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segunda-feira, 10 de maio de 2010

Memória do "The Braganza Mothers I" - "Pequeno Conto Zen"


Hoje, encostado à porta do "Hotel Lisboa", à espera de boleia da Lola, para voltar para os meus papelões da soneca, ali, debaixo dos arcos do Centro Comercial do Martim Moniz -- pernoitar é um direito constitucional... -- vejo uma daquelas velhas sombrias, das cortinas sujas dos últimos andares da zona, a agarrar nos sacos de plástico todos -- aqueles, do cocó de cão --, que estavam no suporte do poste, e a metê-los, furtivamente na mala... Perguntei ao porteiro do hotel o que era aquilo, e ele respondeu-me que era o costume: todas as velhas ali da rua roubavam os saquitos do cagalhoto para os usarem para enfiar carne, e congelar, na arca frigorífica...
Fiquei siderado: era um princípio de reciclagem e de equilíbrio ecológico perfeito, embora afectado de três perversões, perdão, parafilias, sexuais.
Eu explico: quando a velha rouba o saco dos cagalhões, para congelar a carne que dá ao seu cachorro, ela já está, subliminarmente, a pensar na sobrevivência daquela língua áspera, que, no seu rendilhado bordejar vaginal, há uma década substitui a ausência do marido defunto; há, pois, uma tendência Coprófila, de misturar Dejectos com Prazer; por outro lado, sempre que ela enfia carne no saquinho, está a praticar o Picassismo, a parafilia que consiste em ter de passar primeiro na rata os alimentos que vai depois meter na boca; por fim, ao manter gordo aquele canzarrão rodas baixas, e língua muito babosa e pendurada, ela está a alimentar o maravilhoso sonho da Zoofilia....
Coitado do marido, se fosse vivo, ver por quem aquela fiel "Boca da Servidão" o tinha trocado, depois de duas longas Bodas de Diamante...
Conto do Irmão Zen, do Mosteiro Kon-Deh, da Província de Re-Don-Doh.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Correio da Lola - "4 Anos de Sócrates na Retrete"

Neste blogue praticam-se a Liberdade e o Direito de Expressão próprios das Sociedades Avançadas

Querida Lola:
Faz hoje quatro anos que a infinita vaidade, a menoridade intelectual e a crueldade do Sr. Sócrates se apossaram do nosso País. O meu marido, que tem uma caçadeira de canos cerrados, sempre que o vigarista aparece na televisão, vai buscar a arma, e começa aos gritos, "eu vou lá, e estoiro já com os miolos àquele gajo!..." É uma coisa horrível, sou eu, mais a minha mãe, que sofre imenso das varizes, e a minha filha, que tem Síndroma de Down, a segurá-lo, para ele não sair porta fora e cometer uma desgraça. Eu sou uma pobre de cristo, minha amiga, e tenho medo de um dia não o conseguir segurar e o meu Ermano dar mesmo cabo do caneco ao Sr. Sócrates... Que acha que eu faça?...
(Silvina da Assunção, Olivais Sul, Lisboa)


Querida Silvina:
Compreendo a sua aflição. Quantas esposas, irmãs, mães e filhas deste país não estarão, presentemente, a viver uma angústia como a sua... É certo que o Sr. Sócrates lá conseguiu criar 150 000 novos desempregados, e mais continuará, se Deus, aliás, Jehova, e a rica mãezinha dele assim deixarem. Querida, a Crise é uma coisa horrível, que bate à porta de todos os que labutam. Eu, por exemplo, antes do Cherne e desses trapaceiros todos que depois lhe sucederam, tinha avenças, tinha árbitros que vinham, de propósito, de Avintes, de Famalicão, de Vila da Feira, de Braga, para fazerem o serviço comigo. Chegava a casa com os silicones todos derreados, mas a carteira cheia, punha uns trocos no BPN e o resto no BPP, como toda a gente de bem deste país. Agora, filha... chegam com um ar envergonhado, ao pé de mim, e eu até parece que já adivinho a conversa, primeiro que estão só de passagem, mas isso faz parte do ritual, no dia em que me disserem que uma traveca não foi abordada por só ser de passagem, ou só "ser a primeira vez", enfim, é sinal de que o José Eduardo dos Santos vai preso, ou o Pinto da Costa a julgamento, e... pois, a conversa, agora é se podem pagar... parcelado, como no Brasil, em três, ou seis vezes, sem juros... Eu, cheques, deus me perdoe, nunca mais aceitei, era o que faltava, sempre sem cobertura, e eu ter de ir depois, de soutien, fazer escândalos nos balcões do Millennium-BCP, antes das 15 horas, a essas horas ainda estou a roncar das noitadas de esquina, eles que abram os bancos à noite, mas adiante, a verdade é que acabo por aceitar que me paguem às prestações, penso sempre, homem sem dinheiro vai-me dar uma valente foda, que os pobres sempre foderam melhor do que os ricos, sei lá, pelo menos, era assim, antes do aquecimento global, mas a desilusão é sempre a mesma, quando eu aceito as três vezes sem juros, e já estou a rebolar as nádegas, eles jogam-se-me ao caralho, e ajoelham, com uma sofreguidão, como se tivessem acabado de sair de um "lay-off"... Olhe, querida, estou enjoada disso, não andei a encher os peitos de silicone e injeções de Eau de Vichy para agora acabar nesta miséria, com pais de família arruinados a mamarem-me nas pontas das peles, não foi para isto que eu mudei de sexo, e qualquer mudança que venha será muito bem vinda. Quanto ao seu Ermano, olhe, ele que se poupe, e a senhora que o proteja, porque, nesta fase do campeonato sempre é seguro manter um marido, para, quando a Crise apertar, mais se lhe poder dar o cházinho da meia-noite e ficar com a reforma. Conserve-o, que, quando vier a segunda maioria absoluta, não vão passar muitos meses até que alguém agarre na caçadeira de canos cerrados e cumpra o sonho do seu esposo... O meu caso é mais grave: pelo andar da coisa, acho que devia haver uma Segurança Social que tomasse conta destes casos críticos que noturnamente me vêm bater à porta. Quando oiço dizer, todos os dias, na televisão, que há bichas de 100 metros à porta dos Centros de Desemprego, acho que a coisa ainda está na fase de ensaio. Pelo que eu vejo, com a degradação da minha clientela, quando isto bater a sério, na segunda maioria absoluta, vamos mas é ter 96 000 km2 de... bichas, neste país. Vai ser um sufoco, filha. Possivelmente, até vou ter de aderir à Zoofilia, nem que seja com um caralho de burro decente...

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