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sexta-feira, junho 8

Mais Bullying ?? More Bullying ??

Eu tinha 14 anos, morava em Taubaté e era da turminha dos rejeitados na escola. Os "populares"não queriam nem saber da nossa existência. E de mim, tiravam sarro aos montes ( nossa, que surpresa).
Era pinoê prá cá. yoyocrem prá lá...a molecada tinha um fascínio indescritível pelo meu nome e as infindáveis formas de me encher o saco por causa dele.
Nessa época cismaram que eu andava como uma girafa ( eu não queria ficar com as costas tortas, então jogava os ombros bem prá tráz e acho que ficava meio esquisito mesmo)...
Então, me chamavam de girafa!
E eu ficava triste, claro, mas fingia que não ligava. Me fazia de intelectual e fingia que eu achava todo mundo menor, inferior, tonto. Mas o que eu queria mesmo era ser aceita, ser respeitada. Ainda não estava na hora disso acontecer, né?
O tempo passou, fui pra faculdade em Campinas.Lá encontrei muita gente que estudou comigo em Taubaté.
Um dia eu estava numa roda de gente engraçada, divertida e "cabeça" quando vejo uma das meninas que tirava sarro de mim na escola de Taubaté. Ela estava sozinha, deslocada, parecia perdida.
Fui até ela. Ela pareceu não acreditar que era eu, ali no grupinho "cool". A cidade grande a engolira. Ela tinha definhado, perdido e brilho e o glamour que a cidade pequena lhe dera.
Tive pena e a apresentei para a galerinha que estava comigo, torcendo para que ela se encontrasse no novo ambiente, prá que ela não se sentisse deslocada e perdida por ser nova num lugar desconhecido, como tantas vezes eu me senti.

Acabei de me lembrar que muitas vezes as pessoas '( ainda hoje) dizem que parece que eu me acho melhor que os outros, que eu tenho mania de grandeza e complexo de superioridade. Agora, escrevendo esse post, descobri que aprendi a fazer essa cara pra me proteger, pra não deixar ninguém me magoar, prá não pagar mico nem engolir sapo. E não tenho complexo de superioridade. Não me acho melhor que ninguém, mas sei muito bem que também não sou pior que ninguém. Somos apenas TODOS diferentes!

PS Tá explicada agora a minha cara de má??

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I was 14 years old, living  in Taubaté , a small city in Brazil and I was part of the unpopular group of kids at school. The "cool kids" would not give us the time of the day. And unfortunately for me, they also found me different, so they made fun of me by the bucket full.
They called me "pinoe" "yo yo cream" all sorts of names, as these kids had a huge fascination for my name and found endless ways to piss me off because of it.
At that time someone decided I walked like a giraffe (I did not want to have tired, curved shoulders, so I threw them back as much as I could. I give them that, it was probably a bit weird) ...
So the kids called me giraffe!
I was sad, of course, but pretended not to care. I put on this intellectual persona and pretended to be better than anyone else. I just acted like I was far superior, and nothing they did could affect me.

What I really wanted, like every 14 year old kid, was to be accepted, to be respected. That would not happen any time soon, so I just continued playing my part.
 Time passed, I went to university in Campinas. There, I met many people who studied with me in other places.
One day I was with a bunch of  peoplewhen I saw one of the girls who used to make fun of me  at school in Taubaté.

She was alone, she seemed lost.I went to talk to her. She seemed not to believe it was me, there with the  "cool people".
The large city swallowed her. There, in the middle of a million strangers she felt scared and small.
I was sorry  for her, so I introduced her to my friends, hoping she could findherself some space to shine in the new environment. I did not want her to feel lost because she was in a new and unfamiliar place, like I felt so many times.

 Just now I remembered people sometimes say I think I am better than others.Today, writing this post, I figured out I may look that way because I had to create this new persona to protect myself from bullies, from verbal attacks and from being hurt. I do not think better than anyone, but I know very well that I'm not worse than anyone either. We're just ALL different!

quinta-feira, junho 7

Bullying que deu errado/ bullying gone wrong

Eu morava num condominio, desses com muitas, muitas crianças. E todo mundo adorava brincar na rua. Brincar na rua naquele época podia. Primeiro por que não era bem rua, era a rua dentro do condomínio. Segundo por que todo mundo se conhecia, tinha seguranças por todos os lados.
Uma noite eu desci pra brincar, eu tinha uns 9 anos, meu cabelo era enorme, ia até a o meio das minhas costas. Nunca fui de pentear o cabelo - ate hoje NÃO TENHO PENTE NEM ESCOVA. Juro.
Mas aí que eu desço prá brincar e a molecada começa a me chamar de bruxa dos sete mares. Bruxa dos sete mares prá cá, bruxa dos sete mares prá lá. Meu sangue foi subindo. Bruxa dos sete mares! Bruxa dos sete mares!
Nao me lembro de ter planejado nada minunciosamente, mas até hoje me lembro da cena em camera lenta. Um dos meninos, saiu de tras do carro onde eles todos estavam se escondendo e eu mandei-lhe uma pedrada na testa. A testa abriu.
Eu voei prá minha casa.
Minha mãe deve ter estranhado eu chegar tão cedo em casa, mas não falou nada.
Uma duas horas depois, toca a nossa campainha, era o menino, a mãe e o pai dele. Acabavam de chegar do hospital. O menino tinha levado uns pontos na testa. A pedrada não tinha sido bolinho não.
Minha mãe abre a porta, meu estomago gela. Ouço a mãe do Alessando ( esse era o nome dele) pedir prá me chamar por que eles queriam falar comigo.
Vou até a sala, que alternativa tenho eu, afinal?
O menino tremulo, fala:
- Inaie, desculpa. Eu não deveria ter te chamado de Bruxa dos Sete Mares.
Minha mãe me olha incrédula, mas antes de ter tempo de perguntar o que estava acontecendo, a familia marcha para a sua própria casa.

Não me lembro do resto da história. Não me lembro de ter ficado de castigo, nem de ter sofrido nenhuma consequência pela pedrada certeira,acho que ficou tudo por isso mesmo, mas posso afirmar que aquelas duas horas foram as mais angustiantes da minha infancia. Eu estava só esperando aquela campainha tocar...

PS O Alessandro infelizmente faleceu aos 17 anos, num acidente de carro. Na época da sua morte, éramos bons amigos. Ele se tranformou num cara decente e bem legal ( será que a minha pedrada ajudou?) Não me lembro de ter pedido desculpas pela bordoada, mas se você estiver me ouvindo, Ale, eu peço desculpas agora. Eu só queria assustar vocês, não era pra pontaria ter sido tão boa assim...

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I lived in a compound, one with many, many children. Everybody loved playing in the street. Playing in the street was still allowed back then. Firstly because it was not quite a normal street,  it was inside the compound, only residents had access and there were security guards everywhere.
One night I went out to play, I was about 9 years old, my hair was very long, reaching the middle of my back. I never  combed my hair and I still don't . To be honest, I don't owe a comb or a brush. I swear. I always washed my hair, passed my fingers through it, and I was done.And that day when I got closer to the other kids, the started calling me "the seven seas witch". I asked the to stop, they did not. Seven seas witch! Seven seas witch! Seven seas witch!  My blood waswarming up. Seven Seas witch!!  Seven Seas...I do not remember having anything planned, but I still remember the scene in slow motion. One of the boys came out from behind the car where they were all hiding and I trew a stone on his direction. It landed on his forehead. The forehead opened. There was blood everywhere.I run home and pretended nothing happened. I was scared. My mother must found it strange the fact I was home so early, but she did not ask, I did not tell.Two hours later, our doorbell rings, it was the boy's parents. They had just arrived from the hospital. The boy had a few stitches in his forehead.
My mother opened the door, my stomach froze. I heard Alessandro's mother (this was his name) asking if they could please talk to me.I went to the living room, what alternative did I have, anyway?The boy trembling, says:- Inaie, I am sorry. I should not have called you the Seven Seas Witch.My mother looks at me incredulously, but before any of us had the time to say anything,  the family marched back to their house, leaving me speechless.I do not remember the rest of the story. I do not remember being grounded,  having suffered any consequences for my actions, I think that was the end of the story, really, but I can say  those two hours were the most terrifying of my childhood. I knew that bell would ring sooner or later ...
Alessandro  sadly passed away in a car accident when he was 17 years old. At the time of his death, were good friends. He turned out to be a fine guy ( maybe the stone helped?) I do not remember ever apologising for hitting him, but if you're listening, Ale, I apologize now.
I just wanted to scare you guys, make you stop. I never imagined I would be so good at it ...

quarta-feira, junho 6

Bullying e vingança / Bullying and revenge


Me lembro de ter uns 9 anos, no máximo. Minha mãe sempre me obrigou a ir a aula de inglês, mesmo que isso significasse uma jornada de 2 horas, dentro de um ônibus intermunicipal. Sozinha.
E lá ia eu, duas vezes por semana, de Águas de Lindóia a Serra Negra, pra aula de inglês.
E os meus coleguinhas, eram todos mais burros velhos. Eu tinha 9, eles tinham 13, 14...
E me zoavam. muito. Tiravam sarro de mim, do meu nome, das minhas roupas, riam do fato de eu ser de outra cidade, riam de eu saber mais que eles ( ???).
Quando eu saía da aula e ia para a rodoviária, um grupo de babacas vinha me seguindo e mexendo comigo.
Eu ficava triste.  Detestava ir para Serra Negra, odiava as aulas e ficava pensando em formas de escapar daquele martírio, daquela tortura. Mas não contava nada prá ninguém por que tinha medo que a minha mãe fosse dar barraco e piorasse mais as coisas prá mim. Minha mãe ( a santa do Amantikir), sempre foi uma briguenta incorrigível.
Os anos passaram. Um dia, estou no mesmo ônibus que tomei tantas vezes, mas dessa vez eu estava voltando da faculdade, tinha 17 anos, já olhava as pessoas nos olhos, mesmo que elas tentassem me intimidar. Tinha há muito, perdido o medo ( e a vergonha).
Ao meu lado, senta um dos meninos que tirava sarro de mim. E tenta me passar uma cantada. Desengonçadinho, sem graça, um coitado.
Tinha duas opções: podia ser um ser evoluído, ou voltar a era das cavernas.
Dei corda. Deixei ele se achar o bonitão. Conversei com ele, finji interesse ( ele parecia surpreso, não devia fazer muito sucesso com as meninas), eu sabia que ele ia descer  em Serra Negra. Pouco antes de chegarmos a rodoviária, faço cara de quem acabou de descobrir a América:

- Hey!! Nós já nos conhecemos!! Eu me lembro!!
- Não é possível, eu não me esqueceria...
- Nos conhecemos sim! Nós fizemos inglês juntos.
- Não! Eu ainda mantenho contato com a turma do ingles, mesmo depois de ter largado...
- Então voce se lembra de mim- eu sou a Inaie.

Num minuto, vi os flashes passarem pelos olhos dele, ele ficou sem graça, olhou pra baixo, parecia querer um buraco pra se enfiar...

- Mas você, você...você está diferente...
- Nope. Continuo igualzinha, só um pouco mais velha!
- Você ficou linda!
( e que me perdoem os que me acharem convencida, folgada e egocêntrica, mas a resposta eu dei de boca cheia e me senti de alma lavada.)
- Você está enganado. Eu sempre fui bonita. Vocês é que eram selvagens demais prá perceber...

Ser evoluído não é prá qualquer um. Eu reprovei nessa matéria! Mas passei nas aulinhas de inglês.

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I was 9 years old at the most. My mother always made me go to English classes, even if it meant a two hour journey in a bus. Alone.And there I was going twice a week, Aguas de Lindóia to Serra Negra, to learn some English.And my classmates were all dumber older. I was 9, they were 13, 14 years old ...And they made fun of me. All the time. Made fun of everything I did or said,  they made fun of my name,  laughed at the fact that I was in another city, teased me for knowing more than they did ( ???).Everyday after class, on my way to the bus stop, a group of idiots came following me and messing with me.I was sad. I hated to go to Serra Negra, hated learning English and was always thinking of ways to escape from that torture. But I never told anyone. I was terrified of my mum going to the school, talking to the kids, calling their parents. the mess and the embarassment would be too big for me to handle.
Many  years passed. One day, I was once again on that same bus that took me from Aguas de Lindóia to Serra Negra, but this time I was on my way home from university. I was 17 years old, I had changed a great deal since I was 9.
As luck would have it, one of the bullies from the past sits right next to me in the bus.The first thing he tries to do is chat, he is obviously trying to impress me.
Our age gap is not so big, I look at him and I see a sad young man. Nothing special, no light in his eyes.
At that moment, I had two options: I could be an enlightened being, or return to the cave era and be a savage.I gave him lots of attention. I let him think he was  handsome. I talked to him, faked interest (he seemed surprised, I don't think he was very popular with girls), I knew he would get out of the bus on the next town. Shortly before reaching the bus station, I pretended I realized something really important:
- Hey! We've met before! I remember!
- It is not possible, I would not forget ...
- We met ! We had  English classes together.
- No! I still keep in touch with the people I studied English with...
- So you remember me-I am Inaie. 

In a second, I saw the scenes of abuse flash before his eyes. he was embarrassed, he looked down, I think he wanted to disappear ...

- But you, you ... you look different ...
- Nope. I look exactly the same, just a little older!
- You look beautiful!(And forgive me if you think I am full of myself, but the answer I gave him helped heal my soul)
- You are mistaken. I've always been pretty. But you were all too stupid and shallow to look at me properly ...

terça-feira, junho 5

Foi Bullying? Was it bullying?


Me lembro de ser uma menininha de uns 7 anos e ter uns meninos me enchendo o saco no recreio da escola.
Todo intervalo era a mesma rotina. Eles me chamavam de uma coisa ( sempre a mesma coisa), eu ficava P da vida e corria atrás deles pra bater. Eles achavam engraçado e corriam de mim.
Ás vezes eu os alcançava e batia, ás vezes ficava pelo exercício.
Todo dia.
Aí reclamei com o meu pai, que tirando sarro da minha cara, me deu várias idéias:
Leva areia no bolso, quando eles te ofenderem, você joga areia nos olhos deles, isso vai atrapalhar a corrida deles...
Eu ria. Meu pai ria. Nós dois sabíamos que eu não ia fazer isso.
Areia eu realmente nunca levei no bolso, mas uma outra sugestão dele foi que eu começasse a usar cintos. E essa foi batata! Eu passava o recreio correndo atrás dos meninos com o cinto em punho.
Era a mesma história. Ás vezes eu acertava, as vezes eu errava. Mas nem eles desistiam nem eu parava a minha caçada. Era como se tivéssemos um encontro sagrado, todos os dias na hora do recreio.
Um dia, não sei bem por que ( não sei se o crime eram as ofensas ou as cintadas), fomos todos chamados na sala da diretora.
Vocês podem me dizer o que é que está acontecendo aqui?
Aquela era a minha primeira visita a diretoria ( mal sabia eu que viraria uma habitué)

- Eles me xingam e eu corro atrás deles e bato neles, quando eu consigo alcançar.
- Te xingam de que, Inaie?
- Me xingam de Bruna Lombardi.

Silencio mortal na diretoria. vejo a diretora processando a informaçao, antes de declarar a sentença:

- Isso tem que parar! Se ela não gosta, vocês não podem falar. Eu, pessoalmente, ficaria muito feliz que me chamassem de Bruna Lombardi, mas isso não vem ao caso, isso não interessa. Ela não quer, vocês não podem chamar, tá entendido??

Os meninos concordaram e eu fiquei intrigadissima. Quem diabos era essa Bruna Lombardi.  Uma Bruxa Lombardi, com certeza. Cheguei em casa e perguntei para a minha màe ( que tb não sabia do que me xingavam na escola). Ela espera o horário da novela e me mostra a Bruna.

Quase desmaio. Ela é L I N D A!!
Decido que eu gosto sim de ser chamada de Bruna Lombardi, mas também sei ( no alto dos meus 7 anos), que é tarde demais. Que não posso voltar atrás.

No dia seguinte, no recreio, os mesmos meninos me chamam de Bruna Lombardi pela milionésima vez aquele ano, e saem correndo ( como se nunca tivessem visitado a sala da diretora), com um sorriso nos lábios, tiro o cinto e saio correndo atrás deles. A nossa rotina não muda, mas tudo mudou dentro do meu coração - e eu comecei a tomar cuidado e bater de leve quando os alcançava...




I remember being a little girl, about seven years old and having some boys annoying me in the school playground during our breaks.Every day we had the same routine. They called me some name (always the same name), I got upset and chased them to beat them up. They run, I chased. Sometimes I caught them, sometimes they run faster than me and got away.Every day.When I complained to my father, he made fun of me and gave me several ideas:
Just fill your pockets with sand, when they offend you, you throw sand in their eyes, this will hinder their run ...I laughed. My father laughed. We both knew I would not do that.I never  took sand to school in my pocket, but it was inspired by another of my dad's suggestions that I started using belts. And from then on, I spent all my breaks chasing the boys with my belt in hand.
The outcome did not change. I hit them sometimes, I missed them other times. But none of us ever gave up on out lil routine.
One day, we were all called the principal's office.Can you tell me what's going on here?That was my first visit to the principal's office (little did I know that would become a habitué)- They call me names and I run after them and hit them  with a belt when I manage to catch them.- What do they call you, Inaie?- Bruna Lombardi.Deathly silence took over the room. The principal took a while processing the information, before deliverying her final sentence:- This has to stop! If she does not like it, you can not do it. I personally would be happy  if someone  called me Bruna Lombardi, but that's irrelevant, my opinion does not matter. She doesn't like it, you can't ever do it again. Understood?The boys agreed. I confess I was really intrigued. Who the hell was this Bruna Lombardi? A Witch Lombardi, for sure. I came home and asked my mother (who also did not know what names they called me at reccess). She waited until the soap opera time and showed me who Bruna Lombardi was. 


Bruna's pic
I almost fainted. She was gorgeous!I decided I  liked being called Bruna Lombardi, but I also knew (from the wisdom of my 7 years of age), it was too late.  I could not go back

The next day at recess, the same boys call me Bruna Lombardi for the umpteenth time that year, and run off (as if they had never visited the principal's office), with a smile, I took off the belt I was wearing and I run after them . Our routine never  changed, but something changed in my heart - and I made sure to be gentle when I caught them  ...

segunda-feira, abril 23

Coisas de Inaiezinha/ Inaie 33 years ago




Minha mae de vez em quando tinha uns xiliques e me botava de castigo.Muitas vezes eu achava uma puta injustica e ficava puta da vida.
Me lembro de ter uns 7, 8 anos e a minha mae me colocar de castigo por uma semana. nao me lembro o crime, mas eu nao poderia descer pra brincar com os meus amiguinhos durante 7 dias.
Achei uma sacanagem. Mas obedeci.
La pelo terceiro dia, ( se e que nao foi antes) minha mae se arrependeu e falou:
- Vai la Inaie, pode descer brincar.
Nem me perturbei, so respondi:
- Voce nao tem personalidade mas eu tenho. O castigo e de uma semana, vou ficar aqui ate o fim.
E fiquei. Nao sei o que me deu, mas nao sai correndo quando o carcere foi aberto. E naquela idade, tenho certeza que tambem nao tinha elaborado nenhum plano genial, mas a verdade e que a minha mae comecou a pensar duas vezes antes de me botar de castigo - por que se ela pusesse, eu ficava!

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From time to time, my mother had a hissy fit and grounded me. Many times, I thought it was very unfair and it made me angry.I remember one time, I was   7, 8 years old and my mother grounded me for a week. I can not remember the crime, but the penalty was not playing with my friends for 7 whole days.
I found it unreasonable. But I obeyed.Around the third day, (if it was not before) my mother relented and said:- Inaie,you can go down and play with your friends.Not beating an eye lid, I simply replied:- You don't have any personality but I do. The punishment you gave me is one week with no play time, I'll inside our house till the end.And so I did. I have no idea what made me do it, but I simply stayed indoors for a whole week. And at that age, I'm sure it was not a genius strategy, but the truth is that my mother started thinking twice before grounding me, because when she did,  would just stick to it.

sexta-feira, abril 6

Doncovim / My childhood



Inspirada pelas narrativas do Ernani e da Bel, resolvi entrar na danca e contar a minha trajetoria de vida.
Lendo as historias desses dois amigos queridos, me lembrei de coisas e acontecimentos que ha muito haviam sumido da minha memoria. E foi terapeutico.
Vou dividir com voces a minha historia ( se achar chato, pode pular...a terapia afinal e minha)

Sou filha unica. Nasci em Aguas de Lindoia quando a minha mae tinha apenas 18 anos. Meu pai tinha 20 anos e eu acho que nenhum dos dois sabia muito bem o que era esse negocio de brincar de casinha. Muito menos de boneca.
Diz a minha mae que meu pai chegava para almocar e ela estava brincando comigo ( ainda bebe) e nao tinha nem pensado em fazer o almoco.
Cresci comendo bobagens a qualquer hora do dia ou da noite. Acho que ela nunca aprendeu que a casa deveria ter cafe da manha, almoco e jantar.
Cansei de ver a minha mae tomando coca cola e comendo bifes de manha.
E pra mim, era uma farra. Chocolate, iogurte e danoninho eram permitidos a qualquer momento. Segundo a minha mae, a geladeira tambem era minha - nao tinha cabimento eu ter que pedir permissao para comer na minha propria casa.
Meu pai desde sempre, trabalhou feito um doido para sustentar a familia que ele criou assim que saiu  da adolescencia.
Tenho flashs da minha infancia, mas poucas lembrancas solidas.
Me lembro de passar muito tempo na casa da minha avo, em Serra Negra. A imagem e sempre a mesma. Eu, sentadinha na sala, brincando sozinha com pedras de aquario. Ou deitada no sofa assistindo Jerry Lewis na sessao da tarde. Nao me lembro de passeios, saidas, amiguinhos.Pra minha avo, ninguem era bom o suficiente pra ser meu amigo.
Quando iamos a casa da minha Tia Maria ( 1 vez por mes, talvez) , a coisa mudava - e eu brincava com o meu primo que e 4 anos mais velho que eu.
Brincavamos de indio ( e ele passava terra vermelha em mim, pq a indiazinha era eu), brincavamos de carrinho ( e ele me arrastava num pano pela casa afora, ate ele se cansar, dar um solavanco no carrinho e me derrubar de costas, inevitavelmente batendo a cabeca no chao - sempre a mesma brincadeira, sempre o mesmo final). Me lembro de irmos pra pracinha pegar sementinhas no chao.
Esse meu primo, o Pedro, sempre foi meu idolo. Ele era lindo, sabia tudo. E era bem mais velho, ele ja tinha 8 anos.
me lembro de inventar amigos imaginarios, jogar jogos de tabuleiro como se eu fosse duas pessoas diferentes, brincar de gangorra sozinha - eu corria de um lado pro outro da gangorra ( sim, em pe, em cima da gangorra), pra faze-la subir e descer...
Tambem passei muito tempo na casa da minha madrinha em Sao Paulo. Eu era a unica crianca na casa, ficava horas na frente da televisao. Na adolescencia continuei passando as minhas ferias la, mas troquei a televisao pelo telefone - o sofa era o mesmo. Ficava hoooras deitada nele, conversando com qualquer um disposto a jogar conversa fora.
Alem dessas, minhas lembrancas sao poucas. Nao me lembro de muitos amigos, nem de muitas aventuras. Nao tenho lembrancas tristes - nem me lembro de me sentir sozinha. Eu tinha a impressao de ser a dona do mundo. Os adultos da minha vida sempre me fizeram sentir especial, me fizeram acreditar que eu poderia fazer o que eu bem entendesse da vida, por que eu era uma pessoa capaz.


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Reading posts of two good bloggers ( sorry, they only write in portuguese), I had flasbacks of my own life and found it therapeutic.
I'll share with you my life story (if you find annoying, just ignore it ... this is my self therapy)I am an only child. I was born in Aguas de Lindoia ( Brazil)when my mother was only 18. My father was 20 and I think neither of them knew very well what they were doing. They were playing with a lil doll. 
My mother tells me my father would come home for lunch and she would be playing with me ( I was still a baby), and there would be no lunch for him.

I grew up eating whatever I wanted, whenever I wanted it. I guess she never learned a normal house should have breakfast, lunch and dinner.She would drink coke and eat steak for breakfast. I saw it far too many times.As gastronomy went, I had a free ride. Chocolate, yogurt, sweets  were always available. I remember taking packages of chocolate biscuits to school - and I did that throughout my education years, until i graduated from University.
According to my mother, the house was mine too - and it would be unthinkeable to have to ask permission to eat in my own house.My father has always worked like a madman to support the family he formed straight after his teen years. He would have two jobs, to make sure I would have enough.I have flashbacks of my childhood, but few solid memories.I remember spending much time at my grandmother's house. The memory is always the same. I was sitting in the livingroom, playing alone with aquarium stones. Or lying on the sofa watching Jerry Lewis on TV. I do not remember trips, outings, having friends around. For my grandma, no one was good enough to play with me.Once in a while, my grandma tooke me to visit my Great Aunty Mary - she had a son who was only 4 years older than me, and we were great buddies when we met.
We prettended I was a native Indian (and he would paint me with red dirt), we pretended I was driving a car  (while he dragged me  all over the house, sitting on a cloth, until he  got tired, pulled the cloth and made me fall backwards, hitting my head on the floor. It was always the same game, always the same ending) We went out and collected seeds from the trees.
Pedro was my hero. He knew everything there was to know. And he was much older, he was already  eight.I remember making up imaginary friends, playing board games  alone (like I'm two different people), playing seesaw alone - I ran from side to side of the seesaw (yes, Standing on top of it), to make it go up and down ...I also spent much time in my godmother's house in Sao Paulo. I was the only child in the house and spent hours in front of the television. In my teens I kept going there on my hols, but I switched the television for the phone - the sofa was the same. I spent hours lying there, talking to anyone willing to make small talk with me.Besides these, my memories are few. I know it sounds sad, but I never felt sad. i did not even realized i was lonely. I somehow felt special. The adults in my life made me feel really special and capable of doing anything I wanted.


sexta-feira, fevereiro 24





Conversinha que  a Anita ouviu na piscina do hotel essa semana ( o menino nao tinha mais que dois anos):

- Nos nao estamos mais no resort.
- Sim, filho. Nos estamos.
- Nos nao estamos mais no Sri Lanka.
- Sim, filho. Nos estamos.
- Entao nos estamos no resort E no Sri Lanka?
- sim.
-WOW...

E eu fiquei morrendo de saudade do tempo em que as minhas pequerruchas tambem estavam descobrindo o mundo.

Little conversation between a two year old and his father, at the pool, this week:
- We are not in the resort anymore.
- Yes, darling, we are.
- We are not in Sri Lanka anymore.
- Yes, darling, we are.
- So we are IN the resort AND IN sri lanka?
- Yes.
- WOW...

And I missed the time when my girls were also discovering the world around them...

sexta-feira, janeiro 20

mais uma do fundo do bau / from memory lane - again!

Nos moravamos na Nova Zelandia, e uma das nossas amigas ( linda, charmosa e fofissima) teve cancer. Cancer e uma merda. Eu sei disso, voce sabe disso e a torcida do Flamengo sabe disso.
Nao se descabelem - essa historia aconteceu ha mais de 10 anos, e a amiga continua linda, chamosa e fofissima e Gracas a Deus, mais de 10 anos mais velha. WOHOO!!
Mas vamos voltar ao que interessa. A Lu tinha cancer. E nos todos ficamos histericos. Era vela pra ca, reza pra la, simpatia acola... e um medo desgracado de perder a amiga.

Ate que chegou o dia do transplante que poderia cura-la para sempre. Todo mundo na maior expectativa, as rezas, velas e simpatias se multiplicaram.

Eu nao levei as meninas para a escola e bem na horinha do procedimento fui la pro estacionamento da Ford onde o Fabio trabalhava. Liguei pra ele, ele saiu, nos demos as maos e rezamos por ela. Pra que tudo corresse bem, pra que tudo desse certo.

Eu nao sou religiosa, so sei rezar pai nosso e ave maria, mas eu queria dar a minha contribuicao e nao havia mais nada que eu pudesse fazer, entao a nossa familia engrossou o cordao das rezadeiras.

Quando eu estava voltando pra casa com as meninas no carro ( Anita com 6 anos, Lia com 4), a Lia fala:

- Ta errado isso.
- O que filha?
- A gente ir la rezar pela Lu.
- Por que, filha?
- Por que o saci morreu ( nosso gato) e a gente nem rezou por ele. E o saci e da nossa familia. A Lu nao e da nossa familia...

No fim de semana fizemos outra rodada de oracoes, dessa vez pelo nosso gato-que-e-da-nossa-familia.
Eu e a Lu ate hoje rolamos de rir dessa historia.

Fofa a Lu. Fofa a Lia.

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We were living in New Zealand, and one of our friends (beautiful, charming and amazing woman) had cancer. Cancer sucks. I know that, you know that. Evryone knows that.

But do not despair - this story happened over 10 years ago, and my friend remains beautiful,  charming and an amazing woman, but now, Thank God, 10 years older. Wohoo!
But back to my story. Lu had cancer. And we all went hysterical. Everyone lighting candles, praying for her, sending good energy, performing white magic ... we were all terrified of losing her.
Then the transplant day came along. That was her opportunity to be cured, but there are no guarantees, so the expectation and the fear, along with tons of hope, just escalated.
Prayers, candles, positive energy simply multiplied.

I decided not to take the girls to school and just when the transplant was starting, I met Fabio at his company's car park. Our family held hands and prayed for her. We asked God to cure her, to get rid of the pain and the disease. 
I'm not religious, I rarely pray, but I wanted to give my contribution and there was nothing else I could do, so our family joined in with prayers and good thoughts.
When we finished praying and we were driving home, Lia ( she was 4) says :

- It's wrong.
- What is wrong, Lia?
- It was wrong to come here and pray for Lu.
- Why, Lili?
- Because Saci died (our cat) and we never prayed for him. And  SACI was a family member. Lu is not even in our family ...

Over the weekend we had another round of prayers, this time to our late family cat.
Lu and I still laugh when we remember this story.

sexta-feira, janeiro 6

Do fundo do bau ...From memory lane

Quanto mais eu convivo com adolescentes, mais saudade eu tenho das minhas pequenas...
Hoje eu estava me lembrando da Anita, conversando com a Lia e achando que eu nao estava ouvindo. As duas tinham 4 e 3 anos.

Lia - Nao. A gente nao pode fazer isso, ela vai ficar brava.
A "ela" era obviamente eu, e ja nem me lembro o que elas queriam aprontar!
Anita - Nao Lia, ela e nossa mae. Ela tem que nos amar pra sempre.

Resumo da opera : desde muito cedo ela sabia que tinha as costas quentes...

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Oh God, I miss my lil girls...
I just remembered this conversation between Anita and Lia. They were 4 and 3 years old and did not notice I was listening to them.
Lia - Nope. We can not do it. She will be mad at us.
Änita - Lia, she is our mum, she HAS to love us forever...

In short: since a very tender age Anita knew she got it covered...

segunda-feira, dezembro 5

NATAL / X MAS

Lia was 5. Back then she was already a very quiet girl, very reserved.
When I asked her what she wanted for Xmas, she said:
- I already told Santa.
That's great Lia, but tell mum too...
- Nope. He already knows. You will have to wait and see.

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Lia, minha filha mais nova tinha 5 anos e ja era bem quieta e reservada.
No Natal, eu perguntei o que ela queria ganhar do Papai Noel, e ela muito tranquilamente respondeu:
- ja falei pra ele.
Mas fala pra mamae tambem. A mamae quer saber...
- Nao. O Papai Noel ja sabe. Voce vai ter que esperar o Natal pra ver o que e...

domingo, janeiro 30

MIchael

 Photo taken by Yvan Drake - on the day of the crime...

Foto tirada por Yvan Drake, no dia do crime



Friends are those who come to your life and just stay.

Years ago, I had a work colleague called Michael. He was a nice guy, witty, fun to be around. One day we met at a charity walk and he met my girls. They were 8 and 10 back then. The girls had a disagreement and started hitting each other as one does. 
Michael looked terrified, and could not help but say out loud:

- Oh My God, these are horrible, horrible kids...

I burst out laughing. My children were not impressed at all. Michael became a friend, became part of our kiwi family. He was always around. He pampered the girls, gave his time, love and attention. We never spoke about it again.

About a week ago ( 4 years later), Lia, my youngest said, out of the blue:

- Well, I think we can forgive Michael now. His crime has expired...

 Photo taken in my house, as if he had never said a word...

Foto tirada na minha casa, como se ele nunca tivesse falado nadinha...


Tem amigos que entram na nossa vida e ficam para sempre. O Michael e um deles. Nos trabalhavamos juntos na SITEL, em Palmy. Nova Zelandia.

O cara era legal, bem humorado, divertido.

Um dia, nos nos encontramos num desses eventos de caridade, e eu estava com as minhas filhas. Elas tinham na epoca, 8 e 10 anos. Sabe-se la por que, as duas se pegaram de tapa. Eu, acostumadissima com a pancadaria, nem percebi.

De repente, o Michael naos e aguenta e solta:

- Criancas terriveis! Essas criancas sao terriveis...

Rolei de rir, mas nenhuma das duas compartilhou a piada.

Michael passou a fazer parte do nosso dia a dia, se transformou num grande amigo.

Esses dias ( 4 anos depois), eu e a Lia estavamos no carro e ela lasca:

- Acho que vou perdoar o Michael. O crime dele prescreveu...

 Photo taken in my house - 3 years ago - even baby Mia was there

Foto tirada na minha casa - 3 anos atras - ate a Mia estava na cena

segunda-feira, novembro 22

SOBRE A CONCEPCAO

A Anita tinha 5 anos quando a mae da amiguinha ficou gravida. Aqui em casa eu sempre expliquei tudo o que elas me perguntavam, entao o papo da cegonha, do repolho nunca tiveram muito espaco. O problema e que ela voltou da escola, indignada, por que eu nao tinha explicado direito de onde e que vem os bebes.

- Mae, voce mentiu pra mim. A mae da fulaninha ta gravida e ela me explicou como e que o bebe foi parar la na barriga dela. e e diferente do que voce me disse.

- Jura, Anita, e como e que o bebe foi parar na barriga da mae da sua amiguinha?

- Ela me disse que a mae dele dormiu e enquanto ela estav dormindo, o pai dela foi e botou a sementinha na barriga dela...sem ela perceber!


Rolei de rir. Cada um com as suas preferencias sexuais, ne nao??

segunda-feira, novembro 8

DEGUSTACAO DE CERVEJAS

Me lembrei de uma historia que aconteceu na Nova Zelandia - quando a Lili (minha filhota cacula) tinha 5 anos.
Nos todos fomos a uma degustacao de cervejas. A criancada correndo, pulando, brincando e os pais na maior seriedade, experimentando cervejas de todas as procedencias, todos os estilos e todos os tons.

O negocio era profissional!!

No fim da bebericacao, o organizador falou:

- Levante a mao quem gostou mais da primeira cerveja...e da segunda...e da terceira...

Ele foi nessa toada ate a ultima, quando a Lili (lembra, a de 5 anos), levantou a maozinha.

Todos nos rimos, eu a abracei e disse:

- Meu amor, a pergunta e so pra quem provou as cervejas.

Ela me olhou seria, apontou para as garrafas e respondeu:

- Essa e muito amarga, essa e muito forte, essa tem gosto ruim - e essa ultima foi a que eu mais gostei...

Sai de fininho da festa para nao ser levada pra cana algemada!!!!!

segunda-feira, junho 28

FELADAPUTA

Me lembrei de um dia que fui buscar as minhas filhinhas na escola. Os anjinhos tinham 9 e 10 anos, mais ou menos. Moravamos em Palmerston North, na Nova Zelandia.

Cheguei bem na hora do intervalo,e  as criancas corriam, pulavam, brincavam. Uma cena linda!

De repente, comecei a ouvir um som relativamente conhecido. A palavra nao me era estranha, mas eu nao conseguia identificar nem a lingua, nem o significado.

As criancas, enquanto brincavam, gritavam essa palavra descoordenadamente familiar.

Prestei mais atencao e vi que o grito vinha quando alguem estava meio aborrecido - com a brincadeira, ou com um amiguinho. Agucei meus ouvidos, aquilo estava ficando interessante!

De repente me dei conta do que as criancas estavam berrando umas pras outras:

- FELADAPUTA!

Como as minhas filhas eram as unicas brasileiras da escola, me sobrava muito pouca duvida sobre quem seriam as professoras encarregadas dessa aulinha de linguas,ne?


- ANIIIITTTTTAAAAAA! LIIIIIIIAAAAAAA!!!!

sábado, junho 19

minhas menininhas

Nao tenho mais as minhas filhinhas. Anita e Lia cresceram e se tranformaram em duas adolescentes lindas, carismaticas e ... adolescentes!

Sempre me lembro das peripecias delas quando eram pequenas. Por exemplo, logo que nos nos mudamos para Melbourne, eu as levei para um show da Barbie, no shopping local. Elas tinham 3 e 4 anos.

Assistimos o show, aquele lugar estava lotado de criancas, pais, avos, curiosos, um verdadeiro aue.

Na hora de irmos embora, eu olho para um lado, olho para o outro...e cade as minhas filhas? Comecei a imaginar o desespero delas, se sentindo abandonadas, desamparadas, perdidas. O meu medo foi escalando e as imagens foram mudando. Eu ja as imaginava sendo raptadas, sequestradas, levadas embora para sempre. Comecei a me lembrar daquelas historias horriveis de sequestradores que trocam, a roupa das criancas, raspam a cabecinha delas e as pobrezinhas nunca mais sao vistas.

Chamei um seguranca e mandei fechar todas as saidas do shopping. Eu corria pelos corredores lotados, tentando encontrar o safado que tinha roubado as minhas criancas, enquanto os seguranca tentavam localiza-las pela descricao. Eu, histerica, eles calmissimos, ninguem nunca havia sido sequestrado ali.

De repente, virando uma das esquinas, vejo as duas, de maozinhas dadas, batendo o maior papo. Rindo, brincando, tranquilas.

Elas me veem, param, Lia coloca a mao na cintura e fala:

- Voce se perdeu!

acho que nunca senti um alivio tao grande na minha vida!

quarta-feira, junho 16

Benvindo Martim!

Fiz uma parte do terceiro colegial no Objetivo de Santos. Tenho poucas recordacoes das pessoas da minha classe, do colegio, de tudo. Mas me lembro de um cara que se chamava Rodrigo.

Ele era engracado, divertido, inteligente e me fazia rir muito. Passavamos muito tempo tentando ser diferentes, zoando com a cara dos outros e tinhamos ate uma frase de efeito:

- se eu ficar assim um dia, pode me encher de porrada.

Nao em lembro exatamente como e que nos nao queriamos ser. E espero nao o ser, por que eu DETESTO levar porrada...

Eu e o Rodrigo eramos bons amigos. Quando eu me mudei de Santos, ele foi me visitar uma vez, e ate me levou um disco de vinil de presente. Tenho certeza que ele ainda esta em algum lugar la na casa da minha mae.

Teve essa visita, mas nos nao mantivemos muito contato. Internet nao existia, nos nao iamos ficar horas pendurados no telefone, ne? Nos falamos ultra esporadicamente anos afora, mas guardei no coracao um carinho enorme por ele.

Quando me disseram que eu nunca mais ia poder mergulhar, eu escrevi para ele. Eu sabia que o Rodrigo ia saber o que dizer. E como eu previa, ele me fez sentir muito melhor.

Hoje eu acordei pensando que deveria mandar um e mail para ele. Ver como estao as coisas, perguntar da vida, da Bahia, disso e daquilo.

Quando eu liguei o computador, dei de cara com um e mail vindo la da Bahia.

Um e mail me avisando da chegada do Martim.  Meu coracao se encheu de alegria. Tenho certeza que o Rodrigo vai ser um paizao. Vai mostrar o mundo para ele atraves das suas lentes ultra coloridas e vai ajudar o Martim a se transformar num cara e tanto. Como o pai.

Tenho certeza que esse moleque vai mergulhar antes de engatinhar...

Benvindo o menininho!

PS  Fiquei pasma quando percebi que o Martim e a Khadija nasceram no mesmo dia. Rodrigo e Fabiana eram meus grandes amigos em Santos! As coincidencias nao param de me fascinar.

sábado, maio 8

Pais substitutos

Quando a Anita (minha filhota mais velha) tinha uns 7 anos, ela me perguntou:

- Mae, se voce e o meu pai morrerem, quem vao ser os meus pais substitutos?

Eu nao estava preparada para essa pergunta. Alem de nao ter nenhum plano de morrer, eu nao conseguia imaginar quem seria bom o suficiente pra cuidar das minhas menininhas. No meu mundo, ninguem alem de nos dois (Fabio e eu) seriamos remotamente bons candidatos. Ninguem servia.

Claro que depois dessa bomba, eu nao conseguia mais pensar em outra coisa, e acabei tendo que conversar com o Fabio sobre isso.

Nossos pais? Fora de cogitacao. Ha uma otima razao para a expressao"crianca criada pela avo"... e essa mesma razao ja tirou os quatro avos do pareo imediatamente.

Se nos fossemos catolicos, os padrinhos seriam a opcao obvia. Mas no nosso caso, a logica nao se aplica. Primeiro por que Anita e Lia tem padrinhos diferentes e separar as meninas esta fora de cogitacao. Depois, Eu escolhi as madrinhas, Fabio escolheu os padrinhos...e os pares nao batem.

Eu sou filha unica, nao tenho nenhuma "tia"pra chamar pra acao.

Fabio, por sua vez, tem dois irmaos. Um deles e incrivel, maravilhoso e divertidissimo. Tao divertido que se nos dessemos as meninas para ele, elas JAMAIS teriam que lavar atras das orelhas, ou dormir na hora certa.

Por sorte nossa, ha o segundo irmao. E se as meninas acabassem com esse ai, qualquer assistente social ficaria em paz. Alem do mais, ele ja tem duas meninas que sao bem equilibradas, bem educadas e parecem felizes.

Contatamos o pobre irmao, que nem imaginava o motivo da conversa.

Explicamos tudo pra ele, pedimos pra ele conversar com a esposa (que e madrinha da Lia) e ficamos no aguardo. Pouco tempo depois ele ja foi avisando que eles tinham conversado e que se alguma coisa nos acontecesse, eles cuidariam das nossas filhas como se fossem deles.

Anita, tao pequenininha, ja era toda praticidade. Ela nem tinha medo da morte propriamente dita, ela estava mesmo e preocupada com o futuro, com a vida dela e da irma, caso alguma coisa horrivel aconteccesse conosco!

Fizemos o testamento, "deixamos"as meninas para os meus cunhados, e confesso que ate eu fiquei mais tranquila com o arranjo...