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quinta-feira, novembro 19, 2009

Da relação, nem sempre evidente, entre poesia e ciência


O blogue "da realidade outra" é expressão, na internet, de um núcleo de poesia da Miau Associação - entidade parceira do projecto Cientistas ao Palco. Aqui fica um poema retirado desse blogue.

movimento perpétuo


Pensamos a partir do postulado
De que tudo no mundo é relativo,
Quando é certo que em tudo o que medimos
é a nossa própria dimensão que achamos.
Em cada óbito o cosmos morre inteiro
E inteiro vai ressuscitar no óvulo
Que, fecundado, vinga.

publicado por Francisco Arcos

terça-feira, fevereiro 17, 2009





I. Conchas


Tu e eu, metades iguais
Do mesmo fruto
Que o mar, de paixão,
Salga.

E a concha se abre,

Bivalve moradia onde
Em teu corredor me esquivo.

E a concha se fecha

E de duas, uma só se faz.
Feita de tu e eu.



II. Jogos de salão


Cuidadoso aplica o giz azul. Boleando.
Deitou-a sobre a mesa de bilhar,
Os mamilos
Parecem-lhe dois pontos azuis no pano verde.

Os pontos no pano verde parecem-lhe mamilos azuis.

Risca a preceito o triângulo,
(como se fosse pélvico em negros reflexos de azul)
Sobre o pano verde.

O taco aponta para não falhar o embolse
(consumado)
Rasgado no pano verde.


III. Árvore de Fruto

Estremeceu quando
Um riacho de vida a invadiu.

(Estremeceram as margens quando
O rio de enchente se fez.
Fertilizam os campos de água
Encharcados.)

Nascerá o fruto de
Tão bem tratada árvore.


IV. Cio

Como um gato dissimulo-me
Por detrás das ramagens.
Aguardo-te a chegada distraída,
Confiado no silêncio do luar.
Cheiro-te a passagem de odor
Feito passaporte.
Ataco-te o cio num miado
Lancinante.



PreDatado
©2009



Poema reproduzido com o consentimento do autor.

Publicado originalmente em
http://www.predatado.blogspot.com/

(Foto de Portal Biologia)

sábado, dezembro 20, 2008

Um novo colectivo poético almadense: Jovens Poetas Vadios

Depois do Debaixo do Bulcão e do grupo Poetas Almadenses, Almada tem mais um colectivo poético. Chama-se Jovens Poetas Vadios (http://jovenspoetasvadios.blogspot.com/) e fez a sua apresentação pública na Biblioteca Municipal de Almada, durante a sessão de "poesia vadia" de Dezembro.

Têm como objectivo assumido "despertar em outros jovens a vontade de ler, escrever, ou simplesmente gostar de poesia" e "incentivar outros jovens poetas a manter viva esta arte de escrever".
Na apresentação do projecto lançaram também uma edição, em nome próprio, dos cadernos de poesia Index Poesis (caderno nº 72), com textos de Sandra Marisa Gonçalves Gomes, Pedro Esteves, Dummador, Akul Ekulf, Fábio Queirós, Alexandre Soares, Nelson 'Ngungu' Rossano, João de Matos, Ramires, Didier Ferreira.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

reabertura do blog aranhiças & elefantes


dia 15/Dezembro/2008, 2ª F

REABERTURA do blog aranhiças & elefantes!


Depois de uma drástica sabáStica eis-nos de volta à selva, dizemos, blogosfera.

Visitem-nos! ESCANGALHEM-NOS!!! Comentem-nos! Critiquem-nos!
Depois do blogger.com, agora as aranhiças & elefantes estão no youtube!!!vejam os animais em exposição, a.k.a performances poéticas a & e. (escusado será dizer que o próximo passo é consti(poetic)ar o mundo - muahahah)

aguardamos a vossa presença!obrigada!
abranhaços e trombeijos
http://www.aranhicaselefantes.blogspot.com/

segunda-feira, abril 28, 2008

Abril

Abril…
Libertador das amarras da censura
Grito de raiva e de revolta!
Rostos sorridentes
Livres
Porém...
Lenta e difícil democracia
Que tarda a chegar ao povo inteiro
Liberdade!
Existe com certeza.
Mas falta confiança no futuro
Num País à deriva de si próprio.


Mário Margaride

No blogue Canto Poético
http://avano2006.blogspot.com/

quarta-feira, abril 23, 2008

"Pessoas lendo"

"Pessoas Lendo", ou "a ler", é um blogue norte-americano (de San Francisco). Imagens e textos em http://www.peoplereading.blogspot.com/




segunda-feira, novembro 26, 2007

Diamante lapidado

Escrevo, porque não consigo ver-te,
a proliferação da inércia,
não me permite confabular.

És um diamante lapidado,
és um ser precioso que encanta
e é encantado,
revelas no oculto a subtileza altiva,
deixas-me permanecer na ilusão.

Diamante provoca a perdição,
porém ofuscas-me com artes enigmáticas
deixando-me com esta angústia excruciante,
em virtude de não te ter.

És um diamante cobiçado,
uma jóia não rara, mas eterna.
Jóia ingénua que obliquamente
me faz permanecer na quimera
do tormento silente.

Diamante, pedra tão bela...
confere-nos o poder absoluto instantâneo,
faz-nos fantasiar com um mundo
para além do paraíso celeste,
permite-nos viver perfidamente
no sonho da realidade em simultâneo.

O seu brilho abraça-nos infatigavelmente,
deixando-nos inexoravelmente extasiados,
com a sua dominação sedutora.

Nelson Ngungu Rossano

caminhodosversos.blogspot.com

quinta-feira, novembro 22, 2007

Que bom que é poder escrever



Para muitos, a felicidade tem a forma de uma mulher
Para mim, a felicidade é poder escrever.

A poesia não é um cigarro que suga-se e deita-se fora
A poesia não é um carro que avaria a toda a hora.

A escrita é o culminar de pensamentos
A viagem para um mundo sem tormentos.

A poesia chama por mim como o íman atrai o ferro
Debruço-me sobre a caneta...e o resultado é o que escrevo

Eu escrevo porque sonho e sonho porque desejo
Tirem-me tudo! Mas jamais tirem-me o que escrevo.


Didier Ferreira
(em Index Poesis – colectânea de poesia
organizada por Ermelinda Toscano)

Mais poemas deste autor
no blogue
Eu sou...

sexta-feira, novembro 09, 2007

Palpitações


Corro por caminhos e estradas de mau-olhado e encantamento,
Vivo da criação, da ficção, da alucinação, do absurdo e da obra!
No limiar da loucura, talvez te despose amanhã.
Há dias que não quero nada, outros que aceito tudo!
Anseio sorver a vida para dentro de mim e agarrar o nada e o todo.
Sinto o murmúrio do vento que não sopra,
Sangro por dentro nos dias gélidos do Outono,
Vivo a fantasia e o desvario...


Mundo Imperfeito
(poema e foto deste blogue:

domingo, novembro 04, 2007

O erro do oitavo dia

depois da criação
o cansaço
ou a saturação
ou a satisfação genesíaca
tomaram conta de Deus

ao que parece esse foi o seu único erro:
esqueceu-se dos acertos
das correcções
das adaptações
e lançou o protótipo no mercado -
versão Homo Simius 0.1

(não se conhecem versões posteriores)


inominável

pontodesaturacao.blogspot.com

Saudade

à memória de meu amigo Barros que foi e nunca se pronunciou

1
Oh! Como eu gostava de voltar à Realidade...
Tanto que eu gostava de voltar à Realidade...
- Mas como?! – Não tenho meio de transporte!
Tanto que eu gostava de visitar a campa de um tijolo,
meu amigo,
sepultado lá... na realidade!
Mas não posso, não tenho meio de transporte!

Era um bom tijolo. Chamava-se Barros,
era banco e mesa na minha pequena casa.
Um dia convidei Deus para jantar na minha pequena casa,
Barros não aguentou com a divindade e, desfez-se em pedaços
no coração da minha pequena casa.
Por isto, o sepultámos na Realidade...

2
-Não! Ninguém voltará!
Diz uma lei qualquer da “Constituição da Natureza”.
- Mas eu sou real, nasci lá!
- Real sou eu!
responde-me o rei, e eu pergunto:
- Quem mais ama a pátria que o Exilado?
e o Sol responde. O Sol responde a tudo.
É o maior amigo que tenho aqui onde estou,
no Mundo em que as estrelas do mundo real
são os candeeiros duma cidade.


João Rato
reidosleittoes.blogspot.com

terça-feira, outubro 09, 2007

Citações de um coração

Desde o dia que eu nasci, acordo;
e vejo-me dentro de um milagre:
Sei, que só o deixarei de o ver,
Um dia quando morrer.
Deixo a todos as minhas poesias,
e a sublime paixão de escrever
que vivo todos os dias.

Deixo-vos a dor referencial,
para que o bem seja notado.
Deixo-vos o sofrimento,no fundo de uma tela,
aquela, que nos leva à perseverança:
alerta-nos e adverte-nos neste mundo,
de todos os males de consciência.
Sem ela, nunca conheceriamos a complacência.

Deixo-vos a beleza,
alegria e a fragrância da natureza.
o conhecimento e a vitalidade
e o alcance da plena consciência…
e o enxergo dos olhos e da alma de realidade
que se encontra escondida para trás a aparência
e que materializa os nossos pensamentos;
com interesses, egoísmo e toda a descrença,
a pior forma, e a mais adversa!

E nunca se esqueçam, que para se receber,
Primeiro é preciso dar e saber atrair,
em seguida saber irradiar…
Deixo-vos a tristeza,
Para que a vossa alegria seja apreciada.
E a carência vos ofereça a abundância,
Para que a vossa vida tenha significado.


Pedro Alves Fernandes


(Mais poemas deste autor
no blogue Pintura Astral)

domingo, julho 29, 2007

Água doce








Fontes sagradas
explodem
das veias da Terra.
Minhas lágrimas doces
escorrem pelos dedos
das montanhas
e têm os pingos conspurcados
pelos braços das cidades...
Voltarei algum dia
a ser cristalina
no fundo do teu olhar?
Poderei entregar-me sem nódoas ao mar
e doar-lhe a doçura em seu leito de sal?

Registro na FBN/EDA
Mais poesia (e prosa...) desta autora, no blog

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Dois blogues muito interessantes!

Enquanto preparo um artigo que explique quais são os critérios de edição deste blog (fá-lo-ei em breve, prometo), deixem-me abusar um pouco do meu privilégio de editor e aconselhar-vos dois blogs que, na minha opinião, são muitíssimo interessantes.

Eles são, (por ordem meramente alfabética):

Se eu flor de morango... Prosa e poesia

de Madalena Barranco,
autora brasileira (de São Paulo) que se apresenta com estas palavras:
"Formada em Letras, paulistana, escritora/ tradutora. Escrevo poesia e prosa em busca do resgate da magia pessoal e da realidade que se oculta na fantasia. E às vezes, além de fazer salada de letras, experimento receitas naturalmente fantásticas."

Blog: flordemorango.blogspot.com. Mas visitem também o site da autora (http://br.geocities.com/mmbarranco/)
onde irão encontrar poemas como este:

MADRUGADA PAULISTANA

Deslizo
pelos úmidos
olhos
de São Paulo
e vou parar
no lago cimentado
de uma cidade
em prenúncio
de tempestade.


O vendaval
dominado
beija
o cabelo
dessa garoa
e
sinto cheiro
de terra amada
na chaminé
que nunca se apaga.


Peço café expresso.
Ainda é madrugada.


Madalena Barranco


O Outro blog que me apetece recomendar hoje chama-se

Zoo Poesia:



e, como o próprio nome indica, a maior parte dos poemas lá incluídos têm a ver com animais.
O editor do blog, Sidnei Olivio:

"Nascido em São José do Rio Preto, SP. Biólogo, exerce a função de Auxiliar Acadêmico do Departamento de Zoologia e Botânica do IBILCE-UNESP, desde 1985.
Poeta e escritor, tem dois livros de poesias editados em co-autoria ("Zoopoesias", 1999, Ed. Rio-pretense e "Poesia Animal", 2003, Ed. Sterna) e um livro de contos editado em co-autoria (Mutações, 2002, Ed. Scortecci).
Participou ainda em mais treze livros de coletânea, sendo os principais Leituras de Brasil, 2001, Ed. da UNESP e Petali d Infinito, Accademia Internazionale Il Convivio, Itália, 2002."

E um dos poemas lá publicados:

borboleta


depois do fastio
caminha
a lívida lagarta
ao ponto
alto
seguro
de sustentação (o galho)
à aparente latência
um transformismo mágico
em asas e cores

sidnei olivio
(em zoopoesia.blogger.com.br/)

(Nota de rodapé: depois de visitarem esses sítios logo vão entender que existe algo em comum entre os dois. É que num fala-se de vegetais e no outro de animais. Boa desculpa para os juntar no mesmo artigo, não é?


António Vitorino)