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Friday, December 20, 2024

VALENTES LUSITANOS!

 
 
 
Assunto que já comentei várias vezes neste caderno de apontamentos e agora me foi relembrado por este gráfico colocado por EC na "Tertúlia da Trindade", que, ironicamente, comenta "Valentes Lusitanos!"

 

Thursday, August 01, 2013

QUANTO MAIS BÊBEDO MELHOR

Aumentar a produtividade não é fácil em lado nenhum. Sendo o nível de produtividade um factor decisivo do crescimento económico, se fosse fácil aumentar a produtividade, estaria resolvido o problema do crescimento económico em toda a parte. Aparentemente, juízes do Tribunal da Relação do Porto concluíram que "Trabalhar alcoolizado até pode melhorar produtividade" - cf.  aqui., uma descoberta que poderá representar um contributo muito significativo não só  para o aumento da produtividade em geral, eventualmente também a produtividade dos tribunais, como para o aumento do consumo, e, portanto, da produção de bebidas alcoólicas, também em Portugal.  

Acordaram os juízes que "As leis laborais não versam sobre os estados de alma do trabalhador" ... “Não há nenhuma exigência especial que faça com que o trabalho não possa ser realizado com o trabalhador a pensar no que quiser, com ar mais satisfeito ou carrancudo, mais lúcido ou, pelo contrário, um pouco tonto”. Uma sentença que terá, certamente, aproveitado da singular conclusão dos senhores juízes.

Noutros tempos eram as jornas dos trabalhadores rurais pagas a dinheiro, pouco, e dois litros de vinho, quando "beber vinho dava de comer a um milhão de portugueses". O que o este pais perdeu com o abandono de uma prática tão produtiva!

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Correl . - aqui

Ave não era o seu nome mas ninguém a conhecia por outro. Alta e esgalgada, curvava-se ligeiramente para a frente, avançando ainda mais um nariz que parecia um bico de corvo, permanentemente avermelhado. Bebia o que lhe competia, e nunca negava o que lhe oferecessem a mais.

Um dia, cortava-se o milho, a Ave puxou a foice com mais gana do que estava obrigada e cortou uma perna. Álcool! Álcool! gritou ela, e logo apareceu um pequeno garrafão de aguardente.

Mal o álcool lhe chegou à mão, a Ave deitou o garrafão à boca, emborcou um golão, e disse Ah!

Oh Ave! Devias ter posto a aguardente na ferida ...

Hum!, respondeu a Ave. Lá chegará.

Monday, November 26, 2012

DÁ DEUS DENTES A QUEM NÃO TEM NOZES

Isabel Jonet escandalizou mais de meio Portugal quando há dias disse algumas verdades. De entre elas, a mais badalada foi o consumo excessivo de bife. A essa questão já me referi aqui. E, até prova em contrário, a verdade é que as estatísticas colocam os portugueses como razoáveis consumidores de um produto para o qual não dispõem de condições favoráveis de produções locais. Mas há mais.
 
Quem olha para a origem dos produtos à venda nos supermercados pode constatar que, ainda hoje, quando a crise apoquenta quase toda a gente, os portugueses não dispensam o consumo de alguns produtos que noutros países com a balança comercial mais equilibrada têm a sua venda restringida  a espaços comerciais autorizados exclusivamente à sua comercialização. Por esta altura do ano, multiplica-se nos supermercados portugueses o stock de bebidas importadas de alto teor alcoólico, geralmente elevado tendo em conta o espaço dedicado a outras bebidas de custo incomparavelmente inferior.
 
Não por acaso, as estatísticas anualmente publicadas  pela Organização Mundial de Saúde, que de vez em quando aponto neste caderno, colocam Portugal - vd aqui - entre os maiores bebedores de alcool do mundo. Trata-se, obviamente, de uma questão que, mais do que as incidências na balança comercial, contam os efeitos negativos de um hábito que não é suficientemente denunciado nem combatido. Entre as consequências dramáticas do abuso do alcool está a elevada mortalidade juvenil observada em Portugal.  
 
No supermercado onde hoje fizemos compras, havia, apesar do anunciado apoio no local à produção nacional, entre muitos outros items, só na área de alimentação,   batatas de Espanha e França, cebolas de Espanha, chuchus da Costa Rica (por que é que se importam chuchus quando a sua produção é tão pouco exigente e viável em Portugal, é um dos mistérios comezinhos para o qual não encontro resposta), feijão verde de Marrocos, ... nozes dos Estados Unidos da América!
 
 
Tal como os bancos, os supermercados parecem desconhecer que a economia é uma activiade de trocas e que só pode trocar quem produz valor equivalente. Inevitavelmente, um dia, se não mudarem de atitude, estabelecendo parcerias win-win com os vizinhos, terão cada vez menos consumidores, incluindo os bebedores de spirits. 

Wednesday, April 25, 2012

MORTALIDADE JOVEM

É frequente o justo regozijo com que são citados os progressos feitos em Portugal na redução da taxa de mortalidade infantil: Portugal progrediu em poucas décadas da cauda dos países desenvolvidos para os lugares cimeiros das mais baixas taxas de mortalidade até aos cinco anos de idade (vd. aqui).

Há, no entanto, uma dolorosa realidade que não tem sido citada: a mortalidade juvenil (entre os 10 e os 24 anos). O gráfico publicado no Economist retrata essa realidade que deveria merecer a atenção de quem tem obrigações na matéria, desde os governantes às famílias passando pelos media e pela escola. Mas, pelos vistos, ainda ninguém reparou nem adiantou soluções.

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Das causas discriminadas, a mais mortífera da juventude portuguesa são os acidentes rodoviários, uma praga que tem, certamente, origem nos hábitos de consumo de alcool de muitos jovens portugueses.  
Portugal encontra-se nos lugares cimeiros, segundo a OMS, no consumo de alcool per capita.
Trata-se, aliás, de uma posição em que os portugueses têm mantido desde há muito tempo, ainda que muita gente queira duvidar dos dados da OMS.

Com uma taxa de natalidade das mais baixas do mundo, a taxa de mortalidade juvenil é mais um dos factores do reduzido crescimento demográfico do País.

Insisto nisto: Portugal deveria adoptar uma lei que restringisse a venda de bebidas alcoolicas a menores de 18 anos e a venda de bebidas de alto teor alcoolico (geralmente importadas) a locais exclusivamente dedicados a esse negócio. 

Obs.- Como sempre tenho afirmado quando abordo este tema, reafirmo que não sou abstémio.