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segunda-feira, janeiro 30, 2023

"um repelão de remorso" e outros caracteres móveis

 O Barão de Lavos (1891): «A súbita aparição daquele par honesto e simples, caíndo de chofre com toda a galhardia e lúcida expansão duma vida exemplarmente calma no torvelinhante mistério da alucinação do seu vício, envergonhou-o, aclarou-lhe a razão, deu-lhe a medida do próprio aviltamento, e, como um raio de luz faiscando nas estalactites duma caverna, acordou-lhe na consciência um repelão de remorso.» Abel Botelho

Lilias Fraser (2001): «Acabaria por acostumar-se e quando, anos depois, em Portugal, viu abater-se uma cidade inteira, levantou-se em silêncio do enxergão, fechou a trouxa e foi dormir para o jardim, sem avisar ninguém daquilo que iria passar-se.» Hélia Correia

A Catedral (1920). «Agora, porém, fremindo nos estos do amor aceso, arrebatado por toque místico, com a visão experimentada e novo sentido das formas, o arquitecto adivinhara, sob o invólucro sacrílego de estuques e argamassas, a envergadura, o corpo esplêndido e branco duma catedral da Idade Média.» Manuel Ribeiro

segunda-feira, novembro 05, 2018

vozes da biblioteca

«Ainda que Maria Emília nunca o tenha entendido com clareza, foi aquele espelho que lhe abriu o destino.» Hélia Correia, O Número dos Vivos (1982)

«Na madrugada de Londres, numa noite de Janeiro de 1965, ao som opaco de tambores, ouvem-se passos lentos e cadenciados que vão tomando conta do murmúrio da imensa cidade adormecida.» António Cartaxo, Ao Sabor da Música (1996)

«No isolamento absoluto da noite, as matérias do curso costumavam entrar-me pelo espírito dentro, com uma fluidez e limpidez de água corrente.» Francisco Costa, Cárcere Invisível (1949)

domingo, novembro 04, 2018

vozes da biblioteca

«Atravessou de novo a praça, batendo pausadamente o tacão das botas, deixando cair os últimos pingos de lama, e dirigiu-se à redacção da Comarca de Corgos, sempre no mesmo passo oscilante e pesado, como se o levasse a custo o vento que arrastava no chão as folhas quase podres dos plátanos.» Carlos de Oliveira, Uma Abelha na Chuva (1953)

«Como opinara depois João Fulgêncio, homem de muito saber, dono da Papelaria Modelo, centro da vida intelectual de Ilhéus, fora mal escolhido o dia, assim formoso, o primeiro de sol após a longa estação das chuvas, sol como uma carícia sobre a pele.» Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela (1958)

«Lilias salvou-se da carnificina porque, seis horas antes da batalha, viu o pai morto, como realmente ele haveria de morrer mais tarde.» Hélia Correia, Lilias Fraser (2001)

sábado, abril 19, 2014

"25 de Abril vezes 40"

Ando a pescar coisas daqui. É um número para guardar, claro, com muitos bons textos. Três, pelo menos, são do domínio do excepcional: os de António Borges Coelho, Hélia Correia e Maria Isabel Barreno. Comprem-no.

quinta-feira, maio 05, 2005

Caracteres móveis - Hélia Correia

Temo às vezes que as árvores não pensem bem dos livros, que neles se vejam mortas. Depois lembro que os próprios seres humanos se consolam, prevendo as flores que hão-de nascer das suas cinzas. Posso então concluir tranquilamente que, quando as duas criações, plantas e escrita, ocupam um só espaço, isso se faz em pleno assentimento e harmonia.
In Os Livros no Parque