igorzinhoplays
🏆 pai de menina
Review Showcase
46 Hours played
Outpath: traz à tona o mesmo sentimento de jogar Minecraft pela primeira vez.

Comprei esse jogo 2 meses antes da minha filha nascer, eu estava em um hiato de muitos meses sem jogar nada, por falta de tempo e vontade. Outpath reviveu a minha vontade de jogar, e zerar esse jogo foi muito gratificante e me fez refletir bastante sobre a vida [real].



Uma aventura onde seu objetivo é a solidão.
Logo ao ser introduzido ao mundo, você verá que o cerne da coisa é a sobrevivência. Assim como o estilo de survival clássico, você coletará recursos, e irá iniciar a sua sequência de craftings, conseguindo ferramentas melhores e desbloqueando novos biomas, para então continuar descobrindo novas ferramentas e recursos, e assim segue Outpath.

Os recursos spawnam esporadicamente, hora ou outra aparecem animais, as ilhas são geradas de forma aleatória e espalhadas de acordo com o que a sorte o trará. Mesmo sem uma clareza de propósitos, a trilha sonora pacífica te encanta a continuar esse progresso ao além, mas logo seu real objetivo vai ficando claro.

O Minecraft Capitalista
Diferente da obra prima da Mojang, onde sua recompensa é pautada puramente na descoberta, a jornada de Outpath o recompensa pela destruição. É claro, como um Tarzan digital você será obrigado a coletar recursos da natureza ao seu redor para gerar seu alicerce biológico e continuar vivo nesse mundo distópico (ou utópico para alguns). Gerar recursos somente para sua existência, porém, não será o suficiente, sua sede é maior.

Em pouco tempo de jogo você perceberá que leva muito tempo para alcançar suas novas ferramentas, que desbloquearão novas outras, e novos biomas, e assim por diante... então algo precisa ser feito. Algo que inclusive já vimos acontecer na vida real. A música é boa, mas não suficiente para relaxar sua incontrolável necessidade de uma revolução industrial.

Além da moeda do jogo que você ganha a cada recurso destruído, que o ajuda a descobrir novos biomas e desbloquear novas habilidades, o jogo nem tão tarde introduz a oportunidade de criar máquinas de desmatamento (assim intitulado pelo próprio autor). Essas máquinas viram a chave e tornaram Outpath [para mim] uma experiência reflexiva que vai além da gameplay.

Natureza viva é recurso desperdiçado
As gramas verdes só se tornaram mais verdes pois nenhuma árvore crescerá. Cada pixel das ilhas será preenchido por uma torre de desmatamento, outra de abates de animais, e um grande sugador de seus recursos ao meio. Esse layout te acompanhará em todas as ilhas até o fim do jogo, de forma cada vez mais ampla, mais bruta e claro, mais rentável.

Descobrir novas ilhas se torna um objetivo insignificante, afinal sua única intenção será a mesma: iniciar um projeto de aniquilação de todo pássaro que ali voa e de toda flor que ali cresce até não sobrar um motivo sequer para continuar ali, e então passar para a próxima ilha e repetir o processo.

Outpath é como a paternidade
Em menos de 3 semanas terei minha primeira filha, e o que se observa estudando sobre educação parental, é que o grande objetivo da criação de filhos, é se tornar inútil para eles. Outpath tem o mesmo princípio, a partir de um ponto onde todos os biomas foram descobertos, nesse mundo onde automaticamente são gerados recursos, que são também automaticamente colhidos pelas máquinas, e reunidos em seu inventário, prosseguindo a fabricação dos infinitos outros itens já programados, faz com que sua presença se torne irrisória.

Se tornar inútil em Outpath, assim como a paternidade, é sinal de objetivo concluído. O mundo já se move sozinho, você não é mais necessário.

Onde esse jogo quer chegar?
Ver o mundo completamente devastado por todas as máquinas, com um dinheiro que já não tem mais como ser usado aumentando exponencialmente, e nada novo é possível ser fabricado te trás monotonia. O objetivo não era ser rico? O progresso não me trouxe felicidade, ao fim? “É isso?”

Nesse momento as árvores e borboletas fazem falta. Se desvincular dos filhos quando estes atingirem a maturidade é uma tarefa bastante dolorosa. Se tornar inútil é doloroso. E esse mundo já tinha se tornado independente.



O fim era claro desde o início
O propósito inicial do jogo não tinha mais sentido, então fui buscar o meu. Meu último ato foi destruir todas as máquinas que haviam ali, retirar todas as minhas construções das ilhas e me alocar apenas em pisos de madeira no meio do mar. Eu continuava não sendo útil para aquele universo, mas assim como eu o suguei até as gramas desde o início, agora o torno livre das minhas ganancias.

Ver as pedras surgindo ao chão, as flores crescendo de novo e os animais caminhando pelas ilhas foi mais satisfatório do que eu imaginava. Essa mesma experiência no início me representava pobreza de progresso, e agora me apresenta riqueza de universo.

Ao fim, só não me arrependi de ter descoberto os novos biomas, se fez necessária a exploração para que eu pudesse chegar a isso, o capitalismo me obrigou a isso. Mas agora ver tudo florescendo naturalmente e um grande universo para caminhar, sinto que finalmente atingi o ápice.

Excelente jogo.
Nov 30, 2025 @ 5:34pm 
conheça meu "coutaralho"
Jul 21, 2025 @ 2:10pm 
saudades das lives, eterno coutinhopvpgamer #arroz
Jun 28, 2025 @ 1:56pm 
arroz
Mar 15, 2025 @ 6:04pm 
çegal
Jul 8, 2024 @ 10:11am 
a lenda
Apr 14, 2024 @ 10:28am 
🟨🟨🟨⬛
🟨🟨🟨🟨⬛
🟨🟨🟨🟨🟨⬛
🟨🟨🟨🟨🟨🟨⬛⬛
🟨🟨⬛⬛⬛⬛⬜⬜⬛
🟨🟨⬛⬜⬜⬛⬜⬜⬜⬛
🟨⬛⬜⬜⬜⬜⬛⬜⬛⬜⬛
🟨⬛⬜⬜⬜⬜⬛⬜⬜⬛
🟨⬛⬜⬜⬛⬜⬜⬛⬛
🟨⬛⬜⬜⬜⬜⬛🟨⬛
🟨🟨🟨⬛⬛⬛🟨🟨🟨⬛
🟨🟨🟨🟨🟨🟨🟨⬛⬛⬛
🟨🟨🟨🟨🟨⬛⬛⬛⬛⬛
🟨🟨🟨🟨⬛⬛⬛🟫🟫⬛
🟨🟨🟨⬛🟫🟫🟫🟫🟫⬛
🟨🟨⬛🟫🟫🟫🟫🟫🟫🟫⬛
🟨🟨⬛🟫⬛🟫🟫🟫🟫 ⬛
🟨🟨⬛🟫⬛⬛⬛⬛⬛
🟨🟨⬛🟫🟫🟫⬛
🟨🟨🟨⬛🟫🟫