Gérard Castello-Lopes: A Pedra, 1987.
Jenny Kim, da série Making My Way to the Shore.
«Los antiguos habitantes de Mesopotamia creían que los pájaros eran sagrados porque, en la arcilla todavía blanda, sus patas dejaban marcas que se parecían a la escritura cuneiforme. Descifrar esos signos suponía saber qué pensaban los dioses.»
— Vivian Abenshushan, Permanente Obra Negra.
«Pode perguntar-se […] para quê. A resposta da ciência é obvia: para saber. Em tempos como os nossos, pergunta-se muitas vezes o mesmo que perguntou o Califa Omar diante dos 500 000 rolos de papiro da Biblioteca de Alexandria que guardavam todo o conhecimento da Antiguidade Clássica: para quê? E frequentemente, hoje como há 14 séculos, uma tal pergunta é prenúncio de incêndio. A resposta “para saber” não chega. E suscita frequentemente nova pergunta: saber para quê? Por isso as universidades portuguesas, ou grande parte delas, deixaram hoje de ser lugares de saber para se tornarem em lugares do “saber útil”, e a mais das vezes apenas do “saber imediatamente útil”. Se dependesse de boa parte da Universidade Portuguesa actual, o Sol giraria ainda à volta da Terra, pois não se vislumbraria que “utilidade” imediata teria saber que é a Terra que afinal gira à volta do Sol.»
— Manuel António Pina, Crónica, Saudade da Literatura.
Federico García Lorca sorridente, à esquerda, numa viagem com a companhia de teatro La Barraca. 1932. (Fotograma.)
«In fact to have no sense of humour is to be a seriously flawed human being. It’s not a minor shortcoming; it shuts you off from humanity.»
— Alan Bennett, Keeping On Keeping On.
Masahisa Fukase, 1972.
PAVESEANA
«Há uns poucos adultos presentes, além de dezenas de meninas e meninos que riem, gritam, cantam e dançam. Um dj toca hits de funk e divas pop, enquanto a música que ouço é outra: a de uma história alternativa à que acabo de contar aqui. Nela há coisas que não cabiam nestas notas, momentos de leveza, humor, amizade e plenitude ocorridos comigo aos doze anos, e aos dezesseis, dezessete e demais idades até a que tenho hoje. Um dia talvez eu escreva sobre a beleza e a graça do passado e do presente. Talvez eu descubra que a angústia e a tristeza são bengalas narrativas, e desista de ver nelas mais apelos que os da felicidade.»
— Michel Laub, Verão na Névoa.
VOCÊ ACORDA MORTO
«Há uma pichação no cemitério da Cardeal Arcoverde pela qual guardo muito espanto. É bruta e ruidosa, são dois versos, um grito: acorda morto! Gosto porque não tem vírgula, só ponto de exclamação (mas o gesto verdadeiro não precisa de ponto de exclamação…!). Leio esse mandamento todo dia de manhã: acordamorto, acordamorto, acordamôr; acorda, amor; acorda, morto; acorda morto. Gosto porque é um chamamento à ressurreição e gosto porque, sem a vírgula, parece estar falando não com os mortos, mas com os passantes, os que espiam rapidamente pela janela do ônibus a caminho do trabalho: Você acorda morto, Você está acordado, mas não está vivo. Gosto dessa involuntária maldição ao trabalho sem alegria, trampo de mundo caduco, serviço.»
— Victor Heringer, Vida Desinteressante.
«Duke [Ellington] likes trains because, as he says, “Folks can’t rush you until you get off.”»
— Richard O. Boyer, Duke Ellington’s Fast-Paced, Muse-Filled Life on the Road.
OFFCOLOR
When a white officer
was attacked
by a black inmate
fellow troopers
blasted the assailant
at such close range
that the officer
himself
was pinked.
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— Ken Mikolowski, Big Enigmas.
Andy Warhol, David Hockney, Henry Geldzahler e Jeff Goodman. Anos 60. Fotografia de Dennis Hopper.
Fred W. McDarrah: The Velvet Underground, 1966.
Fritz Henle: Nova Iorque, 1945.