"A minha escrita permeia sentidos românticos,
restaura a solitude e acolhe a beleza da vida
para ser-te Poesia."

Marli Franco


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Partitura das Tuas Mãos

 



Partitura das Tuas Mãos

 

Quando te encontro és música

És meu momento

Salto as horas e chego no azul do céu

Vejo peixes nas nuvens e estrelas no mar

E sei sentir teus braços em minha cintura

Colocando o anel das ilusões.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

Quando te encontro és música.

O teclado salta nas águas do mar

Deixando pétalas de sonhos na espuma das ondas

E das nuvens voam desejos em formato de corais

Enquanto você rouba beijos nos meus lábios

Selando segredos assinados

Nas palavras estreladas.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

 

No final somos constelações

Nas linhas da melodia

Feito almas silentes na fonte do Uno

Consciência do Amor na luz.

A música é assim ...

A música é a partitura das tuas mãos...

 

Marli Franco

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Voz da Fantasia









 Voz da Fantasia

 

Em um momento

Senti a voz da fantasia

Perdi a noção do chão

Apaguei a fala da aridez

Nas solas do pensamento

Enveredei nas curvas

Da solitude.

 

 

O sol pousou na minha alma

As baleias das nuvens sorriram

Germinaram flores no céu

Senti-me fada

Tocando as estrelas

Com as canções da harpa.

 

Se perdi a noção do tempo

Não sei, talvez tenha perdido tempo...

A verdade é que a imaginação

É uma pena de pavão

Nas mãos errantes

De um sonhador.

 

Fim de tarde

O sol aqueceu-me docemente

Na generosa quietude.

 

Marli Franco

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O Gato e a Montanha


 

O Gato e a Montanha

 

O meu gato

 Fica no topo do armário

 Belo tranquilo

Branquinho como a neve.


 

Olho na tela a montanha gelada

 Eu também queria estar

Na quietude.

 Beber uma água gelada

 Já que a poética

 É uma viagem surreal,

Melhor espreguiçar

E bocejar

Deixar o verão te levar.


 

O gato descansa

Ao menor movimento

Olha enigmático

Depois espreguiça

Engraça faz de propósito

Um jeito de sorrir

Brincando

Mostra saber, que nada eu sei...


 

A montanha lá esta

 Na natureza belíssima!

O meu gato aqui

Juntinho de mim, belo!

Ambos possuem

 Um ponto comum

A perfeição, fazem parte

 Da Criação Divina.

 

Marli Franco

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Nas Ondas Noturnais



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Nas Ondas Noturnais

 

Queria ser Lua...

Passear nas asas do céu

Esquecer os pés na terra árida

Brincar de labirinto nos cometas

Soltar sorrisos nos vértices das estrelas.

 

Queria ser Lua...

Acordar na hora do crepúsculo

Desvendar a música da madrugada

Escutar as inspirações dos Poetas

Deitar-me nas almofadas dos versos.

 

Queria ser Lua...

O verbo querer não é conjugado

Quando meus pés estão na terra

Quando o sol faz queimar pensamentos

Seca as sílabas com raios do silencio.

 

Não posso ser Lua...

É nas ondas noturnais

Que admiro o encanto dos vagalumes.

Marli Franco

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Era uma vez...


 

Era uma vez...

 

Era uma vez...

Um pote de azedume

Copos riscados do sonho pedalante

Pratos e mais pratos descabeçados

Soldados de talheres vestidos de prata

Vozes exigentes amontoadas nas almofadas.

 

Era uma vez...

O sol quase agonizando na boca do vaso

Uma cortina e um vidro quebrado

Na pia as lascas da janela perdida

A porta se abrindo

Movimentado a nova jornada.

 

Era uma vez...

O tempo e o passageiro

Ligeiro que não avisa as curvas da vida

Só assusta quando faz as paradas

Na jornada arrisca tudo

E muda a trajetória.

 

Era uma vez...

 

Marli Franco

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Horas do Verso


 

Horas do Verso

 

O sol sai do céu sem dizer até amanhã.

A lua chega sem dizer boa noite

Eu vou me calando sem dizer um verso

E as silabas ficam assim jogadas no papel.

 

Sem o dia fazer sorrisos

Sem a noite pintar sonhos

As silabas se amontoam no rodapé das folhas

E ficam alvoroçadas bailando na inspiração.

Na madrugada a caneta cansada sorrindo

Na alvorada o papel respira o poema escrito.

 

Quando um cometa rasga o céu

Uma fagulha cai no papel

Esperto se deixa levar nas labaredas

Enquanto a caneta pega corrente do vento

E assim apaga o incêndio sem causa.

Sorrindo o papel arde em beijos de gratidão

 Na amante sem tinta em exaustão.

 

E o verso assim fica

 Sem começo e sem fim

No fim da folha

 Só silabas queimadas.

 

Marli Franco

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O Amarelo sorri Vermelho

 




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O Amarelo sorri Vermelho

Recanto das letras * 27/11/2009

 

Que a hora seja virada ao avesso

O relógio seja um menino travesso,

Que os ponteiros fiquem no liquidificador

E que as manhãs acordem o inventor.

As noites lembrem festas recriadas

Que as paredes sejam todas desenhadas,

E os números todos virem letras contentes

E as letras se transformem em continentes.

Que o tom amarelo sorria em vermelho

Que a terra seja sempre azul até no espelho,

Que para amar não tenha mais hora...

E para versejar basta ver Dali fora de hora,

Na curva do adormecer do relógio como agora.

 

Marli Franco

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Da Série -- Surreal * I








Surreal * I

Joguei um cheiro nas flores secas,

Insultadas as pétalas viraram avencas.

O vaso se arrepiou,

E mais calado ficou.

Enquanto as rosas gargalhavam,

Os perfumes de lavanda exalavam,

Com os pingos da felicidade.



Marli Franco
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