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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Para a agenda - Fernando Rolim e o tempo de Coimbra



Fernando Rolim (n. 1931), nome desde sempre ligado à medicina e ao fado de Coimbra, vai apresentar o cd Coimbra, Um Tempo que Não Passa em 8 de Abril, no salão Nobre da Câmara Municipal de Setúbal, pelas 17h00.
No libreto que acompanha o cd, escreve Manuel Alegre que Fernando Rolim “permaneceu sempre fiel a si mesmo e à toada tradicional do fado de Coimbra a que trouxe algo de inconfundível: a arte de bem cantar, com sabedoria, sem nunca falhar uma nota e sem nunca transigir com o facilitismo.” E Nuno Pacheco, em artigo recente no diário Público, escrevia sobre este trabalho: “O disco agora editado tem o mérito, para lá de nos surpreender com uma voz segura e jovial que ignora olimpicamente a idade do cantor, de ‘ressuscitar’ algumas guitarradas dos anos 1980, onde se ouvem as guitarras dos saudosos António Portugal (1931-1994) e António Brojo (1928-1999); de recordar temas de Menano, Hilário, Edmundo Bettencourt, Anthero da Veiga e outros; e, por fim, de trazer para a ribalta colectivos musicais como o Grupo Etnográfico da Região de Coimbra, a Quarentuna ou a Tuna do Antigos Tunos da Universidade de Coimbra.”
Uma oportunidade para a agenda!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Ana Pacheco em fado - "Cantar é Preciso..."




Ana Pacheco envereda pelo fado porque... "cantar é preciso", como poetiza o título do álbum! E, no final do dia de ontem, que bom foi poder ouvir este cd acabadinho de sair, o primeiro cd da Ana! Suave, harmonioso, simples. Bonito. Uma espantosa juventude casada com a tradição!
São dez os temas que o compõem: "Estarei onde" (versão portuguesa de "Tango to Évora", de Loreena McKennitt), "Com que voz" (poema de Camões, com música de Alain Oulman), "Fado das Cerejas" (letra de José Gago e música de Fado Pintadinho), "Fado das Violetas" (palavras de Florbela Espanca e música de Augusto Hilário), "Fado Loucura" (letra de Frederico de Brito e música de Júlio de Sousa), "A Minha Oração" (poema de Mário Rainho e música de Menor do Porto), "O sonho e a Vida" (letra e música de Ana Pacheco), "Costumei tanto os meus olhos" (letra popular e música de Fado das Horas), "Voz do Fado" (poema de Arnaldo Ruaz e música de "Fado Santa Luzia") e "Tantos Fados, Tanta Vida" (poema de Manuela de Freitas e música de Fernando Alvim). A voz de Ana Pacheco é acompanhada por Sérgio Costa (guitarra portuguesa), Albano Almeida (viola), Filipe Martins (contrabaixo), Rui Rosado (percussão) e Miguel Batista (guitarra de Coimbra).
Ana Pacheco é professora (somos amigos, para declaração de interesses) e, quando nos conhecemos, logo confidenciou a sua paixão pelo canto e pelo fado, arte que tem trazido para várias realizações da escola e com que tem atraído muitos ouvidos. Nos intervalos, anda por aí a cantar, entre Setúbal, Palmela e Lisboa. Para este cd trouxe alguns nomes ligados à região do Sado - o Albano Almeida, na música; o Arnaldo Ruaz e o José Gago, nos versos. E trouxe poemas que agora aparecem musicados pela primeira vez. Uma escolha criteriosa e sensível...
Para ouvir! Muitas vezes!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As árias (com) que Luísa Todi (en)cantou

O grupo “Os Músicos do Tejo”, dedicado à música antiga, teve a sua primeira apresentação há cinco anos, em Setúbal. Passado este tempo, uma figura da cultura setubalense deu o mote ao mais recente trabalho discográfico do grupo: falo do cd As árias de Luísa Todi, que reúne algumas das peças que a cantora lírica sadina interpretou quando corria o último quartel do século XVIII.
O texto introdutório do booklet que acompanha esta obra é da autoria de Mário Moreau, estudioso da biografia e da obra de Luísa Todi (1753-1833), que considera ter este trabalho enriquecido “de modo significativo o património musical português”, uma vez que ele dá a conhecer, “pela primeira vez, nove árias e duas aberturas de óperas do repertório da nossa grande cantora”.
A justificação para a importância de Luísa Todi dá-a Moreau nos seguintes termos, em que evidencia a força da dupla que cruza o canto e a cena, marcas fortes da artista lírica de Setúbal: “Outros cantores e cantoras houve, no decurso desse século, que possuíram dotes vocais de excepção, alguns, porventura, até nalguns aspectos superiores aos de Luísa Todi. Mas o artista lírico, no sentido mais lato da palavra, não se deve limitar a cantar, por muito bem que o faça. Ao pisar o palco para interpretar uma personagem, ele terá também de ter dotes cénicos condizentes com a sua interpretação musical. Era essa componente histriónica que a Todi possuía no mais elevado grau, sobejamente reconhecida e enaltecida pela crítica de toda a Europa e numa época em que o aspecto cénico da interpretação operática era considerado de importância secundária. (…) Mas não se infira destas palavras que ela era uma intérprete cénica máxima mas que vocalmente era apenas ‘suficiente’. Pelo contrário, a sua técnica vocal era igualmente superlativa e só teria, talvez, equivalente numa Mara, numa Bastardella, numa Saint-Huberti e em muito poucas mais. Foi, pois, este binómio canto-cena que colocou a Todi no lugar mais elevado da arte lírica da sua época e que nenhum outro artista conseguiu então igualar.”
O projecto apresentado pel’ “Os Músicos do Tejo”, patrocinado pela Amarsul, tem a direcção musical de Marcos Magalhães e a soprano Joana Seara empresta a voz à interpretação de Luísa Todi. As dezasseis faixas do cd contêm interpretações de Florian Gassman (1729-1774), Bernardino Ottani (1736-1827), Niccolò Pissinni (1728-1800), Giovanni Paisiello (1740-1816), Antonio Sachinni (1731-1786) e David Perez (1711-1779).