Gravado no Spotlight Club, em Washington D.C., a 6 de Setembro de 1958. As palmas e o barulho de copos e pires entrechocando-se, não nos prepara para o que vem aí: primeiros acordes de contrabaixo (Israel Crosby), piano (Ahmad Jamal) e as vassouras de Vernel Fournier; passam 25 segundos e a mão direita de Jamal ganha vida própria. Um dedilhar concentrado até ao balanço cúmplice dos três instrumentos, que se acompanham, soltando-se Crosby, Fournier e Jamal dialogando de vez em quando com maior assertividade. O solo de Jamal, entre 1'28'' e 1'46'' estonteia e termina como um espasmo. Ouvimos a voz de Ahmad, quando em seguida fustiga as teclas, yes!, recolhendo logo o ímpeto, para a conversa continuar, um pouco mais agitada. O público já aqueceu, vamos ao resto...
Um blogue de música para mim e quem o quiser apanhar, a girar desde 1 de Dezembro de 2012.
domingo, 8 de dezembro de 2013
domingo, 1 de dezembro de 2013
#36 MOVE* -- Miles Davis
Move foi composto pelo baterista Denzil [DaCosta] Best, e abre Birth Of The Cool (1957) (o alinhamento do cd difere do do lp...)
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
#35 ST. LOUIS BLUES - Louis Armstrong
Standard absoluto de W. C. Handy, reconhece-se à partida o inconfundível pulmão de Satchmo.
O acompanhamento inicial, clarinete, trombone, piano, suave, a realçar ainda mais a trompete, que entra, aos 1'21'' numa cadência caribenha (matéria para quem saiba de música e etnomusicologia...)
Segue-se o embalo para preparar a voz quentíssima de Velma Middleton. O diálogo entre Velma e Louie, primeiro voz e trompete, depois voz e voz, é extraordinário. O solo de Bigard, por volta dos cinco minutos, acompanha o início da disputa entre o casal, quando a conversa degenera, entra veemente, aos 7 minutos, o trombone de Trummy Young. No final, parte-se a loiça toda, trompete e trombone polemizam, o piano de Billy Kyle parece entornar as teclas, como se num desenho animado americano da época de ouro. Um break de Barrett Deems parece acabar com a conversa.
Faixa #1 de Louis Armstrong Plays W. C. Handy (1954). L. A., trompete e voz; Trummy Young, trombone; Barney Bigard, clarinete; Arvell Shaw, contrabaixo; Barrett deems, bateria; Velma middleton, voz. LP CBS.
[actualizo (ando um bocado à nora com este blogue...) para postar uma actuação em Itália, 1959]
segunda-feira, 22 de julho de 2013
#34 LOVE ON THE LINE* -- Barclay James Harvest
Apesar de tudo, gosto -- gosto a que não será alheio o impacto que teve, nos meus 15 anos, esta entrada triunfal no velho pavilhão do Dramático de Cascais, na digressão que promovia o disco.
Em baixo, uma competente prestação ao vivo, suponho que na kitsch Alemanha, onde os BJH foram sempre mais populares do que em casa. Mesmo assim, não tão boa como a que assisti em Cascais.
Faixa 1 de Eyes Of The Universe (1979). Tema de Les Holroyd. John Lees, voz, guitarra e teclas; Les Holroyd, voz, baixo e teclas; Mel Pritchard, bateria (e teclas?).
sábado, 8 de junho de 2013
#33 - HELP! *-- The Beatles, Deep Purple
Do álbum homónimo (1965), faixa 1.
Em baixo, ao vivo (BBC?...) e mais abaixo, cover dos Deep Purple...
terça-feira, 7 de maio de 2013
#32 - SUNDAY -- David Bowie
Em baixo, ao vivo em Paris, nesse mesmo ano.
domingo, 28 de abril de 2013
31 -- SUBÚRBIO -- Chico Buarque
O olhar atento de Chico Buarque, sempre para além da superfície e à margem do bonitinho; «choro-canção» com uma lírica fantástica que faz jus a quem sempre cultivou com mestria -- essa língua «que abusa / De ser tão maravilhosa». Faixa inicial de Carioca (2006). L. C. Ramos, violão; Jorge Helder, baixo acústico; Celso Silva, pandeiro; Cristóvão Bastos, piano acústico; Paulo Sérgio Santos, clarinete; Marcelo Bernardes, flauta; Hugo Pilger, violoncelo. Em baixo: gravações do CD e do DVD.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
#30 -- SKYLINER -- Charlie Barnett
Música para levantar o moral das tropas norte-americana estacionadas na Europa, no pós-guerra, via rádio. De e por Charlie Barnett, regente e saxes soprano e tenor.
domingo, 7 de abril de 2013
#29 - QUELQU'UN MA DIT -- Carla Bruni
Música: Carla Bruni; letra: C.B. e Leos Carax; Louis Bertignac, guitarras e piano; Léna Fablet, violeta; Roselyne Macario, voz; Vincent Catulescu, violoncelo; Laurent Vernerey, contrabaixo; Steve Shehan, precussão.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
#28 - Planet Claire -- The B-52's
sexta-feira, 29 de março de 2013
#27 FICA MAIS UM POUCO AMOR -- Adoniran Barbosa
Fica mais um pouco, amor
Que eu ainda não dancei com você
Somos quase vizinhos, fazemos o mesmo caminho,
Vamos, me dê sua mão
Quando o baile acabar, eu deixo você no seu portão.
Somos quase vizinhos, fazemos o mesmo caminho,
Vamos, me dê sua mão
Quando o baile acabar, eu deixo você no seu portão.
Eu não vou pedir, mas se você quiser me dar
Aquele beijo, ao qual eu faço jús
Espero você entrar, acender e apagar a luz
Abrir a janela e me dizer:
"boa noite, zé, té manhã se deus quiser".
Tá tudo legal
Aquele beijo, ao qual eu faço jús
Espero você entrar, acender e apagar a luz
Abrir a janela e me dizer:
"boa noite, zé, té manhã se deus quiser".
Tá tudo legal
domingo, 24 de março de 2013
#26 WOULDN'T IT BE NICE -- The Beach Boys
sábado, 16 de março de 2013
#25 MODERATO do Concerto para Violeta de Béla Bartók -- Jaroslav Karlóvský, Luca Ranieiri -- Béla Bartók
Concerto póstumo e inacabado, finalizado pelo discípulo de Béla Bartók, Tibor Serly, tal como o Concerto para piano #3. Pertencem ao período americano do enorme compositor húngaro, tal como o inolvidável Concerto para Orquestra, cuja vigor também aqui se reconhece. A um tempo melancólico e fogoso, não parece ter saído do génio de alguém que, desenraizado e muito doente, estaria certamente em profundo abatimento.
Em baixo, Jaroslav Karlovský com a Orquestra Filarmónica Checa, dirigida por Karel Ancerl.
A seguir, os primeiros 9'57'' por Luca Ranieri com a Orquestra Sinfónica da RAI, dirigida pelo arménio George Pehlivanian, que já tive a sorte de ver e ouvir.
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sábado, 9 de março de 2013
#24 THE LONE RHINOCEROS -- Adrian Belew
Em The Acoustic Adrian Belew (1993), acústico e a solo. Humor triste do rinoceronte solitário, em que não se dá, nem podia, pela facilmente reconhecível guitarra dos King Crimson (é obra ser-se uma guitarra reconhecível na banda que tem por mentor Robert Fripp).
Aqui em baixo, Nova Iorque, 2009, Belew guitarra um rino gemebundo.
domingo, 3 de março de 2013
#23 ALL SHOOK UP -- Jeff Beck & Rod Stewart, Elvis Presley, Cliff Richard & The Shadows
Versão electrizante e magnificada (como pode comprovar-se) da música de Ottis Blackwell & Elvis Presley, pelo Jeff Beck Group, não fosse Beck um dos grandes heróis da guitarra do rock e Stewart, nesta altura (e, depois, sempre que queira) um dos seus maiores vocalistas. No baixo, Ron Wood (Ron e Rod iriam a seguir para os Small Faces); no piano, Nicky Hopkins; Tony Newman, na bateria.
Do álbum de 1969, Beck-Ola, mais tarde reeditado como The Most of Jeff Beck Featuring Rod Stewart.
Em baixo, a versão original, cantada por Elvis (1957),
e ainda uma gravação esplêndida de Cliff Richard
com metade dos Shadows: Hank Marvin (outro guitar hero) e Bruce Welch, creio que em 1979.
sábado, 23 de fevereiro de 2013
#22 BABA O'RILEY -- The Who, Pearl Jam
Poucos extravasam o som, e a fúria com a verve de Pete Townshend, o grande.
Extractos dos concertos organizados, em Londres, Dezembro de 1979, por Paul McCartney e a ONU, em favor do povo cambodjano, numa aflitiva situação de fuga dos Khmers Vermelhos, que haviam dizimado o país, em face da invasão do vizinho Vietname.
Baba O'Riley abre este álbum desigual. Melhor é ver o filme, em baixo.
Roger Daltrey, voz e harmónica; Pete Townshend, guitarra, voz e uns synths que pusera a tocar sozinhos; John Entwistle, baixo; Kenney Jones, bateria.
Abaixo, uns furitos abaixo, os Pearl Jam. Eddie Vedder faz, bem, o que pode, mas não é Daltrey quem quer. Fantástico o público de Santiago do Chile.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
#21 RIFF RAFF -- AC/DC
Em If You Want Blood You've Got It (1978). Angus Young, guitarra; Bon Scott, voz; Cliff Williams, baixo; Malcolm Young, guitarra; Phill Rudd, bateria.
Em baixo, versão em estúdio, incluída em Powerage, do mesmo ano, solos de Angus Young com nuanças.
Finalmente, no Apollo Theatre, Glasgow, onde tudo foi gravado.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
#20 HIGHWAY TO HELL -- AC/DC, Chester Bennington & Slash
Do álbum homónimo de 1979: Angus Young (guitarra), Malcolm Young (guitarra), Bon Scott (voz), Cliff Williams (baixo) e Phil Rudd (bateria).
Ora bem: blues é o que isto é, e do bom, dos riffs à lírica, Bon Scott premonitório sobre a muito próxima ida para pior -- nem para o Inferno nem para o Céu, antes para o nada, sufocado pelo próprio vómito.
Aos 2'11'' a guitarra de Angus Young geme, distorce e pontua com mestria com os esgares vocálicos de Scott.
Em baixo, ao vivo, nesse ano de 79, em Arnhem, Holanda.
E mais abaixo: Chester Bennington (Linkin Park) e Slash (São Francisco, 2006).
domingo, 10 de fevereiro de 2013
#19 EL ALBAICÍN de Isaac Albéniz, Esteban Sánchez, Sara Baras
De novo Iberia de Albéniz, com Esteban Sánchez ao piano: «El Albaicín», bairro da mui andaluza e mourisca Granada.
Em baixo, a incrível Sara Baras.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
#18 RONDA DAS MAFARRICAS
Gravado no Strawberry Studio, em Paris (creio que pertença do Elton John), grande músicos franceses, além de Francisco Fanhais (aqui na guimbarda, espécie de berimbau), José Mário Branco, a quem se deve a direcção musical e os arranjos (além das teclas) e Carlos Correia (Bóris) nas guitarras.
Em baixo, versão de Cristina Branco e
Janita Salomé, ao vivo
Em tempo: a letra é de António Quadros (pintor).
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