| Os últimos livros da coleção de ficção da Deriva têm nomes como Xavier Queipo, Pedro Teixeira Neves, João Paulo Sousa, Paulo Kellerman e Anjel Rekalde. |
segunda-feira, dezembro 31, 2012
Em 2013 poderá adquirir alguns títulos da coleção de ficção da Deriva
terça-feira, junho 28, 2011
Xavier Queipo, prémio Xerais de 2011, com «Extramunde»
Entrevista retirada do site de Xerais de Galicia
Xavier Queipo tem, editado pela Deriva, os livros Bebendo o Mar, Ciclos do Bambú e Dragona. http://www.derivaeditores.pt/
quarta-feira, junho 23, 2010
Un xeito de pensar, Cen mil saramagos, Xavier Queipo
Saramago, é sabido, ademais do apelido do único escritor portugués ao que lle concederon o Premio Nobel de Literatura (logo de esquecer a Eça de Queiros), é tamén o nome común dunha planta salvaxe, desas que medran á beira dos camiños. Como todas as plantas que non teñen unha utilidade culinaria ou estética -o saramago é planta ruín- nace de natural molestosa e pouco apreciada.
Ás veces as opinións do Saramago escritor eran tamén molestosas e incordiantes (que lle pregunten aos veciños portugueses sobre e unión ibérica ou a Igrexa católica sobre as relación entre Xesús e a Magadalena)
Saramago -o escritor- tivo vontade última de ser incinerado. Un xeito, se cadra, de evitar que se establezan peregrinacións ou visitas indesexadas á súa tumba (como sofren Borges, Kafka ou Castelao, por poñer exemplos de tres sistemas diferentes). Hai xente que considera que visitar camposantos e dialogar cos mortos famosos lles vai reportar un extra de sabedoría. Xa saben, hai xentiña para todo.
Eu non entro en decisións tomadas, pois isto da vida é estar e non estar, mais espero que no lugar onde repousen ou se estendan as cinzas de Saramago agromen flores, aínda que non cheguen ás cen mil das que falaba Mao, o seu próximo. Saramagos no acaso, mais tamén patalugas, margaridas, mexacáns, estralotes, abeirotase outras que iluminen o noso camiño con ideas incordiantes e molestosas. Espero que así sexa, pois diferenzas ideolóxicas e estéticas á parte, o que precisamos neste mundo absurdamente homoxéneo, é precisamente de algún que outro Saramago coas súas ideas incordiantes, que faga reaccionar a sociedade, adormecida como está polo binomio produción-consumo, pola laminación ética, polo politicamente correcto. O dito, cen mil flores, cen mil saramagos. Xavier Queipo, Galicia Hoxe
sábado, janeiro 23, 2010
Dragona, de Xavier Queipo
Tradução de Isabel Ramalhete
Referência 2001017
ISBN 9972-9250-38-5
Edição: Junho 2008
PP: 216
Formato: 145 x 220
Capa: Brochado
Pedidos a deriva@derivaeditores.pt
Outros livros de Xavier Queipo editados pela Deriva: Bebendo o Mar e Ciclos do Bambu
segunda-feira, outubro 26, 2009
De europese grondwet in versen. Ou melhor, a Constituição europeia em verso
segunda-feira, agosto 24, 2009
Em 2006, António Manuel Venda escrevia assim sobre Bebendo o Mar, no blogue Floresta do Sul:
Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006
Um romance fabuloso que me ofereceram no Natal de 2003. O texto é do início de 2004.Livro: «Bebendo o Mar», de Xavier Queipo (Deriva Editores, 198 pp.)
António Manuel Venda e Xavier Queipo
Pack Bebendo o Mar, de Xavier Queipo e Erros e Tanatos, de Gonzalo Navaza. 10 euros
Xavier Queipo tem um público fiel em Portugal e é visita assídua das Correntes d' Escritas da Póvoa e das Literaturas em Viagem em Matosinhos. Para além de Bebendo o Mar conta com dois outros livros na Deriva: Os Ciclos do Bambu e Dragona
Gonzalo Navaza é professor de Filologia e especialista em toponímia. Os seus contos são conhecidos pela sua ironia. Os seus versos são palíndromos: já repararam que se pode ler A Torre da Derrota também da direita para a esquerda?
Gonzalo Navaza (Lalín, 1957). Doutorado em Filologia. Professor da Faculdade de Filologia e Tradução da Universidade de Vigo. Lexicógrafo e especialista em toponímia e antroponímia. Realizou a edição crítica de Longa noite de pedra de Celso Emílio Ferreiro (1990). Tem publicado os livros de poesia: Fábrica íntima (1991), Premio Eusébio Lorenzo, 1989 e Prémio da Crítica Espanhola, 1992; A torre da derrota (1992), versos palindrómicos; e Libra (2000), Prémio Martin Codax 2000 e Prémio da Crítica Espanhola 2001. Tradutor de Jack London, A chamada da selva (1982, 2002), Georges Perec e Robert Graves. Recebeu o Prémio Ramón Cabanillas de tradução literária, 1989, pela sua versão para o galego de O Can dos Baskerville de Conan Doyle (1988). Como narrador publicou Erros e Tánatos (1996) Prémio Arcebispo San Clemente 1998, contos; Elucidário (1999), e Santos e Defuntos (2001), conto.
sexta-feira, julho 03, 2009
Ontem, em Gaia, debateu-se Portugal e Galiza
sexta-feira, janeiro 02, 2009
Xavier Queipo nas próximas Correntes d'Escritas?
quarta-feira, junho 11, 2008
Dragona de Xavier Queipo, já nas livrarias
domingo, junho 24, 2007
Livraria Orfeu, em Bruxelas: apresentação de Dragona, de Xavier Queipo
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
Xavier Queipo, poeta do mundo
quinta-feira, dezembro 21, 2006
O Golfinho de Palembang, de Xavier Queipo
Umas semanas após, atendia ao chamado dos miúdos, que lhe acarinhavam no focinho, e ele deixava-se fazer, coma se estivesse á vontade. Uma tarde, uma criança, que atendia por o Kim, botou-se ao mar por imitar aos mais velhos. Não sabia nadar e começou balançar os braços ao tempo que afundava, e quando semelhava ir afogar, apareceu de súbito sentado no golfinho, pegando na barbatana dorsal, como se cavalgasse. O Kim agachou a cabeça para lhe falar ao ouvido, e o golfinho empreendeu o caminho do largo. Saíram na sua procura, mas por muito que vogaram não deram com o golfinho nem com o Kim, que desapareceram no mar para sempre jamais.
Passados os anos chegou á angra de Palembang uma manada de golfinhos. Todos lembravam a história do Kim, que os pais contavam ás crianças, para alerta-las dos perigos do mar, e temeram que acontecesse qualquer desgraça. Assim, armados com arcos e com setas, saíram navegar para expulsa-los da baía. Os golfinhos semelhavam não quererem internar-se no mar, e quando lhes disparavam mergulhavam de contado reaparecendo a várias braças de distância. Um golfinho mais branco que os outros afastou da manada, ergueu sobre a cauda, e viron que tinha barba e bigodes, e uns olhos distintos dos que têm os golfinhos, com pálpebras e pestanas, e abriu as barbatanas laterais, que eram braços unidos ao corpo com uma membrana.
Desde aquele dia, nas águas de Palembang, há um golfinho que fala a língua dos locais e conta mil historias, que leva aos rapazes de cavalo, que diz chamar-se o Kim e ter percorrido o mar oceano, que come peixe e vitela, frutas e deleites.”
Xavier Queipo, Dezembro de 2006
quarta-feira, outubro 25, 2006
Preguntas para lhe Facer em Voz Alta a Federico García Lorca, Irmán, de Xavier Queipo
Ai Federico García! Ai Federico! Que te apartou do acolhedor refúgio da tua estirpe? Como foste acovilhar no tobo da ignomínia? Que te levou a rejeitar o fío vermelho que Ariadna te tendera? Que te levou a Granada?
Diz, Federico García. Que estranho instinto te fixo confiar em Minotauro? Quantas noites de lua para distinguir o urro da quimera do canto das sereias? De onde apareceu a fúria ancestral que rachou a geometria do teu corpo?
Ai Federico García! Ai Federico! Que se sente quando os fuziles percutem nas tuas costas? Que quando as balas laceram a tua pele de óleo e caramelo? Que após do estourado, do reverso da ração, da vértebra que secciona o centro e as cisternas? Que te esperava após do golpe imóvel, do sangue as gurgulhadas?
Diz, Federico García, com os teus versos inchados de alecrim e de mapoulas, de reflexos e luares, de sangue e caraveis: A que ule a incandescência do corpo queimado pela pólvora? A que arrecende a traição dos bem amados?
Eu quisera saber, Federico, percebes, Federico, a opacidade do diamante, o voo do colibri, as imagens que passaram trás das pálpebras. Eu quisera saber, Federico, que paixões, que escrituras, que delicias guardavam nas gavetas do cérebro?
Eu quisera saber, ai Federico! Quisera saber, mas é tarde.
Xavier Queipo, Bruxelas, Outubro de 2006 (no aniversário do assassinato de García Lorca)
quarta-feira, julho 12, 2006
Nova tradução galega de Ulisses de Joyce por Xavier Queipo
sexta-feira, maio 19, 2006
Algumas considerações sobre Literatura e Blogosfera, por Xavier Queipo
Texto no que se baseou a intervenção de Xavier Queipo nas Correntes d’Escritas 2006, em A Póvoa do Varzim
“Quando me convidaram a falar em estas Correntes d’Escritas sobre a blogosfera, pensei que não era a pessoa mais indicada, pois eu não som um bloger, não som um usuário de bloges. Estou-me aproximando dessa idade provecta dos 50 anos e muitos dos avanços tecnológicos passam ao meu lado sem que eu consiga entende-los. Mais este convite actuou como uma espécie de estímulo. Como intelectual não tenho direito, não só a não conhecer, senão mesmo a não compreender um fenómeno actual que está, sem dúvida marcando a toda uma geração. Os portugueses, tão dados no passado à exploração e à descoberta, não podem estar alheios a este fenómeno. Eu, como galego e trabalhador do intelecto (o escritor trabalha com a língua ou se se quer com o sistema de pensamento). Eu passo quase nove horas ao dia diante do ecrã da computadora e som visitador regular de bloges. Quando me propuseram este mote, pensei de contado na teoria de conjuntos e quis pensar a blogosfera em termos de intersecções, uniões, subconjuntos (bloges) e relações entre eles (links, posts/ ligações, espinhas), constituindo redes de relações entre os elementos de tipo unívoco (de um a outro subconjunto) ou biunívocas (de um elemento “a” dum subconjunto a outro elemento “b” e de este elemento “b” ao elemento “a). A união dos elementos de todos os subconjuntos possíveis (é dizer a união de todos os elementos dos distintos bloges) daria lugar ao “Universo” Blogosfera.
A palavra “universo” fixo acordar em mim a ideia de “universo” em termos astronómicos. Se existia um universo, falar podia de estrelas. Cada bloge uma estrela. As estrelas segundo as reacções termonucleares que aconteçam em o seu seio, e os bloges segundo a quantidade de informação que contenham, podem-se dividir em anões brancas (bloges recentes, cheios de energia), gigantes vermelhas (bloges já antigos, com grande quantidade de informação, mais algo rotineiros, coma sem força), estrelas marrões (bloges que se apagam progressivamente, que perdem interesse e visitas). Já logo teríamos os buracos negros (bloges que geram ao seu arredor um campo gravitacional, que atraem comentários de toda parte, que toda a gente consulta e comenta), os bloges sol, arredor dos quais outros bloges subsidiários se alimentam e vivem, sendo estes os bloges planeta, sem luz própria e fazendo a função de repetidores de ondas, ecoando o que acontece em os bloges sol. Hainos de curta duração, bem por desinteresse do que os iniciou ou bem porque foram programados a tempo fixo, como os que se fãs para promover um livro, por exemplo, estaríamos, então, diante dos bloges estrelas fugazes. Também haveria bloges cometa, que passam e deixam um ronsel de informação ou influências, que podem mesmo deixar traças e originar modificações do seu contorno. Há, por suposto, os bloges lua, que ciclicamente movem as marés e as modas, que geram eclipses e aparecem e desaparecem de continuo. E há também, como não, (para isso estão as ligações), galáxias e constelações de bloges que se associam por temas ou afinidades. E não podiam faltar as supernovas, resultado de intercâmbios de energia/informação entre bloges binários, com origem no mesmo nauta ou não. As supernovas, segundo me explicaram nos anos já afastados da escola, som aquelas estrelas que captam matéria e energia de outras estrelas próximas, que actuam como parasitas e acabam por roubar lhe o material tudo ate elas próprias acumular a energia binária. Os links (ligações) actuariam como “buracos de verme”. Em física, os buracos de verme são hipotéticas características topológicas do espaço-tempo, descritas nas equações da teoria da relatividade geral (uma espécie de atalho a través do espaço e do tempo), que é o próprio que acontece com a informação que se move (aparece) entre bloges (que se replicam, que se repetem, que se citam, que se comentam os uns aos outros).
Um pensa que o conceito de bloge é muito novo, pois une palavra escrita com imagens e som. Postos a pensar em termos arqueológicos (paleotecnoantropológicos) os bloges tem os seus antecessores em os diários literários dos escritores entre os que poderíamos lembrar a Franz Kafka, Leon Tolstoi, André Gide ou Anais Nin, por dar exemplos bem conhecidos da literatura ocidental. Más recentemente, o antecedente pódese procurarem bem em as auto publicações (fanzines, jazz poetry com Ferlinghetti à cabeça) ou bem com os “pal pens” das décadas dos anos 60-80 do século XX. Os pal pens ou amigos da escrita, eram aqueles que se escreviam entre eles para se contar as suas vidas, para partilhar experiências, para estar ou sentirem-se menos sós. Intercambiavam também cassetes (sons) e fotografias, diapositivas ou pequenos filmes em super-oito. As características que marcam a diferença – grande diferença som:
a) A imediato da transmissão (o clickwriting); essa demora mínima que faz que o texto chegue ao leitor quando se está produzindo
b) A politopia, ou possibilidade de que uma mensagem, um texto, um bloge esteja ao mesmo tempo em vários (potencialmente muitos) lugares a um tempo, uma espécie de “ubiquidade” da mensagem.
c) A capacidade do “leitor” de modificar os conteúdos (por médio das espinhas ou comentários). O texto não é mais algo estático; inamovível, senão que sofre uma transformação permanente.
d) A possibilidade de seguir um texto em construção, que mesmo pode ser de-construído, em terminologia importada de Derrida, é dizer, descoberto na sua origem, anal içado, modificado e mesmo disseccionado ata encontrar lhe a estrutura; Quantas historias não começam agora como pequenos fragmentos em um bloge, que logo se transformam em livro. Pode-se dizer que, pelo de agora, a maioria dos bloges com ambições literárias, tenham como ambição final a publicação em papel, pois continua a ser o livro (por quanto tempo) um artigo de distinção, um objectivo de reconhecimento, uma obra tangível.
e) O autor pode incrementar a sua presença e mesmo utilizar o seu bloge como médio de auto-promoção, por exemplo, pondo-lhe ao blogge o nome do seu próximo livro, adiantando fragmentos...
f) A possibilidade do autor de “vigiar” aos seus leitores, saber quantos o consultam, de onde e tudo isso em um tempo recorde (pode mesmo traçar a quem fixo o comentário e contestar-lhe, pois tem normalmente o seu endereço electrónico);
g) Alguém poderia pensar que democratiza a escrita: qualquer pessoa que tenha uma computadora pode “publicar” o seu bloge em Internet e chegar aos quatro cantos do mundo, o que se entenderia em principio como democratização, como que “publicar” deixou de ser privilegio das elites e, alguns podem mesmo ir tão longe como dizer que é um acto “antiburgués” e que se hoje vivesse o Che Guevara escreveria o seu diário em forma de blogge. [Logo das intervenções em esta mesa dos meus colegas escritores de Moçambique (Guita Júnior) e da Guiné-Bissau (Wilmar Araújo), a minha ideia de democratização arrefece um pouco. Quem tem uma computadora em Moçambique? quem tem electricidade ou linha telefónica em Guiné-Bissau? Não será mais um avance tecnológico que nos separa e que não nos aproxima?][2]
Como todas as tecnologias (ou quase todas) e como todos os métodos de comunicação actuais, tem os seus detractores e os seus ferventes admiradores. Ensaio (nem sempre consigo) pensar com racionalidade e sossego. Nem é algo abominável nem é algo insuperável. Para mim, e já, para final içar, é uma etapa intermédia no desenvolvimento tecnológico e dentro de uma década ou mesmo antes estará superado por uns sistemas muito mais sofisticados que combinem a imagem gravada com subtítulos automaticamente traduzidos na língua solicitada pelo receptor da mensagem, de forma que poderemos escutar a um amigo chinês falando em chinês e com subtítulo em português ou em búlgaro, em galego ou em romani, ou escuta-lo mesmo coma se estivesse falando directamente na nossa língua materna.
Há que falar em bloges por varias rações, a primeira sem dúvida porque é uma realidade que esta aí, se calhar pouco utilizada em as suas possibilidades e a outra porque é um instrumento que pode ajudar a mudar mentalidades, a espalhar ideias, a exercer a liberdade de expressão... em definitiva a
[1] O texto não foi lido, mais serviu de base para a dissertação. Originalmente foi escrito em português e assim fica.
[2] O texto entre [ ] não estava no original, mais foi comentado ao fio das intervenções que me precederam e dou pé, perante o colóquio que seguiu a palestra como tema de varias intervenções nas que se estabeleceram diferenças entre o “primeiro” e o “terceiro” mundo, termos hoje obsoletos, pêro ainda de uso comum.
sábado, abril 22, 2006
Caligrafías, de Xavier Queipo.
I
Dedícate ás túas caligrafías. De vagar. Sen pausa. De vagar. Usa a tintanegra coma se fose ouro. Antes de cada movemento, cavila cada aceno, cada trazo, cada xiro do pincel no aire. Escoita. Pon o ouvido atento. Escoita agora como o papel absorbe o espírito da tinta. De a tanto, detén o pulso, o teu pulso, no alto. Pensa na cabeza do dragón, no corpo do amado, na treboada de onte. Logo, axiña, de súpeto, coma un lóstrego, envía aos nervios da cola de cabalo as ordes pautadas, xira en remuíño os dedos ata trazar unha espiral. Descarga o teu brazo nun impulso fugaz.
II
Recomeza do centro. Non te deteñas agora. Así. Con paixón e contención ao mesmo tempo. Dominando cada cabelo do pincel. Controlando o teu corpo todo.En tensión. Cada movemento dos pulsos, cada xiro. Usa a tinta negra coma se fose ouro. Olla a espiral en labirinto. Pousa o pincel. Cavila cada movemento, cada aceno, cada instante do pincel no aire. Imaxina un mandala, unha liña, un punto. Descansa.
III
Agora pecha os ollos e repite o movemento. O mesmo. Lembra os detalles. Cada detalle, cada punto. Pensa nunha coreografía de brazo único. Colle o pincel. Móllao na tinta. Segue así ata conseguir que as espiras sexan iguais, cos ollos abertos e coas pálpebras baixadas. Ata que ninguén distinga cal foi trazada coa ollada atenta e cal ao impulso cego da corrente interna.
IV
Sigue así, nas túas caligrafías. De vagar. Usa a tinta negra coma se fose ouro. De vagar, ata que na fronte, no eixo da sobrecella única apareza, en círculo, o fulgor. Só entón, deixa o ritmo anódino das túas caligrafías, pois coñeces xa, de certo, o valor de cada signo, o que custa chegar, o esforzo que supón, o traballo de síntese. Daquela, colle o pincel e comeza a ensarillar frases e parágrafos con economía de medios: medindo cada sílaba, cada palabra, cada entoación posíbel.
V
Os pinceis xa non saben o que pintan, só seguen as sendas marcadas polo pulso do calígrafo. En tatuaxe sobre fibra van deixando mensaxes nunha lingua que estrañan. Falso que as estrelas choren, que chova sobre nós, que sexan néboa, que sigan o curso que lles marca Hanuman, o mono gramático, odo ricto tenaz e o berro estridente, o da languidez solar e a furia carnívora. Os pinceis xa non saben o que pintan. Só entón, meu, acadarás o arte da escrita.
Xavier Queipo
Bruxelas, 6 de abril de 2006
sexta-feira, abril 14, 2006
Presença de Xavier Queipo nas I Literatura em Viagem. Matosinhos, dias 22, 23 e 24 de Abril.
Xavier Queipo, autor editado pela Deriva com o Bebendo o Mar (2003) e Os Ciclos do Bambu (Dez. 2005) vai estar presente nas primeiras Literatura em Viagem, encontro organizado pela Câmara Munici
Mais uma iniciativa do Francisco Guedes a acompanhar com atenção, agora em Matosinhos.