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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Trichet e o seu E que falta na UEM

O ainda presidente do BCE defende um Ministério das Finanças europeu como se pode ler aqui e aqui:

“Nesta união de amanhã... será que seria demasiado audaz a ideia de um Ministério das Finanças Europeu?”
A audácia não é, infelizmente, uma qualidade dos políticos que lideram hoje os países da União Monetária. Políticos que não olham à sua volta, olham apenas para os gráficos de popularidade e sondagens.

Todos sabem que a União Monetária tem falta de União Económica e Política. A ausência destes dois últimos pés do tripé ameaça acabar com o euro. Mas por enquanto parecem contentar-se, os líderes do euro, a gritar contra a Grécia, a Irlanda e Portugal para gáudio dos que não pensam.

Jean-Claude Trichet tem outros gráficos para onde olha, os do valor do euro. É verdade que coincide hoje, a defesa desse valor do euro, com os interesses da União Monetária. E Trichet ainda (ou já é) é livre das sondagens. 

De olhos na Grécia

A Grécia é a nossa bola de cristal. Se não quisermos que o presente da Grécia seja o futuro de Portugal temos de cumprir rigorosamente o acordo assinado com o FMI e a com a UE.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Grécia (quase) sem soberania

Foi a manchete de hoje do Financial Times:
Greece set for severe bail-out conditions

European leaders are negotiating a deal that would lead to unprecedented outside intervention in the Greek economy, including international involvement in tax collection.


Um sério aviso a Portugal. O acordo assinado com a União Europeia e o FMI é mesmo para cumprir.
A saída do euro é a alternativa.

domingo, 29 de maio de 2011

Ooops...Afinal não é só a Grécia que revê contas públicas

Encontrado no Alphaville uma análise do BCE Fiscal Data Revisions in Europe  a revelar que, embora a Grécia tenha ultrapassado bastante a média, não é caso único na revisão em alta dos défices públicos. E que esta revisão não é um atributo dos pequenos países nem dos ditos periféricos e que está correlacionado com os períodos eleitorais, de crise económica e ainda com as alterações metodológicas do Eurostat.

Aqui está um dos quadros:

terça-feira, 26 de abril de 2011

Teixeira dos Santos e José Sócrates

Sobre a manchete deste sábado do Expresso "Sócrates e Teixeira dos Santos em rutura total" vale a pena revisitar o minuto a minuto do dia em que foi anunciado o pedido de ajuda.

O ministro das Finanças, consciente do risco que Portugal estava a correr e depois de ter tentado por todos os meios convencer o primeiro-ministro, precipitou o pedido de ajuda externa.

Depois de o ministro das Finanças ter dito, em resposta à questão sobre o pedido de ajuda externa: "(...)entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política", õu demitia o ministro - provocando um terramoto brutal - ou pedia ajuda como o fez.

O ministro das Finanças fez o que tinha de fazer face aos riscos a que Portugal estava a ser exposto pela não decisão do primeiro-ministro. E o país deve estar-lhe agradecido por isso.

O PS, pelo menos uma parte, já se percebeu que não está agradecido. Nem agradecido pelo que Teixeira dos Santos fez nesse dia 6 de Abril, nem pelo que tentou fazer há quase mais de um ano para evitar que Portugal acabasse a pedir assistência financeira.

O que alguns socialistas têm dito sobre a ausência de Teixeira dos Santos das listas de deputados do PS é, no mínimo lamentável. As excepções são Ana Gomes e Edite Estrela.

As democracias não vivem sem partidos. Por isso mesmo os patidos, naquilo em que se transformaram, constituem hoje o maior risco para as democracias - nao apenas em Portugal, claro.

Em linguagem de economistas, a sua função objectivo - conquistar e manter o poder - parece ter ficado sem restrições activas - como por exemplo conquistar o poder desde que não se prejudique os cidadãos do país.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

O euro em sucessivos erros

A crise da dívida na zona euro agrava-se. Depois do "ajuda/não ajuda", entrámos agora na fase do reestrutura/não reestrutura.

A reestruturação é agora o debate da moda entre os líderes europeus - começou no fim da semana passada com o mote dado pelo ministro alemão das Finanças.

Na família do euro todos ralham uns com os outros, em publico e sonoramente, sem consciência de que podem estar a abrir a caixa de Pandora que levará ao fim de um projecto que nasceu com grande esforço em Roma, nos idos de 1958.

Os juros da dívida grega a dois anos ultrapassaram hoje os 22%. Os títulos portugueses para o mesmo prazo estão com taxas superiores a 11%. O comportamento de hoje no mercado aqui sintetizado.

É nas maturidades curtas que agora se registam as fugas aos títulos de dívida pública dos ditos países periféricos - reestruturação ou perda efectiva por entrada em vigor do novo mecanismo europeu de ajuda explica esse comportamento.

Aquilo a que se assistiu nos últimos dias revela bem como a família do euro anda pouco amiga.
Apenas um exemplo:
Líderes dos Verdadeiros Finlandeses querem que banca espanhola tamb+em participe na ajuda a Portugal por estar exposta... a Portugal
Se essa regra se aplicasse, também outros países seriam arrastados - como a França e a Alemanha.
Isto não está nada bonito.

domingo, 10 de abril de 2011

A Europa zangada com Portugal, e com toda a razão

O que disseram alguns dos ministros das Finanças europeus em Godollo, na Hungria, mostra bem como devíamos ter vergonha.

Finlândia
O ministro finlandês das Finanças afirma que Portugal só deve ser ajudado se apresentar e cumprir um plano de austeridade mais apertado que o PEC IV.

A Finlândia está a dias de eleições, a extrema direita ganha terreno e a maioria dos finlandeses (60%) é contra  plano de ajuda aos países endividados do euro desenhado pela UE.  A ajuda a Portugal tem de ser aprovada no Parlamento finlandês, condição que Helsinquia colocou para participar no Fundo Europeu de Estabilização Financeira (cada caso é um caso e terá de ser aprovado pelos parlamentares).

Suécia
O ministro das Finanças sueco Anders Borg  afirma que Portugal merece duras criticas. "Os portugueses colocaram-se a si e à Europa numa situação muito difícil", diz, citado pela Reuters. E considera que Portugal já devia ter pedido em finais do ano passado.

No Público podemos ainda ler que Borg afirma que o Governo tem uma grande responsabilidade no que se passou e que lhe foi pedido para enfrentarem a situação em finais do ano passado. Critica ainda o processo de ajuda: chegou na quinta à noite "para tomarmos uma decisão na sexta".

(E, digo eu, mesmo assim, o pedido chegar quinta à noite para uma ajuda que tem de chegar em Junho exigiu um esforço que o ministro sueco não imagina)

O montante em causa, diz ainda Borg, é demasiadó elevado para se para um Estado-membro pedir aos outros que tome uma decisão num período de tempo tão curto.

As estimativas do ministro sueco é de que Portugal precisa de 15 a 20 mil milhões de euros nos próximos meses. No Negócios escrevemos, com base em fontes conhecedoras da situação financeira portuguesa, que Portugal precisa de 25 mil milhões de euros nos próximos seis meses.

Não se faz o que o Governo está a fazer a um país, aos seus cidadãos e ao projecto europeu.
E - mais grave - parece que nem se repara que isto está a acontecer. Quando a Grécia estava a colapsar em Maio e com ela o euro, festejava-se o Benfica. Hoje o Governo festeja o líder.

Devíamos ter vergonha

Sim, "shame on we", pela figura que Portugal está a fazer internacionalmente.
Têm sido dias negros para o país.
Para exemplificar o desprezo que agora merecemos de alguns dos nossos parceiros europeus basta ler

  • o editorial de ontem do FT e a Lex, com o novo termo para dívidas insustentáveis, Portugalling. Eis uma pequena e bastante ilustrativa citação do editorial de 8 de Abril:
If European partners are confident that Lisbon is willing and able to repay its debt at an interest rate above the EFSF’s cost of funding, but below what a panicked market demands, it is irresponsible of them not to lend (and make money in the process).
For Portugal, that willingness is a bigger “if” than even for Greece. Lisbon has shown little appetite for the necessary belt-tightening and structural reforms of the economy to restore its long-lost ability to grow. The rest of Europe should be ready to extend rescue loans, but before it does so, it must demand that Portuguese politicians use the election campaign to seek a mandate from the people for a programme of reform. If this is achieved, and a loan is granted, all sides must accept that if the loan conditions are not met, aid will stop and a default triggered.

  • o que disseram este sábado dia 9 de Abril em Gondollo, perto de Budapeste, o comissário europeu para os Assuntos Económicos e Monetários Olli Rehn e o presidente do BCE Jean-Claude Trichet - mandaram, basicamente, as lideranças portuguesas falarem menos e trabalharem mais:
Olli Rehn e Trichet apelam a menos diálogo na praça pública em Portugal

Um país à beira do colapso financeiro, da bancarrota, dá-se ao luxo de brincar com quem o pode ajudar. Já que não existe qualquer preocupação com os cidadãos portugueses - tem de ser Olli Rehn a falar dos cidadãos portugueses -, que pelo menos actuem de outra forma por vergonha de si próprios. Porque com o país, já percebemos, poucos estão preocupados.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

E Portugal pediu ajuda

No dia 6 de Abril de 2011, Portugal pede ajuda financeira à União Europeia. E assim sai dos mercados financeiros - deixa de se financiar no mercado e passa a financiar-se directamente junto da UE/FMI.

Uma ajuda que se tornou inevitável, ditada pela velocidade com que subiram as taxas de juro e desceram os 'ratings' da República desde que o Governo se demitiu na sequência do chumbo do chamado PEC IV.
Um pedido que José Sócrates concretiza contra a sua vontade.

Desde o início da semana assistimos a entrevistas de banqueiros à TVI afirmando em praça pública o que nunca imaginaríamos possíveis.
O presidnete do BCP foi o primeiro a dizer que Portugal devia pedir ajuda já. Seguiu-se o banqueiro dos banqueiros, Ricardo Salgado na terça-feira, afirmando exactamente o memso: Portugal tem de pedir ajuda.

Foram (as entrevistas dos banqueiros), e são, reveladoras da resistência do primeiro-ministro em pedir apoio financeiro à UE, fazendo o país correr um risco de colapso que nos custaria bastante caro.

E todo o calendário de dia 6 de Abril revela bem até que ponto o primeiro-ministro estava disposto a ir na sua recusa em pedir ajuda:

18:00 - O processo de pedido de ajuda começa com a entrevista do ministro das Finanças dada por escrito, e que é publicada praticamente à hora a que chegou ao mail. O objectivo era comentar o leilão de Bilhetes do Tesouro que deu um sinal dramático de encerramento dos mercados para Portugal. Eis que quando questionado sobre o pedido de ajuda responde:
"Perante esta difícil situação, que podia ter sido evitada, entendo que é necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à actual situação política. Tal exigirá, também, o envolvimento e o comprometimento das principais forças e instituições políticas nacionais".

19:00 - Sabe-se que o primeiro-ministro vai fazer uma comunicação ao país às 20:30

Poucos minutos depois das 19:00 a Comissão Europeia dizia que ainda não tinha recebido um pedido de ajuda de Portugal

Quase às 20 horas sabe-se que foi convocado um Conselho de Ministros extraordinário.

Pouco depois das 20:30 o primeiro-ministro anuncia que pediu ajuda externa.

21:00 em Lisboa, 22:00 em Bruxelas, a Comissão Europeia revela em comunicado que o primeiro-ministro José Sócrates informou o presidente da Comissão que vai pedir ajuda.

Tudo correrá bem - e provavelmente melhor do que esperamos neste momento - se os partidos do arco da governação actuarem responsavelmente. Têm de assumir compromissos em plena campanha eleitoral.
Será a credibilidade desses compromissos que evitará medidas ainda mais duras de austeridade. Quanto mais for a capacidade de os partidos se entenderem, de cooperarem, menos será o aperto do nosso cinto.

Vamos ter de reduzir o nosso nível de vida, mas poderemos fazê-lo à bruta ou mais lentamente - tudo depende dos nossos líderes políticos.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ainda na Economist, os líderes fragilizados

@Economist Peter Schrank
Líderes cansados, sociedades em mudança e crises que parecem eternas. Vale a pena ler pelo que se diz das tendências das sociedades actuais - os partidos de massas acabaram -, pelos vários factores identificados como fragilizadores da União - por exemplo, o tempo, demasiado, que estão no poder - e especialmente pelo olhar sobre as mudanças no eleitorado - os partidos de massas acabaram, diz-se.
E finalmente pela fantástica síntese final:
"If Mr Sarkozy were less mercurial, Mrs Merkel less prone to panic, Mr Zapatero more convincing and Mr Berlusconi less of a buffoon, Europe would be less handicapped."

A Economist sobre Portugal, Grécia e Irlanda, a ler


"Eles vão rebentar. Reconheçam"
"(...)
These economies [Greece, Ireland and Portugal] are on an unsustainable course, but not for lack of effort by their governments. Greece and Ireland have made heroic budget cuts. Greece is trying hard to free up its rigid economy. Portugal has lagged in scrapping stifling rules, but its fiscal tightening is bold. In all three places the outlook is darkening in large part because of mistakes made in Brussels, Frankfurt and Berlin.

At the EU’s insistence, the peripherals’ priority is to slash their budget deficits regardless of the consequences on growth. But as austerity drags down output, their enormous debts—expected to peak at 160% of GDP for Greece, 125% for Ireland and 100% for Portugal—look ever more unpayable, so bond yields stay high. The result is a downward spiral.

This newspaper has argued that Greece, Ireland and Portugal need their debt burdens cut sooner rather than later.
(...)
The big obstacle is not technical but political. Since many at Europe’s core, particularly the ECB, remain implacably opposed to debt restructuring (...)
It is time the Fund’s top brass said so publicly and, by refusing to lend more without a deal on debt, pushed Europe’s pusillanimous politicians into doing the right thing.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Conselhos a Portugal

Por tudo o que tem acontecido vale a pena ler:

Bit of friendly advice, Portugal  no Independent - and I say, thank you Ireland but I don't we have any other solution.

e ainda
Brazil to annex Portugal? no FT, and I say What???? and after that...Why Not?

Se os soberanos desistiram da sua soberania, é capaz de ser preferível integrar nações com culturas semelhantes do que estar sujeito aos obscuros critérios da avaliação de risco das agências de "rating" - não me acusem de não ser a favor do mercado, porque não sou e porque as agências de "rating" são tudo menos mercado e querem tudo menos mercado.

domingo, 6 de março de 2011

As razões do BCE para subir os juros

O BCE apanhou toda a agente de surpresa ao anunciar uma subida da taxa de juro já em Abril.

No Negócios (edição impressa) recorda-se o erro que cometeu em Junho de 2008, quando anunciou a subida das taxas - que concretizou -, sendo depois obrigado a descê-las com grande rapidez após a falência da Lehman Brother's. O editorial é exactamente sobre esse tema.

Uma das principais razões para esta inesperada antecipação do BCE - com efeitos muito negativos para Portugal - é política de politics e não de policy: pressionar os líderes europeus do euro, que se vão reunir na sexta-feira dia 11 de Março, a assumirem a resolução do problema de liquidez e até de solvência de bancos - como os irlandeses - e dos países.

Vale a pena ler Wolfgang Munchau que sistematiza as razões de policy e as razões de politics - também elas relacionadas com a política monetária.
O BCE não pode continuar a manter a soro alguns países - entre eles Portugal - e alguns bancos - os irlandeses.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Os juros que preocupam

Fonte: WSJ
A última semana dramática para Portugal. 
O BCE parece querer evitar a todo o custo que Portugal caia nas mãos do Fundo Europeus de Estabilização Financeira (FEEF) antes das mudanças que se esperam para Março.

Se não se fizerem progressos na cimeira extraordinária do euro dia 11 de Março que apontem claramente para um decisão no Conselho de finais de Março, dificilmente Portugal conseguirá resistir às pressões para pedir ajuda. Mesmo com bons resultados na frente orçamental.

A era do dinheiro grátis acabou - a BBC sobre Portugal

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Europa incerta

Amanhã o Observatório da Imprensa organiza um seminário para jonalistas subordinado ao tema "Portugal e a Europa: a próxima década".

Os problemas que a Europa enfrenta são o mais importante tema dos dias de hoje pelos efeitos que podem ter nas nossas vidas. Receio que não tenhamos ainda tomado consciência da dimensão do problema que poderemos ter de enfrentar.  A Europa está no meio de uma ponte a cair, como escrevi aqui.

Vale ainda a pena ler o comentário de f. ao post Euro-discordâncias e que aqui deixo, agradecendo, uma parte:
(...)O problema que para mim assume proporções cada vez maiores não é porém europeu. É a segunda fase da crise que ora se avizinha. Que foi uma crise financeira global de dívida privada. E que por causa da subsequente «nacionalização» de muitos incumprimentos privados ameaça tornar-se numa crise financeira global de dívida pública.


Seria muito triste ver a UE incapaz de resolver internamente a dificuldade da distribuição desigual dos saldos nacionais de poupança e de endividamento perante a ameaça duma segunda crise financeira global.

É nestas circunstâncias que se põe a questão de saber se há uma solução para Portugal no contexto duma união monetária. De saber se há uma solução simples para Portugal abandonar o acordo actual e enveredar por um novo curso sem perda de soberania económica e financeira (e política, também) e sem custos económicos proibitivos. (...)"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Euro-discordâncias

E-bonds would end the crisis é o título do artigo, no Financial Times, escrito por Jean-Claude Juncker - primeiro-ministro do Luxemburgo e presidente do Eurogrupo - e Giulio Tremonti - ministro das Finanças italiano.

Claro que os países financeiramente disciplinados já disseram "não" à ideia de fazer emissões de Eurobonds ou Obrigações Europeias, reagindo de maneiras diferentes à entrada da reunião dos ministros das Finanças do Euro que está a decorrer hoje.
“We’ve come here to decide what we prepared Sunday a week ago. We don’t need to have new debates every week. I think we’ve prepared the necessary decisions.” - a reacção do ministro das Finanças Wolfgang Schaeuble reportada pela Bloomberg
 “Countries committed to economic discipline that do the hard work and maintain stability” shouldn’t be forced to subsidize the fiscally weak, assim disse o ministro das Finanças austríaco  Josef Proell , refectindo bem o que pensam os países financeiramente disciplinados sobre a ideia das emissões de dívida europeia. 

Vale a pena ler este artigo da Bloomberg

Estamos perante um problema que vai assumindo proporções cada vez maiores:
  • O BCE não quer continuar a comprar dívida e apenas concordou em continuar a fazê-lo numa decisão que não mereceu unanimidade- durante a semana passada comprou 1965 milhões de euros que garante estar a esterelizar .
  • A Alemanha não quer reforçar o Fundo Europeu de Estabilização Financeira (FEEF) nem quer avançar para uma medida mais estrutural como a emissão de Obrigações Europeias;
  • Estes países endividados, por razões diferentes, como a Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália - os GIPSI - a que os analistas vão juntando outros como a Bélgica, quanto mais medidas de austeridade aplicam mais reforçam a perspectiva de que não serão capazes de satisfazer os compromissos com a dívida, no mínimo a de curto prazo, devido aos efeitos recessivos das medidas. 
  • Toda a gente sabe que o FEEF chegará para Portugal mas já não chega para Espanha.
A União Europeia - e não apenas o euro - vive um dos mais preocupantes momentos da sua história.

O euro ameaçado, ortodoxias e heterodoxias

Há um ano, se alguém falasse na possibilidade do fim ou da fragmentação do euro seria dado como louco.

Hoje a probabilidade de fim do euro deixou de ser zero. Já se pensa nisso, e mais do que isso, já se desenham saídas.
Hoje, na edição em papel do Negócios procuram-se as respostas para a pergunta: E se Portugal saísse do euro?

O Economist á um passo em frente e oferece um guia: Como sair do euro?

Vitor Bento no blogue da Sedes faz uma reflexão especialmente interessante por ser assinada por um economista que viveu por dentro da crise do mecanismo de taxas de câmbio do sistema monetário europeu e por defender uma resposta heterodoxa à actual crise da dívida soberana.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Irlanda e Islância, quem paga a crise faz diferença

A Islândia está a recuperar
A Irlanda vai afundar-se
Economicamente falando, obviamente.
Parece haver uma grande diferença nos efeitos de quem paga a crise.
A Islândia provocou a revolta do mundo - sim estou a exagerar - por ter colocado o fardo do lado dos accionistas e obrigacionistas dos bancos e hoje está a recuperar (é verdade que tem também moeda própria).
A Irlanda resolveu tomar as dores das asneiras dos seus bancos e chegou ao ponto que conhecemos.

Vale a pena ler o que escreve a Bloomberg:
Iceland Bankruptcy-to-Rebound Reveals Models Ireland Won't Take