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quarta-feira, abril 24, 2019

Os opostos atraem-se


Novo post no blog de Steve McCurry. Mal me apercebo disso logo vou espreitar, impaciente por descobrir qual é, desta vez, o motivo. É como receber um presente de alguém que sabemos que acerta sempre na escolha.

Há nas suas fotografias o amor das pessoas e o amor do que não é muito óbvio, o pormenor sob a capa da evidência, a ternura do olhar ou de duas mãos que se tocam, a alegria de viver num mundo diverso e colorido, a beleza incomum e intemporal.
[Steve's body of work spans conflicts, vanishing cultures, ancient traditions and contemporary culture alike – yet always retains the human element.]
na Croácia

Desta vez, Steve McCurry escolhe os contrastes e, como sempre, deixa-me com um sorriso seja pelo seu bom humor, seja pela sua ternura.

Escolho, para aqui partilhar convosco, algumas das suas fotografias e as citações que as acompanham.
The joy of juxtaposition is endless.
– Peter B. Lewis

“Creativity is that marvelous capacity to grasp
mutually distinct realities and draw a spark
from their juxtaposition.”
– Max Ernst.

no Afganistão

Não conheço nenhum destes países e embora neles haja certamente paisagens fantásticas (montanhas imponentes, mares que parecem estender-se até ao fim do mundo) ou monumentos maravilhosos,  nunca me senti motivada a ir à aventura para nenhum (talvez com excepção para a Croácia mas, ainda assim, longe de ser a minha primeira prioridade). 

Conheço pessoas que papam todos estes países, atraídos pela distância, pelo exotismo, pela mística. A mim não. Não me sentiria bem em ruas como as que aqui se vêem. Da Índia lembro-me sempre de quando um grupo de colegas lá foi e lhes aconteceu de tudo, desde uns miúdos que atiraram porcaria para os pés deles e depois pediram dinheiro para os limpar até um homem que, sem que nenhum dos meus colegas tenha conseguido impedi-lo, pôs uma cobra ao pescoço de um deles para pedir dinheiro por uma fotografia com a gibóia, deixando-o à beira de uma apoplexia.

Ná. a mim não me apanham numa dessas.

E um outro foi fazer um retiro espiritual para um lugar recôndito no meio da Índia, todo empolgado por ir meditar e fazer silêncio a milhas de casa, e acabou no meio de uma cena turística, mal organizada, mal limpa, com uma comida péssima.

Mas, enfim, lá por isso não deixo de gostar de ver como é a vida por lá. Sobretudo, gosto de ver as fotografias de McCurry.

na Índia

em Myanmar

na Índia

“There is something perfect to be found in the imperfect:
the law keeps balance through the juxtaposition of beauty,
which gains perfection through nurtured imperfection.”
– Dejan Stojanovic

outra vez na Índia

na Tailândia

A totalidade do post pode ser vista no blog de Steve McCurry

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E já volto para vos mostrar como, porque a ocasião se proporcionou, cometi um abuso dos antigos

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sexta-feira, agosto 10, 2018

Jadav Payeng, o homem que plantou uma floresta.
E eu, esta mulher que plantou um pequeno bosque.





Não há muito tempo fui entrevistada por duas psicólogas. Varreram-me a alma (varreram no sentido de scannear). Ora perguntava uma, ora outra, ora intervinha uma, ora atacavam as duas. Nem dava tempo a pensar. Pimba, pimba, pimba. Gosto de coisas destas. Não me importava nada de estar do lado de lá, a descobrir os meandros da vítima. Mas também não me importo de ser posta à prova, de ser a vítima.

Mas, no meio daquilo -- uma tarde inteira -- pede-me uma que descreva alguma coisa marcante que eu tenha feito, alguma coisa que tenha ficado. Pensei logo numa certa coisa mas certifiquei-me: 'A nível profissional?'. Elas disseram que sim. E eu fiquei com pena porque aquilo em que estava a pensar era a nível pessoal.

Conto embora acredite que adivinham.

Uma das coisas que mais prazer me deu fazer (deu e dá) -- e que haverá de me sobreviver -- foi a transformação de um terreno pedregoso com mato rasteiro e uma casa numa ponta, numa quinta rodeada por um bosque. Não sei se é correcto chamar agora quinta ou chamar bosque. Mas era o que eu idealizava e, para mim, é isso que agora existe. Já mil vezes aqui falei disso e já mil vezes contei a luta que tive que travar durante anos para conseguir levar a minha adiante. Quando o Um Jeito Manso atingiu 1 milhão de leitores, o meu filho falou nisso, relatando alguns aspectos mais pitorescos dessa árdua e empolgante fase. 

Inventei caminhos, muros, murinhos, bancos, zonas de descanso, zonas de sombra, zonas de meditação, zonas de leitura -- e agora tudo isso existe. Não usufruo da maneira que imaginei mas, para mim, o prazer está em imaginar e fazer, não propriamente em 'ter' ou 'usar'.

E imaginei grandes cedros, grandes pinheiros, grandes azinheiras, grandes eucaliptos, grandes ciprestes, e grandes arbustos de madressilva, alecrim, rosmaninho, as barreiras de rocha cobertas de hera e, também, orégãos, louro, e tudo o que ali, naquela terra, medra como se não houvesse amanhã. Imaginei e plantei e reguei e desbastei e cuidei como se fossem crianças a precisar de amparo e carinho.

Os pássaros começaram a procurar a minha casa, os coelhos já lá estavam e mantiveram-se, os gatos foram aparecendo, as lagartixas adoram andar ao sol e sei lá o que mais por lá há.

Já não tenho onde plantar mais nada e o meu marido, quando anda a esfalfar-se a desramar árvores e arbustos, ganha fúrias comigo por eu não ter descansado enquanto não florestei o terreno de ponta a ponta. Depois de me ter contrariado e tentado demover durante anos e anos, a verdade é que se habituou a amar aquele pedaço de terra tanto quanto eu. Mas claro que não é capaz de o assumir.

Se o terreno fosse o dobro ou o triplo do que é, a esta hora eu andaria a tratar de lá fazer o que fiz a este: desenhos de novos espaços, a ver onde haveria de ir comprar aquelas espécies de árvores que teria em mente, a avaliar quantos anos demoraria a vê-las garbosas e adultas. Assim tenho que me limitar a manter e a tentar conter a força desmesurada da natureza que aqui habita.

Podia também falar da casa, que era escura e triste e que hoje é luminosa, aberta ao exterior, ou do alpendre, do forno de lenha, do pequeno abrigo, do relógio de sol, da fonte, do grande portão de ferro que desenhei e que acho tão bonito, dos recantos... e da capela, pela qual lutei durante anos. 

Mas é o bosque, os caminhos atapetados, as copas frondosas e ondulantes, os mil verdes, os mil cheiros, a sombra acolhedora, o canto dos pássaros -- que mais me enchem de orgulho.

Não comparo com o ter feito, amamentado, acompanhado de perto, tão, tão de perto, dentro do coração, ao alcance dos meus abraços, os meus filhos que adoro ou, agora, amores dos meus amores, os meus queridos netos. Isso é outro campeonato e está fora de qualquer competição. 

Quando falo com amor e orgulho do meu heaven não estou a dizer que é mais ou menos do que sinto em relação aos meus amores. Não há comparação possível nem tem que haver. O meu coração e a minha alegria ou capacidade para me sentir realizada têm espaço mais do que suficientes para acomodar várias e distintas situações.


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E hoje deu-me para voltar, uma vez mais, a este tema que me é tão caro porque li, de novo, sobre Jadav Payeng, o homem que tem dedicado a vida a plantar uma floresta.  Apesar de já uma vez aqui ter colocado um vídeo sobre a sua história, trago-o de novo. Emociona-me de uma forma que não imaginam.


Transcrevo do Bored Panda:
The largest river island in the world, Majuli, may disappear. Over the last 70 years, Majuli has shrunk by more than half and there are concerns it will be submerged in the next 20 years. The island is under constant threat due to the extensive soil erosion on its banks. The reason for this is thought to be the large embankments built in towns up the Brahmaputra river to protect them during the monsoon season which redirect the devastating fury of the river to the islet. Since 1991, over 35 villages have been washed away. And while Indian authorities are trying to figure out how to save the island, its life may have even been shorter if it wasn’t for one local environmental activist.
In 1979, Jadav Payeng, then 16, encountered a large number of snakes that had died due to excessive heat after floods washed them onto the tree-less sandbar. Then and there, Jadav made it his life’s mission to save Majuli from erosion by planting trees. Working tirelessly every day, he has planted 550 hectares of forest – larger than Central Park in New York City (340 hectares). That forest is now home to Bengal tigers, Indian rhinoceros, and even a herd of over 100 elephants regularly visit it every year. 
As pessoas genuínas que se dedicam a propósitos simples como este de que aqui se dá conta emocionam-me. Partilho-o convosco. Espero que também gostem.



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As fotografias foram feitas in heaven

Lá em cima Philippe Jaroussky interpreta "Cara, la dolce fiamma" de Johann Christian Bach

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domingo, maio 21, 2017

Machines
Imagens brutais (e comoventes) do que é o trabalho na Índia, numa indústria altamente competitiva


A indústria têxtil é daquelas indústrias globais em que qualquer hipotética regulação bateria de frente com os diferentes níveis económicos ou culturais ou as diferentes formas de interpretar conceitos como consciência ambiental ou protecção social.

Não há comparação possível nem qualquer hipótese de nivelamento.

Visitei há uns anos uma fábrica têxtil em Espanha, fábrica essa creio que entretanto fechada, O caldo que corria no chão da fábrica era horrível. A espuma que fazia era nojenta. Aquilo a que chamavam bacias de retenção eram uns tanques com ar tenebroso. Dá ideia de que se alguém lá caísse de lá não sairia com vida. E isto foi há talvez uns quinze anos, não há oitenta, e em Espanha, com trabalhadores reivindicativos, sindicalizados, numa altura em que o ambiente e a saúde no trabalho eram já dados adquiridos. Imagine-se o que será nos confins da Índia.

Os belos tecidos indianos que nos chegam a tão bons preços como serão eles produzidos?

É isso que Rahul Jain nos mostra num documentário de que apenas vi o trailer mas que deve ser um violento murro no estômago para todos quantos assistam ao que lá se passa.



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terça-feira, janeiro 05, 2016

Rostos de coragem: retratos íntimos de mulheres no fio da navalha


Apesar do declínio, apesar de alguns períodos de regressão civilizacional, nomeadamente, por cá, apesar de agora estarmos a atravessar um momento em que alguns direitos foram colocados num recesso do avanço dos tempos, a verdade é que temos a sorte de viver do lado do mundo em que grande parte dos direitos humanos ainda são maioritariamente respeitados.

É certo que, desde que a crise financeira sorveu os recursos financeiros antes alocados ao Estado Social ou à Economia, o abandono escolar, o desemprego, o abuso na utilização de recibos verdes ou empregos precários, os estágios abusivos tudo isso alastrou provocando bolsas de pobreza declarada ou escondida.

Kala é uma indiana com 14 anos, casada pelos pais aos 3 meses
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Heinavanker - Mu mano tulge latse (Come unto Me, Ye Children)
Do album Estonian Religious Folk Chorales

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Mas, ainda assim, nada que se compare com os lugares do mundo em que as mulheres são nada, meras máquinas de prazer ou de reprodução, criadas para todo o serviço ou mão de obra explorada.

Crianças que são casadas na infância, jovens adolescentes violadas ou grávidas, mulheres sujeitas a toda a espécie de violências, sem protecção, sem tratamentos - tudo isto, se nisto penso, é arrepiante.

Nazia tem 21 anos e foi casada aos 2 anos. Aqui partilha a sua história com mulheres indianas agredidas.
O marido arrastou-a atrás de uma mota quando ela estava grávida de 7 meses

Claro que temos (eu, pelo menos, tenho) esta faculdade de nos esquecermos, de fingirmos que o mal em grande escala não existe, de nos focarmos intermitentemente numa ou noutra novidade. Pode ser o carro de luxo que o CR7 ofereceu à D. Dolores, pode ser o CR7 a elogiar o Zidane, podem ser as férias animadas do CR7 com amigos, ou pode ser a deputada com a apresentadora ou a falta de gosto desta ou daquela na escolha dos sapatos, pode ser o penteado da blogger, podem ser os guarda-costas do Pinto da Costa ou a tontice destes debates televisivos a granel. Pode até ser um cão que matou alguém e que é preciso salvar a todo o custo -- ou uma qualquer outra causa que mobilize, durante uns dias, em regime de rebanho, uma multidão.

Jovem mãe com o filho no Quénia

Pode até ser um acontecimento mais distante. Aí as pessoas sentem nobreza de carácter, acham-se benevolentes para com a humanidade e um auto-orgulho infla-lhes a auto-estima, como se, de repente, se descobrissem menos fúteis. Por exemplo, quando se soube que meninas de várias aldeias lá num local que não se sabia bem onde ficava eram raptadas e usadas como escravas sexuais, durante uns dias as redes sociais animaram-se num movimento colectivo: fizeram-se tshirts, publicaram-se selfies com dizeres, as pessoas citaram-se umas às outras naqueles exercícios de vacuidade a que a nossa sociedade evoluída se vem especializando. Depois passou de moda.

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Uma sobrevivente de Boko Haram:  Boko Haram survivor: 'I met 24 of the Chibok schoolgirls'


É belíssima, esta mulher, e tem uma firmeza e uma coragem que nos tiram o chão -- mas o assunto de que fala já não nos diz nada, quanto muito diremos com superioridade: coisa lá deles, é mesmo assim, nada a fazer.
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Aconteceu o mesmo com o menino de três anos, Aylan Kurdi, que deu à costa como uma conchinha vazia: cartazes, posts, rezas, juras. Depois passou.


As campanhas alertando para o destino das crianças nestes cenários de guerra também já nos cansaram. Se alguém ousar persistir, dirão: já não se aguenta.

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É um facto: as pessoas estão mais formatadas para a superficialidade do que para a profundidade. 

Percebe-se. Dar-se-ia em doido se, a toda a hora, nos mantivéssemos preocupados e deprimidos com todo o mal que, a toda a hora, acontece um pouco por todo o lado.

Mãe e filha em Luang Prabang, no Laos

A verdade é que, levados pela mão da comunicação social -- que enche os horários nobres com telenovelas a metro ou com comentadores avençados, com futebol a toda a hora bem como os respectivos comentários sobre casos, jogadas, árbitros; e, nos intervalos, séries e filmes maioritariamente violentos ou estúpidos -- esquecemo-nos que podia haver reportagens, que podia haver programas sobre a vida noutros locais, que podia haver documentários bem feitos e instrutivos, que podia haver programas com escritores, com pintores, ou mostrando bibliotecas ou jardins. Talvez, se estivéssemos habituados a manter a nossa cabeça disponível para a diversidade e para a beleza, para a serenidade e para a bondade, conseguíssemos disponibilidade para nos interessarmos pelos que são diferentes de nós, pelos que vivem pior que nós, pelos que sofrem no corpo e na alma rasgões, pancadas, humilhações. Talvez até arranjássemos disponibilidade para nos indignarmos, para tentarmos mover mundos e fundos para que se tornasse impossível que algumas barbaridades persistissem.

Numa clínica no Bangladesh, uma enfermeira ocupa-se do filho de uma adolescente de 15 anos.
A jovem mãe aparece ao fundo, desinteressada do filho

É certo que a cultura faz tornar mais aceitáveis atitudes que, para nós, são crimes insuportáveis. Mas há casos em que a cultura tem que ser vista como uma batata. E a que se refere a maus tratos ou violência sobre as mulheres é uma delas. Descascar estas atitudes, mostrá-las como indecentes, monstruosas, inumanas, é um primeiro passo.

O fotógrafo Mark Tuschman  fotografou, ao longo de de cerca de dez anos, mulheres pobres, exploradas, escravizadas, violadas: na Ásia, África, América Latina.


Seni, em primeiro plano, é uma vítima do tráfico humano.
Foi levada da indonésia para a Arábia Saudita onde foi escravizada durante 3 anos,
sem poder contactar com a família. Só depois conseguiu reencontrá-los


Reuniu agora esses retratos num livro, Faces of Courage. E são rostos que, tantas vezes e apesar de tudo, conservam a capacidade de sorrir. E isso ainda me faz sentir mais revoltada comigo: como posso eu, por vezes, ir-me um bocado abaixo com pequenas ninharias quando estas adolescentes ou mulheres, que tanto têm sofrido, ainda conseguem manter a cabeça erguida e esboçar sorrisos de esperança?

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Mark Tuschman -- Faces of Courage: Intimate Portraits of Women on the Edge



Diz o fotógrafo:
For the past decade I have been on a mission to document the lack of autonomy that millions of women in developing countries have over their own lives and bodies. Through my photography, I bring these women and their stories to the forefront of global consciousness.
Este vídeo foi publicado há cerca de um ano e meio e à data em que escrevo teve apenas 143 visualizações. Quando um palerma qualquer se põe a dançar em frente à câmara facilmente atinge as centenas de milhares de visualizações num mês. É a vida, lá diria o outro. Pois.

Felizmente o livro foi considerado pela revista magazine American Photo como um dos melhores «Photo Books» de 2015 e tem agora sido referido na imprensa internacional de referência.

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Já agora falo de uma das formas de ajudar estas mulheres

Organismos ou fundações têm tentado romper com este infame estado de coisas, dando às mulheres meios para se tornarem financeiramente independentes. Uma delas é a Women's Trust no Gana com a sua ajuda a nível do micro-crédito.



Uma vez mais: o vídeo foi divulgado há mais de 5 anos e ainda só foi visto, em todo o mundo,  830 vezes. O tema da ajuda às mulheres carenciadas ou abusadas ou exploradas não é, definitivamente, um hit.
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Outra iniciativa notável que nunca será demais divulgar: As avós solares

Shining Hope's solar program is based on the empowerment of women and rural development.




By collaborating with Bunker Roy and the Barefoot College, this unique approach makes solar electricity available to the poorest populations in rural areas.

Illiterate women from rural communities are trained for 6 months at the Barefoot College in Tilonia, India, to become solar engineers. They learn how to make, install, repair and maintain solar panels. They set up maintenance workshops for panels that provide five hours of electricity a day. The villagers control and manage the initiative community and the users have ownership of the equipment.

When they are back home, they are able to bring solar electricity to 300 houses in their village, making it possible for children who work in the fields during the day to study at night, thus substantially improving families' lives.

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NB: Traduzi Women on the Edge por Mulheres no fio da navalha o que, como é bom de ver, não é uma tradução literal -- mas foi o que me pareceu mais adequado.
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Caso não tenham visto, permitam que vos convide a descer até ao post seguinte: Que consequências têm as nossas acções?
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Desejo-vos, meus Caros Leitores, uma boa terça-feira.

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domingo, abril 26, 2015

Uma viagem à Índia


Nunca fui à Índia e não sinto falta disso. Ainda há pouco tempo uma conhecida minha lá esteve e contou sobre a barafunda nas ruas, a confusão do trânsito, a comida que ela achou intragável, a pobreza extrema e escancarada. 

Uns colegas meus passaram lá temporadas e contam que os miúdos lhes sujavam os sapatos e logo apareciam outros para os limpar (a troco de dinheiro). E que, uma vez, um jogou uma cobra ao pescoço de um deles e depois pediu dinheiro para a tirar. E tantas outras peripécias. 

Claro que o património arquitectónico deve ser fantástico e claro que, quem saiba, pode lá ter estadias memoráveis. Mas, a mim, não me atrai, este tipo de ambientes caóticos não me seduz. E, no entanto, gosto de ver filmes ou séries lá passadas*. E, no entanto, acho que a Índia tem uma magia que não estará ao alcance de qualquer um - ou seja, acho que o problema não deve estar na Índia mas em mim.

O filme abaixo, feito para a Vogue Hommes é muito bonito. A sua divulgação tem escassos dias pelo que, à data em que aqui o ponho, ainda nem 50 visitas teve..




Louis Vuitton - Vogue Hommes - Un voyage en Inde avec Kim Jones et Peter Lindbergh


Inspiration militaire, accents Seventies, couleurs de l’Orient et démarche allurée, lorsque le dernier look de la collection printemps-été 2015 fermait la marche cadencée des mannequins sur le runway, l’hommage sonne comme une évidence : Kim Jones, le directeur artistique de Louis Vuitton homme, s’est inspiré de l’Inde. Un condensé d’influences, une ode au voyage, interprétée avec brio par le directeur artistique. Rencontre au Rajasthan.

Réalisation : Fred Pruchon; Journaliste : Hugo Compain; Model : Manu Bora

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* Estava a escrever aquilo e a lembrar-me de Passagem para a Índia




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E, permitam que vos informe que, já aqui abaixo há o humor da Porta dos Fundos. 
Dependência de telemóveis e de redes sociais, é o tema.