Imagem da semana: Veronica Lake em A Hora Antes do Amanhecer (1944)

A atriz Veronica Lake com o cabelo preso em uma furadeira, demonstrando os potenciais perigos para as mulheres nas fábricas durante a Segunda Guerra Mundial. LIFE magazine, 9 de novembro de 1943.

A foto foi usada pelo governo dos EUA em uma campanha de apoio às mulheres que assumiram empregos de homens que na época estavam participando das campanhas militares na Europa e na Ásia, e para lembrar as pessoas da importância de não deixar cabelos (ou gravatas) perto de máquinas industriais.

Veronica Lake aceitou o convite do governo para ajudar a diminuir os acidentes envolvendo mulheres que prendiam o cabelo em máquinas industriais e posteriormente acabou convencida a mudar seu famoso penteado Peek-a-Boo para um corte que ficou conhecido como Victory Roll. Aproveitando seu papel no drama de guerra “A Hora Antes do Amanhecer” (The Hour Before the Dawn, 1944), a atriz apareceu com esse novo penteado para incentivar as mulheres que trabalhavam em fábricas da indústria bélica a adotarem penteados mais práticos e seguros.

O filme é baseado no romance de 1942 de W. Somerset Maugham e foi escrito por Lesser Samuels e Michael Hogan. A Paramount comprou os direitos cinematográficos antes do ataque japonês a Pearl Harbor, enquanto o livro, por si só, era um objetor de consciência que se adequava à posição neutra que os Estados Unidos vinham tendo até então. Com a entrada do país na guerra, o estúdio ficou relutante em levar a história às telas, mesmo o romance tendo se tornado um best-seller. Por conta disso, a produção só foi iniciada em abril de 1943. No filme, Veronica Lake vive Dora Bruckmann, uma bela austríaca que se refugia na Inglaterra e se casa com Jim Hertherton, um professor inglês pacifista, interpretado por Franchot Tone. Ele vive próximo de uma base militar secreta, da qual sua esposa, na realidade uma espiã nazista, planeja tirar informações para ajudar na invasão de Hitler ao país.

Veronica Lake em fotos publicitárias para o drama da Segunda Guerra Mundial, A Hora Antes do Amanhecer, de 1944.

Veronica Lake e Franchot Tone em A Hora Antes do Amanhecer, 1944.

Dirigido por Frank Tutle, A Hora Antes do Amanhecer fracassou nas bilheterias, e a culpa desse fracasso recaiu sobre Veronica Lake. A mudança de imagem da atriz aliada ao seu papel antipático como a espiã nazista Dora Bruckman renderam críticas negativas tanto para o filme quanto para a atuação dela. Um crítico escreveu: “Não foi realmente culpa dela. Sim, ela não está muito bem, se sente desconfortável com o sotaque e não é realmente capaz de transmitir muita profundidade, mas muitas outras pessoas no filme estão ainda piores”. O novo penteado não agradou ao público e acabou se tornando uma das causas do declínio da carreira de Veronica em Hollywood, agravado pelo alcoolismo e problemas mentais.

Atrizes: Carolyn Jones

A atriz norte-americana Carolyn Jones nasceu no dia de hoje, 28 de abril, em 1930. Apesar de ter tido uma carreira bem sucedida tanto no cinema quanto na televisão, incluindo uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo drama “Despedida de Solteiro” (1957), ela ficou eternamente marcada na memória dos fãs por seu icônico papel como Mortícia na cultuada série de TV dos anos 60, “A Família Addams”.

Carreira antes de Mortícia Addams

Carolyn Sue Jones nasceu em 28 de abril de 1930, em Amarillo, Texas, filha da dona de casa Chloe Jeanette Southern e do barbeiro Julius Alfred Jones. Carolyn tinha uma irmã mais nova, Bette Rhea Jones. O pai de Carolyn abandonou a família quando ela tinha 4 anos, em 1934, obrigando sua mãe a mudar-se com as filhas para a casa dos avós maternos ali mesmo em Amarillo. Carolyn sofria de asma crônica e impossibilitada de realizar diversas atividades típicas de sua idade, passava horas folheando revistas de cinema e sonhando em se tornar atriz. Aos 18 anos, ela conseguiu se matricular no prestigiado teatro Pasadena Playhouse, na Califórnia, graças ao avô, Charles W. Baker, que pagou seus estudos. Em 1950, ela se casou com um colega de classe, Don Donaldson, oito anos mais velho, mas o casamento terminou em divórcio no ano seguinte.

Durante seu período no Pasadena, Carolyn foi descoberta por um olheiro e ganhou um contrato com a Paramount Pictures para atuar em pequenos papéis (a maioria não creditado), fazendo sua estreia nas telas no thriller noir “Tributo de Sangue” (The Turning Point, 1952), estrelado por William Holden, e em produções estreladas por Bob Hope e Bing Crosby. Outros de seus filmes no período incluem o clássico de ficção científica “A Guerra dos Mundos” (War of the Worlds, 1953), onde é vista como uma convidada loira em uma festa, e o terror “Museu de Cera” (House of Wax, 1953), no qual recebeu os créditos como Cathy Gray, a mulher que é transformada em estátua de cera por Vincent Price. Ainda em 1953, ela apareceu como Doris no clássico noir de Fritz Lang “Os Corruptos” (The Big Heat), estrelado por Glenn Ford e Gloria Grahame. Embora Carolyn Jones tenha sido escalada para atuar como Alma “Lorene” Burke, uma das personagens principais em “A Um Passo da Eternidade, de 1953, uma pneumonia a obrigou a desistir, e o papel foi para Donna Reed, que acabou vencendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Carolyn Jones fotografada por Allan Grant, 1957.

Depois de se recuperar, Carolyn apareceu em pequenos papéis no drama noir “Make Haste to Live” (1954), estrelado por Dorothy McGuire, no faroeste “Três Horas para Matar” (Three Hours to Kill, 1954), estrelado por Dana Andrews e Donna Reed, na comédia de Billy Wilder “O Pecado Mora ao Lado” (The Seven Year Itch, 1955), estrelada por Marilyn Monroe, no qual interpretou a enfermeira Finch, na ficção científica cult de Don Siegel “Vampiros de Almas” (Invasion of the Body Snatchers, 1956), e no thriller de suspense de Alfred Hitchcock “O Homem Que Sabia Demais” (The Man Who Knew Too Much, 1956), no qual viveu Cindy Fontaine, amiga da personagem de Doris Day no filme. Em 1953, Carolyn Jones se converteu ao Judaísmo para se casar com o futuro produtor de TV Aaron Spelling, então um jovem roteirista tentando fazer carreira em Hollywood. Carolyn havia feito sua estreia na televisão em 1952, no seriado de antologias “Gruen Playhouse”, exibido pelo canal pioneiro DuMont, e depois fez aparições ao longo da década em séries importantes como “Dragnet” (creditada como “Caroline Jones”), “City Detective” e “State Trooper”, além de “Alfred Hitchcock Presents”, no episódio “The Cheney Vase” (1955), e estrelou o episódio “The Girl in the Grass” do seriado de antologia “Schlitz Playhouse of Stars”, além de aparecer na série de faroeste “Wagon Train”, no começo dos anos 60.

A carreira de Carolyn Jones parecia que iria dar uma guinada quando em 1957 ela atuou ao lado de Don Murray no polêmico drama “Despedida de Solteiro” (The Bachelor Party), como uma jovem festeira que se revela extremamente solitária, papel que deu à ela uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. No ano seguinte, atuou ao lado de Natalie Wood e Gene Kelly no drama romântico “Até o Último Alento” (Marjorie Morgenstern), no papel de Marsha Zelenko, que lhe valeu o Globo de Ouro de Revelação do Ano – Atriz, que dividiu com Sandra Dee e Diane Varsi. No mesmo ano, atuou com Elvis Presley em “Balada Sangrenta” (King Creole, 1958). Em 1959, Carolyn apareceu em quatro filmes importantes: a comédia “Os Viúvos Também Sonham” (A Hole in the Head”, dirigida por Frank Capra, ao lado de Frank Sinatra e Edward G. Robinson, o drama “Calvário da Glória” (Career), com Dean Martin e Shirley MacLaine, o faroeste de John Sturges “Duelo de Titãs” (Last Train from Gun Hill), estrelado por Anthony Quinn e Kirk Douglas, e o thriller de suspense de Michael Curtiz “A Mulher Que Comprou a Morte” (The Man in the Net), ao lado de Alan Ladd.

Carolyn Jones e Elvis Presley em uma foto publicitária para Balada Sangrenta, de 1958.

No começo dos anos 60, a carreira de Carolyn Jones no cinema perdeu fôlego: ela fez apenas um filme em 1960, o drama histórico “Ice Palace”, e mais um em 1961, a comédia de assalto “Sail a Crooked Ship”, e em 1962 apareceu no faroeste multiestelar “A Conquista do Oeste”, dirigido por John Ford, Henry Hathaway e George Marshall. Ajudada por seu marido Aaron Spelling (foto ao lado; fonte Wikipedia), ela retornou à televisão, escalada para vários de seus programas de TV, incluindo “The Lloyd Bridges Show” e “The Dick Powell Show”. Em 1963, ela foi indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Série de TV por interpretar quadrigêmeas (uma vítima de assassinato e as outras suspeitas), no episódio “Who Killed Sweet Betsy?” da série policial “Burke’s Law”, também produzida por Aaron Spelling. Em 1963, Carolyn Jones teve um papel coadjuvante na comédia “Operação Matrimônio” (A Ticklish Affair”), estrelada por Shirley Jones. No ano seguinte, ela se divorciou de Spelling, mas ambos continuaram amigos, com Carolyn fazendo aparições em várias outras de suas séries famosas, como “A Ilha da Fantasia” e “O Barco do Amor”, já no final dos anos 70 e início dos anos 80.

Carolyn Jones com o segundo marido, o produtor Aaron Spelling.

Mortícia Addams e carreira posterior

Em 1964, Carolyn Jones foi escalada para o papel que a imortalizou: Mortícia Addams, a matriarca da excêntrica família dos quadrinhos de humor criados por Charles Addams em 1933 e publicados originalmente no jornal The New Yorker, em sua primeira adaptação live-action como um seriado de TV que foi ao ar na rede americana ABC. Produzido por Nat Perrin e David Levy, “A Família Addams” (The Addams Family) foi ao ar de 18 de setembro de 1964 a 8 de abril de 1966, por duas temporadas e totalizando 64 episódios.

Ao mesmo tempo em que humanizou os personagens, dando nomes definitivos a alguns deles e criando toda uma genealogia que seria a base para as futuras produções baseadas nos personagens de Charles Addams, o programa transportou a ação para um cenário atual, criando um tom familiar mas ao mesmo tempo inovando os modelos de seriados de TV com seu humor mórbido e nonsense que misturava sátira social, comportamento e fazia piadas com o american way of life através de tiradas geniais – o produtor Nat Perrin era um amigo próximo de Groucho Marx e foi roteirista de vários filmes dos Irmãos Marx -, caindo no gosto do público graças a um elenco impecável e um tema de abertura que misturava acordes de comédia pastelão com estalos de dedos que entrou para o inconsciente coletivo.

Relembre a sequência de abertura com o tema musical criado pelo veterano compositor de Hollywood Vic Mizzy:

“A verdadeira chefe da família e a força motriz e essencial por trás dela. De voz baixa, incisiva e sutil; sorrisos são raros. Essa beleza decadente também tem um lado romântico e se entrega a rapsódias discretas sobre seu jardim de beladona, meimendro e cabelo de anão. Geralmente tolera as atividades frequentemente sinistras das crianças, mas sente que o Tio Fester precisa ser controlado. Seu traje é sempre o mesmo — o vestido preto justo, esfarrapado ou cortado em tiras nos cotovelos e nos pés. Ocasionalmente, ela usa um xale. Sua voz nunca é elevada, mas tem grande alcance. Desdenhosa e original, com uma lealdade familiar feroz. Ela nunca usa um clichê, exceto para ser engraçada. Ela é uma anfitriã atenciosa à sua maneira e, se um convidado precisar de algo, é aconselhado a gritar por isso. As crianças são instruídas a observar as comodidades e sempre dar um chute de boa noite no papai.” — Charles Addams

Carolyn Jones em fotos publicitárias como Mortícia Addams e como sua irmã, Ofélia Frump, no seriado de TV A Família Addams.

Além de Carolyn Jones como Mortícia, o seriado apresentava John Astin como seu marido Gomez, o veterano Jackie Coogan (que viveu o menino no clássico “O Garoto”, de Chaplin) como Tio Fester, Ted Cassidy como o mordomo Lurch, Blossom Rock como Vovó Addams, mãe de Gomez, as crianças Lisa Loring e Ken Weatherwax, como os filhos do casal, Wednesday e Pugsley, e Thing (“Coisa”), como ela mesma – uma mão que serve como assistente para os membros da família. Além de Mortícia, Carolyn Jones usou uma peruca loira para interpretar também sua irmã mais velha, Ofélia, descrita como “a ovelha branca da família”, personagem que, assim como o primo Itt, foi criado especialmente para o seriado. Outros parentes dos Gomez eram a Vovó Hester Frump, mãe de Mortícia, vivida pela veterana Margaret Hamilton de “O Mágico de Oz”, e Melancholia, prima de Mortícia, vivida pela atriz Hazel Shermet.

“A Família Addams” foi um sucesso de audiência, mesmo rivalizando em sua exibição original com outra série de premissa semelhante, “Os Monstros”, exibida pela CBS também durante os anos de 1964 a 1966. Mas ao contrário de “Os Monstros”, que eram realmente monstros se comportando como seres humanos, “A Família Addams” eram seres humanos aparentemente normais com comportamentos bizarros típicos de monstros. De qualquer maneira, os dois programas se perpetuaram na mente do público ao longo das décadas, gerando a polêmica questão de qual das duas séries foi a melhor. Carolyn Jones recebeu uma indicação ao Globo de Ouro por sua interpretação de Mortícia, além de se consagrar na comédia, mas apesar do sucesso com o público, a ABC decidiu não renovar a série ao final da segunda temporada.

Carolyn Jones e John Astin em uma foto promocional da série de televisão A Família Addams, de 1964, e na foto seguinte com o elenco principal do programa.

Charles Addams e Carolyn Jones no set de filmagem da série de TV A Família Addams (1964-1966).

Carolyn Jones retornaria vestida como Mortícia no programa de estreia do seriado de jogos “Storybook Squares”, que foi ao ar em 1969, no qual celebridades se vestiam como personagens famosos, e em 1972, ela dublou Mortícia no episódio “Wednesday Is Missing” da série de animação “The New Scooby-Doo Movies”, mas ficaria de fora do elenco da versão animada de “A Família Addams” (1973) que durou uma única temporada e 16 episódios, com Ted Cassidy e Jackie Coogan reprisando seus papéis, e uma Jodie Foster de 10 anos fazendo a voz de Pugsley. A atriz viveria Mortícia (e também sua irmã, Ofélia) mais uma vez, no longa-metragem especial para a TV “Halloween With the New Addams Family”, exibido pela NBC em 30 de outubro de 1977, que a reuniu com todo o elenco original da série.

Em 1968, Carolyn Jones se casou pela terceira vez, com o músico vencedor do Tony, Herbert Greene, com quem ficou casada até o divórcio em 1977.
Em 1969, ela apareceu em dois filmes: o faroeste “O Céu à Mão Armada” (Heaven with a Gun), que a reuniu com Glenn Ford, e o suspense australiano “Color Me Dead”, refilmagem do filme noir de Hollywood dos anos 50, “D.O.A.”, no qual interpretou Paula Gibson, a namorada de um contador (Tom Tryon) que após ser envenenado com uma toxina mortal, passa seus últimos dias de vida procurando o homem que o envenenou. A atriz só retornaria à tela grande em 1976 na produção B de terror “Eaten Alive” (também conhecida como “Death Trap”, “Horror Hotel” e “Starlight Slaughter”), dirigida por Tobe Hooper e batizada no Brasil como “Devorado Vivo”, ao lado de Robert Englund e Mel Ferrer, e em 1979, no drama “Good Luck, Miss Wyckoff”, seu último papel no cinema.

Carolyn Jones e Adam West no seriado de TV dos anos 60, Batman.

Se por um lado o papel de Mortícia a imortalizou para as gerações futuras, por outro lado a atriz se sentiu estereotipada e lutou durante os anos seguintes para conseguir papéis melhores do que aqueles que lhe eram oferecidos. Ela continuou trabalhando na televisão, e apareceu como Marsha, a Rainha de Ouros, personagem recorrente do seriado “Batman” estrelado por Adam West nos anos 60, além de participações em “The Mod Squad”, “The New Perry Mason”, “Ironside”, “Kolchak: The Night Stalker”, “Quincy, M.E.”, e “Wonder Woman”, na qual atuou por três episódios como a Rainha Hipólita, mãe da Mulher Maravilha vivida por Lynda Carter, já no final dos anos 70. Ela também viveu a Sra. Moore na famosa minissérie “Raízes” (Roots), exibida em 1977.

O quarto e último casamento de Carolyn Jones foi com Peter Bailey-Britton em 1982, durando até a morte dela um ano depois. O último papel de Carolyn foi o de Myrna, a matriarca ardilosa do clã Clegg, na novela da CBS “Capitol”, do primeiro episódio em março de 1982 até março de 1983, quando já sabia que estava morrendo de câncer de cólon, diagnosticado ainda em 1982. A doença rapidamente se espalhou e durante suas ausências ocasionais, ela foi substituída pela atriz Marla Adams e em muitas de suas cenas a própria atriz atuava em uma cadeira de rodas. Carolyn Jones entrou em coma em julho de 1983, vindo a falecer em 3 de agosto, aos 53 anos. Ao pedido dela, seu figurino de Morticia e sua peruca preta foram doados para a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e uma coleção de roteiros de “A Família Addams” foi doada por Bailey-Britton para a UCLA.

Fonte: Wikipedia | Fotos adicionais: Acervo do Blog

Galeria (20 Fotos)

Atrizes: Ann-Margret

Feliz aniversário para a lenda viva do cinema Ann-Margret, que está completando hoje 85 anos.

Nascida em Estocolmo, na Suécia, em 28 de abril de 1941, Ann-Margret Olsson mudou-se com os pais Anna Regina e Carl Gustav Olsson para os Estados Unidos em 1946, tornando-se cidadã norte-americana em 1949. Após seu pai sofrer um acidente grave de trabalho, a mãe de Ann-Margret passou a trabalhar como recepcionista de uma funerária para sustentar a família. Desde cedo, a garota demonstrou talento para o canto e a dança, tendo suas primeiras aulas na Escola de Dança Marjorie Young, enquanto sua mãe costurava seus figurinos à mão. Adolescente, começou a se apresentar no rádio e logo estava brilhando em peças de teatro e se apresentando em hotéis e cassinos.

Ela foi descoberta pelo cantor, ator e artista de vaudeville George Burns. Em 1961, conseguiu um contrato com a gravadora RCA Victor e lançou seu primeiro single, “Lost Love”. O álbum de estreia veio no mesmo ano, “And Here She Is… Ann-Margret”, abandonando o sobrenome Olsson porque temia que sua ascendência sueca atrapalhasse sua carreira e ela não queria que seus pais fossem magoados por nada escrito sobre ela. O primeiro sucesso foi a canção “I Just Don’t Understand”, do seu segundo álbum, “On the Way Up” (1962), que atingiu a posição 17 na parada Billboard Hot 100 dos EUA. Em 1962, Ann-Margret foi indicada ao Grammy de Melhor Artista Revelação. Seu contrato com a RCA terminou em 1966, mas ela continuou sua carreira como cantora paralelamente à sua carreira como atriz de Hollywood.

Ann-Margret em uma foto de teste de figurino para o filme Em Busca do Prazer (The Pleasure Seekers, 1964).

Ann-Margret em uma foto promocional para o drama policial Anjo do Diabo (Kitten with a Whip, 1964).

Ainda em 1961, Ann-Margret filmou um teste de tela na 20th Century Fox e assinou um contrato de sete anos. Ela fez sua estreia no cinema em um empréstimo para a United Artists ao lado de Bette Davis em “Dama por Um Dia” (Pocketful of Miracles, 1961), de Frank Capra, uma refilmagem de “Lady for a Day” que o próprio Capra rodou em 1933. Por sua atuação, Ann-Margret recebeu seu primeiro Globo de Ouro, como Nova Atriz do Ano, ao lado de Jane Fonda e Christine Kaufmann. Ann-Margret era tímida e reservada na vida privada, mas extremamente exuberante e sensual no palco. Seus filmes seguintes foram sucessos de público: o musical com música de Rodgers e Hammerstein Feira de Ilusões (State Fair, 1962) a transformou em estrela, e sua atuação como a adolescente americana Kim em “Adeus, Amor” (Bye Bye Birdie, 1963) a colocou na capa da revista Life pela segunda vez e lhe deu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Atriz.

Ann-Margret e Elvis Presley no set de Amor à Toda Velocidade, de 1964.

Dizem que Ann-Margret foi o grande amor de Elvis Presley, que ela conheceu nos estúdios da MGM e tiveram um fugaz mas intenso romance durante a filmagem de “Amor à Toda Velocidade” (Viva Las Vegas, 1964), mas por conta do compromisso dele com Priscilla, o romance não vingou – embora tenham continuado amigos até a morte do cantor. Ann-Margret gravou três duetos com Elvis para o filme: “The Lady Loves Me”, “You’re the Boss” e “Today, Tomorrow, and Forever”, mas apenas a primeira canção entrou na versão final do filme e nenhuma delas foi lançada comercialmente até anos após a morte de Elvis. A revista Filmink argumentou: “Ela tinha tanta energia e vivacidade que havia ofuscado seus três colegas de elenco masculinos anteriores, mas Elvis conseguia acompanhá-la. Ele foi o melhor parceiro de cena que ela já teve, e ela foi a dele”.

A química entre eles na tela não deixa dúvidas.

Uma série de fracassos de bilheteria, porém, prejudicaram a carreira de Ann-Margret, incluindo a perda do papel da protagonista que ficou com Jane Fonda na comédia de faroeste “Dívida de Sangue” (Cat Ballou, 1965) – porque seu agente recusou o filme em seu nome sem lhe consultar. Em 1965, durante as filmagens de “A Marca de um Erro” (Once a Thief), veículo para a estreia de Alain Delon em Hollywood, Ann-Margret conheceu seu futuro marido, o ator, roteirista e produtor Roger Smith, com quem se casou em 1967, e permaneceram casados até a morte dele, em 2017. Diante de tantos fracassos no cinema, Ann-Margret decidiu retornar à música e fez uma temporada triunfal de shows em Las Vegas durante cinco semanas em julho de 1967 que contou com Elvis e sua comitiva na plateia. Ela também atuou em dois especiais musicais para a televisão, “The Ann-Margret Show” e “Ann-Margret: From Hollywood With Love”.

Em 1970, Ann-Margret retornou ao cinema estrelando o drama “R.P.M. – Revoluções Por Minuto” (R.P.M.), ao lado de Anthony Quinn, e teve um papel coadjuvante na comédia dramática “Ânsia de Amar” (Carnal Knowledge, 1972), interpretando a namorada de Jack Nicholson, papel que lhe deu uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e a vitória no Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante. Em 10 de setembro de 1972, enquanto se apresentava no Lago Tahoe, Ann-Margret caiu de uma plataforma elevada de 6,7 metros para o palco e sofreu ferimentos sérios, incluindo fraturas no braço esquerdo, maçã do rosto e mandíbula, e precisou de uma meticulosa cirurgia reconstrutiva facial que exigiu que sua boca fosse fechada com fios e que ela seguisse uma dieta líquida e que a deixou incapaz de trabalhar por dez semanas.

Born to be Wild: Ann-Margret fotografada por Douglas Kirkland, 1971.

Entusiasta das motocicletas, Ann-Margret pilotou uma Triumph T100C Tiger de 500 cc na comédia A Falsa Libertina (The Swinger, 1966) e usou o mesmo modelo em seu show de palco e em seus especiais de TV. Ela sofreu três costelas quebradas e uma fratura no ombro quando foi arremessada de uma motocicleta na zona rural de Minnesota em 2000.

Ann-Margret em uma foto publicitária para A Falsa Libertina, de 1966.

Ao longo da década de 1970, Ann-Margret equilibrou suas apresentações musicais ao vivo com uma série de papéis dramáticos no cinema que contrastavam com sua imagem glamorosa. Em 1973, ela estrelou com John Wayne em “Chacais do Oeste” (The Train Robbers). Em seguida, veio o musical “Tommy: A Ópera-Rock” (Tommy, 1975), no qual interpretou a mãe do protagonista interpretado por Roger Daltrey, que apesar de cego, surdo e mudo se torna um campeão dos fliperamas e um ídolo mundial. Pelo papel, recebeu sua segunda indicação ao Oscar, desta vez na categoria de Melhor Atriz, e venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical, em um total de cinco prêmios Globo de Ouro em dez indicações. Em 17 de agosto de 1977, Ann-Margret e Roger Smith viajaram para Memphis para comparecer ao funeral de Elvis Presley. Três meses depois, ela apresentou o programa “Memories of Elvis”, em homenagem ao cantor.

Outros filmes em que ela apareceu no final da década de 1970 incluem “Inocente Sedutor” (Joseph Andrews, 1977), “A Mais Louca de Todas as Aventuras de Beau Geste” (The Last Remake of Beau Geste, 1977) e o thriller de terror “Um Passe de Mágica” (Magic, 1978) com Anthony Hopkins. Ann-Margret foi uma das primeiras escolhas do produtor Allan Carr para interpretar o papel de Sandy Dumbrowski no filme “Grease – Nos Tempos da Brilhantina”, de 1978, mas aos 36 anos de idade quando as filmagens começaram, o estúdio determinou que ela era velha demais para interpretar convincentemente o papel de uma estudante do ensino médio e Olivia Newton-John, de 28 anos, ficou com o papel. A personagem foi renomeada “Sandy Olsson” em homenagem ao sobrenome de nascimento de Ann-Margret. Nos anos 80 ela apareceu ao lado de Gene Hackman no drama “Duas Vezes na Vida” (Twice in a Lifetime, 1985) e com Roy Scheider no thriller policial “Nenhum Passo em Falso” (52 Pick-Up, 1986), mas o grande papel veio em 1987, quando contracenou com a lenda Claudette Colbert em sua despedida das telas, na minissérie da NBC “The Two Mrs. Grenvilles”, que rendeu a Ann-Margret mais uma indicação ao Emmy.

Ann-Margret posa para uma sessão de retratos em 15 de junho de 1989 em Los Angeles, Califórnia. Foto de Harry Langdon.

Nos anos 90, a atriz retornou aos cinemas estrelando ao lado de Walter Matthau e Jack Lemmon a comédia “Dois Velhos Rabugentos” (Grumpy Old Men, 1993), um sucesso de bilheteria tão grande que recebeu uma sequência igualmente bem sucedida, “Dois Velhos Mais Rabugentos” (Grumpier Old Men, 1995), que contou com a participação de Sophia Loren. Em 1999, ela apareceu no drama esportivo “Um Domingo Qualquer” (Any Given Sunday), de Oliver Stone, e em 2000 gravou uma versão modificada de “Viva Las Vegas” para o filme live-action “Os Flintstones em Viva Rock Vegas”. Incansável, Ann-Margret continuou dividindo seu tempo entre produções para cinema, televisão e música. Sua aparição mais recente nas telas foi na comédia de 2021, “As Donas do Pedaço” (Queen Bees), ao lado de outras estrelas como Ellen Burstyn, James Caan e Christopher Lloyd. Seu álbum mais recente, “Born to Be Wild”, foi lançado em 14 de abril de 2023.

Ao longo da vida, Ann-Margret recebeu cinco Globos de Ouro, dois Prêmios Laurel, dois Prêmios Photoplay, um Prêmio Emmy, duas indicações ao Oscar e duas indicações ao Grammy. Pelas suas contribuições para a indústria cinematográfica, ela recebeu uma estrela na Calçada da Fama em 1973, localizada no número 6501 da Hollywood Boulevard.

Publicado originalmente no meu Blog Cult Movies.

Fonte: Wikipedia | Fotos: Acervo do Blog

Atrizes: Marceline Day

A atriz Marceline Day nasceu no dia de hoje, 24 de abril, em 1908. Ela é provavelmente mais lembrada por suas aparições no clássico de terror de 1927, hoje considerado um filme perdido, “London After Midnight”, dirigido por Tod Browning e estrelado por Lon Chaney, e por seu papel como Sally Richards na comédia “O Homem das Novidades” (The Cameraman), de 1928, com Buster Keaton. Embora tenha feito com sucesso a transição dos filmes silenciosos para o cinema falado, a carreira de Marceline Day logo perdeu fôlego e ela passou a atuar em filmes de baixo orçamento até se aposentar das telas em 1933, aos 25 anos.

Carreira

Marceline Day nasceu Marceline Newlin em Colorado Springs, Colorado, em 24 de abril de 1908, e foi criada em Salt Lake City, Utah, filha de Frank e Irene Newlin, e irmã mais nova da atriz de cinema Alice Day.

Marceline Day iniciou sua carreira no cinema depois que sua irmã Alice (as irmãs Day, foto ao lado) se tornou uma atriz de destaque como uma das “Bathing Beauties” de Mack Sennett em comédias de um e dois rolos para a Keystone Studios. Marceline fez sua primeira aparição no cinema justamente ao lado da irmã na comédia de Sennett de 1924, “Picking Peaches”, antes de ser escalada para uma série de curtas de comédia ao lado do ator Harry Langdon como “Feet of Mud” e “The Hansom Cabman”, além de uma temporada em faroestes do início de Hollywood com estrelas do cinema mudo como Hoot Gibson (“The Taming of the West”, de 1925), Art Acord (“Western Pluck”, de 1926) e Jack Hoxie (“The White Outlaw”, de 1925, e “Looking for Trouble”, de 1926).

Marceline Day em uma cena de The Splendid Road, de 1925.

Marceline Day e Norman Kerry em uma cena de A Mancha de um Crime, de 1926.

Marceline Day em uma cena da comédia romântica Fama e Proveito, de 1926.

Marceline Day e John Barrymore em Amor de Boêmio, de 1927.

Marceline Day com Lars Hanson em Captain Salvation, de 1927.

Mary Astor, Joan Crawford, Dolores Del Río, Mary Brian, Joyce Compton, Dolores Costello, Marceline Day, Janet Gaynor, Sally Long, Edna Marion, Sally O’Neil, Vera Reynolds, e Fay Wray – as WAMPAS Baby Stars de 1926.

Gradualmente, Marceline Day começou a estrelar comédias românticas como “College Days” e “That Model from Paris”, ambos de 1925, e “Fama e Proveito” (The Boy Friend), de 1926, este último considerado perdido, assim como também começou a aparecer em papéis mais dramáticos ao lado de atores renomados da época, como Lionel Barrymore em “The Splendid Road”, de 1925, e “A Mancha de um Crime” (The Barrier, 1926). Em 1926, a atriz foi nomeada uma das 13 WAMPAS Baby Stars, uma campanha promocional patrocinada pela Western Association of Motion Picture Advertisers nos Estados Unidos, que homenageava anualmente 13 jovens que, segundo eles, estavam prestes a se tornar estrelas de cinema. Outras homenageadas notáveis ​​naquele ano foram Joan Crawford, Mary Astor, Janet Gaynor, Dolores del Río, Dolores Costello e Fay Wray.

A publicidade gerada pela campanha aumentou a popularidade de Marceline e ajudou a atriz a fazer com sucesso a transição para o cinema falado como atriz contratada da Metro-Goldwyn-Mayer. Sua carreira durante o período silencioso foi bastante prolífica, embora a maioria dos filmes em que atuou neste período esteja perdida. Ela atuou ao lado de John Barrymore em “Amor de Boêmio” (The Beloved Rogue, 1927), Lars Hanson em “Captain Salvation”, de 1927, Ramón Novarro em “The Road to Romance”, de 1927, e “O Galante Conquistador” (A Certain Young Man, 1928), e Lon Chaney em “London After Midnight”, de 1927, e “Piratas Modernos” (The Big City, 1928), bem como a lenda da comédia Buster Keaton, com quem dividiu a tela em “O Homem das Novidades” (The Cameraman, 1928).

Marceline Day em fotos publicitárias para a Metro-Goldwyn-Mayer.

Marceline Day com Lon Chaney no filme perdido de Tod Browning, London After Midnight, de 1927.

Marceline Day com Lon Chaney em Piratas Modernos, de 1928.

Marceline Day e Ramon Novarro em The Road to Romance, de 1927.

Marceline Day e Ramon Novarro em O Galante Conquistador, de 1928.

Além do clássico de terror de 1927, e hoje considerado perdido, “London After Midnight”, dirigido por Tod Browning e estrelado por Lon Chaney, e da comédia de 1928 “The Cameraman”, com Buster Keaton, Marceline Day é provavelmente mais lembrada por sua aparição no drama romântico parcialmente falado de 1929 “The Jazz Age”, estrelado por Douglas Fairbanks Jr. e que marcou o primeiro papel principal de Joel McCrea. No filme, Marceline vive Sue Randall, uma garota rica e mimada que se apaixona por Stephen “Steve” Maxwell Jr. (Fairbanks), um jovem de classe inferior, e juntos desafiam o autoritário pai da jovem, um empresário corrupto que controla toda a cidade através do dinheiro e influência.

No final da década de 1920, a carreira de Marceline havia eclipsado a de sua irmã Alice. As duas voltariam a aparecer juntas nas telas em 1929, no musical da Warner Bros. e um dos pioneiros a utilizar o formato Technicolor, “The Show of Shows”. O filme é uma espécie de teatro de revista filmado em que várias estrelas do estúdio se apresentam em números individuais. Alice e Marceline se apresentam no segmento “Meet My Sister”, junto com outras irmãs famosas de Hollywood como Dolores e Helene Costello, e Loretta Young e Sally Blane. Marceline Day ganhou papéis de destaque na comédia romântica “Garotas na Farra” (The Wild Party, 1929), o primeiro “talkie” de Clara Bow, e no drama de guerra “The Mad Parade”, de 1931, famoso por ter sido o primeiro filme com elenco totalmente feminino.

Marceline Day com Buster Keaton em três momentos da comédia clássica O Homem das Novidades, de 1928.

Marceline Day com Clara Bow em uma cena de Garotas na Farra, de 1929.

Marceline Day com Lilyan Tashman (E) and Evelyn Brent (D) em uma cena de The Mad Parade, de 1931.

Marceline Day com John Wayne no faroeste The Telegraph Trail, de 1933.

Embora Marceline Day tenha se adaptado aos filmes sonoros sem grandes dificuldades, seus papéis foram gradualmente perdendo qualidade, e ela passou a trabalhar principalmente para estúdios de menor porte. No último ano de sua carreira como atriz, Marceline acabou retornando ao gênero faroeste, atuando em filmes de baixo orçamento estrelados por Rex Bell, Tim McCoy, Hoot Gibson, Ken Maynard, e Jack Hoxie, além de atuar ao lado de John Wayne em seu início de carreira no cinema, em “The Telegraph Trail”, de 1933. Seu último filme foi “The Fighting Parson”, também de 1933, estrelado por Gibson. Após sua aposentadoria, ela raramente falou sobre seus anos como atriz e nunca concedeu entrevistas.

Marceline Day se casou com o comerciante de peles Arthur J. Klein em 1930. Divorciada, ela se casou pela segunda vez em 1959 com John Arthur, com quem permaneceu casada até a morte dele em 2 de abril de 1980. Ela não teve filhos com nenhum dos maridos. Em 16 de fevereiro de 2000, a atriz foi encontrada morta em sua casa em Cathedral City, Califórnia, aos 91 anos.

Galeria (20 Fotos)

Aniversariante do Dia: Shirley Temple

Shirley Temple (23 de abril de 1928 – 10 de fevereiro de 2014) não foi apenas a estrela infantil mais icônica de Hollywood, mas também uma diplomata pioneira e a pessoa mais jovem a receber um Oscar. Como estrela infantil, Shirley Temple era um prodígio extraordinário, com um charme natural e carismático, memória fotográfica para falas, letras de músicas e passos de dança, e uma radiante coroa de cachos dourados que pontuava sua alegria ou discórdia na tela com um aceno de seu rosto com covinhas. O fascínio do público por Shirley beirava o fanatismo no auge de sua popularidade, em meados e no final da década de 1930, e inúmeros artigos de jornais e revistas destacavam suas atividades dentro e fora das câmeras. Como aconteceu com muitas crianças-prodígios do cinema, a carreira de Shirley Temple perdeu fôlego quando ela atingiu a idade adulta.

Após se aposentar do cinema em 1950, aos 22 anos, Shirley Temple ingressou no serviço público e tornou-se ativa no Partido Republicano da Califórnia, iniciando sua carreira diplomática em 1969, quando foi nomeada para representar os EUA em uma sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, onde trabalhou na Missão dos EUA sob o comando do embaixador Charles Yost. Rapidamente ela se transformou em uma diplomata de carreira altamente respeitada. Seu currículo era impressionante: Embaixadora dos EUA em Gana (1974–1976), primeira mulher a ocupar o cargo de Chefe de Protocolo dos EUA (1976–1977), e Embaixadora dos EUA na Checoslováquia (1989–1992), onde testemunhou em primeira mão a Revolução de Veludo.

Shirley Temple em uma conferência das Nações Unidas em Estocolmo, 1972.

Shirley Temple em uma conferência das Nações Unidas em Estocolmo, em 1972. “Se dependesse de mim, teria entrado para o serviço diplomático aos 20 anos”, afirmou a atriz.

Aos 44 anos, casada duas vezes e mãe de três crianças, Shirley Temple foi diagnosticada com câncer de mama em 1972. Em uma época em que era tabu falar sobre a doença em público, ela foi uma das primeiras mulheres a falar abertamente sobre sua mastectomia, ajudando a desestigmatizar a doença e encorajando outras mulheres a assumirem um papel ativo em suas próprias escolhas médicas.

Shirley Temple morreu em 10 de fevereiro de 2014, em sua casa em Woodside, Califórnia, aos 85 anos. A causa da morte foi doença pulmonar obstrutiva crônica. Fumante inveterada, Shirley evitava ser vista fumando em público para não dar mau exemplo aos fãs. Com sua carreira meteórica como estrela-mirim estrelando filmes extremamente populares que ajudaram a salvar a 20th Century Fox da falência durante o tempo em que esteve sob contrato com o estúdio, Shirley é lembrada por muitos de seus filmes, nos quais atuou ao lado de astros como Carole Lombard, Gary Cooper, Alice Faye, Lionel Barrymore, Joel McCrea, Randolph Scott, entre outros, mas principalmente por um filme que ela nunca fez, e que permanece até hoje como uma das maiores lendas de Hollywood.

Shirley Temple e O Mágico de Oz

Entre os livros favoritos de Shirley Temple frequentemente citados, estava a série “O Mágico de Oz”, de L. Frank Baum e sua sucessora póstuma, Ruth Plumly Thompson. Em visitas à casa dos Temple, os livros de Oz eram claramente visíveis na estante de seu quarto, e havia referências ao seu interesse pelas aventuras de Dorothy e seus amigos. Em “Child Star”, sua autobiografia de 1988, a própria Shirley Temple afirmou que, quando sua mãe sugeriu que ela interpretasse Dorothy em adaptações para o cinema, Shirley respondeu que ela queria sim conhecer Dorothy, tão absorta estava nas histórias de Oz. Shirley Temple tinha contrato com a 20th Century-Fox e o chefe do estúdio, Darryl F. Zanuck, manifestou o interesse de produzir um filme sobre Oz estrelado por sua maior estrela já por volta de 1937.

Uma das grandes lendas de Hollywood foi a batalha entre a Metro-Goldwyn-Mayer e a 20th Century Fox. A MGM queria Shirley Temple para o papel de Dorothy em “O Mágico de Oz” (1939), mas na época Shirley estava sob um contrato rigoroso com a 20th Century Fox como a principal artista do estúdio. Nicholas Schenck, chefe da empresa controladora da MGM (a Loew’s Inc.), insistia em tê-la em seu filme porque ela era a maior atração de bilheteria na época, e ele a queria para interpretar Dorothy e garantir que “O Mágico de Oz”, um filme de produção arriscada e de alto orçamento, desse lucro, mesmo se a MGM tivesse que barganhar um acordo oferecendo Clark Gable, Jean Harlow ou qualquer outro contratado em troca de Shirley Temple. A morte repentina de Jean Harlow em 7 de junho de 1937 atrapalhou as negociações.

Shirley Temple com seu Oscar especial em miniatura, em 1935.

Em 14 de março de 1935, com apenas seis anos de idade, Shirley Temple tornou-se a celebridade mais jovem a deixar as impressões de suas mãos e pés no pátio de cimento do Teatro Chinês de Grauman, em Hollywood. Durante a cerimônia, um dos dentes de leite de Shirley caiu inesperadamente. Para evitar ser fotografada com um sorriso sem dente — já que seus dentes geralmente eram cobertos com coroas para filmes — ela manteve a boca fechada em todas as fotos oficiais.

Na época, a MGM ainda não detinha os direitos cinematográficos de “O Mágico de Oz”, e essa história é frequentemente descartada como apócrifa. Mas na primavera de 1937 – e antes da morte de Harlow – “O Mágico de Oz” apareceu em uma lista de livros recomendados para adaptações para o cinema, muitos dos quais foram produzidos nos cinco anos seguintes. Se alguma vez houve um momento propício para essa velha história de Hollywood sobre os dois estúdios discutindo uma troca mútua de estrelas, o momento seria esse. A confusão sobre Shirley interpretando Dorothy surgiu porque os supostos eventos de 1937 se misturaram com os eventos da produção de “O Mágico de Oz” em 1938. Tendo garantido os direitos de adaptação para o cinema do magnata Sam Goldwyn em fevereiro de 1938, a MGM começou a escalar o elenco para sua superprodução.

Shirley Temple entrega a Claudette Colbert o Oscar de Melhor Atriz por Aconteceu Naquela Noite, na cerimônia de entrega do Oscar em 1935.

Shirley Temple em 1936.

Shirley Temple com seus pais George Francis Temple e Gertrude Amelia Temple na estreia de A Queridinha do Vovô, de 1937.

Judy Garland era ainda uma jovem promessa na MGM, apesar de seu sucesso como atriz juvenil em produções voltadas para o público adolescente, incluindo participações na série de filmes de Andy Hardy. Sua habilidade para a atuação e principalmente seu enorme talento como cantora, levantou a questão dentro da MGM de que ela seria uma opção melhor para o papel de Dorothy do que Shirley Temple, pois o arranjador vocal do estúdio e mentor de Judy Garland, Roger Edens, e o letrista e aspirante a produtor Arthur Freed, estavam preocupados com a limitada capacidade vocal de Shirley em comparação com Judy, que conseguia lidar com os números musicais mais desafiadores. A própria Judy havia vencido uma batalha interna na MGM com sua concorrente direta e bastante talentosa, Deanna Durbin, ao posto de maior promessa do estúdio. Edens marcou, com certa hesitação, uma audição para Shirley Temple nos estúdios da 20th Century-Fox, após a qual ele retornou à MGM para informar que ela não possuía a potência vocal necessária para o espetáculo que estava sendo preparado.

Em 1941, a mãe de Shirley, Gertrude, ainda demonstrava ressentimento ao relatar que Zanuck a havia enganado: ele lhe assegurara que a Fox detinha os direitos de adaptação cinematográfica de “O Mágico de Oz”. Para piorar a frustração de Shirley Temple, Judy Garland que tinha 16 anos quando a produção foi encerrada, sempre foi considerada velha demais para a personagem que no livro é retratada como uma menina de 10-12 anos, enquanto Shirley, então com 11 anos, tinha a idade ideal para viver Dorothy. Com a indisponibilidade de Shirley, Judy Garland foi escalada, atendendo à preferência da equipe criativa, incluindo o produtor Mervyn LeRoy. Para disfarçar a idade da atriz, Judy usou maquiagem pesada e uma faixa apertada que escondia seus seios, além de uma peruca loira que foi descartada ainda no início das filmagens.

Shirley Temple como Kathleen Davis e Nella Walker como Sra. Farrell em Kathleen, de 1941.

Shirley Temple em 1944.

Shirley Temple posando ao lado de uma pintura de si mesma quando criança, 1945.

Shirley Temple com sua primogênita Linda Susan, em maio de 1948, de seu primeiro casamento com John Agar. Com o segundo marido, Charles Alden Black, teve um casal, Charles e Lori.

Como um prêmio de consolação, Zanuck escalou Shirley para uma série de histórias clássicas infantis adaptadas para o cinema, culminando com “O Pássaro Azul”, de 1939 — um musical em Technicolor que, assim como “O Mágico de Oz”, começa em tons sépia antes de passar para a cor em uma longa sequência de fantasia. “O Mágico de Oz” foi um sucesso extraordinário, mas “O Pássaro Azul” foi o primeiro filme de Shirley Temple a dar prejuízo. Isso marcou o fim de sua magnífica carreira como a principal atriz infantil do mundo. Mais tarde, a própria Shirley Temple confirmou que ela deveria ter sido emprestada à MGM para o papel, mas o acordo não se concretizou. Em retrospectiva, ela observou que Judy Garland era a melhor escolha para o interpretar Dorothy: “Às vezes, os deuses sabem o que é melhor”.

Com o fim de seu contrato com a Fox, que preferiu não renovar com a atriz após seus sucessivos fracassos de bilheteria, Shirley Temple foi bater à porta da MGM em busca de trabalho. Ao se encontrar com o produtor Arthur Freed para uma entrevista preliminar, não se sabe se para se vingar da atriz ou humilhá-la pelo fracasso de sua contratação para “O Mágico de Oz”, ele supostamente expôs seus genitais para ela. Como Shirley reagiu com nervosismo, Freed a expulsou de seu escritório. O estúdio ainda queria Shirley e a ideia era escalar a atriz ao lado de Mickey Rooney e Judy Garland no musical “Calouros na Broadway”, de 1941, mas temendo que ela pudesse ofuscar seus dois astros, a substituiu por Virginia Weidler. Ela ficou encostada por um tempo até aparecer no fracassado “Kathleen”, lançado em dezembro de 1941, seu único filme para a MGM. Shirley apareceu em papéis de adolescente em filmes como “Miss Annie Rooney” (1942), outro fracasso, além de “O Solteirão Cobiçado” (The Bachelor and the Bobby-Soxer, 1947), estrelado por Cary Grant, e “Fort Apache” (1948), estrelado por John Wayne e Henry Fonda – seus dois únicos filmes notáveis ao longo de toda a década de 1940.

Shirley apareceu em seu último filme, “O Eco de um Beijo” (A Kiss for Corliss), em 1949. No ano seguinte, anunciou sua aposentadoria do cinema. Durante os final dos anos 50 e início dos anos 60, ela ainda estrelou programas de TV como “Shirley Temple’s Storybook” e “The Shirley Temple Show” e deu adeus à sua carreira de atriz em uma participação especial em um episódio de “The Red Skelton Show” em 1963.

Fonte: Wikipedia, Huffpost | Fotos: Acervo do Blog

Aniversariante do Dia: Gloria Swanson

Nascimento: Gloria May Josephine Swanson, 27 de Março de 1899 |  Chicago, Estados Unidos
Falecimento: 4 de Abril de 1983 (84 anos) | Nova York, Estados Unidos

Nascida Gloria Mae Josephine Swanson neste dia, 27 de março de 1899, Gloria Swanson foi uma atriz e produtora de cinema americana. Ela alcançou a fama atuando em dezenas de filmes mudos na década de 1920 e foi indicada três vezes ao Oscar de Melhor Atriz, sendo a mais famosa por sua atuação em “Crepúsculo dos Deuses” (Sunset Boulevard, 1950), de Billy Wilder, que lhe rendeu um Globo de Ouro.

Leia mais sobre Gloria Swanson no Assim Era Hollywood.

Galeria (30 Fotos)

[Wikipedia]

Imagem da Semana: Gloria Swanson em Macho e Fêmea (1919)

Nenhum CGI ou IA foi utilizado nesta foto que mostra a atriz Gloria Swanson completamente imóvel e de olhos fechados, posando com um leão de verdade em uma cena de “Macho e Fêmea” (Male and Female), um filme mudo de aventura e drama de 1919 dirigido por Cecil B. DeMille e produzido pela Famous Players-Lasky. A cena foi uma recriação de “A Noiva do Leão”, uma pintura a óleo de 1908 de Gabriel von Max (1840-1915), e aparece próximo do final do filme, como uma sequência de fantasia que se passa na antiga Babilônia. A atriz declarou posteriormente que seu pai estava no set, assistindo nervosamente à gravação da cena.

A Noiva do Leão”, uma pintura a óleo de 1908 de Gabriel von Max que inspirou a criação da cena para o filme de 1919, Male and Female, dirigido por Cecil B. DeMille.

Gloria Swanson, uma das maiores estrelas de Hollywood do período silencioso, nasceu no dia de hoje, 27 de março, em 1899, em Chicago, no estado do Illinois.

Gloria Mae Josephine Swanson era a filha única de Adelaide e Joseph Theodore Swanson, um soldado luterano. Por exigência da profissão paterna, ela e sua família mudavam-se constantemente. Quando ainda moravam em Chicago, a tia de Gloria levou a adolescente de 15 anos apaixonada por Francis X. Bushman, um dos grandes astros do período, para visitar os estúdios da Essanay onde o ator trabalhava, e Gloria foi descoberta por um olheiro. Em pouco tempo ela já estava na Califórnia fazendo figuração para o Keystone Studios, de Mack Sennett, aparecendo como uma das Bathing Beauties em alguns de seus filmes. Logo acabou contratada pela Famous Players–Lasky, onde assinou um contrato de sete anos e se tornou uma estrela mundial. Ali, Gloria Swanson estrelou uma série de filmes sobre a sociedade da época, dirigidos por Cecil B. DeMille.

Gloria Swanson em uma cena de Macho e Fêmea, de 1919.

Em “Macho e Fêmea”, Gloria interpreta Lady Mary Loam, uma aristocrata britânica esnobe, e Thomas Meighan vive seu mordomo, Crichton, que nutre uma paixão por ela, mas Mary o despreza devido à sua classe social inferior. Quando após um naufrágio os dois e outros sobreviventes chegam a uma ilha deserta, eles se veem entregues à própria sorte em meio à natureza selvagem. A capacidade de sobrevivência de Crichton se revela muito superior à dos aristocratas, resultando em uma inversão de papéis, com o mordomo se tornando uma espécie de líder entre o grupo. Ele acaba conquistando o amor de Mary e estão prestes a se casar na ilha quando o grupo é resgatado. Ao retornar à Grã-Bretanha, Crichton decide não se casar com Mary e sim com Tweeny (vivida por Lila Lee), uma criada que sempre foi apaixonada por ele, e ambos partem juntos para os Estados Unidos.

O filme é baseado na peça de J.M. Barrie de 1902, “The Admirable Crichton”, já adaptado às telas no ano anterior em um filme inglês de mesmo nome. O título do romance foi alterado para “Macho e Fêmea” para evitar o desinteresse do público achando que se tratasse de um filme sobre marinheiros. “Macho e Fêmea” está em domínio público e pode ser assistido em vários locais na Internet, inclusive no Wikipedia:

IMDb: https://www.imdb.com/title/tt0010418/.

Filmes: O Rio das Almas Perdidas (1954)

O RIO DAS ALMAS PERDIDAS

Título Original: River of No Return
País: Estados Unidos
Ano: 1954
Duração: 91 minutos
Direção: Otto Preminger
Elenco: Marilyn Monroe, Robert Mitchum, Tommy Rettig, Rory Calhoun, Douglas Spencer, Murvyn Vye, Hank Mann.
Sinopse: Em 1875, Matt, um viúvo recém-saído da prisão após cumprir pena por matar um homem em legítima defesa, volta à sua cidade para reencontrar o filho de 9 anos, que está sob os cuidados de Kay, uma cantora de cabaré. Depois que o amante de Kay foge após ganhar uma mina de ouro em um jogo, eles se veem envolvidos em uma aventura em meio à natureza inóspita e ataques de índios e pistoleiros.

O título em português, “O Rio das Almas Perdidas”, cria a impressão de um dramalhão pesado, quando na verdade se trata de uma espécie de musical com toques de romance e aventura que por um acaso se passa no Velho Oeste.

Dirigido pelo prolífico Otto Preminger, o filme é ambientado nas Montanhas Rochosas canadenses em 1875 e conta a história de Matt Calder, um viúvo que é solto da prisão após cumprir pena por assassinato e retorna para buscar Mark, o filho de 9 anos que ficou sob os cuidados de Kay, uma cantora de cabaré. O noivo de Kay, o jogador Harry Weston, ganha a escritura de uma mina de ouro, e parte com ela em uma jangada para registrar a mina em seu nome, mas acabam sendo resgatados do rio por Matt. Após um desentendimento, Weston ataca Matt e foge em seu cavalo, deixando Kay para trás. Quando índios hostis atacam a fazenda, Matt, Kay e Mark fogem na jangada e enfrentam uma série de perigos e obstáculos ao longo do caminho até que Matt possa localizar Harry e o confrontar. Marilyn Monroe como Kay, Robert Mitchum como Matt, Tommy Rettig como Mark e Rory Calhoun como Harry formam o elenco principal.

Em 1953 quando “O Rio das Almas Perdidas” foi produzido para lançamento no ano seguinte, Marilyn Monroe ainda era uma atriz em ascensão, que vinha de duas comédias de bastante sucesso, “Os Homens Preferem as Loiras” e “Como Agarrar um Milionário”, nos quais dividiu a tela com protagonistas do calibre de Jane Russell, Betty Grable e Lauren Bacall, e estava desesperadamente atrás de um projeto em que pudesse explorar seus talentos dramáticos e não ter que dividir a atenção da câmera com nenhuma outra rival. Ela havia obtido muitos elogios por sua atuação no drama noir “Torrente de Paixões” no papel de uma femme fatale, mas temia que o sucesso de seus dois filmes anteriores a estigmatizasse como uma atriz de musicais e comédias malucas.

Famoso pelas comédias sofisticadas e melodramas noir que dirigiu, sendo “Laura”, de 1944, o seu melhor cartão de visita, Preminger aceitou o filme por estar preso a um contrato com o chefão da 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck, e contra a vontade do produtor Stanley Rubin que queria William Wellman ou Raoul Walsh, que ele acreditava que poderiam estar mais habituados ao gênero western e a filmar em locações do que Preminger. O próprio Preminger não estava interessado no filme, mas aceitou a direção depois que Robert Mitchum e Marilyn Monroe foram escalados para os papéis principais. O filme foi rodado em locações nos parques nacionais de Banff e Jasper, no Canadá, e a presença da equipe de filmagem durante os dois meses seguintes foi a principal atração turística para os moradores das duas pequenas cidades.

Como muitos filmes rodados em locações naturais, vários problemas atrapalharam o cronograma de filmagem, como as chuvas torrenciais muito comuns à região, além dos problemas com o elenco: Robert Mitchum aparecia para gravar suas cenas visivelmente embriagado. Joe DiMaggio, o popular jogador de beisebol e noivo de Marilyn na época, chegou à cidade e aumentou a curiosidade da população circulando pelos arredores com a atriz, e Marilyn insistiu em trazer sua treinadora de atuação, Natasha Lytess, para o set de filmagem, gerando atritos constantes com Preminger pela forma como Lytess convencia Marilyn a carregar no sotaque e a atuar de forma contrária às orientações do diretor. Ela também passou a dar conselhos a outros membros do elenco, como Tommy Rettig. Irritado, Preminger ligou para Rubin e exigiu que Lytess fosse banida do set, mas quando isso aconteceu, Marilyn ficou furiosa e ligou diretamente para Zanuck ameaçando abandonar as filmagens se Lytess não fosse trazida de volta. Zanuck não teve escolha e Preminger descarregou sua frustração sobre Marilyn pelo restante da produção.

Marilyn caminha com muletas no set de O Rio das Almas Perdidas, após um acidente durante as filmagens que poderia ter custado sua vida.

Marilyn com Joe DiMaggio no Canadá, durante a filmagens de O Rio das Almas Perdidas, de 1954.

Após o encerramento das filmagens no Canadá, Marilyn Monroe e Robert Mitchum retornaram para Los Angeles, para as filmagens em estúdio, em setembro de 1953.

A um ponto, o diretor e a atriz mal se falavam, com Mitchum servindo de intermediário e tentando manter o clima no set o mais saudável possível. Para piorar, Marilyn sofreu uma lesão no tornozelo após escorregar de uma pedra e cair no rio. Ela quase se afogou quando a vestimenta de borracha que protegia a parte inferior de seu figurino se encheu de água. Mitchum e outros membros da equipe se lançaram ao rio e conseguiram trazê-la de volta para margem. A produção ficou paralisada por cerca de 10 dias até que Marilyn se recuperasse do ferimento. Depois que a produção retornou para Los Angeles, o clima no set melhorou. Mesmo com o pé engessado, Marilyn realizou suas cenas, e para filmagens adicionais que envolviam o cenário do rio, um tanque cheio de água foi usado e dublês foram filmados em locações em Idaho, no próprio Rio Sem Retorno que dá título ao filme.

Uma das maiores dificuldades de Preminger e do cinegrafista Joseph LaShelle foi adaptarem-se ao novo formato CinemaScope, um modelo revolucionário que usava lentes anamórficas para produzir imagens em formato widescreen, uma exigência do estúdio que acreditava que o CinemaScope seria o sucessor do tradicional formato Academy e oferecia uma melhor experiência ao público para rivalizar com a televisão que aquela altura começava a ganhar popularidade como veículo de entretenimento preferido dos americanos. De fato, “O Rio das Almas Perdidas” foi o primeiro filme a ser rodado nesse formato, mas o CinemaScope teve vida curta, se tornando obsoleto já no final dos anos 50 com o lançamento do Panavision.

Marilyn em um teste de figurino para o filme.

Marilyn descansa no set de O Rio das Almas Perdidas durante uma pausa nas gravações. Mais tarde, a atriz afirmou que considerava este o seu pior filme.

Com as filmagens concluídas, Preminger decidiu que nunca mais trabalharia novamente como empregado de estúdio. Ele pagou à Fox 100 mil dólares referentes à multa rescisória de seu contrato e viajou para a Europa deixando o filme aos cuidados do montador Louis R. Loeffler e do produtor Rubin. O primeiro corte bruto era terrível e provou que Preminger não entendia mesmo de faroestes, diluindo o tom épico que o gênero requer em uma narrativa estática e artificial. Para piorar, as cenas filmadas em locações e as cenas gravadas em estúdio não casavam, criando um conflito entre uma tomada e outra. Jean Negulesco foi chamado às pressas para realizar filmagens adicionais para tentar suavizar a narrativa.

“O Rio das Almas Perdidas” estreou em 29 de abril de 1954 com críticas mistas. Embora o CinemaScope ofereça uma experiência deslumbrante enquanto captura as vastas paisagens naturais em um perfeito Technicolor, há um prejuízo enorme para o drama e as sequências de ação que se diluem em uma narrativa que parece mais longa do que os 90 minutos do filme. Embora ninguém tenha culpado os atores, com Robert Mitchum e Marilyn Monroe entregando exatamente o que o público poderia esperar deles, a mistura desnecessária de gêneros que inclui os números musicais interpretados por Marilyn, é um dos fatores que tornam a narrativa irregular por mais prazeroso que seja vê-la em cena.

Mais tarde, a própria atriz afirmou que “O Rio das Almas Perdidas” era o seu pior filme. Preminger depois se retratou de ter falado mal da atriz durante tantos anos, e em uma entrevista para o New York Daily News em 1980, acabou admitindo: “Ela se esforçou muito, e quando as pessoas se esforçam, você não pode ficar bravo com elas.”

IMDb: https://www.imdb.com/title/tt0047422/.

Galeria:

Imagem da Semana: Greer Garson em Rosa da Esperança (1942)

Greer Garson inicia seu discurso de agradecimento pelo Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em “Rosa da Esperança”, de 1942. A categoria foi apresentada por Joan Fontaine, vencedora no ano anterior. Garson ficou conhecida por ter feito o discurso mais longo da história da Academia e muitos apontam que por causa disso, os discursos passaram a ter um limite de tempo. O prêmio visto na imagem provavelmente foi feito de gesso pintado, já que os prêmios entregues entre 1943 e 1945 eram feitos de gesso devido à escassez de metal durante os anos da Segunda Guerra Mundial.

Por 82 anos, esse foi o discurso mais longo da história do Oscar

Na 15ª cerimônia de entrega dos prêmios Oscar, em 4 de março de 1943, Greer Garson, de 38 anos, subiu ao púlpito da boate Cocoanut Grove, dentro do Hotel Ambassador, em Los Angeles, para receber o Oscar de Melhor Atriz por sua atuação em “Rosa da Esperança” (Mrs. Miniver, 1942), um drama romântico que se passa durante a Segunda Guerra Mundial. O filme da Metro-Goldwyn-Mayer foi um dos maiores campeões de bilheteria do ano, ganhando mais cinco Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (William Wyler) e Melhor Atriz Coadjuvante (Teresa Wright). Garson foi apenas a 15ª atriz na história de Hollywood a levar para casa a estatueta, o que por si só já era uma conquista e tanto, mas a atriz fez história de outra maneira, mais inesperada, naquela noite.

Seu discurso de agradecimento permaneceu o mais longo da história do Oscar por 82 anos. Enquanto os vencedores atuais são solicitados a se limitarem a 45 segundos (embora frequentemente ultrapassem esse limite, momento em que uma música indica que é hora de encerrar), Garson falou, segundo relatos da época, por generosos sete minutos. Como o discurso não foi preservado na íntegra, isso causou divergências. Até mesmo a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que organiza o Oscar anualmente, afirma possuir imagens de arquivo de “apenas trechos” do discurso de Garson – totalizando três minutos e 56 segundos. O consenso geral é que Greer Garson discursou por cinco minutos e meio.

Greer Garson, vencedora do Oscar de Melhor Atriz por Mrs. Miniver da MGM, e James Cagney, vencedor do Oscar de Melhor Ator por Yankee Doodle Dandy da Warner Bros., seguram suas estatuetas enquanto Cagney enxuga as lágrimas de Garson para o fotógrafo da MGM.

Greer Garson, Walter Pidgeon, Clare Sandars e Christopher Severn em uma cena de Rosa da Esperança, de 1942.

Garson, natural da Inglaterra, dedicou parte de seu discurso à sua experiência como imigrante. “Cheguei a este país como uma estrangeira há cinco anos. Tenho sido muito feliz e orgulhosa por fazer parte desta comunidade e desta indústria durante todo esse tempo”, disse ela à plateia. “E de todos que conheci ou com quem trabalhei, recebi uma gentileza tão genuína que, por muito tempo, não conseguia acreditar que fosse verdade, mas esta noite vocês me fizeram sentir que realmente abriram as portas da amizade e que a acolhida é oficialmente garantida, e é por isso que estou tão feliz.”

O tema era relevante: em “Rosa da Esperança”, Garson interpreta uma dona de casa inglesa cuja vida é profundamente afetada pela Segunda Guerra Mundial – sobretudo quando seu marido, Clem (Walter Pidgeon), se oferece como voluntário para ajudar na evacuação de Dunquerque com seu próprio barco a motor. O papel ajudou a mobilizar os americanos a apoiarem a Grã-Bretanha durante a Segunda Guerra Mundial.

O discurso de Garson também incluiu suas reflexões sobre a natureza subjetiva das cerimônias de premiação. “Sempre achei que ser indicado simplesmente significa ter a grande sorte de receber uma das melhores tarefas do ano, e isso por si só já é motivo de comemoração”, disse ela. “E não existe um único profissional competente nesta indústria que, se receber uma oportunidade como essa, não esteja à altura do desafio.”

Greer Garson e Teresa Wright no set de Rosa da Esperança, de 1942.

Ela também questionou por que os artistas “tanto desejam ganhar o prêmio” e ponderou: “Não se trata de superioridade, pois estamos comparando diferentes níveis de excelência, que são variados em sua natureza e não podem ser comparados de forma justa. Não há rivalidade nesta sala esta noite. Não há competição. Como disse o Dodô a Alice no País das Maravilhas: ‘Todos ganharam e todos receberão um prêmio’”.

Garson nunca mais ganhou um Oscar, embora tenha sido indicada um total de sete vezes, todas na categoria de Melhor Atriz, ao longo de sua carreira. Notavelmente, ela recebeu cinco indicações consecutivas entre 1941 e 1945. Suas duas primeiras indicações vieram antes de “Rosa da Esperança”, pelo drama romântico de Sam Woods, “Adeus, Mr. Chips” (1939), e por sua atuação como a ativista dos direitos das crianças Edna Gladney na cinebiografia de Mervyn LeRoy, “Flores do Pó” (1941) . Mais quatro indicações se seguiram após “Rosa da Esperança”: uma por sua interpretação de Marie Curie na cinebiografia “Madame Curie” (1943), uma pelo drama de Tay Garnett, “Mrs. Parkington, a Mulher Inspiração” (Mrs. Parkington, 1944), uma pelo drama de Garnett, “O Vale da Decisão” (The Valley of Decision, 1945), e uma por seu papel como Eleanor Roosevelt na cinebiografia de Vincent J. Donehue, “Dez Passos Imortais” (Sunrise at Campobello, 1960).

O Oscar de Melhor Atriz de Greer Garson foi destruído durante um incêndio em sua casa em Los Angeles no final da década de 1980. A Academia lhe forneceu um troféu substituto. Seu discurso permaneceu insuperável por 82 anos. Na 97ª cerimônia de entrega do Oscar em 2025, Adrien Brody quebrou esse recorde com um discurso de 5 minutos e 40 segundos ao vencer como Melhor Ator pelo filme “O Brutalista”.

Fonte: The Independent

Atrizes: Carmen Miranda

Lembrando a Pequena Notável no dia de seu aniversário. Carmen Miranda nasceu no dia de hoje, 9 de fevereiro, em 1909.

Embora tenha sido a artista brasileira de maior projeção internacional em todos os tempos, Carmen Miranda era portuguesa, nascida Maria do Carmo Miranda da Cunha na cidade de Marco de Canaveses, em 9 de fevereiro de 1909. Era a segunda filha do barbeiro José Maria Pinto da Cunha (1887 – 1938) e de sua esposa, Maria Emília Miranda (1886 – 1971). O casal já tinha uma filha, Olinda, nascida em 1907. A família mudou-se para o Brasil no ano seguinte ao nascimento de Carmen e se estabeleceu no Rio de Janeiro, abrindo uma barbearia na Rua da Misericórdia, número 70. Para ajudar na renda da família, a mãe de Carmen administrava uma pensão que servia refeições. Mais tarde a família mudou-se para a Rua Joaquim Silva, número 53, na Lapa. No Brasil, nasceram os outros quatro filhos do casal: Amaro, Cecília, Aurora e Óscar.

A menina ganhou o apelido de Carmen graças ao gosto que seu tio Amaro tinha por óperas. Ela estudou em uma escola de freiras e, aos 14 anos, teve seu primeiro emprego. Trabalhou em uma loja de gravatas e, depois, em uma chapelaria onde aprendeu a fazer chapéus – que se tornariam uma marca registrada ao longo de sua carreira – e começou a desenvolver seus talentos, cantando para atrair clientes, segundo o biógrafo de Carmen, Ruy Castro. Carmen já gostava de cantar e era elogiada por isso. Em 1928, foi apresentada ao músico Josué de Barros que trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto, e por intermédio dele passou a se apresentar lá. No ano seguinte, fez a sua primeira gravação, o samba “Não Vá Sim’bora”, composição de Josué de Barros. Carmen Miranda foi apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor, onde iniciou sua carreira gravando “Dona Balbina” e “Triste Jandaia”, seguidas pelas canções “Barucuntum” e “Iaiá Ioiô”.

Carmen Miranda com Dorival Caymmi e Assis Valente.

Carmen e Aurora Miranda (sentadas) no estúdio da rádio Mayrink Veiga, em 1932, com Manuel de Nóbrega (segundo em pé da esquerda para direita) e, segurando a flauta, Pixinguinha. Fonte: Wikipedia.

Em 1930, Carmen Miranda gravou a marcha-canção “Pra Você Gostar de Mim”, também chamada de “Taí”. O disco vendeu 35 mil cópias apenas no ano de lançamento — um recorde que fez com que a jovem cantora fosse aclamada como “a melhor do Brasil”. O sucesso no rádio a levou para o cinema. Em 1926, ela apareceu como figurante em “A Esposa do Solteiro”, e, quatro anos depois, assinou contrato para “Degraus da Vida”, que não chegou a ser rodado. Ela também apresentou um número musical em “O Carnaval Cantado no Rio” (1932), o primeiro documentário sonoro sobre o tema popular, e três músicas em “A Voz do Carnaval” (1933), que combinou imagens reais das celebrações do carnaval de rua no Rio com um enredo fictício, oferecendo infinitos pretextos para números musicais.

Seu filme seguinte, “Alô, Alô, Brasil” (1935), definiu o status de Carmen Miranda como a grande artista brasileira da época. Adhemar Gonzaga, o chefe dos estúdios Cinédia, ficou tão encantado com ela que selecionou o número de Carmen para “Primavera no Rio” para o encerramento do filme, substituindo o do cantor Francisco Alves, como havia sido planejado inicialmente. O sucesso do filme levou a Cinédia a contratar Carmen para um novo musical, “Estudantes” (1935), no qual interpretou Mimi, uma jovem cantora de rádio (que apresenta dois números no filme), que se apaixona por um estudante universitário interpretado pelo cantor Mário Reis. Hoje, o filme é considerado perdido.

Carmen Miranda e Barbosa Júnior em uma cena de Estudantes, de 1935.

Ela logo começou a ser chamada de “A Pequena Notável” – devido à sua estatura baixa -, apelido dado, na época, pelo radialista César Ladeira, e o musical “Alô, Alô, Carnaval” (1936) consagrou Carmen em definitivo. O filme contou com um elenco de estrelas da música popular, incluindo a irmã de Carmen, Aurora Miranda. Pelos padrões brasileiros da época, foi uma grande produção. O set reproduziu o interior do luxuoso Cassino Atlântico do Rio, onde algumas das cenas foram filmadas, e os cenários para determinados números musicais. Embora a versão original do filme tivesse dado a Francisco Alves o número final, foi o memorável desempenho de Carmen e Aurora em “Cantores de Rádio” que conquistou o público. Quando uma cópia restaurada do filme foi lançada em 1974, foi precisamente o seu número musical que foi escolhido para fechar o filme.

Carmen Miranda se tornou a primeira cantora a assinar um contrato com uma emissora de rádio, em uma época em que artistas da música recebiam por cachê, primeiro com a rádio Mayrink Veiga e depois com a rádio Tupi, se tornando a artista de rádio mais bem paga do país. Em 1939, Carmen apareceu pela primeira vez caracterizada de baiana, personagem que a lançou internacionalmente, no filme “Banana da Terra”, dirigido por Ruy Costa. O filme, o último feito por ela no Brasil, foi o primeiro a apresentar a versão mais icônica de Carmen Miranda: ela vestindo uma versão estilizada de um figurino que representava uma baiana tradicional. Carmen cantava clássicos nacionais como “Jardineira” e “O que é que a Baiana Tem?”, de Dorival Caymmi, e que ajudaram a estabelecer sua imagem junto ao público. Infelizmente, o filme se perdeu e apenas algumas cenas foram preservadas.

Carmen Miranda em uma cena de Banana da Terra, de 1939.

Cartaz original do musical da Broadway The Streets of Paris com participação de Carmen Miranda.

Carmen Miranda com Bud Abbott e Lou Costello em uma foto promocional.

Segundo vários estudiosos, teria sido Caymmi quem ajudou a moldar a persona artística de Carmen Miranda. Ele orientou a cantora até no gestual para o filme “Banana da Terra”, mas enquanto a música de Caymmi refletia uma certa melancolia e uma espiritualidade basicamente regionais, foi graças à Carmen que o universo idealizado pelo artista ganhou cor, exuberância e teatralidade, tornando-se um reflexo de um Brasil tropical, alegre e exagerado. Em 1939, o produtor Lee Shubert ofereceu a Carmen Miranda um contrato de oito semanas para se apresentar no musical da Broadway “The Streets of Paris”, depois de vê-la se apresentar no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro durante o qual ela cantou “O que é que a Baiana Tem?”, de Caymmi. Shubert era um magnata do entretenimento, dono da empresa que geria metade dos teatros da Broadway, mas Carmen só aceitou o contrato mediante a exigência de que o Bando da Lua a acompanhasse. Em 18 de maio de 1939, Carmen Miranda chegou a Nova York. Na noite seguinte, ela e o Bando da Lua fizeram sua primeira apresentação na Broadway.

A revista LIFE escreveu: “Perto do final do primeiro ato de ‘Streets of Paris’, uma jovem chamativa, vestindo uma roupa estranha de cores vivas, se contorce através das cortinas e começa a confundir o público já deslumbrado em um breve número de canções em português. Em parte porque sua melodia incomum e ritmos fortemente acentuados são diferentes de tudo o que já se ouviu em uma revista musical em Manhattan, e em parte porque não há nenhum significado, exceto os olhos insinuantes de Carmen Miranda, ela e suas músicas são o hit do show”. O show foi um sucesso e permaneceu em cartaz em Nova York por todo um semestre, totalizando 274 apresentações. Sendo depois levada para Pittsburgh, Filadélfia, Baltimore e Washington D.C., chegando a Chicago, Detroit e Cleveland. Em 5 de março de 1940, Carmen Miranda ela fez uma performance perante o presidente Franklin D. Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Nos Estados Unidos, Carmen Miranda fez sucesso com suas vestes estilizadas e o arranjo de frutas sobre a cabeça. Os intelectuais brasileiros da época torceram o nariz. Para eles, aquilo era uma visão estereotipada e errônea do Brasil. A verdade é que Carmen Miranda foi uma das primeiras artistas a representar o Brasil no exterior de forma icônica, antes mesmo de Pelé ou da bossa nova, estabelecendo uma imagem alegre e exótica do país através da música e que acabou sendo preservada ao longo do tempo por meio do turismo e da publicidade que insistia em mostrar um Brasil imaginário tipo exportação e que permanece até hoje no inconsciente coletivo do público, mesmo daqueles que nunca assistiram a um filme estrelado por Carmen Miranda.

Se por um lado o sucesso de Carmen em Hollywood ajudou a promover a imagem do Brasil no exterior, também criou um estereótipo do país que muitas vezes pesaria contra a própria artista. Autora de um estudo acadêmico sobre Carmen Miranda, a professora e pesquisadora Renata Couto acredita que paire um preconceito sobre a relevância de Carmen Miranda como artista. “Boa parte das pessoas faz um julgamento muito apressado sobre ela”, afirmou. “Parte disso, por ela ser mulher. A outra parte é pela figura que ficou consagrada da Carmen, que incorpora essa baiana estilizada, quase uma caricatura do que seria o Brasil.”

Carmen Miranda em fotos promocionais para Serenata Tropical, de 1940, que marcou sua estreia no cinema norte-americano.

A estreia de Carmen em Hollywood veio em 1940, estrelando a comédia musical da 20th Century Fox, “Serenata Tropical” (Down Argentine Way), ao lado de Don Ameche e uma novata chamada Betty Grable. O filme, no qual Carmen interpretou a si mesma, foi um grande sucesso e criou um tipo de musical hollywoodiano totalmente novo, que definiria em grande parte o avançado estilo da Fox durante a década seguinte. Com a Segunda Guerra Mundial, a chamada política de boa vizinhança entre os Estados Unidos e a América Latina, acabou favorecendo uma artista como Carmen Miranda, como parte do projeto geopolítico norte-americano de soft power que assim como a outros artistas estrangeiros, explorava não apenas o talento de Carmen mas sua imagem de garota latino-americana alegre e extrovertida para conter influências europeias e garantir apoio hemisférico. Ela se tornou, inconscientemente, uma embaixadora cultural informal.

Seu auge no cinema foi justamente durante os anos da Segunda Guerra Mundial, quando estrelou 8 de seus 14 filmes nos Estados Unidos. Além de “Serenata tropical”, seus filmes mais importantes (e todos grandes sucessos de crítica e de público) no período foram: “Uma Noite no Rio” (That Night in Rio, 1941), novamente com Don Ameche, “Aconteceu em Havana” (Week-End in Havana, 1941), “Minha Secretária Brasileira” (Springtime in the Rockies, 1942), que a reuniu com Betty Grable, e “Entre a Loira e a Morena” (The Gang’s All Here, 1943), dirigido pelo mestre dos musicais, Busby Berkeley. Os musicais de Berkeley eram famosos por seu espírito inovador e sua maestria com a câmera, e o papel de Carmen Miranda como Dorita caracterizou definitivamente sua carreira como “The Lady in the Tutti Frutti Hat” (título de uma das canções de Carmen no filme). Este foi o primeiro filme em cores dirigido por Berkeley, cujos números musicais extravagantes receberam elogios da crítica.

Carmen Miranda em uma foto publicitária para Uma Noite no Rio, de 1941.

Carmen Miranda, Don Ameche e Maria Montez em Uma Noite no Rio, de 1941.

Carmen Miranda em Aconteceu em Havana, de 1941.

Carmen Miranda com Betty Grable, Cesar Romero, Charlotte Greenwood, e John Payne em Minha Secretária Brasileira, de 1942.

Carmen Miranda com Phil Baker e Alice Faye em Entre a Loira e a Morena, de 1943.

Seus filmes seguintes na Fox não foram grandes sucessos. “Serenata Boêmia” (Greenwich Village, 1944), dirigido por Walter Lang, e que a reuniu mais uma vez com Don Ameche, já não mostrou a mesma química de antes, mesmo assim Carmen roubou a cena com seus números musicais “I’m Just Wild About Harry”, “I Like to Be Loved by You” e “Give Me a Band and a Bandana”. Em “Alegria, Rapazes!” (Something for the Boys, 1944), uma comédia baseada em um musical de sucesso da Broadway do ano anterior, com música e letras de Cole Porter, percebe-se principalmente o descaso do estúdio que selecionou um aparato de produção inferior aos filmes anteriores de Carmen. Mesmo assim, ela brilhou em seus números solos “Batuca Nêgo” e “Samba Boogie”.

Em 1945, Carmen Miranda era a mulher mais bem paga dos Estados Unidos, segundo o Departamento do Tesouro, ganhando mais de 200 mil dólares no ano. Curiosamente, as personagens interpretadas por ela nesses filmes não eram identificadas como brasileiras, mas sim latino-americanas, de modo genérico e indefinido. A essa altura Carmen já havia se instalado nos estados Unidos e frequentava as festas e eventos mais badalados aparecendo ao lado da elite de Hollywood da época. Como convinha a uma estrela, morava em Beverly Hills, na Califórnia.

Carmen Miranda em uma foto publicitária para Serenata Boêmia, de 1944.

Carmen Miranda, Vivian Blaine, Stephen Dunne e Dennis O’Keefe em Sonhos de Estrela, de 1945.

Sua carreira perdeu fôlego após a Segunda Guerra Mundial, com sua imagem exótica atraindo mais a atenção do que seus dons para a música e a atuação – uma visão estereotipada da cultura brasileira criada por Hollywood e rejeitada por puristas brasileiros com o qual ela precisou lutar pelo resto da carreira. A Fox também pareceu perder o interesse nela. Em vez de aparecer em luxuoso e vibrante Technicolor, Carmen foi vista em um monótono preto e branco em “Sonhos de Estrela” (Doll Face, 1945), no qual ela recebeu apenas o quarto faturamento e aparece em um único número musical, “Chico Chico (From Porto Rico)”, ao lado do Bando da Lua. O filme foi uma decepção nas bilheterias e seu filme seguinte, “Se Eu Fosse Feliz” (If I’m Lucky, 1946), também não fez sucesso. Seu contrato com a Fox já estava terminado quando o filme estreou com críticas negativas.

Carmen tentou dar um novo rumo à sua carreira no cinema como atriz freelancer, e aceitou estrelar ao lado de Groucho Marx a comédia da United Artists “Copacabana”, de 1947, no qual ela interpreta dois papéis distintos: o da loira Mademoiselle Fifi e o da cantora brasileira Carmen Navarro. Apesar do sucesso e das críticas favoráveis, Carmen continuava presa ao estereótipo pelo qual ela se notabilizou. Em “O Príncipe Encantado” (A Date With Judy, 1948), produção da Metro-Goldwyn-Mayer, Carmen aparece em várias cenas sem seus figurinos de baiana e com mais oportunidades de exibir seus talentos como atriz. O filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria do ano, ajudando a manter o nome da artista em alta em Hollywood. O final da década marcou o retorno de Carmen aos shows, com a artista se apresentando em turnê nos Estados Unidos e Europa.

Carmen Miranda, Jane Powell, Xavier Cugat e Elizabeth Taylor em O Príncipe Encantado, de 1948.

Carmen Miranda em Romance Carioca, de 1950.

Carmen Miranda e Frank Fontaine em Romance Carioca, de 1950.

Ela retornou à Hollywood em 1950, mas o musical “Romance Carioca” (Nancy Goes to Rio), uma refilmagem de “It’s a Date” (1940), não fez o sucesso esperado, mesmo filmado em Technicolor e com um elenco encabeçado por Ann Sothern, Jane Powell, Barry Sullivan e Louis Calhern. Seu filme seguinte, a comédia da dupla Jerry Lewis & Dean Martin, “Morrendo de Medo” (Scared Stiff, 1953), marcou o fim da carreira de Carmen Miranda em Hollywood. Além de servir para uma imitação constrangedora de si mesma feita por Lewis, a maioria das cenas de Carmen no filme foram cortadas na sala de edição. Ela aparece ao lado de Lewis e Martin em dois números musicais pouco inspirados, “Bongo Bingo” e “Enchiladas”.

Foram 14 anos sem pisar no Brasil, para onde voltou, em férias, em dezembro de 1954. Carmen estava casada com David Alfred Sebastian, um empregado de estúdio que ela conheceu durante as filmagens de “Copacabana” (eles se casaram em 17 de março de 1947) mas estava enfrentando problemas conjugais com o marido, que era alcóolatra e a agredia, humilhava, gerenciava seus contratos e possivelmente foi o responsável por atirá-la ao alcoolismo. Durante uma consulta médica, ela foi diagnosticada como dependente química — desde seu início em Hollywood, Carmen abusava constantemente de barbitúricos para suportar a carga de trabalho extenuante — e seu médico decidiu submetê-la a um tratamento de desintoxicação de quatro meses em uma suíte do hotel Copacabana Palace. Ela voltou aos Estados Unidos somente em abril de 1955.

Carmen Miranda e David Sebastian, ao assinarem a certidão de casamento em Los Angeles, em 1947.

Carmen Miranda ainda faria uma turnê em Las Vegas e em Cuba e receberia uma proposta do canal CBS para ter um programa semanal na TV, “The Carmen Miranda Show”, que seria coestrelado por Dennis O’Keefe, em um formato semelhante ao de “I Love Lucy”. No dia 4 de agosto de 1955, ela gravou sua participação no programa de Jimmy Durante, na NBC, sendo esta a sua última aparição pública. Na manhã seguinte, Carmen Miranda foi encontrada morta no corredor de sua casa em Beverly Hills, vítima de um ataque cardíaco. Seu médico afirmou que a artista não tinha histórico de problemas cardíacos e que, além de uma breve bronquite nas últimas semanas, ela se encontrava em perfeita saúde.

Dos catorze filmes que Carmen Miranda fez nos Estados Unidos entre a década de 1940 e a década de 1950, nove deles foram somente na 20th Century Fox. A artista passou anos enfileirando um projeto atrás do outro. Foi uma fase de filmes que tinham um fio de enredo criado apenas como pretexto para encadear números musicais e explorar sua persona extremamente popular. Carmen Miranda ajudou a definir os anos 30 e 40 como nenhuma outra artista com sua incrível versatilidade, sua onipresença, seu gigantismo nos palcos ou diante das câmeras. A exuberância com que apresentava seus números musicais, sua voz inconfundível e sua presença cênica marcaram para sempre o mundo teatral, musical e cinematográfico.

Carmen Miranda e Groucho Marx em Copacabana, de 1947.

Carmen Miranda, Groucho Marx e Gloria Jean em Copacabana, de 1947.

Sua morte súbita em 5 de agosto de 1955, aos 46 anos, provocou uma comoção mundial. O anúncio de sua morte precipitou um Carnaval solene e fora de época no Rio de Janeiro que ela tanto amava. Nem bem a notícia chegou ao Brasil, todas as emissoras brasileiras passaram a tocar hits eternizados pela Pequena Notável: “Taí”, “Disseram que Voltei Americanizada”, e “O que é que a Baiana Tem?”, tão alegres e carnavalescas, mas que comunicavam a tristeza que permeava a nação. Quem contou a história foi o jornalista Ruy Castro em “Carmen – A Vida de Carmen Miranda, a brasileira mais famosa do século XX” (Companhia das Letras, 2005), a mais completa e detalhada biografia a respeito dessa mulher que, nascida em Portugal e alçada ao estrelato internacional nos Estados Unidos, onde viveu e morreu, e acabou se tornando o maior símbolo da cultura brasileira, a primeira e única Brazilian Bombshell.

Segundo desejo de Carmen, ela foi enterrada no Rio, no cemitério São João Batista. De acordo com “Carmen Miranda foi a Washington” (Record, 1999), escrito pela jornalista Ana Rita Mendonça, 12 igrejas do Rio celebraram missa de sétimo dia em memória da artista. O caixão chegou ao país apenas na semana seguinte e, na noite do dia 12 para o 13 de agosto, houve um velório aberto na Câmara dos Vereadores. “Alguns se chocaram com o fato de Carmen estar vestida de vermelho, penteada e maquiada; outros se encantaram com isso — em Hollywood, até a morte era em Technicolor!”, escreveu Castro.

“Por toda a noite de 12 para 13 de agosto, o Rio desfilou em silêncio diante de Carmen. E gente de outras cidades, usando todos os transportes disponíveis, veio se despedir dela”, continuou o jornalista: “Nem o frio da madrugada afugentou seus adoradores”. Membros da Velha Guarda, como Pixinguinha, Donga, João da Baiana e outros companheiros, tentaram tocar “Taí” para saudá-la pela última vez, postados nas escadarias da Câmara. Não conseguiram. “As gargantas se fechavam, o saxofone e a flauta não produziam som, a emoção era muita”, descreveu Castro. A marchinha acabou sendo entoada por um coro de mais de 50 mil vozes de populares que compareceram ao velório. Em dado momento, o cortejo rumo ao cemitério, em carro de bombeiros, foi seguido por um caminhão de som que tocava as músicas de Carmen. O último percurso da estrela, assim, foi como os fãs gostavam de vê-la: com música, muita música. O país inteiro queria se despedir da mais famosa artista brasileira de todos os tempos.

Carmen Miranda não teve filhos. Na década de 1930, manteve um relacionamento amoroso com o músico Aloysio de Oliveira, integrante do Bando da Lua, de quem chegou a engravidar, mas fez um aborto, pois estava no auge de sua carreira e não queria ter filhos no momento. Mais tarde, ela chegou a fazer diversos tratamentos até conseguir engravidar, mas sofreu um aborto espontâneo em 1948 que a deixou estéril. Isso agravou suas crises de depressão, levando-a a um uso excessivo e descontrolado de bebidas, cigarros, antidepressivos, ansiolíticos e calmantes. Ela teve romances com o ator mexicano Arturo de Córdova, os atores americanos John Payne e Dana Andrews, e com o produtor de cinema brasileiro Carlos Niemeyer, primo do arquiteto Oscar Niemeyer e criador do popular cinejornal Canal 100.

Entre suas conquistas mais importantes, Carmen Miranda foi a primeira artista latino-americana a ser convidada a imprimir suas mãos e pés no pátio do Grauman’s Chinese Theatre de Hollywood, em 1941. Ela também se tornou a primeira sul-americana a ser homenageada com uma estrela na Calçada da Fama. Em 20 anos de carreira Carmen deixou sua voz registrada em 279 gravações somente no Brasil e mais 34 nos EUA, em um total de 313 canções. Sua influência é notável até os dias de hoje, e ela foi uma das figuras inspiradoras do Tropicalismo dos anos 60.

Carmen Miranda imortalizando a marca de suas mãos e pés no Grauman’s Chinese Theatre, em 1941:

Fonte: Wikipedia, G1

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora