2025/10/14
2025/06/25
2025/06/14
Seis dias que não mudaram o mundo
ataque aéreo de Israel perto do Hospital Augusta Victoria
Em Junho de 1967, teve lugar a chamada "guerra dos seis dias".
Socorro-me da Wikipédia:
No final [desta] guerra, o Estado de Israel controlava toda a área que a ONU havia proposto para um estado judeu, bem como quase 60% da área proposta para um estado árabe, incluindo as áreas de Jaffa, Lida e Ramle, a Alta Galileia, algumas partes do Neguev, a costa oeste até a Cidade de Gaza e uma ampla faixa ao longo da estrada Tel Aviv-Jerusalém. Israel também assumiu o controlo de Jerusalém Ocidental, que deveria fazer parte de uma zona internacional para Jerusalém e seus arredores. A Transjordânia assumiu o controlo de Jerusalém Oriental e do que ficou conhecido como Cisjordânia, anexando-a no ano seguinte. O território conhecido hoje como Faixa de Gaza foi ocupado pelo Egipto.
As expulsões de palestinos, que haviam começado durante a guerra civil, continuaram durante a guerra árabe-israelita. Centenas de palestinos foram mortos em múltiplos massacres, como os ocorridos nas expulsões de Lida e Ramle. Esses eventos são conhecidos hoje como Nakba (em árabe, "a catástrofe") e foram o início do problema dos refugiados palestinos. Um número semelhante de judeus mudou-se para Israel durante os três anos seguintes à guerra, incluindo 260 000 que migraram, fugiram ou foram expulsos dos estados árabes vizinhos. (https://en.wikipedia.org/wiki/Six-Day_War#)
Eu tinha acabado de fazer 18 anos e lembro-me bem da reacção de alguns (poucos) amigos e conhecidos da altura, uns quantos, inclusive, que tinham continuado a « estudar », portanto, já na faculdade. Em vésperas, pois, do Maio de 68, da crise académica de 69, do II Congresso de Aveiro, etc., exultavam com a golpada dos israelitas e ficaram em puro êxtase com o "brilho" da operação militar. Tudo isto enquanto se preparavam, caninos, para se irem bater pelo império. Pormenor não menos importante: a imprensa oficial da altura (de um modo geral), em especial a RTP, que já tinha um enorme ascendente sobre a comunicação no país, seguiu este tom laudatório.
Quase 60 anos depois, 51 anos depois do 25A e de, suposta, Democracia, continuamos na mesma.
Convenhamos: algo falhou redondamente.
2025/05/26
A parolice no poder
A publicação Página Um chama a atenção, na sua edição de 23/5, para um caso grave de incompatibilidade com a Língua Portuguesa. Algo que se passa lá longe, no Japão, a uma distância suficientemente confortável, para que a generalidade dos portugueses dela não tenha conhecimento.
Conta Pedro Almeida Vieira, o autor da revelação, que « na Exposição Universal de Osaka, em pleno 2025, (…) fiquei estupefacto com uma constatação: o pavilhão de Portugal optou por apresentar-se ao mundo sem uma única mensagem em português. Nas projecções que “recebem” os visitantes, apenas se lêem mensagens em japonês e inglês. Presumo que a palavra Portugal apareça como Portugal porque assim se escreve em inglês. »
O feito é da responsabilidade da AICEP, que coordena a presença do país neste evento.
O artigo pode ser lido, na totalidade, aqui.
No auge das nossas relações com o Japão, o japonês incorporava cerca de 4000 palavras de origem portuguesa. Hoje ainda são umas largas dezenas. A maior parte dos japoneses não o saberá, mas usa-as. Quem sabe, nas tais legendas que agora podem ser lidas, haverá alguma palavra japonesa com origem no português. Os portugueses, esses, desprezam a sua língua.
É a isto que estamos condenados: ter um bando de ignorantes (chamemos-lhes assim…) a gerir o país como se fosse um centro comercial, daqueles que proliferaram por aí, em determinado período fatídico da nossa história, mal iluminados, em que metade das lojas está fechada e a outra é constituída por uma padaria, um canto onde uma costureira arranja bainhas, um balcão vende cafés e salgados oleosos, outro vende tabaco e raspadinhas, ainda outro vende capas e cartões para telemóveis e mais coisas do género. Piroso, pretencioso, mesquinho, inútil, ignorante.
Este lindo serviço custou 26 milhões de euros, pagos pelo tuga, mas de onde o português foi banido. Com o beneplácito de um organismo que devia promover a presença do país no estrangeiro. Está nos estatutos. Estes dizem que a AICEP "tem por objeto o desenvolvimento e a execução de políticas estruturantes e de apoio à internacionalização da economia portuguesa." Obviamente que o deveria fazer través de todas as ferramentas essenciais, a começar pela língua. Ignorá-lo, silenciá-la deste processo, é isso mesmo: é ser ignorante. Onde fica Portugal em tudo isto?
Um nojo.
2025/04/27
2024/12/04
Costa Desgosta
2024/11/13
O governo X
Soube-se hoje que Elon Musk e Vivek Ramaswamy, um antigo candidato presidencial republicano, foram nomeados por Donald Trump para liderar um "Departamento de Eficiência Governamental", uma entidade que, como Trump fez questão de precisar, irá operar "fora dos limites do governo," abrindo “o caminho para que o meu governo desmantele a burocracia governamental, reduza o excesso de regulamentações, corte gastos desnecessários e reestruture as agências federais”.
A Forbes, essa Variety do mundo da multimilionaridade, diz que, ao dia de hoje, Musk é o homem mais rico do mundo, com uma fortuna avaliada em 308,1 mil milhões de dólares. Vai fazer parte desta entidade que irá operar fora dos limites do governo, para cortar excessos. Esperemos que se entusiasme e corte o excesso obsceno que constitui a sua fortuna pessoal.
Os outros multimilionários (só as fortunas dos 10 primeiros totalizam 1817,2 mil milhões de dólares), que fazem parte da lista da Forbes, de acordo com os critérios que norteiam a sua elaboração, não deixarão, certamente, de estar atentos e vão querer intensificar a sua legítima luta por um corte equitativo de excessos, fora dos limites dos respectivos governos. Dispõem agora deste modelo dos "Departamentos de Eficiência Governamental", que se vai, certamente, revelar muito útil. Não se percebe por que razão ninguém se lembrou disto antes e esta gente teve de sofrer tanto tempo, tantos vexames e injustiças, sendo obrigada a conviver com tantos excessos e sendo, por vezes até, vítima de alguns governos, que, para sua desgraça, procuraram operar dentro das margens.
E para que não se diga que não há democracia e falta de oportunidades neste mundo da multimilionaridade, o mutimilionário nº1, Musk, vai ser chefiado pelo multimilionário nº 587, Trump. Cuja fortuna, refira-se, por curiosidade, até está abaixo daquela da muito nossa família Amorim, nº 582, que, esperamos, não deixe de participar também na cruzada.
Para Marte, em força!
2024/11/06
A minha opinião sobre as eleições na América
A Democracia trouxe com ela a possibilidade de exprimir a nossa opinião, dentro de determinados limites, impostos pelos próprios princípios democráticos. Hoje, no rescaldo das eleições americanas, chovem os comentários de todos os lados. Toda a gente pensa que tem, e tem, de facto, direito a largar a sua sentença sobre o tema. Infelizmente, a esmagadora maioria não faz a mais pálida ideia sobre o que está a falar, mas fica toda contente porque tem esta prerrogativa que a Constituição lhe confere. Na melhor das hipóteses, acaba por desservir uma análise correcta dos factos, mas ajuda a aumentar ainda mais o ruído insuportável a que estamos habitualmente sujeitos.
Ora, como vivemos em Democracia, como sublinhei no princípio, também eu tenho direito a contribuir para o barulho. Eis, pois, o que penso sobre a eleição americana.
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Claro que estou aberto a debate. Vamos ao contraditório...
2024/10/11
Os tarados
Não há margem para dúvida. Se, anteriormente, houve casos em que a atribuição do Nobel da Paz suscitou as maiores reservas (a dupla Obama-Al Gore, Kissinger, por exemplo, entre outros,) o significado do Nobel da Paz 2024 não tem outra interpretação.
A atribuição do Nobel 2024 a uma instituição dedicada aos sobreviventes dos genocídios de Hiroshima e Nagasaki, a Nihon Hidankyo, que hoje pugna também pelo desarmamento, em particular, pelo fim do arsenal nuclear, contém uma mensagem inequívoca dirigida aos tarados que liquidaram a vida de cerca de 300 000 seres humanos, a maioria deles, civis. Uma vergonha sem precedentes. Os bombardeamentos das duas cidades japonesas pelos americanos constituem o único caso de uso de armamento nuclear num conflito armado.
É claro que muitos tarados continuam hoje a falar impunemente da utilização de armamento nuclear, a instalá-lo por todo o lado e a ameaçar com o seu uso, tripudiando sobre os tratados de não proliferação deste género de armamento. Embora estejam absolutamente conscientes dos efeitos que esse uso possa ter.
Mas os únicos que se atreveram, de facto, a detonar bombas nucleares foram os americanos. É um facto cujas consequências os mesmos trataram de apagar através das campanhas de lavagem ao cérebro que tão bem dominam.
O Nobel 2024 é uma condenação inequívoca dos Estados Unidos pela sua conduta. Não há branqueamento possível.
2024/09/20
Portugal 2.0
Tirando alguns, contributos que têm, de facto, interesse para a humanidade, sobretudo no domínio da ciência e das artes, o legado dos EUA no mundo é, sobretudo, de destruição. Os contributos positivos empalidecem perante a barbárie made in USA. Entre as bolhinhas de gás e as toneladas de aspartame das coca colas e quejandos e os cogumelos nucleares, fica um rasto de destruição soft e hard, que nos envergonha como espécie. Gradualmente, o “American way of life” estendeu-se aos quatro cantos do império. De alguns dos piores aspectos deste “way of life,” não muitos, mas alguns significativos, Portugal esteve preservado até há pouco tempo.
Depois do S. Valentim, do Halloween, dos doughnuts, dos jeans, dos sneakers, t-shirts e skates, do Portugal got talent e do bracinho pousado em cima do peito durante a execução do hino nacional, finalmente, os atentados nas escolas entraram-nos também pela porta adentro. Já ascendemos a este novo patamar civilizacional. Estamos na crista da onda. Apanhámos o comboio tarde, como é costume, felizmente, mas já viajamos nele. A alta velocidade chegou aqui primeiro..
Não é de admirar. A violência a que as crianças têm sido expostas desde tenra idade, dos aparentemente anódinos desenhos animados made in USA, até às brutalidades inacreditáveis exibidas em milhares de filmes, séries, no infotainement, esse conceito obsceno, e mesmo, pasme-se!, de muitos, aparentemente, inocentes videojogos — alguns dos quais são, na sua aparente inocência, de uma violência inaudita — teriam, mais cedo ou mais tarde, de permitir expor às escâncaras, as feridas que vão produzindo subtilmente. Esta nefanda americanização tem décadas. Intensificou-se, e de que maneira, infelizmente, nestes últimos anos, à medida que o império mostra sinais evidentes de decomposição, estrebucha e corre para frente na sua loucura assassina.
A violência banalizou-se e a resolução de problemas a tiro, à facada ou à pedrada, tornou-se um meio de actuação, quase que se diria, legítimo. Os maus exemplos vêm, não de um povo "primitivo," mas de um povo que se pretende sofisticado, senhor da sua independência, pretenso farol da democracia e dos bons princípios. Séculos de civilização vão, assim, pelo cano abaixo, sem que a maioria das pessoas se pareça importar demasiado.
Tenho sugerido, frequentemente, a amigos e conhecidos de circunstância que façam este simples exercício: peguem no controlo remoto da televisão e façam uma passagem aleatória, rápida, pelos canais de filmes e séries, em momentos diferentes do dia. Repitam o exercício e tomem nota da quantidade de cenas desses breves flashs que contêm cenas com com armas, sangue ou pancadaria. Vão ficar surpreendidos. É inevitável que este massacre audiovisual deixe marcas. Juntem-lhe o massacre informativo, as condições de vida miseráveis, morais e materiais, em que a maior parte das pessoas vive hoje, as desigualdades, a mentira, a hipocrisia, o patético vazio da vidas da esmagadora maioria das pessoas, a desavergonhada barrage informativa (veja este exemplo, de hoje) e está criado o caldo de cultura para que surjam cenas como esta que se passou na escola da Azambuja. Não vai certamente ficar por aqui, agora que foi vencida a última barreira que “legitimou” esta acção infeliz.
Portugal 2.0! Os upgrades vão-se seguir, certamente, a um ritmo mais intenso do que o da saída de novos modelos do iPhone…
2024/07/26
A insustentável leveza da hipocrisia
Confesso que nunca mais me lembrei do assunto. Mas hoje a curiosidade levou-me a tentar confirmar o que se passa no domínio das exclusões. Israel foi autorizado a participar, depois de ter liquidado (tenho a certeza que de forma pouco desportiva) centenas de atletas palestinianos.
Quando fui confirmar a lista de países participantes (já que pela transmissão da televisão essa informação não pareceu clara) veio nova surpresa: a Rússia e a Bielorússia foram banidas dos JO2024. A alternativa engendrada pelo COI foi a de convidar atletas dos dois países, a título individual, com o estatuto de Individual Neutral Athletes, com bandeira e hino próprios. Isto depois de passarem uma série de complicadíssimos testes. De apenas 60 atletas convidados, uns meros 15 aceitaram o vexame. Habitualmente, as delegações destes países incluem centenas de atletas, entre eles alguns dos mais valorosos nas respectivas modalidades.
A delegação israelita inclui o atleta Peter Paltchik, "que assinava bombas lançadas contra os palestinianos com a frase “de mim, com prazer”". Hoje lá estava uma delegação israelita e uma delegação palestiniana, a passar na bizarra cerimónia de abertura no Sena. Russos e ucranianos não poderão competir em paz e em espírito desportivo.
Que ganhem os melhores.
Assim vai o mundo...
2024/07/25
O carniceiro de Telavive
Se dúvidas houvesse sobre para que lado pende o poder americano, seja qual for, na questão da Palestina, basta ver o acolhimento dado ao Netanyahu no congresso americano, ontem e o desvelo com que foi saudado. Dir-se-ia que uma vasta maioria aplaudiu o facínora de pé.
Bastante significativo o desplante dele ao criticar os pouquíssimos congressistas que tiveram a coragem de se manifestar contra o carniceiro de Telavive, exibindo pequenos cartazes com o título que afinal lhe assenta melhor: war criminal. Sabe-se também que 70% dos israelitas o quer fora do poder e muitos acham que esta visita ficou aquém das expectativas, no que respeita à situação dos sequestrados.
E para quem tenha ilusões sobre a próxima eleição dos gringos e ao que a Kamala vem, saibam os mais incautos que não deixa de ser particularmente significativo que ela se tenha apressado a manifestar ontem contra manifestantes que tiveram coragem de chamar a Netanyahu o que ele é: um criminoso de guerra. Hoje, para completar o ramalhete, houve encontro entre ela e o nazi israelita (também com Biden e Trump). Diz ela que não ficará em silêncio perante o que se passa em Gaza. O que raio quererá isto dizer? Vai-se juntar aos manifestantes pró-Palestina a quem hoje ralhou?
Por cá, faz dó ver alguns portugueses a vibrar com a nova candidata, como se se tratasse de política local e a Kamala fosse a nova Wonder Woman.
Basta!
2024/07/13
Um espectáculo de marionetas, de qualidade duvidosa
Claro que não se podemos afirmar que o problema é de hoje, daqui ou dali, em particular. Este que temos perante nós, agora, tem a ver com o apodrecimento crítico do sistema em que vivemos. Nem as palavras que se seguem serão verdadeiramente originais. Gente melhor do que eu e mais bem preparada do que eu, vem repetindo isto há décadas. Estas palavras pretendem ser apenas um desabafo, em consequência de factos recentes.
Assistimos nestes últimos dias a um número de variedades, abrilhantado pela orquestra da chamada "comunicação social", de tal forma nauseante, que nem todo o antiemético produzido no mundo nos pode valer. É, portanto de vómito que vos falo.
Logo a seguir a um debate, amplamente divulgado para todo o mundo, em que vimos um presidente de um país, dito o mais poderoso do mundo (que quer fazer crer aos seus compatriotas que controla a sua recandidatura,) a fazer uma figura tristíssima perante um antigo presidente (que quer, igualmente, fazer crer que controla a sua recandidatura,) voltámos a ver o actual presidente, no encerramento do encontro de uma organização que se auto designa como a força de segurança do mundo, a repetir a mesma triste figura.
Não estão em causa as gaffes. É um assunto sem importância.
Biden está a concorrer, não o esqueçamos, contra o Trump. Trata-se de um corrida entre duas figuras patéticas, uma que, em circunstâncias normais, estaria num lar e outro, que, em circunstâncias normais, estaria na prisão. Mesmo que Biden acabe a ser substituído, esta “corrida,” as suas vicissitudes e a marca que está a deixar, dizem já bem do estado a que chegou aquele país.
Quando ouvimos falar no país mais poderoso do mundo, na economia mais forte, etc. e tal, é bom que a gente se vá lembrando em que mãos esse poder vai acabar a ser entregue. E é bom que não nos esqueçamos que esse poder é delegado pelos oligarcas, que o controlam verdadeiramente. O que revela a sanidade mental e a sua qualidade ética desta oligarquia.
Não há "luta pelo poder." Nenhum desses oligarcas vai perder. Não é por acaso que os fundos para as respectivas campanhas oscilam, para um lado ou para o outro, conforme as conveniências. Ainda há pouco se lia que estará em curso uma canalização dos fundos da campanha democrata para a republicana, perante a iminência de uma substituição e de garantida derrota.
Há o argumento estafado de que esta gente é colocada no poder pelos milhões que neles votam. É um argumento completamente tolo, insultuoso até para quem acredita verdadeiramente na Democracia. Primeiro, porque a escolha que é proposta aos votantes é falsa. Na verdade, não se trata de escolha entre duas candidaturas, mas sim de um condicionamento, meticulosamente executado, que fractura, fazendo crer que os eleitores estão perante duas visões diferentes do poder, mas que provoca divisões e desigualdades fatais, sem sustentação política legítima, entre povos, entre povos e governos e entre governos, pelos quatro cantos do mundo. Depois, e mais importante, porque, seja qual for o resultado, a marioneta de serviço, qualquer que ela seja, vai executar um e um único script. O sistema está totalmente viciado à partida. Não há escolha, não há voto útil, não há representatividade, não há diferentes visões da sociedade, não há debate, não há, em suma, Democracia. Como falamos de fantoches é legítimo falarmos de fantochada. O apoio ou rejeição dos cidadãos a qualquer uma destas candidaturas não faz qualquer diferença e o voto útil é tão fútil quanto o mergulho de Empédocles no vulcão.
Faz parte também da função da marioneta americana, que presta este serviço ocasional, escolher as "nossas" marionetas. Na Europa, a situação ainda é, talvez, pior: escolhe-se by proxy. As "escolhas" que condicionam a vida de todos nós, aqui na nossa terra, são entre duplas de marionetas pré formatadas, manobradas lá de longe, dando uma falsa imagem de luta pelo poder ou, pior ainda, de falsas duplas, co-optadas, como é o caso das estruturas de poder da UE.
As marionetas encarregadas do poder na Europa são, desde há muito, as marionetas escolhidas pelas marionetas americanas. Que foram, recorde-se, escolhidas pelos oligarcas americanos, que não têm qualquer pejo em dar a "escolher" aos americanos um débil mental e um assaltante de estrada. O que diz bem, repito, dos seus valores e da sua sanidade mental. É a eles que, no fim, pagamos a nossa gasolina, os nossos carros, os nossos alimentos, as nossas portagens, é para eles que trabalha a maioria esmagadora da população, que vive nas cidades por eles controladas, nos bairros por eles desenhados, que circula nas estradas por eles construídas para chegar aos empregos por eles criados e destruídos, conforme a sua lógica perversa, que vive a vida na lógica deles, não na sua.
Não há, no mundo, lugar seguro, que nos proteja desta gente.
O resto é netflix, hbo, nyt, noite dos oscars, world series, foxnews, washington post, hollywood, cnn, e muitas outras ficções do género, para distrair o pagode. E futebol! Muito futebol! E quando o futebol vai a banhos, Jogos Olímpicos, para animar a malta e apaziguar conflitos e tensões internacionais...
2024/07/12
A torre de Pisa é bem mais estável...
Ontem, depois de ver aquela charada que foi a conferência de imprensa do presidente americano (obriguei-me a ver o espectáculo deprimente, mas tive de recorrer a um fortíssimo antiemético...), não sabia se havia de rir ou chorar.
O bufão parecia um mau ventríloquo dele mesmo.
Bufão será, mas não nos podemos esquecer, contudo, que se trata de um tipo perigoso, que tem o dedo permanentemente no gatilho.
Não lhe conseguem encontrar alternativa e vai mesmo concorrer, contra… o Trump!
Diz tudo sobre o estado daquela nação.
2024/06/26
A hipocrisia, em episódios
O que se segue vem propósito deste vídeo, que chegou ao meu conhecimento através do meu companheiro de redacção, Rui Mota.
Os russos acabam de ordenar a suspensāo da RTP e dos sites do Público, do Expresso e do Observador. Estamos em 2024.
Desde 2022 (Dois mil e vinte e dois!) que na terra da « liberdade de expressão » os canais russos RT e 1Russia estão bloqueados, por via do Regulamento UE 2022/350. A UE em estado de hipocrisia.
Não há ilusões: de cada lado deste conflito, os canais informativos difundem a informação que lhes interessa. Mas a terra da « liberdade de expressão » deveria, acho eu, dar o exemplo. Cada um de nós que decida. No caso português, aliás, liberdade de expressão é apontada, muito justamente, como uma das conquistas de Abril, depois de décadas de vergonhoso lápis azul. Eu, por mim, gostava de poder escolher as minhas fontes de informação, sem constragimentos. Sobretudo se estou a pagar por um serviço, como é a televisão por cabo. A sensação que dá é a de que os distribuidores de televisão de cabo se transformaram numa coisa a fazer lembrar aqueles restaurantes de prato único. Podes escolher desde que seja o prato do dia.
Ora, na RTP 3, ontem, a apresentadora de um dos serviços noticiosos questionava o correspondente da RTP na Rússia, um tal Evgueni Mouravitch. Perguntava ela, com ar pimpão, ao Evegueni: « Moscovo está a isolar os russos? » E o camarada Evgueni lá foi respondendo dizendo, entre outras coisas, que as pessoas têm medo das câmaras… A Rússia é um país em guerra, se calhar as câmaras não são aquilo que os russos mais temem neste momento. Mas o Evgueni inspira este temor, é sabido.
Portugal, por outro lado, é um país que anda, há muito, apenas numa guerra sem quartel consigo próprio… Permitir ao povo português saber o que se passa no mundo, disponibilizando as ferramentas necessárias para averiguar a fundo todos os lados destes conflitos, que não são nossos, seria um dever elementar. Constitucional, diria até.
Conclusão do camarada Evgueni: a proibição do poderoso broadcaster, instituição a quem toda a comunidade internacional tira o chapéu, tal o seu peso no mundo mediático, que é a RTP, é « propaganda russa, ao estilo da URSS ». A proibição dos canais russos em Portugal é, por seu lado, perfeitamente legítima, certamente, uma ordem dos deuses, reunidos no Olimpo… Poderíamos perguntar, assim, da mesma forma, quem é que a UE quer então isolar, ao proibir a RT e a 1Russia. A RTP em estado de hipocrisia.
O camarada Evegueni fala de tudo isto, com ar grave, mas sofrido, mostrando umas olheiras que lhe conferem um ar apropriadamente amedrontado. Fala de tudo, incluindo das "enormes dificuldades" do seu esforçado trabalho, directo de Moscovo, sem que vejamos, porém, qualquer cano de espingarda apontado à sua cabeça ou um agente do KGB, por detrás dele a sabotar a emissão… E fá-lo há anos. O testemunho do camarada Evegueni está aqui. Aposto que o camarada Evegueni vai ter as suas credenciais renovadas.
Voltando ao vídeo...
Assange está livre. Celebrar a sua libertação passa por perceber a essência do que ele aqui refere. Estas palavras são um complemento do que refiro acima, relativamente à proibição de órgãos de informação, quer do lado da chamada “comunidade internacional” quer do lado da Rússia. Os objectivos são os mesmos, embora a UE, que apregoa outros valores, tenha sido pioneira na tomada desta medida.
O exercício que nos pode levar a perceber melhor as causas dos diferentes confrontos e tentativas de confronto que ocorrem hoje por todo o mundo, não é fácil e esbarra, sobretudo, desde logo, nos imensos preconceitos que cada um de nós carrega. Se entrarmos nele com ideias feitas nunca chegaremos a qualquer conclusão útil. E tudo isto se agrava com a absolutamente intolerável e hipócrita sonegação das ferramentas. Portanto, ouvir estas palavras do Assange e celebrar, ao mesmo tempo, a sua libertação será sempre um acto de repugnante hipocrisia.
A libertação de Assange foi fruto de uma intensa campanha dos povos do mundo. “As guerras são quase todas resultado das mentiras dos média”, diz ele. A falta de solidariedade desses média para com ele, ao longo destes anos explica muita coisa…
2024/03/12
Uma outra leitura urgente das eleições de 10 de Março
Ontem, num dos directos das intervenções finais dos líderes partidários, o cavalheiro, que aqui não vou nomear, que parece ter-se atribuído o papel de capo do “bom povo português” afirmou, com pose estudada e perante o aplauso dos seus pares, que o seu partido reduziu “a extrema esquerda à sua insignificância.” Mas acrescentou, logo a seguir, que conquistou “eleitorado de direita e do centro-direita no centro e no norte do país.” Para ele, a eleição de domingo foi “um ajuste de contas com um país silencioso (…), de muitos que viram a esquerda dominar todas as nossas instituições, sem que houvesse qualquer pensamento crítico ou contraditório.” Disse ainda que “este país cujas instituições foram sequestradas, começará agora a ser libertado, pouco a pouco, em todas as instituições (sic)” E, rematou, “começaremos já amanhã a libertar Portugal da esquerda e da extrema esquerda.”
É preciso ver estas afirmações pelo significado que, efectivamente, têm. Não se trata de conversa fiada. O tom e a pose revelam, sem margem para dúvida, ao que vem.
Não é preciso ser particularmente inteligente para perceber o alcance de tudo isto, o quanto esta conversa cai fora do funcionamento legal dos princípios da República, quem está ameaçado por este posicionamento terrorista e quais as consequências que, a qualquer momento, este palavreado pode ter para a nossa Democracia e para a vida das nossas comunidades. O fundo sonoro da bota cardada ouve-se distintamente. As afirmações do führer de Algueirão, feitas assim, às escâncaras, perante a escandalosa passividade de todos os partidos e instituições democráticas, não podem ficar impunes. E que triste exemplo de modelo nos estamos a permitir a dar à juventude, quando deixamos que uma figura deste calibre se dê ao luxo de se exibir desta forma!
Só há um responsável por termos batido tão baixo na nossa Democracia. Está na foto oficial. Só há um responsável pela total perda de controlo sobre todo este processo. Só há um responsável por termos visto um governo, legitimamente eleito, com maioria absoluta, tombar a meio do seu mandato. Só há um responsável por toda a confusão que está neste momento gerada, que dá azo a intervenções como aquelas que cito no início. E se tudo isto foi, como se diz por aí, instigado por esse responsável, essa manobra inqualificável, no vocabulário político, só tem um significado possível.
A figura, politicamente já toda esfarelada, que habita transitoriamente o Palácio de Belém, tem contas a prestar aos Portugueses. Sem metáforas, sem jogos florais ou malabarismos de linguagem, cumprindo tão somente a Lei. É bom que o faça, e já.
2022/12/21
Imagem real
A imagem que ilustra este artigo é real. É a de um troço do muro exterior de um conhecido hospital da capital do reino, Lisboa. O resto do muro, melhor, o resto das paredes exteriores e interiores deste hospital, tem "acabamento" semelhante. Lá dentro trabalham centenas de profissionais de saúde, que acolhem e tratam milhares de doentes. Parece que estamos numa qualquer cidade vítima de um daqueles bombardeamentos que a gente vê na televisão, pelos quais todos vertem lágrimas de crocodilo e os levam logo a ir pôr bandeirinhas no facebook. Entramos nestes pardieiros (são vários,) temendo o pior e, contudo, lá dentro somos recebidos com uma infinita doçura e com um grau de profissionalismo que comove.
Vergonhosa!!! Vergonhsa é como se pode classificar a acção dos sucessivos governos, relaxados, criminosos, que deixaram chegar isto a este ponto. Vergonhosa é como se pode classificar a atitude da esmagadora maioria dos dirigentes políticos, deputados, autarcas e também de uma data de servidores do Estado, que, pactuando com os governos relaxados e criminosos, andam há muito a montar uma campanha para vender saúde. Querem entregar ou preparam, alegremente, o caminho para entregar esse "negócio" aos "privados". Vergonhosa, é como se pode classificar a atitude de certos
profissionais do sector, que fazem vista grossa a estas condições de trabalho, aproveitando para sacar o seu,
pactuando assim com os governos relaxados e criminosos e com a esmagadora maioria dos dirigentes políticos, deputados, autarcas e de uma data de servidores do Estado. Vergonhosa é como se pode classificar a atitude de uma percentagem da população que embarca nisto, sem perceber o buraco em que se está a meter, pactuando assim objectivamente com os governos relaxados e criminosos e com a
esmagadora maioria dos dirigentes políticos, deputados, autarcas e de
uma data de servidores do Estadoe e certos
profissionais do sector, numa espiral de loucura. Estão todos metidos no mesmo caldinho.
O bem
mais precioso é a saúde, diz-se por aí, sem se pensar certamente no
verdadeiro alcance destas palavras. Lá dentro a coisa não é assim tão arrepiante e badalhoca, mas este exterior dá-nos uma
leitura clara sobre o que significa exactamente a palavra "saúde" e o grau de consideração que merecem os doentes e os seus cuidadores, em Portugal. Olhamos para estes exteriores e percebemos o que vai na alma deste país.
2022/10/08
2022/07/16
O próximo alvo
A publicação electrónica AbrilAbril assinala hoje, como seu "número do dia," que "com 329 votos a favor e 101 contra, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou o projecto de lei do orçamento para a Defesa, relativo ao ano fiscal de 2023, que contempla 840 mil milhões de dólares para despesas militares!
O número até custa a imaginar. Para ter uma noção da sua grandeza, ajudará dizer que o PIB português, estimado para 2022, é de 260 mil milhões de dólares. Ou seja, o PIB português é equivalente a cerca de um terço do orçamento americano aprovado para a defesa. Recorde-se que, actualmente, o orçamento americano é de 750 mil milhões, o da China 237 mil milhões, o da Arábia Saudita 67.6 mil milhões, o da Índia 61 mil milhões, o do Reino Unido 55.1 mil milhões, o da Alemanha 50 mil milhões, o do Japão 49 mil milhões. Só depois vem a Rússia com 48 mil milhões, parte dos quais vai servir, certamente, para cumprir aquele desígnio —que muitos, certamente, inspirados pelos prodígios de Tom Cruise exibidos na série Mission Impossible, acreditam ser uma possibilidade real— de transformar a Europa num quintal russo. O orçamento para a defesa russo, 41.5 mil milhões, é, praticamente, o mesmo da França. Lá vai a França tentar anexar a Rússia...
(O quê?! Já tentou e arrependeu-se?! A sério?! Quando?! Não dei por nada. E os franceses é que entraram por Portugal a dentro, queimaram, pilharam, violaram, roubaram?! O quê??! E ninguém chamou a atenção do ministro da defesa? Que escândalo...)
Agora vem a América aumentar a parada com mais 100 mil milhões de dólares. Só este aumento é equivalente ao dobro de todo o orçamento russo para a defesa. Toma e embrulha!
O que me faz imensa confusão (digo-o com toda a sinceridade e com uma certa tristeza) é continuar a ver os americanos (incluindo muitos autoproclamados democratas), completamente alienados, a reclamar um retorno aos "valores" e a um estatuto de exemplo para o mundo, sem perceberem que são os "valores" deles que levaram o mundo, justamente, ao estado caótico em que nos encontramos hoje e à iminência de novo conflito mundial. Retorno a quê, então?! Também me faz confusão que tantos europeus não vejam isso, mas isso é outra conversa.
Um mundo de valores em manifesto estertor de morte, facto que ainda assim não chega para comover os americanos e que continua a embalar os europeus para uma viagem segura até aos Cuidados Intensivos. Há dias assisti a um programa do David Letterman a entrevistar o Obama. A certo ponto dos seus monólogos, evocavam o senador John Lewis e o triste episódio da Edmund Pettus Bridge. Os dois, massajando o ego um do outro, tu és o maior, não, tu é que és! Lá iam enchendo a boca com os valores da "democracia," da sua defesa e da necessidade de a América voltar a ser um exemplo para o "mundo," conceito dentro do qual já imaginam, certamente, incluir a Lua, Marte e todos os exoplanetas entretanto descobertos ou a descobrir pela sonda James Webb. Há por aí muito mundo a explorar...
Nem uma única palavra de autocrítica. Esquecendo os dois —enquanto o show continuava, cinicamente, para gáudio do auditório indígena— as intervenções militares ordenadas por Obama no Afeganistão, Iraque, Síria, Líbia, Iémen, Somália e Paquistão. Um Obama autcomplacente, que invoca os valores da paz, mas foi incapaz de largar a guerra quando teve o poder para isso. Um pouco como aquela situação patética da lei das armas. Morre gente, crianças e adultos são vítimas do direito ao tiro ao alvo constitucional, todos no final derramam lágrimas de crocodilo, mas ninguém muda a porca da lei. Porque a lógica é essa: a do confronto belicoso interno, permanente, sustentado mais ou menos a tiro, e a sua exportação como uma forma de manter o seu estatuto da nação, estatuto em que, pelos vistos, todo partilham e todos nele se revêem. Já nem falo do miserável caso Julian Assange, que teve os seus piores contornos durante o mandato de Obama e levou à sua actual e desgraçada situação. Com a complacência do aliado RU, claro, esquecidos e perdoados que foram os prejuízos causados pelo embaraçoso episódio do porto de Boston...
Faz confusão que esse senador John Lewis, que levou porrada e foi preso por simplesmente encabeçar um movimento para o direito de voto, apareça a dizer que Obama foi o melhor presidente que a América teve. Não foi. Não se entende a lógica. Não se pode criticar o défice democrático, como Obama faz nesse programa, e ficar paralisado na resolução desse problema. Na América ou em Portugal.
Toma lá agora 840 mil milhões de dólares, para manter os valores da "democracia americana." Os americanos descobriram o Viagra verde...
2022/06/12
Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades
Mão amiga chamou-me a atenção para um livro recente sobre Churchill e apontou-me este artigo sobre a controversa figura. Parece não merecer contestação que, como refere o artigo citado "A Grã-Bretanha entrou na guerra, afinal, porque enfrentava uma ameaça existencial e não, principalmente, porque discordava da ideologia nazista."
Mas, entrou!
Uma "geringonça" ainda mais improvável, que uniu um anticomunista, meio racista, um trafulha, inspirador dos imperialistas hodiernos e o rebitador da "cortina de ferro," derrotou o palhaço do bigodinho, E quando vejo agora a von der Leyen a pousar sorridente ao lado do Zelensky, tremo. E quando me lembro dos Edwards e outras figuras do género —"aristo-fascistas," como lhes chamam no artigo — volto a tremer. Este quadro está hoje bastante mais carregado.
E, pergunto-me: onde poderemos encontrar na Europa de hoje um Churchill que bata o pé aos novos Edwards, que por aí pululam, apesar das enormidades, das atrocidades que aquele cometeu noutros sítios, em nome do Império e de uma ideologia duvidosa, que não escondia a sua origem de classe? Certamente que não no Largo do Rato...
É que entre o pintor falhado e o comediante da treta e as respectivas entourages, há mais perturbantes semelhanças do que se pensa, mas ninguém com a estatura do controverso Churchill. Pousar junto a qualquer uma dos protagonistas deste conflito, fora da mesa da negociação, não augura nada de bom. Os pintores falhados tiveram o fim que mereciam. Mas o que fazer a estes comediantes da treta que agora dominam a engrenagem? Repare-se que os mandantes, esses, continuam, então como agora, a ser exactamente os mesmos.
Que estamos à beira de uma catástrofe, já deu para perceber.