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14 de abril de 2016

morreu ontem arnold wesker

já aqui tinha falado de arnold wesker e do centre 42, que ele fundou e dirigiu.
wesker não foi apenas um dos nomes mais importantes da dramaturgia mundial do século 20.
ele foi determinante para a cultura britânica, para a participação activa dos artistas na luta e na vida dos trabalhadores, determinante para o que conhecemos como 'realismo britânico', para o renascimento da musica tradicional (mesmo que, penso eu, nunca tenha cantado)
arnoild wesker foi dos que sempre estiveram com 'os de baixo'
quando em 1960 o tuc (trade union congress) aprovou uma resolução extraordinária (a 42º da ordem de trabalhos), sobre a necessidade de um inquérito ao estado das artes no reino unido.
a resposta dos artistas britânicos não podia ser sido mais expressiva e mais generosa:
a nata dos jovens (e alguns menos jovens) escritores, dramaturgos, músicos, escultores respondeu ao movimento sindical que se eles estivessem interessados em tornar a arte popular entre as pessoas, eles estariam ao dispor para o que fosse necessário.
no ano seguinte, em 1961, estava então criado um dos mais influente movimentos artísticos dos anos 60. dirigido pelo dramaturgo arnold wesker e com gente como harold pinter, ewan mac coll, a.l. lloyd
o centre 42, tinha como principal missão encontrar uma audiência popular para as artes e foi isso que com o empenho e a direcção de arnold wesker conseguiu.
conseguiram a audiência e conseguiram uma imensa legião de escritores, pintores, músicos, que percorreram as ilhas britânicas num trabalho incansável de divulgação artística com a participação popular.
curiosamente, no começo deste novo empreendimento esteve a fundação calouste gulbenkian que financiou, em 1961, o projecto com 10 000 libras
3 anos depois estava 'sediado' na roundhouse: casa de uma lista infindável de acontecimentos artísticos, do teatro à música.
com a morte de arnold wesker vai um dos últimos sobreviventes da aventura inicial, mas mantém-se viva a actividade da roundhouse e do seu legado.

6 de abril de 2014

A dama turca

Tropeço no livro num tabuleiro de preço fixo e módico. É encadernado lindamente e tem um papel suave. Quando o abro deparo com a dedicatória de Chaby Pinheiro a Lucília Simões e sorrio. Atravessaram o Atlântico numa tounée ao Brasil e eram os dois muito jovens. Terá havido romance? As fotografias da dama turca são deliciosas e o colorido acresce a sensação de livro proibido.

Nota: Morreu Jorge Fallorca que era um leitor e comentador atento deste blogue. A cultura portuguesa está mais pobre. Nós também. Até sempre Jorge.



5 de dezembro de 2012

Joaquim Benite: o teatro português fica mais pobre

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Numa época em que grupos de teatro, a fazer parte da nossa história pessoal, correm o risco de desaparecer, o falecimento de Joaquim Benite torna ainda mais pobre o panorama do teatro português.

O fundador do Teatro Municipal de Almada

17 de novembro de 2012

Saramago revisitado

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Nada melhor para comemorar o dia em que, há 90 anos, nasceu o escritor, do que assistir à representação de Memorial do Convento, no Olga Cadaval. A peça foi representada (se a memória não falha) ao longo de dois anos, no convento de Mafra, tendo ficado a simples intenção de a visitar. Numa adaptação e encenação irrepreensíveis, a tónica para a  vontade humana, a possibilitar que o homem se supere (com o humor inteligente sobre a forma como recolher, dentro de um frasco com âmbar, as vontades individuais para poder, através de coletivas determinações, pôr em prática a ousadia de voar). Saramago mostra-nos, com a mestria habitual (e um humor peculiar) a natureza humana, imune ao correr do calendário. Por isso existem criadores intemporais, arrancando sorrisos afirmações como «Gil Vicente foi único, pois continua atual»… Quem consegue «ler por dentro» com a clarividência de uma Blimunda Sete Luas, encontrar-se-á apto a trazer para a literatura tudo o que  desperta e convida à reflexão. É grato observar uma assistência que, em grande parte, estuda os textos do nosso Nobel da Literatura.

 grupo de teatro Éter

30 de maio de 2012

Ensaio

E porque adivinhar faz bem às unhas...Reconheceis estes senhores? O que faziam ele? 1957
José  de Castro, Erico Braga, Alina Vaz, Helena Félix e Rey-Colaço, Paiva Raposo, peça Comediantes no D. Maria II.

25 de abril de 2012

Alice na Regaleira


O dia não irá permitir que a antestreia se realize esta tarde. A adaptação da obra de Lewis Carroll é interessante proposta do grupo Byfurcação, encontrando-se em cena de 28 de abril a 30 de setembro, em Sintra, na Quinta da Regaleira, sendo a obra (muito) mais do que um texto exclusivo para a infância. Fica a garantia de que a música original, composta para a peça é apelativa, estando certa de que todo o espetáculo o será, a ajuizar para o sucesso de O Principezinho, representado pela mesma companhia em temporada anterior. Espera-se que o tempo não pregue mais partidas, pois decorrendo a representação no exterior da quinta, a meteorologia poderá constituir obstáculo. Deixa-se um excerto da divulgação:

 Que país de maravilhas é esse onde caiu a nossa menina? O dos sonhos inconsúteis, o da imaginação absurda e matemática do senhor professor Charles Lutwidge Dodgson, o da Inglaterra vitoriana, puritana do séc. XIX, o da Regaleira, mansão filosofal da esotérica Sintra? Onde quer que seja, depois de franquear a porta desse país, a menina nunca mais será a mesma. Os países são livros continuamente reescritos pela nossa imaginação maravilhosa, assim saibamos ser atrevidos, Alices.

16 de outubro de 2011

10 de outubro de 2011

A cigarra e a formiga na cidade



Fica a divulgação deste espetáculo de marionetas que, sem dúvida, fará as delícias de um público de todas as idades, sendo sobretudo recomendado a quem tenha crianças e goste de passear em Sintra ao fim de semana, neste Outono ainda estival.

Posso assegurar que os «bonecos» são muito criativos, como todas as marionetas da autoria de Jorge Cerqueira que tem participado em muitos espetáculos e exposições. O texto teatral parece encontrar-se à altura do elenco , o que irá ser brevemente confirmado.

9 de setembro de 2011

Actores e actrizes

Assim se apresentava o elenco de uma peça de teatro, poucos dias antes do 25 de Abril. Reconhecem?

A Morte de um Caixeiro Viajante.

5 de setembro de 2011

Rostos atentos

Estas fotografias mostram a plateia de um espectáculo da Comuna. Podem ser reconhecidas algumas personalidades da época.


Clicar para ampliar.

4 de junho de 2011

Deslizando...

Estamos nos anos 30, numa amável Lisboa e estas três alegres mulheres deslizam pela avenida em direcção a...Reconheceis quem são?

26 de maio de 2011

5 de maio de 2011

A vizinha do lado



A CRIADA DE CIMA E JERÓNIMO 

A CRIADA DE CIMA (Varrendo e descendo):
Varre, varre, linda vassourinha...
 Abana, abana, meu abanador...
 Sempre, sempre em movimento (bis-) Vassourinha varre o chão...  E o abano faz o vento (bis)
Para acender o fogão...
 Rica vassoura, quando serás minha?
Tu queres de abano passar a varredor?
Varre, varre, linda vassourinha!
Abana, abana, meu abanador...
 (durante a cantiga tem-se visto aparecer do lado inferior, Jerónimo, guarda-portão dos seus cinquenta anos e pico, cara bonacheirona, blusa de riscado e boné de pala, que vem pachorrentamente puxando o lustro ao corrimão e, de caminho, limpando. os ferros da escada. Ao ver  a criada, detém-se a ouvi-la até que com um sorriso. ..) 

JERÓNIMO — Ora viva a menina Joaquina!...
A CRIADA DE CIMA (parando de varrer e debruçando-se no corrimão) Viva lá, Sr. Jerónimo!...
JERÓNIMO-  Está boa? Vive com gosto?
A CRIADA DE CIMA (Rindo) Eu cá vou... E vossemecê?
JERÓNIMO  Não há remédio senão ir puxando pela vida... As suas patroas estão bem?
A CRIADA DE CIMA  A  senhora está boa….E a menina também está boa, muito agradecida. (…)

3 de maio de 2011

Pequeno mundo das ilusões













"Por 1$50 para os “cavalheiros” e de graça para as “damas”quando acompanhadas, Lisboa tem o seu mundo irreal um enclave na pacatez da cidade nocturna, a “féerie” que sobrevive e toda as noites se renova (ou, melhor, que todas as noites é sempre igual) fazendo os impossíveis para se manter acordada até que rompa a madrugada.
O provisório Parque Mayer ameaça tomar-se eterno. Os seus teatrinhos, as suas barracas, as suas diversões foram ali implantadas em tabique e estafe mal seguro, na espera de melhores horas ou de um desaparecimento sempre mais ou menos iminente e, no entanto, vão assistindo à passagem de Verões e de Invernos num desafio corajoso às modernizações que se vão fazendo um pouco por toda e cidade. Periodicamente, o boato renova-se: a Câmara comprou o Parque Mayer, vai deitar tudo abaixo, abrir uma avenida larga até à Politécnica... construir um arranha-céus para os seus serviços.. O alarme corre o Parque de ponta a ponta, mas a confirmação nunca mais chega".
Século Ilustrado, 1967 (sem indicações de autores)

5 de março de 2011

As cinco Marias

Aconteceu em 1962, este acidente trágico em que perderam a vida as jovens coristas, conhecidas como cinco Marias. Tinha lido há pouco uma referência a este triste acontecimento. Maria Odette Barbosa Antunes, Maria Filomena Coelho Bento, Maria Júlia Sanches, Maria Amélia Pinto e Maria Odete Correia Martins. Fiquem os nomes para as recordarmos.

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28 de fevereiro de 2011

O comboio da madrugada em cena no Mirita Casimiro

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fotografia de João Vasco

O comboio da madrugada, de título original The milk train doesn’t stop here anymore do dramaturgo Tennessee Williams, encontra-se em cena no Teatro Mirita Casimiro no Estoril.
A peça é atravessada pelo amargo sarcasmo que tanto caracteriza algumas das personagens de Williams, encontrando-se presente na crueldade verbal da protagonista. O traço aqui destacado contribui para que se torne impossível, ao longo do enredo, não estabelecer a associação ao «no neck monsters», epíteto atribuído às crianças pela carismática Maggie/Liz Taylor em Gata em telhado de zinco quente. Em O comboio da madrugada, as deixas da figura central, de nome Flora (Sissy) Goforth, revelam-nos uma Eunice Muñoz à altura das personagens com que nos tem vindo a surpreender ao longo dos anos: a actriz terá em tempos referido em entrevista que precisa de desafios, já que tende a tratar o palco por tu e, como tal, descansa nesse à vontade. Certamente que encarnar a excêntrica milionária Sissy Goforth não será tarefa fácil…
O papel do jovem Chris Flanders , outra figura proeminente com quem Sissy contracena, constitui agradável surpresa. Outras figuras merecerão destaque, como a de Lídia Muñoz, neta de Eunice, no papel da paciente secretária e redactora de memórias desta «Barba azul» de saias.
A actriz Anna Paula prende - como não poderia deixar de ser - a audiência no papel da falsa amiga fútil, maltratada pela senhora Goforth merecendo, da sua parte, o tratamento de «bruxa».
Algumas notas em tom de conclusão ficarão para aguçar o apetite para a peça originalmente encenada por Carlos Avilez : o facto de ser a estreia nacional , a forma – opinião pessoal – cruel e ao mesmo tempo fascinante como o dramaturgo retrata algumas das figuras femininas centrais e, por último – este aspecto provavelmente de cariz feminino – o belíssimo e elegante guarda-roupa envergado pela protagonista, encontrando-se o mesmo à altura de uma qualquer estrela de Hollywood nos tempos áureos do cinema.
Um excerto da representação aqui

23 de fevereiro de 2011

23 de janeiro de 2011

Um par

E identificais este par inesperado e "romântico" de 1963?

Irene Cruz e António Calvário a contracenarem numa revista.

2 de janeiro de 2011

A sapateira prodigiosa

Da Radio e Televisão de Junho de 1968, onde se anunciava a exibição da peça "A Sapateira Prodigiosa de Garcia Lorca". Atenção à ficha técnica...


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