Vejam hoje, na RTP 2, o primeiro de três programas sobre a Diabetes e o centenário da APDP - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal.
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notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa
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Um dia de 1975, com Carlos Eurico da Costa, fui visitar João Abel Manta ao seu atelier. Fomos pedir-lhe que desenhasse um cartaz para a Associação de Amizade Portugal-Polónia, de cuja direção ambos fazíamos parte. Embora nos confessasse estar a transbordar de trabalho, Abel Manta teve a amabilidade de construir um belo poster, em que se observa um camponês português abraçado a um polaco, um pouco ao jeito de uma outra imagem, muito conhecida, que celebra a "aliança povo-MFA". Não consegui encontrar o meu exemplar do cartaz da Associação (... mas um leitor atento sim).
João Abel Manta morreu agora, com 98 anos.
Não me vai ser fácil, como sportinguista, habituar-me a berrar da bancada de Alvalade: "Força, Zalazar!" Mas, depois, lembro-me do Góis Mota e do Cazal Ribeiro e tudo passa...
O Álvaro – "Alvarito" era como a minha mãe lhe chamava, conhecendo-o de infância – era um vila-realense "exilado" em Lisboa, de onde escrevia umas crónicas para "A Voz de Trás-os-Montes" que, a certa altura, tinham o óbvio ante-título "De Lisboa, com saudades..."
O Álvaro morava algures na Linha, creio que em Paço de Arcos. Um dia, jantámos num pequeno jardim traseiro dessa sua moradia. Ali plantado em lugar de destaque, estava um candeeiro de rua, que me dizia alguma coisa. O Álvaro esclareceu: "Sabes de onde era este candeeiro? Da Avenida Carvalho Araújo" – a artéria mais conhecida de cidade.
"Onde diabo arranjaste isso?", perguntei. Explicou-me que lhe fora oferecida por alguém da vereação da Câmara, por ocasião de uma renovação do material de iluminação urbana. "Que te foi oferecido, não tinha a mais pequena dúvida! Tu nunca comprarias o lampião!", disse eu, numa implícita referência à forretice histórica do Álvaro.
Porque é que agora falo do candeeiro do Álvaro?
Foi ao olhar a jovem árvore de que deixo a imagem, que tenho num vaso na minha casa em Lisboa, que me veio à ideia esse marco de saudade do Álvaro. É que esta árvore também tem por detrás uma história de memória afetiva.
Nas noites quentes da primavera e do verão, na Vila Real da minha juventude, o cheiro das tílias, em especial no Jardim da Carreira, tinham esse bom odor em fundo.
Há meses, pedi à empresa que me trata do jardim que me arranjasse uma tília para ter aqui em casa, em Lisboa. Queria recuperar aquele cheiro antigo. O processo foi demorado, protestei várias vezes e, finalmente, lá chegou a ansiada tília. Esteve nua durante o inverno, ganhou agora umas folhas, mas, para meu desespero, permanece inodora. E, claro, no aspeto, não lembra nada as tílias da minha juventude.
O candeeiro do Álvaro tinha luz e recordava a esquina da Gomes. Cheira-me que esta minha pobre tília não vai convocar nunca quaisquer saudades de Vila Real. "Tens um bom remédio para matar saudades: vem cá acima!", já estou a ouvir alguns amigos dizerem.
Há dias, em Estocolmo, o proprietário do restaurante "The Hills" — uma excelente opção para jantar, já agora — confessou-me a admiração que tem pelo trabalho de José Avillez. Disse-lhe que o acompanhava inteiramente nesse apreço.
Falámos da forma como ele tem vindo a multiplicar casas em Lisboa e arredores — e no Porto, em Macau e no Dubai — com uma oferta diferenciada e de qualidade sempre consistente. Uma expansão que impressiona pela escala e pela coerência.
Conheci José Avillez há muitos anos, num restaurante que tinha em Cascais. Depois, reencontrei-o quando teve a seu cargo a cozinha do "Tavares". E fui acompanhando, ao longo do tempo, a construção da sua verdadeira galáxia gastronómica. Estive em muitos restaurantes da "marca" Avillez, desde logo no renomado "Belcanto" (nos seus dois endereços próximos), mas não estou seguro de me ter sentado em todas as suas múltiplas mesas em Portugal.
Ao meu interlocutor sueco, que me disse visitar Portugal com regularidade, deixei uma sugestão para a próxima vez: o "Maré", no Guincho. Uma proposta diferente, com o mar à frente e a cozinha à altura.
A conversa fechou com uma observação minha: “Não sei como é que ele consegue sustentar esta atividade simultânea tão intensa, sempre sem perder a qualidade!"
Acabo de ver na imprensa a resposta à minha pergunta: José Avillez já chegou a ser hospitalizado por exaustão. O excesso de atividade cobra sempre a sua fatura.
José Avillez é alguém que tem feito imenso pelo prestígio da gastronomia portuguesa — detentor de duas estrelas Michelin pelo "Belcanto", há já vários anos — e a quem a Academia Portuguesa de Gastronomia, cuja direção integro, tem procurado fazer a justiça que entende merecida.
O sectarismo é a doença senil do comunismo português em decadência. A nota divulgada sobre a morte de Carlos Brito entristece quantos, como eu, mantêm um imenso respeito pela gloriosa luta do partido contra o fascismo, de que Carlos Brito fará para sempre parte, queira ou não o atual PCP.
Não pode haver nada mais humilhante para uma liderança em Moscovo do que o facto de ser obrigada a deixar patente à população russa a sua incapacidade de garantir a segurança na Praça Vermelha durante o desfile do 9 de Maio.
Depois de um "landslide" eleitoral espetacular, cavalgando o desastre conservador, Keir Starmer desbaratou, em muito pouco tempo, uma esmagadora maioria absoluta (onde já vimos isto?). O Reform, de Nigel Farage, capitaliza esse descalabro. Virá aí um bipartidarismo de novo tipo?
A América é, a longa distância, o país militarmente mais poderoso do mundo. E, por hora, também o é economicamente. Contudo, com a agressividade arrogante que está a projetar, a todos os azimutes, os EUA estão a destruir com rapidez o seu "soft power" como potência democrática.
Quando alguém recebe essa ordem, a corte sueca manda pintar um escudo com o brasão de armas desse novo Cavaleiro.
Imaginem quem hoje fui descobrir como novo Serafim, com um brasão de armas à maneira.
O facto de Trump dizer e depois desdizer o que acabou de dizer, sem reconhecer que se está a contradizer, não retira importância àquilo que vai dizendo. Porém, quem o ouve já não toma nada do que ele diz por definitivo, porque sabe que a palavra de hoje não obriga a de amanhã.
O dia está a acabar. Desde manhã, andei numa roda-viva. Muito para fazer, muito que ainda ficou por fazer. Algumas chatices pelo meio, mas a vida, sem elas, nem tinha a graça que tem. E também houve bons momentos no dia: uma excelente meia-desfeita ao almoço, em casa, uma conversa muito interessante no "Expresso", para um podcast, um belo espetáculo de música na Gulbenkian, a fechar o dia. Um dia que está a acabar, como a acabar estava a oportunidade de escrever aqui um post. Ou alguém julgaria que 4 de maio de 2026 seria o primeiro dia em branco deste blogue, desde que abriu portas, a 2 de fevereiro de 2009?
Não me apanham nessa.
Curiosamente, muito raramente vejo alguém recordar que, em Tóquio, os vencedores da guerra sobre o Japão montaram um tribunal idêntico, dessa vez com magistrados de 11 países (além dos anteriores, nele estiveram a Austrália, a China, o Canadá, as Filipinas, a Índia, a Nova Zelândia e a Holanda). Sete condenações à morte, por enforcamento, foram determinadas nesse julgamento que durou dois anos e meio.
O "Nuremberga" de Tóquio iniciou-se em 3 de maio de 1946. Faz hoje precisamente 80 anos.
Contive-me – e arrependi-me. Uma parva, na estação de serviço da Domingos Sequeira, quando o empregado chamou o próximo cliente, passou descaradamente à frente de um entregador da Uber, como se esse fosse o seu direito natural. O nepalês, atarantado, não reagiu. No 1° de Maio!
Com o Chega a condicionar a aprovação do pacote laboral à aceitação da peregrina ideia de reduzir a idade da reforma, tudo se compõe: como esta proposta é irresponsável, fica assim inviabilizada a desnecessária alteração à legislação do trabalho. Tudo está bem quando acaba bem.
Dois colegas dessa mesma carreira, Paula Leal da Silva e eu, fizémos, cada um à nossa maneira, a apresentação da obra.
Comprem e divirtam-se, porque as histórias valem bem a pena.
Aí está agora o livro, "Memórias de Abril - um roteiro dos textos da Revolução", com contribuições do próprio, de Guilherme Oliveira Martins e de Maria Fernanda Rollo.
Neste tempo em que se fecham aa comemorações do meio século da Revolução e da Constituição de 1976, esta é uma obra que se tornará essencial para melhor interpretar os debates e os combates que então tiveram lugar, a caminho da liberdade que hoje vivemos.
O lançamento é hoje, quarta-feira, 29 de abril, às 18.30 horas, na FNAC da Avenida de Roma (antiga Barata). O livro tem edição da "Tinta da China".
São poemas desse período e outros escritos em 2023 que constituem este volume, cujo título, com o seu quê de irónico, havia sido escolhido pelo próprio Nuno.
Fico espantado pela crença, que vejo espelhada nas redes e nos media, de que o discurso do rei inglês em Washington é da sua lavra e responsabilidade pessoal. Revela um triste desconhecimento de como funcionam as instituições britânicas.
O meu pai dizia muitas vezes: "Céu sachado, chão molhado". Não sei se vai chover ao não, mas achei que não podia perder esta imagem de nuvens de fim de tarde.
Até hoje, nunca gastei um tostão (devia dizer um cêntimo, eu sei) com nenhuma rede social, nem fiz nenhum "upgrading" nos sites de IA que utilizo. Mas cada vez mais desconfio de que, mais dia menos dia, vou acabar por ajudar à festa financeira dessa gente.
Trump é o que é — e, já sabemos, com Trump e o seu pessoal, tudo é possível. Contudo, é capaz de ser sensato admitir a possibilidade do incidente de ontem ter sido mesmo uma tentativa de atentado. Pode não dar jeito à simpática narrativa anti-Trump, mas pode ser verdade...
Mas, confesso, é um pouco estranho este tipo de reação, 52 anos depois.
Caramba, tanto tempo? Aquilo não é o CCB! Há tempos comentei o assunto com a vizinhança. Alguém disse: "A obra teve muitas paragens. Parece que é falta de pessoal!" Pensando bem, a falta de pessoal para as atividades é, apesar de tudo, um pouco melhor do que a falta de emprego para quem o não tem.
Há uns anos, numa rua de Vila Real, eternizou-se um buraco, com gradeamento à volta, impedindo a passagem. Foram muitas semanas. Alguém inquiriu junto da Câmara da razão do atraso e a resposta foi: "O pessoal foi para as vindimas.."
"Ai Portugal, Portugal,", como canta o Jorge Palma.
Vejam hoje, na RTP 2, o primeiro de três programas sobre a Diabetes e o centenário da APDP - Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal...