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segunda-feira, dezembro 31, 2012

Em 2013 poderá adquirir alguns títulos da coleção de ficção da Deriva

Os últimos livros da coleção de ficção da Deriva  têm nomes como Xavier Queipo, Pedro Teixeira Neves, João Paulo Sousa, Paulo Kellerman e Anjel Rekalde. 

terça-feira, junho 28, 2011

Xavier Queipo, prémio Xerais de 2011, com «Extramunde»


Entrevista retirada do site de Xerais de Galicia

Xavier Queipo tem, editado pela Deriva, os livros Bebendo o Mar, Ciclos do Bambú e Dragona. http://www.derivaeditores.pt/

quarta-feira, junho 23, 2010

Un xeito de pensar, Cen mil saramagos, Xavier Queipo

                
                 Cen mil saramagos, Xavier Queipo
Saramago, é sabido, ademais do apelido do único escritor portugués ao que lle concederon o Premio Nobel de Literatura (logo de esquecer a Eça de Queiros), é tamén o nome común dunha planta salvaxe, desas que medran á beira dos camiños. Como todas as plantas que non teñen unha utilidade culinaria ou estética -o saramago é planta ruín- nace de natural molestosa e pouco apreciada.

Ás veces as opinións do Saramago escritor eran tamén molestosas e incordiantes (que lle pregunten aos veciños portugueses sobre e unión ibérica ou a Igrexa católica sobre as relación entre Xesús e a Magadalena)

Saramago -o escritor- tivo vontade última de ser incinerado. Un xeito, se cadra, de evitar que se establezan peregrinacións ou visitas indesexadas á súa tumba (como sofren Borges, Kafka ou Castelao, por poñer exemplos de tres sistemas diferentes). Hai xente que considera que visitar camposantos e dialogar cos mortos famosos lles vai reportar un extra de sabedoría. Xa saben, hai xentiña para todo.

Eu non entro en decisións tomadas, pois isto da vida é estar e non estar, mais espero que no lugar onde repousen ou se estendan as cinzas de Saramago agromen flores, aínda que non cheguen ás cen mil das que falaba Mao, o seu próximo. Saramagos no acaso, mais tamén patalugas, margaridas, mexacáns, estralotes, abeirotase outras que iluminen o noso camiño con ideas incordiantes e molestosas. Espero que así sexa, pois diferenzas ideolóxicas e estéticas á parte, o que precisamos neste mundo absurdamente homoxéneo, é precisamente de algún que outro Saramago coas súas ideas incordiantes, que faga reaccionar a sociedade, adormecida como está polo binomio produción-consumo, pola laminación ética, polo politicamente correcto. O dito, cen mil flores, cen mil saramagos.  Xavier Queipo, Galicia Hoxe

sábado, janeiro 23, 2010

Dragona, de Xavier Queipo

A capa de Dragona e Xavier Queipo

«Dragona» levou doze anos a ser escrito até chegar a esta versão publicada pela Deriva. Portanto, uma obra que se crê adulta e burilada, onde os pormenores aparentemente inócuos ou pouco importantes, atingem um significado muito difícil de contornar, nesta narrativa simultaneamente provocadora e atenta aos dias de hoje. A protagonista é uma imigrante argentina que choca com uma sociedade em transformações culturais e de valores profundas, como todas as sociedades modernas. Sendo bissexual e de gostos profusos, não se vê a refrear os seus impulsos agressivos ou ternos perante os outros, figurantes quase sempre de um teatro que se esqueceu de lhes dar um guião. «Dragona» prevê num futuro que é já hoje, um jogo onde nada é definitivo ou perene, de moral ou amoral. Nada, neste romance, é o que parece.

Tradução de Isabel Ramalhete
Referência 2001017
ISBN 9972-9250-38-5
Edição: Junho 2008
PP: 216
Formato: 145 x 220
Capa: Brochado
Pedidos a deriva@derivaeditores.pt
Preço: 13:50

Outros livros de Xavier Queipo editados pela Deriva: Bebendo o Mar e Ciclos do Bambu

segunda-feira, outubro 26, 2009

De europese grondwet in versen. Ou melhor, a Constituição europeia em verso


Estão lá o Xavier Queipo e o Paulo Teixeira, entre muitos outros. Podem ver aqui. Para quem acredita numa constituição europeia a partir do Tratado de Lisboa... em verso.

segunda-feira, agosto 24, 2009

Em 2006, António Manuel Venda escrevia assim sobre Bebendo o Mar, no blogue Floresta do Sul:

Em 2006, António Manuel Venda escreveu assim sobre Bebendo o Mar no seu Floresta do Sul

Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006
Um romance fabuloso que me ofereceram no Natal de 2003. O texto é do início de 2004.Livro: «Bebendo o Mar», de Xavier Queipo (Deriva Editores, 198 pp.)
Ensaio para a cegueira
Francis, um galego que vive na Califórnia, compromete-se a traduzir o último romance de um português a quem, «com toda a certeza», vão atribuir o Prémio Nobel de Literatura. Trata-se de «um tal Saramago». Francis acaba de saber que ficará cego em seis meses.Há poucos anos, um crítico escreveu sobre o primeiro livro de Saramago, apresentando as frases inicias, que «depois de um começo assim não há livro que se aguente». «Bebendo o Mar», do galego Xavier Queipo, trazido para Portugal pela «jovem» Deriva Editores, começa da seguinte forma. «Conheceram-se no cinema. Numa sala enorme, dessas que já quase não existem. Era a reposição de ‘Apocalipse Now’, a emocionante parábola de Coppola, baseada no ‘Coração das Trevas’ de Conrad. Na cena dos helicópteros avançando sobre os vietcongs ao som de Wagner, a sala encheu-se de luz e explosões de napalm. Foi ao primeiro olhar, quando as sombras deram lugar à luz. Foi então que ela disse, automática e sinceramente, com aquela segurança estóica das mulheres que se sabem fazedoras de sonhos:/ - Deixa-me dar-te a mão. Sinto um não sei quê desconfortável./ Está bem. Não te preocupes. Vou ficar aqui até ao fim do filme - respondeu Francis com uma segurança recém adquirida.»Foi assim o meu primeiro contacto com o escritor galego (n. Santiago de Compostela, 1959). Não pensei naquele começo, se um livro depois dele se «aguentaria» ou não, o que recordo apenas é que avancei pela leitura como se estivesse a ouvir o próprio autor a contar a história de Francis. Não posso fazer maior elogio. A leitura de «Bebendo o Mar» como que me envolveu num ambiente mágico, um ambiente do qual a pouco e pouco começava a ficar com pena de ter de vir a sair mais cedo ou mais tarde, assim que lesse a última frase. E sempre a pensar que naquele autor eu confiava, assim, a contar as coisas daquela maneira, tranquilamente, com fluência, como se escrever para ele não fosse - não seja - muito diferente de respirar; assim, pensava eu, ele há-de segurar até ao fim o ambiente de magia.Francis, o tradutor galego que conhece Rose no cinema quando inesperadamente ela lhe pede para darem as mãos, mergulha na obra de Saramago para traduzir «Ensaio Sobre a Cegueira», então o último romance do «tal» escritor português muito falado para o Prémio Nobel de Literatura. Tinha acabado de descobrir, depois de um exame médico de rotina, um problema nos olhos. «Daqui a seis meses estará completamente cego. Sem cura. É a única coisa que lhe posso dizer. Sem cura conhecida.» São as palavras do médico, que fazem Francis pensar numa «condenação pura, de gume de navalha de barbeiro, de dissecação e rotura, de relâmpago frio». E a «parábola» de Saramago para traduzir, uma «parábola milenarista de desestruturação da sociedade e de ausência de esperanças». E Francis com esperanças, a princípio, «as dúvidas sobre o diagnóstico, reforçadas, obviamente, pela ausência de um quadro sintomático sério e pelo receio de acreditar nos médicos como xamãs de uma cultura alheia e reacionária, e sobretudo no que se diz, linguagem mágica e hermética, afastada da realidade». E depois a realidade, os sintomas, a tradução do «ensaio» de Saramago... «Fumou um cigarro, olhando a praia. As ondas. O mar imenso. Os chafarizes das baleias de bossas erguendo-se imponentes a duas marcas da costa. Os surfistas. O sol brincando atrás de umas nuvens improváveis com aquele tempo, com aquele calor abafante, com aquele vento. Umas nuvens irreais, de miragem ou de maremoto interno. As ondas.» É uma praia da Califórnia, é outro mar que não aquele que banha a Galiza. Mas Francis ainda conseguirá ver também o da sua terra natal. Mais do que isso, bem mais.


António Manuel Venda e Xavier Queipo

Pack Bebendo o Mar, de Xavier Queipo e Erros e Tanatos, de Gonzalo Navaza. 10 euros


Os primeiras livros da Deriva: Bebendo o Mar de Xavier Queipo e Erros e Tanatos de Gonzalo Navaza. Somente por 10 euros em sua casa e sem custos.

Bebendo o Mar - Francis, tradutor galego, radicado na Califórnia conhece Rose, informática e irlandesa. Martin, o seu editor norte-americano pede-lhe para traduzir para o inglês a sua obra do momento: trata-se de um tal Saramago que, nesse ano, vai ser de certeza um Prémio Nobel. A obra deste ainda desconhecido escritor português chama-se "Ensaio sobre a Cegueira". Tradução de Dina Almeida

Xavier Queipo tem um público fiel em Portugal e é visita assídua das Correntes d' Escritas da Póvoa e das Literaturas em Viagem em Matosinhos. Para além de Bebendo o Mar conta com dois outros livros na Deriva: Os Ciclos do Bambu e Dragona


Xavier Queipo (Xavier Álvarez Vázquez) (Santiago, 1957). é um escritor multifacetado. Poeta, ensaísta e tradutor que conhece bem Portugal, conta com várias participações no Correntes d’Escritas, Literaturas em Viagem e colaborou em vários programas de rádio e revistas literárias. Depois de editar o seu primeiro livro em língua portuguesa «Árctico e Outros Mares», em 1990, publicou, pela Deriva, «Bebendo o Mar» tradução de «Papaventos», em 2003, e «Os Ciclos do Bambú», em 2005. Detentor de vários prémios literários como o Prémio da Crítica Espanhola, Café Dublin ou García Barros, traduziu ainda para o galego Amin Maalouf, Conrad, Joyce e Guivert. Colabora regularmente nos sites Vieiros, culturagalega.org, na Revista Grial e no «Diário Cultural» da Rádio Galega, para além de uma coluna no semanário «A Nosa Terra». Em 2007, é membro do Dichterscollectif de Bruxelas e escolhido como poeta oficial da mesma cidade onde vive desde 1987. Da sua já vasta obra literária que toca em todos os géneros literários, como gosta de ressalvar, conta-se «Ringside» (1993), «Diários de um Nómada» (1993), «O Paso do Noroeste» (1996), «Malaria Sentimental» (1999), «O Ladrón de Esperma» (2002) e «Dragona» este mesmo romance publicado na Galiza em 2007, ano em que edita igualmente «Saladina».

Erros e Tanatos - Colectânea de pequenos contos de uma ironia extremamente cáustica, escritos com um rigor assinalável e com finais inesperados. Tradução de Elisabete Ramos

Gonzalo Navaza é professor de Filologia e especialista em toponímia. Os seus contos são conhecidos pela sua ironia. Os seus versos são palíndromos: já repararam que se pode ler A Torre da Derrota também da direita para a esquerda?

Gonzalo Navaza (Lalín, 1957). Doutorado em Filologia. Professor da Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo. Lexicógrafo e especialista em toponímia e antroponímia. Realizou a edição crítica de Longa noite de pedra de Celso Emílio Ferreiro (1990). Tem publicado os livros de poesia: Fábrica íntima (1991), Premio Eusébio Lorenzo, 1989 e Prémio da Crítica Espanhola, 1992; A torre da derrota (1992), versos palindrómicos; e Libra (2000), Prémio Martin Codax 2000 e Prémio da Crítica Espanhola 2001. Tradutor de Jack London, A chamada da selva (1982, 2002), Georges Perec e Robert Graves. Recebeu o Prémio Ramón Cabanillas de tradução literária, 1989, pela sua versão para o galego de O Can dos Baskerville de Conan Doyle (1988). Como narrador publicou Erros e Tánatos (1996) Prémio Arcebispo San Clemente 1998, contos; Elucidário (1999), e Santos e Defuntos (2001), conto.

sexta-feira, julho 03, 2009

Ontem, em Gaia, debateu-se Portugal e Galiza

Depois de uma sessão à porta fechada com vários autores galegos e portugueses e respondendo a uma convite do infatigável António Costa, fui ao debate público das conclusões sobre as relações culturais entre Portugal e a Galiza no âmbito de Gaia, Capital do Eixo Atlântico 2009. Estavam lá o Xavier Queipo e o Xavier Alcalá (como foi bom revê-los), María Canosa, Fernando Pinto do Amaral, Manuel Jorge Marmelo, João Paulo Sousa, valter hugo mãe, Rui Costa e Barreto Guimarães que ficaram para o jantar. Talvez seja assim que a relação entre estas duas regiões se fortaleça, mas temo que haja muito mais para andar e, principalmente, andar de outra maneira... não fosse o artigo de Rui Tavares sobre o arquipélago de cidades, do Público de anteontem, um dos temas mais focados na sessão pública. O eixo Lisboa, Porto, Vigo, Corunha vale muito mais do que se pensa no enquadramento de arquipélagos de cidades da Europa inteira. Pelo menos, vale mais do que Madrid. Coisa que não sabíamos de todo.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Xavier Queipo nas próximas Correntes d'Escritas?

Ainda não está confirmado, mas tudo indica que Xavier Queipo estará presente nas próximas Correntes d'Escritas que terão lugar a de 12 a 15 de Fevereiro de 2009. Este autor da Galiza, editado pela Deriva com «Bebendo o Mar» e «Os Ciclos do Bambu», irá à Póvoa de Varzim mais uma vez e falará da sua última narrativa «Dragona».

quarta-feira, junho 11, 2008

Dragona de Xavier Queipo, já nas livrarias

Capa de Gémeo Luís



«Dragona» levou doze anos a ser escrito até chegar a esta versão publicada pela Deriva. Portanto, uma obra que se crê adulta e burilada, onde os pormenores aparentemente inócuos ou pouco importantes, atingem um significado muito difícil de contornar, nesta narrativa simultaneamente provocadora e atenta aos dias de hoje. A protagonista é uma imigrante argentina que choca com uma sociedade em transformações culturais e de valores profundas, como todas as sociedades modernas. Sendo bissexual e de gostos profusos, não se vê a refrear os seus impulsos agressivos ou ternos perante os outros, figurantes quase sempre de um teatro que se esqueceu de lhes dar um guião. «Dragona» prevê num futuro que é já hoje, um jogo onde nada é definitivo ou perene, de moral ou amoral. Nada, neste romance, é o que parece.



Xavier Queipo – é um escritor multifacetado. Poeta, ensaísta e tradutor que conhece bem Portugal, conta com várias participações no Correntes d’Escritas, Literaturas em Viagem e colaborou em vários programas de rádio e revistas literárias. Depois de editar o seu primeiro livro em língua portuguesa «Árctico e Outros Mares», em 1990, publicou, pela Deriva, «Bebendo o Mar» tradução de «Papaventos», em 2003, e «Os Ciclos do Bambú», em 2005. Detentor de vários prémios literários como o Prémio da Crítica Espanhola, Café Dublin ou García Barros, traduziu ainda para o galego Amin Maalouf, Conrad, Joyce e Guivert. Colabora regularmente nos sites Vieiros, culturagalega.org, na Revista Grial e no «Diário Cultural» da Rádio Galega, para além de uma coluna no semanário «A Nosa Terra». Em 2007, é membro do Dichterscollectif de Bruxelas e escolhido como poeta oficial da mesma cidade onde vive desde 1987. Da sua já vasta obra literária que toca em todos os géneros literários, como gosta de ressalvar, conta-se «Ringside» (1993), «Diários de um Nómada» (1993), «O Paso do Noroeste» (1996), «Malaria Sentimental» (1999), «O Ladrón de Esperma» (2002) e «Dragona» este mesmo romance publicado na Galiza em 2007, ano em que edita igualmente «Saladina».

domingo, junho 24, 2007

Livraria Orfeu, em Bruxelas: apresentação de Dragona, de Xavier Queipo

Reparaz - La Voz de Galicia


Depois de Vigo, Dragona (ed. Xerais), de Xavier Queipo foi apresentado em Bruxelas na livraria portuguesa Orfeu, de Joaquim Pinto da Silva. Este livro publicar-se-á ainda em 2007 em Portugal, pela Deriva, constituíndo assim o 3º livro deste autor a ser editado por nós. O primeiro foi Bebendo o Mar (2004) e Ciclos do Bambu (2006). O autor nascido em Santiago de Compostela em 1956, é médico e biólogo, e vive há dezoito anos em Bruxelas. O artigo de Juan Olivier da Voz de Galicia sobre esta apresentação pode ser consultado aqui.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Xavier Queipo, poeta do mundo


Diz-nos o Voz de Galicia que Xavier Queipo (Bebendo o Mar e Ciclos do Bambu) foi convidado pelo Município de Bruxelas, a cidade onde vive, a escrever poemas que serão expostos em cartazes com o fim de espelhar a sua multiculturalidade e a sua condição de «urbe internacional, multiracial e multilinguística». Xavier Queipo estará acompanhado de poetas de origem espanhola, belga, marroquina, camaronesa e romena e serão poemas inéditos que, a partir de agora, serão lidos pelos cidadãos de Bruxelas. Também Manuel Bragado nos informa, no seu Brétemas, que Xavier estará presente dias 8 e 9 de Fevereiro, em Vigo, a fim de apresentar o seu novo livro Dragona, que editaremos aqui na Deriva, em Junho, e que está a ser traduzido por Isabel Ramalhete.

quinta-feira, dezembro 21, 2006

O Golfinho de Palembang, de Xavier Queipo

“Á ilha de Palembang chegou uma manada de golfinhos. Passados três dias, a manada partiu, mas um golfinho ficou desorientado e só. Quando souberam que aquele ficara atrasado, os rapazes sentiram pena dele, e decidiram ir visita-lo todos os dias. Ao primeiro não foi fácil estabelecerem contacto, pois não e simples perceberem o que dizem nem o que querem.

Umas semanas após, atendia ao chamado dos miúdos, que lhe acarinhavam no focinho, e ele deixava-se fazer, coma se estivesse á vontade. Uma tarde, uma criança, que atendia por o Kim, botou-se ao mar por imitar aos mais velhos. Não sabia nadar e começou balançar os braços ao tempo que afundava, e quando semelhava ir afogar, apareceu de súbito sentado no golfinho, pegando na barbatana dorsal, como se cavalgasse. O Kim agachou a cabeça para lhe falar ao ouvido, e o golfinho empreendeu o caminho do largo. Saíram na sua procura, mas por muito que vogaram não deram com o golfinho nem com o Kim, que desapareceram no mar para sempre jamais.

Passados os anos chegou á angra de Palembang uma manada de golfinhos. Todos lembravam a história do Kim, que os pais contavam ás crianças, para alerta-las dos perigos do mar, e temeram que acontecesse qualquer desgraça. Assim, armados com arcos e com setas, saíram navegar para expulsa-los da baía. Os golfinhos semelhavam não quererem internar-se no mar, e quando lhes disparavam mergulhavam de contado reaparecendo a várias braças de distância. Um golfinho mais branco que os outros afastou da manada, ergueu sobre a cauda, e viron que tinha barba e bigodes, e uns olhos distintos dos que têm os golfinhos, com pálpebras e pestanas, e abriu as barbatanas laterais, que eram braços unidos ao corpo com uma membrana.

Desde aquele dia, nas águas de Palembang, há um golfinho que fala a língua dos locais e conta mil historias, que leva aos rapazes de cavalo, que diz chamar-se o Kim e ter percorrido o mar oceano, que come peixe e vitela, frutas e deleites.”

Xavier Queipo, Dezembro de 2006

quarta-feira, outubro 25, 2006

Preguntas para lhe Facer em Voz Alta a Federico García Lorca, Irmán, de Xavier Queipo



Ai Federico García! Ai Federico! Que te apartou do acolhedor refúgio da tua estirpe? Como foste acovilhar no tobo da ignomínia? Que te levou a rejeitar o fío vermelho que Ariadna te tendera? Que te levou a Granada?

Diz, Federico García. Que estranho instinto te fixo confiar em Minotauro? Quantas noites de lua para distinguir o urro da quimera do canto das sereias? De onde apareceu a fúria ancestral que rachou a geometria do teu corpo?

Ai Federico García! Ai Federico! Que se sente quando os fuziles percutem nas tuas costas? Que quando as balas laceram a tua pele de óleo e caramelo? Que após do estourado, do reverso da ração, da vértebra que secciona o centro e as cisternas? Que te esperava após do golpe imóvel, do sangue as gurgulhadas?

Diz, Federico García, com os teus versos inchados de alecrim e de mapoulas, de reflexos e luares, de sangue e caraveis: A que ule a incandescência do corpo queimado pela pólvora? A que arrecende a traição dos bem amados?

Eu quisera saber, Federico, percebes, Federico, a opacidade do diamante, o voo do colibri, as imagens que passaram trás das pálpebras. Eu quisera saber, Federico, que paixões, que escrituras, que delicias guardavam nas gavetas do cérebro?

Eu quisera saber, ai Federico! Quisera saber, mas é tarde.

Xavier Queipo, Bruxelas, Outubro de 2006 (no aniversário do assassinato de García Lorca)

quarta-feira, julho 12, 2006

Nova tradução galega de Ulisses de Joyce por Xavier Queipo

Soube, há momentos, pelo Cabaret Voltaire e pelo sempre atento Jaureguizar, que as provas da nova tradução de Ulisses de James Joyce estarão prontas para a tipografia. Não é a primeira tradução, aliás. Essa foi feita por Ramón Otero Pelayo, nos idos de 1926 e constituiu a primeira tradução peninsular de Joyce! Em galego. Otero Pelayo era um destacado dinamizador do movimento galego Nós. Hoje, quem apresenta a tradução de Joyce, ao que supomos na Editorial Galaxia, é Xavier Queipo, autor editado em português pela Deriva, com Bebendo o Mar e Os Ciclos do Bambu. Espero o melhor e que o Xavier se restabeleça depressa que isto de traduzir Joyce dará para umas duplas (ou triplas) merecidas férias!

sexta-feira, maio 19, 2006

Algumas considerações sobre Literatura e Blogosfera, por Xavier Queipo


ALGUMAS CONSIDERAÇÓES SOBRE LITERATURA E BLOGOSFERA[1]

Texto no que se baseou a intervenção de Xavier Queipo nas Correntes d’Escritas 2006, em A Póvoa do Varzim

“Quando me convidaram a falar em estas Correntes d’Escritas sobre a blogosfera, pensei que não era a pessoa mais indicada, pois eu não som um bloger, não som um usuário de bloges. Estou-me aproximando dessa idade provecta dos 50 anos e muitos dos avanços tecnológicos passam ao meu lado sem que eu consiga entende-los. Mais este convite actuou como uma espécie de estímulo. Como intelectual não tenho direito, não só a não conhecer, senão mesmo a não compreender um fenómeno actual que está, sem dúvida marcando a toda uma geração. Os portugueses, tão dados no passado à exploração e à descoberta, não podem estar alheios a este fenómeno. Eu, como galego e trabalhador do intelecto (o escritor trabalha com a língua ou se se quer com o sistema de pensamento). Eu passo quase nove horas ao dia diante do ecrã da computadora e som visitador regular de bloges. Quando me propuseram este mote, pensei de contado na teoria de conjuntos e quis pensar a blogosfera em termos de intersecções, uniões, subconjuntos (bloges) e relações entre eles (links, posts/ ligações, espinhas), constituindo redes de relações entre os elementos de tipo unívoco (de um a outro subconjunto) ou biunívocas (de um elemento “a” dum subconjunto a outro elemento “b” e de este elemento “b” ao elemento “a). A união dos elementos de todos os subconjuntos possíveis (é dizer a união de todos os elementos dos distintos bloges) daria lugar ao “Universo” Blogosfera.
A palavra “universo” fixo acordar em mim a ideia de “universo” em termos astronómicos. Se existia um universo, falar podia de estrelas. Cada bloge uma estrela. As estrelas segundo as reacções termonucleares que aconteçam em o seu seio, e os bloges segundo a quantidade de informação que contenham, podem-se dividir em anões brancas (bloges recentes, cheios de energia), gigantes vermelhas (bloges já antigos, com grande quantidade de informação, mais algo rotineiros, coma sem força), estrelas marrões (bloges que se apagam progressivamente, que perdem interesse e visitas). Já logo teríamos os buracos negros (bloges que geram ao seu arredor um campo gravitacional, que atraem comentários de toda parte, que toda a gente consulta e comenta), os bloges sol, arredor dos quais outros bloges subsidiários se alimentam e vivem, sendo estes os bloges planeta, sem luz própria e fazendo a função de repetidores de ondas, ecoando o que acontece em os bloges sol. Hainos de curta duração, bem por desinteresse do que os iniciou ou bem porque foram programados a tempo fixo, como os que se fãs para promover um livro, por exemplo, estaríamos, então, diante dos bloges estrelas fugazes. Também haveria bloges cometa, que passam e deixam um ronsel de informação ou influências, que podem mesmo deixar traças e originar modificações do seu contorno. Há, por suposto, os bloges lua, que ciclicamente movem as marés e as modas, que geram eclipses e aparecem e desaparecem de continuo. E há também, como não, (para isso estão as ligações), galáxias e constelações de bloges que se associam por temas ou afinidades. E não podiam faltar as supernovas, resultado de intercâmbios de energia/informação entre bloges binários, com origem no mesmo nauta ou não. As supernovas, segundo me explicaram nos anos já afastados da escola, som aquelas estrelas que captam matéria e energia de outras estrelas próximas, que actuam como parasitas e acabam por roubar lhe o material tudo ate elas próprias acumular a energia binária. Os links (ligações) actuariam como “buracos de verme”. Em física, os buracos de verme são hipotéticas características topológicas do espaço-tempo, descritas nas equações da teoria da relatividade geral (uma espécie de atalho a través do espaço e do tempo), que é o próprio que acontece com a informação que se move (aparece) entre bloges (que se replicam, que se repetem, que se citam, que se comentam os uns aos outros).
Um pensa que o conceito de bloge é muito novo, pois une palavra escrita com imagens e som. Postos a pensar em termos arqueológicos (paleotecnoantropológicos) os bloges tem os seus antecessores em os diários literários dos escritores entre os que poderíamos lembrar a Franz Kafka, Leon Tolstoi, André Gide ou Anais Nin, por dar exemplos bem conhecidos da literatura ocidental. Más recentemente, o antecedente pódese procurarem bem em as auto publicações (fanzines, jazz poetry com Ferlinghetti à cabeça) ou bem com os “pal pens” das décadas dos anos 60-80 do século XX. Os pal pens ou amigos da escrita, eram aqueles que se escreviam entre eles para se contar as suas vidas, para partilhar experiências, para estar ou sentirem-se menos sós. Intercambiavam também cassetes (sons) e fotografias, diapositivas ou pequenos filmes em super-oito. As características que marcam a diferença – grande diferença som:
a) A imediato da transmissão (o clickwriting); essa demora mínima que faz que o texto chegue ao leitor quando se está produzindo
b) A politopia, ou possibilidade de que uma mensagem, um texto, um bloge esteja ao mesmo tempo em vários (potencialmente muitos) lugares a um tempo, uma espécie de “ubiquidade” da mensagem.
c) A capacidade do “leitor” de modificar os conteúdos (por médio das espinhas ou comentários). O texto não é mais algo estático; inamovível, senão que sofre uma transformação permanente.
d) A possibilidade de seguir um texto em construção, que mesmo pode ser de-construído, em terminologia importada de Derrida, é dizer, descoberto na sua origem, anal içado, modificado e mesmo disseccionado ata encontrar lhe a estrutura; Quantas historias não começam agora como pequenos fragmentos em um bloge, que logo se transformam em livro. Pode-se dizer que, pelo de agora, a maioria dos bloges com ambições literárias, tenham como ambição final a publicação em papel, pois continua a ser o livro (por quanto tempo) um artigo de distinção, um objectivo de reconhecimento, uma obra tangível.
e) O autor pode incrementar a sua presença e mesmo utilizar o seu bloge como médio de auto-promoção, por exemplo, pondo-lhe ao blogge o nome do seu próximo livro, adiantando fragmentos...
f) A possibilidade do autor de “vigiar” aos seus leitores, saber quantos o consultam, de onde e tudo isso em um tempo recorde (pode mesmo traçar a quem fixo o comentário e contestar-lhe, pois tem normalmente o seu endereço electrónico);
g) Alguém poderia pensar que democratiza a escrita: qualquer pessoa que tenha uma computadora pode “publicar” o seu bloge em Internet e chegar aos quatro cantos do mundo, o que se entenderia em principio como democratização, como que “publicar” deixou de ser privilegio das elites e, alguns podem mesmo ir tão longe como dizer que é um acto “antiburgués” e que se hoje vivesse o Che Guevara escreveria o seu diário em forma de blogge. [Logo das intervenções em esta mesa dos meus colegas escritores de Moçambique (Guita Júnior) e da Guiné-Bissau (Wilmar Araújo), a minha ideia de democratização arrefece um pouco. Quem tem uma computadora em Moçambique? quem tem electricidade ou linha telefónica em Guiné-Bissau? Não será mais um avance tecnológico que nos separa e que não nos aproxima?]
[2]
Como todas as tecnologias (ou quase todas) e como todos os métodos de comunicação actuais, tem os seus detractores e os seus ferventes admiradores. Ensaio (nem sempre consigo) pensar com racionalidade e sossego. Nem é algo abominável nem é algo insuperável. Para mim, e já, para final içar, é uma etapa intermédia no desenvolvimento tecnológico e dentro de uma década ou mesmo antes estará superado por uns sistemas muito mais sofisticados que combinem a imagem gravada com subtítulos automaticamente traduzidos na língua solicitada pelo receptor da mensagem, de forma que poderemos escutar a um amigo chinês falando em chinês e com subtítulo em português ou em búlgaro, em galego ou em romani, ou escuta-lo mesmo coma se estivesse falando directamente na nossa língua materna.
Há que falar em bloges por varias rações, a primeira sem dúvida porque é uma realidade que esta aí, se calhar pouco utilizada em as suas possibilidades e a outra porque é um instrumento que pode ajudar a mudar mentalidades, a espalhar ideias, a exercer a liberdade de expressão... em definitiva a resistir contra a onda de uniformização e de simplificação que já nos começa a asfixiar.

[1] O texto não foi lido, mais serviu de base para a dissertação. Originalmente foi escrito em português e assim fica.
[2] O texto entre [ ] não estava no original, mais foi comentado ao fio das intervenções que me precederam e dou pé, perante o colóquio que seguiu a palestra como tema de varias intervenções nas que se estabeleceram diferenças entre o “primeiro” e o “terceiro” mundo, termos hoje obsoletos, pêro ainda de uso comum.

sábado, abril 22, 2006

Caligrafías, de Xavier Queipo.

I
Dedícate ás túas caligrafías. De vagar. Sen pausa. De vagar. Usa a tintanegra coma se fose ouro. Antes de cada movemento, cavila cada aceno, cada trazo, cada xiro do pincel no aire. Escoita. Pon o ouvido atento. Escoita agora como o papel absorbe o espírito da tinta. De a tanto, detén o pulso, o teu pulso, no alto. Pensa na cabeza do dragón, no corpo do amado, na treboada de onte. Logo, axiña, de súpeto, coma un lóstrego, envía aos nervios da cola de cabalo as ordes pautadas, xira en remuíño os dedos ata trazar unha espiral. Descarga o teu brazo nun impulso fugaz.

II
Recomeza do centro. Non te deteñas agora. Así. Con paixón e contención ao mesmo tempo. Dominando cada cabelo do pincel. Controlando o teu corpo todo.En tensión. Cada movemento dos pulsos, cada xiro. Usa a tinta negra coma se fose ouro. Olla a espiral en labirinto. Pousa o pincel. Cavila cada movemento, cada aceno, cada instante do pincel no aire. Imaxina un mandala, unha liña, un punto. Descansa.

III
Agora pecha os ollos e repite o movemento. O mesmo. Lembra os detalles. Cada detalle, cada punto. Pensa nunha coreografía de brazo único. Colle o pincel. Móllao na tinta. Segue así ata conseguir que as espiras sexan iguais, cos ollos abertos e coas pálpebras baixadas. Ata que ninguén distinga cal foi trazada coa ollada atenta e cal ao impulso cego da corrente interna.

IV
Sigue así, nas túas caligrafías. De vagar. Usa a tinta negra coma se fose ouro. De vagar, ata que na fronte, no eixo da sobrecella única apareza, en círculo, o fulgor. Só entón, deixa o ritmo anódino das túas caligrafías, pois coñeces xa, de certo, o valor de cada signo, o que custa chegar, o esforzo que supón, o traballo de síntese. Daquela, colle o pincel e comeza a ensarillar frases e parágrafos con economía de medios: medindo cada sílaba, cada palabra, cada entoación posíbel.

V
Os pinceis xa non saben o que pintan, só seguen as sendas marcadas polo pulso do calígrafo. En tatuaxe sobre fibra van deixando mensaxes nunha lingua que estrañan. Falso que as estrelas choren, que chova sobre nós, que sexan néboa, que sigan o curso que lles marca Hanuman, o mono gramático, odo ricto tenaz e o berro estridente, o da languidez solar e a furia carnívora. Os pinceis xa non saben o que pintan. Só entón, meu, acadarás o arte da escrita.


Xavier Queipo
Bruxelas, 6 de abril de 2006

sexta-feira, abril 14, 2006

Presença de Xavier Queipo nas I Literatura em Viagem. Matosinhos, dias 22, 23 e 24 de Abril.


Xavier Queipo, autor editado pela Deriva com o Bebendo o Mar (2003) e Os Ciclos do Bambu (Dez. 2005) vai estar presente nas primeiras Literatura em Viagem, encontro organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos e que terão lugar nos dias 22, 23 e 24 de Abril de 2006. A sua mesa será dia 22, sexta-feira, pelas 18 horas e tentará responder ao tema (difícil, dizemos nós!) «Que Faço Eu Aqui?». A moderação (?) será feita por José Carlos Vasconcelos e acompanharão Xavier Queipo, Richard Zimmler e José Eduardo Agualusa. Noutras mesas, lá estarão o Eduardo Prado Coelho, Ondjaki, Mia Couto, Vergílio Alberto Vieira, Santiago Gamboa, Álvaro Siza, Vítor Quelhas e o Manuel Jorge Marmelo.

Mais uma iniciativa do Francisco Guedes a acompanhar com atenção, agora em Matosinhos.