BANDA DESENHADA, HISTÓRIAS E ILUSTRAÇÃO / BANDE DESSINÉE, HISTOIRES ET ILLUSTRATION / COMICS, STORIES AND ILLUSTRATIONS
Mostrar mensagens com a etiqueta Ícones. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ícones. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O aniversário de Tarzeco

Tarzan and his rival

No dia de aniversário do meu irmão mais novo (em tempos conhecido como Zeco) , resolvi dedicar-lhe uma graça - desta vez baseada não em Blake & Mortimer ou no Major Alvega mas no ícone Tarzan.

Quando terminei, e depois de lhe enviar a fotonovela, decidi publicá-la aqui. Porque outros poderão achá-la engraçada. PARABÉNS, ZECO!


Nota: para produzir a fotonovela utilizei imagens obtidas na internet, sobretudo do filme "Tarzan and his mate", lançado mundialmente a 16 de abril de 1934 - isto é, há exatamente 70 anos!! Afinal, há ou não há extraordinárias coincidências?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Hergé - dessinateur, auteur de BD

Hergé (22/05/1907-03/03/1983)
[Digitalmente editado]

Hergé, para mim um dos maiores autores de BD, nasceu há 106 anos. Aqui fica uma pequena homenagem ao seu talento, personalidade e persistência.

Há dois anos assinalei a data com um post mais desenvolvido. O tempo passa!...

Nota: no dia 3 de março foi o 30º aniversário da sua morte.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Os Dias de Mira Fernandes

Prof. Aureliano Mira Fernandes (1884-1958),
distinto matemático português
[Fotografia retrabalhada digitalmente em 25 de janeiro]

Em homenagem ao meu pai, Eng. Carlos Alberto Dias Ferreira, que hoje faria 92 anos, aqui fica também uma homenagem ao seu professor no Instituto Superior Técnico, que ele nunca esqueceu e de quem por vezes falava, com grande admiração pelo seu rigor, exigência e sabedoria. "Quase todos chumbavam, não percebiam nada do que ele dizia. O homem correspondia-se com Einstein!"

E a verdade é que este outro Dias Ferreira, lírico incorrigível, há algum tempo pôs-se a estudar os ensinamentos de Mira Fernandes, num compêndio editado pela Fundação Gulbenkian, a propósito de geometria, transformações covariantes e contravariantes, tensores, enfim, essas coisas bizarras que interessam aos que estudam a grande teoria do célebre Albert. Shalom!


Selo emitido em 2008,
pelos 50 anos da morte do matemático

sábado, 10 de março de 2012

Blueberry fields forever for Mister Giraud

Jean Giraud/Mœbius (1938-2012) no Festival de Lodz em 2008
[Foto digitalmente editada por Luís Diferr, 2012]

Em homenagem a Jean Giraud, que um dia encontrou um certo Mœbius, o homem que se contorce, não se distinguindo o interior do exterior. A partir de então, as geniais personagens foram-se contorcendo, evoluindo, e não pararam de nos surpreender e maravilhar.
Merci, Jean !

Incal, Jodorovski & Mœbius

Em homenagem ao Tenente Blueberry, essa fabulosa personagem criada pelo talento de Jean e de um outro Jean, o notável argumentista Jean-Michel Charlier.
Merci, Jean-Michel !

Lieutenant Blueberry, Charlier & Giraud

Em homenagem aos criadores que recriam o Universo.

Hugo Pratt e Jean Giraud, 1972

Merci, messieurs !

Pode ler-se uma notícia comentada também em Pérola de Cultura, onde, em 31 de maio de 2009, foi publicado um texto meu sobre uma Exposição do Tenente Blueberry em Bruxelas.
"Vale a pena ir à Bélgica nos dias que se aproximam!" - escrevi, então.

Tempos de ingénua esperança!... Ou existirão esperanças que não sejam ingénuas? Bah! No fim de contas, não vi nem essa exposição, nem os Museus Hergé e Magritte, ali referidos.

Mas lembremos a máxima preferida do Prof. Mortimer: "Wait and see!"

Farewell, Mister Giraud/Doctor Mœbius!
Chihuahua Pearl, par Giraud

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Maître Jacobs, il y a bien 25 ans...

E.P. Jacobs [fotografia digitalmente editada]

Lady Blitz [no ano da morte de Jacobs,
retocada 5 anos depois para publicação no jornal A CAPITAL]
Ver também AQUI

Suplemento "Especial Quadradinhos" (coordenação de José de Matos-Cruz)
no jornal A CAPITAL de 26 de março de 1992


Edgar Pierre Jacobs, belga, cantor de ópera, ilustrador e um dos maiores autores de B.D. de todo o sempre, o fabuloso criador de Blake e Mortimer, faleceu há 25 anos.

Ah, que saudades das suas histórias, daquelas maravilhas que nenhum dos investidos no 'prolongamento' da sua série jamais igualou!


Hoje ou em qualquer outro dia, vale a pena consultar, entre outros:
Edgar P. Jacobs partiu há 25 anos
Anniversaire de la mort d'Edgar P. Jacobs
Rencontre avec Viviane Quittelier

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Gilles Chaillet, Roma Aeterna

Gilles Chaillet (3/06/1946 – 14/09/2011)
Foto / Photo : Manuel Picaud

Foi bastante chocado e com profunda tristeza que li ontem em AlixMag’ a notícia do falecimento de Gilles Chaillet no passado dia 14, em Margency, onde habitava.

Gilles, um homem de uma gentileza e uma disponibilidade raras (e disso há inúmeros testemunhos), tinha-me proposto em junho do ano passado desenhar um álbum da sua série em projeto “ROMA AETERNA”. “O assunto, disse-me ele, gira em torno de Aníbal e da segunda guerra púnica, e isso no grafismo das viagens de Loïs”.
Ele pensava apresentar-me uma sinopse detalhada no outono passado, prevendo o arranque do trabalho para o corrente ano de 2011. Infelizmente, os seus problemas de saúde – com os quais ele próprio brincava – foram adiando a concretização do vasto projeto.

Como escrevi ontem à noite a Stéphane Jacquet (de AlixMag’):
“Pequenos problemas” [como ele se lhes referia] atormentaram e finalmente mataram este homem, um grande homem, quando normalmente a sua idade lhe teria ainda permitido criar, produzir e viver. Um homem bom e generoso.
Como convém, eu guardei sempre silêncio sobre o nosso projeto. Posso agora falar dele porque já não existe, o seu coração parou com o do seu criador. E isso entristece-me, tenho vontade de uivar à lua, como os lobos.

Mas, ultrapassando o desânimo, é o momento de reencontrar a coragem e a vontade, de redefinir metas e redirecionar esforços.
Se algum dia conseguir publicar mais um álbum, dedicá-lo-ei a Gilles. Está prometido.

Cartão de Boas Festas enviado a Gilles em 2008, sobre a imagem de Lisboa, página 8/9 do álbum / Carte de Vœux envoyé à Gilles en 2008, sur l’image de Lisbonne, double page 8/9 de l’album : LE PORTUGAL

C’est assez choqué et avec une profonde tristesse que j’ai lu hier sur AlixMag’ la nouvelle sur le décès de Gilles Chaillet le 14 dernier, à Margency, où il habitait.

Gilles, un homme d’une gentillesse et d’une disponibilité rares (et à ce sujet il y a d’innombrables témoignages), m’avait proposé en juin 2010 de dessiner un album de sa série en projet « ROMA AETERNA ». « Le sujet, a-t-il dit, tourne autour d’Hannibal et de la deuxième guerre punique, et ce dans le graphisme des voyages de Loïs ».
Il pensait me présenter un synopsis détaillé à l’automne passé, en envisageant le démarrage du travail pour le courant 2011. Malheureusement, ses problèmes de santé – avec lesquels il plaisantait lui-même – ajournaient la concrétisation de son vaste projet.

Comme je l’ai écrit hier soir à Stéphane Jacquet (d’AlixMag’) :
Des « petits soucis » [voilà comment il en parlait] ont tourmenté et finalement tué cet homme, un grand homme, lorsque normalement son âge lui aurait permis encore de créer, de produire et de vivre. Un homme bon et généreux.
Comme il faut, j’ai toujours gardé le silence au sujet de notre projet. Maintenant je peux en parler parce qu’il n’est plus, son cœur s’est arrêté avec celui de son créateur. Et cela aussi m’attriste. J’ai envie d’hurler à la lune, comme les loups.

Mais, en surmontant l’accablement, c’est le moment de retrouver le courage et la volonté, redéfinir des objectifs et rediriger des efforts.
Si jamais j’arrive à publier un nouvel album, je le dédierai à Gilles. C’est promis.

VASCO, série criada em 1978 (Le Lombard)

"DANS LA ROME DES CÉSARS", 2004 Éditions Glénat
"VINCI", T.1 (2008) & T.2 (2009), arg./scén. Didier Convard, Éditions Glénat

terça-feira, 5 de julho de 2011

Paul Cuvelier

Paul Cuvelier (22/11/1923 – 5/07/1978)
Autoportrait, vers 1955


Passam-se hoje 33 anos sobre a morte de Paul Cuvelier, um dos quatro autores fundadores do mítico semanário TINTIN (em 1946) e seguramente um dos grandes desenhadores que serviram a BD.

Infelizmente para ele, a BD não o serviu, já que se sabe que ele nunca conseguiu reconciliar esse modo de expressão com as suas ambições artísticas.

Em todo o caso, nunca esqueci o impacto que as suas pranchas tiveram sobre o adolescente que eu era na primeira vez em que as vi: era o início de “O Signo da Cobra”, aventura de Corentin, publicado no nº 27 do 2º Ano de TINTIN, versão portuguesa (29/11/1969). Eu era bastante jovem mas compreendi de imediato que ali estava alguém verdadeiramente notável: que leveza e elegância de traço! Quanta vida havia naquelas imagens!
A continuação não me desiludiu minimamente, bem pelo contrário, e ainda hoje considero aquelas pranchas soberbas – o que não é o caso para outras bandas da altura.


Corentin – TINTIN nº 27 (2º Ano), 29/11/1969, p. 8 e 9.
Curiosamente, o nome do argumentista (Jacques Acar) não é mencionado, o que não era habitual.
Curieusement, le nom du scénariste (Jacques Acar) n’y est pas mentionné, ce que n’était pas habituel.

Alguns anos mais tarde, eu confirmava, além disso, o talento de Cuvelier para desenhar personagens femininas, em “A Caravana da Cólera”, altura em que a anteriormente rapariguinha Line se transformava numa jovem moderna. Cuvelier permanece, penso, um dos raros desenhadores de BD capazes de bem transmitir a sensualidade feminina (e também masculina, aliás)… De facto, isso mais não é do que um dos aspectos da vida que anima os corpos e as almas, essa vida que Cuvelier tanto gostava de representar. E quanto conhecimento de anatomia ele tinha! Verdadeiramente excepcional!

Line – TINTIN nº 39 (6º Ano), p. 21.

Aujourd’hui 33 ans se sont passés depuis la mort de Paul Cuvelier, un des quatre auteurs fondateurs du mythique hebdomadaire TINTIN (en 1946) et sûrement un des plus grands dessinateurs qui ont servi la BD.

Malheureusement pour lui, la BD ne lui a pas servi, car on sait qu’il n’est jamais arrivé à réconcilier ce moyen d’expression et ses ambitions artistiques.

En tout cas, je n’ai jamais oublié l’impact que ses planches ont provoqué sur l’adolescent que j’étais la première fois que je les ai vues : c’était le début de “Le Signe du Cobra”, aventure de Corentin, publié dans le nº 27 du 2ème année de TINTIN, version portugaise (29/11/1969). J’étais bien jeune mais j’ai tout de suite compris qu’il y avait là quelqu’un de remarquable : quelle souplesse et quelle élégance du trait ! Quelle vie il y avait dans ces images –là !
La suite ne m’a point déçu, bien au contraire, et je trouve ses planches toujours superbes – ce qui n’est pas le cas pour d’autres bandes de l’époque.
 
Des années plus tard, je confirmais en outre le talent de Cuvelier pour dessiner des personnages féminins, dans “La Caravane de la Colère”, où l’avant fillette Line se transformait en jeune fille moderne. Cuvelier demeure, je crois, un des rares dessinateurs de BD capables de bien transmettre la sensualité féminine (et même masculine, d’ailleurs) En fait, ce n’est là qu’un des aspects de la vie qu’anime les corps et les âmes, cette vie que Cuvelier aimait tant représenter. Et quelle connaissance de l’anatomie il avait ! Vraiment exceptionnel !

TINTIN nº 38 (3º Ano), 13/02/1971

É pena que o seu imenso talento, através de uma vida de artista atormentado, se tenha de algum modo desperdiçado!

Dommage que son immense talent, à travers une vie d’artiste tourmenté, se soit un peu gaspillé !

Composition, 1953-76

Zaïla & Corentin

Paul Cuvelier & Jean Van Hamme, "Epoxy" p. 1 (essai), 1967

NOTA: em 1973, Cuvelier começou uma história de Corentin em colaboração com Jacques Martin (“L’Ogre Rouge”), que não viu mais que algumas pranchas desenhadas a lápis, aqui e ali passadas a tinta da chine; mais tarde, Martin transformou-a numa aventura de Alix: de “Les Proies du Volcan” (1978).

NOTE : En 1973, Cuvelier a commencé une histoire de Corentin en collaboration avec Jacques Martin (“L’Ogre Rouge”), qui n’a connu que quelques planches crayonnées, çà et là mises à l'encre de chine ; plus tard, Martin en a fait une aventure d’Alix : de “Les Proies du Volcan” (1978).


Obra indispensável / Œuvre indispensable : “Corentin et les chemins du merveilleux – Paul Cuvelier et la bande dessinée”, de Philippe Godin, 1984, Éditions du Lombard.

Site recomendado / recommandé : Le blog de Paul Cuvelier.
Aussi : Cuvelier, Martin & Pleyers.

domingo, 22 de maio de 2011

Hergé (22 mai 1907)

“Hergé – Lignes de Vie”, de Philippe Goddin, (c) Hergé/Moulinsart 2007
Capa sobre quadro de / Couverture sur tableau de : Andy Warhol.

Eis uma imponente obra em 1003 páginas, publicada por ocasião do centenário do nascimento de Hergé, muito bem escrita e organizada, que se fundamenta em numerosas fontes, sobretudo cartas (e Hergé recebia-as e escrevia-as em grande número!) e que termina com “mil milhões de mil agradecimentos”.
Segundo a contracapa, “Estas Linhas de Vida esboçam o retrato de um homem complexo, vulnerável, datado de um grande sentido de humor, presa dos tormentos mais dolorosos.”
Um homem genial – diria eu –, que sabia muito bem o que queria, que prezava profundamente a amizade e que tinha a coragem de defender os seus pontos de vista e os seus princípios mas também de se pôr em causa. Podemos descobrir, ao longo das páginas desta biografia, que por trás das Aventuras de Tintim, há um homem, uma vida, com os quais elas são absolutamente coerentes, mesmo na perseguição de um ideal. Não é sempre esse o caso.

Hergé (Boisfort, 04/1949)

Sabe-se bem que não é difícil construir uma obra apologética sobre um autor qualquer; contudo, esta biografia tem a vantagem de se apoiar na correspondência de Hergé, que é copiosamente reproduzida – o que é interessante e não se presta tanto a interpretações do biógrafo. É de se lhe tirar o chapéu, cavalheiro!

Philippe Goddin conheceu o autor pessoalmente. Foi o responsável da Fundação Hergé e “participou na reconstrução dos seus arquivos durante uma trintena de anos”.
Uma pequena nota final para os admiradores de Jacobs e de J. Martin (e eu sou um deles), que poderão ficar incomodados pelo facto de que Goddin faz um retrato que não é propriamente lisonjeiro destes dois autores.

Hergé & Warhol (Galerie D, Bruxelles, 05/1977)

Voici un imposant ouvrage en 1003 pages, publié à l’occasion du centenaire de la naissance d’Hergé, très bien écrit et organisé, qui puise dans de nombreuses sources, surtout des lettres (et Hergé en recevait et en écrivait beaucoup !) et qui termine avec “mille millions de mille mercis”.
Selon la 4ème couverture, « Ces Lignes de vie ébauchent le portrait d’un homme complexe, vulnérable, doté d’un grand sens de l’humour, en proie au tourments les plus douloureux. »
Un homme génial – dirais-je –, qui savait très bien ce qu’il voulait, qui honorait profondément l’amitié, qui avait le courage de défendre ses points de vue et ses principes mais aussi de se mettre en cause. On peut découvrir, à travers les pages de cette biographie, que derrière les Aventures de Tintin il y a un homme, une vie, avec lesquels elles sont absolument cohérentes, même dans la poursuite d’un idéal. Ce n’est toujours pas le cas.

Hergé (Studios, 1956)

On sait bien que ce n’est pas très difficile de bâtir une œuvre apologétique sur un auteur quelconque ; pourtant, cette biographie a l’avantage de s’appuyer sur la correspondance d’Hergé, qu’y est copieusement reproduite – ce qui est intéressant et ne se prête pas tant aux interprétations du biographe. Chapeau, Monsieur !

Philippe Goddin a connu le dessinateur en personne. Il a été le responsable de la Fondation Hergé et « a participé à la reconstruction de ses archives pendant une trentaine d’années ».
Une petite note finale pour les admirateurs de Jacobs et de J. Martin (et j’en suis un), qui pourront être gênés par le fait que Goddin dresse un portrait pas vraiment flatteur de ces deux auteurs.


Hergé (Georges Rémi, 22/05/1907 – 3/03/1983) par Tintin

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Bob Marley, the legend

Bob Marley (6 Feb 1945 - 11 May 1981)

Three little birds tale...

 
 
 
 
 
 
 
 
 



 Daniel Craigh & Christina Cole in "Casino Royale" de Martin Campbell
(c) United Artists Corporation, Columbia Pictures Industries, Inc.
Frenchman's Cove photo by Luís Diferr.

Coming next: MEETING EVA.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Cum grano salis (Plínio, História Natural, 23, 8, 149)

Cardeal Roberto Bellarmino (1542 - 1621)

ROMA, 1611:

Galileo* – Vi uma rapariga a patinar nos anéis de Saturno! Juro!

Cardinale Bellarmino – Ab Jove principium… [Comecemos por Júpiter (isto é, pela personagem mais importante), Virgílio]

G.* – Não, em Júpiter só vi o Hades a afogar-se na Grande Mancha!

C.B. (dubitoso) – Credo quia absurdum. [Acredito porque é absurdo (ou a fé ultrapassa a capacidade da inteligência)]

G.* – Porém, é verdade. O pobre debatia-se e gritava: Dum spiro spero! [Enquanto respiro tenho esperança (loc. latina)]

C.B. (condescendente) – Aut vincere aut mori! [Ou vencer ou morrer (loc. latina)]

G.* – É bem verdade!... As forças do Universo são poderosas.

C.B. – Ah! Coeli enarrant gloriam Dei! [Os céus narram a glória de Deus]




G.* – Bom, não posso demorar. Tenho que ir polir um espelho.

C.B. (levantando-se) – Dimidius mihi sit qui tantum maxima, sed qui cum parvis tractat maxima, totus homo est! [Aquele que só trata de coisas grandes é só metade de um homem, mas o que tanto trata das grandes como das pequenas é homem completo (loc. latina)]

G.* (abrindo os olhos) – “Càspita!” Vamos beber um copo?

C.B. – Bonum vinum laetificat cor hominus (Eclesiasticus, 40, 20). [O bom vinho alegra o coração do homem]

Ambos se dirigem para a porta.

G.* – A rapariga lá no anel até que era jeitosa!...

C.B. (doutrinador) – Eritis sicut Dii. [Sereis como deuses**]

G.* –Sim, claro!... Mas, piedoso Cardeal, preocupa-me a reacção da Inquisição às minhas observações e teorias. Não gostei nada do que aconteceu ao Giordano Bruno lá no Campo das Flores…

C.B. (após um silêncio)– Dat veniam corvis, vexat censura columbas… [A censura poupa os corvos e vexa as pombas (isto é, são muitas vezes perseguidos os inocentes enquanto os culpados ficam inocentes (Juvenal, Sat. 2, 63)]

G.* (inquieto) – Ou seja?...

C.B. – Ad bestias! [Às feras (loc. latina)]

G. – MA CHE?!

* Traduzido do italiano.
** Palavras que a serpente dirigiu no paraíso terreal a Eva, induzindo-a a comer dos frutos da árvore da ciência do bem e do mal, e que podem servir como exemplo a promessas enganadoras.
"Cum grano salis": "Com um grão de sal" (isto é, com certa dose de bom humor ou malícia).

Post Scriptum: Locuções em latim, assim como o seu significado, extraídas do DICIONÁRIO DA LÍNGUA PORTUGUESA, 6ª edição, (c)1984 Porto Editora, Lda.


 Giordano Bruno (1548 - 1600)

Benedictus XVI