Corre o ano de 1607 quando 3 navios ingleses aportam na Virginia (sugestivo nome para uma terra inóspita) a fim de estabelecer uma colônia no local. Trata-se da história de Pocahontas em formato adulto, envolta em tamanho lirismo que - às vezes -chega a ser chato. Mas essa é a marca do diretor Terrence Malik, que conseguiu imprimir o mesmo movimento em 'Além da linha vermelha', o mais poético dos filmes que tiveram como tema a 2a. grande guerra, em particular as batalhas travadas entre americanos e japoneses. Como diz o Dan, velho amigo, 'Petacular!'
É essa plasticidade que dá a 'O novo mundo' a conotação do sonho, da descoberta e da possibilidade de união entre os povos (do ponto de vista indígena, logicamente, que por ironia do destino chega a salvar o branco do fustigante inverno local ao lhe fornecer comida). Em reunião do conselho, os índios chegam à conclusão que devem expulsar os brancos, antes que mais cheguem e a situação se torne irreversível. O que não sabem é que o processo de conquista e apropriação, acima de qualquer lei, cedo ou tarde os empurrará para fora de suas terras. Avatar?
É, portanto, a característica selvagem humana que prevalece (e dizer que eles, índios, eram os selvagens). Rompem-se com as tradições da cultura ao se passar como um rolo compressor sobre seus valores, submetendo-0s a preceitos que sob a ótica do homem dito 'moderno' são verdadeiros. Assim se destrói uma nação, enterrado-se valores em nome da nova ordem. Nada é mais emblemático do que a cena em que Pocahontas, a princesa do além-mar, é recebida pelos reis ingleses: vestida dos pés a cabeça em trajes europeus, abrindo mão de seu verdadeiro mundo, é a prova viva do poder que deixa suas marcas por onde passa. Ela não sabe, mas já está morta.
As contradições são imensas. Enquanto índios se unem em torno de objetivos comuns para garantir sua sobrevivência - caçar, organizar seus ritos - os homens matam uns aos outros na luta pelo poder ou pelas provisões que ainda restam. Doenças se alastram, crianças são abandonadas à própria sorte e tem-se a nítida visão do caminhar humano na construção de suas sociedades: um contínuo arrastar que deixa vidas pelo caminho, se suporta em em seu individualismo e faz valer, acima de tudo, a lei do mais forte.
Outras práticas