domingo, 21 de agosto de 2011

Verdes fontes


Cortiçadas de Lavre
Fontes perdidas, águas paradas, costumes esquecidos. E da frescura do cântaro de barro ou das cantigas das lavadeiras, quem guardou memória?

Saudade do verde

Reguengo

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Passeio campestre por S. Cristovão - II

 Não restavam dúvidas, após a observação dos astros e da localização do Menir. Era preciso continuar!

 Descemos o declive, à procura da linha de água. Foi um percurso difícil, com o Sol do meio-dia a queimar e todo o abastecimento de água a esgotar-se. O guia, esse dissera-nos, em dialecto local: "É já ali!" e foi à frente para montar o acampamento, levando-nos os mantimentos.

 Avistámos, por fim, as margens do rio, e as promessas de uma sombras onde poderíamos saborear alguns dos víveres que transportáramos.

O avistamento de um hipópotamo nas margens não nos deixou qualquer dúvida, tínhamos atingido um dos nossos objectivos.

 Após recuperarmos as forças, embrenhámo-nos na densa selva.

 Com cuidado, pois crocodilos gigantescos espreitavam-nos, prontos a atacar.

 Sobre as nossas cabeças, pendiam jibóias.

 Os pântanos eram armadilhas fatais para quem escorregasse.

 Para identificar os perigos, o batedor seguia à frente.

 Os rápidos dificultavam a travessia.

 E, do outro lado da margem, tribos inimigas começaram a atacar-nos.

 Mas eis que surge alguém preparado para nos indicar o caminho mais seguro para sairmos dali.

  A única saída possível ali estava, suspensa sobre um arrepiante precipício.

 O nosso herói não hesitou, passou para lá, testou a segurança da ponte...

 Voltou a passar... prova superada!

 Já num local seguro, ainda houve tempo para pesquisar umas pepitas de ouro que reluziam na água.

 Ooops, afinal eram apenas lagostins!!! Livra!!! E também eles andavam à procura de almoço!

Depois de tantas aventuras, que fazer a não ser reconfortar os estômagos com umas iguarias deliciosas num dos restaurantes da vila, tão bem decorado com instrumentos tradicionais, alguns deles bem peculiares?

Passeio campestre por S. Cristovão - I

Manhã de Maio, pouco florido mas quente, intensamente quente. Partimos em direcção à Courela do Tojal. Que segredos contam as misteriosas covinhas do Menir? Quem sabe se explicam por que motivo as flores faltaram tanto, este ano, por esses campos fora. Um pouco de  soagem ganha agora cor e, bem ao lado do cromeleque, uns magníficos malmequeres que se enchem de pétalas flutuantes. Um pouco de História, reconhecimento de plantas medicinais pelas palavras do Mestre Zé Salgueiro e a identificação de outras plantas com tanta serventia no quotidiano camponês, como as hastes da Gilbardeira, juntinhas à vedação, e que voltámos a fotografar depois, já transformada em vassoura, na velha moagem.











domingo, 1 de maio de 2011

Casas de terra



Casas com paredes de barro e cortiça - Cortiçadas de Lavre

Andorinha - Herdade do Freixo do Meio - Foros de Vale Figueira
Da terra moldada fizeram a casa.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Por esses campos


Luz e sombra à beirinha do ribeiro


As cores do prado


Um ramalhete


Uma tela...

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Safira

















Imaginara-a uma aldeia alinhada ao lado esquerdo da estrada, as casas próximas umas das outras, o tempo a diluir-lhes as memórias e a deixá-las morrer lado a lado. Mas não, apenas as primeiras casas se abeiram da estrada e, ao fundo, à direita, há a passagem para o suave monte por onde se dispersa a exígua povoação. Há um silêncio que vem primeiro, depois os sons dos pássaros e ouve-se o cuco ao longe, no montado. Outra casa, a figueira que dela fez seu chão, um forno que perdeu o cheiro do trigo, as hastes de marmeleiros sem fruto e as flores da esteva, grandes, brancas e bravias.

A Igreja, central, domina do alto da colina. Que mãos a terão erguido ali, impondo-a à simplicidade dos outros homens e às suas casas de barro que agora retornam à terra? Ao longe, do outro lado da charca, o branco de um muro e o cipreste a sobressair do montado – morte selvagem ou esquecida?
Safira, sob a fresca e húmida Primavera, onde esconderá a sua cor? Nos vestígios do azul que a Igreja guardou? No céu límpido dos dias em que soavam as vozes e os risos? Na tranquilidade que a velha amendoeira transmite? Safira tem cor de esmeralda, o verde que a terra fez nascer; tem a cor da telha, do tijolo, da pedra, da taipa, das paredes abertas (feridas ou libertas, quem sabe…); tem a cor da cal antiga e das frágeis pétalas de esteva salpicadas por gotas de chuva (talvez alguma lágrima do tempo)…

Registo a paisagem, o traçado das casas, a porta, a soleira, a janela, o beiral, a chaminé, o armário, a trave caída e o silêncio das memórias que não decifro mas que julgo pressentir. Talvez tenham ficado inscritas na taipa, talvez andem ao sabor do vento, talvez tenham ido também nas malas dos que partiram em busca de outros destinos…
Safira terá, um dia, definitivamente, a cor do céu azul e a cor da terra que o tempo deitará sobre a paisagem humana. Mas a voz da aldeia: a história das suas gentes, do seu quotidiano e das relações que a pequena comunidade estabeleceu com aquele espaço, essa voz alguma vez será escutada?



“Dentro de alguns centos de anos, outro viajante, tão desesperado como eu, neste mesmo lugar, chorará o desaparecimento daquilo que eu teria podido ver e que não aprendi.”
                                             Claude Lévi-Strauss, Tristes Trópicos