Não é de todo a minha "colectividade", mas vivo no Porto e a coisa não me é totalmente indiferente. Obviamente não desejo felicidades desportivas a André Villas Boas. Mas só o facto de não ter sido apoiado por Macacos, Pidás e restante súcia e de se ter rodeado de gente minimamente normal já valeria sempre a pena. Espero que corte de raiz com isso, o que parece provável vistas as ameaças que recebeu, e que tenha sido o canto do cisne para certas pessoas que só davam mau nome à cidade e região do Porto. Já tardava.
quarta-feira, maio 01, 2024
terça-feira, fevereiro 27, 2024
Artur Jorge
Recordando Artur Jorge, falou-se sobretudo da sua carreira como jogador e treinador e dos títulos que ganhou, nomeadamente do facto de ter sido o primeiro treinador português a sagrar-se campeão europeu, pelo FCP, e o primeiro a ser campeão noutro campeonato europeu, pelo PSG - e infelizmente, também aquele que iniciou a maior crise desportiva de sempre do Benfica, quando chegou com aura de vencedor, entrando também a sua própria carreira de técnico em declínio. Falou-se menos de outras facetas, como a sua formação em filologia germânica, de ter lançado um livro de poesia nos anos oitenta e a sua colecção de arte e de discos de jazz e ópera.
segunda-feira, dezembro 19, 2022
A final
O Mundial não terá sido memorável por inúmeras razões, mas a Final deve ter sido a melhor desde 1986, e com o mesmo vencedor. Diga-se o que se disser, os argentinos, quando estão bem, trazem emoção e garra ao futebol. E ganharam com mérito (sim, alguns não souberam ganhar, mas não foram os únicos).
Estaria até há dias mais pela França, mas o facto de já serem campeões mundiais em título - ainda por cima com um conjunto muito parecido com o actual - levou-me a apoiar os albicelestes. Há, claro, o facto de haver jogadores benfiquistas no onze, que assim se tornaram os primeiros campeões do Mundo a jogar em Portugal ao tempo da conquista do troféu. Além do mais, esta era uma oportunidade que a Argentina tinha e que dificilmente se repetirá nos próximos anos. Se não ganhassem agora, sabe-se lá quantas mais décadas teriam de esperar. Sim, porque quando Messi se retirar, a selecção argentina será apenas mais uma boa equipa, mas sem nada de transcendente. Já a França irá por certo dominar o futebol na próxima década.
Assim, fica o título bem atribuído. Na disputa para ver quem ficava com a terceira taça, os sul-americanos levaram a melhor aos franceses, mas algo me diz que estes vão conseguir a tripla num dos próximos mundiais, salvo que questões internas de balneário os impedir.
terça-feira, novembro 29, 2022
As semanas mais recentes trouxeram-me um ligeiro travo aos anos trinta e quarenta.
As imagens da libertação de Kherson, das ruidosas manifestações de alegria dos seus habitantes e da visita de Zelensky trouxeram-me de imediato à memória as da libertação da França, em 1944, e da chegada de De Gaulle a Paris, recriada na tela e com alguns testemunhos fotográficos. O presidente da Ucrânia tem sido comparado a Chrchill, mas naqueles momentos transfigurava-se mais como a voz da liberdade e da libertação dos ucranianos, aquele que parecia perdido na início da invasão mas cujas palavras soam a esperança diante do temível Inverno que está a chegar. E tal como a libertação de Paris não significou o fim da guerra, a de Kherson está longe do termo do conflito.
Entretanto decorre o criticado Mundial do Qatar (embora seja exagero chamar-lhe "o Mundial mais controverso de sempre", se recordarmos o que decorreu na Argentina em 1978, sob o infame regime militar que despejava corpos para o mar a partir de aviões, e que até levou à história, apesar de falsa, de que Cruyff não comparecera em sinal de protesto). Os estádios no meio do deserto tiveram a autoria, entre outros, como Zara Hadid, de Albert Speer. Sim, o filho com o mesmo nome do célebre arquitecto de Hitler e co-autor do estádio Olímpico de Berlim. O descendente não seguiu definitivamente as preferência políticas do pai, apesar de algumas controvérsias, explanadas neste artigo da New Yorker. Mas não deixa de causar algum frisson que um evento tão criticado pelo tratamento local dos Direitos Humanos tenha tido o dedo do filho, com o mesmíssimo nome, de um dos autores dos Jogos Olímpicos de Berlim e do projecto da demencial Germania.
sexta-feira, maio 27, 2022
Triunfo onde já se dominou
A Roma, clube mais popular da Cidade Eterna, ganhou o seu primeiro título em muitos anos e o primeiro troféu da Conference League, essa nova competição do futebol europeu. E também a primeira final internacional em Tirana, capital da Albânia.
Não deixa de ser uma extraordinária coincidência: é que o estádio, um imóvel vanguardista recente com uma torre lateral que à primeira vista, de fora, nem se percebe ser um recinto desportivo, fica situado numa zona urbana construída por italianos e que alberga grande parte dos edifícios públicos e administrativos da capital. Todas aquelas construções datam do tempo da anexação da Albânia pela Itália, nos anos trinta, e são de típica arquitectura fascista, racionalista e monumental. O exemplo perfeito é o edifício da universidade de Tirana, ao fundo de uma larga avenida, tendo o estádio do seu lado esquerdo, para quem está de costas para a fachada, e as construções das imediações e da dita avenida obedecem ao mesmo plano. Nem o singular regime marxista/maoísta que se lhe seguiu mudou a sua configuração. E a praça de entrada para o estádio chama-se mesmo Praça da Itália.
É muito natural que com tanta construção dos seus patrícios, e parecida com outras que há em Roma, os romanistas nem se tenham sentido no estrangeiro. Até porque na Albânia muita gente fala italiano e não faltam gelatarias.
quinta-feira, agosto 19, 2021
Cinema com visão
Com o ingresso de Messi no PSG, lembrei-me de uma cena do filme Le Concert, uma comédia em que uma hilariante orquestra russa constituída por judeus e ciganos vai tocar a Paris. A meio, quando um oligarca se prontifica a financiar a viagem da dita orquestra em troca de poder tocar a meio, a mãe do milionário surge de rompante e descompôr o filho, aconselhando-o antes e meter-se no futebol, qual Abramovitch, a investir no Paris Saint Germain e a comprar Messi para o clube francês. O filme é de 2009, ainda Messi tinha 22 anos e o PSG estava longe de ser milionário.
12 anos depois tudo se concretizou. A única diferença é que os investidores são árabes Qataris, não russos. O cinema pode adivinhar o futuro ou é uma deliciosa coincidência fruto de uma imaginação fervilhante que se tornou real?
sábado, julho 17, 2021
A redenção pela bola
Se as história de superação são apelativas, mais ainda se tornam se lhes forem acrescentadas certas concidências e acasos. O Euro 2020 que acabou há dias é disso exemplo.
Julgava que a superação seria a de um homem, Gareth Southgate, o actual treinador de selecção inglesa. Até agora, nunca a Inglaterra tinha ganho um jogo nos 90 minutos na fase a eliminar dos Europeus. Normalmente ficava-se pelo primeiro jogo (o guarda-redes Ricardo que o diga), tirando em 1996, quando a competição teve lugar precisamente em em solo inglês e ultrapassaram a Espanha nos penaltys. Só que nas meias finais jogaram contra a velha rival Alemanha, em Wembley, empataram a um golo e nas grandes penalidades um jogador inglês falhou, impedindo a sua seleção de chegar à final perante o seu público. O seu nome? Gareth Southgate.
Um quarto de século depois, Southgate levou a seleção inglesa pela primeira vez à final de um Europeu, tendo deixado pelo caminho a Alemanha, com um emotivo 2-0. Passadas as meias, de forma algo duvidosa contra uma aguerrida Dianamarca, a Inglaterra lá chegou a uma final, ainda por cima (e como quase todos os jogos que disputou) em Wembley, quase como em 1996 - quase porque se demoliu e reconstruiu o mítico estádio. E o povo enchia o estádio, ignorava os casos crescentes de covid e cantava, em fervilhante entusiasmo, It´s Coming Home, do célebre hino dos Ligthing Seeds Three Lions (A partir dos vinte segundos do video abaixo vê-se Southgate a falhar o penalty; noutra versão, a original, de 1996, aos 30 segundos a seleção inglesa marca um golo à portuguesa, defendida pelo malogrado Neno).
Mas se não houve redenção por um lado, ela veio de outro. A equipa técnica da Itália é constituída quase em exclusivo por velhas glórias da Sampdória de Génova, como Roberto Mancini, Gianluca Vialli, Lombardo ou Evani. E precisamente em Wembley, em 1992, na final da Taça dos Campeões perdida para o Barcelona de Cruyff, Mancini e Vialli, a dupla de ataque, os "gemelli del gol", jogaram juntos uma última partida. Vialli prossseguiu uma carreira de sucesso na Juventus, Mancini na Lazio e ambos foram mais tarde técnicos de sucesso em Inglaterra. Até se reencontrarem na equipa técnica da selecção, um pedido expresso de Mancini, e que como se viu no Domingo, até pelo ambiente da equipa, voltou a dar resultado. 29 anos depois de perderem o título europeu de clubes em Wembley, ganharam o de selecções. É só isto, a redenção? Apenas o pretexto. Porque Vialli, já com funções na Azzurra, sofreu um canco no pâncreas, um dos mais difíceis de debelar, recuperou, teve uma recaída, e finalmente venceu-o completamente, sem mais vestígios. Chegou a dizer numa entrevista que "tinha vergonha de estar tão feliz", quando Itália sofria a primeira e mortífera vaga da pandemia. Um ano depois da sua recuperação, GianlucaVialli, que protagonizou uma destas superstições em que o futebol é fértil, no mesmo lugar onde não tinha sido feliz anos antes, voltou a festejar, em lágrimas, com todas as razões do mundo para o fazer, ou no mínimo com muito mais razões do que apenas um penalty falhado.
sábado, maio 29, 2021
Para uma final britânica perfeita
Uma pena que estejamos na situação em que estamos, com o distanciamento, as máscaras e etc, senão, como aperitivo para final da Liga dos Campeões, podíamos ter uns cantares ao desafio entre Mr. Damon Albarn, dos Blur e do Chelsea, e Mr. Noel Gallagher, ex metade dos Oasis e do Manchester City. Não sendo possível, Go citizens.
terça-feira, maio 11, 2021
O Sporting de Amorim e Varandas
E confirmado o titúlo de campeão, resta dar os parabéns ao Sporting. São justíssimos vencedores, com uma equipa de miúdos e um ou outro jogador experiente, treinados por um também novíssimo Rubén Amorim (é só a parte que me custa, um confesso benfiquista levar o Sporting ao título) que, com mais ou menos dificuldades conseguiram fazer dos lagartos novamente campeões ao fim da maior seca de sempre - 19 anos.
É também uma bofetada desportiva nos Pintos, nos Vieiras e nos Salvadores, nos Conceições e Jesus e em todos os que se achavam donos do futebol, e last but not least, nos Brunos de Carvalho e nos seguidores que ainda tem, os mesmos que agora andam a comemorar despoletando confrontos e pancadaria, a ralé brunista da invasão ao centro de estágios. É bom não esquecer que Bruno de Carvalho é que era o modelo de "líder", o "vencedor", o que ia fazer do Sporting campeão...E afinal de contas o seu sucessor e opositor, Frederico Varandas (o Dr. Watson português, já que como o fiel assistente de Sherlock Holmes também tem o posto de capitão e esteve em missão no Afeganistão como médico do exército) recolheu os cacos, teve de montar nova equipa, apostou com grande risco em Amorim e agora colhe os louros. Uma grande lição de como se pode ser vencedor sem andar com discursos incendiários, bravatas ou truques baixos, e, espero eu, com seguidores no futebol português.
PS: só tive pena que o Sporting se tenha sagrado campeão vencendo o Boavista, que ganhou o seu único título de campeão há exactamente vinte anos, em 2001 (isto da passagem do tempo...) e que agora está numa situação periclitante no campeonato. Espero que os do Bessa se aguentem.
segunda-feira, setembro 14, 2020
Já não se fazem campeões como (nas pandemias de) antigamente
Estava há dias a ver imagens do jogo do campeonato francês entre o PSG e o Marselha, treinado por André Villas-Boas, que acabou com a vitória deste último em pleno parque dos príncipes, e que acabou com uma animada sessão de pancadaria. Mesmo com o regresso de Neymar, Di Maria e de outros que ficaram uns dias fora por terem acusado positivo para o covid (impressionante como esses jogadores recuperaram depressa), mostraram muito pouco e o craque brasileiro ainda levou um cartão vermelho, pelo que mais valia que não tivesse jogado. Como seria de esperar, os marselheses comemoraram à chegada dos seus jogadores, o que não espanta visto o ódio meridional local a tudo o que é parisiense, tanto que até há quem envergue camisolas com o símbolo do Olympique e, no lugar do nome, um lacónico "anti-PSG".
quinta-feira, abril 09, 2020
Da glória à tragédia no espaço de dias
Assim, um feito que trouxe a pequena cidade lombarda para as bocas do mundo pelas melhores razões acabou por ser completamente ultrapassado por uma situação dramática no espaço de dias, situação para a qual concorreu. Do céu ao inferno num curtíssimo espaço de tempo. Uma queda imprevisível mas especialmente amarga. Precisamente por isso, e adivinhando a dificuldade de se concluírem os campeonatos interrompidos, já há petições em Itália para que a Atalanta seja declarada campeã da série A, mesmo que não estivesse em primeiro no campeonato (mas tinha o melhor ataque, com setenta golos marcados), e até há quem lhe queira dar o troféu mais desejado, a Liga dos Campeões. Se dar o título de campeão europeu parece exagerado e até de gosto duvidoso, a atribuição do campeonato italiano à equipa que mais espectáculo deu parece justíssima, à imagem do que aconteceu ao malogrado Gran Torino em 1949, cujo futuro radioso acabou entre destroços na colina da Superga. Seria um magro consolo para tudo o que Bérgamo sofreu, mas para além de compensação, seria um reconhecimento justo aos que respeitaram o público não se rendendo ao futebol cínico e resultadista e um pequeno incentivo, ainda que amargo, para o futuro.
sexta-feira, julho 20, 2018
Vitórias e derrotas simbólicas no Mundial
sexta-feira, julho 06, 2018
Maradona e o síndrome de impunidade dos artistas
quarta-feira, junho 27, 2018
Podia ser pior
sexta-feira, junho 22, 2018
A beleza dos Mundiais fora dos relvados
Os Mundiais de Futebol são uma coisa admirável. Podemos nem ligar muito até ao seu início, mas uma vez começados ficamos ligados a eles durante um mês inteiro. Os melhores jogadores do Mundo (salvo as habituais ausências por falharem a classificação ou por lesão), jogos memoráveis, golos inesquecíveis, surpresas e desilusões, o confronto entre nações, as apostas nos vencedores, etc.
quarta-feira, maio 23, 2018
Sobre uma Taça de Portugal atípica
quinta-feira, maio 17, 2018
O "karma" recaiu sobre o Marselha
quarta-feira, março 14, 2018
Helénicos mas balcânicos
Depois disso as autoridades competentes já suspenderam o campeonato. Entrar em campo de pistola à cinta é demais até na liga grega. Mas esta imagem caracteriza ainda mais um país que, por romantismo ou atavismo, muitos ainda acham que conserva a pureza civilizacional da Antiguidade, como se os gregos fossem de pura raça helénica, nada tendo em comum com os povos vizinhos, esses autênticos bárbaros.
terça-feira, fevereiro 20, 2018
Uma semana de algum gozo
Para completar, o Sporting consegue uma vitória em Tondela que muito animou as hostes mas que só surgiu aos 99 minutos, quando o árbitro tinha dado quatro e descontado dois pelo meio (ou seja, o jogo acabaria sempre pelos 96 minutos), e para cúmulo, o marcador do golo, o central Coates, tirou a camisola nos festejos e não levou o correspondente amarelo, que o impediria de jogar na próxima semana. Ainda não percebi porque é que as crises de vitimização sportinguistas são tão levadas a sério.
O Benfica tem tido uma época algo amarga. Venda de jogadores essenciais, má preparação do plantel e aquisições duvidosas, um desastre nas competições internacionais, ataques da aliança Porto-Sporting, casos judiciais sobre Vieira, etc. No entanto, e apesar das lesões de jogadores importantes, a equipa de futebol atravessa o seu melhor período este ano. Tem conseguido bons resultados, alguns até com goleada, boas exibições, e alguns jogadores até apresentam uma consistência que ainda não lhes tínhamos visto este ano, casos de André Almeida e Rafa. O "Penta" é um sonho algo distante, mas não custa experimentar lá chegar. Ao menos esta semana de alguma boa disposição já ninguém nos tira.