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quinta-feira, março 22, 2007

Históricos do 9ª #1: Recruta Zero (Beetle Bailey)

Começo o segundo número desta rubrica com cunho pessoal, pois esta é uma figura pela qual nutro um carinho especial. Nos meus tempos de infância, em época estival, guardo na memória a recordação de estar a caminhar para a praia com todos aqueles apetrechos necessários ao bom banhista, e de pedir aos meus pais que me comprassem uma BD qualquer, ou um daqueles almanaques mais espessos (em dias de mais sorte), pois devorava tudo num instante. O meu pai, leitor assíduo de periódicos, recomendou-me um dia o Recruta Zero, visto eu ter a mania da Disney naquela altura. “Leva este que te vais fartar de rir. É muito engraçado. Vais adorar!” Ora, como qualquer petiz, anui de imediato. E pronto, a partir daquele dia longínquo ficaria para sempre ligado ao Recruta Zero, que mais tarde vim a descobrir chamar-se Beetle Bailey, no original, pela capacidade que continua a ter em alegrar qualquer espírito.
A história do Recruta Zero é longa, contando com mais de 50 anos de publicações. Da autoria de Mort Walker, Zero começou por ser um estudante universitário de nome Spider (publicado pela primeira vez em 1950), mas foi passado um ano que a sua popularidade disparou. Durante a guerra na Coreia, a personagem alista-se no exército para prestar serviço à nação e o cenário passa do campus universitário para o quartel. Foi uma aposta de génio por parte de Mort Walker, como a história hoje nos mostra. Fundamental, é sabermos que Zero surgiu publicado no formato tira cómica, criado por um homem que se dedicava à arte do cartoon. Enquanto a personagem ganhava fama, surgiam alguns dissabores, muitos deles mostrando ser benéficos. Exemplo disso foi o facto de a publicação ser banida do jornal das Forças Armadas dos E.U.A. (Stars & Stripes) em 1954, por ser considerada subversiva. Acabou por ser uma alavanca que catapultou Zero na escala de popularidade. A censura mostrou ser um bom veículo de promoção.Ao longo dos anos o “Quartel Swampy” foi palco das mais variadas críticas ao povo dos states, ilustrando factos, sempre com uma forte componente social e tentativa de mudança de mentalidades. Walker introduziu, nos anos 70, o primeiro personagem negro na história da série e, na década de 90, o primeiro asiático. Tanto um como o outro, nas épocas em que foram inseridos, voltaram a causar burburinho pelo país fora (E.U.A.), levando a boicotes nos vários jornais onde diariamente as tiras eram publicadas. O forte impacto que Zero produzia nas pessoas era tal, que acabava sempre por mostrar ao povo muita da hipocrisia vivida no exército, sendo que Walker se inspirou em pessoas e factos reais para as personagens e acontecimentos do Quartel Swampy, tendo o próprio servido no exército durante quatro anos enquanto jovem. É possível afirmar que a “vidinha mais ou menos” do Quartel Swampy influenciou e despertou muitas mentalidades, mostrando que o quotidiano de todos nós já teve momentos idênticos.
Pouco mais haverá para dizer de Zero, Tainha, General Dureza, Dentinho e companhia (todos nomes brasileiros, pois ainda hoje o que chega a Portugal sobre Beetle Bailey é traduzido para português do Brasil; caso contrário penso que só neste séc. XXI o Recruta Zero teria chegado à cauda da Europa…), a não ser o seu evidente sucesso e reconhecimento no virar deste novo milénio.
Em jeito de nota e a saber, Zero circula hoje em dia em mais de 1800 jornais, em cerca de 50 países e é lido por mais de 200 milhões de pessoas diariamente (eu sou um deles). Sobre o autor de Beetle Bailey, Mort Walker, ele fundou o “Museum of Cartoon Art”, o primeiro museu dedicado à preservação e dignificação da arte dos comics. Actualmente é conhecido como “The National Cartoon Museum”.
Walker publicou vários livros sobre a personagem. Alguns dos mais famosos são “50 Years of Beetle Bailey” (2000), “Beetle Bailey Celebration” (2005), “The Best of Beetle Bailey” (2005), todos eles no seu original e, pela mão da Opera Graphica do Brasil, “Recruta Zero”, uma compilação com o melhor da personagem desde os primórdios dos anos 50, fazendo uma abordagem evolutiva durante as décadas seguintes até aos anos 90. Em relação a este último, como pude comprovar o seu verdadeiro interesse e valor, é realmente uma boa leitura para aqueles que desejam conhecer Zero ou simplesmente recordá-lo, pois a obra compila o melhor de sempre Beetle Bailey. Nos dias que correm, alguns dos filhos de Walker já assumiram a continuidade de Zero, com principal destaque para Greg Walker que juntamente com o pai assina por baixo de cada tira cómica. O legado está garantido, para bem da história do cartoon e da Banda Desenhada. Fica uma das frases míticas do Recruta mais calão da história: “Sempre que sinto vontade de trabalhar, me deito e espero ela passar”.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

segunda-feira, março 19, 2007

Históricos do 9ª #1: RECRUTA ZERO (Beetle Bailey) [pré-publicação]


Como sucedeu com Conan, o primeiro histórico a figurar neste blog, o próximo eleito surge em jeito pré-publicação no 9ª Arte, de forma a dar a conhecer aos amantes do género quem será o próximo visado neste tema que procura mostrar como figuras que fazem parte da história dos quadradinhos, podem por vezes surgir de outros campos que não a BD, embora seja fundamental que exista essa ligação com a arte da Banda Desenhada, ou não haveria sentido nisto tudo. Fica prometido ainda para esta semana, um texto exclusivo sobre a personagem Recruta Zero, o segundo "herói" desta rubrica.
Até lá, boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Históricos do 9ª #0: CONAN


Este personagem vai fazer as honras da casa, sendo o 1º escolhido para inaugurar a rubrica “Históricos do 9ª”. Como já repararam falo de Conan, figura mítica (convém, pois caso contrário não teria feito parte dos possíveis candidatos a constar aqui) do mundo Fantástico, que depois de percorrer o universo literário, acabou sendo representado em Banda Desenhada, cinema e séries de TV. Avancemos então com algumas curiosidades do seu percurso histórico.
Criado por Robert E. Howard, Conan foi publicado pela primeira vez em Dezembro de 1932, com o título “The Phoenix on the Sword”, na conceituada revista Weird Tales. Howard, durante a sua curta vida (1906-1936) imortalizou várias personagens, entre elas King Kull, Salomão Kane e Red Sonya (não confundir com Red Sonja, criada em 1974 por Roy Thomas; leia aqui a propósito), mas foi sem dúvida o Bárbaro que recebeu maior aceitação por parte do público, sendo hoje uma das principais referências masculinas do género Fantástico, muito por culpa do filme de 1982 “Conan – O Bárbaro”. Ao referirmos Conan, automaticamente nos é trazido à memória a imagem do agora Senador da Califórnia. Logo, está mais que provado que o Cimério é uma figura histórica que faz parte do imaginário de muito boa gente.

Mas e então na BD? Bem, o percurso nesta área começa por volta de 1970. Nessa época foi a Marvel quem apostou neste herói, com a dupla Roy Thomas (enredo) e Barry Smith (arte) à frente da série, que se manteve no activo durante 275 números (até 1993)! Abriu-se assim uma nova porta e muitos foram os artistas e colaboradores que se conheceram até ao término desta aventura. Mas estes dois primeiros senhores foram quem deu o impulso inicial a Conan para um novo público, os amantes da 9ª arte. Mais tarde John Buscema assumiu o comando artístico da série, catapultando-a e fazendo disparar as vendas de Conan pelo toque selvagem que deu à personagem. Este foi provavelmente o artista que mais trabalhou o Bárbaro no mundo da BD. É bem notório nas imagens anexas, a diferença entre o traço de Buscema e o de Barry Smith. Um traço mais forte, marcante e carregado no 1º artista, enquanto o 2º o representava de forma mais sinuosa, subtil, com um certo ar de magia demasiadamente vincada.

Findada a antiga série dos anos 70, que como já referi se estendeu até 1993 (23 anos), a Marvel, que era a detentora dos direitos de Conan, fez mais algumas apostas para o ano de 1994: “Conan Classic” (de Junho de ´94 até Abril de ´95) e “Conan” (a chamada série de 1995) que se prolongou desde Agosto de ´94 até Junho de ´96. Parece que o sucesso não foi o esperado, daí nenhuma das duas séries ter tido uma duração extensa, pois não chegaram a durar 2 anos. Mas pelo meio foram surgindo muitas outras, sempre pela mão da casa das ideias, como por exemplo “Conan The Adventurer”, “Conan Saga”, “Conan The King” e alguns arcos especiais tais como “Conan The Barbarian - Movie Special”, “Conan The Destroyer”, “Conan vs. Rune” e a derradeira publicação da Marvel “Conan: Flame and the Fiend” de 2000, que contou apenas com 3 números.

Seguiu-se depois um interregno de 4 anos, uma espécie de limbo para Conan, sem se saber quando voltaria a existir uma editora disposta a adquirir os direitos necessários para uma publicação regular. Chegado o ano de 2003 a Dark Horse Comics (DH) e a Conan Properties International anunciavam o que muitos esperavam há anos. Em Março de 2004 arrancaria uma nova história baseada na personagem criada por Howard, adaptada a partir dos contos já existentes. Para equipa criativa foram seleccionados Kurt Busiek (argumento/adaptação) e Cary Nord (desenho), de forma a dar novamente vida ao herói, trazendo Conan ao conhecimento de um público mais jovem, mais moderno, décadas depois das histórias de Howard terem nascido, dando a estas um tratamento mais do que merecido, após alguns anos de incertezas. O facto de a DH ter “pegado” na personagem, cedo deu os seus frutos. Como iniciativa, e de maneira a cativar novos leitores e a trazer os antigos fãs de volta às leituras desta personagem épica, a editora publicou “Conan #0: Conan The Legend” com o preço de 0,25$, exactamente o mesmo preço aquando da primeira aparição de Conan na revista Weird Tales, em Dezembro de 1932. Este número é um prelúdio à série regular que a partir daí ganhou embalagem, continuando de vento em popa até ao dia de hoje com “Conan #35”. De referir também que este issue #0 ganhou em 2004 um prémio Eisner para “Best Single Issue”. Antes de terminar, quero agradecer à DH por ter publicado já 11 compilações (os famosos TPB´s) dos antigos arcos publicados originalmente pela Marvel, um verdadeiro doce para os amantes da personagem e do género. Fico a aguardar o 12º tomo.

No fim de tudo isto talvez se perguntem se Conan é realmente um histórico da 9ª arte, pois não foi uma personagem criada de raiz neste universo artístico, mas transitou do universo literário para muitas outras formas arte, a Banda Desenhada incluída. No fim de contas, talvez ele o seja para muitos. O sucesso dos comics na DH assim o confirmam. O seu passado na Marvel cimentou Conan como figura ímpar na 9ª arte. Por estes e muitos outros motivos, elegi Conan como o Histórico nº1, aquele que vai trazendo esperança a muitas outras personagens.
Boas leituras!


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Mauro Bex : maurobindo

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Históricos do 9ª #0: CONAN (pré-publicação)


Como espécie de pré-publicação, fica para conhecimento dos visitantes deste espaço que Conan será o primeiro a figurar na galeria dos Históricos. O texto está quase concluído. Basta aguardarem mais um pouco, pois está para breve. Aí perceberão o porquê desta escolha. Até breve.
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Brevemente: HISTÓRICOS DA 9ª ARTE



Está para breve a inclusão de uma nova rubrica no 9ª, denominada "Históricos da 9ª Arte". Desta farão parte figuras emblemáticas da Banda Desenhada a nível global, mas não apenas figuras nascidas através da BD. Passo a explicar, pois a abrangência estende-se até que a imaginação e a memória o permitam, abarcando personagens que possam vir de outra realidade ou arte que não a Banda Desenhada, mas que tenham sido retratados em BD, isso é fundamental, ou este tema não faria sentido algum. Logo, de proveniência directa ou indirecta, se assim o posso classificar. A ideia é retratar ícones que sejam famosos e, neste caso específico, com alguma antiguidade e posto, procurando eu ser o mais consensual possível no tratamento e escolha dessas "personalidades". Está para breve, muito breve. Mantenham-se atentos.
Boas leituras!


Mauro Bex : maurobindo