Conversa da treta
A convocação pela CGTP de uma greve geral para o próximo dia 3 de Junho suscita as mais batidas e já vistas conversas nos media dominantes. Fala-se de tudo menos das justas razões que a motivam, do iníquo pacote laboral que o grande patronato quer impor seja de que maneira for, da acelerada degradação das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e do povo. Ele é que é “inoportuna”, ele é que a via certa é a “negocial” (com um governo que tanto quis escolher com quem “negociar” que se viu a falar sozinho com o grande patronato e a extrema-direita), etc. Mas o essencial é o temor de ver repetir-se a greve que em 11 de Dezembro parou o país.
Preços dos combustíveis já aumentaram 10 vezes em 2 meses! Para os bolsos das petrolíferas e para as receitas do Estado
Desde o início da guerra dos EUA e Israel contra o Irão, ou seja, desde 28/2/2026, em pouco mais de 2 meses, os preços dos combustíveis em Portugal já aumentaram dez vezes. Transformou-se numa rotina semanal para as perolíferas e para o governo. Não há economia nem condições de vida que resistam a este aumento infernal de preços que a ERSE (entidade reguladora) e o governo nada fazem para controlar. Acontece até que o governo está a aproveitar o aumento descontrolados dos preços dos combustíveis para aumentar as receitas fiscais, embora afirme continuamente o contrário. Governo e muitos jornalistas mentem aos portugueses quando dizem que o governo não ganha nada pois o aumento da receita do IVA tem sido igual à descida no ISP.
Três notas a propósito da vitória sobre o nazi-fascismo
Quando se celebra o 81º aniversário da derrota do nazi-fascismo, é significativo que permaneça necessário recordar verdades: sobre a natureza do fascismo; sobre a identificação da guerra como parte da própria natureza do capitalismo; sobre quem assegurou essa vitória, ou seja, sobre o papel decisivo desempenhado pela União Soviética, pelo Exército Vermelho, pelo PCUS, pela heroica resistência que teve em toda a parte comunistas na vanguarda.
Porque continua o “ocidente” a tentar promover a reescrita da história? A casta que hoje domina o poder nunca se conformou com essa derrota.
Mali: o «apocalipse» que não aconteceu e a narrativa de derrota de que o Ocidente precisa
A ofensiva coordenada entre o JNIM e facções tuaregues, que procurou criar a imagem de um Estado maliano em colapso, foi rapidamente desmontada, apesar dos agoirentos analistas da narrativa «oficial» da engrenagem ocidental. Enquanto a engrenagem mediática “ocidental” falava de cidades caídas e de um Estado desbordado, os comunicados oficiais indicavam outra coisa: confrontos activos, mobilização militar e, horas depois, a afirmação de que a situação estava sob controlo nos principais pontos estratégicos. Por muito que os grandes media se tenham tornado meros instrumentos de combate do imperialismo e do neocolonialismo, é o confronto real entre as forças reais em presença que será decisivo. A ambiciosa ofensiva foi contida.
A falácia mecanicista — Por que falha tão frequentemente o Ocidente na geopolítica
Os EUA, e o “ocidente”, falham cada vez mais frequentemente os confrontos geopolíticos porque, além do mais, são incapazes de compreender factores subjectivos, culturais e religiosos no que está em causa. Isso é real na Palestina, colocada perante um trágico beco sem saída por sionistas fanáticos que se guiam pela perspectiva do Armagedão, tal como o é face ao Irão, cuja estrutura de poder, identidade nacional, mentalidade, cultura e vontade de luta desconhecem e, no fundo, menosprezam. E, enquanto acusam outros de “ditaduras teocráticas”, os EUA, “estado escolhido” impregnado de messianismo, parecem estar aceleradamente a converter-se em grotesca teocracia.
Como o imperialismo moldou parte da esquerda intelectual, o novo livro de Gabriel Rockhill
O filósofo Gabriel Rockill acaba de lançar “Quem Pagou a Conta do Marxismo Ocidental?”, em que aborda a forma como o imperialismo se infiltrou e cooptou uma parte da intelectualidade dita marxista contra o socialismo naquilo a que chama “guerra intelectual mundial” no seio da luta de classes. Um excelente contributo, do lado certo da luta de classes.
A civilização
Desde o início da mais recente agressão dos EUA e de Israel contra o Irão foram já bombardeados mais de 730 centros educativos iranianos, entre escolas, universidades e instituições académicas. Logo no primeiro dia um míssil destruiu uma escola em Minab, matando cerca de 170 meninas e professoras. Este foi o caso mais conhecido, mas esteve longe de ser o único. Segundo a OMS, entre 1 de Março e 4 de Abril, mais de duas dezenas de ataques contra instalações de saúde. São as mesmas forças, com a cumplicidade da UE, que levam a cabo o genocídio do povo palestiniano. E ainda julgam poder dar lições de moral e de “civilização”.
Portugal investe pouco e tarde, não aproveita os fundos europeus, tem baixa produtividade, atrasa-se, mas a AD o que quer é liberalizar despedimentos e reduzir salários
O investimento em Portugal continua muito baixo e insuficiente. A ministra do Trabalho e Montenegro, na sua santa ignorância sobre matérias económicas, defendem que basta liberalizar os despedimentos e reduzir ainda mais as remunerações para a produtividade aumentar e a economia e a riqueza crescerem. A experiência dos países pouco desenvolvidos da UE é o contrário: mais investimento aumenta a riqueza por habitante e a produtividade. Se as alterações que o governo e os patrões querem fazer no Código do Trabalho forem aprovadas, é muito provável que a emigração de trabalhadores mais qualificados se acentue, com consequências graves para o aumento da produtividade. Era melhor olharem para os governos e os empresários incapazes de utilizar atempadamente e de uma forma eficiente a totalidade dos fundos disponibilizados pela U.E, como sucede de forma desastrosa com o PRR.
Mudanças estratégicas na indústria russa do gás e do petróleo
A agressão desencadeada por EUA e Israel contra o Irão já está a ter consequências globais. As perturbações nos fluxos de petróleo e gás natural, mas também de todos os subprodutos derivados do petróleo e do gás — quer se trate de matérias-primas para a produção de fertilizantes, da produção de hélio ou mesmo da produção de alumínio — anunciam agora uma crise mundial. Nesta crise mundial, pelo menos um país esfrega as mãos: a Rússia.
A guerra do avesso da guerra
Tal como os responsáveis pela escalada armamentista na UE já afirmaram que “a segurança” (ou seja, preparar-se para a guerra) significa cortes em todas as despesas sociais, também nos EUA isso sucede. Trump já o declarou: o Estado federal não tem que financiar senão a guerra. Os encargos com a saúde pública, a habitação, a educação, o apoio especial de nutrição a mulheres, bebés e crianças, tudo reverte para a guerra, ou seja para a indústria armamentista. Para 2017 uns fabulosos 1,7 biliões de dólares (quase seis vezes o PIB de Portugal). Tal como no Irão, quem mais sofre com os ataques dos EUA são os mais pobres e os trabalhadores. Também nos EUA os seus direitos são destruídos à bomba.
A inflação oficial divulgada todos os meses pelo INE não é a inflação real para a maioria das famílias
Os aumentos dos preços da energia e dos produtos alimentares não transformados disparam no nosso país em Março de 2026 quando comparados com os de março de 2025. Os dos produtos alimentares subiram +6,38% e os da energia +5,76%. A variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (inflação) foi em Março de 2026 de +2,7% segundo o INE, quando em Fevereiro tinha sido de 2,1%. A subida já “comeu” praticamente o aumento das pensões em 2026 (entre 2,02% e 2,8%) e é superior ao dos trabalhadores da banca. Mas mesmo este valor da inflação de 2,7% não é verdadeiro, pois não é real para todas as famílias. A divulgada pelo INE é apenas a inflação média de um cabaz médio. E o problema começa quando essa média é apresentada como se valesse por igual para pensionistas, trabalhadores de baixos salários, classes médias e de rendimentos elevados. Em Portugal, a desigualdade de rendimentos é enorme. E quando os rendimentos são muito diferentes, os orçamentos também o são.
Crime anunciado
Há alguma análise “política” a querer entrar pelo terreno da psiquiatria. Às vezes a tocar tanto “analistas” como “analisados”. Mas a questão não é que os dirigentes das potências imperialistas sejam loucos. É que são criminosos. Ao serviço do grande capital financeiro, disposto a tudo para impor e manter a sua dominação sobre os povos. É isso que mostra a História. E que nos nossos dias se traduz no genocídio em Gaza. E na agressão que quer levar todo o Médio Oriente à Idade da Pedra.