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sexta-feira, 17 de junho de 2016

O dom da compaixão




«Ter compaixão é algo mais do que ter dó. Ter dó sugere distância, e até uma certa condescendência. Com frequência, eu atuo por dó. Dou algum dinheiro de esmola a algum pedinte numa avenida, mas não olho para ele – olhos nos olhos; não me sento ao seu lado nem falo com ele. Estou demasiado ocupado para prestar realmente atenção à pessoa que me estende a mão. O meu dinheiro substitui a minha atenção pessoal e representa uma desculpa para continuar o meu caminho. 



Ter compaixão significa aproximar-se de quem sofre. Mas só podemos aproximar-nos de uma outra pessoa quando estamos dispostos a tornar-nos vulneráveis. Uma pessoa compassiva diz: “Eu sou teu irmão; eu sou tua irmã; eu sou humano, frágil e mortal; precisamente como tu. Não me escandalizo com as tuas lágrimas nem tenho medo da tua dor. Também eu já chorei”. Só podemos estar com o outro quando o outro deixa de ser “outro” para se tornar como nós. (…)



Quando reflito sobre a minha própria vida, compreendo que os momentos de maior conforto e consolação foram os momentos em que alguém disse: “Eu não posso tirar-te o sofrimento, não posso oferecer uma solução ao teu problema, mas posso prometer-te que não te deixarei  sozinho e estarei ao teu lado tanto tempo e tão bem quanto me for possível”. Há muita angústia e sofrimento na nossa vida, mas que bênção quando não temos que viver a nossa angústia e sofrimento sozinhos! Esse é o dom da compaixão.»

Henri Nouwen, in “Aqui e Agora”

quinta-feira, 19 de maio de 2016

"Assim como Deus me fez, também eu te faço a ti"

«Se quisermos que o nosso mundo seja curado, já não nos podemos apoiar na lógica de "assim como tu me fizeste, também eu te faço a ti". Devemos aprender a lógica de "assim como Deus me fez, também eu te faço a ti" - o caminho do perdão e da reconciliação.»

[Tomás Halik, in "A Noite do Confessor"]


"O preceito mais radical de Jesus é talvez: «Sede misericordiosos como também o vosso Pai é misericordioso»(Lucas 6, 36).

Jesus descreve a misericórdia de Deus não só para me mostrar o que Deus sente por mim, ou para me perdoar os pecados e oferecer-me uma vida nova e muita felicidade, mas para me convidar a ser como Deus, a ser tão misericordioso para com os outros como Ele é para comigo. Se o único sentido da história fosse: toda a gente peca, mas Deus perdoa, muito facilmente começaria a pensar nos meus pecados como sendo uma bela ocasião para Deus me dar o seu perdão. Vistas assim as coisas, nem sequer haveria lugar para um autêntico desafio. Resignar-me-ia a ser fraco e ficaria à espera de que Deus acabasse por fechar os olhos aos meus pecados e me deixasse entrar em casa, fosse o que fosse que tivesse feito. Tal mensagem, porém, tão sentimental e romântica, não é a mensagem do Evangelho.


Se Deus perdoa aos pecadores, então aqueles que têm fé deveriam fazer o mesmo. Se Deus recebe os pecadores em casa, então aqueles que confiam em Deus também deveriam fazê-lo. Se Deus é misericordioso, então os que amam a Deus deveriam ser misericordiosos. O Deus que Jesus anuncia e em nome de quem actua, é o Deus da misericórdia, o Deus que se propõe como exemplo e modelo do comportamento humano."

Henri Nouwen, in "O Regresso do Filho Pródigo"

domingo, 3 de abril de 2016

A Alegria é o dom secreto da Compaixão


«Aos olhos de Deus, o mais importante é muitas vezes o mais escondido.» 


Henri Nouwen, in Adam, o Amado de Deus*


«A alegria que provém da compaixão é um dos segredos mais bem guardados da humanidade. É um segredo só conhecido de muito poucas pessoas, um segredo a descobrir continuamente. Eu, pessoalmente, tive umas «amostras» dela. 

Quando vim para Daybreak, uma comunidade com pessoas com deficiências mentais, pediram-me para passar algumas horas com Adam, um dos membros deficientes da comunidade. Todas as manhãs, tinha que o levantar da cama, dar-lhe banho, barbeá-lo, escovar-lhe os dentes, dar-lhe o pequeno-almoço e levá-lo para o lugar onde ele passa todo o seu dia. Durante as primeiras semanas, quase tive medo, sempre preocupado com não fazer nada mal ou com que ele tivesse algum ataque epiléptico. Mas, pouco a pouco, fui ficando mais calmo e comecei a apreciar a nossa rotina diária. Com o passar das semanas, descobri que já era com ansiedade que esperava por aquelas duas horas que passava com o Adam. Sempre que pensava nele durante o dia, experimentava um sentimento de gratidão por o considerar meu amigo. Embora ele não fosse capaz de falar e nem sequer de fazer um sinal de agradecimento, havia um autêntico amor entre nós. O meu tempo com Adam tornara-se o tempo mais precioso do dia. 

Quando uma visita amiga me perguntou um dia: «Não poderias passar melhor o tempo que a trabalhar com um homem deficiente? Foi para fazer esse tipo de trabalho que tiraste o teu curso?» , compreendi que não era capaz de lhe explicar a alegria que o Adam me trazia. Ele tinha que descobrir isso por si mesmo. 

A alegria é o dom secreto da compaixão. Continuamos a esquecer-nos disso e inconscientemente procuramo-la em outros lugares. Mas, cada vez que voltamos para onde existe a dor, conseguimos uma nova «amostra» de alegria que não é deste mundo.»

Henri Nouwen, in  Aqui e Agora



Na sua obra “Adam, o Amado de Deus”, Henri Nouwen revela como deixou a sua prestigiada profissão de professor numa das mais conceituadas universidades dos EUA, para dedicar-se integralmente à obra de tomar conta de pessoas com deficiências em Toronto, no Canadá. Dentre elas, estabeleceu uma relação de amizade muito bela e profunda com um jovem especial chamado Adam.

Adam, era um jovem que devido a um complicado quadro de epilepsia, exigia um cuidado extremo por parte dos que tomavam conta dele, pois nem mesmo as suas tarefas básicas conseguia realizar sozinho. Não falava uma palavra sequer, nem conseguia expressar-se muito bem, pois não coordenava os seus movimentos. No entanto, Henri Nouwen revela-nos que "a sua maravilhosa presença e o seu valor incrível iluminavam-nos para compreender que nós, assim como ele, também somos preciosas, agraciadas, amadas crianças de Deus, independentemente de nos vermos como ricas ou pobres, inteligentes ou deficientes, bonitas ou feias. (...) No relacionamento com ele, descobriríamos uma identidade mais profunda, mais verdadeira."

A experiência de Henri Nouwen com este jovem foi extraordinária e reveladora, ao ponto de nos confidenciar: "com Adam aprendemos que a beleza de cuidar de alguém não está só em dar, mas também em receber. Foi ele quem me abriu para a compreensão de que o maior dom que eu lhe podia ofertar era a minha mão e o meu coração abertos, para receber dele o precioso dom da paz. (...) Cuidar de Adam era permitir que o Adam cuidasse de nós, como nós cuidávamos dele.»

quinta-feira, 31 de março de 2016

Renascemos na Misericórdia de Deus

Imagem: O Retorno do Filho Pródigo.
Séc. XVII. Por Rembrandt, atualmente no Museu Hermitage, em São Petersburgo.

No "Regresso do Filho Pródigo - Meditações sobre um quadro de Rembrandt" Henri Nouwen, conta-nos a história de um pai e dos seus dois filhos (que encontramos no capítulo 15 do Evangelho de Lucas) a partir dum quadro de Rembrandt, um pintor flamengo do século XVII. 

O primeiro encontro de Henri Nouwen com este quadro de Rembrandt marca o início de uma fascinante aventura espiritual, em que aquela imagem do pai terno e misericordioso , será uma presença constante e fonte de belas e profundas reflexões, ao ponto de ele se referir ao quadro da seguinte forma: «Contém todo o Evangelho. Nele está toda a minha vida e a dos meus amigos. Este quadro converteu-se numa misteriosa janela através da qual posso pôr um pé no Reino de Deus»

Fruto de contemplações demoradas e pacientes, o autor partilha as suas impressões, pensamentos e sentimentos sobre detalhes específicos do quadro. Por exemplo, sobre a imagem dos braços e das mãos do Pai, escreveu: 

«É neste Deus que quero acreditar: um Pai que, desde o princípio da criação, abre os braços numa bênção cheia de misericórdia, sem forçar ninguém, mas esperando sempre; sem deixar cair os braços, e esperando sempre que os filhos regressem para lhes poder falar com palavras de amor e para deixar que os braços cansados repousem nos seus ombros. O seu único desejo é abençoar

O pai quer simplesmente que saibam que o amor de que andaram à procura pelas mais variadas vias, esteve, está e sempre estará presente para eles. 

O núcleo do quadro de Rembrandt são as mãos do pai... Nelas, a misericórdia faz-se carne; nelas se reúnem o perdão, a reconciliação e a cura e, por meio delas, encontram descanso não só o filho cansado, mas também o ancião-pai. »

Uma das mais belas passagens do livro acontece quando Henri Nouwen medita mais profundamente sobre o significado da imagem do manto vermelho: «Com a sua cor cálida e a forma curva oferece um lugar de acolhimento onde dá gosto estar. Sugere as asas protetoras de um passarinho-mãe. Lembrava-me das palavras de Jesus sobre o amor materno de Deus: «Ó Jerusalém, Jerusalém... Quantas vezes quis reunir os teus filhos, como a galinha acolhe os seus pintainhos sob as suas asas, e tu não quiseste!» (Mateus 23, 37-38).

E assim, sob a figura de um velho patriarca judeu, emerge também um Deus maternal que recebe o seu filho em casa.

Agora, quando olho de novo para o ancião de Rembrandt inclinado para o filho recém-chegado e que lhe toca nos ombros com as mãos, começo a ver que não é só o pai que «aperta o filho nos braços», mas a mãe que acaricia o seu menino, o envolve com o calor do seu corpo, o aperta contra o ventre de onde saiu. Assim, «o regresso do filho pródigo» transforma-se no regresso ao ventre de Deus, no regresso às próprias origens do ser e volta a fazer-se eco da exortação de Jesus a Nicodemos: tens que nascer de novo.»

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

OUVIR O CORAÇÃO

«Ter coragem é ouvir o coração, falar desde o coração e agir de acordo com o coração. O coração, centro de nosso ser, é a sede da coragem.»
Henri nouwen

sexta-feira, 19 de julho de 2013

DESEJOS DO CORAÇÃO

"Jesus não reage ao nosso modo de vida cheio de preocupações dizendo que não deveríamos estar tão ocupados com assuntos desde mundo. Ele não tenta nos afastar dos muitos eventos, atividades e pessoas que fazem parte de nossas vidas. Ele não nos diz que o que fazemos é sem importância, sem valor ou inútil. Nem sugere que deveríamos nos afastar de nossos compromissos e viver vidas tranqüilas e descansadas, distantes das lutas deste mundo. A resposta de Jesus às nossas vidas cheias de preocupações é muito diferente. Ele nos pede que nos desloquemos o ponto de gravidade, modifiquemos o foco de nossa atenção e mudemos nossas prioridades. Ele quer que vivamos nele, porém, firmemente arraigados no centro de todas as coisas. Jesus não fala sobre uma mudança de atividades, uma mudança nos contatos, ou mesmo uma mudança de passo. Ele fala sobre uma mudança de coração. O que conta é onde nossos corações estão".

Henri Nouwen, em  "Tudo se fez novo – Um convite à vida espiritual". 

domingo, 2 de dezembro de 2012

A BOA NOTÍCIA DA NOSSA FÉ

"Acredito que a Boa Notícia da nossa Fé, da verdadeira Fé revelada em Jesus, não é a transmissão da maneira de irmos para o céu, mas a revelação maravilhosa de que o céu veio a nós e nunca mais se foi embora.(...)
Acredito que Jesus transformou o invisível Projecto de Deus num visível Programa de Vida concreto, numa maneira humana de viver." Rui Santiago

As palavras de um maravilhoso mestre da vida espiritual, Henri Nouwen, estão em perfeita sintonia com as palavras do Rui:

«O grande mistério da vida espiritual – a vida em Deus – é que não temos de esperar por ela como algo que acontecerá depois. Jesus diz: «Estai em Mim como Eu estou em vós.»
É a presença activa de Deus no centro do meu viver – o movimento do Espírito de Deus dentro de nós – que nos dá a vida eterna.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

quinta-feira, 26 de julho de 2012

O AMOR NÃO COMPARA

«Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.
Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»

Henri Nouwen, Viver é ser amado

quinta-feira, 8 de março de 2012

CENTRAR O CORAÇÃO NO REINO

As palavras de Jesus: «Procurai primeiro o reino de Deus e a sua justiça, e tudo o mais vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33) são o que melhor sintetiza a maneira como somos chamados a viver a vida; com o coração fixo no reino de Deus.

Esse reino não é nenhuma terra longínqua que um dia esperamos alcançar, nem é a vida depois da morte ou um estado ideal. Não. O reino de Deus é, antes de mais, uma presença ativa do espírito de Deus no nosso íntimo que nos oferece a liberdade por que realmente anelamos.
E, por isso, a principal questão é a seguinte: Como centrar, acima de tudo, o nosso coração no reino, se ele está preocupado com tantas coisas?
De alguma forma, é necessária uma mudança de coração, uma mudança que nos possibilite a experiência da realidade, da nossa existência do ponto de vista de Deus.

Uma vez, assisti a uma mímica em que um homem se esforçava por abrir uma das três portas dum quarto em que se encontrava. Ele empurrava e puxava as maçanetas das portas, mas nenhuma das portas se abria. Então deu um pontapé no painel de madeira da porta, mas a madeira não cedeu. Finalmente, deixou-se cair com todo o seu peso contra as portas, mas nenhuma delas cedeu.
Era uma visão ridícula, mas muito hilariante, porque o homem estava tão concentrado nas três portas fechadas que nem sequer reparou que o quarto não tinha parede e que podia perfeitamente sair, bastando para isso olhar à sua volta.

A conversão é isto mesmo. É uma volta completa que nos permite descobrir que não somos prisioneiros como julgamos ser.
Do ponto de vista de Deus, frequentemente parecemo-nos com o homem que procura abrir as portas fechadas do seu quarto. Preocupamo-nos com muita coisa e chegamos mesmo a causar mágoa a nós próprios por nos preocuparmos tanto.
Deus diz: «Dá uma volta, centra teu coração no meu reino. Eu dou-te toda a liberdade que quiseres.»
Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"


terça-feira, 6 de março de 2012

AMAS-ME?

A afirmação simples «Deus é Amor» tem implicações de longo alcance a partir do momento em que começarmos a viver a nossa vida baseados nessa afirmação. Se Deus, que me criou, é amor e só amor, sou amado mesmo antes que qualquer ser humano me ame.

Quando era criança, perguntava constantemente ao meu pai e à minha mãe: «Gostas de mim?» Fazia esta pergunta tão frequente e persistentemente que se tornou uma fonte de irritação para os meus pais. Embora me garantissem centenas de vezes que me amavam, eu nunca parecia completamente satisfeito com as suas respostas e continuava a fazer-lhes a mesma pergunta. Agora, muitos anos depois, compreendo que pretendia uma resposta que eles não me podiam dar. Eu queria que eles me amassem com um amor eterno. E sei que o caso era esse, porque a minha pergunta «Gostas de mim?» era sempre acompanhada duma outra pergunta. «E tenho que morrer?» De alguma forma, já devia saber na altura que, se os meus pais me amassem com um amor total, ilimitado e incondicional, nunca morreria. Por isso mesmo, continuava a importuná-los com a estranha esperança de eu constituir uma excepção à regra que diz que toda a gente há-de morrer um dia.

Muita da nossa energia está resumida na pergunta: «Amas-me?,... Gostas de mim?» À medida que envelhecemos, vamos desenvolvendo muitas maneiras mais subtis e sofisticadas de fazer esta pergunta. Dizemos: «Confias em mim, preocupas-te comigo, aprecias-me, és-me fiel, apoias-me, dirás bem de mim?»... e assim por diante. Muita da nossa dor vem da nossa experiência de não ter sido bem amados.

O grande desafio espiritual é descobrir, com o passar do tempo, que o amor limitado, condicional e temporal que recebemos dos pais, cônjuges, filhos, professores, colegas e amigos, é um reflexo do amor ilimitado, incondicional e eterno de Deus.

Se conseguirmos dar esse grande salto de fé, então chegaremos a compreender que a morte já não é o fim mas a entrada para a plenitude do Amor Divino.»

Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

ACOLHER JESUS


«Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, fez menção de seguir para diante. Eles, porém, insistiam com Ele, dizendo: Fica connosco; porque é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles.» (Lc 24, 28-29)

«Estamos mais inclinados a pensar que é Jesus quem nos convida a partilhar a sua casa, a sua mesa, a sua refeição. Jesus, porém, quer ser convidado. Se não o for, prosseguirá viagem, em busca de outros lugares. É muito importante percebermos que Jesus nunca nos força a aceitar a sua presença. A menos que nós o convidemos, continuará a ser um estranho, possivelmente um estranho muito atraente e inteligente, com quem podemos ter entabulado um diálogo interessante, mas que não deixa de ser um estranho...Sem um convite, que é expressão do desejo de uma relação perdurável, a boa notícia que ouvimos não poderá dar frutos duradouros...Só mediante um convite a «fica comigo» um encontro interessante se pode transformar numa relação transformadora.
Jesus é uma pessoa muito interessante; as suas palavras são cheias de sabedoria. A Sua presença aquece o coração. A sua bondade e doçura tocam-nos profundamente. A Sua mensagem constitui um forte desafio. Mas será que nós O convidamos para nossa casa? 

Porventura queremos que Ele venha conhecer-nos entre as paredes da nossa vida mais íntima? Porventura queremos apresentá-Lo a todas as pessoas com quem vivemos? Porventura queremos que Ele nos veja na nossa vida quotidiana? Queremos que Ele nos toque nos pontos em que somos mais vulneráveis? Porventura queremos que Ele entre na arrecadação de nossa casa, nessas divisões que nós próprios preferimos manter seguramente fechadas à chave? Desejamos verdadeiramente que Ele fique connosco quando vai caindo a noite e o dia já está no ocaso?»

Henri Nouwen, em "Não nos ardia o coração"

domingo, 16 de outubro de 2011

QUEM SOMOS NÓS?


«Durante a nossa curta vida, a questão que guia muitos dos nossos comportamentos é a seguinte:"Quem somos nós?" Raramente nos fazemos esta pergunta de maneira formal, contudo, vivemo-la muito concretamente nas decisões do nosso dia-a-dia. As três respostas que nós geralmente vivemos - e que não damos necessariamente - são: "Nós somos o que fazemos"; "nós somos o que os outros dizem de nós"; e "nós somos o que temos"; ou, por outras palavras: "Nós somos os nossos sucessos, a nossa popularidade e o nosso poder."

É importante compreender a fragilidade da vida que depende do sucesso, da popularidade e do poder. Essa fragilidade provém do facto de esses serem factores externos sobre os quais temos apenas controlo limitado. A perda do nosso emprego, da fama ou dos bens, tem frequentemente, como causa eventos totalmente fora do nosso controlo. Mas, quando dependemos deles, é como se nos tivéssemos vendido ao mundo, porque então somos o que o mundo nos dá. E a morte acaba por nos tirar tudo. E a sentença final então será: "Quando se morre, acabou!" , porque, quando morremos, mais nada podemos fazer, as pessoas não tornam a falar de nós e já nunca mais temos nada. Quando somos o que o mundo faz de nós, já não podemos ser depois de termos deixado o mundo.

Jesus veio anunciar-nos que uma identidade baseada nos sucesso, na popularidade e no poder é uma falsa identidade, uma ilusão! Diz Ele, alto e a bom som: "Vós não sois o que o mundo faz de vós, mas sois filhos amados de Deus."

Henri Nouwen, in "Aqui e Agora"

terça-feira, 4 de outubro de 2011

NA CASA DE DEUS

«Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.

Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»

Henri Nouwen, em «Viver é ser amado»

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O AMOR DE DEUS

«Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. 
O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. 
Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs. »

Henri Nouwen, em "Viver é Ser Amado"

sábado, 30 de abril de 2011

CONFIA NA VOZ INTERIOR

«Desejas realmente converter-te? Estás disposto a modificar-te? Ou continuas agarrado ao teu velho modo de vida com uma mão enquanto com a outra pedes aos outros que te ajudem a mudar?
A conversão não é com certeza algo que possas encontrar por ti mesmo. Não se trata de um exercício da própria vontade. Tens que confiar na voz interior que mostra o caminho. Tu conheces essa voz. Ouve-la com frequência. Mas depois de ouvir com clareza o que ela te pede começas a fazer perguntas, a fabricar objecções e a pedir a opinião de todos. Assim deixas-te enredar por inúmeros pensamentos, sentimentos e ideias muitas vezes contraditórias e perdes contacto com o Deus que habita dentro de ti. E acabas por te tornar dependente de todas as pessoas que reuniste em torno de ti.
Só dando constantemente ouvidos a essa voz interior conseguirás converter-te a uma nova vida de liberdade e alegria.»

Henri Nouwen, em "A Voz Íntima do Amor"

domingo, 27 de março de 2011

ENCONTRAR A ALEGRIA

«Jesus revela-nos o amor de Deus para que a sua alegria seja a nossa e para que a nossa alegria seja completa. A alegria é a experiência de saber que somos amados incondicionalmente e que nada - doenças, falhanços, quebras emocionais, opressão, guerras ou mesmo a morte - pode privar-nos desse amor.(...)

É frequente descobrirmos a alegria no meio da tristeza. Eu recordo os tempos mais tristes da minha vida como sendo oportunidades em que tomei maior consciência de alguma realidade espiritual muito maior que eu próprio, uma realidade que me permitiu viver a dor com esperança. Atrevo-me mesmo a dizer: «A minha angústia foi precisamente o lugar onde encontrei a alegria». Seja como for, nada acontece automaticamente na vida espiritual. 
A alegria não é algo que acontece assim sem mais nem menos. Temos de escolher a alegria e continuar a escolhê-la todos os dias. É uma escolha baseada no conhecimento de que encontramos em Deus o nosso refúgio e segurança e de que nada, nem sequer a morte, nos pode separar de Deus.» 


 Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

domingo, 13 de fevereiro de 2011

NA CASA DE DEUS

«Na casa de Deus há muitas moradas. Há lugar para todos - um lugar único e especial. Se acreditarmos profundamente que somos preciosos aos olhos de Deus, então seremos capazes de descobrir também a valia dos outros e o lugar único que ocupam no coração de Deus.
Não é possível entrar em competição para ver quem é que ganha o amor de Deus. 
O amor de Deus é um amor que abraça a todos - cada um na sua própria unicidade. 


Só quando reivindicamos o nosso lugar no amor de Deus é que podemos experimentar o abraço total desse mesmo e incomparável amor e sentirmo-nos em segurança, não só em relação a Deus mas também em relação a todos os irmãos e irmãs.»

Henri Nouwen, Viver é ser amado

domingo, 6 de fevereiro de 2011

FERIDAS QUE CURAM

"Ninguém escapa de ser ferido. Somos todos pessoas feridas, física, emocional, mental ou espiritualmente. A questão principal não é "como podemos esconder nossas feridas", assim não temos de nos sentir envergonhados, mas "como podemos colocá-las a serviço de outros". 

Quando nossas feridas deixam de ser uma fonte de vergonha e passam a uma fonte de cura, tornamo-nos pessoas feridas que curam.
Jesus é o enviado de Deus que, mesmo ferido, cura. Por meio de suas feridas somos curados. O sofrimento e a morte de Jesus trouxeram alegria e vida. Sua humilhação trouxe glória; sua rejeição, uma comunidade de amor.
Como seguidores de Jesus, também podemos permitir que as nossas feridas tragam a cura aos outros."

Henri Nouwen, em "Pão para o caminho"

domingo, 30 de janeiro de 2011

REGRESSA SEMPRE AO PONTO SÓLIDO

«Tens que acreditar na resposta afirmativa que te é devolvida quando perguntas «Amas-me?» Deves escolher este sim mesmo quando não o sentes.

Sentes-te esmagado por distracções, fantasias, pelo perturbante desejo de te lançares no mundo do prazer. Mas sabes de antemão que não será aí que vais descobrir uma resposta para a tua dúvida mais profunda. Tal como essa resposta não está em voltar a analisar minuciosamente acontecimentos passados ou na culpa ou recriminação. Tudo isso apenas contribui para te exaurir e fazer abandonar a rocha sobre a qual está construída a tua casa.

Tens de confiar nesse ponto sólido, no local onde podes dizer sim ao amor de Deus mesmo quando não o sentes. Neste momento nada sentes a não ser vazio e falta de força para escolher. Mas continua a repetir «Deus ama-me e o amor de Deus basta».
Tens que escolher uma e outra vez esse local sólido e regressar a ele após cada fracasso.

Henri Nouwen, A Voz Íntima do Amor

domingo, 23 de janeiro de 2011

AMAS-ME?

A afirmação simples «Deus é Amor» tem implicações de longo alcance a partir do momento em que começarmos a viver a nossa vida baseados nessa afirmação. Se Deus, que me criou, é amor e só amor, sou amado mesmo antes que qualquer ser humano me ame.

Quando era criança, perguntava constantemente ao meu pai e à minha mãe: «Gostas de mim?» Fazia esta pergunta tão frequente e persistentemente que se tornou uma fonte de irritação para os meus pais. Embora me garantissem centenas de vezes que me amavam, eu nunca parecia completamente satisfeito com as suas respostas e continuava a fazer-lhes a mesma pergunta. Agora, muitos anos depois, compreendo que pretendia uma resposta que eles não me podiam dar. Eu queria que eles me amassem com um amor eterno. E sei que o caso era esse, porque a minha pergunta «Gostas de mim?» era sempre acompanhada duma outra pergunta. «E tenho que morrer?» De alguma forma, já devia saber na altura que, se os meus pais me amassem com um amor total, ilimitado e incondicional, nunca morreria. Por isso mesmo, continuava a importuná-los com a estranha esperança de eu constituir uma excepção à regra que diz que toda a gente há-de morrer um dia.

Muita da nossa energia está resumida na pergunta: «Amas-me?,... Gostas de mim?» 
À medida que envelhecemos, vamos desenvolvendo muitas maneiras mais subtis e sofisticadas de fazer esta pergunta. Dizemos: «Confias em mim, preocupas-te comigo, aprecias-me, és-me fiel, apoias-me, dirás bem de mim?»... e assim por diante. 
Muita da nossa dor vem da nossa experiência de não ter sido bem amados.

O grande desafio espiritual é descobrir, com o passar do tempo, que o amor limitado, condicional e temporal que recebemos dos pais, cônjuges, filhos, professores, colegas e amigos, é um reflexo do amor ilimitado, incondicional e eterno de Deus.

Se conseguirmos dar esse grande salto de fé, então chegaremos a compreender que a morte já não é o fim mas a entrada para a plenitude do Amor Divino.»

Henri Nouwen, em "Aqui e Agora"

INDAGAÇÕES SOBRE O CARPINTEIRO

“A árvore é força vertical da natureza, da terra em direcção ao céu. Tem a postura da espécie humana. Por isso o cego que Jesus curou em Bet...