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dezembro 01, 2020

O caminho faz-se caminhando...

 

Porque um vírus é a superameaça, o perfeito sonho totalitário e ditatorial. Nada de gulags, câmaras de gás, campos de concentração, prisões, polícias, serviços de censura, o rebanho avança para o extermínio pelo próprio pé e bem mascarado para que se veja que obedece. 

(RdC, aqui)

abril 12, 2016

"Fumar pode matar. Não fumar também."


Tabaco em Latim é Nicotiana tabacum, vocês não sei. Considerem-se apresentados.


Os fumadores fazem sexo antes do cigarro, ao contrário dos não-fumadores.


Ética aplicada a fumadores e não-fumadores: Não devemos discriminar nem censurar. Os julgamentos morais são dispensáveis. Para julgar os não-fumadores existem os tribunais.


A tosse nocturna é a dor de cabeça que os pulmões inventam quando não querem ter relações com o tabaco.


Os cigarros electrónicos são como a inseminação artificial: perde-se a melhor parte.


Não fume em jejum. Comece por mascar uma porção de tabaco.


A expressão «fumar o cachimbo da paz» nunca trouxe miséria ao mundo.


Se fumar no quarto, tenha sempre uma cama ao lado do cinzeiro.

"Ética a Nicotinómano", daqui.

março 21, 2016

A tradição já não é o que era, senhor Duchamp


As minhas outras (modestas) contribuições na blogaria: esta, esta e esta. Já se sabe que ser sportinguista é meio caminho andado para um pacemaker. Passeando por aí, duas postas do Cão, esta e aquela da forma que aspira a um fim. Sem dúvida. 

agosto 15, 2013

Explosões do acaso


Para lutar contra o mal recomendava a aprendizagem da leitura, uma leitura que compreendia os números, as cores, os sinais e a disposição dos objectos minúsculos, os programas de televisão nocturnos ou matinais, os filmes esquecidos. Não acreditava, no entanto, na vingança: era contra a pena de morte e a favor de uma reforma radical das prisões. Andava sempre armado e defendia o direito dos cidadãos a andarem com armas, único meio de prevenir a fascização do Estado.

“Estrela Distante”,  Roberto Bolaño

outubro 31, 2012

Tá tudo, ou falta pintar?


- Tá tudo...


Olha se não parece a assembleia da República: lá está o dormitar relaxado, lá está o sorriso néscio e um outro, maléfico, de quem observa, com gosto, o barco a afundar; e os outros, os que (supostamente) querem chegar às filas da frente, a aquecerem o lugar.

setembro 25, 2012

Um Sporting Sá Pintoniano absolutamente literário (contra um Gil Vicente não poderia ser de outra forma)



Tás lá Sá Pinto, caso contrário, como diz a Lianor [na farsa de Inês Pereira]: “dai isso por esquecido,/E buscai outra guarida.” 
Sacado daqui


Nenhum jogo que disputarás será a Batalha de Agincourt. Não és Henrique V. Também não sou Shakespeare. Mas sempre que tiveres dúvidas, lê a peça. Vais ver que está lá mais do que em todos os livros sobre futebol que possas ler. 
 Sacado daqui

[Salta Sá]

setembro 17, 2012

E o que diz a padaria?



O que diz a padaria? A padaria continua. A menina do balcão continua atrás do balcão. Está rija, escanzelada, quer ser escanzelada, quer ser rija. O careca fica a olhá-la, aparece por acaso, e fica, também por acaso. O Ernesto electricista continua Ernesto, e continua electricista sempre que pode, de resto biscateia. Ao seu lado, o Silva, quer-se presente, tem a escola da vida, a universidade da vida, o curso todo, mas muda de conversa, essas palavras já deram o que tinham a dar. Está ali, fala do gatinho e do neto, e do futuro do netinho fala também o Mendes, junto aos velhos tempos, recordando o Guimarães, um tipo porreiro mas com mau vinho. 
Da Miquinhas rareiam notícias, também não é de fiar, e o Tabuletas foi para o Luxemburgo a mando do cunhado, não se sabendo se por lá solta fogos. A padaria continua, esvazia, meia de leite, meio galão, meia vida. Agora chega o Tone, o da bomba, encosta-se ao balcão, o olhar triste consagra o momento, o Mendes limpando as beiças de gelado ao netinho, “no meu tempo…”, e um pedido de Super Bock soa, fresquinho, ali ao lado. “A mim é que não me apanham mais, esse lambões”, diz o Silva a esfolhear o Record e a olhar o rabiosque da sobrinha da Custódia, “tão crescida que está, quem a viu”…

[Marc le Mené]

setembro 12, 2012

A mosca anarquista


«Assim como o seu amigo Sr. Utz podia dizer à primeira vista se uma peça de porcelana de Meissen era feita da argila branca de Colditz ou de Ezgebirge, também ele, Orlík, após ter examinado ao microscópio a membrana iridescente da asa de uma mosca, clamava saber se o insecto vinha de uma das lixeiras que agora rodeavam o novo jardim da cidade.
Confessou estar encantado com a vitalidade da mosca. Era moda entre os seus colegas entomologistas – principalmente os membros do Partido – aplaudir o comportamento dos insectos sociais: formigas, abelhas, vespas e outras variedades de himenópteros que se organizavam em comunidades regimentadas.
  – Mas a mosca – disse Orlík – é uma anarquista.»

 “Utz” (pp. 35), Bruce Chatwin. Tradução de José Luís Luna. Quetzal.

Por falar em moscas. O CÃO refere uma outra raça que as moscas, umas e outras, temem. Ou deveriam. 

mosca