sábado, 24 de janeiro de 2009

Cansaço e Solidão

Não sei quem és, nem o que significas para mim. Tenho apenas uma ideia de quem sejas e, sinto que me és cara (que és importante).

Algo em ti me cativa
Não creio que seja só o olhar
Talvez a tua presença me preencha
E por isso nem precise de falar (dizer palavras)

Parece-me que só te vejo realmente, quando estou afastado de ti. Só nessas alturas compreendo, que o Tempo passa sem eu saber (Quando estou sem ti compreendo como o Tempo passa tão devagar, quando estou contigo).

É como se tivesse encontrado o meu refúgio, como se fosses a música que marcou a minha vida, o livro que li sem me fartar. O amanhecer eterno que quase perdi, mas que durou o suficiente para o poder ver ainda.

Trato-te com indiferença, como se não me fizesses falta. As minhas palavras são frias porque me consegues aquecer. Faço-te pagar por me fazeres sentir diferente e, curiosamente, ages em resposta àquilo que faço, como se fosses um reflexo exactamente igual à imagem a que correspondes.

A paisagem para nós é tempo que pára. Se saímos de nós, juntos partimos para outro mundo. Quando no início saía de mim, olhava para ti, estavas comigo e isso deixou-me seguro e feliz.

Encontrei-te ao fim destes anos todos (Sabedoria). Procurei-te incessantemente, em todos os formatos e feitios… Mas será que te encontrei realmente? Ou é tudo uma ilusão?

Aquilo que procuro é saber quem tu és!
Aquilo que quero é saber quem és para mim!

Tentei procurar no teu rosto indícios, que me apontassem o sentido a seguir. Mas como disse, ages como eu ajo e isso deixa-me confuso.

Será que sentes algo por mim? Gostava que assim fosse… Gostava que a solidão terminasse e que o meu vazio o fosse cada vez menos! Mas provavelmente és mais uma etapa no percurso, mais uma pessoa conhecida, que um dia pensei que conheci.

Se assim for, já estou habituado! Já me parece mais normal… Mas não é isso que desejo, confesso. A mesma tristeza que sempre me fez pensar, já começa a magoar-me demais e a dor abafa os meus pensamentos!

A pergunta que me suscita colocar-te é: o que é que tu sentes?
Sou mais um amigo?
Mais um conhecido?
Mais um que te dá atenção sem teres pedido?

Ou há algo que não ignorando, quero ignorar para não ceder às expectativas? Ou então, tens dúvidas em relação ao que significo para ti?

Se não tiveres intenção de ficar comigo, vou odiar estes sentimentos! Já me sinto fatigado da minha busca, pois ela não me trouxe nada! Dei tudo o que tinha, até a paciência… Talvez seja chegada a altura de desistir de procurar…

Já estou cansado das tentativas vãs de rituais de acasalamento, das lutas com machos rivais e da falta de indícios de aceitação, por parte das fêmeas. Se é para isto que vivo, então viva a solidão! Viva o vazio e a independência ! Viva a insanidade e a tristeza!

Que essas pelo menos não nos deixam sozinhos depois de se instalarem…
Corajosos os que estão sós!
Guerreiros os independentes!
Salvé os que se sentem vazios, os insanos e os tristes!

Esses vivem como lhes aprovem. Não precisam da aceitação, nem de demonstrações falsas de afecto. Eu sei que preciso infelizmente! E se algo obtiver de ti, serei feliz!


Dedicado a Olhos de Âmbar
24 a 25 / I / 2009

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Perdi a cabeça por um N97

Estava eu em casa / Num dia de derreter alcatrão, a dormitar
N97 novinho em folha / Há pouco tempo a carregar

E eu a sonhar alto, no sofá / Com as suas funcionalidades
A suar profusamente / Pois estava um calor de rachar

Nisto tocam à porta / E eu dou um pulo valente
Caio do sofá / Da porta dizem: “Está gente?”, levanto-me do chão de repente

Mas subitamente / O telemóvel começa a tocar
O dilema começasse / Na minha mente a formar

Quem quer que seja / Parece estar com urgência na voz
E o fio do carregador não é extenso / Para matar dois coelhos de um só, cajada

O tempo passa / E tenho de decidir
De repente vem-me à mente / Uma maneira de conseguir

Recordo-me com força / Do que dizia o manual
Se o agarrarmos com as duas mãos / Ele absorve calor corporal

E converte-o em energia / Viva a tecnologia!
Apresso-me para agarrar / Este objecto maravilha!

Respondo para a porta: “Já vou!” / Respondem-me: “Está a haver um incêndio!”
Deito as mãos à cabeça / Invade-me a tristeza

“Agora o que faço? / Tenho que me ir embora!”
Todos os objectos à minha volta / Eram grandes demais para levar!

Excepto um e esse / Já se encontrava nas minhas mãos
Quem tudo quer, tudo perde / Contento-me apenas com ele, então

Saio a correr do prédio / Fico cá fora a assistir ao incêndio
O telemóvel ainda toca / Como o fogo, cada vez com mais intensidade

Acordo sufocado / Tudo não passou de um sonho
O telemóvel já não toca / E vou entrando na realidade

Rio-me sozinho / Da situação
Felizmente não passou de um sonho louco / Mas que emoção…

Olho para o meu colo / A revista ainda aberta
N97 na página / Mas o que é isto? Que confusão?!…

Afinal ainda não o tinha comprado / Que loucura só de pensar
Que o querer tanto alguma coisa / Não significa que do céu venha e vá pousar

Nas nossas mãos / Assim posso dizer com clareza
O n97 da Nokia / Fez-me perder a cabeça!


Para um amigo que me pediu uma letra para concorrer a um concurso da Nokia
Algures em 2009