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Venha ela, que já faz falta

No Hemisfério Norte, a Primavera começa todos os anos no Equinócio de Verão, em Março, exactamente a meio entre o Solstício de Inverno (+/- 21 Dezembro) e o Solstício de Verão (+/- 21 Junho), e que corresponde também a um dos 2 momentos do ano em que o eixo da Terra está num plano perpendicular à incidência dos raios de sol, que nesses 2 dias do ano caem exactamente na vertical sobre o Equador. Como consequência destes momentos únicos, há 2 dias no ano em que o número de horas de luz é o mais aproximado possível ao número de horas de escuridão. Não se esqueçam que a Terra gira de 3 maneiras diferentes (receber esta informação aassim de repente pode causar tonturas eheh): enquanto a Terra dá 1 volta completa sobre si própria todas as 24 horas, o eixo da Terra também gira, desenhando um círculo no espaço acima da Terra. Para ajudar à confusão, a Terra também gira à volta do Sol, levando 1 ano solar (365.25 dias) a completar essa volta. Por causa desta volta e da inclinação do eixo é que temos estações do ano, e também por isso é que é Verão no Brasil quando estamos ensopados e a congelar em Portugal, e vice-versa.

Este ano a Primavera chega a Porugal continental e à Madeira exactamente às 17:32 do dia 20 de Março (16:32 nos Açores).
Uma explicação mais técnica pode ser encontrada no site do United Kingdom's National Maritime Museum [link], incluindo a razão pela qual temos que acrescentar um dia aos anos de 4 em 4 anos e temos anos bissextos.
Por mim, estou tão contente por a Primavera estar a chegar que comecei por procurar a hora exacta do Equinócio de Verão na net e acabei a escrever um artigo para o blog. E acho que não sou só eu que estou ansiosa pela Primavera....:)...ler tudo>>

No strings attached

É uma expressão inglesa que se refere às relações desinteressadas. A melhor tradução é "sem condições". Acho que a minha dedicação aos animais vem daí. Estar no sofá ao fim da tarde com as 2 gatas que dividem a casa comigo a ronronar enroscadas à minha volta, as três de barriga cheia com um lanche generoso (vegetariano para mim, para elas nem por isso) e saber que estão ali porque escolheram, quando podiam estar em qualquer outro lugar da casa....
Deve ser o gene altruísta :)






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Teoria do caos

De acordo com o actual estado da minha casa, uma borboleta bateu as asas lá dentro e o respectivo tufão não conseguiu atravessar as paredes para ir ocorrer na California.

Por acaso tenho borboletas em casa - de alguns ovitos que vêm no composto biológico nascem lagartas verde-vivo e eu só dou por elas quando já roeram metade do canteiro da hortelã-pimenta. Nessa altura mais vale deixá-las fazer casulo e depois porem-se a andar (aliás, a voar), o mal já está feito. As lagartas até são giras, passam o dia disfarçadas de ramo, quietinhas, low-profile, para eu não dar por elas, e têm uma cor muito gira. Descaradas...

Isto para me queixar de que trabalhar, fazer formação profissional, dar atenção a 2 gatas, 20 plantas e conseguir 1 hora livre para ver o Men in Trees à 6ª feira exige dias com 48 horas ou aprendermos a dormir de olhos abertos e com o sistema de navegação ligado, como os golfinhos.

Já não sei como vai a Liga Inglesa, ainda não respondi aos emails de Boas Festas, estou parada no Final Fantasy com um trengo de um robôt que não morre nem com meia dúzia de raios cósmicos da Yuna no focinho, tenho que programar a máquina de lavar para funcionar de noite porque não estou em casa tempo suficiente (acordada) para que o programa se complete e eu possa estender a roupa (raio das gatas bem podiam ajudar...), e ando a prometer um chá a uns amigos há tanto tempo que eles devem achar que eu fui plantá-lo e estou à espera que cresça e dê folhas.

Mas juro que nem que chovam picaretas esta semana vou começar a ler o Sétimo Selo.
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we are everyday angels...



Nunca percam uma oportunidade de fazer o bem.

Ontem vi o filme "I am legend" e aprendi uma história. Aliás, uma História, daquelas que ajudou a moldar um bocadinho da Humanidade, e por isso já faz parte do que se devia estudar na escola.

Dois dias antes de subir ao palco num dos seus múltiplos concertos , Bob Marley foi atacado em casa e levou dois tiros. Passados dois dias, estava no palco pronto para actuar. Numa entrevista a seguir, perguntaram-lhe porque é que ele não tinha cancelado o concerto para descansar:

«As pessoas que estão a tentar fazer do Mundo um lugar pior nunca tiram um dia de folga.» - disse ele - «Porque é que eu o devia fazer?»...ler tudo>>

sê como o sol

Duvido que alguém tenha alguma vez conseguido comer as 12 passas ao ritmo das badaladas. Engoli-las, talvez. Engasgar-se brutalmente, com toda a certeza. Depois de uma tentativa muito mal sucedida por volta dos 7 anos, para a qual contribuiu (suspeito!) a garantia do meu pai que os desejos só se realizavam se eu comesse as passas em cima de um banco atrás da porta e com um pé levantado (temos o gene do british humour na família), este ano vou voltar a não comer as 12 passas. Mas...

Chego ao fim do ano e sinto que devo dar graças...
- ... pela má experiência de viver em Manchester e por esta me ter ensinado a descobrir um novo valor nos amigos e família.
... por ter tido coragem de pôr no compostor as ligações que já estavam meio decompostas de qualquer maneira.
- ... pelas pessoas novas que o ano me trouxe ou pelas que voltaram a entrar na minha vida: a Sandra, a Ana, a Sarah, o Nuno e a Paula, a Sónia, a Mónica, o Filipe, a Rita e a Mara, a Vera, a Anita...
- ... por poder partilhar a vida do Chantilly, um dos meus pequenos mestres Zen, desde a sua beleza perfeita até à sua maneira de ser um pequeno Deus de 4 patas que nunca sonharia sequer que poderia ser outra coisa.
-... pelas respostas que encontrei ou me encontraram
-... por acabar o ano com o dobro das perguntas às respostas que me encontraram

Cada vez mais me convenço de que não há riqueza senão a interior e não há amor senão o universal. Que ser "bom" ou "fazer a coisa certa" valem por si próprios e não pelos resultados. E valem mais para quem os faz. "Ser bom" ou "correcto", atitudes que derivam naturalmente de se amar cada parte infinitesimal do Mundo, soma-se à quantidade de bem nesse Mundo mas eleva exponencialmente o calor que temos no coração. Sermos um veículo do bem desinteressado a cada segundo acaba por ser um paradoxo tal é o ganho pessoal e o crescimento interior que daí se tiram...
Acabo 2007 convencida de que o meu caminho é ser como o sol. Brilhar mesmo que não tenha nenhum objecto sobre que o fazer.

Abraço********...ler tudo>>

Vida, morte, CO2...Em minha casa ou na tua?


Já sei que há muito tempo que não apareço aqui, nem dei justificação para tal. Posso dizer, se vos satisfizer uma alegoria, que estive enterrada no solo e adormecida com o Inverno, que nem uma semente preguiçosa e friorenta, e agora resolvi pôr duas folhas cá para fora e ver que tal está a paisagem, e se me apetece sair.

Cada ano novo faz-me (-nos) renascer para a vida como as plantas que teimam em resistir ao solo gelado e brotar da terra na Primavera, em míriades de sementes-clones da mãe que se sacrificou ao frio do Outono.

Já não é bem Primavera. Este ano fui uma planta bem preguiçosa.

Pode ter sido da idade, mas isso pode querer dizer que é porque agora já não sou uma simples semente que tem que obedecer ao ciclo de fecundação todos os anos, lutar contra o solo ano após ano, mas sim uma árvore sólida que chega a Fevereiro nua e tem que preparar todos os raminhos novos que vão nascer, suavizar os nós lenhosos para facilitar a vida a esses novos botões e fazer crescer raízes para partes de chão inexploradas.

Voltei agora porque me apeteceu e porque encontrei uma coisa que merece ser partilhada, distribuída, gritada aos ventos e de cima dos penhascos. Este site:


É um planisfério que indica, a partir do momento em que entramos, quantas pessoas nasceram, morreram e quanto CO2 foi libertado pelo país onde colocarmos o ponteiro do rato. Não demora quase nada a carregar.

P.S.:Pequena actualização: já não estou em Inglaterra (thank God!).
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Vem aí o fim do Verão..

«No Inverno, o Verão é um mito» ("Little, Big", John Crowley)

....E é um mito porque quando estivermos no frio, nem nos vamos conseguir lembrar deste calor que parece tão chatinho.
....Eu adoro incondicionalmente animais e plantas, mas a ter que trabalhar, escolhi as últimas. Entendo-me melhor com elas, sei lá..
....Por volta desta altura os dias decrescem e as folhas começam a mudar de cor. O Inverno é demasiado frio para que as plantas possam manter as folhas e continuar a crescer com o mesmo vigor, por isso escolhem largá-las e dormir até à Primavera. Um tronco sem folhas é menos produtivo mas também é mais económico de manter.
O sinal que indica que vem aí o Inverno é o decréscimo na duração do dia e não as temperaturas mais frias - tal como nós, as plantas têm um relógio biológico interno que lhes diz que se aproxima a altura de se recolher. Por isso nesta altura do ano, muitas delas começam a quebrar os laços vitais com as folhas, lentamente. O único sinal disso é que as folhas ficam amarelas e vermelhas porque já não estão completamente presas à planta e, sem circulação, a clorofila verde degrada-se. Só se mantêm verdes as nervuras das folhas, onde ainda chega alguma seiva, e no resto da folha aparecem pigmentos de cores maravilhosas - as antocianinas.
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TUDO vale a pena

Eu, a Irina e a nossa amiga de sempre, Licínia, no dia em que concorremos para a Universidade, em 1999 (eixxx há quanto tempo!)..

....Hoje a minha amiga Irina partiu rumo a Bruxelas, onde vai trabalhar na qualidade de Bióloga para a IFOAM . A Irina vai estar envolvida na dinamização da Agricultura Biológica europeia, em livrar a Europa agrícola (e se possível o resto do planeta) dos Organismos Geneticamente Modificados, e noutras actividades de protecção do ambiente e da saúde que, penso eu, numa sociedade 'normal' não precisariam de ter organizações especiais só para as levar a cabo. Mas adiante que isso são outras histórias.
Eu já conheço a Irina há..milénios. Nem sei quem decidiu primeiro que ia ser bióloga. Ou que ia mudar o Mundo. Mas toda a gente esteve sempre de acordo em que éramos as duas material destinado a professor de secundário, principalmente quando entrámos para Biologia (em universidades diferentes). E quando insistimos, também em alturas diferentes, em levar a vida na direcção da Agricultura Biológica, o consenso ainda se uniu mais: não estávamos destinadas à docência mas sim à pobreza.

A mim nunca me passou pela cabeça fazer outra coisa que não fosse aquilo que queria, se necessário com part-times pelo meio para arranjar fundos. Muita gente nos acusou de não sermos realistas (leia-se totós), ou deram-nos um tratamento condescendente quando as nossas conversas iam para coisas mais globais (leia-se pensam que vão salvar as baleias) e não nos encaixávamos na indiferença cool dos outros da nossa idade. Nem vale a pena mencionar a atitude em relação ao nosso vegetarianismo, não é?

Eu não me arrependo nunca de ser quem eu sou. Tenho a certeza que a Irina também não. Sermos nós próprias, ainda por cima quando sentimos cá dentro que queremos fazer aquilo que está certo, não pode nunca levar a dúvidas. Arrependimento tem-se de não ter tentado.

Hoje a Irina foi para o umbigo da Europa fazer aquilo que gosta. Daqui a 20 dias, eu vou para Manchester fazer o meu doutoramento em biocontrolo de pragas (i.e. como usar bichinhos para dar cabo das pestes em vez de lhes espetarmos com químicos). Nem preciso de lhe desejar boa sorte, porque a sorte é para quem anda à deriva do destino, e a Irina sabe muito bem construir aquilo que quer à sua volta.

Balanço, depois de tantos aninhos... Baleias? Algumas, espero que a minha contribuição para a Greenpeace chegue ao destino. Professoras? Acho que é mais "alunas para toda a vida". Pobreza? Não me parece. De espírito, não de certeza :)
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