(O texto que se segue tem sido lido por alguns de uma forma errada. Que fique claro: sou um fã da IA, que utilizo praticamente todos os dias, desde há anos. O que aqui digo é outra coisa. Leiam bem, por favor).
Desconfiem de coisas longas, muito certinhas, escritas de forma organizada, sem uma vírgula fora do sítio, com argumentos em crescendo, com uma lógica circular, que quase sempre vai acabar onde começou.
São coisas feitas pela Inteligência Artificial.
Os espertalhotes desta nova geração de "escritores" gatafunham umas filosofias baratas e, depois, vão ao ChatGPT, ou à dezena de coisas equivalentes, e o sistema abonita-lhes os textos, que ficam catitas e arrumadinhos, e que eles (e elas) depois levam para o Facebook ou outras "plataformas" (é assim que se diz, não é?) e assinam como sendo seus — esquecendo o Sofrível que tiveram nas provas de português.
É grave? É e não é. O problema não é o uso dessa técnica para a deteção de erros de ortografia, de concordância. Outra questão é a escrita não ser deles, é o tentarem fazer-nos passar por parvos, é o facto de estarem a mentir-nos com todo o descaramento. É uma vigaricezinha de trazer por casa que, dia após dia, começa a encher estes espaços.
Quando tiverem dúvidas, quando acharem que aquela pessoa que escrevia assim-assim passou, subitamente, a ser um génio da crónica, o teste é fácil: copiem o texto e visitem um qualquer site de IA, perguntando que probabilidade existe de aquele texto ter sido produzido por Inteligência Artificial.
Por mim, a regra é fácil: quando topo essa gente, não vou ao ponto de "desamigar" ninguém, mas deixo imediatamente de "seguir" (e, claro, de ler) a pessoa.
Comigo, estes "prémios Nobel da literatura" feitos por máquinas vão cantar para outra freguesia. Nas últimas semanas, foram cerca de três dezenas.
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