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sábado, dezembro 08, 2012

Um editorial digno do gato fedorento

Este editorial do número de hoje de "O Figueirense" faz-me lembrar um sketch do Gato Fedorento em que um matarroano, claramente comprado pelo poder, vai-se manifestar em frente ao hospital a favor do encerramento das urgências. No referido editorial só falta o autor apelar ao encerramento de "O Figueirense", ele está tão satisfeito com o fim do jornal como está o matarroano enquanto lhe estão a cortar uma perna. "Mais força" grita com entusiasmo o matarroano, enquanto lhe serram a perna. Joaquim Gil agradece enquanto lhe encerram o jornal...

segunda-feira, março 05, 2012

Nova vida para os jornais sérios?

O Publico lançou hoje uma edição gratuita que pretende dar início a uma nova filosofia de distribuição, que passa pelos novos suportes técnicos, prometendo retirar bugiganga da edição impressa. Veremos. Espero sinceramente que a nova estratégia corra bem, sobretudo quando se tenta nivelar por cima. No actual panorama em que os jornais sérios de distribuição nacional se reduzem a Publico, i e DN (JN), todos em risco de fechar, seria uma catástrofe ficarmos reduzidos a bodegas tipo Correio da Manhã.

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Quem mais precisa


A minha coluna da passada quinta-feira no jornal As Beiras:

Os sacos de plástico que pendem das mãos são de um supermercado de produtos baratos, os carros estacionados de baixa cilindrada, em segunda ou terceira mão. Estamos longe das fantasias do CDS, dos beneficiários de rendimento mínimo com piscina e Mercedes à porta. Neste bairro social do concelho da Figueira, os habitantes cuidam da amostra de jardim que torna mais ameno o espaço entre as caixas de betão onde vivem. São simpáticos com os vizinhos e transeuntes, mas poderiam não ser dada a elevada taxa de desemprego e de abandono escolar. Vem-me à memória os tempos em que vivi perto de uma violenta cité francesa.
Investigue-se até às últimas consequências a Figueira Domus, proteja-se quem denunciou e tentou mudar más práticas, mas não percamos de vista quem mais precisa.

terça-feira, novembro 29, 2011

João Semedo incomoda muita gente

João Semedo tem sido o deputado mais activo contra a lapidação dos hospitais públicos, entre os quais o Hospital da Figueira. Este fim-de-semana foi alvo de um dos ataques mais miseráveis e trapalhões da história do jornalismo português. Na capa do Expresso dá-se uma notícia absolutamente falsa acusando o deputado de ter sido sócio do BPN. Ora, João Semedo nunca foi sócio do BPN como aliás se pode perceber pelo corpo da notícia do Expresso que contraria o próprio título. Mas há sempre quem leia apenas o título e não leia o próprio texto. Um erro tão grosseiro só pode ter explicação numa notícia encomendada por alguém muito incomodado pelo trabalho do deputado. Não é só em Angola que estas coisas acontecem. Das duas uma, isto ou vai acabar com um processo ao jornalista ou com um pedido de desculpas público com o mesmo destaque da notícia original.

sexta-feira, novembro 04, 2011

Libération acolhe Charlie Hebdo



Depois do incêndio da redacção do Charlie Hebdo, num gesto raro nos tempos que correm, o jornal Libération decidiu acolher os jornalista do semanário satírico.
A empresa Bluevision que gere o sítio internet do semanário revelou que a página tem sido alvo de constantes ataques informáticos coordenados e provenientes sobretudo de servidores localizados na Turquia e na Arábia Saudita. Esta última proveniência prova que o peixe é grosso e sabe o que quer. Como se isto não bastasse, os trabalhadores da empresa têm recebido constantes ameaças de morte. Entretanto, enquanto o sítio internet continua com problemas, o Charlie Hebdo criou ontem um blogue.


quinta-feira, junho 16, 2011

Novo Jornal Europeu: European Daily

Foi lançada a edição zero do novo jornal europeu , o European Daily.
Produzido em Londres com ajuda de muitas mãos de outros cantos da Europa, esta publicação assume a perspectiva europeia da notícia por contraponto à habitual perspectiva nacional dos jornais publicados em cada país.
Esta primeira edição é prometedora, mas veremos se funciona periodicidade diária, embora seja uma vantagem evidente sobre os dois concorrentes óbvios: o Courrier International e o site Press Europ

quinta-feira, maio 28, 2009

PressEurop

PressEurop é um novo serviço informativo em linha com notícias dos principais jornais europeus em 10 línguas diferentes (também em português) orientado para notícias sobre a Europa.

domingo, novembro 09, 2008

Yes!

A não perder a edição da Courrier International desta semana que inclui um dossier especial sobre a vitória de Obama com as reacções registadas na imprensa de todo o mundo.

quarta-feira, junho 25, 2008

O exame do 9º ano é fácil

Se o exame do 9º ano foi fácil, não o deveria ser, quem percorreu longas carreiras académicas sabe que se paga sempre, mais tarde ou mais cedo, a factura de provas fáceis.

Dito isto, há algo que me perturba muito mais nesta história do exame fácil. É registar a histeria com que o Correio da Manhã, o 24 Horas, a TVI e afins lidam com o assunto, como se fossem virgens intocáveis de educação televisiva, de rigor, de serviço público, é ver uma grelha da TVI e aquilo é só documentários e programas culturais, é abrir o Correio da Manhã e é só secções dedicadas à ciência e à cultura. O mais interessante ainda é constatar que quem surfa a fundo nestas ondas de histeria de mãos dadas com os referidos meios de comunicação, são os órfãos do Salazarismo e o PP, em particular o seu excelentíssimo presidente, famoso pelo belo exemplo que foi aquele colosso do ensino superior português: a Universidade Moderna.

O Correio da Manhã é fácil



Futebol, voyeurismo, mau gosto e sensacionalismo, reparem que em três capas a palavra sexo aparece escrita três vezes, uma vez pedofilia e uma vez gay.
Estas três ilustrativas capas foram seleccionadas apenas entre as publicações dos últimos 15 dias. Se recuássemos um bocadinho mais no tempo encontraríamos capas muito mais suculentas.
O Correio da Manhã é um jornal que não leio, nem a tiro. Se estivesse numa ilha deserta e o CM fosse o único jornal disponível preferia escrever na areia com os dedos notícias inventadas por mim do que ler o lixo imprimido no referido pasquim. Isso não me impede de ler alguns autores que por lá escrevem as suas crónicas, mas leio-os nos respectivos blogues cuja qualidade é infinitamente superior ao CM.
O que aqui escrevi também se aplica ao jornal 24 Horas.

quinta-feira, março 01, 2007

Leituras: Luísa Schmidt e Stephen Cohen

Muito bom o artigo "Alterações Cirúrgicas" de Luísa Schmidt publicado no Expresso desta semana na revista Única que denuncia as medidas de cosmética ambiental lançadas por Sócrates que muito pouco fazem por um real combate ao aquecimento global.
(voltei a pesar o Expresso e anotei um quilo e meio a menos que há 3 meses atrás)

Muito bom o artigo "A Nova Guerra Fria Americana" de Stephen Cohen no dossier da na Courrier International (CI) desta semana dedicado às relações Rússia-EUA (publicado no The Nation em Julho de 2006). Referindo-se às relações dos EUA com Rússia depois do fim da Guerra Fria, Stephen enuncia uma série de factos que parecem demonstrar que os EUA continuaram a avançar em direcção à Rússia mesmo depois da Guerra Fria ter findado.
Aqui fica a conclusão da versão curta publicada na CI:

"The extraordinarily anti-Russian nature of these policies casts serious doubt on two American official and media axioms: that the recent "chill" in US-Russian relations has been caused by Putin's behavior at home and abroad, and that the cold war ended fifteen years ago. The first axiom is false, the second only half true: The cold war ended in Moscow, but not in Washington, as is clear from a brief look back."

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Bola preta para os críticos de cinema

A propósito do filme "Babel", três entradas em blogues diferentes (Almareios, Arrastão e A Natureza do Mal) coincidem na crítica aos próprios críticos de cinema nacionais. Junto-me a essas crítica. A minha crítica começa logo pela falta de exigência dos jornais na escolha dos críticos de cinema. Quem escreve sobre cinema em jornais com dezenas ou centenas de milhares de leitores e é pago por isso tem que oferecer ao leitor algo mais do que uma conversa de café ou algo mais do que se escreve nos blogues. O que se verifica é que a maior parte dos críticos de cinema não vê muito cinema. Vêm aquele cinemazeco de algibeira de Hollywood, as lamechices da Disney e pouco mais. Provavelmente, menos de 25% dos críticos saem deste perfil e vão um bocadinho mais longe, já vêm uns David Lynchs, uns Tim Burtons ou uns Cronenbergs, mas muitos ficam-se por aqui. São muito poucos os que vêm todo o tipo de cinema, que vão à Cinemateca, que frequentam cine-clubes, que alugam filmes antigos, que vêm filmes em canais de TV que passam bom cinema (o canal ARTE por exemplo). Obviamente, depois a qualidade da crítica reflecte muito a qualidade e amplitude do cinema que se vê.

Lembro-me de ler críticas sucintas de um ou dois parágrafos que espremidos se resumiam a: "este filme é maniqueísta" ou "este filme é politicamente correcto", sem fundamentação da opinião expressa. Frequentemente, as críticas não enquadram o filme no contexto da obra dos autores, não se pesquisa sobre o local e sobre o contexto histórico da acção, não se citam os filmes que estiveram na origem de remakes, mas escreve-se demais sobre os milhões que custou filme A, B ou C, sobre a receita de bilheteira e fazem-se primeiras páginas muito generosas e simpáticas de filmes fraquíssimos produzidos por grandes companhias (serão essas primeiras páginas de borla?). Para completar o ramalhete de misérias, acho ridícula a mania dos ódios de estimação. Parece que para se ser crítico de cinema é preciso ter ódios de estimação. Um odeia o cinema francês, outro odeia o Michael Moore, outro o Woody Allen, outro a Barbra Streisand (os que têm falta de imaginação), e julgam-se muito engraçadinhos porque cortam rente cada vez que aparece um filme ligado ao seu ódio de estimação.

As consequências do baixo nível dos críticos é que muito cinema de qualidade nem sequer passa nas salas portuguesas ("Karakter" por exemplo) ou então passa, mas passa despercebido, como foi o caso caricato da primeira ronda de exibições do filme "Crash" de Paul Haggis, que só depois de vencer o Oscar é que foi exibido nas salas principais do país.