O tempo ia passando e ele, no mesmo sítio, estático, congelado no pavor do medo não dava passo que fosse. Pensava que não tinha solução. Aturdido pela confusão dos dias, comunicações cortadas com o alicate das suas memórias, ele só suspirava, baixo, para não interromper o disfarce da camuflagem. Nem os insectos se metiam com aquela figura.
Estava enrolado em tapetes de silêncio, numa apneia que durava o tempo que fosse preciso. O tempo de encontrar o caminho perdido, sem sinalização, metido no meio de nada.
Ele e os seus pensamentos, exército armado para o combate a agruras do destino, organizados em unidades circulares prontas a dobrar esquinas de perigos. Em silêncio, olhava o mais que podia até os olhos cansados fecharem momentaneamente o horizonte.
A guerra estava para ficar. Não tinha alternativa. A sobrevivência era o último ponto de costura que o mantinha agarrado à vida. O resto já não existia…
Circlesquare, Hey You Guys
P.S - A partir da próxima semana o Anónimo ganha autonomia e coragem para mexer com o blogger sozinho. Deixarei de ser a intermediária para divulgar as Cartas do Anónimo, para passarem a ser publicadas pelo próprio.