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sexta-feira, julho 26, 2019

Kenneth White e a Geopoética: a descoberta do Mundo Branco.

Kenneth White, autor de O Espírito Nómada, editado pela Deriva Editores em 2008
Foto Revista Caliban
Publicámos «O Espírito Nómada» de Kenneth White em 2008, na Deriva Editores, e com tradução de Luís Nogueira, pelo que este artigo é também uma lembrança feliz deste último, já desaparecido. O primeiro editou-o a Relógio d´Água em 1987, com tradução de Maria Regina Louro. Desde logo nos pareceu um autor peculiar e inovador na abordagem à poesia, dando-lhe novas formas e modificando-lhe o conceito habitual entre nós «os contemporâneos». Não deixa de ser paradoxal que em Portugal só se tenha publicado dois livros dele, quando se conhece a enorme bibliografia de Kenneth White, entre poesia, ensaios e prosa e acompanhado igualmente por um reconhecimento internacional, sendo professor de Poética em várias universidades. Sendo escocês das Terras Altas e crescendo nas suas costas foi, contudo, no rude noroeste da Bretanha onde se fixou permanentemente. Fundou, em 1989, o «International Institute of Geopoetics» http://institut-geopoetique.org/en/ (o seu site está em várias línguas entre as quais o português). Neste momento está ao dispor dos interessados um trabalho muito profundo e sério deste autor, também entrevistado, na revista «Flauta de Luz», nº6, (flautadeluz1@gmail.com) e sob a responsabilidade de Jorge Leandro Rosa e Júlio Henriques. Esteve entre nós, sem grande publicidade, num colóquio organizado pela FLUL entre 21 e 22 de Maio de 2019.

Kenneth White procura então o mundo branco que estando à nossa frente, não o procuramos mais virados que estamos para a tecnologia e para o consumo desenfreado aceitando «bovinamente» um falso bem-estar e as propostas ditas literárias e poéticas das grandes empresas editoriais. Tentaremos chegar a esse mundo através das poucas linhas deste artigo e sobretudo pelas palavras do próprio. Diz K.W.: «Desde há anos, se me acontece passar pelas cidades, frequento sobretudo as costas…Ao mesmo tempo limite e abertura, área de resistência e de dissipação, linha definidora e convite ao vazio, a costa é sem dúvida o lugar por excelência de uma poética de energia, de uma cosmografia em acção, de uma meditação movente» (Les Rives du Silence, p.7).Promove assim um método: o do nomadismo intelectual, tanto no espaço como no tempo e acrescenta que não há nele qualquer diletantismo, antes uma prática na qual «viagem e visão seguem juntas». Avisa, todavia: «não se trata de uma simples aventura, nem de uma simples expedição científica. O seu plano de trabalho comporta diversos estratos, está aberto a configurações inéditas. No seu cume, encontramos uma concepção de harmonia, uma estética (…)» Ou seja, promove uma ligação íntima entre a arte poética e a arte de viver, que, desde o fim dos tempos e a partir de meados do século XX passou a ser uma emergência.

Numa Carta a Portugal a propósito da Geopoética que faz parte da Flauta de Luz, nº6 (mereceríamos nós que ele se mexesse para nos enviar uma carta?) remete-nos para o «nosso» Espírito Nómada, em cuja terceira parte do livro, Poética do Mundo, trata dos Elementos da Geopoética. A sua leitura tornar-se-á mais clara. Quem quiser adquirir o livro nas livrarias já vem tarde. Agora só nos alfarrabistas ou pedindo à distribuidora da Deriva. Talvez haja por lá alguns. Os autores que mais lhe chamaram a atenção não deixa de ser singular: Fernando Pessoa no seu Ultimatum, o seu poema mais nietzscheniano e Miguel Torga. A este último dedica-lhe estas palavras: «a região natal de Torga foi o Nordeste, em Trás-os-Montes. Mas os trabalhos que dedicou a este território vão muito mais além de qualquer nostalgia localista». Para ele Torga é um proto-geopoetista.

Na excelente entrevista que Kenneth White dá a Jorge Leandro Rosa e Júlio Henriques paremos neste trecho: «O ‘’nómada intelectual’’ que eu sou, e que desenvolveu, com comprovados exemplos, a teoria prática do nomadismo intelectual no livro O Espírito Nómada, atravessa territórios e culturas em busca de elementos susceptíveis de ser incluídos numa possível cultura mundial. Situado no extremo limite crítico da sua ‘’própria’’ civilização, este nómada abre um caminho explorando margens de pensamento e de experiências esquecidas. Lucidamente. Sem se converter seja ao que for. Sem esperança. E por viver sem esperanças, nunca posso sentir-me desesperado». Kenneth White lançou aqui uma abertura para o que considera ser o «mundo branco». Ele define-se atrás como anarco-arcaico e será necessário lembrar este aspecto para que ele surja logicamente como um inimigo confesso do trans-humanismo que «acompanhado de robotização e de inteligência artificial, (…) é preciso resistência. Mais do que resistência, o desenvolvimento de um pensamento outro.» Mais do que voltar a um humanismo coagulado, construir um humanismo que rejeite o robô. Mais à frente, para que não permaneçam dúvidas sobre o humanismo que o autor pretende, ele explica melhor: «Enquanto isso [a adesão acéfala ao cientismo, à mitologia, ao misticismo, à religiosidade ou à espiritualidade, ou pior ainda, à má literatura], os inquisidores vigiam, os guardiães da fé antropocêntrica afiam as armas, os defensores de um humanismo míope, incapazes de conceber uma evolução fora dos sistemas conhecidos e que têm acumulados danos, estão prontos a asfixiar o planeta e a humanidade inteira em nome dos princípios que se pretendam humanistas, humanitários

Rui Bebiano, numa recensão ao livro na Ler, nº73, em 2008 o seguinte sobre Kenneth White e O Espírito Nómada:
«White prefere associar a erudição à forma de errância que alarga a leitura do mundo e, através de «universos de substituição», liberta o humano do «universo concentracionários das civilizações». Neste livro, escrito há duas décadas, enunciam-se alguns dos caminhos que essa escolha poderá abrir. Atravessando múltiplos saberes, o autor procura conduzir o leitor até esse território radical, que chama de geopoética dentro do qual pretende unir a presença no mundo a uma estética que seja poderosa, comevedora e bela. Se o prestígio do «nomadismo intelectual» se afirmou pelo menos desde os românticos, Kenneth White é dos primeiros a conferir-lhe uma base teórica. (...)»

Da Deriva Editores, escrevemos na contracapa de O Espírito nómada este trecho de Kenneth White:
«Desde há alguns anos para cá, a palavra “nómada” anda no ar. De um modo vago e que necessita apenas de tornar-se preciso, designa o movimento que se esboça no sentido de um novo espaço intelectual e cultural. Mas nas nossas culturas mediatizadas, cada palavra, de imediato sub-traduzida torna-se pretexto para uma moda. Do que aqui se trata não é de um assunto de moda mas de mundo.»
«O nómada que existe em cada um de nós como uma nostalgia, como uma potencialidade, não tem a noção de identidade pessoal, a «consciência de si» é-lhe estranha. Sem dizer «penso» ou «sou», põe-se em movimento e a caminho faz melhor do que «pensar», no sentido denso da palavra, enuncia, articula um espaço-tempo de múltiplas focalizações que é como que um esboço do mundo.
O movimento nómada não segue uma lógica rectilínea, com um princípio, um meio e um fim. Tudo aqui é meio. O nómada não segue para qualquer lugar, e para mais em linha recta, mas evolui num espaço e regressa muitas vezes às mesmas pistas, iluminando-as e talvez, se for um nómada intelectual, com novas luzes.
Neste livro onde se encontrarão portanto mais peregrinações que problematizações, mais mapas que retratos, o prazer de peregrinar acaba por levar a melhor sobre o desejo de saber (aumentar e renovar o campo do saber) e no final da viagem será menos importante a questão de saber do a de ver no vazio.»

Para ver mais sobre a Deriva Editores e o autor

http://derivadaspalavras.blogspot.com/search/label/Kenneth%20White ou no marcador Kenneth White em baixo

De qualquer modo o pensamento de Kenneth White e a sua geopoética não se afasta muito da deriva que sempre propusemos nos 15 anos em que editámos. Foi dos melhores livros publicados, daqueles que nos orgulharemos sempre.

António Luís Catarino
Coimbra, 26 de Julho de 2019 (onze anos depois)

Resultado de imagem para kenneth white escritor geopoética
Capa da edição de O Espírito Nómada de Kenneth White pela Deriva Editores
Autor da capa: Gémeo Luís

domingo, dezembro 30, 2012

2013: a intervenção política da Deriva vai, seguramente, continuar

2013 vai ser um ano de intervenção política. Os nomes que constituem esta coleção da Deriva em que alguns passaram por Portugal são Vicente Romano, Santiago Lopéz-Petit, John Zerzan, Kenneth White e Peter Lamborn Wilson

quarta-feira, maio 23, 2012

O Espírito Nómada, de Kenneth White, um livro a reler

A capa de Espírito Nómada é de Gémeo Luís

O Espírito Nómada, livro central da teoria da geopoética de Kenneth White e impulsionador do Instituto Internacional de Geopoética foi editado em 2007 e teve uma óptima recepção junto das livrarias e dos leitores. Meditando profundamente sobre a crise da vida moderna, o autor questiona sem cedências o sentido do nomadismo e da deriva como alternativa de vida. Um sentimento poético baseado na procura e na forte ligação à terra e à natureza. Neste ensaio, onde Kenneth White, escocês há muito radicado na Bretanha, viaja pelos nomes de vários poetas a fim de dar um sentido político, poético e cultural da vida que nos resta.
«Capítulo I

ESBOÇO DO NÓMADA INTELECTUAL

Foi assim que enquanto íamos fazendo caminhadas de milhares de verstas… não deixávamos passar nenhuma oportunidade para declararmos a nossa identidade e ao mesmo tempo contarmos tudo o que tínhamos visto, pensado e feito.

Na deriva anarco-niilista e cosmo-poética que segue, o leitor vai encontrar algo semelhante a uma rede de afinidades electivas. Encontrará figuras e movimentos ocultados e postos à margem pela sociologia e a psicologia ditas sérias que as consideraram até aqui, de uma perspectiva maciamente humanista, como «excêntricas», «marginais», «perigosas», em suma.

Se o nómada intelectual que vamos considerar sob formas diversas nestas páginas, for niilista (o «niilista perfeito» de Nietzshe) orientalizante (pesquisador, em última análise de um «Oriente» não situado nos mapas), mundialista (mas que, como Husserl, põe durante muito tempo a tese do mundo entre parêntesis), anarquista (sem bomba nem bandeira), demoníaco (como Sócrates e não como Cagliostro) e errático (dado que nenhuma via é a via completa), é antes de mais um intelectual de novo tipo, móvel e múltiplo, abrupto e rápido, que não pertence a qualquer intelligentsia, não se liga a qualquer ideologia e é de difícil solidariedade, excepto com o universo (e mais - ao filocosmismo pode misturar-se, como o sal na água, um quanta de acosmismo superniilista).

Esse novo intelectual não surgiu ex nihilo. Nasceu num dado momento da cultura ocidental e tem uma história. É essa história que eu tentarei trazer à luz nas páginas que seguem. (...)»

O Espírito Nómada, de Kenneth White. Tradução de Luís Nogueira

sexta-feira, julho 16, 2010

"Para uma poesia Pobre", de Robert Bréchon (excerto sobre a poética de Kenneth White)




"Ramos Rosa chamou à antologia das suas obras A palavra e o lugar. É verdade: ele é por excelência o poeta do lugar. Kenneth White seria mais o poeta da ausência ou, como ele diz, do não-lugar, ou seja da busca perpétua de um lugar. «Os poetas viajam» dizia Michaux. Kenneth White, poeta escocês que acabou por fixar residência em França, primeiro no sopé dos Pirenéus e depois na Bretanha, não cessou nunca de vagabundear através da Europa, da Ásia e da América. Escreve em inglês e traduz-se a si próprio para francês. Ligado à sua cultura céltica maternal, fascinado pelo Oriente, mas tendo atravessado os grandes movimentos intelectuais europeus, sente-se um «espírito sem morada». Toda a sua obra é uma espécie de anabase: a sua itinerância não é nem exploração nem conquista. Segue o preceito do mestre Eckhart: «avança no teu próprio território». O que procura não é o lugar do mundo. «Estou sempre em marcha, indo a parte nenhuma, em casa. A viajar assim, onde vou? A nenhum sítio. É difícil, mas chegarei um dia. Parte nenhuma é toda a parte, é por mim»).
Não que Kenneth White não sinta a realidade do mundo.Pelo contrário, existem poucas obras tão sensoriais e tão sensuais. Mas o poeta não se deixa nunca fechar, colar à sensação. Paisagens, comidas, corpos femininos, tudo é signo, tudo remete para outra coisa. Kenneth White afronta o mundo com o seu corpo, mas a experiência que tem dele é cosa mentale. Nenhum escritor, tanto quanto me parece, soube a este ponto fazer convergir as duas vias da arte moderna, a de Théophile Gautier («Sou um homem para quem o mundo exterior existe») e a de Novalis («O caminho vai para o interior»).
 
Tant de choses ne sont plus
il ne reste que le soleil

que le soleil là-haut
blanc or,et nu

pas libre sans doute
mais plein de sa propre nécessité

c'est le matin d'un monde
et je suis là comme un roc à respirer

à respirer vers le soleil.

(Yoga du Soleil)

«A present l'espace
 immense est tout autour de moi
et toi fleur d'or tu es en moi

l'art d'Orient dont j'ai fait mon étude
c'est ta chair et tes os
la courbe de ton oeil
ta langue et sa musique

en face
de tes seins nus
la religion perd toute réalité

et la beauté lisse
de ton ventre amoureux
accomplit la philosophie»

(Fille de connaissance)

O não-lugar que Kenneth White procura, o supremo, essencial, de que todos os outros são apenas o reflexo ou o resto, é por ele chamado o mundo branco ou a terra diamante. É ao yoga que vai buscar a via que aí conduz.
  
Mas Kenneth White é um yoghi em estado selvagem, sem disciplina, sem método, sem outras técnicas além das da poesia. E é também ao Oriente que vai buscar a forma poética que constitui a via para o mundo branco. Essa forma, que está para a grande poesia ocidental como um jardim japonês está para o parque à francesa, é feita de jorros, de estilhaços, de rupturas e de silêncios. O seu modelo é o haiku japonês ou o sidjo core ano. O poema já não é um continente mas um arquipélago. E lerei, para ilustrar esta estética, aquele dos seus poemas onde, tanto quanto me parece, a economia de meios é levada ao extremo; é o poema intitulado Matin de neige à Montréal:

«Certains poemes n'ont pas de titre
Ce titre n'a pas de poeme
Tout est là dehors»

(it's all out there)

Existe em Ramos Rosa qualquer coisa de luminoso, existe em Kenneth White qualquer coisa de aéreo. Nada disso acontece em Alain Morin. Ele é o poeta da clausura ou, o que vem dar ao mesmo, do exílio. Ele é, como diz o poema de Saint-John Perse com o mesmo título, «Etranger sur toutes les greves de ce monde... Hôte précaire à la lisière de nos villes». O mundo terraqué de Ramos Rosa, o mundo branco de Kenneth White, por muito «pobres» que sejam, são ricos ao lado do de Morin. A própria natureza está aí ausente; o homem também. Na consciência devoluta não subsistem mais que alguns objectos que vão ocupar todo o espaço e proliferar como um cancro mental."  ( «Para uma poesia Pobre»,  de Robert Bréchon», in Poéticas do século XX, (Coord. Maria Alzira Seixo), Lisboa, Livros Horizonte, 1985)


A Deriva editou O Espírito Nómada, de Kenneth Whit:
«Desde há alguns anos para cá, a palavra “nómada” anda no ar. De um modo vago e que necessita apenas de tornar-se preciso, designa o movimento que se esboça no sentido de um novo espaço intelectual e cultural. Mas nas nossas culturas mediatizadas, cada palavra, de imediato sub-traduzida torna-se pretexto para uma moda. Do que aqui se trata não é de um assunto de moda mas de mundo.»

«O nómada que existe em cada um de nós como uma nostalgia, como uma potencialidade, não tem a noção de identidade pessoal, a «consciência de si» é-lhe estranha. Sem dizer «penso» ou «sou», põe-se em movimento e a caminho faz melhor do que «pensar», no sentido denso da palavra, enuncia, articula um espaço-tempo de múltiplas focalizações que é como que um esboço do mundo.
O movimento nómada não segue uma lógica rectilínea, com um princípio, um meio e um fim. Tudo aqui é meio. O nómada não segue para qualquer lugar, e para mais em linha recta, mas evolui num espaço e regressa muitas vezes às mesmas pistas, iluminando-as e talvez, se for um nómada intelectual, com novas luzes.
Neste livro onde se encontrarão portanto mais peregrinações que problematizações, mais mapas que retratos, o prazer de peregrinar acaba por levar a melhor sobre o desejo de saber (aumentar e renovar o campo do saber) e no final da viagem será menos importante a questão de saber do a de ver no vazio.»
Kenneth White (do Prefácio)

O Espírito Nómada, de Kenneth White





O Espírito Nómada é um livro central da teoria da geopoética de Kenneth White. Meditando profundamente sobre a crise da vida moderna, Kenneth White questiona sem cedências o sentido do nomadismo e da deriva como alternativa de vida. Um sentimento poético baseado na procura e na forte ligação à terra e à natureza. Neste ensaio, Kenneth White, escocês há muito radicado na Bretanha, viaja pelos nomes de vários poetas a fim de dar um sentido político, poético e cultural à vida que nos resta.  


"Se o nómada intelectual que vamos considerar sob formas diversas nestas páginas, for niilista (o «niilista perfeito» de Nietzshe) orientalizante (pesquisador, em última análise de um «Oriente» não situado nos mapas), mundialista (mas que, como Husserl, põe durante muito tempo a tese do mundo entre parêntesis), anarquista (sem bomba nem bandeira), demoníaco (como Sócrates e não como Cagliostro) e errático (dado que nenhuma via é a via completa), é antes de mais um intelectual de novo tipo, móvel e múltiplo, abrupto e rápido, que não pertence a qualquer intelligentsia, não se liga a qualquer ideologia e é de difícil solidariedade, excepto com o universo (e mais - ao filocosmismo pode misturar-se, como o sal na água, um quanta de acosmismo superniilista). Esse novo intelectual não surgiu ex nihilo. Nasceu num dado momento da cultura ocidental e tem uma história. É essa história que eu tentarei trazer à luz nas páginas que seguem."
          in Espírito Nómada,  de Kenneth White

segunda-feira, março 22, 2010

O Espírito Nómada , Kenneth White



Há, diz [MacDiarmid], dois modos de conhecer, dois tipos de conhecimento: "conhecer as coisas e acumular saber em torno das coisas: a realização estética e os dados científicos", e se no seu trabalho ele procura a fusão dos dois, está portanto a pôr ênfase na realização. Para si todas as informações acumuladas não são mais que metáfora:
Tudo isto, tudo quanto escrevo
não passa de uma enorme metáfora
de qualquer coisa de que não falo nunca.
(pg. 138)
                Kenneth White, in O Espírito Nómada 

 

terça-feira, janeiro 13, 2009

Henrique Fialho escreve sobre O Espírito Nómada de Kenneth White



Dei por isso hoje mesmo. Henrique Fialho escreve em Volumen sobre O Espírito Nómada de Kenneth White com o rigor que todos (pelos menos os não distraídos) conhecemos. Realça a importância deste livro, do movimento geopoético e relembra-nos que devemos estar mais atentos à revisão. Seja. HF termina a sua análise desta maneira: «Kenneth White cita imensos autores, cruza-os, procura abrir o espaço para uma geopoética marcada pela força do pensamento, integrando mais do que recusando, apagando as linhas que eventualmente possam ainda separar, como preconceitos difíceis de superar, a poesia da filosofia. Caminhando, dançando, nadando com o universo, o autor de O Espírito Nómada esboça uma teoria da geopoética – esboçar uma teoria não é o mesmo que fixá-la - acabando por desembocar numa intuitiva conclusão: um novo fôlego para o pensamento ocidental. Este livro é um excelente contributo para esse novo fôlego.»

Para ler todo o artigo ver aqui

domingo, outubro 26, 2008

Rui Bebiano escreve, na Revista Ler nº 73, sobre O Espírito Nómada de Kenneth White

A última Revista Ler, nº 73, debruça-se sobre os 10 anos da morte de José Cardoso Pires. Deve ler-se. Até porque a sua qualidade melhorou a olhos vistos, deva-se ou não à responsabilidade de Francisco José Viegas e à equipa que a compõe.

Rui Bebiano escreve assim, num pequeno extracto que publicamos sobre O Espírito Nómada de Kenneth White, um livro editado este ano pela Deriva:

«White prefere associar a erudição à forma de errância qua alarga a leitura do mundo e, através de «universos de substituição», liberta o humano do «universo concentracionários das civilizações». Neste livro, escrito há duas décadas, enunciam-se alguns dos caminhos que essa escolha poderá abrir. Atravessando múltiplos saberes, o autor procura conduzir o leitor até esse território radical, que chama de geopoética dentro do qual pretende unir a presença no mundo a uma estética que seja poderosa, comevedora e bela. Se o prestígio do «nomadismo intelectual» se afirmou pelo menos desde os românticos, Kenneth White é dos primeiros a conferir-lhe uma base teórica. (...)». Os livros que acompanham esta obra, são Istambul de Orhan Pamuk, Fantasmas de Espanha de Giles Tremlett, Diário da Batalha de Praga. Socialismo e Humanismo de Flausino Torres e O Um Dividiu-se em Dois de Pacheco Pereira.

sábado, março 29, 2008

Já nas livrarias: Kenneth White e Filipa Leal

Kenneth White e Filipa Leal constituem as novidades já editadas pela Deriva neste mês de Março. Um livro de ensaio literário sobre o movimento da geopoética, O Espírito Nómada (ver na etiqueta Kenneth White) e a última publicação de poesia da Filipa Leal - O Problema de Ser Norte.

Todos com capa de Gémeo Luís, já se encontram disponíveis nas livrarias e para os assinantes da Deriva. Sobre estes dois livros cremos que se irá falar muito deles. Teremos tempo.

quinta-feira, junho 14, 2007

Henry David Thoreau e o espírito nómada

«Na literatura, só o que é selvagem nos atrai. Sabedoria e doçura são sinónimos de aborrecimento. O que nos arrebata é o não familiar, o não civilizado, o pensamento livre e vagabundo, o que não se aprendeu na escola, o que não foi refinado nem polido pela arte. Um livro verdadeiramente bom é algo tão natural, primitivo, selvagem, tão misterioso, tão ambrosíaco, tão prolífico como um líquen ou um cogumelo.»

Henry David Thoreau, citado por Kenneth White em O Espírito Nómada a ser publicado pela Deriva. Tradução de Luís Nogueira.

sábado, março 17, 2007

O Espírito Nómada, de Kenneth White, a publicar em Maio

O Espírito Nómada, livro central da teoria da geopoética de Kenneth White e impulsionador do Instituto Internacional de Geopoética vai ser editado na Deriva em Maio, ainda a tempo do autor nos visitar.
Meditando profundamente sobre a crise da vida moderna, questiona sem cedências o sentido do nomadismo e da deriva como alternativa de vida. Um sentimento poético baseado na procura e na forte ligação à terra e à natureza. Neste ensaio, onde Kenneth White, escocês há muito radicado na Bretanha, viaja pelos nomes de vários poetas a fim de dar um sentido político, poético e cultural da vida que nos resta. Daremos mais notícias em breve.

«Capítulo I
ESBOÇO DO NÓMADA INTELECTUAL
Foi assim que enquanto íamos fazendo caminhadas de milhares de verstas… não deixávamos passar nenhuma oportunidade para declararmos a nossa identidade e ao mesmo tempo contarmos tudo o que tínhamos visto, pensado e feito.
GORKI


Na deriva anarco-niilista e cosmo-poética que segue, o leitor vai encontrar algo semelhante a uma rede de afinidades electivas. Encontrará figuras e movimentos ocultados e postos à margem pela sociologia e a psicologia ditas sérias que as consideraram até aqui, de uma perspectiva maciamente humanista, como «excêntricas», «marginais», «perigosas», em suma.
Se o nómada intelectual que vamos considerar sob formas diversas nestas páginas, for niilista (o «niilista perfeito» de Nietzshe) orientalizante (pesquisador, em última análise de um «Oriente» não situado nos mapas), mundialista (mas que, como Husserl, põe durante muito tempo a tese do mundo entre parêntesis), anarquista (sem bomba nem bandeira), demoníaco (como Sócrates e não como Cagliostro) e errático (dado que nenhuma via é a via completa), é antes de mais um intelectual de novo tipo, móvel e múltiplo, abrupto e rápido, que não pertence a qualquer intelligentsia, não se liga a qualquer ideologia e é de difícil solidariedade, excepto com o universo (e mais - ao filocosmismo pode misturar-se, como o sal na água, um quanta de acosmismo superniilista).
Esse novo intelectual não surgiu ex nihilo. Nasceu num dado momento da cultura ocidental e tem uma história. É essa história que eu tentarei trazer à luz nas páginas que seguem. (...)»


O Espírito Nómada, de Kenneth White (a publicar em Maio, Cap.I, pág. 1 e 2) Tradução de Luís Nogueira