Entretanto, a chegada da Primavera começa a afogar de novo a Serra em trânsito e nada leva a crer que a nossa Câmara Municipal dê conta de que tem alguma coisa a ver com o assunto. A Parques de Sintra, por seu lado, sempre velando pelo bem estar dos pagadores de bilhetes de entrada, decidiu voltar ao seu estacionamento inutilizado, munida de máquinas, rolos compressores e grandes telas brancas. Nos últimos dias têm-se atarefado a esmagar um pouco mais as raízes das árvores que sobrevivem, com o simpático intento de proporcionar um piso agradável aos pneus delicados dos visitantes automobilizados.
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Boas Vindas ao Trânsito na Serra
Entretanto, a chegada da Primavera começa a afogar de novo a Serra em trânsito e nada leva a crer que a nossa Câmara Municipal dê conta de que tem alguma coisa a ver com o assunto. A Parques de Sintra, por seu lado, sempre velando pelo bem estar dos pagadores de bilhetes de entrada, decidiu voltar ao seu estacionamento inutilizado, munida de máquinas, rolos compressores e grandes telas brancas. Nos últimos dias têm-se atarefado a esmagar um pouco mais as raízes das árvores que sobrevivem, com o simpático intento de proporcionar um piso agradável aos pneus delicados dos visitantes automobilizados.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Uma Nova Velha Casa nos Lagos
Na casa da Entrada dos Lagos, tudo reluz como acabado de construir: o rosa das paredes, o encarnado dos telhados, o branco dos socos e dos beirados; os candeeiros do portão parecem ser mesmo novos, isto é, não nos lembramos (mas a nossa memória tem apenas duas décadas ou pouco mais) de alguma vez terem existido ali. O novo anexo escuro nas traseiras, que à partida poderia levantar mais reservas, não está mal para o nosso gosto, embora ainda não saibamos para que vai servir – aliás, para que vai servir exactamente todo este conjunto. Substituirá a actual entrada uns metros abaixo? O desaparecimento da obstrutora barraca de madeira onde se vendem bilhetes seria muito bem vindo.
O que menos nos agrada é um detalhe, mas um detalhe que grita aos ouvidos: aquelas duas bandeiras espetadas. Parecem-nos parte de uma compulsão para poluir a vista com acenos, reparos e chamadas de atenção, um fruto amargo da nossa época tão visualmente ruidosa. Ficamos a aguardar que os mastros enferrujem e caiam. Aliás, apesar de tudo reluzir como acabado de construir, daqui a alguns invernos, se tudo tiver corrido conforme previsto, tudo estará mais bem aconchegado ao seu lugar, ganhando sombras de musgo, mossas e manchas de idade.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Descintrificação (I)
A Sintra luxuriante dos nossos dias, tão diferente da que Herculano descreveu há século e meio, deve muito a uma migração de culturas dendrófilas norte-europeias, que aqui se aclimataram com resultados que hoje vemos como a quintessência sintrense – desde logo, à cabeça, a germânica Pena, seguida do seu irmão britânico menor, Monserrate. Mas as recriações do Jardim do Éden não se ficaram pelas grandes escalas: foram generalizadas com várias intensidades e diferentes sucessos, desde a grande quinta histórica à casa de bonecas com o seu pátio de um palmo.
Foi e continua a ser o conjunto de acções de múltiplos proprietários inspirados, com os seus parques públicos ou privados, a fonte primeira desse deslumbrante equilíbrio de paisagem que conhecemos, em parte edificada, em parte natureza domesticada, em parte quase selva. Porém, quando estes proprietários são contaminados pelo ódio meridional à arborização séria e perdem o sentido dos seus deveres e da sua responsabilidade, os resultados são desastrosos: Sintra descintrifica-se.
Na base das escadinhas de Santa Maria havia uma casa no meio do seu jardim-selva, próprio de um local há muito tempo em quase abandono. Precisava de quem tratasse dele, é certo, mas o recanto, para quem passava nos caminhos em volta, era um gosto de sombra e verde saturado. Há poucos anos a casa foi comprada por diplomatas, cremos que vindos de um lugar hispânico – talvez o deserto de Sonora, talvez o de Atacama, talvez um pedaço dos mais estéreis de Castela Nova ou Aragão. Atarefaram-se em obras na casa e no jardim, e o resultado foi este:
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Nosferatu e os códigos de barras
O arquitecto da recuperação do Chalet da Condessa, que entusiasticamente nos descreveu algumas das acções em desenvolvimento no Parque, referiu entre elas a georreferenciação sistemática das suas árvores – ou seja, a sua localização em cartografia digital, associada a informação mais ou menos exaustiva sobre cada exemplar – que para este efeito passariam a estar identificadas por uma etiqueta com um código de barras. Poderá ser, ao que parece, um instrumento de gestão precioso.
terça-feira, 4 de agosto de 2009
A Casa da Lapa quase nova
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Os lagos da Condessa d’Edla ao fim da tarde
domingo, 12 de julho de 2009
Visitando a Condessa d’Edla
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Lago Maior de vez
Sempre foi para nós intrigante a razão porque os engenheiros de D. Fernando II tinham conseguido construir um lago estanque tão durável enquanto a tecnologia do século XXI parecia incapaz de manter seguras aquelas águas por mais que alguns dias. Assistimos ao encher e vazar alternado do lago, que permanecia a maior parte do tempo uma cova escura coberta de telas amarrotadas, com aparência de petróleo derramado, e um castelo desabitado no meio de lama e folhas mortas. Era um dos fracassos da Parques de Sintra com explicação difícil. E uma perda grande para os patos destronados e para as fotografias de domingo.
sábado, 30 de maio de 2009
Parques de Sintra e participação pública: a propósito de outra mancha desarborizada
«Quanto às aberturas praticadas no muro da Tapada dos Bichos que referem, esclareço que foram necessárias para a remoção das ramadas e troncos das árvores resultantes das limpezas efectuadas nesta zona. Após conclusão dos trabalhos estas serão de novo fechadas, mas uma será, provavelmente, transformada em portão, de modo a proporcionar um caminho pedonal através da Tapada até ao parque de estacionamento dos Lagos. Esta iniciativa faz parte do alargamento da rede de caminhos pedonais que, partindo da Vila, permitam alternativas ao uso da Calçada da Pena.»
Apreciamos este aparentemente simples facto: recebermos respostas rápidas às nossas interrogações, distante da cultura autista da nossa administração pública. Mas gostávamos ainda mais de não sermos sobressaltados a cada passo por mais um acto consumado: mais motosserras em frenesi em mais uma encosta e mais uma mancha florestal “limpa”. Vai ser substituída? Por um estacionamento? Por uma estrada? Por um parque de diversões? Por um condomínio residencial? Por carvalhos, faias e castanheiros? Quando, como, porquê e mais todas a perguntas que interessam a quem se interessa?
Aqui chegamos ao grande pecado da Parques de Sintra, gestora deste nosso património. Se há um plano que guia as suas acções, ele já deveria ter sido tornado público, já deveria ter sido sujeito a discussão e já deveria ter sido – necessariamente – ajustado em resultado dessa discussão antes de tomadas decisões finais. Aqui, a Parques de Sintra assemelha-se mais à velha administração pública (ou a uma empresa de interesse privado). Não acreditamos em entidades infalíveis e benignas, nem nos bons povos dóceis e agradecidos. Estamos convencidos de que os resultados do trabalho da Parques de Sintra seriam melhores e mais reconhecidos se se fundassem em participação pública séria, e cabia à Parques de Sintra a obrigação de a dinamizar – afinal, o que se está a passar nesta Serra, com os milhões anuais que agora aqui se derramam, pode bem ser o mais intensivo e radical conjunto de transformações desde os tempos fundadores de D. Fernando II.
sábado, 2 de maio de 2009
O Tanque de Seteais
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Obras pela Serra
Entretanto, mais transformações, desta vez no coberto vegetal e ainda sem qualquer identificação, deixam-nos mais perplexos e motivam novo pedido de informação aos gestores dos parques. Uma, exactamente em frente da obra da Casa da Lapa, já na Tapada do Inhaca, consistiu numa abertura do muro, no corte de toda a vegetação rasteira e na cobertura do solo com madeira triturada:
Outra adjacente à Estrada da Pena, muito próxima do cruzamento para os Capuchos, um troço outrora em sombra profunda onde agora se pode ver um sério pedaço de desarborização:
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Glicínias arrancadas em Seteais
Congratulamo-nos com o restauro (ainda não completamente terminado) do Palácio de Seteais – propriedade da cadeia Tivoli Hotels & Resorts. O que não compreendemos é porque é que dessa recuperação resultou o arranque das glicínias que cresciam ao longo das paredes laterais da rampa de acesso ao miradouro central.
Talvez o corte das glicínias do miradouro de Seteais pareça a muitos – a começar pela direcção do hotel, os autores do projecto de restauro ou a Câmara Municipal que licenciou a obra – um pormenor sem grande significado ou importância. A verdade, porém, é que Sintra é feita destes pormenores. Mesmo quando, como aqui em Seteais, ela parece ter uma dimensão monumental, a sua grandeza é o resultado de uma sábia mistura entre arquitectura e paisagem, natureza e artifício, intenção e surpresa. Basta olhar para as fotografias que apresentamos para perceber o óbvio: o miradouro de Seteais ficou mais pobre. Como mais pobre ficou, por isso, Sintra. Tal como nós, impossibilitados doravante de ver florir as glicínias em Seteais.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Resposta da Parques de Sintra
A Parques de Sintra - Monte da Lua, através do presidente do seu conselho de administração, António Lamas, foi célere, extensiva e muito clara na sua resposta às questões que colocámos sobre a ligação a Santa Eufémia. Aqui transcrevemos na íntegra o texto recebido, a que juntamos três das dez fotos que o acompanhavam (legenda nossa):
O caminho antigo para Santa Eufémia
A nova estrada para Santa Eufémia
O início da nova estrada para Santa Eufémia
Agradecendo a oportunidade de esclarecer a obra de recuperação do caminho de ligação entre Santa Eufémia e a Tapada do Shore, informo o seguinte:
- Este antigo caminho, situado entre a Tapada do Forjaz e o Parque da Pena, que foi calcetado, ligava pelo exterior do muro Sul do Parque da Pena dois dos seus portões: o de Santa Eufémia e o da Tapada do Shore junto à Pousada Azevedo Gomes, há muito entrada de serviço no Parque para quem vem de São Pedro. Esta ligação foi com o tempo perdendo interesse, pois o caminho, íngreme, degradou-se muito com enxurradas, que foram arrastando o saibro e as pedras da calçada, e tornou-se intransitável.
- Para conforto e segurança dos visitantes criou-se um estacionamento calcetado junto ao portão da Tapada do Shore, que passou a ser o acesso de serviço ao Parque e Palácio da Pena. Esta decisão e a recente ocupação da Pousada Azevedo Gomes pela GNR, para além do acesso ao arquivo da ex-Direcção Geral de Florestas, implicaram um aumento de tráfego de dois sentidos na estreita ligação entre a rampa de Santa Eufémia e o largo da Pousada, o qual não permite o cruzamento de veículos.
- Com a recuperação do caminho de ligação entre Santa Eufémia e a Tapada do Shore, o acesso ao largo da Pousada (portão de serviço da PSML, GNR e arquivo) passou a poder ser feito, em condições de segurança, pelo Alto de Santa Eufémia, com saída para a rampa de Santa Eufémia, criando-se um anel de sentido único. Não foi criado nenhum novo acesso à ermida. A sinalização de tráfego foi acordada com a GNR.
- A directriz adoptada foi ajustada o mais possível ao traçado existente, excepto na zona de chegada ao portão e Pousada, onde houve necessidade de aumentar o largo, recuando o muro da Pena para permitir a entrada no portão. Os muros foram recuperados utilizando a técnica tradicional (pedra de granito irregular e argamassas de cal), à semelhança do que também tem sido prática em todas as propriedades geridas pela PSML, exceptuando-se a parte de muro recuado que tem função estrutural de suporte do caminho, executada em betão armado, a bujardar.
- Na recuperação dos principais caminhos nos Parques da Pena e de Monserrate que a PSML vem efectuando desde 2007 (até final de 2008 foram recuperados cerca de 5km), tem sido utilizada a calçada de cubos de granito, como na Calçada da Pena. Esta era também a solução pretendida para a recuperação do caminho em causa, descrita no painel explicativo da obra, mas tal não foi possível por questões de aderência dada a sua grande inclinação. A solução encontrada seguiu a preconizada na rampa de Santa Eufémia, com a utilização de betão estriado em detrimento de alternativas em asfalto, mais agressivas do ponto de vista ambiental e estético.
- O largo de Santa Eufémia foi também beneficiado com reparação do pavimento em saibro. A segurança deste espaço, que era reconhecidamente “mal frequentado”, ficou também melhorada com a passagem das viaturas de serviço da PSML e, em especial, da GNR.
Para melhor ilustração da recuperação em causa junto envio imagens do antes e depois.
Com os melhores cumprimentos,
António Lamas
Presidente do Conselho de Administração
Parques de Sintra - Monte da Lua, S.A.
Parque de Monserrate, 2710-405 Sintra
Tel: + 351 21 923 73 00
Fax: + 351 21 923 73 50
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Nova estrada para Santa Eufémia e uma estranha placa
Existe desde há poucas semanas uma nova estrada para Santa Eufémia. São cerca de 100 metros ligando ao terreiro da ermida o núcleo de edifícios semi-abandonados, pouco mais que centenários, que em tempos recentes foram pousada de juventude e actualmente albergam a GNR. A estrada substitui um caminho pedonal – bastante selvagem, desde que nos recordamos dele – ainda assinalado por placas indicando a direcção de Santa Eufémia.
A nova via implicou o corte de alguns metros quadrados do perímetro da tapada da Pena, cujo muro foi derrubado e reconstruído um pouco recuado. Parte dele é agora muro de suporte em betão. Trata-se, como se pode ver nas fotografias, de um perfil estreito, com valetas em cubos de granito e pavimento em betão. Os automóveis circulam em sentido único, descendo esta nova estrada e continuando pela antiga até à estrada de Santa Eufémia.
O estranho aqui é a placa informativa que identifica a obra e o seu financiador, o Programa Ambiente da UE. A placa salienta, a vermelho, o traçado do antigo caminho (e não o da nova estrada), descrevendo a obra como sendo a “recuperação do caminho de ligação”, a pavimentar “em calçada de cubos de granito”, o que não corresponde obviamente à obra executada.
Não temos a certeza de ser preferível, ou mais justificável, ter a recuperação do antigo caminho em cubos ou a nova estrada em betão, mas vamos questionar a Parques de Sintra sobre este assunto e voltaremos à questão.