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quinta-feira, 8 de agosto de 2019

Penela e Lenda de Pé Nela



Lenda do Pé Nela

Reconquistado que fora o castelo do Sobral, faltava tomar novamente aos mouros outro castelo. O jovem cavaleiro D. Antão Gonçalves propõe a D. Afonso Henriques levar por diante tal empresa. Para tal insinua-se a Alina, a filha do governador, fazendo-se passar por cristão renegado que por amor a ela queria abraçar a religião de Mafoma. Doa que ia observando dava conta a D. Afonso Henriques.


Os cristãos aproveitaram uma saída dos mouros, levando o gado a beber ao ribeiro, para os desbaratar. Disfarçando-se, uns de mouros, outros com ramos imitando moitas, encaminharam-se, então, para o castelo, levando o gado de volta como se fossem os guardas mouros.

Quando os habitantes do castelo deram por conta, já D. Antão Gonçalves, ante o olhar atónito da bela Alina, havia aberto as portas do castelo e gritando dizia: “-Avancem!... A praça é nossa!... Estamos com o pé nela!” Reza a lenda que daí adveio o nome do castelo e da povoação de Penela.

























domingo, 3 de março de 2019

Lamego e a lenda da princesa Ardínia


A princesa Ardínia viveu no século X, no castelo de Lamego, quando esta terra se encontrava sob domínio árabe. Era o período da reconquista da Península Ibérica aos árabes.
A beleza da princesa era falada por todos os lados. Um dia o cavaleiro cristão, dom Tedom, veio disfarçado a Lamego, tendo-se logo apaixonado. Depois de alguns encontros no laranjal do castelo, ao luar, resolveram casar-se.
Mas o rei mouro, pai da princesa, não consentia no casamento da sua filha muçulmana com um cristão.
Numa noite de vendaval a princesa fugiu com o seu amado para longe, escondendo-se no Convento de S. Pedro das Águias, onde casaram.
Mas a felicidade de Ardínia durou pouco. O pai, que saíra em sua perseguição, encontrou-a junto do rio Távora e, ao saber que se tinha casado e convertido à cristandade, matou-a com a sua espada deitando o corpo à água. Dom Tedom quando soube da morte da sua amada, fez votos de nunca mais se casar e atirou-se ao combate dos muçulmanos, tendo sido morto, bem perto junto a um pequeno rio, que ficou com o seu nome, rio Tedo.
Diz o povo, que as águas dos rios Távora e Tedo, por vezes, aparecem vermelhas, porque o sangue dos amados Ardínia e Tedom ainda as tinge.
Também diz o povo que quando o castelo é envolvido pelo nevoeiro no Inverno, a alma da princesa esvoaça sobre ele.




















sexta-feira, 1 de março de 2019

A cidade de Viseu e a sua lenda





Lenda de Viseu


"D. Ramiro II, Rei das Astúrias e de Leão, que reinou desde o anno de Christo de 931 até o de 950, n'uma excurção que fez de Vizeu, onde então residia, por terras de moiros, viu e enamorou-se da famosa Zahara, irmã de Alboazar, rei moiro, ou alcaide do castello de Gaia sobre o rio Douro. Recolheu-se D. Ramiro a Vizeu com o coração tão captivo, e a razão tão perdida, que sem respeito aos laços, que o uniam a sua esposa D. Urraca, ou como outros lhe chamam D. Gaia, premeditou e executou o rapto de Zahara. Enquanto o esposo infiel se esquecia de Deus e do mundo nos braços da moira gentil n'um palácio à beira mar, o vingativo irmão de Zahara, trocando affronta por affronta, veio de cilada, protegido pela escuridão de uma noite, assaltar e roubar nos seus próprios paços a rainha D. Gaia. A injúria vibra n'alma de Ramiro o ciúme e o desejo de vingança. O ultrajado monarcha vôa à cidade de Vizeu, escolhe os mais valentes d'entre os seus mais aguerridos soldados, e la vae á suaa frente caminho do Douro. Chegando à vista do castello d'Alboazar, deixa a sua cohorte occulta n'um pinhal, e disfarçado em trajes de peregrino, dirige-se ao castello, e por meio de um anel, que faz chegar às mãos de D. Gaia lhe annuncia a sua vinda. O peregrino é introduzido immediatamente à presença da rainha, que fica a sós com elle. Alboazar tinha ido para a caça. D. Ramiro atira para longe de si as vestes e as barbas, que o desfiguravam, e corre a abraçar a esposa. Esta porém repelle-o indignada, e lança-lhe em rosto a sua traição. No meio de um vivo diálogo de desculpas de uma parte, e de recriminações da outra, volta da caçada Alboazar. D. ramiro não pode fugir. Já se sentem na proxima sala os passos do moiro. A rainha, parecendo serenar-se, occulta o marido n'um armário, que na camara havia. Mas apenas entrou Alboazar, ou fosse vencida d'amor por elle, ou cheia d'odio para com o esposo pela fé trahida, abre de par em par as portas do armário, e pede vingança ao moiro contra o christão traidor. D'ahi a pouco era levado el-rei D. Ramiro a justiçar sobre as ameias do castello. Chegado ao logar de execução pediu o infeliz, que lhe fosse permittido antes de morrer despedir-se dos sons accordes da sua bozina. Sendo-lhe concedida esta derradeira graça, D. Ramiro empunha o instrumento, e toca por tres vezes com todas as suas forças. Era este o signal ajustado com os seus soldados, escondidos no proximo pinhal, para que, ouvindo-o, lhe acudissem apressadamente. Portanto n'um volver d'olhos foi o castello cercado, combatido, tomado, e depois incendiado. A desprevenida guarnição foi passada ao fio da espada, e Alboazar teve a morte dos valentes: expirou combatendo. E D. Gaia, como ao passar o Douro para a margem opposta, se lastimasse e mostrasse dôr, vendo abrasar-se o castel'o, foi victima também do ciume de D. Ramiro que cego d'ira a fez debruçar sobre a borda do barco, cortando-lhe a cabeça de um golpe d'espada. Á fortaleza em ruínas ficou o povo chamando o castello de Gaia, à margem do rio, onde aportou o barco de D. Ramiro, deu-lhe o nome de Miragaia, em memória d'aquele fatal mirar da misera rainha ". Esta é pois a lenda que se presume ter dado origem ao Brasão de Viseu. Temos assim que o Castelo representa o de Alboazar, o tocador de corneta, o rei D. Ramiro e a árvore, o bosque em que se esconderam os habitantes de Viseu. Lenda ou fábula ela representa uma forma de interpretação e porque carregada de antiguidade merece bem que se respeite como tal. Mas fazendo fé em Vilhena Barbosa, nem tudo será hipotético porque " D. Ramiro II roubou a moira Zahara, irmã ou filha d'Alboazar, a qual se fez christã, tomando no baptismo o nome de Artida ou Artiga. Repudiando a rainha D. Urraca, casou segundo uns, ou viveu amancebado segundo outros, com Zahara de quem teve um filho, chamado D. Alboazar Ramires que foi o primeiro fundador do Mosteiro de Santo Thirso ".