Friday, July 02, 2021

I- Seiva de Amor, Martírio!


Perguntem-me quem sou! 
Mascara de alguns de Vós…
Perguntem-me se existo!
Segredo! Pobre mascara que nos encobre…
Serei mascara ou rosto que nos esconde…
Martírio! Segredo envolto em silêncio!
Martírio! Erro disfarçado de certeza!
Perguntem-me o que faço hoje aqui!
E permitam-me que seja sincero, autêntico e verdadeiro…
Talvez uma suposta confissão…
Quem sabe um aviso ou profecia…
Quem sabe um desejo…
Talvez um pedido de perdão…
Mas permitam-me algumas lembranças figuradas antes de começar…
…“O Maior feito de Deus foi permitir-nos acreditar na sua existência…”
…“O Maior feito do Diabo foi convencer-nos de que não existia…”
…”O Maior feito do Amor é fazer-nos acreditar e sentir… ambos…”
Sinto a minha mão direita dormente…
A mesma que me faz escrever e sonhar…
A dormência permanece no cansaço de tanto…
Sofreguidão e tristeza do que me convém e do que sou…
Que acredito ou me fazem acreditar, talvez mentira não minha, mas Vossa! …
Talvez não tenha avisado ou proclamado tal ternura…
Poderão não gostar de mim e do que escrevo… ou ao invés, amar loucamente…
Poderão desconfiar das palavras ditas…emancipar qualquer desilusão ou não sentir o sofrer como o faço…
Poderão odiar-me por o que sinto, viver a luxúria e o amor que crio…
Talvez seja, ou não, quimérico e autêntico…por quem me ama ou pensa me amar…
Mas não digam que o sentem sem o provar…
Não proclamem pudor sem o viver, luxúria que os sufoque de prazer …
Não pronunciem integridade sem o mostrar…
Não joguem um jogo sem acreditar que o podem vencer…


Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

II- Seiva de Amor, Sangue!



















Perguntem-me quem sou?
Mascara de alguns de Vós…
Perguntem-me se existo?
Segredo! Pobre mascara que me encobre…
Amor!
Amor é, Amor será…algo único dentro de nós que nos move e conhece, domina e ilude…
Como uma criança volátil que cresce ao acreditar num suposto futuro que lhe pertence…
Como um bêbado atroz que da bebida faz vida e do seu cálice vergonha…
Como um poeta devasso, libertino que da promessa de gritar e perder, amar ou morrer…vive na ilusão de sentir mais do que escreve, viver mais do que anseia vencer ou conhecer-se a si próprio e a quem ama e não quer perder…
Como um sonhador livre e apaixonado que beija a tinta envolta em sangue, limpando-a suave e ansiosamente entre lábios e língua que lhe atormenta a escrita… na vontade de o fazer e ser feito entre odores perfeitos… em pele, cruz, suor, saliva e ardor de quem ama e por quem é … amado.
Que venham!
Mas não me exijam se não conseguirem dar…
Nem me peçam se jamais anseiam cumprir…
Não me amem se não sabem amar…
Não me beijem se não ousam seduzir…
Amor! 
… no meio do Não e do Sim
…do Tudo e do Nada…
Amor que é escrita em folha de papel, em pedaços de areia num mar fugidio ou nas estrelas que na noite enamora… 
Que venham! 
Mas que cheguem no meio de escrita vermelha impune, areia doce e molhada ou embrulhados na noite e em luzes que nos cegam…
Não me jubilem num tormento de dor e sangue pregado!
Se não agoniam e almejam a vontade de se crucificar
Não gostem nem sequer me enamorem nesse dia roubado
Se não tiverem coragem! Desse amor em suas mãos cravar

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA


Friday, October 14, 2011

Amor Perfeito


Fotografia, Autor Desconhecido

Doce aroma de terra molhada…
Chuva e vento de um apanágio de incertezas…

Tristeza!
Ausência de amor que em cada espera aguarda silenciosamente os beijos nunca dados ou mordidos… em lábios esquecidos… metamorfoses de lágrimas que choro… e mendigo…

Sons dispersos!
Floresta que ganha vida…
Pássaros que cantam e esvoaçam, percorrendo os trilhos que as copas das arvores permitem… descobrindo os caminhos de encontro a um corpo…o meu!… Perturbam todos os meus sentidos e em especial a audição…vagabundos e incertos… agitam os sons que me envolvem e que se distinguem suavemente uns dos outros…

… o fogo que arde… do gelo que queima,
… o ar em brisa doce… do vento revolto,
… o sangue que nos domina…da terra que nos sufoca,
… a agua que nos envolve…da luz que nos cega…

Uma dor leve, um sorriso…as mãos seguras, presas bem alto direccionando o seu Norte, erguidas para um céu ou inferno, paraíso ou mortalha… longe em pensamento e perto da dor… de quem quer, de quem teve, de quem perde e de quem anseia…ter tanto e sofrer tão pouco…

Respiro… e espero…sinto…
As pontas dos dedos dos meus pés a tocarem levemente em água…
Oiço vozes!
Sinto agudos de sombras e sussurros da natureza…pouco vejo… neblina, doce bruma que tanto protege como agoniza…

Aproximou-se um vulto, beleza rara junto dos mortais…cabelo longo, castanho cor de brandura, olhos escondidos ao de leve pelas suas magras, brancas e delicadas mãos… com o seu corpo envolto em ar seco e cinzento…aproximou-se com vergonha e disse…
“…
Quando o negro da vida te chegar é sinal que o teu amor partiu… e quando a noite engolir o dia… e não mais o teu sonho encontrar para alem de um único rosto…saberás quem foi o amor da tua vida…
Eu… sou o ar que respiras, quem em criança iludiste e sonhaste, idealizaste. Fui heroína dos teus sonhos, fui inocência no teu rosto… fui e sou quem te tocou nos teus pequenos lábios e soprou conhecendo a tua alma…o teu primeiro beijo…a tua primeira dor…
Sou … fui… a tua musa perfeita, libertação do ventre da tua Mãe e o acordar da tua estranha forma de ser…
Provei-te como se deve, como eras e és…como deverias ser nessa paixão negra, um trovador de histórias, sincero e romântico…
Mostrei-te o tingir das cores do inverno, o sentir da brisa de primavera… apenas e só a importância do amor na sua vertente sofrida e ausente, platónica e ingénua…perfeita e incólume…
Ensinei-te e perdi-me nesse passado, ausência no presente, destino ou futuro…esse amor em cada espera que se fez e se transformou em silencio…perpetua irmandade de inquietude e perfeição de contemplar o amor…

A ira, fúria e cólera de um sentimento utópico fez-me fraquejar e matar-me nas tuas pobres mãos que derramaram em mim o teu inoculo sangue … ofereci-te o meu sopro, sagro virgem de um sofrimento de dor e mágoa… Fonte de tudo o que irás sentir perante a consciência amarga da presença fria da posse, em vez do que não puro ou ingénuo …

Abandonarás sempre aquela, que como eu, te fizer mais morte do que vida...nesse desejo de um devaneio completo de cumplicidade triste e alegre…

Sou Musa, ninfa do Ar e perfeição que te tocou ao de leve e que te roubou a pureza dos teus lábios…sou Perfeição Cúmplice da tua alma… que um dia…em tempo e espaço foi o teu Amor Perfeito…”


MABA

Friday, August 26, 2011

Pelos Teus Olhos...


Fotografia, Carlos Vieira

…Veio até mim sem saber como…aproximou-se…observou, sorriu, gracejou…acariciou-me o rosto, colocou as suas mãos sobre os meus olhos e fechou-os, tirou a capa que lhe cobria a nudez e colocou-a sobre os meus ombros, quente, segura, cravou as unhas na minha pele, pescoço, derramou uma gota de sangue…bebeu-a, mordiscou o seu pulso, beijou-me os lábios e engoli o seu…sorriu uma vez mais e sussurrou…”Abre meu querido…não tenhas receios…não os escondas, abre a tua alma escondida e vê o Mundo por breves momentos não pelos teus, mas sim pelos meus olhos…”

“…Confusão, desordem, sem regras, sem saber como olhar, reagir, pensar…fiquei. Senti algo diferente…senti-te a ti, talvez a mim, de uma forma estranha, algures… algo utópico e imortal, belo e triste, sem regras, com limites. Olhei para o teu rosto, para o meu, vi a pureza dos teus sentimentos… o espelho de uma alma, envolta em reflexos de pressentimentos confusos agrupados e arrumados de forma diferente a que me habituei…o erotismo e o erudito do tempo, as memorias, as tristezas em volta de olhares imperfeitos mas sabedores de cruéis e simples realidades, que no confronto da sua fidelidade se confortam na dor.

…A beleza …poderá até nem sequer existir…são apenas ilusões de sentimentos espelhados no nosso olhar… que o nosso eu protege de algo… de um modo imperfeito que nos sabe e assemelha-se inconscientemente à perfeição. O saber, a realidade, torna-nos frios, ou conhecedores de princípios… fruto daquilo que somos genuinamente e do que nos tornam sem palavras, reacção… nervosos, frágeis…e o silêncio? …esse… são meras sentenças de Amor…no qual saboreamos a sua altivez, plenitude e insignificância…e quando não o temos ou podemos perder…Aí sim! … De braço dado com a dor…São apenas palavras de silêncio o nosso Amor…

…É o bater de um coração… o nosso… desesperado por uma Paixão cúmplice que de sucesso tenha muito e que de felicidade se inunde…É saber sentir o que sabemos que conseguimos sentir, ser maior e mais alto do que outros, conhecedores de um sentimento, aproveitar o que ele nos dá na sua essência, beleza, pureza…e ocultar o seu sofrimento, tristeza. É saber ser diferente, utilizando a nossa mágoa, em beneficio de nós…saber sofrer e fazer parecer dor…e se o soubermos…logo saberemos beijar e tocar…se soubermos morrer, saberemos matar, amar…seremos assim poetas de inúmeras palavras que da verdade apoderamo-nos da mentira e conhecedores da vida podemos como ninguém beijar, tocar e arrepiar…ou…morder, seduzir e ferir…

…Conseguimos tocar a mão do Diabo sem ter que a agarrar, beijar os lábios de Deus sem ter que os sentir…somos e podemos ser o melhor da nossa essência sabendo as limitações e qualidades do nosso ser, olhar como quem ama, sentir como quem beija, amar como queremos ser amados…ter a diferença de um sucesso banal… de se ter o que se quer, pela ousadia de apossar a felicidade… e querer o que se tem…”

…Foi… saiu de mim como quem de poeira lava o rosto com agua doce e limpa, foi…olhou para mim no fragmento de uma imagem bela marcada pelo tempo, muros de gáudio, dores, marcas de vida no espelho que a invade e se reflecte em mim, inclina-se para a inocência que ainda preserva…e sorriu…”Abre…doce amigo, os teus olhos e vive como podes viver, como consegues ser…forte e verdadeiro, alegre e melancólico, romântico e louco, vive como desejas, num mundo que podes alcançar sem ter que o compreender…vem ser o Sol que ilumina e a Lua que se esconde…abre…os teus, os meus já estão…e gosto de os sentir bem abertos…e tenta em ti próprio alcançar o que desejas…que talvez seja o que todos nós almejamos…e só quem pensa como nós consegue…
…e o que será?…
…eu sei, eu vi… e não digo…
Segredo…”

Wednesday, July 06, 2011

IV- Seiva de Amor, Castigo!


Perguntem!
Não só quem eu sou...
Mas quem sois vós... 
...
Perguntem!
E respondam amargamente a quem amam... 
anseiam amar ou por ser amados...
a quem, com ou sem convicção, vive um suposto Amor...
...
Perguntem!
E a duvida alimentará a incerteza... 
...
Sorriu e choro por mim e por vós...
Triste sina por quem queremos ser cegos...
De certeza vive a ilusão...
do amor a loucura e da verdade...
...castigo...
...
Será tudo! Ou nada!
Depende de quem chega e de quem lê…
de quem Ama e de quem devasse esse Amor...

...
Nenhuma afirmação de decência, nenhuma questão suspeita…
Não quero que gostem de mim! Não quero que me amem!

...
Nada dura para sempre! Mas quem não o defende cairá...
Quem o diz leviano! Doce Amor de querer e posse morrerá...
...
Quero!
Alguém único que compreenda e anseie…
Que se converta ao leito da minha paixão…
Alguém que de beijo doce se torne devasso crente…
Que profane a lógica e que cante o sonho que persegue…
...
Quero!
Alguém que de boca lasciva se torne virgem perpetuada…
E que do seu ventre nasça a gloria do nosso ser...
Lábios e Pele num fogo apaixonado!Seiva queimada...
Dor, Grito, Prazer e Silencio! Razões de um amor por viver... 
Perguntem! 
Que perante a altivez de tal resposta... seja breve...
A mesma envolta em espinhos e segredos do Passado...
Sufoquem não o que desejo, mas sim o que vós quereis...
Martírios e castigos! Pena de quem sangue bebe Amargurado...
...
Mas Descasai!... 
Porque me irei retirar…
Parei de escrever…Por ti Amor!
E por Vós bebo o vinho que me resta…
Bebo tudo e seguro esse cálice vazio.
Rasgo carne, veias que me percorrem,
Sangue por vinho nesse tormento de espera.
Nunca perdoarei quem me ensinou a Amar…
Nunca perdoarei quem Amou a vida sem mim…
Ofereço então o meu sangue a quem o queira beber…
Amarei eu o seu oferecido à minha sede…
E na saliva fresca da embriaguez de ambos…
Ofereço-vos eu o maior feito do nosso ser …
…Sangue divino e pecador…
…Dor embriagada e genuína…
...
Gostam da seiva do meu amor…?
Gostam da escrita do meu sangue…?
Provem!...Que eu provo o Vosso!

Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Sunday, June 19, 2011

...

Thursday, May 26, 2011

III- Seiva de Amor, Desejo!


Perguntem a essa aparente confissão…
Se sabe desse alvitre ou profecia…
Perguntem ao vosso mais intimo desejo…
Se será somente um pedido de perdão…
...
A resposta será não e nada!
ou sim e tudo!
...
Eu? Não admito nada mais!
e Sei!
Que não irão gostar de mim, talvez adorar, talvez odiar…
Que alguns sofrerão inveja e que outros repulsa
Não irão gostar de mim agora e muito menos na vida e no amor escrito…
… pelos dedos que sacrifico na exigência da pele por punição,
… martírio de beijos roubados envoltos em sonhos que não meus,
… jubilo e magia na diferença do genuíno ao impuro e da embriaguez à insanidade.
...
Não é uma questão de impunidade, pergunta ou solidão…
Virtude, orgulho, convicção, sentimento e ilusão… Talvez!

Digo-vos de forma categórica.
E irão vê-lo de forma inequívoca.
Não!
Não é uma posição confortável a minha…
Mas sim a Vossa!
Sofro por entre as linhas que escrevo e vivo…
Martírio de uma solidão que não desejo.
Mas é minha, só minha!
Anseio que me salvem, imploro que me leiam, percebam, compreendam e concluam de uma forma majestosa o que escrevo vagabundeando…
E como é fácil soletrar a palavra decepção e reclamar que ame mais alto e maior …
E como é fácil e cómodo observar e tirar conclusões de forma distanciada…
E como é fácil sonhar ao invés de viver um sonho, como difícil é viver sem saber sonhar…
E como é fácil vendermo-nos e sermos vendidos pelo Amor que sentimos e por quem ansiamos…
….
Amor!
A mesma súplica se aplica a Vós!
Sois capazes de morrer por Amor? Controlar a vida e a pertença solidão?
Com certeza que não!
Sintam...
como eu senti, como eu sinto.
O tremor, medo, loucura e insanidade sã…

Perguntem!
Será que o que sentem existe algures em algo de mais profundo?
Ou existe uma eterna barreira, um determinado limite de felicidade obscura, exacta, controlável e estagnada.

Perguntem!
Se a infelicidade da perda, a demência de ir mais alem, a algo insaciável prenunciado num horizonte inatingível que nos enlouquece e nos paralisa nessa procura …existe?
Ou existem momentos eternos, perfeitos, do nosso ser, intimo, modéstia e vaidade, humildade e servidão, para sempre recordado,para sempre inacabado, para sempre perpetuado na busca da perfeição e evolução de algo único a dois tons, a dois corpos …a dois!


Fotografia, Autor Desconhecido
Texto, MABA

Wednesday, May 25, 2011

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