domingo, 28 de agosto de 2016
"Cá fora à luz sem véu do dia duro"
sábado, 1 de junho de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
Um poema para o 1.º de Maio
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Café e pastel de nata
segunda-feira, 25 de abril de 2011
quarta-feira, 30 de março de 2011
Pedras no caminho
terça-feira, 29 de março de 2011
Poema de agradecimento à corja
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Poesia Incompleta
Sucede, contudo, que, apesar de fantástica, ela encontra-se com alguma dificuldade em sobreviver. O que não se compreende: tem à sua frente um jovem livreiro que, além de extremamente eficiente, como verão, possui um total conhecimento do que está a vender: conhece os autores, as edições, tudo.
A livraria de que vos falo chama-se Poesia Incompleta, fica na Rua Cecílio de Sousa nº 11 (Príncipe Real) e vai com certeza ser uma revelação para quem a visitar.
Abrange todas as épocas e o que não tem, o Mário, o dito livreiro, obtém, normalmente - e com uma brevidade que, no mínimo, surpreende.
Peço-vos - a vós que sois leitores - que façam uma visitinha a este sitio, que não pode de maneira nenhuma fechar e que, pela sua qualidade, vai-se tornar, mais tarde ou mais cedo, como aliás disse Vasco Graça Moura, num local de culto.
Isto, claro, se não fechar, coisa que, passando a palavra e recomendando a amigos este tão singular espaço, poderemos evitar.
Abraço,
JG»
sábado, 22 de maio de 2010
Mil faces
em mil espelhos enfrentaste
a imagem de que fugias,
mas em tua alma vias
mil cores que te abraçavam
que em mil danças te lançavam.
Contra mil lobos lutavas,
Mil vidas tu tiravas.
Sobre mil mares navegaste
em mil mundos procuraste
as mil faces que vestiste
sobre a face que não viste.
Em mil sonhos que não sonhaste
foi-se a vida que perdeste!
Sentir o toque do mar imenso
inundar o espírito,
purificar o ser,
como se de água fosse feita a alma.
Descer às profundezas
de um abismo de cor,
deixar de pensar,
exorcizar a dor,
deslizar lentamente
sobre um céu de mil prantos
e ser um só com o mar.
domingo, 25 de abril de 2010
Faz hoje 36 anos
Que faz parte da humanidade
Do berço até ao caixão
Olhando os frutos crescer
É um orgulho poder ver
Seu pouso de mão em mão
Quanto a mim só faz sentido
Se for um bem adquirido
Através de votação
Se um povo assim decidir
A democracia pode servir
Pró bem-estar duma Nação
Mas se este bem adquirido
For por alguém destruído
E a democracia ameaçada
Ouve-se um grito lá na frente
É o grito da nossa gente
Dizendo que foi roubada
Meu povo, ninguém controla
Nem com mordaça, ou pistola
Nem masmorra ao deus dará
Povo Luso sem rival
És Abril em Portugal
Cravo que não murchará.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Desabafo poético...
Escrevo o que revisita a minha imaginação,
O teatro cabarético modernista português,
As adversidades politicas e odisseias submissas,
E toda a árdua tarefa a enfrentar…
Falo-vos daquilo que é colectivo,
E de todos começam a perder a vontade,
E não do meu individualismo,
Que é cómico, dramático e poético…!
Nesta geração, quem somos,
E em que sonhamos?
O que queremos ser,
E poder vir a ter?
As tortura mútuas sociopolíticas,
Ou novas obras inéditas musicais?
Respiro a atmosfera socrática pesada
Trago à cena a comédia sobre o desespero
O que não posso acreditar,
É não conseguir perceber
Como a maioria do povo português,
Votou, para mal poder viver.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Obrigada Vanessa!
E quando, em casa, a abri, fiquei deveras admirada. Era um belo livro de poesia acompanhado de uma simples nota que muito me emocionou…
Os resultados eleitorais eram o foco da minha atenção, mas aquelas palavras deixaram-me de lágrima ao canto do olho, confesso.
Dos poemas que já li, um pouco ao acaso, como gosto sempre de fazer numa primeira abordagem de qualquer livro de poesia, deixaram-me deveras surpreendida pela densidade da sua mensagem e pela força que emana de cada sílaba e nos envolve de volúpia numa empatia perfeita entre autor e leitor pouco usual em poesia daquele estilo (falo por mim que sou leiga nestas matérias... costumo dizer que olho a poesia com os "olhos do coração", pois sou geógrafa e pouco ou nada sei do ofício de analisar a escrita poética dos outros... apenas amo a poesia e por tanto dela gostar acho que os nossos poetas precisam de ser divulgados tantos são os talentos que andam por aí desperdiçados).
Obrigada Vanessa (Melusine de Mattos), deixaste-me mesmo sem jeito (e sem palavras)… Por isso este meu agradecimento público.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Poesia para começar as férias...
Veja e ouça este tema em poema da semana ou aqui neste link:
As minhas mais cordiais saudações,
sábado, 25 de abril de 2009
25 de Abril na poesia da Liberdade
Semente a semente
na árida terra
doloridamente amarela
de suspeição,
de verdade adubada
fatalmente caiu
das calosas mãos
que tateiam futuro.
Se mente, não germina
a semente,
estiola no meio da gente
desejosa de verdade
mesmo que enclausurada
mas na mente não mente:
a semente germina
virtualmente
e o cravo habilmente
apossa-se da aterradora terra
e fecunda-a com amor.
Surpreendentemente
em Abril
floresce o cravo
que a mente sorrateiramente plantara
na sequiosa terra da verdade
e emoldura a paisagem
agora
vermelha de alegria.
Não mente,
germina
irrompe no meio da gente
vigorada pela verdade
libertada.
E canta
gloriosamente
no peito e na mente
pois sabe que futuramente
construirá completamente
um país de felicidade.
Pétala a pétala
na cansada terra
desgraçadamente
iludida de promessas
desfolha-se tristemente o cravo;
mas logo magicamente
se refaz na mente
que virtualmente
o futuro gera.
Alexandre Castanheira
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
A importância da luz
Foi uma intervenção necessariamente breve porque o importante não era a minha modesta opinião (uma leiga na matéria e tão só uma amante da poesia, que a aprecia com os “olhos do coração” e não como uma especialista em literatura poética), mas sim a obra em si.
Se por um lado vos pode parecer óbvia a minha apreciação, por ser amiga pessoal do autor, é decerto essa condição que me permitiu criar o necessário envolvimento para perceber as várias mensagens que o Isidoro nos dá o privilégio de conhecer através das suas palavras.
A Importância da Luz é um retrato multifacetado de sentimentos e memórias dispersas.
Cada verso contém preciosos fragmentos de afectividade, sentida e profunda, onde as sílabas expressam um amor óbvio à vida, mas quase sempre com um mais ou menos leve toque de doce nostalgia.
Este livro contém um conjunto vasto de emoções, definidas de uma forma subtil, mesmo quando o poeta pretende exprimir mágoa, revolta e raiva.
Construções poéticas extraordinárias, simples na aparência mas de uma riqueza linguística e semântica incrível que nos seduzem em cada página como estes tão belos quanto curtos poemas, aos quais o autor nem título deu e que não posso deixar de transcrever:
nem sempre as águas me levam
ao saber
eterno
calmas são as margens
do que sinto e do que vejo
tão branco é o que escrevo
tóxica a palavra
da salvação
intrusa errática atmosférica
castradora ameaça
sanguínea fogueira
um verdadeiro muro
teríamos sido
se a noite assim deixasse
escorrer o verbo
e os sentidos
assim tão explícitos
É que o Isidoro tem o dom de nos fazer reinterpretar cada poema nas sucessivas visitas que ao seu livro sentimos necessidade de fazer, pois aquilo que diz nas entrelinhas é muito mais do que o conteúdo aparente das vestes com que nos apresenta cada verso.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O último verso
Não sei se é já amanhã que quebra
Como não sei se é de seda ou pedra
Ou se de alguma Força anda ao arrepio.
Se quebrar, que seja noite fora
E que eu não esteja a dormir
Não para não ter tempo de fugir
Mas para ver tudo como agora.
Haja o que houver, estarei lá
De pé, mesmo sozinha, nessa arena
E cantando o último dos versos.
Na segunda linha, clave de fá,
Escrita a azul com delicada pena
Pauta de muitos sons dispersos.
Poema escrito há cerca de 3 anos, mas na minha mente já desde "os loucos anos 90" que ele andava por lá.
Não percebo: muito se dorme, parece que a crise foi de geração espontânea, que caiu entre os pingos da chuva tendo-se formado de repente.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Flauta & Violino
Carlota (flauta) e Matilde (violino) durante a sessão de lançamento do livro de poesia de sua avó, a minha amiga Almerinda Teixeira, A Solfa no Sótão, que aconteceu no passado dia 29 de Novembro na Escola Secundária Cacilhas - Tejo.
Por um lado vinha e por outro ia
Hoje estou no mar amanhã na serra
Direi um dia adeus à cor, à terra
Mas nunca adeus direi à poesia.
Nem à música. Esta vai com ela.
(Almerinda Teixeira, A Solfa no Sótão)
domingo, 26 de outubro de 2008
Orçamento de Estado 2009
Andou p’rà frente e p’ra trás
E o coitado do Orçamento
Lá foi saindo aos bochechos.
Terá sido neste vaivém
Que ele foi acrescentado?
Andava um bit perdido
Nos céus cinzentos de chumbo
Que, por fim, num interstício,
Conseguiu direito à luz.
Terá sido por causa dele
Que o gajo ia morrendo
De asfixia à nascença?
Ninguém sabe, como sempre,
Quem enfiou o tal bit
Esse sim, como uma pena.
A doença é genética.
Desceu como o Espírito Santo
Só que:
Em vez de falar mil línguas
Veio calado, saiu mudo.
Mas mesmo sem o tal bit
É papelada aos molhões
Como sempre especializada.
A puta que pariu tal filho
Sempre conseguiu, lá por fim,
Oferecê-lo, dá-lo à luz.
(Aqui é parêntese para mudar de assunto:
mãe-filho
filho-mãe
puta?
?
Oh minha gente, a língua…)
Querem enganar-nos. Porquê?
Dizem que isto vai bem.
Mas a nossa pobre vida
Como mãe, parindo um filho,
Rebola-se com muitas dores…
Com tantas eleições p’ró ano
O bit, o bit, meus amigos,
Aquilo é q vai ser
Convertido em megabites.
Viva a República do Espeto de Pau!
Almerinda Teixeira
Cacilhas, 2008.10.24
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Apareçam logo à noite
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Hortas da Costa de Caparica
Alinda-se a frente de mar da Costa de Caparica com o POLIS, contudo, a seu coberto destrói-se uma das mais importantes áreas verdes da Área Metropolitana de Lisboa...
Não teremos de, mais uma vez, dizer NÃO? Não temos tempo a perder.
Assim vai o mundo!
“Polas hortas d´Enxobregas”
Nos falaste, ó Miranda,
De “rousinos asoviadores”. (1)
E pelas hortas da Costa
Eu te gido, Maria Emília,
(E a muitos outros),
Que não vai passar a pista
Que desejas, na tua visão,
De desenvolvimento sustentado.
Não, não vai ficar parado,
Isso te garanto eu,
O pessoal acordou.
Por lá não há rouxinóis
Mas há outra bicharada.
E couves, cenouras e nabos
E muitas outras plantinhas:
Umas já domesticadas
Outras reles, daninhas,
Que tu nem sequer conheces.
Mas eu à beira delas nasci. E cresci.
Mais longe, não foi por aqui.
Enquanto houver uma só cana ao vento
Não dormes, Maria Emília, em sossego.
Também nós não dormiremos:
Muitos já bem acordados,
Daremos as mãos, te asseguro,
Contra ventos e marés.
Não, não vais ganhar esta guerra.
Que vai ser dura, muito dura,
Mas não penses que ela vai ser
Como a do MST. (2)
A pista nem é largota
E é obra do (des)Governo.
Mas não vais estar ao lado
De qualquer pândego corta-fitas
Batendo palmas, contente,
Com o desenvolvimento sustentado.
Não vai haver infiltrados
Para estragar o estrugido
Nem outros feitos patetas.
Porque, se aparecer algum,
Logo será reconhecido.
E mandamo-lo assobiar
Como os rouxinóis de Enxobregas.
Rouxinóis de Enxobregas
Peço-vos, a sério, perdão,
Porque os vossos assobios
Nada têm de comum
Com os dos rouxinóis dos patetas.
Não, ninguém vai fugir de medo.
Meditando a pensar a perda e o ganho
Com o tempo acabamos por descobrir
Que valeu a pena não fugir:
Tu… aos trambolhões; eu… cá me amanho.
Amem.
Almerinda Teixeira
Costa da Caparica, praia da Cabana do Pescador, 21 de Julho de 2008
(1) Sá de Miranda – Carta a António Pereira, senhor de Basto, quando partiu para a corte.
Enxobregas: Xabregas, pois claro.
(2) Metropolitano ligeiro da margem sul do Tejo.