"PORQUE ONDE ESTIVER O TEU TESOURO, ALI ESTARÁ O TEU CORAÇÃO". Mt 6,21
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terça-feira, 28 de outubro de 2014

quando as tempestades rebentam...

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) (1891-1942), Carmelita, mártir, co-padroeira da Europa .Judia convertida ao Cristianismo, Morreu num campo de concentração nazista. 

Poesia «Salmo 45», 28/04/1936; paráfrase do salmo 45/46

«E o barco chegou imediatamente à terra para onde iam»

Quando as tempestades rebentam 
Tu és, Senhor, a nossa força. 
Louvar-Te-emos, a Ti, Deus forte, 
Nosso constante socorro. 
Perto de Ti aguentamos firmes, 
Em Ti pondo a nossa confiança, 
Ainda que seja sacudida a Terra, 
E que se encapele o mar.
Podem as ondas enrolar-se e desenrolar-se, 
Podem as montanhas vacilar, 
A alegria há-de iluminar-nos, 
A cidade de Deus dá-Te graças. 
Tens nela a Tua morada, 
Preservas a sua paz santa. 
E um poderoso rio protege 
A sublime morada de Deus.
Sublevam-se em loucura as multidões, 
Colapsa o poder dos Estados. 
Eis que Ele levanta a voz, 
A Terra brame, sacudida. 
Mas o Senhor está connosco, 
O Senhor, o Deus Sabaoth. 
Tu és para nós luz e salvação, 
Contigo, jamais experimentaremos o medo.
Vinde todos, vinde contemplar 
Os prodígios do Seu poder: 
Todas as guerras se extinguem, 
A corda do arco desentesa. 
Lançai para o braseiro de fogo 
Escudo e arma de guerra. 
O Senhor, o Deus Sabaoth, 
Socorre-nos na tribulação.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Alma Inquieta



Olavo Bilac
A Avenida das Lágrimas

Quando a primeira vez a harmonia secreta
De uma lira acordou, gemendo, a terra inteira,
- Dentro do coração do primeiro poeta
Desabrochou a flor da lágrima primeira.

E o poeta sentiu os olhos rasos de água;
Subiu-lhe â boca, ansioso, o primeiro queixume:
Tinha nascido a flor da Paixão e da Mágoa,
Que possui, como a rosa, espinhos e perfume.

E na terra, por onde o sonhador passava,

Ia a roxa corola espalhando as sementes:
De modo que, a brilhar, pelo solo ficava
Uma vegetação de lágrimas ardentes.

Foi assim que se fez a Via Dolorosa,

A avenida ensombrada e triste da Saudade,
Onde se arrasta, à noite, a procissão chorosa
Dos órfãos do carinho e da felicidade.

Recalcando no peito os gritos e os soluços,
Tu conheceste bem essa longa avenida,
- Tu que, chorando em vão, te esfalfaste, de bruços,
Para, infeliz, galgar o Calvário da Vida.

Teu pé também deixou um sinal neste solo;

Também por este solo arrastaste o teu manto...
E, ó Musa, a harpa infeliz que sustinhas ao colo,
Passou para outras mãos, molhou-se de outro pranto.

Mas tua alma ficou, livre da desventura,

Docemente sonhando, as delícias da lua:
Entre as flores, agora, uma outra flor fulgura,
Guardando na corola uma lembrança tua...

O aroma dessa flor, que o teu martírio encerra,

Se imortalizará, pelas almas disperso:
- Porque purificou a torpeza da terra
Quem deixou sobre a terra uma lágrima e um verso.

domingo, 14 de março de 2010

Vou despregá-lo da Cruz!...


De dia ou de noite, onde quer que o silêncio me rodeie,
sou surpreendido por um grito que vem do alto da Cruz.
A vez primeira que o ouvi, parti à procura...
E encontrei um homem nas agonias da crucificação.
E disse-Lhe:
"Vou despregar-Vos da Cruz!"
E tentei arrancar os cravos dos Seus pés, mas Ele disse:
"Deixa-os estar, porque eu não posso ser retirado, enquanto cada homem, cada mulher e cada criança não vierem, juntos, retirar-me daqui".
E eu volvi:
"Mas eu não posso ouvir Vosso grito. O que devo fazer?"
E Ele replicou:
"Vai, mundo afora, e diz, a todo aquele que encontrares que está um Homem pregado na Cruz!"

Morte de Jesus



VENDO Jesus que tudo estava terminado
Exclamou: “Tenho sede!” e, ó gente pervertida!*
Fitando o Mestre ali na cruz tão torturado,
Levam-lhe à boca a esponja em vinagre embebida.

Às quinze horas o céu foi de luto obumbrado
E toda a natureza em trevas envolvida.
Bradou então Jesus: “Tudo está consumado!*
E às mãos do Pai, rendeu sua alma, ao fim da vida.

Inclinou a cabeça em último alento,
Rompeu-se o véu do templo em todo comprimento.
Houve ressurreição de santos dos judeus.

Enquanto o centurião, estranhando o portento
Do céu e o terremoto em aquele momento,
Protestou: “Em verdade, este é o Filho de Deus!” *

(*) Jo 19,28
(*) Jo 19,30
(*) Mat 27,54

A Crucifixão de Jesus



SEGURAM a Jesus Cristo e O conduzem fora
Ao Gólgota desnudo, ou, em latim, Calvário;
Fica entre dois ladrões e, deprimido, embora,
Padece em meio ao grupo imundo e tumultuário.

Transporta a enorme cruz e avança, sem demora,
Ostentando sangrento o seu próprio vestuário.
A Deus Pai pelos vis carrascos, Ele implora,
Enquanto vai vencendo o agreste itinerário.

No cimo da colina os três crucificaram:
Jesus no centro e os dois culpados O ladearam
No patíbulo infame – o mais amaldiçoado!

Gestas, o mau ladrão, ao Mestre impreca e O ofende;*
Mas Dimas o censura e ao bom Jesus defende,
Ouvindo, após, do Cristo – o perdão suplicado.

*Luc 23,39-43

sábado, 13 de março de 2010

Jesus Coroado de Espinhos



DEPOIS de flagelado e condenado à morte,
Foi Jesus conduzido ao pátio do pretório;
E, dos guardas dali, convocada a coorte,
Ouve-se dentro em pouco o horrendo falatório.

O Soberano Mestre exposto à dura sorte
De ouvir da malta o mais torpe interrogatório,
Sofre e ali permanece em seu sublime porte,
Imperturbável ante o nefando auditório.

Tiram-lhe, depois, o sagrado vestido. *
E, como a parodiar um monarca vencido,
Colocaram-lhe um manto e na destra uma cana.

Com tal manto e tal cetro e por fim coroado
De espinhos – eis o Rei! – Jesus Cristo, humilhado,
Mas feito Salvador de toda a estirpe humana!
* Mat 27,27-29

Jesus Açoitado

(Soneto composto ante a imagem do Cristo Flagelado, do grande artista baiano “Chagas” – O Cabra – do Carmo da Bahia)

MANDOU Pilatos que Jesus fosse açoitado*
Refere o Evangelista: o mais feroz tormento
Que, para serenar o povo turbulento,
Ordenava o pretor, injusto e amedrontado.


O Cordeiro de Deus, sem revide ou lamento,
Entrega as santas mãos para ser amarrado
Ao alto da coluna e, com o corpo forçado,
Aguarda, resignado, o horrendo sofrimento.


Vergastam-no com raiva e sádica alegria
- Como soem fazer os asseclas do inferno,
Às ordens de Satã que os estimula e guia.


E a Vítima Divina, elevado o olhar terno
Ao céu, aceita a imensa e pungente agonia
E por nós oferece a Deus – seu Pai Eterno.

(*) Jo,19,1

quinta-feira, 11 de março de 2010

Getsêmani...


GETSÊMANI é horto onde Jesus, em prece, *
Entreteve com o Pai o colóquio supremo;
Onde, enquanto mortal, o seu imo estremece
Antevendo do fim o sofrimento extremo.

Como homem angustiou-se e em todo ser padece
Na luta por vencer o formidável Demo;
Mas, como Deus, prostrou o inimigo blasfemo,
Entregando-se ao Pai a qual vontade aquiesce.

Custou-lhe, todavia, à natureza humana,
Aceitar todo o horror que a humilhação encerra
E a morte que sofreu – a mais crua e tirana!

Sobrevem-lhe espantosa – uma ânsia que O aterra!
- E dos poros suor e sangue vivo mana
Escorrendo do corpo e umedecendo a terra.
* Mt 26,36-43

Frei Elias Medeiros Ferro O. CARM.