Servirá esta minha alongada apreciação, visto este filme servir como finalizar do que seria o primeiro acto de um universo iniciado dois filmes antes, como uma crítica retrospectiva à visão contínua e particular do realizador em causa, presente nesta trilogia não oficial e, de alguma forma, ao suposto movimento #ReleaseTheSnyderCut, previamente a uma crítica especificamente direccionada à versão original de Justice League que nos foi possibilitada finalmente visionar.
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domingo, 25 de abril de 2021
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
Porto/Post/Doc 2015: as histórias que contamos
A segunda edição do Porto/Post/Doc que passou pela baixa portuense recentemente partia do mesmo princípio. Ou não lançasse o mote "as nossas histórias são reais" como veículo promotor do certame. E as histórias, projectos, filmes e vidas,programadas para esta edição assumiam bem esse lado documental, da constatação da realidade, desde os mais pequenos até aos maiores eventos da vida, do particular para o global. Mas vai também para além disso e aborda muito a percepção que temos das memórias: uma reinterpretação da realidade, como se a vida fosse ficcionada ou como se a ficção fosse real. O real e o imaginário: são o mesmo. Não há barreiras.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
@Cinema, por Carlos Antunes
Recebemos um convite do @Cinema para conhecer as suas salas e logo com um dos filmes tecnicamente mais exigentes do ano (pelo menos), Interstellar.
Não vale a pena negar que a primeira escolha para ir ver este filme era a sala IMAX dos cinemas Colombo, sobretudo pelo tamanho da tela.
O convite acabou por pesar sobre a outra opção por dois motivos. O facto de ser uma das duas únicas salas de cinema em Lisboa que não tinha experimentado e o facto da projecção ser 4K em vez do mero 2K do IMAX.
Não se conseguindo a equiparação da experiência de projecção ao plano traçado por Christopher Nolan para a sua filmagem em IMAX 70mm, parece-me óbvio que optar pela melhor qualidade disponível neste momento é a única resposta lógica - embora aceite os argumentos de quem afirma que o IMAX Digital é melhor.
A qualidade de projecção é irrepreensível no @Cinema, cristalina diria, e certamente imaculada do ponto de vista de cor e luz. Talvez se possa discutir que é uma imagem demasiado "limpa" para um filme - qualquer um - trabalhado em película mas o apreço que este me merece surge por mérito próprio e independente das considerações a jusante ou montante do resultado à minha frente.
Nota importante para o facto do ecrã estar muito bem dimensionado em relação a toda a sala, permitindo uma imersão total em qualquer um dos lugares, sem qualquer perda de percepção do que se passa nas franjas do ecrã.
Essa mostrou-se uma vantagem permanente em relação à sala IMAX de Lisboa que tem um número limitado de lugares onde se pode, de forma total, aproveitar o ecrã na sua totalidade.
No caso específico de Interstellar, apesar da beleza conseguida em várias cenas no espaço ou na superfície de planetas, o filme não justificou um maravilhamento total que um ecrã maior conseguisse contra o ecrã em que o vi.
Há um ano atrás, quando uma versão restaurada de 2001: A Space Odyssey foi estreada nos cinemas UCI, um ecrã de tamanho similar ao que agora encarei nos @Cinema foi capaz de proporcionar um assombro visual idêntico ou superior ao da primeira vez que vi o filme, pelo que não creio estar a cometer qualquer erro ao afirmar que maior não é melhor.
Mesmo assim o melhor e mais significativo desta experiência foi o sistema de som Dolby Atmos. O número de vezes que foi publicitado antes do filme começar pode ser excessivo, mas no final da sessão estavam justificadas.
Capaz de criar uma imersão sensorial ainda maior do que a própria qualidade de imagem, o sistema de som foi capaz de destrinçar na perfeição todas as camadas da edição de som, mesmo quando a banda sonora de Hans Zimmer lutava contra os sussuros dos actores.
Julgo que neste momento já não é desconhecido de ninguém as múltiplas queixas relativas à qualidade da edição de som, mas os @Cinema impediram que o seu público - e a sala estava cheia - se apercebesse de qualquer potencial problema desse género.
Para finalizar, uma única queixa, para com o conforto pessoal. Para quem tem pernas grandes, o espaço que sobra para a cadeira da frente é insuficiente.
A sala em causa é pequena desde origem e apesar da sua boa recuperação isso não poderá ser alterado.
Obviamente que a venda de um máximo de bilhetes é o objectivo final, mas sem prejuízo do número de lugares algo poderia ser feito.
As cadeiras poderiam ter menor envergadura de forma a proporcionarem um pouco mais de espaço entre elas, pois com a limitação para as pernas fica-se mais sujeito ao ângulo pouco acentuado entre as costas e o assento da mesma que acaba por não permitir uma adaptação total do corpo.
O resultado final foi o de uma experiência muito positiva que, apesar das qualidade de projecção, não conseguiu impedir que a minha opinião sobre Interstellar pendesse para o lado negativo (crítica para breve).
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Crónica: «O Admirável Mundo dos Maus»
por Vicente Alves do Ó.
O século XX trouxe-nos, com o cinema, uma das abordagens mais realistas que a arte pode almejar. Porque a imagem nos permite essa aproximação, porque a imagem pode espelhar no concreto uma ideia de real, a verdade é que a realidade entrou no quotidiano dos homens como elemento de ficção e como elemento representativo da condição humana. E nessa viagem de um século, o cinema aproximou-se, afastou-se e voltou a aproximar-se da realidade.
Ainda assim, mais real ou não, há sempre uma construção moral de tudo e em tudo, até mesmo na forma como a história existe, é pensada, filmada ou ilustrada. (Todas estas designações são complementares mas podem divergir). Ainda assim, existem princípios seculares que volta e meia estão presentes nesse cinema e nessa ficção tão próxima do real. E volta e meia o mal é vencido, a justiça reposta e os bons saem vitoriosos.
O cinema sempre foi a câmara ardente do espírito e da emoção. Ver para crer. Ver para sentir. Ver para perceber. Em todas as vertentes há uma salvação que se procura para lá do mundo real, o mundo fora da sala, onde a vida de todos os dias não conhece moral, ou fim ou mesmo personagens. A vida lá fora é uma espécie de roleta que nunca pára, onde ninguém se destaca e onde o fado ( palavra tão bela e tão portuguesa) não recompensa ninguém. Mas no cinema, essa mesma roleta está viciada e tudo é causa e efeito na mão segura de alguém – o criador.
E se é verdade que expurgamos os pecados e os desejos mais íntimos na sala escura, como que acalmando o medo e a loucura da vida, também é verdade que a sala nos deixa cientes duma religião que raramente dá provas de funcionar. Se o cinema nos assegura que o bem triunfa, para que serve então a denúncia, o realismo e a suposta verdade que hoje em dia tanto se apregoa? Onde muda ele a nossa visão e acção? Onde está a força do que assistimos na sala e não trazemos depois para fora da sala, para a nossa vida? Como nos influenciam as ideias e os gritos de alerta? Como pode o cinema ainda fazer da parte da vida, quando os sonhos antigos e em tecnicolor já foram abandonados?
A resposta é tão difícil de alcançar, como é difícil acreditar. Talvez que seja preciso mudar completamente o paradigma de toda a narrativa construída no mundo. Talvez que os artistas ( criadores em geral) precisem de dar uma derradeira oportunidade a todo o mal que no fundo justifica a ficção.
Se, a partir de hoje, todos os filmes do mundo acabassem mal, deixassem de acalmar o medo e a loucura do homem, acabassem definitivamente com a esperança do outro; se todos os filmes do mundo mostrassem finalmente que não existe razão nenhuma para acreditar na vida e no bem. Talvez que os homens e mulheres ao saírem da sala, diante apenas da sua própria conduta e acção, decidissem que, se a verdade da vida fica então dentro da sala, talvez possamos nós e eles e todos juntos, fazer da vida o cinema com final feliz que ela merece ser.
O mal triunfa finalmente na narrativa. O bem como arma absoluta da vida.
sábado, 13 de novembro de 2010
4 maneiras de fazer sequelas segundo Hollywood
Numa época marcada por remakes e sequelas, é interessante analisar como todas as sequelas conseguem caber numa de quatro categorias. Ainda assim a saga Star Trek consegue ser das mais interessantes, caindo numa ou noutra categoria conforme o filme analisado.
Mesma situação, outro local/personagens
A ideia base é a mesma que no filme original. As personagens podem nem sequer estar relacionadas ou podem até ser as mesmas, mas aqui o que conta é uma situação em repetição mas ligeiramente diferente. Se for preciso o final é o mesmo, mas o que interessa é que as pessoas achem que é completamente novo e inovador.
Exemplos: Ainda sei o que fizeste no verão passado, Sozinho em casa 2, Eurotrip, Gritos 2, todos os Resident Evil
Pegar noutro elemento da família
O protagonista original até pode surgir na trama, mas quem tem destaque é um familiar directo, com uma grande tendência para os filhos do protagonista. Por vezes esse familiar vai em busca de algo relacionado com o protagonista do filme anterior, outras vezes é apenas usado para fazer um filme em nada relacionado com o primeiro, mas que aproveita para chamar os fãs do filme original que talvez de outra forma não o vissem. Por vezes até repetem a ideia base.
Exemplos: Rei Leão 2, O Padrinho: parte II, O Regresso à Lagoa Azul, Guerra das Estrelas (antes que me matem, há que considerar que já estavam todos escrito originalmente), The Grudge - A Maldição 2
Mesma equipa/agente/herói, outra missão/vilão
Aqui o que conta é o protagonista, que passa por diversas situações sempre com o mesmo tipo de resolução. Este género de sequela é quase sempre vista em filmes de espionagem ou de super-heróis, mas aparece também noutros géneros em que a equipa ou o protagonista o justifiquem.
Exemplos: todos os de James Bond, todos os de Missão Impossível, Ocean's 12 e 13, Os Caça-Fantasmas 2, praticamente todos os filmes de super-heróis de que se consigam lembrar
Mesma pessoa/grupo/família noutra fase da sua vida, mas com um novo conflito interno ou externo
Normalmente utilizada para filmes em que a história deveria ter terminado com o primeiro filme. Dado que a situação do filme original já teve a devida resolução, o modo mais fácil de dar um novo fôlego aos protagonistas é saltar alguns anos e colocá-los numa nova situação que necessita de resolução, não interferindo na primeira na maior parte dos casos. Contudo, nalguns filmes a deixa para o filme seguinte é dada na secção final e até se dão alguns casos em que os argumentistas resolvem explorar algo referido durante o filme original.
Exemplos: Uns Compadres do Pior (e como o título em português é terrível, o original é Meet the Fockers), Toy Story 2 e 3, Olha quem fala também, todos os filmes de Rocky, 102 dálmatas
(obrigada ao Tiago Ramos pela ajuda no texto)
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
As impressões de TRON Day
Depois de no final do ano passado termos tido a oportunidade de estarmos presentes no evento intitulado Avatar Day (impressões aqui), eis que este ano a Walt Disney Pictures resolveu criar um evento semelhante: TRON Day. Mais uma vez o Split Screen esteve presente numa das sessões que aconteceram um pouco por todo o mundo e que deram a conhecer os primeiros 23 minutos do filme TRON: Legacy, um dos mais aguardados do ano.
As primeiras impressões e de maior impacto, são obviamente as de nível estético: um visual absolutamente extraordinário, que promete - em termos tecnológicos - revolucionar mais uma vez o Cinema contemporâneo, pois utiliza recursos digitais que nunca antes foram utilizados no grande ecrã. Obviamente que TRON: Legacy é um filme de nichos bem específicos. Não agradará a todos devido à sua especificidade de género. Por um lado atrairá os fãs de ficção-científica e de efeitos especiais - e nesse campo promete não desiludir - mas também por outro beneficiará de alguma onda de revivalismo por parte de quem assistiu ao filme original nos anos 80. Especialmente uma das cenas iniciais evoca todo o espírito do filme original e também dos anos 80, pelo que nesse campo poderá ser do agrado de muitos.
Tecnicamente e visualmente exímio, promete fazer as delícias dos - perdoem-nos a expressão - geeks. Para os amantes de filmes de acção, a história aparenta não desiludir também. Mas é a nível de argumento que as dúvidas se colocam: será uma sequela ao nível do original? Ou pretende subsistir meramente através dos revolucionários efeitos digitais que utiliza? Para os detractores do uso (e abuso) dos efeitos especiais em filmes e da tecnologia 3D, obviamente que o filme será alvo de críticas. Contudo, parece-nos que existe em TRON: Legacy um nível de algo muito parecido com genialidade que não deverá ser ignorado por ninguém. Também a banda sonora do duo Daft Punk adequa-se perfeitamente às imagens reveladas do filme: um dos pontos altos do filme.
Para quem não sabe, TRON: Legacy é uma sequela do filme TRON (1982), produzido pela Walt Disney Productions e que revolucionou a década de 80, acabando por ser nomeado para dois Óscares: Melhor Guarda-Roupa e Melhor Edição de Som. Na história, um hacker foi abduzido para dentro de um sistema de computadores e é forçado a participar em jogos gladiatórios. O filme foi protagonizado por Jeff Bridges, que neste filme é recuperado para voltar a interpretar o papel de Kevin Flynn. Em Tron: Legacy, Sean Flynn (Garrett Hedlund) é o filho de Kevin Flynn, que procura informações a respeito do desaparecimento do seu pai. Mas acaba por se ver envolvido dentro do mesmo mundo de programas e jogos em que o seu pai tem vivido há 25 anos. Juntamente com a leal confidente (Olivia Wilde) procuram salvar-se de um universo cibernético, muito avançado e perigoso.
Em Portugal, TRON: O Legado estreia a 13 de Janeiro de 2011.
As primeiras impressões e de maior impacto, são obviamente as de nível estético: um visual absolutamente extraordinário, que promete - em termos tecnológicos - revolucionar mais uma vez o Cinema contemporâneo, pois utiliza recursos digitais que nunca antes foram utilizados no grande ecrã. Obviamente que TRON: Legacy é um filme de nichos bem específicos. Não agradará a todos devido à sua especificidade de género. Por um lado atrairá os fãs de ficção-científica e de efeitos especiais - e nesse campo promete não desiludir - mas também por outro beneficiará de alguma onda de revivalismo por parte de quem assistiu ao filme original nos anos 80. Especialmente uma das cenas iniciais evoca todo o espírito do filme original e também dos anos 80, pelo que nesse campo poderá ser do agrado de muitos.
Tecnicamente e visualmente exímio, promete fazer as delícias dos - perdoem-nos a expressão - geeks. Para os amantes de filmes de acção, a história aparenta não desiludir também. Mas é a nível de argumento que as dúvidas se colocam: será uma sequela ao nível do original? Ou pretende subsistir meramente através dos revolucionários efeitos digitais que utiliza? Para os detractores do uso (e abuso) dos efeitos especiais em filmes e da tecnologia 3D, obviamente que o filme será alvo de críticas. Contudo, parece-nos que existe em TRON: Legacy um nível de algo muito parecido com genialidade que não deverá ser ignorado por ninguém. Também a banda sonora do duo Daft Punk adequa-se perfeitamente às imagens reveladas do filme: um dos pontos altos do filme.
Para quem não sabe, TRON: Legacy é uma sequela do filme TRON (1982), produzido pela Walt Disney Productions e que revolucionou a década de 80, acabando por ser nomeado para dois Óscares: Melhor Guarda-Roupa e Melhor Edição de Som. Na história, um hacker foi abduzido para dentro de um sistema de computadores e é forçado a participar em jogos gladiatórios. O filme foi protagonizado por Jeff Bridges, que neste filme é recuperado para voltar a interpretar o papel de Kevin Flynn. Em Tron: Legacy, Sean Flynn (Garrett Hedlund) é o filho de Kevin Flynn, que procura informações a respeito do desaparecimento do seu pai. Mas acaba por se ver envolvido dentro do mesmo mundo de programas e jogos em que o seu pai tem vivido há 25 anos. Juntamente com a leal confidente (Olivia Wilde) procuram salvar-se de um universo cibernético, muito avançado e perigoso.
Em Portugal, TRON: O Legado estreia a 13 de Janeiro de 2011.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O Meu Primeiro Filme
Originalmente publicado no blogue Um Dia fui ao Cinema:
Nunca tive uma ligação muito forte com o Cinema. De facto, ninguém da minha família directa - especialmente na altura da minha infância - era especialmente ligado ao mundo cinéfilo. E por consequência, eu também não o era. O facto de a minha residência não ser relativamente perto de um cinema - na altura havia apenas um complexo de cinemas na cidade de Santarém - também terá ajudado para apenas aos 6 anos ter tido a minha primeira experiência perante um grande ecrã.
Curiosamente, essa experiência não foi também com um familiar, mas sim com colegas de escola e a professora que nos terá levado ao cinema para assistir a - cliché dos clichés - ao O Rei Leão. Estávamos nós em 1994 e fomos todos assistir a um dos filmes da Disney que mais multidões conduziu ao Cinema. A experiência foi de todo fascinante. As cadeiras (grandes demais para nós), um ecrã enorme, o som (para mim na altura achava elevadíssimo) e um filme de animação (nunca fui muito dado a desenhos animados) contribuíram para elevar esta saída ao estatuto de grande recordação. Não me recordo a influência que tal visionamento teve sobre mim, mas aquilo que me ficou ainda mais registado na memória foi uma situação peculiar.
A sessão teve um intervalo forçado. Isto porquê? Porque tivemos de esperar que a fita com a segunda metade do filme chegasse de uma outra sessão que estava a decorrer na altura nas Caldas da Rainha. Esperámos uns 40 minutos, finalmente alguém trouxe a fita e concluímos o filme.
Contudo, não foi esta primeira ida ao cinema que me gerou esta paixão pelo Cinema. Essa começou a crescer uns anos mais tarde quando, sozinho, me entretinha com as sessões duplas e nocturnas de cinema na RTP2. Foi o Cinema Europeu que de facto me fascinou - algum dele com bastante erotismo à mistura e que assistia às escondidas da minha mãe, com medo de represálias - e ainda hoje é um dos meus preferidos.
Daí a ter ganho alguma independência - desde bem cedo - passei a ir mais ao Cinema e comecei a desenvolver um hábito que ainda hoje aprecio: ir ao Cinema sozinho.
Curiosamente, essa experiência não foi também com um familiar, mas sim com colegas de escola e a professora que nos terá levado ao cinema para assistir a - cliché dos clichés - ao O Rei Leão. Estávamos nós em 1994 e fomos todos assistir a um dos filmes da Disney que mais multidões conduziu ao Cinema. A experiência foi de todo fascinante. As cadeiras (grandes demais para nós), um ecrã enorme, o som (para mim na altura achava elevadíssimo) e um filme de animação (nunca fui muito dado a desenhos animados) contribuíram para elevar esta saída ao estatuto de grande recordação. Não me recordo a influência que tal visionamento teve sobre mim, mas aquilo que me ficou ainda mais registado na memória foi uma situação peculiar.
A sessão teve um intervalo forçado. Isto porquê? Porque tivemos de esperar que a fita com a segunda metade do filme chegasse de uma outra sessão que estava a decorrer na altura nas Caldas da Rainha. Esperámos uns 40 minutos, finalmente alguém trouxe a fita e concluímos o filme.
Contudo, não foi esta primeira ida ao cinema que me gerou esta paixão pelo Cinema. Essa começou a crescer uns anos mais tarde quando, sozinho, me entretinha com as sessões duplas e nocturnas de cinema na RTP2. Foi o Cinema Europeu que de facto me fascinou - algum dele com bastante erotismo à mistura e que assistia às escondidas da minha mãe, com medo de represálias - e ainda hoje é um dos meus preferidos.
Daí a ter ganho alguma independência - desde bem cedo - passei a ir mais ao Cinema e comecei a desenvolver um hábito que ainda hoje aprecio: ir ao Cinema sozinho.
sábado, 22 de agosto de 2009
As impressões de Avatar Day
Primeiro que tudo e após o Split Screen ter estado presente no Avatar Day e assistido às primeiras imagens filme, o que temos a dizer para quem viu o trailer é que... não tem nada a ver. Avatar, de James Cameron, é um filme para ser visto em 3D e portanto as imagens reveladas no primeiro trailer não fazem jus à espectacularidade real.
Obviamente que este será um filme de nichos específicos, como os fãs de sci-fi e fantasia, o que poderá levar o filme a ser vítima de duras críticas. Também eu sou pouco fã desses géneros, mas acreditem que Avatar irá revolucionar o mundo do Cinema e fará a transição entre o Cinema actual e o Cinema do Futuro. Nunca se fez nada assim anteriormente, o que nos faz perceber porque James Cameron esperou 14 anos até o concretizar. A exibição em 3D do filme é uma experiência incrível, com especial destaque para as filmagens reais que adquirem uma profundidade e realismo incríveis. Já o planeta Pandora será fruto das mais bonitas imagens de sempre vistas em 3D, com grandes cores, texturas e uma difícil percepção do que será real ou não ali. É incrível como até houve preocupação em dar profundidade às legendas do filme, o que por vezes distrai do restante, face à espectacularidade do mesmo.
É claro que esta pequena visualização de 20 minutos (que passaram muito rápido), não nos deixa 100% confortáveis, nem seguros que James Cameron tem um bom filme nas suas mãos. À primeira vista, parece-nos que tem muita parra e pouca uva, o que por miúdos quererá dizer que provavelmente terá como apanágio os efeitos especiais e não o argumento. Dos Óscares mais técnicos não se deverá livrar, mas não nos parece que possa aspirar a algo com mais significado.
Sobretudo temos aqui uma espada de dois gumes entre mãos. Será amado por muitos e odiado por outros, mas quem conseguir fazer o distanciamento entre a parte técnica e o argumento, será uma experiência única. Em Dezembro confirmaremos os nossos temores... ou não.
sábado, 18 de abril de 2009
Sobre críticas, críticos e leitores, por Ana Alexandre
Quem está habituado a consultar o blogue sabe que não sou muito de escrever críticas, reviews ou qualquer outro artigo de opinião. Contudo, de tanto ver algumas repetições crónicas pela blogosfera fora, achei que era altura de expor algumas opiniões.
Sobre as críticas
Tenho tendência para achar que uma crítica deveria ser uma apreciação do trabalho feito, na sua generalidade ou nas suas individualidades, e não um resumo extenso da estória do filme ou série. Muita gente não o entende assim e prefere recontar o que se passou durante o episódio atribuindo de seguida uma classificação.
Não que eu seja contra esses resumos, e nas séries até os acho bastante úteis caso uma pessoa não consiga acompanhar todos os episódios, só que simplesmente acho que não se devia chamar crítica a um simples resumo dos factos ao qual falta o elemento principal: opinião.
No dia a dia aprecio bastante as críticas que focam o argumento em si, pormenores técnicos, desempenhos e todo um conjunto de factores que tornam o filme ou série naquilo que realmente são, e penso que é aí que está a grande diferença entre bons e maus críticos: na qualidade da informação que prestam ao leitor.
Sobre os críticos
Os críticos que habitualmente encontramos na blogosfera são nada mais, nada menos que pessoas normais com um gosto por cinema ou séries. Eventualmente temos pessoas com formação na área, pessoas com um vasto conhecimento ou até experiência na área, mas na verdade a maior parte apenas gosta do que vê e gosta de formar opinião escrita sobre isso. Fará deles piores críticos? Muitas vezes não. Como referi, para mim o que conta é a qualidade de informação.
Contudo, muitas vezes vemos os críticos a colocarem-se um patamar talvez demasiado acima e a exigir demasiado de um filme que nunca se propôs a tal. Não, eu não sou contra os chamados "filmes intelectuais", mas também sei apreciar um filme que se propõe apenas a 2h de entretenimento. Penso que um crítico deve saber posicionar um filme na sua categoria, e conseguir dar um 5/5 a uma comédia romântica e 2/5 a um filme mais complexo, apenas porque o primeiro conseguiu os seus objectivos com mérito e o segundo não o conseguiu tão bem.
Sobre os leitores
Vemos muitas vezes leitores revoltados com as opiniões expressadas. Percebo a existência de opiniões divergentes, e por isso mesmo é que não concordo quando os leitores chegam ao cúmulo do insulto quando têm uma opinião diferente. Acho que tentarem colocar-se acima dos críticos não os leva a lado nenhum, até porque dificilmente o serão: afinal de contas, não somos todos amantes de cinema e séries? Então somos iguais e temos os mesmos direitos e um deles é o de expressar a opinião.
Não concordam? O espaço dos comentários serve para isso mesmo, e os leitores podem e devem dar largas à sua opinião aí. Se os críticos não gostassem de saber a opinião dos outros simplesmente impediriam os comentários.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Watchmen - Os Guardiões, por Carlos Antunes
Título Original: Watchmen (2009)
Realização: Zack Snyder
Argumento: David Hayter e Alex Tse
Elenco: Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Carla Gugino, Matt Frewer e Stephen McHattie
Nestas ocasiões é sempre difícil segurar o confronto que se dá entre o cinéfilo e o bedéfilo que existe em mim.
Não sou dos que clamou insistentemente por um filme baseado em Watchmen. Pelo contrário, gosto que a BD seja BD e que o Cinema seja Cinema e que se encontrem o mínimo de vezes possíveis com os melhores resultados possíveis.
Mas desde o boom das adaptações que tenho vindo a aprender a suster a minha angústia.
Fundamentalmente aquilo que reclamo - sobretudo desde que Sin City estreou - é que não se confunda a banda desenhada com um storyboard.
Por mais que a linguagem da BD se tenha aproximado da do Cinema, o Cinema não pode depois reduzir a sua linguagem à da mera cópia da da BD.
Isso seria aliás, praticamente impossível com Watchmen.
A intricada composição de Watchmen exigiria uma versatilidade, quer do argumento quer da realização, absolutamente ímpar de forma a reconstruir no novo formato o que Alan Moore e Dave Gibbons haviam feito.
Não é o caso.
Zack Snyder e os seus argumentistas resumiram Watchmen à sua linha narrativa essencial e mais evidente, mas no processo perderam muito do que tornava Watchmen uma obra ímpar, reduzindo-o no Cinema a mais um filme de "super-heróis", mesmo que aparentado com o dramatismo negro de The Dark Knight.
O que antes era a descontrução dos "super-heróis" é agora a sua glorificação.
Mas o público genérico, deconhecendo a obra original, poderá apreciar este filme pelo seu visual - mesmo quando a intricada história exige de si conhecimentos que não tem - e pelas suas cenas de acção.
Cenas essas carregadas da inutilidade do slow motion, dando a Zack Snyder a possibilidade de caucionar a sua insuficiência criativa como figura de estilo.
Insuficiência ainda mais evidente quando percebemos que a sua fidelidade à obra se traduz num vazio de ideias de cinema, mesmo que haja planos dignos de nota por o serem desde logo originalmente pelos lápis de David Lloyd.
Falta dinâmica, inventividade e arrojo ao cinema de Snyder, mesmo quando arranca algo de mais substancial às suas cenas.
Esta é afinal a pecha mais grave do filme, o seu medo de ofender os fãs, caindo assim no facilitismo de não ter uma postura cinematográfica arrojada ou, pelo menos, consistente.
Não é mau o resultado, entenda-se, apenas desapontante, mesmo que durante o filme haja um gosto pelo reconhecimento dos diálogos e situações da BD.
A transposição é, no fundo, o melhor que pode ser nas condições presentes - aguardarei a versão de 4 horas em DVD e os restantes "extras" que saírão entretanto - mas, lá está, apenas isso.
Fica um gosto desapontante pelo filme como obra independente.
Porque nesta versão ficam claramente pontos por explorar devidamente.
Silk Spectre II (Malin Akerman) e Nite Owl II (Patrick Wilson) são pouco mais do que veículos de violência gráfica, até porque no caso de Akerman, a sua interpretação é de uma enorme pobreza.
Dr. Manhattan (Billy Crudup) tem uma presença que seria impossível de abafar mas falta-lhe maior sofrimento interior para que não pareça tão implausível a sua súbita passagem do distanciamento à emoção pela Terra.
The Comedian (Jeffrey Dean Morgan) e Silk Spectre (Carla Gugino) são as personagens que mais gosto dá seguir, apesar da sua secundariedade, enquanto Matthew Goode acaba por conseguir impor a sua quase não-actuação como o tom certo para Ozymandias.
Sobra, claro, o inevitável Rorscharch. Apesar de o filme parecer ir abusar da sua voz off, acaba por conseguir arrancar graças a ele e à magnífica interpretação de Jackie Earle Haley.
Mais uma, acrescente-se, e que apenas dá mais vontade de encontrá-lo ao serviço de Martin Scorcese e Dennis Lehane em Shutter Island!
Fundamentalmente, para o bedéfilo em mim, o filme proporcionou um deleite (temporário) pelo reencontro com o mundo que me era tão familiar.
Mas para o cinéfilo em mim o filme redundou nos mesmos erros que venho encontrando.
Nem o filme é assim tão mau, nem assim tão bom como poderá ser discutido pelos dois lados da barricada, mas com tanto à disposição, é pena que não tenha chegado mais longe!
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