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quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Nunca Acreditei na Ideia do Tigre Celta

"Nunca Acreditei na Ideia do Tigre Celta. Bebi demais, na Irlanda. Ouvi muita música, demais, na Irlanda. (...) Vestiram-nos de executivos na ponte aérea para Londres e nos intercontinentais para Bóston, acolheram regras continentais, tentaram higienizar os muros da Factory, os jardins de Dun'Laghoire, as ruas de Cork, Clifden, Galway ou Siglo. Para fabricar o Tigre Celta estragaram uma parte da minha Irlanda."
Francisco José Viegas, Revista Ler de Janeiro de 2011, pag.23

Diria mais caro Francisco. O homo sapiens sempre bebeu demais, sempre cantou e dançou demais. A espaços a civilização tentou domá-lo, ou higienizá-lo, a Santa Inquisição, o Comité Central e Wall Street, entre outras seitas religiosas. Mas o homo sapiens é muita macaco. É macaco. Não é tigre.

domingo, maio 24, 2009

Fóssil poderá ligar os humanos aos lémures

(Publicado no portal Esquerda.net)


(Foto site TheLink)

Um fóssil em excelente estado com cerca de 47 milhões de anos, encontrado em Messel na Alemanha, poderá ser a ligação que faltava na cadeia evolutiva entre os humanos e os lémures. O paleontologista Jørn Hurum do Museu de História Natural foi quem liderou a equipa que analisou este fóssil. Hurum publicou recentemente um livro, um documentário e uma página internet onde sugere que o fóssil encontrado em Messel, apelidado Ida, é uma importante espécie que falta na cadeia de evolução dos primatas. Segundo este paleontologista norueguês o fóssil Ida poderá ligar dois ramos evolucionários distintos: o ramo comum aos primatas superiores (ex: macacos) e aos humanos e o ramo a que pertencem os lémures. Darwinius masillae foi o nome atribuído à espécie a que pertence Ida. O esqueleto deste fóssil assemelha-se muito ao esqueleto de um lémure mas a ausência de garras, os dígitos com unhas, a forma dos polegares e das mãos ligam-no ao ramo dos primatas.

Apesar da importância desta descoberta há ainda uma grande incerteza no momento em que os dois ramos se separam, sobretudo porque o fóssil Ida pertence ao período do Eoceno, um período em que os primatas evoluíram muito rapidamente. Para dificultar ainda mais a tarefa dos paleontologistas, o Eoceno é um período do qual nos chegaram poucos fósseis. No entanto, o excelente estado de conservação de Ida permitiu analisar a pelagem e alguns dos seus tecidos, em particular os restos da sua última refeição: frutos, sementes e folhas.

Num ano em que se comemoram os 200 anos do nascimento Charles Darwin, esta é uma bela prenda para o darwinismo e para todos os investigadores que nos últimos 150 anos contribuíram para consolidar o conhecimento das espécies que povoam o planeta.

terça-feira, maio 05, 2009

Ali se abriu um debate sobre o criacionismo

Havia uns espertos em Portugal que há cerca de um ano queriam abrir um debate sobre o criacionismo, mas tiveram azar e não encontraram interlocutores com paciência suficiente. Não percam a esperança, na Arábia Saudita e na Turquia o debate surgiu no bicentenário do aniversário de Darwin. Ler os artigo de desespero de Hamza Al-Mizaini (Arábia Saudita) e de Haluk Sahin (Turquia). Nós estamos solidários com os dois autores.

quinta-feira, outubro 25, 2007

Dawkins explica o darwinismo aos neocons e às criancinhas

"The argument from improbability states that complex things could not have come about by chance. But many people define 'come about by chance' as a synonym for 'come about in the absence of deliberate design'. Not surprisingly, therefore, they think improbability is evidence of design (...) A deep understanding of Darwinism teaches us to be wary of the easy assumption that design is the only alternative to chance (...) Natural selection is a cumulative process which breaks the problem of improbability up into small pieces. Each of the small pieces is slightly improbable, but not prohibitively so. When large numbers of these slightly improbable events are stacked up in series, the end product of the accumulation is very very improbable indeed (...) The creationist completely misses the point because he insists on treating the genesis of statistical improbability as a single, one-off event. He doesn't understand the power of accumulation."
"The God Delusion", Richard Dawkins, Bantam Press, 2006, pag. 114 e 120.


Após este blá blá blá vazio sobre darwinismo tirei do baú das trapalhadas uma ilustração do texto de Dawkins:
"de acordo com o argumento [do desígnio], o mundo natural, em particular o mundo biológico, apresenta uma ordenação que não pode ser explicada por mero acaso. Apresenta design. (...) A Teoria da Evolução não coloca em causa, por si só, o argumento do desígnio, isto porque, na ausência de outra explicação, o mistério da mudança teria igualmente que ser atribuido a um designer."
João Miranda a defender de cernelha o Desenho Inteligente/Criacionismo

terça-feira, março 20, 2007

Broches a uma ideologia que é contra a ciência

O programa e os painéis do colóquio "Darwinismo versus Criacionismo - Onde começa e onde acaba uma teoria científica" (via Causa Nossa), organizado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, deixam entender que se vai explicar porque é que o Darwinismo é ciência e o Criacionismo (desenho inteligente incluído) não é ciência nenhuma. No entanto, há dois reparos importantes a fazer.

Primeiro, o título lança desnecessariamente alguma confusão sobre o assunto, pois o Darwinismo não pode ser comparado com o Criacionismo à luz da ciência. Compará-los tem tanto significado como comparar batatas com sereias. O Darwinismo é perfeitamente fundamentado pela ciência - há poucas teorias para as quais tenham sido reunidas tantas provas que as validem - enquanto o Criacionismo (e a sua última moda do desenho inteligente) não tem qualquer base científica, não existe qualquer trabalho científico válido que verifique as hipóteses de base criacionista.

O segundo reparo a fazer a este colóquio é que se trata de mais um broche à ideologia neoconservadora com origem nos EUA, que é a única ideologia hoje em dia que alimenta este tipo de pseudociência. Quem conhece um bocadinho os manobrismos que os neoconservadores ensaiam na Europa, sabe muito bem de onde surgem este delírios. Fundaçõezinhas e fundaçõezecas, do tipo da fundação do mafioso George Soros, multiplicam-se pelo continente europeu, principalmente na Europa de Leste com o objectivo de evangelizar os europeus aos maiores delírios do neoconsevadorismo americano. O menu neoconservador é composto por uma catequese espiritual e outra materialista. A catequese materialista baseia-se no ultraliberalismo do Estado Mínimo contra o Modelo Social Europeu. A catequese espiritual baseia-se no combate cerrado à ciência, através do negacionismo do Darwinismo, do Big Bang e do Aquecimento Global. Os recentes desenvolvimentos científicos sobre as alterações climáticas desferiram um rude golpe à ideologia neoconservadora, mas o dinheiro dos poços de petróleo continua a jorrar para alimentar os delírios pseudo-científicos. Infelizmente, este colóquio tem tudo para ser considerado mais um broche à ideologia neoconservadora do que propriamente uma oportunidade para esclarecer o grande público sobre a importância do método científico na complexidade das sociedades actuais.

segunda-feira, março 12, 2007

O negacionismo da teoria da evolução na ARTE

Hoje no canal ARTE, pela 21h20 de Portugal, é transmitido um documentário intitulado "La Science en Guerre" sobre o delírio negacionista da teoria da evolução de Darwin que grassa nos EUA.

domingo, janeiro 21, 2007

Ver rostos em todo lado

"... o pai ou a mãe sorri à criança, esta devolve o sorriso e cria-se ou reforça-seum laço. Mal a criança vê, reconhece rostos e agora sabemos que esta aptidão está impressa no nosso cérebro. As crianças que há um milhão de anos eram incapazes de reconhecer um rosto devolviam menos sorrisos, era menos provável que cativassem os pais e que medrassem. Hoje em dia, quase todas as crianças identificam rapidamente um rosto humano e respondem com um esboço de sorriso.

Como efeito secundário inesperado, o maquinismo de reconhecimento de padrões do nosso cérebro é tão eficaz em isolar um rosto de um amontoado de outros pormenores que por vezes vemos rostos onde estes não existem.
"

"Um Mundo Infestado de Demónios", Carl Sagan, Gradiva, 2002, pag. 58
(Imagem do "rosto de Marte" visto pela sonda Viking 1 em 1976)

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Criacionismo visto pelo liberal Raymond Boudon

"O darwinismo [segundo os criacionistas] seria uma máquina infernal ao serviço do «modernismo». Grupos fanáticos do criacionismo vão mesmo ao ponto de propor que seja eliminada dos livros escolares destinados aos alunos americanos toda e qualquer referência aos dinossauros"

"Os Intelectuais e o Liberalismo", Raymond Boudon, pag.51, Gradiva, 2005.

Este parágrafo de Boudon ilustra bem a qualidade dos liberais lusitanos, entre os quais parte significativa não hesita em se vergar à banha da cobra criacionista. A palavra fanáticos não aparece ali ao acaso.