29 de janeiro de 2010

Boca de balcão

Num salão de barbeiro, do interior de São Paulo, há uma tabuleta onde se lê:


Fassume de cabelo


Cortume de barba


Aparume de bigode


Não sei mais o que escrever hoje. Me deu um vamos dizer “branco preguiçoso", talvez seja cansaço...

28 de janeiro de 2010

Bagagem de peso



Simpática, essa palavra tem cor amarela...

cor amarela, lembra doença..

doença tem cor cinza...

cinza, lembra tempestade...

e meu dia ontem foi, nublado e defecado

essa palavra tem cor amarela....

26 de janeiro de 2010

O Dom Supremo



O amor nunca falha, e a vida não falhará enquanto houver Amor.
Seja qual for sua crença, ou sua Fé, busque primeiro o Amor.
Ele está aqui, existindo agora, neste momento. O pior destino que um homem pode ter é viver e morrer sozinho, sem amar e ser amado.
O poder da vontade não transforma o homem.
O tempo não transforma o homem.
O amor tansforma.

O Dom Supremo (The greatest thing in world), dede que foi publicado pela primeira vez, em 1890, tocou e transformou a vida de pessoas. Traduzido em diversas línguas, com mais de cinco milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, é considerado junto com Imitação de Cristo, de Kempis e Confissões, de Santo Agostinho como um dos clássicos da Busca Espiritual.

24 de janeiro de 2010

A revolta das bicicletas - Bike Tour



Era uma vez uma cidade em que somente os carros, os ônibus e os caminhões podiam correr. Pessoas e animais tinham de se recolher às calçadas estreitas e esburacadas. As pessoas iam e vinham em seus automóveis. Até que as bicicletas decidiram se revoltar. Juntaram-se nas ruas e puseram-se a protestar. Depois, tiveram de se recolher ao fluxo do trânsito...

Primeiro Lisboa e Porto, depois Madrid. Amanhã São Paulo no dia do seu aniversário.
São 456 anos de história que os amantes do esporte, muitos deles também corredores, vão comemorar em cima de duas rodas, pois o dia 25 marca também a segunda edição do Bike Tour, evento mundial que nesta edição deve colocar seis mil participantes pedalando pelas ruas de Sampa .
O São Paulo Bike Tour ou Sampabike Tour tera um trajeto de 20 quilômetros pelos pontos mais pitorescos e bonitos do centro histórico e turístico da cidade. Um verdadeiro cicloturismo urbano destinado aos amantes do pedal e sem poluir nossa cidade.

21 de janeiro de 2010

A árvore e a solidão

Foto real da nossa árvore


Ela sempre esteve lá, solitária no meio da plantação. Faz parte das minhas lembranças mais queridas de tempos em que eu passava férias no sítio da minha avó.
Erguia-se com graça, perto da porteira, minha irmã ontem telefonou contando que a nossa árvore caiu.
Lembro da época em que era apenas um pouco mais alta do que eu. Quando a vi pela última vez, em setembro passado, beirava os 20 metros de altura. Gostávamos de falar dela como se fosse alguém muito querido. Se fosse semana da pátria, nos recebia florida. Flores miudinhas, amarelas, delicadas como a árvore toda. Dava frutos bem pequenos, só os passarinhos alcançavam na lonjura de seus galhos.
Muitas vezes sentávamos na porteira, ao entardecer, para admirar sua silhueta clara contra o céu. Um céu rosa manchado de lilás, como se vê nas tardes quentes de interior.
Perto do final de ano suas flolhas caiam até deixar nus seus galhos finos. A paisagem entristecia. Confesso que me sinto um pouco responsável por sua morte. Só agora sei que as árvores, assim como as pessoas, sofrem de solidão.
Não é romantismo não. Outro dia mesmo ouvi um amigo lastimando a perda de três árvores, um Jacaranda, um Ipê, e um Jatobá. Só madeira nobre. O último temporal as tinha derrubado, porque estavam uma longe da outra. Árvores isoladas morrendo. Não podia ser apenas coincidência. Se eu fosse uma árvore queria viver rodeada de outras árvores. Sozinha uma árvore fica mais vulnerável a ação do tempo. Quando chove pesado ou venta muito, uma árvore serve de anteparo à outra. Se faz calor demais, dentro da mata é sempre muito mais fresco do que no campo. Descobri que as raízes de uma árvore, no meio da plantação, podem ser agredidas pela passagem das máquinas. É difícil se manter firme quando se tem as raízes abaladas. Mais uma vez me surpreendi com as semelhanças entre a árvore e o homem.
Minha irmã tinha a voz melancólica, quando falou comigo. Estava tristre. Contou que um temporal de verão provocou a queda da nossa árvore.
Tento me acostumar com a idéia da paisagem sem a nossa árvore. A porteira aberta, os pés de milho crescidos. No meio, um vazio.
Como o que eu sinto no peito.

19 de janeiro de 2010

Canteiro



Todo dia é preciso

Capinar um bocado,

Semear algo,

Podar sem mutilar

E regar,

De preferência não com saliva.

17 de janeiro de 2010

Saudade




Pequeno e doce passarinho, que quase cega, não nos percebia a até um metro de distância, quando então se abria em um sorriso acolhedor, reconhecendo, não só a nós, mas que pessoas eramos.
Os poetas como os cegos sabem ver na escuridão.
Mulher modesta, sua inteligência era arguta. Suas maneiras gentis e suas observações extraordinárias, pela sutileza. Uma sensatez admirável.
Era uma sombra do meu avô mas, para quem lhe prestasse atenção, era uma luz doce e radiante. Um ícone de delicadeza, uma daquelas pessoas que só chamam a atenção dos que estão desejosos da beleza que possa existir nos corações humanos.
Estarás para sempre em nossos corações, com tua sabedoria, com tua compreensão, com a tua doçura.
É essa a herança que nos acompanhará por muitas e muitas gerações!
A mim deixou muita saudade vózinha!

15 de janeiro de 2010

Lema para ir à frente



Ou encontramos um caminho

Ou fazemos.

Regando música



Violino, piano
saxofone, flauta
trompete, voz.

a água parou
quando a música
começou.

toca música, pára água
pára música, cai água
e ficou assim.

até que o dono do regador desistiu,
guardou-se dentro do armário
e tampou os ouvidos.

Valéria L.

12 de janeiro de 2010

Diferenças numéricas



Tenho o dobro da idade que tu tinhas

quando eu tinha a idade que tu tens.

Quando tu tiveres minha idade,

ambos teremos noventa anos.

Que idade eu tinha quando tu nasceste?



Enigma tirado do livro de Pedro Bandeira - Amor Impossível, Possível Amor.
Matemática é isso: imaginação a mil! Como a poesia.

11 de janeiro de 2010

Perpendiculares




Só me lembro dos caminhos

Ao fim das retas

Quando as ruas se cruzam

E fazem esquinas dentro de mim.

Passagem


Tem de existir algo,

uma passagem,

uma viagem no tempo.

8 de janeiro de 2010

Uma vida por um drink


Começou aos 14 anos, quando ganhou um garrafão de vinho numa quermesse
e o "enxugou" rapidamente com os amigos.
Os meninos passaram mal. Ele não, se sentiu "forte" para a bebida por não ter ficado ruim.
Sob efeito do alcool, começou a percebe-se mais criativo.
E mais simpático, bonito, desinibido, extrovertido...
Cursou matemática, fisica e comunicação, sempre "bebaço".
Para ficar acordado à noite e manter os efeitos do alcool, juntou anfetamina e cocaína.
Por causa da bebida sentia-se um gênio e lider em todo lugar que chegava.
Começou a achar que podia tudo: já não pagava mais impostos, desobedecia regras e chutava o balde por onde passasse.
Virou frila e casou 10 vezes.
Aos 35 anos tinha uma casa noturna, mas bebeu tudo o que faturou, e faliu.
Não arranjou mais trabalho e vivia de bar em bar recitando poemas em troca de bebida.
Chegou a achar que vida estável não era para ele.
Achava-se um poeta.
Até que um dia, num bar, um cara falou: "Pode beber, mas nada de poesia!'.
Bebeu calado.


(Baseado em uma história real)

2 de janeiro de 2010

A grande fuga de janeiro

Voltei, voltei porque estava morrendo de saudade desse meu cantinho virtual. Voltei pra aproveitar o mês de janeiro, porque em janeiro São Paulo descansa, o barulho diminui e nossos ouvidos agradecem.
Em janeiro a cidade importadora de gente passa a exportar pessoas para balneários, praias, estâncias, isso resulta em menos carros, caminhões, motopizza, menos baladas, menos músicas marretandos em nossos tímpanos, menos brigas, gritos, menor número de alcoolizados que resulta em menos acidentes, sirenes, rachas, choros.
A grande fuga de janeiro faz São Paulo respirar melhor, dá até pra ouvir o silêncio das avenidas adormecendo tranquilas.
Descanso merecido à minha querida cidade, porque depois dessa folga ela volta a ser a São Paulo que amanhece trabalhando, a São Paulo que não pode adormecer...