No lugar dali vivia ela.
Ele morava no sítio daqui.
Ele morava no sítio daqui.
No espaço do meio, a língua de alcatrão, filha daqui, por onde corriam sons vadios, estava lá para dizer que além era terra vermelha, mussequeira, com fogueiras, tambores, cantares, danças gentias da noite e cazumbices.
Todos os dias, quando a Lua já vinha se destapando, ele saía, ximbicando o dongo do desejo, descia no principio da terra, entrando pelo quintal sem porta. Procurava-a, vi-a, tocava-lhe. Falavam-se com palavras de dizer sentimentos que lhes corriam por dentro, ainda filhotes. Alagavam sangues com calores. Ela dava-se com silêncios de sussurros e sorrisos de menina. As almas dos dois amigavam, aproveitavam, subiam às alturas, dançando em festa. O amor passou a ser de muitas noites.
Quando, daqui, ele chegava, no escurecer sem Lua, as nuvens entravam em frenesi, desenhando-lhe estrada murmurante, que o levava aos sorrisos de menina. Regressava, roendo a noite, envolto em carícias.
Os sentimentos cresceram. Os sorrisos passaram a ser de luz, de mulher.
Uma dia o dongo encalhou numa noite diferente, num de repente. A terra mussequeira tornou-se queimada crepitante. O vento soprou-lhe gritos e som de tiros. Correu, para a mulher de sorrisos de luz, a ela se abraçando. Ficaram os dois, bem juntos, beijando-se com palavras meigas, trocando purezas de felicidade. A Lua fugitiva desceu, cirandou à volta deles. Fundiram-se num só sítio.
A manhã apareceu sobre aduelas queimadas, ainda fumegantes, trazendo um Sol com raios de fogo.
A guerra chegara!