nos vocais infernais de E. Nargoth, também à cargo do baixo) por peso, fato que torna as primeiras faixas, “Pest’ Ology” e “Here Has No Place for God”, impactantes pela imprevisibilidade.

Neste contorno musical, o Somberland cria uma personalidade com significado emocional de ambientação sombria, reverente e diabólica, seguindo a premissa agressiva e imperiosa de nomes como Dissection, Emperor e adjacentes, sem recusar as perversões musicais em faixas como “Fallen Angel” (multifacetada), “Dark Silence of Death” (mais tradicional) e “Into the Front” (moderna e relativamente groovada) que criam um poderoso e esmerado culto às sombras, longe dos circunlóquios musicais ou derramamentos expressivos desnecessários, mesmo que variem sua abordagem de modo inesperado dentro de cada composição.

A produção está precisa para o tipo de música que querem praticar, amplificando seus pontos positivos por timbragens limpas e que permitem escrutinar os detalhes das passagens, em cada um de seus cantos escuros, mas com organicidade suficiente para não deixar de ser causticante, áspero e decadente quando assim o desejarem, mesmo que iluminando alguns rápidos momentos climáticos (como na ótima “Forever Dark Woods”).

O grande trunfo de “Pest’Ology”, além da óbvia habilidade instrumental e conhecimento de causa do quarteto formado por Diavolus (Guitarras), Dmortest (Guitarras), E. Nargoth (Baixo e Vocais), e W.A.G. (Bateria), está no dinamismo bem manufaturado em cada uma das nove composições do sujo, vibrante, e vertiginoso casamento polirrítmico do álbum, cuja energia cativante advém de uma rispidez superlativa e da sobreposição de camadas de peso e velocidade.

Em suma, “Pest’Ology” é um álbum de estréia que mostra consistência, além de oferecer perspectiva para um novo nome forte do tradicionalíssimo Black Metal brasileiro.