Friday, 25 November 2011
Tssss...odeio o amor
Wednesday, 1 December 2010
A actualidade do discurso de António Barreto: os portugueses precisam é de bons exemplos
A minha questão é saber como podemos nós, educadores, consciencializar os nossos alunos para as boas práticas éticas, tais como a transparência, a responsabilidade, a honestidade intelectual? A quem compete esta transmissão de valores de ordem ética? A todos nós, é claro, sejamos pais ou/e educadores, sejamos líderes políticos, religiosos e/ou académicos.
Para argumentá-lo não resisti a citar António Barreto, quando diz a certa altura no seu discurso do dia de Camões, de Portugal e das comunidades portuguesas em 2009, o seguinte:
«Pela justiça e pela tolerância, os portugueses precisam mais de exemplo do que de lições morais;
Pela honestidade e contra a corrupção, os portugueses precisam de exemplo mais do que de sermões;
Pela eficácia, pela pontualidade, pelo atendimento público e pela civilidade dos costumes, os portugueses serão mais sensiveis ao exemplo do que à ameaça ou ao desprezo;
Pela liberdade e pelo respeito aos outros, os portugueses aprenderão mais com o exemplo do que com declarações solenes;
Contra a decadência moral e cívica, os portugueses terão mais a ganhar com o exemplo do que com discursos pomposos;
Pela recompensa ao mérito e a punição do favoritismo, os portugueses seguirão o exemplo do mais elevado sentido de justiça.
Mais do que tudo, os portugueses precisam de exemplo. Exemplo dos seus maiores e dos seus melhores. Os exemplos dos seus heróis, mas também dos seus dirigentes. Dos afortunados, cujas responsabilidades deveriam ultrapassar os limites da sua fortuna. Dos sabedores, cuja primeira preocupação deveria ser a de divulgar o seu saber. Dos poderosos, que deveriam olhar mais para quem lhes deu o poder. Dos que têm mais responsabilidades, cujo "ethos" deveria ser o de servir.»
Enquanto houver em Portugal pessoas a pensar assim, sou orgulhosa de ser Portuguesa.
Precisamos é de pessoas com esta CORAGEM!!
Teresa VV
PS. Discurso integral em PDF disponível http://static.publico.clix.pt/docs/politica/antonio_barreto_10062009.pdf
Wednesday, 22 July 2009
que procuro?
procuro uma intensidade e entrega
que encontro apenas em alguns artistas, pensadores e amantes
Tvv
Tuesday, 14 July 2009
Ensinar-te o QUÊ e COMO?!
Alguém me pede num estado desesperado
para lhe ensinar a conquistar a liberdade e o prazer que encontrou no meu último video
e que sente que o perdeu algures no tempo
Ensinar-lhe o QUÊ e COMO?
Que livros? Que técnicas?
Como posso adaptar as minhas construções a outra pessoa?
Pensando nestas e noutras questões
verifico, com satisfação claro, o quanto já andei
e o quão distante estou dos formalismos e convenções associadas à música
Onde tudo começou?
Nos sons de George Crumb
ouvi-os e disse para mim própria "é isto o que eu quero tocar! Senão prefiro tocar nada"
Qual a minha primeira performance?
Troquei de casaco (!?) entre duas peças
precisava de mudar de identidade e fí-lo assim
o impacto no público foi ENORME!!!
Quais as minhas "técnicas"?
Estudo OUTRAS áreas para além de música
sejam elas performativas ou não
e interligo TUDO à música
O que leio?
Leio sobre TUDO
eu consigo cruzar TUDO com a música
consigo pensar sobre música lendo rigorosamente NADA sobre ela
tentei simplesmente responder às minhas questões
fossem elas sobre o estado do mundo actual (pósmodernismo), sobre a transcendência do ser humano (ritual, visceral, expressionismo) ou inquirindo acerca da necessidade da música nos indivíduos e sociedade actual
Quais as minhas referências performativas?
Desculpem-me a minha "anormalidade"
mas cansei-me de estudar música de uma forma tecnicista e fechada em si própria
simplesmente porque tanto conhecimento técnico, tanta análise, tanta veneração aos GRANDES mitos da música europeia
quase me fez perder o prazer que sentia antes por uma simples audição
quase assassinei aquele prazer de criança pelas coisas simples
aquele prazer de não pensar muito
e simplesmente FAZER porque sim
pelo prazer em si mesmo
Além disso sentía-me separada do Mundo
habitava uma torre de marfim acessível só aos entendedores da "grande música"
em vez de privilegiada sentí-me num gueto elitista?!
Então, decidi partir
fui à procura de contactos, empatias, contaminações, saberes
à procura de uma forma de expressão que fosse capaz de me exprimir com naturalidade
em ligação com o mundo que me rodeia, atento às suas interrogações e inquietações
Daí que as minhas referências venham essencialmente da dança, do teatro e da performance
aqui encontrei uma liberdade, uma ousadia e um contexto para experimentar novas formas de fruição estética
encontrei o arrepio, a compreensão, a loucura, o prazer, a facilidade e a naturalidade de mim
Segui o caminho de alguém que não se acomodou ao pré-estabelecido
de alguém que procurou a sua expressão singular
independentemente do que é suposto "ser-se"
e tenho esta ânsia de partilhar as minhas conquistas com o Outro
de propor uma nova forma de se pensar e fazer música
Por isso vou a conferências, escrevo, publico as minhas ideias sempre que posso
dou a cara: falo, toco, canto...
Se inspiro alguém a querer mudar o seu rumo
ou a pensar de uma forma diferente a música ou a Vida
é simplesmente MARAVILHOSO!!
Teresa
Monday, 25 May 2009
Edgar Morin & Laurie Anderson
"Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias. Porquê? Porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo", sublinha, em entrevista à Lusa. O filósofo francês considera que o modelo actual leva a "negligenciar a formação integral e não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança".
Edgar Morin, de 88 anos, critica, por exemplo, que nas escolas e universidades "não exista um ensino sobre o próprio saber", ou seja, sobre "os enganos, ilusões e erros que partem do próprio conhecimento", defendendo a necessidade de criar "cursos de conhecimento sobre o próprio conhecimento". Lamenta, igualmente, que a "condição humana esteja totalmente ausente" do ensino: "Perguntas como 'o que significa ser humano?' não são ensinadas", critica.
Por outro lado, acredita que a "excessiva especialização" no ensino e nas profissões produz "um conhecimento incapaz de gerar uma visão global da realidade", uma ‘inteligência cega’". "Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência", defende.
"Está demonstrado que a capacidade de tratar bem os problemas gerais favorece a resolução de problemas específicos", garante Morin, lembrando que a maioria dos grandes cientistas do século XX, como Einstein ou Eisenberg, "além de especialistas, tinham uma grande cultura filosófica e literária".
"Um bom cientista é alguém que procura ideias de outros campos do conhecimento para fecundar a sua disciplina", afirma, sublinhando que "todos os grandes descobrimentos se fazem nas fronteiras das disciplinas". Garante também que "apesar de em muitas universidades norte-americanas existir maior flexibilidade no que toca ao modelo ensino", nos Estados Unidos existe o "mesmo problema que na Europa". »
Texto retirado de : http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31878&op=all
Não conhecia as ideias de Edgar Morin mas após leitura deste texto fiquei bastante curiosa de conhecer o seu pensamento, que parece ser tão radical quanto urgente nos tempos actuais. Igualmente sou avessa ao "conhecimento hiper-especializado", por múltiplas razões que nem vale a pena citar, mas sempre pensei ser uma questão de âmbito pessoal, não geral. Esta crença cega nos especialistas ("aqueles que vão resolver todos os nossos problemas") sempre me fez arrepiar...
Claro que todos nós precisamos de nos focarmos em algo, de nos especializarmos nalguma coisa, mas o perigo acontece quando nos tornamo-nos parte de um "clube" fechado que segue a lógica do "nós é que sabemos resolver os problemas das pessoas, logo, nós é que somos realmente importantes no mundo. Os outros não interessam". É preciso, dentro da nossa especialidade, pôr as antenas viradas para fora no sentido de establecer ligações ao que nos rodeia. Talvez daqui venha o meu fascínio pela filosofia, que sempre vi como a disciplina capaz de ligar os múltiplos fragmentos numa unidade mais ou menos coesa. É a filosofia que me dá noção do todo. Ela aborda o conhecimento científico, social, artístico, técnico, virtual, psicológico, etc., num único discurso. Cria a síntese.
Bem a propósito, o último trabalho de Laurie Anderson (Homeland, que vi o ano passado no Barbican) ironiza entre outras coisas esta cultura de idolatria dos "experts". A letra desta "canção falada" é magnífica! Ouçam com atenção, porque "only an expert can deal with the problem"...
Ela é realmente a "21st troubadour", como disse há uns meses atrás a jornalista americana Joy Goodwin (New York Sun).
Tvv