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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ARRUMAR O JARDIM


o que vier a mim
veio
o que não vier
não veio
e morrerei no fim
velho
na paz de mim

(Fabio Rocha)

domingo, 12 de setembro de 2010

sexta-feira, 18 de junho de 2010

quinta-feira, 10 de junho de 2010

MEUS TRINTA ANOS

a certeza insana
de não ter vivido nada
enquanto a decrepitude
decreta:
não viverás muito mais

(Fabio Rocha)

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A MORTE, O FIM, A DESPEDIDA, A TRANSITORIEDADE E O MEDO NO INCONSCIENTE DO EU LÍRICO DORMENTE (UMA PSICO-ANÁLISE VIA POESIA)

A festa acabou
na casa antiga
e enorme.

É tarde.

Pessoas demais.

Não quero ler mais nada.

Apago as luzes acesas
tranco as portas escancaradas
que é noite ainda
madrugada.

Noite.

Vozes me acompanham
e um cão em ossos negros
morto
anda comigo.

No quarto antigo
e meu
uma paixão mal acabada fala mal de mim
a amada
deitada nos braços de outro cara
feio asqueroso filha da puta burro
e deixo minha cama bem grande e minha
para transarem em cima pela noite adentro
sem dizer nada
sem dizer
nada...

Enquanto isso
uma por vir
e outra iniciada.

Mudam os nomes
e datas
(às vezes, nem isso).

Pessoas demais.

Desço as escadas
trancando a apagando
e nunca parece bastar.

Pessoas demais.

Amando?
Amando quem, caralho?
A mando de quem, amar?

Quero uma só.

Quero uma só?

Quero uma só
que não me seja faca
só lâmina
no final...

Mas sem ser fraca
não perca o brilho
do metal.

Uma
só.

As vozes de fora
me falam de alguém me chamando
perto da máquina de lavar.

É minha irmã bem casada
no chão, sem queixo, machucada
tentando se proteger do cachorro sem plumas
maldito manco morto deformado e negro.

Alguém chama
uma ambulância?

Pessoas?

Vozes de fora?

Alguém?

Do cão
do fim
eu te protejo.

(Fabio Rocha)

domingo, 20 de setembro de 2009

MAR FORTE (A)TEMPORAL

quando a paisagem passar:
deixarei uns poucos versos bons
muitas dores fortes
e uma vontade antiga
de amar até a morte

(Fabio Rocha)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

PARA O SEOMÁRIO

Menos um poeta azul
nesta noite cinza
que é o mundo.

(Fabio Rocha)

Só hoje soube do falecimento do Rodrigo de Souza Leão. Susto, tristeza, vazio... Tão jovem. Meu primeiro contato com ele foi também a minha primeira (e inexperiente) entrevista. Depois é que pude conhecer e admirar seu trabalho escrito, e me sentir um pouco como seu irmão na poesia e na lowcura que todos os que criam carregam consigo em algum grau. Noite triste...

P.S.: O último poema dele, que achei agora no blog:

Tudo é pequeno.

Tudo é pequeno
A fama
A lama
O lince hipnotizando a iguana

O que é grande
É a arte
Há vida em marte

Rodrigo de Souza Leão

quinta-feira, 9 de julho de 2009

SIBILO

antes que a noite
engula o tempo
escrevo lento
antes que a foice
antes que o vento

(Fabio Rocha)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

SAUDADE

Para Carmen Santos

Me preparo
pro funeral
de minha avó
sob o silêncio
de dez mil canções tristes.

O passado
abraça suave
e se despede arredio.

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

SONHOS DE VOAR

Chove.

É tarde
ou talvez cedo:
a verdade
é o medo
da morte.

O que arde
no canto
das asas
abertas
atônitas
despreparadas
para a solidão do céu.

O fundo
do abismo
é o mundo.

Sonhar em voar
e cair
e morrer
a toda hora
morrer um segundo
morrer a criança
que sonha e não voa
é triste.

(Fabio Rocha)

domingo, 2 de novembro de 2008

O TODO

Por muitos sonhos
do mar fugi.

Ondas gigantes me perseguiam
tubarões quase alcançavam...

Até que deito na areia.
E sinto a onda vindo
e deixo a onda vir.

Será noite ou era dia?

Estrelas ao lado,
os olhos fechados,
a onda chegando...

Paz.

Imóvel
coberto
tomado
pela imensidão
da eternidade azul.

(Fabio Rocha)

terça-feira, 1 de julho de 2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

TORRE DA TÉCNICA OU BABEL EM PAPEL

prosa não tem nexo
Poesia é o internexo
entre a dor do preso e o prazer do sexo

Disto isto, nobres senhores Doutores,
a quem interessar possa, nesta data
quero deixar aqui bem claro
que a poesia oficial atual mundial
é chata
mas seus prefácios mais ainda.

Por não falar nisso...

Segurança é racional
no entanto o animal
disto se sufoca mais e
mal
do pânico
(metodicamente comprovado)
(metodicamente comportado)

Para não perder a rima,
o jornal
é superficial
(boa noite)

E a certeza da noite
certa para todos
continua presa
na garganta
profunda
(mesmo para os que moram na superfície)

Assim sendo,
o desejo globalizado
troca o auto-conhecimento
pelo sucesso de um carro importado
(nunca suficiente)

Acho que sonho
mas não acho tempo
para achar o que sonhei

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

FUNERAL

depois da chuva fina
do dia cinza e lento
um piano abre
o sol

si
e em algum tempo
alguém querido
sorri

(Fabio Rocha)

quarta-feira, 16 de agosto de 2006