Ainda são os dias em que muito pouco
é ruína – ecoa um sol imenso
na algazarra das cigarras
e a noite de sábado permite
que preparemos coquetéis de verão
e ouçamos Cartola, a sua voz
e o seu samba triste pairando
por entre as samambaias e no entanto
tudo são corpos que ainda
se reconhecem nos espelhos
da juventude e acima de tudo o luar
com a sua oculta voz marítima
rumorejando dentro das artérias
desta alegria persistente.
Daniel Francoy, Calendário, 2015