terça-feira, 30 de junho de 2026

Não sei se é possível escrever 

Sem entrelaçar

intimidades entre o peito e as letras 


Há alguns anos que me vejo aqui,

As paredes do quarto mudaram de cor, 

Colei todas essas imagens nelas

para me sentir menos sozinha


Caminhando entre uma frase e outra

Ficam, ainda, palavras para não ter que dizer nada.


Não sei se é por teimosia

Ou por esperança, 


Que vivo e escrevo,

Acordo às sete

Tomo café,

Pego o metrô às nove.


Toda banalidade é barulhenta. 

Atravesso a cidade e o verso. 


Nem por teimosa,

Nem por esperança 

Vivo

para encontrar o poema.

[21:32, 30/06/2026] Mirtes Sales: Não sei se é possível escrever poemas

Sem entrelaçar

intimidades entre o peito e as letras 


Há alguns anos que me vejo aqui,

As paredes do quarto mudaram de cor, 

Colei todas essas imagens nelas

para me sentir menos sozinha


Caminhando entre uma frase e outra

Ficam, ainda, palavras para não ter que dizer nada.


Não sei se é por teimosia

Ou por esperança, 


Que vivo e escrevo,

Acordo às sete

Tomo café,

Pego o metrô às nove.


Toda banalidade é barulhenta. 


Atravesso a cidade e o verso. 


Nem por teimosa,

Nem por esperança 

Vivo. Para encontrar o poema.

[22:04, 30/06/2026] Mirtes Sales: Poemas de observação. 

(Ou sobre a teimosa de seguir escrevendo)


Nem só de psicologia vive esse perfil.*


Não sei se é possível escrever

Sem entrelaçar

intimidades 

entre o peito e a letra.


Há alguns anos me escrevo aqui...


As paredes do quarto mudaram de cor, 

Colei todas essas imagens nelas,

para me sentir menos sozinha.


Caminhando entre uma frase e outra,

Ficam  as palavras para não ter que dizer nada.


Me acompanha um livro 

gasto de poesias

ainda mais gastas que ele. 


Não sei se é por teimosia

Ou por esperança, 


Que vivo e escrevo,

Acordo às sete

Tomo café,

Pego o metrô às nove.


Toda banalidade é barulhenta. 


Atravesso a cidade e o verso. 


Nem por teimosa,

Nem por esperança 

Vivo para encontrar o poema.