[Grécia] Breve relato do 10º Festival do Livro Anarquista e Subversivo

Especialmente em um momento em que o anarquismo está sendo perseguido pela propaganda e repressão do Estado, de 14 a 16 de maio, aconteceu em Patras a 10ª edição do Festival do Livro Anarquista e Subversivo. Um festival que, mais uma vez, buscou, por meio de uma série de eventos, destacar a riqueza dos conceitos anarquistas, antiautoritários e libertários, e ao mesmo tempo aproximar a comunidade local, especialmente os jovens da cidade, de livros anarquistas e subversivos, de nossos projetos e visões.
 
Durante esses três dias muitas pessoas passaram pelo local do Festival, numa organização particularmente bem sucedida, tanto política quanto logisticamente, assim como no que diz respeito à aceitação do evento. Desse modo, uma área livre do Estado e do Mercado se formou, um espaço público que se transformou em local para encontros e debates, interações e criticismo. Projetando a imagem do mundo com o qual sonhamos, o mundo da criação, da fermentação, da emancipação, da solidariedade e da camaradagem. O mundo da resistência social e de classe.
 
>> Reportagem fotográfica aqui:
 
https://anarchistbookfairpatras.wordpress.com/2026/05/18
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
mamãe passarinho chocando,
papai trouxe a comida
festa na copa das árvores
 
Akemi Yamamoto Amorim

[Bolívia] A Virgem dos Desejos. Uma casa onde nascem e se concretizam as lutas

Alejandra García Castro
Comunicadora social, integrante de Mujeres Creando

Há 19 anos, a Virgen de los Deseos é a sede do movimento feminista anarquista Mujeres Creando. Ter um espaço físico para um movimento social é fundamental, ainda mais se isso permite que ele seja autogerido. Esse recanto onde os sonhos são gestados fica na zona de Sopocachi, em La Paz, Bolívia.

Seis sereias musicais na porta e uma placa em forma de olho com cílios longos dão as boas-vindas ao único espaço feminista anarquista do país. A casa vermelha de estilo colonial, pintada com belos murais na fachada, é o Bircholet1 de Mujeres Creando. Ao abrir a porta, parece que você entra em um lugar mágico, não só pelo som dos carrilhões que anunciam uma visita, mas também pelas cores, pela decoração, pelo ambiente acolhedor, pelo sorriso que alguma companheira lhe dá e pelo cheiro de comida caseira que sai da nossa cozinha. Nas paredes internas, impressionam as imagens de duas virgens: a Dolorosa e a Protetora dos Abortos, murais que refletem duas lutas que ali se erguem como pilares fundamentais do movimento, a luta contra a violência machista e o feminicídio como sua máxima expressão, e a descriminalização do aborto. Cada detalhe da casa diz algo, nada é por acaso. Os grafites também não. “Pensar é altamente feminino”, “Nenhuma mulher nasce para ser prostituta” e “Queremos todo o paraíso” não são ornamentos decorativos para ocupar as paredes, são frases carregadas de conteúdo político e crítica social, e parte de uma profunda reflexão sobre a realidade cotidiana e as estruturas de poder patriarcal, e das relações de opressão que as mulheres vivemos na Bolívia e no mundo. O grafite é uma linguagem que, desde sua fundação, há 35 anos, o Mujeres Creando adotou e hoje é sua marca registrada (em todos os cantos do país e em vários países há um grafite do movimento), pois sempre traz uma assinatura e funciona ainda como uma forma de diálogo com a sociedade. Nossos grafites interpelam, questionam, removem e comovem, e geram discussão sobre a conjuntura, às vezes, mas principalmente sobre temas que não são prioritários nas agendas do poder ou da mídia, embora sejam urgentes para nossas lutas e outras.

A Virgen de los Deseos é fruto de anos de trabalho e luta de companheiras que fundaram o movimento — como María Galindo —; de companheiras que chegaram pouco depois da sua fundação — como Julieta Ojeda, Idoia Romano e Helen Álvarez — e que continuam na luta, e de outras que já não estão. É um lugar onde muitas “ovelhas negras” 2 nos encontramos. Nesta casa, muitas de nós criamos raízes em nossa relação com o feminismo e encontramos sentido para o que, provavelmente, quando muito jovens ou meninas, não podíamos nomear ou situar como um impulso político para transformar o que nos cercava, porque talvez nos cercasse o feminismo intuitivo de que fala e conceitua María Galindo em seu livro Feminismo Bastardo, aquele que nasce da experiência individual, direta, e da vontade de se rebelar contra o que é imposto.

Confie no som da sua própria voz

É aí que nasce também a rádio Deseo, um sonho concreto que se tornou realidade, um meio de comunicação social que não só amplifica a luta e a voz das Mujeres Creando, mas é uma polifonia de vozes que interpelam e não necessariamente a partir do feminismo ou apenas das mulheres, mas a partir das lutas cotidianas contra todos os tipos de opressão. Para ter acesso a este privilégio, a rádio, conquistada com muito esforço, estabeleceu alguns parâmetros: ser protagonista de alguma luta e falar na primeira pessoa, e respeitar os princípios básicos do movimento: não ao racismo, não à discriminação, nem ao classismo; sem homofobia, sem misoginia nem antifeminismo; sem fascismo, respeito ao trabalho sexual e ao aborto, e também não pertencer a seitas religiosas, partidos políticos ou ONGs, que sempre roubam a palavra.

Os sindicatos de trabalhadoras domésticas tiveram o seu espaço e, com elas, começou-se a dar formação na Escola de Rádio «La voz de mi Deseo» (A voz do meu desejo). Helen Álvarez assumiu o desafio de a dirigir e convocar publicamente as organizações aliadas e aquelas que ainda não o eram, mas que tinham um historial de luta e resistência, pois o objetivo sempre foi democratizar o acesso a este amplificador de vozes que é, até hoje, a Rádio Deseo. Na frequência 103.3 FM, as trabalhadoras domésticas falaram, denunciaram, alertaram, convidaram, desabafaram, educaram e fizeram-se ouvir (com um programa estrela), que durou nove anos, até deixarem o trabalho assalariado doméstico. Também pessoas cegas e com outras deficiências, professoras do sistema público de educação, ativistas dos direitos dos animais, ambientalistas, arquitetas que pensavam numa cidade diferente, gays, lésbicas, ateies, atories; pessoas contra a energia nuclear, contra o Dakar e muitas outras. Seja a partir de suas organizações ou individualmente, elas tiveram capacitação e um espaço gratuito para produzir seus programas com grande qualidade e levantar suas próprias vozes, sem que ninguém lhes impusesse o que dizer.

A Rádio Deseo é um espaço de pluralidade de vozes, aberto a todas, todos e todes, e também um espaço onde a música é protagonista. Sergio Calero, comunicador social e um dos documentaristas mais importantes do país, divide a direção com María. Ele dirige e coordena uma série de programas especializados, em diferentes géneros musicais, de qualidade indiscutível; enquanto María assumiu a parte mais política do conteúdo da rádio.

A Rádio Deseo surgiu na sociedade boliviana há 18 anos e continua a ser a única rádio feminista do país. Nos últimos anos, o nosso meio de comunicação ganhou grande relevância, pois, embora o programa de María Galindo, integrante da Mujeres Creando, tenha a mesma trajetória que a emissora, há aproximadamente seis anos ela inventou um formato de rádio que chamou de «radiodocumentário», que leva a transmissão do estúdio para a rua. O sucesso tem sido impressionante; em termos de comunicação, tem níveis de audiência altíssimos e também um impacto social avassalador, pelos resultados concretos que María obtém ao acompanhar pessoas que denunciam fatos que envolvem instituições estatais ou privadas, onde, por ação ou omissão, são cometidas uma série de abusos e violações de direitos contra aqueles que a contactam. A chegada do programa de María e, consequentemente, da Radio Deseo, tornou-se muito mais popular graças às redes sociais, que amplificam o seu trabalho de forma incalculável, e isso porque, em cada radiodocumentário, María busca justiça para quem não a encontra por ser simples mortal nesta sociedade, sem pertencer às classes privilegiadas. Por isso, a legitimidade do trabalho de María e de Mujeres Creando, como coletivo, é indiscutível. Daí a enorme importância política da rádio para Mujeres Creando.

Mulher, não gosto quando você se cala

Sendo um movimento feminista anarquista com quase 35 anos de luta e vigência política na Bolívia, Mujeres Creando tornou-se uma referência de rebeldia para as lutas feministas do sul global. Mas não foi uma tarefa fácil, mas sim uma construção diária, como fazem as formigas: dura, passo a passo, com alegrias e tristezas, com conquistas e frustrações, mas estabelecendo um pensamento e um feminismo próprios que se constroem dentro de uma sociedade muito particular, repleta de contradições e altamente politizada, a boliviana. Um dos seus principais instrumentos de luta tem sido a criatividade, traduzida em grafites, ações de rua e intervenções artísticas que buscam gerar mudanças estruturais, não apenas questionando o modelo machista, classista, misógino, capitalista e colonial em que vivemos, mas também formulando uma série de propostas concretas que nascem e se tornam realidade na «Virgem». A autogestão tem sido fundamental para ter liberdade e autonomia e, a partir daí, questionar o poder em todas as suas formas, todos os governos, independentemente da linha ideológica do governo em exercício. Desde posições de direita até a autodenominada esquerda foram questionadas e não conseguiram nos calar porque mostramos um leque de possibilidades de transformação que se concretizam dia a dia em nossa casa. A rádio é um motor, mas também uma peça de um conjunto de iniciativas coletivas que mantêm o movimento com grande força.

A mulher que se organiza não aguenta mais espancamentos

Mulheres em Busca de Justiça (MBJ), a máquina de produção de justiça em que se tornou a equipe multidisciplinar que atende gratuitamente, a cada ano, quase três mil mulheres e suas crianças e adolescentes, vítimas de violência machista — sobretudo incumprimento de pensão alimentícia —, tem um papel fundamental. O seu trabalho responde a uma necessidade urgente da sociedade boliviana, a luta contra a impunidade e o mau funcionamento do sistema judicial, bem como a falta de uma abordagem feminista. Elas conseguiram resoluções favoráveis para as vítimas de casos praticamente impossíveis de resolver, graças às suas formas «alegais», como diz Paola Gutiérrez, responsável pela MBJ, de contornar as lacunas da lei. E têm vindo a construir o seu reconhecimento pela firmeza, integridade, empatia e perspicácia com que acompanham as vítimas nesse caminho em busca de justiça. Por isso, também funciona ali a Escola de Ética Feminista, a cargo de Raiza Zeballos, onde, em acordo com a universidade pública, formam jovens profissionais da área jurídica, social e psicológica, com uma abordagem feminista para a atenção às vítimas.

Os bancos aproveitam-se da precariedade e da instabilidade laboral existentes na Bolívia, onde 85% da população se dedicam ao trabalho informal3 e são, sobretudo, as mulheres que se endividam. Por isso, a advogada Mayra Rojas presta assessoria jurídica em «la Virgen» àqueles que tentam tirar-lhes tudo quando não conseguem pagar a dívida ou se endividam excessivamente. Quando os direitos laborais de trabalhadores, trabalhadoras e trabalhadories não são reconhecidos, Dominga Mamani, advogada trabalhista e ex-trabalhadora doméstica, resolve os conflitos, especialmente dos mais desfavorecidos, no seu escritório contra a exploração laboral.

Também temos um alojamento, que faz parte da autogestão, onde pessoas do interior ou do exterior do país podem ficar hospedadas. Mas há um quarto solidário e gratuito que, muitas vezes, é ocupado por alguma companheira que teve que sair de casa por ter sofrido violência ou por companheiras indígenas que chegam à cidade de La Paz para ganhar a vida, ou qualquer mulher que precise dele. Esse espaço, também de acolhimento, é administrado por Julieta Ojeda, que também é responsável pela agenda cultural da casa, por onde passam músicos, comediantes, rappers, cineastas, autores e onde é organizada uma série de atividades relacionadas ou afins ao feminismo, mas também se discutem e analisam outros temas diferentes em debates, palestras e conferências a partir do feminismo de Mujeres Creando.

Na nossa «Zona Pirata», Carmen Gardeazabal fotocopia os livros internacionais que temos à venda para quem não tem recursos para adquirir o original. Fazemos isso porque o movimento acredita firmemente na democratização do conhecimento. A casa não é muito grande, mas cada canto foi muito bem aproveitado. Assim, foi possível ter uma sala de aula que também funciona como videoteca feminista, com uma seleção de filmes excelentes, e onde são ministrados workshops de autodefesa feminista para mulheres de todas as idades ou simplesmente alugada a outros coletivos ou instituições educativas.

A Virgen de los Deseos tem o único banheiro público do bairro, pois, apesar de estar no centro da cidade, não há esse serviço básico em locais próximos à área. Quem nos visita para solicitar qualquer uma das iniciativas oferecidas na casa pertence a um setor mais popular da população, por isso esse serviço é uma necessidade, assim como o chuveiro solidário para qualquer companheira que precise. Num espaço feminista, é claro que tem que haver uma creche. Rosario Adrián, pedagoga, dirigiu durante 10 anos um espaço permanente para as mães que decidiram levar adiante o seu projeto de vida; agora, isso se concretiza em locais onde as mulheres precisam de cuidados temporários para os seus wawas (filhas e filhos), como feiras, oficinas, cursos, encontros, etc.

Essas iniciativas são para nós lutas cotidianas que mantêm viva a nossa casa e nos permitem tecer solidariedades e cumplicidades. Embora eu tenha mencionado algumas companheiras por suas   responsabilidades específicas, somos muitas mais. A primeira coisa que desnaturalizamos ao chegar à «Virgem» é a hierarquização do trabalho e das profissões; na nossa casa, o trabalho manual, criativo e intelectual têm o mesmo valor e todas fazemos de tudo, desde servir as mesas do restaurante, lavar os pratos ou o banheiro, até conceber o pensamento e plasmá-lo na produção intelectual que é o Mujeres Creando. A venda dos nossos próprios livros representa uma parte importante do sustento econômico do movimento.

A Virgen de los Deseos, o Bircholet de Mujeres Creando, é um local de encontros e confluências, não só para as integrantes do movimento, mas também para outras lutas. Outros movimentos e grupos encontraram aqui o seu lugar seguro para se organizarem, reunirem-se, tomarem decisões, sem receios ou perseguições.

Para mim, «la Virgem» é um refúgio. O lugar onde encontrei outra família, aquela que escolhi. Onde posso refletir e construir coletivamente. Onde não me sinto sozinha e perdida, mas encontro outras pessoas, mulheres diferentes, porque Mujeres Creando é isso, um grupo diversificado, da cidade e do campo, jovens e idosas, com profissão e sem profissão, casadas, divorciadas, solteiras ou viúvas, de diferentes condições econômicas e origens sociais, etc. Porque na diversidade, cada uma contribui para a luta da outra e nos fortalecemos.

La Virgen de los Deseos é um sonho que desejamos que outros coletivos do mundo possam alcançar, porque sabemos que somos muitas, muites e muitos que buscamos uma transformação real da sociedade rumo a um horizonte melhor, e uma casa própria é um motor. Desejamos isso para que essas lutas tenham o seu cantinho que funcione como um megafone amplificador dos seus próprios sonhos e vozes.

  1. Palavra composta, entre «bir», birlocha (uma indígena, chamada chola, que tira a saia e se veste como uma «senhorita») e cholet, denominação dada ao luxuoso estilo arquitetônico aymara, que resulta de uma combinação de «chola» e chalet. 
  2. Como se referem, geralmente no núcleo familiar ou próximo, a uma pessoa rebelde ou que não segue os padrões estabelecidos. 
  3. Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística.  

Fonte: https://redeslibertarias.com/2026/01/20/la-virgen-de-los-deseos-una-casa-donde-nacen-y-se-hacen-las-luchas-concretas/

Tradução > transanark / acervo trans-anarquista

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chuva torrencial
sob a laje de concreto
um casal de pardais

Jorge Lescano

[México] Lançamento: “Rupturas Necessárias – Contribuições críticas, reflexões e experiências anárquicas na luta anticarcerária”

De onde vem e para onde segue a crítica anárquica às prisões? O que motiva sua rejeição total às cadeias e jaulas em todas as suas formas, às leis, à justiça do Estado, ao punitivismo? Quais diferenças há entre a crítica anarquista anticarcerária e os discursos e práticas de outros grupos e movimentos envolvidos em movidas de apoio a presos políticos/presos por lutar? E se há uma diferença no nível das ideias, como isso se reflete em nossa práxis e em nossas propostas?

Por outro lado… Que experiências e aprendizados tivemos no apoio a companheiros presos e como pensar o acompanhamento e a solidariedade ativa a esses companheiros desde nossas barricadas? Que ensinamentos tivemos a partir da coordenação em redes de solidariedade internacional e campanhas, do acompanhamento de presos de longa condenação, das iniciativas de luta que nascem dentro das prisões, da comunicação e difusão, das greves de fome? É possível continuar lutando estando dentro das grades? Quando nossos companheiros finalmente saem para a rua, problematizamos as experiências pós-prisão e a necessidade de compreensão desses processos?

E quais posicionamentos temos em relação às lógicas tão difundidas de culpado x inocente, legalidade, criminalização e outros discursos cidadãos e vitimistas que circulam em diferentes espaços políticos? Além disso, como nos preparamos e encaramos as novas táticas repressivas do Estado, a atual realidade de controle nas ruas e suas câmeras onipresentes de vigilância? Que cuidados temos com as redes sociais e o uso da internet, atualmente o modo mais utilizado de difusão, mas que muitas vezes nos expõe de forma preocupante? Quando por acaso nos detêm, estamos preparados para evitar as armadilhas do poder?

Que experiências tivemos no espectro anárquico com a nefasta prática da delação/colaboração e que estratégias e discussões geramos nesse sentido?

São muitas as questões, mas achamos fundamental retornar a certas discussões básicas que talvez se tenham perdido no mar do imediatismo virtual que se impôs a partir das redes sociais. Os textos aqui presentes poderão responder a algumas dessas perguntas, embora muitas outras fiquem para novas reflexões individuais e coletivas. Talvez para muitos se trate de discussões já antigas e muito bem debatidas, mas a experiência demonstra que nem sempre o debate continua com a mesma profundidade e intensidade, sendo necessário voltar a refletir e reforçar uma e outra vez nossos pontos de vista desde perspectivas anárquicas e de negação ao poder em todas as suas formas.

Esta compilação foi feita a partir de algumas publicações e projetos editoriais afins, cujas reflexões nos parecem importantes e interessantes para este debate. Alguns desses escritos trazem perspectivas divergentes entre si sobre certos pontos, baseadas em diferentes contextos de luta e formas de pensar. Realmente não temos interesse em gerar uma narrativa ou visão homogênea, como se no espectro anárquico houvesse espaço apenas para um modo único de ver as coisas; tampouco queremos convencer ninguém ou esgotar o tema.

O que pretendemos com isso é apresentar visões e propostas anárquicas que nos possam apoiar na constante e permanente prática de afiar nossas ideias, convicções e posturas de negação, sem reproduzir inconscientemente os discursos que só servem para reforçar tudo o que existe, seus defensores e seus falsos críticos.

Quiebres Necesarios – Aportes críticos, reflexiones y experiencias anarquicas en la lucha anticarcelaria

Compilação de textos / 237 págs. / 2026

Ed. Konspiracion Iconoclasta / encadernação artesanal

Contatos: @konspiracion_iconoclasta | konspiracion@riseup.net

Tradução > Liberto

agência de notícias anarquistas-ana

silencioso lago
o sapo salta
tchá

Carlos Verçosa

Mercado da morte-repressão | Múcio, ministro da Defesa do Governo Lula 3, vai à Argentina para oferecer armas, drones e aviões ao governo Milei

O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, irá à Argentina na próxima semana para oferecer produtos como armamentos, munições, equipamentos de comunicação, drones, aeronaves e embarcações produzidos pelo Brasil para o governo de Javier Milei. A visita foi iniciativa do Brasil.
 
A previsão é que o ministro desembarque em Buenos Aires na noite de segunda-feira (25/05) e se reúna no dia seguinte com seu par argentino, o tenente-general Carlos Alberto Presti, para apresentar o catálogo da Base Industrial de Defesa do Brasil.
 
Entre os produtos que serão oferecidos, há armamentos como mísseis, foguetes, bombas, armas leves e menos letais; blindados e embarcações como navios de superfície e submarinos; aeronaves, helicópteros; drones, radares e satélites, entre outros produtos.
 
O catálogo inclui mais de 300 produtos fabricados por estatais (Imbel e Emgepron) e mais de 140 empresas privadas consideradas “estratégicas de defesa”, como Embraer, Helibras, Taurus e Condor e dezenas de fornecedores de médio e pequeno porte.
 
Múcio também pretende visitar outros países da região para oferecer os produtos de defesa brasileiros. Uma visita ao Peru, em julho, também está confirmada.
 
Fonte: noticias.uol
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
A lavrando o campo:
do templo aos cumes
o canto do galo
 
Buson

[Grécia] Tessalônica: Faixa de solidariedade no Parque Pausilypo aos oito companheiros pelo assalto a um banco em Tithorea.

TERRORISTAS E LADRÕES SÃO OS BANCOS E OS CAPITALISTAS
 
Em 11 de maio de 2026, ocorre uma expropriação em um banco em Tithorea. Algumas horas depois, oito companheiros foram presos após uma operação policial na região e invasões domiciliares em Atenas. Foi-lhes apresentada uma acusação exagerada que inclui diversas expropriações de bancos e porte de armas. Os companheiros foram detidos na GADA e as companheiras na Delegacia de Vyrona. Na sexta-feira, 15/05, compareceram perante o juiz de instrução, onde, após suas defesas, seis companheiros foram mantidos em prisão preventiva e dois foram liberados com a imposição de medidas restritivas.
 
A MAIOR ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA SÃO OS ESTADOS E OS BANCOS
SOLIDARIEDADE AOS 8 COMPANHEIROS PELO ASSALTO AO BANCO EM TITHOREA
NINGUÉM SOZINHO NAS MÃOS DO ESTADO
 
Assembleia do Espaço Autogerido de Karditsa
 
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Acorde, borboleta –
está tarde, temos milhas
para ir juntos.
 
Bashô

[Internacional] Chamado à poesia da prisão e da rua | Fanzine Juan Sorroche Miguel Peralta

Queremos divulgar este novo chamado à poesia, ao haiku sin haiku e ao verso livre e desenfreado, nascido como continuação de “Haiku sin Haiku” (2023). A nova coleção se chamará “Raízes e Radicalidade” e foi lançada pelos companheiros Juan Sorroche, preso em Terni (em território que hoje se chama Itália), e Miguel Peralta, que atualmente foge da perseguição do Estado mexicano em algum lugar do mundo.

Raízes e Radicalidade busca criar um espaço de encontro, convergência e expressão para aqueles que “enfrentam, resistem e lutam contra o poder todos os dias” em diferentes latitudes.

Portanto, convidamos vocês a contribuir com versos, pensamentos, sentimentos e palavras para esta coleção.

Aceitamos contribuições em qualquer idioma, línguas nativas e aquelas que resistem e florescem apesar da imposição de línguas coloniais, bem como qualquer forma de livre expressão.

Este é um chamado para nunca deixar de sonhar, imaginar e criar infinitos mundos novos!

– manifesto disponível para download em pdf –


Contato: raicesyradicalidad@canaglie.net

agência de notícias anarquistas-ana

Ainda cantando

Os insetos são levados

Sobre o tronco que flutua.

Issa

Lançamento dos livros “Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.”

Aos poucos a história do movimento anarquista é resgatada. Dessa vez é a publicação de dois volumes sobre a trajetória do sapateiro, militante Pedro Catallo, autor e diretor de teatro, um dos fundadores do Centro de Cultura Social (CCS) e da Federação Operária de São Paulo (FOSP).
 
Arte e Militância: volume 1 Política e 2 Teatro e poesia.
 
Para conhecer a história desse importante militante, convidamos todos, todas e todes para uma conversa virtual LIVE com Rodrigo Rosa e Nilton Melo.
 
Dia 25 de maio, às 20h30.
 
Canal do youtube do CCS.
https://www.youtube.com/@CentrodeCulturaSocial
@centro_de_cultura_social
ccssp@ccssp.com.br
https://www.facebook.com/centrodeculturasocialSP/
ccssp.com.br
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
mata quase nua:
um sabiá
canta o outrora
 
Cláudio Feldman

[Porto Alegre-RS] 23/05 – Vamos Construir Uma Biblioteca?

Vamos montar uma biblioteca? No próximo sábado, 23 de maio, vamos nos encontrar para sonhar juntys uma biblioteca, pensar em como gostaríamos que fosse, avaliar o espaço e as possibilidades e começar a meter as mãos na massa. E no fim da tarde assistir juntys a um filme no telão e fazer um lanche vegano colaborativo.

14h – Abertura do Esp(a)ço, acolhimento.

14h30 – Troca de ideias e sonhos sobre uma biblioteca coletiva.

18h00 – Exibição de filme, confraternização e lanche colaborativo.

Aceitamos doações de livros dos seguintes temas:

Anarquismo / socialismo libertário / Feminismo / Anticapitalismo / Racismo e branquitude / Gênero e Sexualidade / Geopolítica / Questões indígenas / decolonialismo / Movimentos sociais / Política da tecnologia / tecnopolítica / Ficção com crítica social / Infantis

Atenção: Para garantir o conforto e segurança de todas as pessoas presentes, pedimos que se você possuir histórico ou denúncia por reproduzir comportamento abusivo ou opressivo, assédio, abuso ou outro tipo de violência, por favor, entre em contato conosco pelo nosso e-mail ou redes sociais antes de comparecer. Não fazer isso é não se responsabilizar por suas ações e será solicitado que se retire.

espaco.noblogs.org

agência de notícias anarquistas-ana

Chuva de granizo —
Compartilho com os pássaros
A minha varanda

Tony Marques

[Portugal] 22 de Maio – Filme “É a Revolução ou a Morte”

Dia 22 de Maio (sexta)

18:30 – It’s Revolution or Death

Filme de subMedia e Peter Gelderloos (legendas em português; 80 min.)

Seguido de jantar

“É a Revolução ou a Morte” é um documentário idealizado por Peter Gelderloos e produzido pelo colectivo anarquista de vídeo subMedia. Este filme expõe os mitos perpetuados pelos Estados e pelas empresas que praticam greenwashing, destaca os movimentos em todo o mundo que resistem aos projectos capitalistas industriais ecocidas e pretende fornecer a quem assiste uma estratégia para lutar e preparar-se para a crise climática na sua própria comunidade.

Centro de Cultura Libertária

Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto – Cacilhas

agência de notícias anarquistas-ana

No céu brilha a lua;
cor viva, figura altiva.
Recordação tua.

Everton Lourenço Maximo

[Grécia] O que é roubar um banco comparado a fundar um banco?

Na manhã do dia 11 de maio, ocorre uma ação de expropriação em uma agência bancária na parte baixa de Tithorea. Cinco horas e meia depois, oito de nossos companheiros e companheiras são detidos após uma operação policial nas áreas vizinhas e também em Atenas. Eles são levados em processo sumário para a GADA e, no dia seguinte, 12/05, passam pelo promotor e recebem um prazo até sexta-feira, 15/05, para aparecer na “justiça”. No dia seguinte, as companheiras foram levadas para a Delegacia de Vyronas e, de lá, para o Departamento de Investigação Criminal da Ática Ocidental, em Ano Liosia. O transporte foi realizado em condições de reféns e sob pressão sufocante, com o objetivo de isolá-las dos seis companheiros e esgotá-las moral e psicologicamente.
 
Isso ocorre em um período de intensa repressão, desde a condenação das companheiras Marianna e Dimitra a 27 anos de prisão no total, as invasões nas casas de seis de nossos companheiros, as prisões de companheiros acusados de agressão no Tribunal de Primeira Instância em Panormou, até as manifestações cotidianas, com a presença constante de policiais em cada esquina, a vigilância de cada passo nosso por meios tecnológicos e a perseguição às nossas relações de solidariedade.
 
Os bancos constituem um dos mecanismos mais importantes do sistema estatal e capitalista para o funcionamento e a circulação do capital. Os gestores dos bancos são a elite mundial que se encontra no topo da pirâmide capitalista. Eles criam uma relação de total dependência do indivíduo em relação a eles, já que a existência na sociedade contemporânea passa pelo seu controle (salário, aluguel, impostos, compras etc.). Por extensão, as condições econômicas da sobrevivência social em geral dependem principalmente da gestão bem-sucedida ou mal-sucedida dos bancos e de suas crises.
 
O funcionamento do Estado está intimamente ligado à existência dos bancos e vice-versa. O único objetivo dessa relação interdependente é continuar a alimentar e a aumentar o lucro e o capital das elites às custas das camadas sociais mais baixas.
 
O assalto a um banco é a ação mais ética dentro do capitalismo e constitui a negação prática da escravidão assalariada. O assalto social, como prática dos de baixo, é um ato moralmente correto e de valor, que causa um golpe simbólico e concreto nos templos do capital, libertando o indivíduo das amarras da escravidão assalariada e da dependência econômica.

A expropriação, como meio de luta, retira do Estado e do capital a condição fundamental de funcionamento da economia: o fluxo vertical de dinheiro entre as camadas sociais, que se dá exclusivamente por meio do lucro do capital e da demanda por bens. Essa ação, quando realizada desde a base, seja com o objetivo de financiar a luta revolucionária, seja para rejeitar a escravidão assalariada, questiona e atinge de fato o funcionamento e a autoridade dos bancos, servindo de inspiração para movimentos de luta semelhantes.
 
Por isso, aliás, sempre foi um meio da luta anarquista para revelar quem é o verdadeiro inimigo do povo e convencer os oprimidos de que podem recuperar o que lhes pertence.

O uso de armas em tal ato concretiza também a recusa em aceitar que o Estado detenha o monopólio, seja prático ou moral, do uso desses meios. Com o sucesso de uma expropriação, fica também desmascarada a narrativa estatal de que o sistema é invulnerável, e fica demonstrado que nem o arsenal jurídico do Estado, nem sua militarização serão jamais suficientes para impedir os oprimidos de recorrerem a práticas insurrecionais.
 
O próprio militante/anarquista/ladrão social transforma-se em exemplo social e revolucionário, divulgando a natureza de classe do dinheiro e a posição do banco como o topo da pirâmide da exploração. O Estado leva em consideração a aceitação popular que essa prática pode gerar e visa a repressão imediata dos indivíduos, seja materialmente, com a prisão deles, seja moralmente, com a sua humilhação pública.

Desde o momento da prisão dos companheiros e companheiras, a mídia, utilizando uma linguagem carregada de conotações de autoritarismo, passou a apresentá-los como “elementos marginais e delinquentes, criminosos comuns que possuíam substâncias narcóticas e torcedores”, na convicção de que tais caracterizações soariam negativamente aos ouvidos do leitor comum, desviando a atenção do próprio ato para a identidade dos participantes, conferindo um tom negativo a toda a situação. O objetivo deles é evitar a associação e a identificação da sociedade como um todo com nossos companheiros e sua luta, que diz respeito a todos nós.
 
Especificamente no que diz respeito às nossas companheiras desde o momento da prisão, todo tipo de jornalista de segunda categoria as apresentou, com base em seu gênero, como se elas “se envolveram” apenas por causa de suas relações interpessoais, dizendo, em essência, que agiram sem vontade e sem consciência de seus atos. O discurso sexista constitui mais um elemento da desvalorização geral das companheiras e da crescente despolitização de todos.

Mesmo após a prisão dos companheiros e companheiras responsáveis por essa identidade política, apesar de terem divulgado à mídia a declaração de que cometeram um assalto a banco por motivos de subsistência e que escolheram o banco como alvo por motivos de ideologia anarquista, continuaram a ocultá-la, referindo-se a “margens do espaço antiautoritário”. Ao mesmo tempo, ocultaram completamente qualquer ação de solidariedade, optando por não dar cobertura jornalística nem mesmo à manifestação de solidariedade e minimizando a notícia até mesmo dos confrontos na rua Evelpidon no dia em que os companheiros passavam. E enquanto o caso era o tema principal dos noticiários e dos jornais, enquanto a gigantesca operação policial de repressão e humilhação dos companheiros estava no centro das atenções, de repente começou a desaparecer quando ela passou para o campo de ação da competição entre ativistas e autoridades.
 
As causas são mais ou menos conhecidas. Em um primeiro momento, o Estado propaga o discurso oficial, destacando a suposta superioridade na dinâmica e na capacidade técnica das autoridades repressivas em relação aos companheiros e companheiras, mas também, por extensão, às futuras massas insurgentes, transformando os companheiros em um exemplo a ser evitado. No entanto, a postura de nossos companheiros e do meio anarquista em solidariedade a eles destaca a posição cheia de dignidade dos companheiros que, apesar das condições adversas, permanecem fiéis à sua escolha, assumindo sua responsabilidade política, ao mesmo tempo que a postura destemida dos solidários, que, ignorando qualquer tipo de fichamento estatal, se posicionam abertamente ao lado dos companheiros, transformando sua voz em um escudo de proteção da ação e dando um sinal de continuidade às lutas, apesar das ameaças do Estado.
 
Numa época de intensa decadência moral e de valores, nossos companheiros e companheiras são um exemplo por sua postura inabalável diante do inimigo e por sua fé nos ideais anarquistas. Em meio à calmaria dentro e fora do movimento, eles optaram por um ataque frontal intensificado contra o Estado e o capital. Cientes do caminho difícil que percorrem, seguiram em frente. Mesmo nas mãos dos canalhas do poder, não baixaram a cabeça, defendendo a anarquia.
 
Estamos orgulhosos da luta dos nossos companheiros, da qual tiramos força para seguir em frente. Estamos, sem hesitação, solidários ao lado deles, apoiando suas posições e suas escolhas.
 
Não permitiremos que nenhum jornalista vendido, policial, magistrado, lixo do governo e, de modo geral, do Estado, os difame.
 
SOLIDARIEDADE E FORÇA AOS NOSSOS COMPANHEIROS
​​FOGO NOS BANCOS
ATÉ QUE TODAS AS PRISÕES QUEIMEM
 
Assembleia aberta de solidariedade aos/às detidos/as pelo caso de 11 de maio
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Meio outono:
meu vizinho
como estará…
 
Blyth

[Grécia] Heraklion, Creta: Sinal de solidariedade aos companheiros e companheiras perseguidos pelo caso de 11 de maio


Na manhã de 11 de maio, ocorre uma expropriação bancária em Kato Tithorea, por um grupo de companheiros. Algumas horas depois, 5 deles foram presos após uma operação repressiva da polícia, enquanto simultaneamente ocorriam invasões domiciliares e mais 3 prisões são realizadas.

Na sexta-feira, 15 de maio, 6 deles foram considerados prisioneiros preventivos, enquanto uma companheira e um companheiro foram libertados com medidas restritivas, com 3 e 2 comparecimentos mensais, respectivamente. Os 5 companheiros e a companheira que foram considerados prisioneiros preventivos, são acusados de participação e formação de organização criminosa (187), porte de armas, entre outras coisas. No total, são acusados de 11 expropriações de bancos.

Estamos com todo o nosso coração ao lado dos companheiros e companheiras, defendendo suas escolhas. Dentro da escuridão dos assassinatos de trabalhadores e das jornadas de 13 horas, do empobrecimento, da depressão generalizada que o mundo do capital produz, das rivalidades interestatais e das guerras, as expropriações de bancos e a recusa da escravidão assalariada constituem uma posição de combate contra o existente. A ação revolucionária em períodos de retrocesso de classe e movimento é a única resposta digna àqueles e àquelas que oprimem nossas vidas.

Como um mínimo sinal de solidariedade, foram penduradas faixas em pontos centrais da cidade.

Força e solidariedade aos companheiros e companheiras do caso de 11 de maio.

Vamos trazer os prisioneiros de guerra de volta às ruas.

Lutas com todos os meios para uma vida que vale a pena ser vivida. Pela Anarquia!

A n a r q u i s t a s

Maio de 2026
 
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Ramo ressecado,
corvo empoleirado
— anoitece o outono.
 
Bashô

[Grécia] Sábado, 23/05 – Marcha de solidariedade aos oito companheiros e companheiras perseguidos pelo assalto em Kato Tithorea

Quando a escravidão e a miséria baterem à sua porta, não a tranque; abra-a e olhe nos olhos dos inimigos da liberdade. Na manhã do dia 11 de maio, ocorre uma expropriação em uma agência bancária na parte baixa de Tithorea. Cinco horas e meia depois, oito de nossos companheiros e companheiras são presos após uma operação policial nas áreas vizinhas e também em Atenas. Eles são levados em procedimentos sumários para a GADA e, no dia seguinte, 12/05, passam pelo promotor e recebem um prazo até sexta-feira, 15/05 para comparecerem a “justiça”. Na sexta-feira, dois dos oito companheiros foram libertados sob condições. Desde o início, o Estado agiu com seus informantes profissionais à frente, a escória da mídia, para difamar nossos companheiros e companheiras, descrevendo-os como simples criminosos, pessoas do meio dos torcedores e socialmente alienados, algo que continua a fazer até agora, apesar do texto dos companheiros e companheiras, recusando-se a reconhecer sua identidade política. Recusando-se a aceitar a dignidade da postura dos companheiros, tenta, por meio de longas fanfarronices nos artigos e das descrições coloridas sobre eles, esconder a escolha dos nossos companheiros de recusar a opressão, como parte dos nossos tempos. Se vocês acreditam que a caçada acabou, estão enganados; sempre que a resistência e a revolta se erguem, quebrando as correntes da barbárie autoritária e mostrando o caminho para a liberdade humana, é melhor ficarem preocupados. A caçada não acabou e nunca acabará enquanto houver pessoas que dão saltos.
 
Ninguém sozinho nas mãos do Estado
A solidariedade é a nossa arma
 
Assembleia aberta de solidariedade aos detidos no caso de 11 de maio
 
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gatos com cio
separados pela parede
– amantes que não se tocam
 
Issa

[Espanha] Quase nove mil euros por protestar contra a indústria militar

A Delegação do Governo de Madrid aplica a “lei da mordaça” contra doze pessoas que realizaram uma performance nos portões da Feira de Armas.
 
Por Tomás Muñoz | 16/05/2026
 
Um grupo de pessoas joga tinta vermelha umas nas outras enquanto segura cartazes com os nomes de países devastados pela guerra: Iêmen, Sudão, Líbano, Mianmar e Ucrânia. Eles se referem aos lugares onde as empresas contra as quais protestam geram lucros. Dois ativistas de terno também aparecem, jogando notas falsas de 500 euros. Enquanto isso, um grupo de apoio desfralda uma faixa com um slogan claro: “Não à feira de armas”.
 
Organizada pela Desarma Madrid e pela Alternativa Antimilitarista-MOC, juntamente com outros ativistas da CGT, Bloke Bollero e La Enre, a ação visa destacar a rejeição da indústria militar, que realiza a Feira Internacional de Defesa e Segurança de Madrid (Feindef) dentro do IFEMA. “Segundo o Ministério da Defesa espanhol, a feira está entre as dez maiores do setor em todo o mundo, é uma referência nacional e internacional, e a única que conta com o apoio institucional do Ministério da Defesa”, afirmaram os grupos organizadores em um comunicado à imprensa. Eles pretendem expressar sua indignação com o papel da Espanha no comércio internacional de armas (o país ocupa a décima posição nesse ranking sinistro) e como as vendas da feira contribuirão para o aumento do número de vítimas em conflitos armados no futuro.
 
A Feira de Armas é um evento bienal, cuja quinta edição está prevista para 2027. É organizada pela Fundação FEINDEF, com apoio institucional do Ministério da Defesa e das principais associações espanholas de fabricantes de armamento: TEDAE (Associação Espanhola de Empresas de Defesa, Segurança, Aeronáutica e Tecnologia Espacial) e AESMIDE (Associação de Empresas Contratantes de Administrações Públicas). O presidente honorário da fundação organizadora é Julián García Vargas, que foi Ministro da Defesa durante o governo de Felipe González. E essa não é a única ligação entre os dois na feira; o presidente da associação patronal e vice-presidente da fundação organizadora é Ricardo Martí Fluxá, que foi Secretário de Estado da Segurança durante o governo de Aznar.
 
“É quase impossível ver uma arma no site deles”, apontam os ativistas. “Eles usam uma linguagem fria, um jargão técnico, e tentam esconder para que serve todo o material que comercializam”, explica Enrique Quintanilla, porta-voz da Desarma Madrid. “No fim das contas, é morte, pura e simplesmente, o assassinato de pessoas, principalmente civis, não combatentes”, lamenta. Mas se é difícil ver que tipo de material comercializam, também não divulgam o volume de negócios. Sabemos, no entanto, que a feira contou com 628 expositores, 211 deles internacionais, e representantes de 68 países.
 
performance, que tinha como objetivo destacar que o “orçamento militar excessivo desvia recursos das reais necessidades da população”, foi interrompida por diversas unidades da Polícia Nacional, que acabaram levando doze pessoas à delegacia por não portarem identificação. Segundo os próprios ativistas, a presença de viaturas e policiais causou transtornos no trânsito dentro do recinto da feira, mas os participantes se retiraram por conta própria, sem o uso da força policial ou, obviamente, por eles mesmos. “Em nenhum momento a segurança das pessoas ou dos bens foi colocada em risco. A ação foi escrupulosamente pacífica, e isso foi comunicado primeiro à segurança privada e depois à polícia quando chegaram”, afirmaram.
 
O protesto ocorreu dentro da propriedade privada do Ifema, em uma área com três faixas, das quais, segundo eles, ocuparam apenas uma. A performance sequer interrompeu o acesso normal de quem participava do evento. No entanto, as doze pessoas levadas à delegacia receberam multa de 700 euros cada, totalizando 8.400 euros, por cometerem uma grave infração ao Artigo 36.3 da Lei de Segurança Pública (a “lei mordaça”), que as acusa de “causar perturbações em vias públicas, espaços ou estabelecimentos, ou obstruir vias públicas com mobiliário urbano, veículos, contêineres, pneus ou outros objetos, quando em ambos os casos houver grave perturbação da segurança pública”.
 
Essas suposições não condizem com o que aconteceu durante a performance de 15 de maio de 2025, e esse será o principal argumento para recorrer da sanção. E não seria a primeira vez que eles obtêm uma vitória nesse âmbito. Em 2017, no primeiro ano em que realizaram o protesto, foram multados em um total de € 11.500, uma penalidade que nunca foi executada porque os argumentos apresentados pela polícia, que na época os acusou de uma grave infração ao Artigo 26.6, não foram comprovados. Este artigo pune atos de “desobediência ou resistência à autoridade ou aos seus agentes no exercício de suas funções, quando não constituem crime, bem como a recusa em se identificar quando solicitado pela autoridade ou seus agentes, ou a alegação de informações falsas ou inexatas em processos de identificação”.
 
A denúncia de brutalidade policial feita em 2023 ainda está pendente na justiça. As ações dos policiais durante o protesto daquele ano resultaram na fratura de um dedo de um ativista, e essa não foi a única vez que ativistas registraram queixas médicas por ferimentos causados ​​por uso excessivo da força policial. “A intenção por trás da punição de uma ação não violenta, que é simplesmente uma denúncia feita sem danos a pessoas ou propriedades, é desencorajar ações futuras”, explica Quintanilla, mas isso não será alcançado, já que planejam realizar o protesto novamente no ano que vem. “Se o governo não quer que protestemos, deveria cancelar a feira”, argumenta ele.
 
Eles denunciam outras sanções que afetam o movimento por protestar contra o genocídio na Palestina.
 
“Enquanto o governo central ostenta um discurso supostamente pacifista, suas delegações governamentais multam aqueles que se opõem ativamente à guerra e à sua preparação”, critica o Desarma Madrid. Relatam que há atualmente pedidos de condenação contra os ativistas que protestaram durante a Vuelta Ciclista em Valladolid [Volta Ciclística da Espanha], com pedidos de pena de dois anos para cada um deles. Oito pessoas também enfrentam acusações por boicotarem a penúltima etapa da Vuelta, acusadas de agressão a um policial, perturbação da ordem pública e resistência à prisão. Esses indivíduos, atualmente identificados como #8deBecerril, poderão ser condenados à prisão.
 
Outras duas pessoas foram multadas em € 600 cada por participarem da manifestação de 20 de maio de 2025 em frente ao Congresso, contra a proposta de lei que impõe um embargo de armas a Israel. Uma situação semelhante ocorreu no protesto em Madrid após o ataque à flotilha de Gaza, onde dois organizadores foram multados por notificarem a Delegação do Governo com menos de 24 horas de antecedência.
 
Fonte: https://www.elsaltodiario.com/represion/casi-nueve-mil-euros-protestar-industria-militar
 
Conteúdo relacionado:
 
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agência de notícias anarquistas-ana
 
Grito da sineta
na última aula. Alegria.
Depois o silêncio.
 
Alexei Bueno

[Suíça] Desconectar a IA!

A atual euforia em torno da IA ​​é inegável. Modelos de linguagem de IA como o ChatGPT são onipresentes, e a IA está sendo propagandeada como a solução para tudo em todos os tipos de áreas. No entanto, o termo “inteligência artificial” é pura propaganda: a IA não é inteligente, mas simplesmente “estatística turbinada”. E a IA não é composta apenas de uns e zeros artificiais; ela tem impactos sociais e ambientais muito reais na vida de muitas pessoas e comunidades.

A IA como aceleradora da crise climática:


Os efeitos materiais da euforia em torno da IA ​​também são evidentes na Suíça: Mais de 10 novos centros de dados estão previstos para serem construídos nos próximos anos, embora a Suíça já possua uma das maiores densidades de centros de dados da Europa. Os centros de dados consomem quantidades enormes de eletricidade e água. Isso esgota as reservas de água potável da população local, enquanto os políticos já utilizam o alto consumo de eletricidade dos centros de dados como pretexto para a construção de novas usinas nucleares. Assim, a infraestrutura de IA é um acelerador da crise climática que já se agrava.

Inteligência Artificial Significa Vigilância e Guerra.


As figuras sinistras por trás da euforia em torno da IA ​​também deveriam despertar nossas suspeitas: oligarcas fascistas da tecnologia, como Elon Musk e Peter Thiel, estão impulsionando a expansão da infraestrutura de IA para aumentar seu poder sobre a população. Do software Palantir, usado pelo ICE em sua campanha de deportação, ao modelo de IA “Claude”, usado pelos EUA em seu ataque ao Irã, ao aplicativo de IA do Google usado para definir alvos no genocídio em Gaza: a IA é tecnologia de vigilância e guerra! A vigilância por meio de IA também está sendo expandida na Suíça. Por exemplo, a lei policial revisada permitirá que a polícia de Zurique colete grandes quantidades de dados sobre a população e os analise automaticamente usando sistemas de IA.

Exploração do Sul Global:


Matérias-primas raras, como lítio e cobalto, são necessárias para chips e outras infraestruturas de IA. Essas matérias-primas são extraídas em condições extremamente precárias em zonas de guerra, como a República Democrática do Congo. Por trás dos chamados sistemas “inteligentes”, também existem milhares de trabalhadores que, em condições de trabalho deploráveis, precisam visualizar e filtrar conteúdo altamente perturbador. Esse trabalho também é amplamente terceirizado para países do Sul Global. A expansão massiva da IA, portanto, baseia-se na exploração de matérias-primas e mão de obra no Sul Global.

A IA é um ataque do Estado e do capital contra todos nós – vamos lutar! Sejam canteiros de obras para novos centros de dados ou a localização de empresas de tecnologia, existem inúmeros pontos de ataque em potencial. Aqui está um mapa com possíveis pontos de ataque locais em toda a Suíça – deixe sua criatividade fluir: https://aufstaendederallmende.org/index.php/atlas/


Além disso, um acampamento de resistência contra a expansão de centros de dados e o poder dos oligarcas da tecnologia acontecerá na região de Schaffhausen de 2 a 9 de julho. Reserve a data e compartilhe!

Mais informações:


Site: aufstaendederallmende.org
Telegram: https://t.me/aufstaendederallmende
Signal: https://signal.group/#CjQKIEM30jDXnAbr_GKMyJecyietZcvjoibKPNeAC9NfjuGaEhAMzFShEyyX09aJrDzeUtYP
Instagram: @aufstaende.der.allmende

agência de notícias anarquistas-ana

Move-te ó tumba!
Meu pranto
é o vento do outono.

Matsuo Bashô

[Chipre] Vídeo | Faixa na Embaixada da Grécia em solidariedade com a Comunidade Ocupada de Prosfygika

16/05/2026
 
Respondemos ao apelo internacional da Comunidade Ocupada de Prosfygika colocamos simbolicamente uma faixa na Embaixada da Grécia.
 
Há quase três meses, a Autoridade Regional da Ática e o Estado grego vêm ignorando as reivindicações dos grevistas de fome Aristóteles Hantzis e Suzon Doppagne.
 
Precisamos aumentar a pressão sobre o Estado grego por meio do poder da solidariedade internacionalista, para que ele abandone seus planos de despejar a comunidade. Sua indiferença coloca em risco a vida dos grevistas de fome e a vida de mais de 400 pessoas, que nos últimos anos criaram estruturas para suprir suas necessidades mais básicas e sobreviver.
 
A ocupação de Prosfygika é uma questão que diz respeito a todos nós. Numa sociedade onde as pessoas morrem nas calçadas ou apodrecem sozinhas em apartamentos de concreto, e a classe trabalhadora urbanizada aceitou seu destino humilhante, algumas pessoas ainda lutam e sonham com outro modo de vida. Elas se mudam para casas em ruínas e vazias, e constroem comunidades baseadas na solidariedade e na crença profundamente enraizada de que outro mundo é possível.
 
Esses esforços, que desafiam na prática os ditames do capitalismo — que exige individualismo, isolamento e submissão silenciosa às suas “leis” —, mostram-nos o caminho para o futuro e provam que não precisamos esperar para ver esse futuro. Podemos construí-lo no presente.
 
Vitorias para as greves de fome dos nossos companheiros Suzon, que está no 16º dia, e Aristóteles, que ontem completou 100 dias de greve. Vocês nos inspiram com a sua coragem.
 
Solidariedade e força às ocupações em todo o mundo, por um mundo sem decadência.
 
VENCEREMOS OU VENCEREMOS.
 
>> Veja o vídeo aqui: https://athens.indymedia.org/media/upload/2026/05/16/prosfpres-compr.mp4
 
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https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2026/05/15/grecia-tessalonica-relato-da-manifestacao-de-solidariedade-a-comunidade-ocupada-de-prosfygikana/
 
agência de notícias anarquistas-ana
 
Noite de lua –
Subindo numa pedra,
Um grilo canta.
 
Chiyo-jo

Salvador e a grande greve de 1919

Por Carlos Ferreira de Araújo Júnior

A Grande Greve de 1919 ocorreu no mês de junho em Salvador e logo se espalhou por cidades vizinhas. O movimento teve como principais motivos a carestia de vida, os baixos salários, alta jornada de trabalho, as desigualdades sociais, miséria entre outros fatores. Várias categorias de trabalhadores participaram da greve: portuários, carpinteiros, metalúrgicos, pedreiros e tecelãs. O Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (SPCDC) esteve à frente da greve.

Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes (S.P.C.D.C) foi fundado em 19 de março de 1919. A associação foi influenciada pelo sindicalismo revolucionário e usou táticas de sabotagem e ação direta. Foi um marco para o movimento operário da cidade. O estatuto do sindicato vedava filiações políticas, defendia a participação das mulheres e a criação de escolas modernas. O SPCDC foi fundado por: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

A cidade de Salvador parou por 10 dias. A capital baiana não via uma movimentação de trabalhadores tão grande assim desde a Greve dos Carregadores (1857). Padeiros em greve avisaram que a distribuição de pão havia sido suspensa, exceto para os hospitais. Os ferroviários paralisaram os serviços.  Os trabalhadores dos cemitérios também suspenderam os serviços. Os jornais da grande imprensa da época, tentando jogar a opinião pública contra os grevistas, afirmava que o fedor que exalava do cemitério era insuportável, graças ao abandono causado pela paralisação.

Cerca de 15 mil operários e operárias grevistas tomaram as ruas de Salvador naqueles dias de junho de 1919. Os trabalhadores conseguiram a redução da jornada de trabalho e a isonomia salarial entre homens e mulheres.

A Grande Greve em Salvador teve intensa participação das operárias, especialmente, as tecelãs. Em setembro de 1919, as tecelãs deflagraram uma greve contra os maus tratos e os baixos salários da categoria. No ano seguinte, operárias lideraram associações de defesa como foi o caso de Corina Marinho, oradora da União De Defesa Proletária, formada pelos operários e operárias da fábrica de charutos de Muritiba. Esta associação visava a defesa de operários e operárias contra os assédios, abusos e estupros praticados contra as operárias pelos mestres de fábrica.

Em 1920, com a chegada do anarquista negro Eustáquio Marinho, o S.P.C.D.C. vai se tornar uma associação alinhada as teses libertárias do Terceiro Congresso Operário Brasileiro (1920). O SPCDC enviou dois representantes para este congresso: o anarquista português Anibal Lopes Pinho e Gaudêncio José dos Santos, anarquista negro baiano.

Desde o final da década de 1990, o historiador Aldrin Castelucci pesquisa sobre o movimento operário de Salvador. Seus trabalhos são de grande importância para os debates sobre os mundos do trabalho, pois rompem a ideia cristalizada de uma militância operária essencialmente eurocêntrica e “sudestina”, resgatando o protagonismo de operários negros e negras baianas.

REFERÊNCIAS

CASTELLUCCI, Aldrin Armstrong Silva. Salvador dos Operários. Uma História da Greve Geral de 1919 na Bahia. Salvador -BAHIA. 2001.

KARLLOS, Jr. Brasil Negro Insurgente. Ed. Monstro dos Mares.

PERIÓDICOS

GERMINAL.N.1. Data: 19/03/1920. Salvador – Bahia.

________.N.2. Data: 03/04/1920. Salvador – Bahia.

________.N.3. Data: 01/05/1920. Salvador – Bahia.

RENASCENÇA. Data: jun. de 1919. P.14. n.43. Salvador -Bahia.

___________. Data: set. de 1919. P.21. n.46. Salvador -Bahia.

CARLOS FERREIRA DE ARAUJO JUNIOR – Historiador formado pela UEPB. Publicou dois livros: Renego – Grito Punk (2021), sobre o punk na Paraíba, e Brasil Negro Insurgente (2025), sobre libertários e socialistas negros no Brasil. Desde 2012, possui um canal acervo punk no youtube: ÔKO DO MUNDO! O autor também escreveu os seguintes cordéis e zines libertários/decoloniais: OBREIROS DA BORBOREMA, BRADO BRUTO, EXU MOLOTOV, PLUMA NEGRA, ZINE AUTÔNOMO TEMPORÁRIO (ZAT).

>> Foto em destaque: foto do Sindicato dos Pedreiros, Carpinteiros e Demais Classes. Na foto de 1920, temos em ordem da esquerda para a direita, começando pelos que estão em pé: Guilherme Francisco Neryz, Abílio José dos Santos, Durval dos Santos Cárceres, José Domiense da Silva e Ezequiel Antônio Pompeu. O grupo teve apoio de Agripino Nazareth.

agência de notícias anarquistas-ana

nos dias de outono
as folhas largam no ar
um cheiro de sono

Cristina Saba