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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Blogs do Sapo

 Os blogs do sapo vão ser descontinuados. Quanto acontece este tipo de decisões há muita coisa que se perde. Já aconteceu com o geocities, terravista, sites do sapo.pt, etc

Edicrisart - de Cris Rodrigues

Bem Vindo ao Meu Blog sobre as Artes Decorativas!!!! Aqui encontrarão muitas Inspirações,Desenhos e de como fazer os diversos trabalhos...Espero que gostem e voltem sempre, a Todos um Excelente Dia!!!!

Blog do CNC Crónicas de Klow e outras entradas

Café com Adoçante

Tintin e o roubo em Sintra publicado por Fernando Morais Gomes às 22:39 10/09/2024

CópiaPerfeita

Mãe Tramada (2011) O meu filho é fã do Tintin, ou melhor do Capitão Haddock, há já alguns anos. Ainda ele não percebia metade do que se falava nas histórias, já nos pedia para lhas lermos antes de adormecer. Já lhe lemos quase todos os livros e quando saiu o filme, lá fomos vê-lo... Ontem, fomos mostrar-lhe o Espaço Tintin em Lisboa. Já nos tinha pedido várias vezes para lá irmos e ontem foi o grande dia!

Ardotempo

 Sábado, 29.03.08

Tintin, agente do Dalai Lama

Tendo Tintin feito tanto pela causa do Tibet é normal que o Tibet faça o mesmo pela causa de Tintin. Dessa forma justifica-se que o Dalai Lama tenha entregue em 2006 à Fundação Hergé o prêmio Light of Truth da ITC (International Campaign for Tibet), que é uma das parceiras da Fundação Hergé para o centenário do autor.

Georges Remi (inverta as suas iniciais e você formará o seu pseudônimo de autoria para seus álbuns de quadrinhos) estaria sentindo-se muito feliz, certamente. Eu procuro evitar falar pelos mortos, mas não devemos nos esquecer que o budista belga considerava Tintin no Tibet como sendo o seu álbum  predileto e, deliberadamente colocado como um desafio político. Dessa maneira o chefe espiritual do budismo tibetano jamais teve dúvidas: Tintin é o seu melhor agente de propaganda.

A prova: há cinco anos atrás, quando de seu lançamento em mandarin, o álbum foi abusivamente intitulado como Tintin no Tibet Chinês. A Fundação Hergé desde então apresenta queixas e move ações com o objetivo de retirar a última palavra indevidamente anexada ao título; não se poderia esperar menos por parte de seus dirigentes, Fanny, a viúva de Hergé e de seu atual marido Nick Rodwell, ambos convertidos ao budismo.  

Aos olhos do Dalai Lama, que aceitou o convite para inaugurar uma grande exposição Tintin no Tibet tendo ao lado os dois dirigentes da Fundação Hergé, o álbum de Hergé não apenas “revela ao mundo a beleza do Tibet” mas igualmente “promove uma tomada de consciência internacional mais aguçada sobre o Tibet”. Quem poderia imaginar que histórias em quadrinhos poderiam chegar a tanto? O destino reservou a elas algo surpreendente que não poderia ter sido premeditado.

Pierre Assouline  - La Republique des Livres, Le Monde – 28.03.2008 

Está tudo Tintim - lobi

Nas gravações de Tintin Dobragens do filme 

Turminha Fabulosa

Eu gostei do livro principalmente da parte em que o Tintin disse qo capitão: "- Capitão, não é por aí, aqui há outra escada!" - Emanuel a 12 de Janeiro de 2012

Gostei muito deste livro principalmente quando o capitão sonhou com o jogo de xadrez e com o professor. - Guilherme a 19 de Janeiro de 2012

Eu gostei da parte em que o Tintin encontrou o Tchang porque eu não gosto que as pessoas estejam ao frio. - Pedro a 9 de Fevereiro de 2012

Eu gostei da parte em que o capitão andava sempre com as garrafas de wisquie, perdeu-as e depois encontrou-as vazias. João Filipe a 23 de Fevereiro de 2012

Eu gostei do livro principalmente da parte em que o cão se cobriu de neve porque o avião aterrou. Eu acho que os cães não gostam de neve. - João Pedro a 9 de Abril de 2012 

Desenhos do Tintin para pintar

Centopeias - palermices de um blogger

Quarta-feira, 13 de Setembro de 2006

No outro dia recebi um email sobreo rabeta do Tintin em que após se abrir um anexo o boneco começava a passear pelo ecrã com o seu cão.

Quem foi o apaneleirado iluminado que teve a ideia de lançar este email?

Será que não podiam arranjar personagem de BD mais roto do que o Tintin?

Para quem está céptico de que o Tintin engole a palhinha eu comprovo:

 1º O cabelo loiro à Herman José com uma poupinha.

 2º A porra do cão em vez de ser um Pastor Alemão ou um Serra da Estrela é um Caniche ou uma merda parecida que precise que o dono lhe apare o pêlo e lhe limpe o rabo.

 3º O primeiro titulo da colecção é: Tintin Vai À Lua, com um pénis ao xadrez na capa do livro.

 4º Já em português o nome é apaneleirado, se o dissermos na lingua original: Tantan...dasse, até me dá suores frios...

 5º Fala francês

 6º É Belga

 7º As personagens das aventuras são todos homens, à excepção de uma gorda que canta ópera.

 8º É jornalista

  Querem mais?

  Só faltava ser do PS...

Porque não lançaram um email do Lucky Luke, isso sim. Já o asterix me deixava algumas dúvidas... Mas adiante...

Big Mac

Comentários:

De Jonasnuts a 12 de Outubro de 2006 às 22:04

Não resisto :)

http://tintinofilo.blogs.sapo.pt/

O Blog em causa não é meu, mas achei que tinha tudo a ver com este post :)

Os Bolos da Ana


David Fonseca

A última foto desta sequência de autênticos souvenirs do ano que passou foi tirada a 8 de Dezembro de 2007 em Braga, praticamente 24 horas depois da foto anterior em Loulé. Depois de um showcase na Fnac, conheci estas 3 raparigas que, devido ao evento dessa noite, usavam estas t-shirts feitas por uma delas. A alegria delas era contagiante e não quis ir embora sem registar esta imagem, talvez porque me mostre o quão transversal é toda a música: da balada melancólica do Elton John, passando por um videoclip com uma performance inusitada, aterrando em forma de foguetão do Tintin numa T-shirt em Braga.

José Lança Coelho

Link Atlântico artigo de Rui Ramos

BF Filmes

Filme

Racista

Viagem a Bruxelas

Reporter Timor

Quinta-feira, 18.07.2013

O post que se segue não tem nada a ver com as aventuras de Tintin, o repórter francês.

Acontece que durante a ocupação Indonésia o povo timorense era chamado de Tim-Tim e o Timor Português passou a ser denominado de Timor-Timur. Em indonésio (sim, as aulas continuam e foi aí que nasceu este post) "Timur" quer dizer "ocidental", uma palavra que tem a coincidência de se assemelhar a Timor. Vai daí Timor-Timur, mas não se pode dizer que soe bem...afinal, foram tempos conturbados.

Não consegui apurar se Tim-Tim tinha uma conotação positiva ou negativa mas o mais provável é ser negativa ou não tivesse sido esta uma ocupação invasora e violenta.

Foleirices

Psicolaranja

2dedos

Blogdarua9

Visto da China

Baixinho lego

JNverão João César das neves

Cães de Loiça

Este fox terrier em porcelana, com cerca de 5 cm. de altura, não ostenta qualquer marca visível da EC, mas apresenta incisa a numeração E-43, que corresponde ao registo habitual desta fábrica. Curiosamente, apresenta ainda na base, a lápis, o seu preço de venda – 6$00. 

Como se sabe, a figura mais célebre de um fox terrier teve origem na banda desenhada, através de Milou, o fiel companheiro de Tintin, personagens estas criadas por Hergé (pseudónimo de Georges Remi, 1907-1983).

No final da década de 1940 já haviam sido publicados 14 diferentes álbuns de Tintin, pelo que é possível que esta figura do Candal procurasse associar-se à imagem de sucesso daquela personagem.

https://becastanheiradepera.blogs.sapo.pt/tag/tintim Visita ao Museu Hergé

Jorge fiel Jornalista JN Post

Enxofrado

Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

FUTURO CHEIO DE NUVENS

No início, era Vitor Gaspar quem dava a cara por este Governo. Quatro meses depois, o arauto passou a ser o Álvaro [Santos Pereira], super-ministro da Economia, estrangeirado vindo do Canadá, famoso pela sua visão optimista do futuro deste país. O ministro Álvaro já nos prometeu "o maior investimento de sempre", a recuperação económica a breve trecho, a subida do emprego, um novo paradigma industrial, and so on. O ministro Álvaro, sempre que fala, faz-nos lembrar o Professor Girassol, personagem do Tintin, que vivia na Terra, mas pensava como um extra-terrestre... Hoje falou para a comunicação social, dizendo que "a recuperação económica do país" terá início no final do proximo ano. Sonhador, inconsciente do que diz, o ministro Álvaro já conta com o ovo na capoeira, a partir do quarto trimestre de 2012. Alheio à realidade, o ministro Álvaro fala dos seus desejos, esquecendo as premissas em equação. Logo pela manhã, o INE divulgou os números da recessão que atinge o país: -1,70%. No próximo ano poderá atingir os -3,00%, aprofundando os efeito da recessão. Mas o ministro Girassol, continua a acreditar nas miragens que povoam o seu espírito. O ministro Álvaro parece desconhecer o que está acontecendo nos países europeus, para onde exportavamos os nossos produtos, e onde já não há lugar para trabalhadores da construção cívil. O "barco" em que navega o ministro Álvaro, está a meter água, mas ele não se dá conta do perigo. Um ministro assim, não pode salvar a economia nacional.

Ponto Cruz


Guilherme Fonseca

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

#2.21 - The Secret Life - 2nd edition

Depois do Mickey aproveito aqui mais um aniversário para repor a verdade sobre outra personagem de banda desenhada adorada pela humanidade. Recentemente, um pequeno desenho chamado Tintin fez 80 anos. Aproveito a proximidade da data para contar a verdade que conseguir sobre um homem incompetente e perigoso, cujo nome faz óbvias e desprezíveis referências à genitália masculina.

Diz-se jornalista mas em centenas de aparições que fez apenas num quadradinho simples de desenho apareceu a escrever um artigo. Artigo esse que nem na página de obituários entrou. Tintin trabalhou toda a vida como um paparazzo sombrio e violento que ganhava a vida a perseguir estrelas de cinema pelo mundo fora, envolvendo-se em intrigas peculiares pelo caminho. Ficou assim famoso pelas suas desventuras além fronteiras quando na verdade ia comprar e vender fotos comprometedoras de líderes Mundiais a poderosos traficantes de droga.

 O seu famoso e adorado corte de cabelo, uma poupa empinada, tornou-o um sex simbol, nomeação que Tintin faz questão de espalhar onde vai, tendo mesmo tatuado estas palavras na nádega direita. Tem mesmo uma gigantesca foto sua, de cuecas, por cima da lareira apenas com Milú no meio das pernas. Dos relacionamentos que teve, o mais famoso foi com a personagem Betty Boop. Depois do casamento marcado e de vários anos de história juntos, Tintin preferiu vender fotos íntimas da sua companheira a uma revista masculina, a seguir com o casamento. Betty Boop acabou transtornada com a exposição, acabando a trabalhar em bares de strip e a visitar militares na guerra do Vietname.

 A série de quadradinhos era originalmente para incidir sobre a personagem de Capitão Haddock mas o público preferiu aquele que tinha mais exposição pública anterior, ganhando Tintin o protagonismo. Tal escolha do público marcou profundamente o Capitão Haddock transformando-o numa pessoa resmungona e pessimista quando a sua personagem estava escrita para ser alegre, reluzente e levemente homossexual. Professor Girassol é que era representado na série exactamente como era na realidade. Alheado de qualquer realidade ou responsabilidade, escondeu sempre bem do público a sua esquizofrenia e bipolaridade.

O seu percurso profissional acabou anos mais tarde com dois acontecimentos marcantes. O primeiro foi a morte da Princesa Diana, momento esse que Tintin testemunhou ao vivo quando tentava ultrapassar o carro da princesa no famoso túnel. A culpa que incutia em si mesmo pelo que se passou fez com que nunca mais tirasse uma fotografia na vida. O seu facebook não tem imagem.

O segundo momento marcante foi a morte do seu companheiro canino Milú. Uma edição da sua série sem o agradável cão ainda foi filmada e testada mas a reacção enfurecida do público deixou bem clara a decisão que os estúdios tinham de tomar. O seu amigo de quatro patas arrastava milhões de pessoas mostrando a Tintin e a todo o estúdio que sem ele, não haveria continuidade. Tintin virou-se para aquilo que todas as estrelas ultrapassadas fazem. Embebedar-se e ser DJ. Põe música em vários bares de alterne, sendo falada uma possível re-aproximação com Betty Boop depois de se terem cruzado profissionalmente num bar em Las Vegas.

Devido ao horrível trabalho que tinha como paparazzo, Tintin sempre foi competitivo, decidido e impulsivo, tendo sido as suas aventuras desenhadas e os seus companheiros que o afastaram de caminhos piores. A imagem que conhecemos hoje, limpa e varrida de polémica, foi construída por advogados e agências de publicidade. Milhões foram gastos para que todos adorassem Tintin como é actualmente. Com algum esforço, reponho a verdade. Um Tintin de cada vez.

 Lutando por um mundo honesto,

Guilherme Fonseca

Bilhetes Exibição em 1983 de Tim-Tim e o mistério das laranjas azuis

Blog Tintim na Geolândia

Sábado, 27 de Outubro de 2007

Apresentação do blog

Este blog foi realizado no âmbito da disciplina de geografia pelas alunas Inês Sousa, Joana Soares  e Rita Sampaio, com o objectivo de actualizar a matéria leccionada através de notícias e outros documentos relacionados com a disciplina.

Relacionámos o blog com o desenho animado Tintim, sendo este um repórter que viaja pelo mundo.

Tintim

Joana Sousa Soares (Bianca Castafiore), Inês Sousa (Milu), Rita Sampaio (Tintim)

Lurdes & Bento

<busca>



Professor Girassol | Pedro Nogueira Photography


Nenhures

Passados anos, um dia perto do Alto Ligonha, parei numa cantina ao entardecer. A dona era uma mulata gorda, ainda em bom estado, do Chinde, vim a saber. Pedi algo rápido para comer e seguir viagem mas ela mandou matar galinha e decidiu que nessa noite eu dormiria num dos quartos que alugava nas barracas das traseiras. E foi acordar o marido, que estava na sesta, pois ele decerto que gostaria de falar com um patrício, afiançou. Passado um bocado apareceu-me o homem, estremunhado, um velhote tuga vestido à monhé com um ar já muito acabado. Olhei para ele e pareceu-me que já o vira algures, "você não é o Figueira?", perguntei-lhe. O que gostou de ser reconhecido!, até rejuvenesceu, não se lembrava de mim mas mentiu que sim, e logo nos foi buscar verdadeiro vinho, daquele mesmo de uva, que não vendia à clientela local, "habituados às zurrapas", e perdeu-se em recordações. Contou que a idade viera e se cansara, decidira parar a venda ambulante. Arranjara aquela mulher, "um aconchego" disse, e eu a pensar que sim, que o seria, tanto que me retivera nas paragens, mamana atrevida ... E tinha-se estabelecido por ali, a cantina dava para ir vivendo. Foi simpático, quando lhe disse que estava a pensar em largar África logo me avisou "se você vai para a Europa vá falar com o capitão, um homem muito bem-posto na vida, e boa pessoa, grande amigo meu, diga-lhe que vai da minha parte, vai ver que ele o encaminha". Bom tipo, o Figueira, nunca fez mal a alguém, um enganozito aqui ou acolá, mas nada mais do que isso. Estava já no final, via-se e mais mo disse a sua patroa, depois, já na noite longa, apoquentado por qualquer coisa nas entranhas. E que ficasse eu descansado, ela estaria ali, cuidaria do velho até se acabar, afiançou.

Quando cheguei à Europa procurei o capitão, no pretexto de lhe dar novidades do Figueira. Como não lhe sabia o paradeiro disseram-me para tentar na casa do senhor Hergé, muito seu amigo, que decerto me orientaria. Lá segui até Etterbeek, à rua Philippe Baucq, 33. O morador surpreendeu-se com o meu engano, apenas sabia que o homem ali nascera e crescera pois a casa tem uma placa a anunciá-lo. Mas, fosse como fosse, já há muito que morrera. Expliquei-lhe que quem eu procurava era um amigo dele, o capitão Haddock, se me poderia dar alguma informação. "O senhor capitão também já faleceu, há alguns anos", com homenagens públicas e tudo, do  próprio rei, sublinhou, coisas que haviam sido noticiadas nos jornais, concluiu. 

(...)

Marjorie, o meu primeiro amor - Nenhures

Amadeu Lopes sabino

Pedro Rolo Duarte

Isto tem dono! Sou eu, Pedro Rolo Duarte, 1º C, nº 20” – e assim está escrito à mão, em letras grandes, na folha de abertura do álbum que reúne as primeiras 26 edições da Tintin, “a revista dos jovens dos 7 aos 77 anos”. Quando comecei a lê-la, em 1972, já tinha alguns anos de vida. Mas, pelos vistos, consegui comprar mais tarde o primeiro volume encadernado. Foi caro: 150 escudos. E aqui está a capa do número um, que custava 5 escudos em 1968. Foi no Tintin que conheci Michel Vailland, Astérix, Lucky Luke e, mais tarde, Hugo Pratt e o seu extraordinário Corto Maltese...

O que eu não sabia, e verifico com surpresa na ficha desta primeira edição, é que o chefe de redacção do Tintin, nestes anos de 68, era Dinis Machado, o homem de “O Que Diz Molero”. Agora até fiquei baralhado...

publicado por PRD, 27/03/2009


https://arquivo.pt/wayback/20100130160536/http://pre-historia.blogs.sapo.pt/15063.html


HERGÉ EM PORTUGAL - Amadeu Lopes Sabino

domingo, 3 de agosto de 2025

António Martinó


António Martinó de Azevedo Coutinho é um estudioso da banda desenhada e no seu tempo de professor teve grande actividade em prol da BD, conforme referiu G. Lino.

blogue "Largo dos Correios" do Prof.  António Martinó tem muitas coisas interessantes mas podemos não reparar em algumas preciosidades que por lá existem. Muitas sobre Tintin...

O uso no blogue da etiqueta Tintin é uma boa ideia mas agrupa demasiadas coisas (301 posts!). E "Tintin no Irão" tem 47 entradas. E 21 entradas no caso de "Lótus Azul". Já para não falar de "Histórias aos Quadradinhos" (1798 neste momento)!

Em breve planeia colocar no blogue um trabalho sobre as quatro versões da obra "A Ilha Negra" de Hergé. De que já falou algumas coisas (e mais ainda...).

Por aqui já partilhamos umas poucas de entradas do seu interessante blogue. Uma delas até foi o post "Regresso à Ilha Negra" usando a fotografia de A.M. em pequeno junto a Tintin.


É pena no entanto que as etiquetas nem sempre sejam usadas de forma a agrupar tudo o que fosse possível associar. Foram publicadas algumas séries longas de posts e poderia ter sido adequado juntar várias entradas em outras tags adicionais.

Sugestões de outras etiquetas e associação de posts com novas tags/etiquetas. Usar por exemplo uma tag chamada "Tintin e a Medicina".

Tintim Na Catalunha - 2

Jamais Só - 76

Tintim Segundo Marabout - 3

1969 – o Homem (e Tintin) na Lua – 10

Tintin no Congo – 29

From Scotland with Love - 16

Banda desenhada e maçonaria - 2

Tintim e A Medicina - 24

O estranho caso do submarino voador - 20

Tintin volta ao irão - 28

Tintin um herói católico - 15


https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/06/20/tintin-visto-por-herge-ha-cinquenta-anos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/05/04/as-aventuras-de-herge/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2013/04/18/uma-data-de-datas-xxiii-o-papagaio/

* Especial Tintin / Hergé

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/04/01/le-dossier-herge-1971-um/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2019/11/02/1919-1929-dois-georges-belgas-que-ficaram-na-historia-ii/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2019/11/01/1919-1929-dois-georges-belgas-que-ficaram-na-historia-i/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/11/09/as-proximas-edicoes-de-tintin/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/11/02/o-eterno-tintin/

https://largodoscorreios.wordpress.com/category/historias-aos-quadradinhos/tintin/page/22/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/10/02/os-russos-estao-de-volta-restaurados-e-a-cores-dois/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/10/01/os-russos-estao-de-volta-restaurados-e-a-cores-um/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/05/06/mau-morto-e-menosprezado/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/04/30/um-portugues-das-arabias-2/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/04/07/je-suis-tintin/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/03/30/um-anjo-da-guarda-chamado-tintin/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/03/24/tintin-o-belga/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/03/11/tintin-a-edicao-definitiva/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/02/14/para-os-amigos-arranja-se-sempre-um-cantinho/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/12/16/um-perigoso-biocida/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2017/02/08/nada-de-confusoes/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2017/01/21/tintin-ao-vivo-e-a-cores/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/12/24/o-sustentavel-peso-de-tintin/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2016/11/28/chachada-em-africa/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/03/22/tintin-embaixador-dos-belgas/

* Tintim Comemorações

https://largodoscorreios.wordpress.com/2019/01/10/tintin-faz-hoje-90-anos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2017/05/23/herge-nao-morreu-fez-ontem-110-anos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2020/03/03/herge-morreu-em-3-de-marco-de-1983/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2019/03/03/herge-morreu-ha-36-anos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2020/01/10/tintin-faz-hoje-91-anos/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2019/04/21/feliz-pascoa-3/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/10/27/logo-muda-a-hora/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/04/17/feliz-pascoa-com-tintin/

(...)

* TINTIN NOS 80 ANOS EM PORTUGAL – VIII

No site tem uma colaboração já longa com Carlos Gonçalves.  Foi destacado pelo fanzine brasileiro QI onde refere a ideia de ser lançada uma separata sobre Tintim mas que foi abortada pela Moulinsart.

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/09/19/a-bd-vista-por-carlos-goncalves-cinquenta-e-oito/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2018/09/12/a-bd-vista-por-carlos-goncalves-cinquenta-e-sete/

(...)

Suplemento Hobbies

https://largodoscorreios.wordpress.com/2020/11/04/hobbies-vinte-e-nove/

irão irao 0 iraa0 1 1 2 2 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 8 8 9 9 10 10 11 11 12 12 13 13 14 14 15 15 ANEXO A 0 0 1 1 2 2 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 8 8 9 9 10 10 11 11 12 12 13 13 14 14 15 15 16 16 17 17 18 18 19 19 20 20 21 21 22 22 23 23 24 24 25 25 27 27 26 26

SUBMARINO VOADOR SV1 SV2 SV3 SV4 SV6 SV7

A Nossa Banda

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/06/16/a-nossa-banda-dois/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/04/13/a-nossa-banda-44-continua-no-proximo-numero/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/04/06/a-nossa-banda-43/

https://largodoscorreios.wordpress.com/2015/01/05/a-nossa-banda-30/ PLIC PC T+H+C

https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2015/01/30-3.jpg PLIC

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/09/22/a-nossa-banda-16/ PLIC

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/10/13/a-nossa-banda-19/ JOAO / VG / MALEFICIOS

ASTERIX

https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2015/01/30-1.jpg A NOSSA BANDA / T+H+M

https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2015/02/35-new-20.jpg MEIO CAMINHO ANDADO

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/10/06/a-nossa-banda-18/ ASTERIX UMA MESA REDONDA

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/07/28/a-nossa-banda-oito/ ASTERIX MESA REDONDA

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/11/10/a-nossa-banda-23/ ASTERIX UMA MESA REDONDA

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/06/30/a-nossa-banda-quatro/ PAIS DO JOÃO


HERGÉ

https://largodoscorreios.wordpress.com/2014/06/20/tintin-visto-por-herge-ha-cinquenta-anos/

GHY FAISCA

https://largodoscorreios.wordpress.com/category/historias-aos-quadradinhos/page/158/

https://largodoscorreios.files.wordpress.com/2014/10/19-19.jpg

(entre outras entradas que poderão ser encontradas... )

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Sorriso aos quadradinhos

Hoje acordei a sorrir, 

Estava uma noite difícil e desesperada
Quando me decidi juntar às tuas aventuras,
Quando decidi saltar para as tuas páginas,

Espero que não te importes, claro que não te importas,

Contigo subi aos Himalaias, Atravessei as florestas do Peru,
Fui ao fundo do mar, subi ao espaço e pisei a lua,
Descobri tesouros, vi o mundo à beira do fim,
Conheci a Índia, a China, o Tibete, África e Américas,

Bebi whisky às escondidas com o capitão,
Enlouqueci com a surdez e com o "sempre a sul" do professor, Ri e como ri com as trapalhadas dos gémeos,

Obrigado Tintim, Haddock, Girassol, Dupond e Dupont,
Nestor, Abdalah, Rastapopoulos, Tchang,
Serafim Lampião, Bianca Castafiore,

Obrigado a todos,
Obrigado por existirem,

Por me fazerem sonhar e por me trazerem sempre um sorriso 


imagem de João Fazenda / Visão, 2007



sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Tintinófilo


Tintin em Portugal

Agora, também no universo dos blogs portugueses, Tintin está presente. Da autoria de J.V. Silva, tintinófilo dedicado, em http://tintinofilo.blogs.sapo.pt estão as mais recentes noticias e curiosidades sobre o mundo de Tintin. É de visita obrigatória para todos os que admiram e se interessam pela obra de Hergé

Pan. Na Terra do Nunca, 03/08/2006

Recomendo uma viagem pelo Tintinófilo [http://tintinofilo.over-blog.com/], um blogue diferente, engraçado, actual e em português sobre o Tintin.

Vejam lá, se não vale a pena?

Blog Nonas, 06/03/2007

Tintinófilo, O - Tintin em Portugal

http://www.tintinofilo.over-blog.com

O mais completo espaço português dedicado ao herói da poupa, ao capitão tonitruante, enfim, à galeria de personagens hergianas. No que concerne à reprodução de "pastiches", o panorama é vasto, tanto que até lá cabem as capas, ou primeiras páginas, dos exemplares do meu fanzine Tertúlia BDzine, (dessa vez editado por um tal ÉleGê) dedicado em 1999, à famosa série, com a colaboração de doze autores-artistas portugueses, bem como das separatas a cores (estas em tiragem limitada) que no zine se incluiam, A reprodução neste blogue foi feita à minha revelia, mas que direito tenho eu a queixar-me, se aquela edição também foi feita à revelia de quem todos nós sabemos...

Geraldes Lino, Internet e Banda desenhada - Portugal - Blogs e sites de BD, 23/03/2008

5 años hablando sobre Tintín…

Quiero aprovechar para felicitar al responsable del blog «Blog Tintinófilo – Tintim em Portugal«.

Se acaban de cumplir 5 años de existencia de ese blog.

Una buena noticia, ya que mantener un blog temático como ése, es complicado (y puedo asegurarlo con conocimiento de causa).

Pedro Rey, 01/08/2011

Tintín en Portugal

Llevo mucho tiempo siguiendo varias webs y sitios de referencia con información sobre Tintín de nuestro país vecino y el panorama se está volviendo desolador.

Hay algún blog que me pareció siempre muy interesante, como el «O Tintinófilo (Tintin em Portugal)»  [http://tintinofilo.over-blog.com/] o incluso alguna página personal, como la de Jorge Macieira en Ópera [http://my.opera.com/macieira_law/blog/].

Llevo tiempo lamentándome de que estos dos espacios llevan mucho tiempo parados y no parece que se vayan a actualizar, aún siendo muchos los que los seguimos.

Pedro Rey, 09/07/2012

sábado, 28 de março de 2020

Gémeos falsos ou falsos gémeos?

De Pedro Brás Marques recebemos um email, referindo-se aos ‘comentários’ trocados no post “Gémeos”. Dado o interesse, transcrevemos as partes mais significativas:

“(…) Segundo os estudiosos da obra de Hergé, que já se contam às dezenas, os Dupont não são gémeos: não têm nome igual, nem são iguais. O nome já o sabem; quanto às diferenças, elas encontram-se no desenho do bigode, como adiante se explicará.

Foi o próprio Hergé quem assim estabeleceu o par de detectives, logo na sua primeira aparição, no álbum “Os Cigarros do Faraó”, em 1934, ainda no “Le Petit ‘Vingtiéme’”, com os nomes de X33 e X33bis. Repare-se no que diz Benoit Peeters, em “Le Monde D’Hergé” (Casterman, 1983, pag. 96), “Se ressemblant de manière hallucinante (quoique n’étant nullement parents), les deux représentants de la P.J. ne peuvent être distingués que par un seul trait : le style de leur moustache”. Mas, o mesmo autor, na biografia “Hergé-Fils de Tintin” (Flammarion, 2002, pag. 105) admite que o par de detectives possa ser visto como “un echo probable de son pére et de son oncle, les jumeaux inséparables”, mas continua a afirmar que não são gémeos.

No fantástico “Tintin chez Jules Verne” (LeFranq, 1998, pag 43 e ss.) onde se conclui que Hergé terá ido buscar inspiração (demasiada, até, basta ver…[aqui e aqui]) ao visionário romancista francês, escrevem J.P. Tomasi e M. Deligne, que “cês jumeux-lá ne le sont en fait pás du tout”. Para estes autores, Hergé ter-se-á baseado na dupla de detectives Craig e Fry, do livro, de J. Verne, ‘As Atribulações de um chinês na China’. Mas as semelhanças físicas são, claramente, as dos personagens Arminius e Sigimer, de “Cinq Cents Millions de la Bégum”, um com a barba arredondada e outra cortada em triângulo, como se pode ver nas páginas web indicadas.

No site oficial também pode ser encontrada explicação idêntica: “Leur ressemblance est extraordinaire: bien qu'ils ne soient ni jumeaux ni même frères, rien ne les distingue à première vue. Seule la forme de la moustache diffère. Comme l'expliquait Hergé, Dupond avec "d" a les moustaches droites, alors que Dupont avec "t" a les siennes un tantinet tire-bouchonnées”.

Assim, espero ter esclarecido as dúvidas aos Dupont(d).”

Pedro Brás Marques

Depois de lermos, e relermos, este texto, ficamos perfeitamente siderados. A partir deste momento, a nossa vida fraternal ficou irremediavelmente comprometida, como os leitores poderão ver pela imagem. 

Já não olhamos um para o outro como irmãos. Vidas desfeitas, foi o que Pedro Brás Marques conseguiu. Porventura, o melhor é convidá-lo para vir para ‘O Vilacondense’, uma vez que parece saber tanto da nossa “família”. Poderia ser, por exemplo… o Milu.

Dupond & Dupont

https://arquivo.pt/wayback/20050621223045/http://ovilacondense.blogspot.com/2003/10/gmeos-falsos-ou-falsos-gmeos.html

30/10/2003

Mas, contrariando essa habitual ideia, na minha opinião os Dupondt não são gémeos.
Vou reproduzir a argumentação que expus no meu fanzine Efeméride (nº4, Janeiro 2009) dedicado ao tema "Tintim no Século XXI", que foi a seguinte:

"(...) os aparentemente gémeos Dupond e Dupont nem sequer irmãos são. 

Como justificar a afirmativa? Porque as pessoas da mesma família têm apelidos iguais, tão simples quanto isso.

Nesse caso, qual a explicação para a incrível e rigorosa semelhança (excepto, claro, no bigode)?
Mera coincidência física, reforçada pelos fatos iguais - quiçá farda à paisana fornecida pela polícia belga, outra hipótese inédita - ou, em última análise, fruto da liberdade artística em prol do humor. (...)"

Geraldes Lino, Divulgando Banda Desenhada, 07/09/2015

Por isso estarão erradas outras teorias:

Dupond e Dupont, Dois Gémos Famosos

De repente, duas figuras iguaizinhas espreitam por uma porta e entram em cena. Estão vestidas a rigor, fato preto completo, bengala e chapéu de coco. São os famosos gémeos Dupond e Dupont. A primeira aparição nas aventuras de Tintim destes gémeos, que também copiaram entre si a profissão de detective, é precisamente no álbum "Os Charutos do Faraó", que começou a ser publicado em 1932.

Além de ambos serem desastrados, costumam manifestar o facto de serem uma cópia genética um do outro nas palavras. "Palavra de Dupond, ele não irá longe!" Ao que o outro retorquiu: "Direi mesmo mais: ele não irá longe, palavra de Dupont!"

Os gémeos sempre fascinaram os outros, nem que seja por questionarem a ideia de que cada ser humano é único. Eles também o são, mas também têm muitas semelhanças. Hergé não escapou a esse fascínio, mas quando criou Dupond e Dupont, o nascimento de gémeos ainda não era tão frequente como nos últimos 25 anos.

O aumento de gémeos está associado às técnicas de fertilidade. O primeiro bebé-proveta, a inglesa Louise Brown, nasceu em 1978. Em Julho, comemorou 25 anos e voltou, tal como quando nasceu, a encher páginas de jornais. Em Portugal, o primeiro bebé-proveta nasceu a 25 de Fevereiro de 1986. Chama-se Carlos Miguel Saleiro e é jogador de futebol, integrando a selecção nacional de sub-17.

Em geral, apenas um por cento dos nascimentos produz gémeos, mas a percentagem pode chegar aos 15 a 30 por cento na fertilização "in-vitro". Nestas técnicas, fertilizam-se vários ovócitos com espermatozóides e depois implantam-se no útero vários embriões ao mesmo tempo, para aumentar as taxas de sucesso. Só que podem vingar todos, ou pelo menos dois, e os pais acabam por ter gémeos nos braços.

Os seis gémeos que uma mulher da Madeira deu à luz, em 2002, na Maternidade Alfredo da Costa, não resultaram da transferência de embriões, mas de um tratamento hormonal, para estimulação ovárica, para em seguida fazer-se a colheita de ovócitos. O problema foi que a seguir a esse tratamento houve relações sexuais, apesar de terem sido proibidas pelos médicos. Foi a primeira vez que se registou em Portugal o nascimento de seis gémeos, mas nenhum sobreviveu.

Diz-se que estes gémeos, que também podem surgir naturalmente, sem a intervenção dos médicos, são fraternos, ou dizigóticos, pois resultam da fertilização de vários ovócitos por vários espermatozóides. Logo, não têm a mesma composição genética e podem ser de sexos diferentes.

Dupond e Dupont não pertencem a este tipo de gémeos. Como espelho um do outro, são gémeos idênticos ou monozigóticos: provêm de um único óvulo fertilizado, que depois se separa e dá origem a dois bebés geneticamente idênticos, do mesmo sexo. Por outras palavras, são clones. 

Teresa Firmino, Público. 14/11/2003


segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

O “Cavaleiro Andante”


NO FIO DA MEMÓRIA

O “Cavaleiro Andante” faz parte integrante das minhas mais queridas recordações de infância e foi uma fonte de exaltação para uma boa parte dos jovens da minha geração. Tratava-se de uma revista juvenil em banda desenhada, de publicação semanal, dirigida por Adolfo Simões Muller. O seu primeiro número, com a capa, a quatro cores (amarelo, azul, vermelho e verde), representava precisamente um cavaleiro medieval montado no seu corcel, com armadura, elmo e escudo, de lança em punho, preparando-se para a “justa”. Esgotou rapidamente, tendo atingido alto valor comercial entre os coleccionadores. O “Cavaleiro Andante” sucedeu ao “Diabrete” e foi publicado entre 5 de Janeiro de 1952 – ainda eu não tinha 10 anos – e 15 de Agosto de 1962, com 556 números publicados. Os meus primos mais velhos, filhos do meu tio Antero – o Alberto e o Luís – recordavam também, com saudade, o “Mosquito”, o qual, no entanto, já não fez parte das minhas leituras de menino.

- Associo o meu encantamento com o “Cavaleiro Andante” à cidade da Guarda, uma vez que me acompanhou até aos meus 14-15 anos, isto é, durante os últimos 5 anos que aí vivi.

- Como disse, revejo-me completamente nas histórias “aos quadradinhos”, tão coloridas e emocionantes, do “Cavaleiro Andante”. Contemporâneo deste, era também publicado o “Mundo de Aventuras”, mais virado para mundos inter-galácticos, aventuras espaciais e para histórias de índole psicológica ou hipnótica que não me tocavam tanto. Alguns dos seus heróis favoritos eram o Flash Gordon e o Mandrake.

- Tive, com o meu Amigo Raul Nobre, apreciador do “Mundo de Aventuras”, grandes e acaloradas discussões acerca dos méritos relativos das duas revistas. Cada qual ficou na sua e eu mantive-me fiel, desde o primeiro número, ao “Cavaleiro Andante”, onde predominavam as aventuras na “pradaria”, de índios e cowboys, as histórias de cavalaria e de cruzados, de corsários e de tesouros escondidos, assim como as heroicidades de Tarzan, as aventuras misteriosas do Professor Mortimer e do Capitão Edgar , em séries inesquecíveis de E. P. Jacobs, como “O Enigma da Atlântida”, “A Marca Amarela” ou “O Mistério da “Grande Pirâmide”, além das extraordinárias façanhas do repórter Tintim e do Rom-Rom , do Capitão Rosa e do Professor Pintadinho de Fresco , cujo encantamento pudemos reviver recentemente – mais de cinquenta anos depois -, com a sua publicação por iniciativa do Jornal “Público”.

- O “Cavaleiro Andante” saía ao sábado e o comboio que trazia os jornais de Lisboa chegava à Guarda um pouco depois das 14 horas. Os jornais eram, então, transportados por uma camioneta que fazia o percurso até à cidade, onde chegava, correndo tudo dentro da normalidade, pelas 15 horas. A essa hora já eu esperava, impaciente, a chegada da viatura, junto da “central de camionagem” (para utilizar a terminologia de hoje), perto da Igreja da Misericórdia, no largo fronteiro à paragem dos táxis. Logo que avistava a camioneta, seguia, sem demoras, para o Café Mondego, infelizmente já desaparecido, onde, no meu tempo, havia, à direita de quem entrava, um espaço reservado para a venda dos jornais e das revistas.

- Era importante ficar colocado logo na primeira fila, junto ao balcão, por detrás do qual imperava um velhote rabugento, que tinha por hábito cuspir regularmente para o chão, coberto com serradura, ao mesmo tempo que abria, com um estilete, os maços e pacotes com os jornais acabados de transportar num carrinho de mão. Depois, para endireitar e alisar os jornais e as revistas, batia fortemente com eles, por várias vezes, sobre o balcão, após o que os arrumava nas prateleiras, deixando no balcão as publicações mais procuradas: os jornais desportivos (“A Bola”, o “Mundo Desportivo” e o “Record”), o “Diário de Notícias” e o “Século” – e também o “Cavaleiro Andante”.

- Logo que recebia o meu exemplar, a impaciência era tanta que não se compadecia com os cerca de 15 minutos de percurso a pé até minha casa, à Dorna. Sentava-me logo, fizesse calor ou frio, chovesse ou nevasse, no banco mais próximo do jardim contíguo ao “Café Mondego”, onde folheava o exemplar acabado de adquirir e lia, em diagonal, os episódios cuja continuação mais me emocionava. Só depois seguia, em passo acelerado, para casa, onde, bem instalado no meu quarto para não ser interrompido, lia avidamente toda a revista, não sendo raro proceder a uma segunda leitura das aventuras mais importantes.

- Regularmente, no Natal e na Páscoa, saíam, para além da publicação semanal, números especiais. Eram álbuns temáticos que contavam uma história com princípio, meio e fim (em geral versões ilustradas de grandes romances de aventuras). Lembro-me, por exemplo, de que um desses álbuns tinha por título “O Último Mohicano”. A sua publicação coincidiu com a compra, pelo meu pai, de uma quinta na Guarda, que constituiu, para ele, acontecimento marcante. Quis o meu pai, uma vez celebrada a escritura de compra e venda, mostrar-nos a propriedade, a minha mãe e a mim (o meu irmão ainda era muito pequeno). Muito contrariado, já que a minha prioridade consistia na leitura do álbum do “Cavaleiro Andante”, lá os acompanhei até à quinta.

- O meu pai desfazia-se em explicações. Parava um pouco, mas, logo a seguir, descia uma ravina, subia uma pequena inclinação, apontava para uns velhos castanheiros, indicava, lá longe as extremas e, mais perto, a zona de lameiro e das hortas, onde se lobrigavam umas toscas casas em granito que eram a habitação dos caseiros, os palheiros para o gado e os armazéns para os produtos e para as alfaias agrícolas. Considerando-me suficientemente esclarecido acerca da nova propriedade e das suas características e potencialidades, resolvi sentar-me num barroco à medida, puxei do álbum e recomecei a leitura interrompida.

- Ter-se-ão passado uns cinco ou dez minutos, até que a minha mãe veio dizer-me da desilusão do meu pai perante o desinteresse que eu revelava. Lá tive que fazer das “tripas, coração”, e, com mal disfarçada contrariedade, acompanhar, até ao fim, a visita à quinta.

José Augusto Sacadura Garcia Marques, 12/03/2009 (Também publicado no Semanário A GUARDA)

Agradeço a todos os que quiseram enriquecer a minha contribuição com comentários interessantes e pertinentes.

É verdade que, como "afirma Maria", os tempos das nossas infâncias (eu sou, por certo, com os meus 67 anos, bem mais velho) eram muito diferentes dos actuais, mais saudáveis, mais solidários e mais afectivos. Numa época em que não havia televisões, computadores nem "playstations",nem por isso deixávamos de ter distracções e actividades lúdicas. Além dos jogos que enumera no seu comentário, havia uma ou outra ida ao cinema para ver um filme de capa e espada, de corsários ou de "cowboys", tínhamos as novelas radiofónicas e, acima de tudo, a leitura de livros e revistas juvenis. As aventuras de Emílio Salgari, de Júlio Verne ou de Alexandre Dumas constituíam motivo do mais puro prazer. E lembro-me ainda de acompanhar, com o ouvido encostado ao "velho" aparelho de rádio, entrecortados por barulhos de "estrelar ovos" e outros ruídos de fundo, na voz de Domingos Lança Moreira e, mais tarde, de Amadeu José de Freitas, os relatos épicos dos grandes jogos de hóquei em patins que opunham Portugal e Espanha, nos tempos da "gloriosa" selecção portuguesa, campeã do Mundo, formada por Emídio Pinto, Edgar, Raio, Correia dos Santos e Jesus Correia, este último um dos "cinco violinos" do célebre ataque da equipa de futebol do meu Sporting Clube de Portugal.

E, repito, no meu caso, a ansiedade e o empolgamento causados pela leitura do "Cavaleiro Andante". Ainda um dia talvez venha a contar neste blogue o que aconteceu à minha colecção dessa tão estimada revista juvenil. Penso que esse terá sido mais um serviço que fiquei a dever ao C.A.: o gosto pelo coleccionismo.

Aproveito, enfim, para agradecer as palavras tão amáveis da Juliana Vasconcelos e do Fernando S. Marques e os cuidados com o meu estado de saúde que manifestaram, bem como a Anónima Salina, sempre tão simpática e presente.

José Augusto

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

When Kafka meets Hergé!



(...) «Um catálogo de sonhos» do magnífico José Carlos Fernandes (o Rei da Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea) publicado originariamente pela Pedranocharco (1995) e numa segunda edição de 2004 pela Devir. O catálogo de sonhos é na minha opinião uma espécie de “when Kafka meets Hergé!”. 

O Hergé vem dos personagens pois “Cláudio Remo” o personagem principal parece ser uma paródia desenhada ao Tintim e os polícias são uma espécie de Dupond e Dupont gordos (na verdade são mais do que dois e parecem ser clones uns dos outros). A ideia do Kafka vem um pouco do argumento, uma vez que os polícias conduzem uma investigação e uma perseguição que não é perceptível pelo “Cláudio Remo”, uma vez que ele é uma personagem cuja materialização física não é biológica mas que resulta dos sonhos…

O Bibliotecário Anarquista, 17/03/2006

imagens bedetheque

sexta-feira, 12 de julho de 2019

Fronteiras

Que é feito da Sildávia e da Bordúria, perguntarão os leitores, que costumam estar tão interessados em assuntos internacionais.

Recapitulemos: a Sildávia, reino centro-europeu de onde foi enviado o primeiro voo tripulado à Lua, é hoje uma próspera república e futuro membro da União Europeia. O rei Ottokar IV foi deposto num golpe militar que (diz-se) teve influência bordúria, mas a democracia regressou depressa, o que permitiu negociações frutuosas com Bruxelas e um rápido processo de adesão comunitária. A Sildávia é uma democracia parlamentar com taxas de crescimento económico a rondar os 6%. O seu rendimento per capita ultrapassou recentemente o português. Klow, a capital, tem meio milhão de habitantes e forte sector turístico, baseado na rica gastronomia. Tem atraído deslocalizações industriais do Vale do Ave.

Durante anos de isolamento, a Bordúria viveu um largo período da ditadura de Plekszy-Gladz e só recentemente alcançou a democracia, na chamada revolução azul-da-prússia. A sua selecção nacional quase conseguiu o apuramento para o mundial de futebol, tendo sido eliminada no play-off pela equipa sul-americana de San Theodoros.

Ao contrário do que se temia, Sildávia e Bordúria nunca chegaram a entrar em guerra uma com a outra.

Bem, isto é o pouco que sei sobre o assunto. Será que os leitores têm mais informações?

Este texto foi publicado em 10/10/2006 num blogue de que fui fundador, Corta-Fitas.

O post está extremamente desactualizado. Como sabem, logo a seguir à sua adesão à UE, a Sildávia foi forçada a pedir um empréstimo ao FMI, devido às dívidas contraídas com o programa espacial, e aplica neste momento um duro pacote de austeridade, após ter sido nomeado um governo de tecnocratas. Todos os dias há manifestações em Klow, a capital, e as agências de rating classificam a dívida sildava com notação de bb-.

A Bordúria teve recentemente eleições e regressou ao poder o partido do velho ditador Plekszy-Gladz, que controlou todo o processo de privatizações e cujos aliados se apoderaram das melhores empresas. A corrupção é generalizada e o país duplicou a sua despesa com armamento, para renovar as fardas dos três ramos das forças armadas (o concurso foi ganho pela empresa Armani). O jornal independente (Independensky) foi encerrado.

https://arquivo.pt/wayback/20140104175054/http://forteapache.blogs.sapo.pt/230003.html

sábado, 29 de junho de 2019

7 curiosidades sobre Tintin

No ano em que se comemoram 90 anos da publicação do primeiro volume, recordamos As Aventuras de Tintin e contamos-lhe algumas curiosidades que talvez não saiba sobre a banda desenhada criada pelo belga Georges Remi, mais conhecido por Hergé.
Da ligação a Portugal às acusações de racismo e até à história nunca terminada, as aventuras do jornalista Tintin, que só escreve uma vez em todos os livros, tornaram-se um marco histórico na banda desenhada francófona e conquistaram milhões de leitores nos mais de 50 idiomas para que foram traduzidas.


1. O PRIMEIRO PAÍS ESTRANGEIRO A PUBLICAR
Portugal foi o primeiro país a publicar Tintin numa língua que não o francês. A revista católica O Papagaio – suplemento infantil da Rádio Renascença – publicou Tintin na América a 16 de abril de 1936, na altura com o título Tim-Tim na América do Norte.
Além de ser o primeiro país não francófono a publicar as aventuras do jornalista, Portugal foi também o primeiro país a publicar Tintin a cores, algo nunca feito até então. Só em 1941, quando foi publicado A Estrela Misteriosa, é que Tintin passou a ser originalmente a cores.

2. TINTIN... PORTUGUÊS?
Como havia o hábito de aportuguesar traduções, nas primeiras décadas em que foi publicado em Portugal, Tintin tornou-se um repórter português enviado pelo O Papagaio, onde surgiu primeiro, ou pelo O Diabrete, onde foi publicado depois, para cobrir vários eventos pelo mundo.
O caso mais notório foi a aventura Tintin no Congo, que foi transformada em Tim-Tim em Angola, já que o Congo era colónia belga e Angola era portuguesa. Além disso, na mesma aventura, a aula de Geografia que mostra o mapa da Bélgica foi substituída por uma aula de Matemática.


3. MILOU: CÃO OU CADELA?
Pode parecer óbvio, mas, em Portugal, o género do fiel companheiro de Tintin, o fox terrier Milou, foi algo que despertou algumas dúvidas. Quando as aventuras começaram a ser publicadas por cá, um erro de tradução deu a entender que Milou seria uma cadela.
Como, em português, Milú soaria a nome de mulher e era também nome da cantora e atriz Milú, que cantava nas emissões radiofónicas de O Papagaio, acabaram por mudar o nome para Rom-rom, algo que se manteve durante vários anos.

4. PAGAMENTO EM GÉNEROS
Durante a Segunda Guerra Mundial, O Papagaio e O Diabrete, periódicos portugueses que publicavam Tintin, pagaram a Hergé… em géneros alimentícios. O pedido foi feito pelo próprio e a comida era enviada não só para Hergé mas também para o seu irmão, Paul, prisioneiro de guerra num campo para oficiais na Alemanha.

5. HERGÉ ERA RACISTA?
Em 2007, um congolês chamado Mbutu Mondondo exigiu que as edições de Tintin no Congo fossem retiradas do mercado ou que incluíssem um prefácio que explicasse o contexto político e cultural da altura.
Isto deveu-se ao retrato paternalista que a história dá aos negros, consequente da visão da época, que Mondondo considerava apologista da colonização e da superioridade da raça branca sobre a negra. O pedido foi rejeitado pela Justiça belga.


6. POLÉMICA NAZI
Aquando da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), durante a ocupação da Bélgica pelos nazis, Hergé criou histórias de Tintin para o Le Soir, jornal alinhado com os ocupantes. Esse facto motivou alguma polémica a que Hergé, na altura, respondeu dizendo que se limitou a continuar a trabalhar no seu ofício, a banda desenhada, como qualquer cidadão.
Apesar de não se ter livrado das acusações de colaboracionismo, nenhuma das suas histórias defendeu o nazismo.

7. HISTÓRIA INACABADA
Quando morreu, em 1983, Hergé estava a trabalhar numa nova aventura de Tintin, Tintin e a Alph-Arte, no entanto não chegou a terminá-la. Chegou a ponderar-se que outros artistas finalizassem a história, mas a ideia foi abandonada e a aventura foi publicada tal como Hergé a tinha deixado: sem um fim.


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Blog de Francisco Seixas da Costa

duas ou três coisas - notas pouco diárias de Francisco Seixas da Costa

Blogue

Não tinha dado conta, devo confessar: este blogue fez ontem cinco anos. Foi um confrade que se preocupa com essas datas que o anunciou.

Foram cinco anos sem uma única data em que eu aqui não tivesse deixado um post. Foram em número de mais de 3200 as mensagens que assinei, entre memórias ou notas do quotidiano, historietas pessoais ou de outros, cenas e episódios da vida diplomática, textos mais ou menos sérios, muitas fotografias. 751 amigos inscreveram-se para seguir, nos dias hoje, este blogue. Quase um milhão e trezentas mil visitas foram feitas nestes cinco anos, com mais de dois milhões de páginas consultadas. Em média, todos os dias, o blogue é visitado por mais de mil pessoas - o que, de acordo com quem sabe destas coisas, leva a presumir que cerca de cinco mil leitores passam regularmente por aqui.

Durante o primeiros quatro anos, o blogue foi assumido como sendo "do embaixador de Portugal em França", embora nunca tivesse sido um blogue formal da Embaixada. Logo no primeiro post ficava clara a dualidade: "Embora, como disse, este espaço não tenha uma natureza oficial, naturalmente que quem o escreve assume, em pleno, a responsabilidade da função que exerce e que, por essa razão, não se esquece dela ao escrever. "À bon entendeur"..." A mudança do meu estatuto ocorreu há um ano e, naturalmente, o blogue sofreu alguma alteração no seu estilo e, aqui ou ali, em alguma seleção temática.

Um palavra para as comentadoras e comentadores. Quem segue este espaço sabe que há gente que o acompanha desde o início, com uma dedicação que só posso agradecer. Um "quarteto" ímpar de senhoras tem feito uma inigualável "guarda de honra" aos textos: Isabel Seixas, Helena Oneto, "Margarida" e Helena Sacadura Cabral. Mas há outros nomes, como "Patrício Branco", "Catinga", ARD ou Guilherme Sanches a cuja fidelidade estou muito grato. Caso especial é "Alcipe" e o seu saudoso heterónimo "Feliciano da Mata", este último agora desaparecido em combate empresarial, entre o Cabinda e o Cunene, com passagens fugazes pelo mundo do PSI20. (...)

Diplopoeta

O "nosso" Luís Castro Mendes acolheu-se agora à "Assírio & Alvim", onde vai publicar o seu próximo livro, "A Misericórdia dos Mercados". É bom vê-lo numa excelente casa da poesia, ainda ligada, agora só pelo nome, ao meu querido amigo João Carlos Alvim (João, temos de nos ver um dias destes!).

O primeiro lançamento ocorrerá na Póvoa de Varzim (e não Póvoa do Varzim, como às vezes alguns se enganam), no dia 22 de fevereiro, no âmbito da "Correntes d'Escritas" (desculpa lá, Luís, mas tenho um compromisso em Setúbal nesse dia, com que sei que estarás solidário).

No dia 25, pelas 18.30, na Barata, na avenida de Roma, o evento repete-se, com falas de Fernando Pinto do Amaral e Nicolau Santos (Tó Zé Massano, se chegares mais cedo, tu, que moras a "walking distance", marca lugares!).

Dizem-me que, para este último evento, se prevê uma multidão multinacional. Desde logo, um tal Alcipe, vindo de Estrasburgo com a madame. Como estamos no ano comemorativo do "movimento dos capitães", é aguardado, com imensa expetativa, o famoso Capitão Rosa, que agora usa um nome estrangeiro, para armar em "fino", na correspondência que lhe mandam para Moulinsart. Ao que me dizem, está já confirmada a presença de um estimado comerciante da Figueira da Foz, de seu nome Oliveira, muito chegado ao autor, e de quem, nas últimas horas, se fala bastante para novo presidente da AICEP. De Coimbra, aguarda-se o renomado professor Pedro João dos Santos, acompanhado de um jornalista de um diário de Lisboa, cujo nome me escapa. De Paris, está garantida a presença amiga de Ronaldo Azenha de Noisiel, que consta estará prestes a lançar um negócio de mercearias "drive-in" em auto-estradas. Também deverá deslocar-se, vindo de uma das antigas colónias, essa figura muito próxima do autor que é Feliciano da Mata, em seu nome e de uma senhora engenheira cuja modéstia esconde o santificado apelido. Em representação de uma augusta figura, espera-se a presença de D. Henrique Vasconcellos Menezes (Vinhais), responsável pelo pé de página do Gotha dedicado a Portugal. Pelo movimento literário Malta da Rima, a que o autor terá aderido na juventude, aguarda-se a presença de um diplomata que, nos últimos anos, se dedica a fazer um "remake" do "Mistério da Estrada de Sintra". Pude há minutos confirmar, depois de um jantar que tive com o Hélder Macedo, que, daqui de Londres, irá o Joseph Crabtree e, do Brasil, está garantida a presença de Augusto Maria de Saa. E muita, muita mais gente.

Vai ser uma festa!  

Francisco Seixas da Costa, 11/02/2014

11 de fevereiro de 2014 às 06:16

Anónimo (JPGarcia) disse...

Ouvi dizer que até do Tibet vem um amigo (comum ao abominável homem das neves ), de Milão uma cantora lírica de renome, da América Latina um General que dará um curso de derrube de Governos, do Egipto um vendedor de charutos Flor Fina. Al Capone não estará porque os gangsters de cá lhe metem medo (o mesmo acontece com Rastapopoulos, Allan e o Dr. Muller). O Sheik Ben Kalish Ezab e o filho aproveitarão para investir em Portugal. O caranguejo servido será "Pinces d'Or", as carnes frias naturalmente Sanzot e o whisky Loch Lemond. Dupont e Dupond estão agora no poder aqui no burgo mas têm compromissos anteriores. Obama será representado pelo cão de ågua Milú. O jornalista Jean-Loup de la Batellerie fará a reportagem. Belém cedeu a Irma que agora lá vive. Os convivas oferecerão uma versão em prata do ceptro de Ottokar. Do Congo virão padres e pretos. A comunidade científica portuguesa, agora em crise, recusou ser representada pelo Professor Girassol, como propunha o Governo. Talvez venha um dos Alambiques, mas está-se ainda a negociar. Ciganos são bem-vindos mas a Gazza Ladra não, para não levar os diamantes da D. Didas. Não serão precisas sete bolas de cristal, nem aproveitar um eclipse do Sol, para se prever que o lançamento das memórias do Cavaleiro de Hadoque será um grande sucesso. Espera-se contudo que não caia por cá nesse dia uma estrela misteriosa, a não ser que seja de platina para se poder pagar a dívida. Um abraço ao Senhor Tim-Tim do JPGarcia que procurará estar presente, no caso do Docteur Rotule o curar das actuais maleitas.


quarta-feira, 22 de abril de 2015

Estações da vida


Comecei a lê-los bem antes dos sete anos e, se ainda for vivo, espero continuar a leitura depois dos setenta e sete. O meu primeiro contacto com o Tintin/Tintim foi através do DN que editava todas as semanas uma secção de BD. Já agora, seria uma ideia feliz o DN publicar em livro esse trabalho pioneiro na divulgação da banda desenhada belga e portuguesa. 


Para mim, as "Jóias da Castafiore" é o melhor livro do Tintin. Claro que o "primeiro amor" nos marca sempre e o primeiro livro que li chamava-se o "Tesouro de Rackham, o Vermelho".

sábado, 14 de março de 2015

As imprecações do Capitão Haddock

É frequente os mais carismáticos heróis da Banda Desenhada terem um parceiro, um inseparável amigo e companheiro de aventuras, que serve quase sempre de seu contraponto, distinguindo-se por possuir outros dons e outras características (que também caem no goto dos leitores), mostrando uma faceta mais humana, com defeitos e virtudes — o que contribui para elevar o padrão das suas aventuras, sem prejuízo do estatuto mítico do herói principal. Isto tanto nas séries realistas como nas humorísticas…
Nesta peculiar categoria de personagens secundárias que rapidamente ascendem também ao “estrelato”, vem-nos de imediato à memória a incontornável figura do Capitão Haddock, talvez o mais famoso de todos os comparsas que enriqueceram criações emblemáticas, onde a aliança entre duas personagens, mesmo que diametralmente opostas, pede meças aos heróis solitários… embora já sejam poucos os que seguem por este caminho.
Tintin conheceu-o na aventura “O Caranguejo das Tenazes de Ouro”, em que Haddock fazia o papel de um marinheiro alcoólico e embrutecido, com frequentes acessos de cólera, alucinações e perdas de memória, mas que graças à amizade com o jovem aventureiro conseguiu regenerar-se, passando a ter hábitos mais moderados. Excepto quanto à linguagem… que, pelo contrário, se tornou ainda mais irascível, recheada de extravagantes expressões oriundas de um copioso “jargão” que o velho marinheiro se compraz em refinar, somando-lhe novas injúrias, como uma espécie de glossário que não se cansa de rever e enriquecer.
Mais tarde, ao desvendar o segredo da “Licorne”, Haddock herdou um nome aristocrático e um sumptuoso palacete em Moulinsart, onde habita, em boa paz e harmonia, juntamente com Tintin, o professor Tournesol e o mordomo Nestor… mas nem por isso aprendeu a refrear os seus excessos de linguagem.
Aqui têm mais um hilariante exemplo (à boa maneira de Hergé) dessas intempestivas manifestações de mau humor — quase sempre provocadas por peripécias que bulem com os seus sentimentos e a sua noção de justiça, mas também, sob o efeito do álcool, com o seu vício e o seu feitio brigão —, extraído igualmente do episódio “O Caranguejo das Tenazes de Ouro” (Le crabe aux pinces d’or), que é um autêntico festival de impropérios!
Ninguém consegue ter como Haddock, na ponta da língua, um vocabulário tão truculento, tão vivo, tão espontâneo, de tão grande riqueza e variedade verbal, lembrando uma torrente que jorra de um geiser fumegante ou uma cascata que rola fragorosamente por uma encosta, abafando todos os outros ruídos. Sobretudo quando ele usa um megafone, como na cena seguinte, a todos os títulos memorável, de Coke en stock.

Esta página foi publicada no Cavaleiro Andante nº 405, de 3/10/1959, revista onde Haddock ficou conhecido como Capitão Rosa, nome que o Diabrete tinha sido o primeiro a consagrar entre os leitores portugueses.


Jorge Magalhães in Blogue O Gato Afarrabista

sábado, 19 de julho de 2014

Um mundo perfeito

Transcrevemos abaixo um artigo de opinião de Paulo Tunhas inscrito no sítio Observador:

A chamada “cultura popular” produziu algumas obras memoráveis no século XX, mas, com a excepção dos Beatles, nenhuma das que afectaram a minha geração me parece tão extraordinária como a de Hergé. 

As frias estão quase a chegar, e desta vez pode ser que sejam mais ou menos férias a sério. Pelo menos os preparativos vão pelo bom caminho. E não me refiro certamente ao tempo passado em frente à televisão por causa da Copa. Não que eu não goste de futebol (gosto) e que não tenha visto o maior número possível de jogos (vi). O problema é que, mais ainda que das vezes anteriores, me apanho num estado de grande indiferença sobre quem perde e ganha e incapaz de verdadeiramente “ser por” qualquer equipa com a energia que dantes tinha. Devo andar com muito medo de sofrer.

Pior: mal começa a perder uma equipa, que até pode ser aquela que vagamente prefiro que ganhe, passo a ser automaticamente pela outra, e até a desejar, com requintes de sadismo, uma valente cabazada (o Brasil-Alemanha satisfez-me plenamente desse ponto de vista). Pior ainda: como se o sadismo não fosse já mal suficiente, apanho-me, qual um “inocente de coração puro”, em momentos de heróico cristianismo, com grandes sentimentos de compaixão para com as almas doridas dos derrotados, sentimentos que mereceriam quase um lugar no Parsifal. Por outras palavras: o meu espírito anda, à custa do Mundial, a flutuar incessantemente entre paixões contraditórias e pouco recomendáveis.

Estas coisas devem-se evitar. Mas, como escreveu um sábio, calamitas virtutis occasio est, que é como quem diz: nas situações difíceis é que se vê quem somos. É assim nas grandes humilhações, das quais desde a semana passada me tornei especialista, e é assim também quando a alma, torturada, não encontra repouso. Felizmente, logo vi a solução, e, tomado de virtude, corri a uma estante, em direcção às obras completas de Hergé. Isso sim, isso é a tal preparação das férias.

A chamada “cultura popular” produziu algumas obras memoráveis ao longo do século XX, mas, com a eventual excepção dos Beatles, confesso que nenhuma daquelas que afectaram directamente a minha geração me parece tão extraordinária como a de Hergé, nomeadamente as aventuras de Tintim. As coisas da cultura popular têm sobretudo aquilo que poderíamos chamar um valor aderente. Isso é particularmente evidente na música pop. Associamos uma canção a uma pessoa, um lugar, um tempo. Se a voltamos a ouvir são essas pessoas, lugares ou tempos, aos quais a canção aderiu, que voltam até nós, e o valor da canção reside sobretudo nisso. O sentimento da “primeira vez” não se repete, cada escuta reenvia para uma primeira vez passada. Não acontece assim com a grande música. Podemos ouvir pela milésima vez a Paixão segundo Mateus de Bach e, de uma certa maneira, cada vez é a primeira vez. Há um mundo inteiro que se descobre mais uma vez a nós pela primeira vez, um mundo totalmente independente das nossas pessoas, tempos e lugares.

Longe de mim a ideia absurda de comparar Hergé a Bach, mas Hergé, à sua maneira, conseguiu também ele criar um mundo independente de qualquer aderência biográfica. De certo modo, descobrimos Hergé sempre pela primeira vez, por mais que conheçamos de cor (é o meu caso) todos os quadradinhos dos seus livros, alguns de uma beleza enorme ou de uma inquietante estranheza (várias imagens de sonhos, ou o faquir de O Lótus Azul, por exemplo). Descobrimos de novo os diálogos, em que Hergé é magistral. Descobrimos de novo os personagens e as situações. E a narrativa, por vezes brilhante, e, no início, muito devedora ao cinema americano. As Jóias da Castafiore é o ponto máximo, mas há muito mais. A primeira página de Carvão no Porão é um golpe de génio, bem como o fim de O Ouro Negro, em que o capitão Haddock tenta explicar várias vezes a Tintim como ali inverosimilmente chegou para o salvar, sem nunca o conseguir fazer e sem nós sabermos como o fez.

A inteligência do homem é fascinante, coisa que, de resto, as suas entrevistas tornam claro. Como por exemplo, quando comenta a génese de Serafim Lampião. Uma vez, em Bruxelas, um vendedor ambulante entrou-lhe pela casa dentro. Hergé conduziu-o à sala, e o vendedor disse-lhe, apontando-lhe o seu próprio sofá: “Mas sente-se, sente-se!”. Vale a pena ler o que diz. Dá na perfeição “o importuno em todo o seu esplendor”.

Começou “reaccionário”, acabou mais ou menos “progressista”, mas nem uma coisa ou outra afectaram minimamente a sua obra. (No fundo, talvez tenha sido sempre um conservador.) Pairou sempre por cima disso, e por isso os seus livros fornecem, como as obras de arte, uma compreensão indirecta do real. Quem não teve já, num restaurante, vontade de estrangular um pequeno Abdallah? Conhecemos, no nosso mundo banal, Serafim Lampião e Oliveira da Figueira. Até, com um bocado de sorte, um Rastapopoulos qualquer, ou o General Alcazar ou Bianca Castafiore, o Rouxinol Milanês. A América do Sul de A Orelha Quebrada – que desenhos! – revela-nos ainda hoje muito da região (“Viva a liberdade! Morte aos tiranos!”) e a Bordúria d’O Ceptro de Ottokar e de O Caso Tournesol põe em jogo, sucessivamente, fascismo e comunismo.
Mas, mais surpreendente ainda do que os desenhos ou a qualidade do texto e da narrativa, o que é mais raro, e quase miraculoso, é a sobrenatural adequação de um aspecto e de outro. A legibilidade das aventuras de Tintim vem dessa adequação perfeita. As palavras colam com as imagens e as imagens com as palavras. Umas pedem as outras. Parecem ambas duas expressões diferentes, mas necessariamente conjuntas, de uma realidade que se encontra para além delas, como também as personagens parecem necessitar umas das outras, como se fizessem parte de um mundo em que, por um decreto divino, tivessem todas sido criadas simultaneamente com a obrigação de se relacionarem entre si.

Tudo isto nos faz sair do nosso tempo próprio e torna-se um objecto de contemplação. Isso traz paz e repouso, o contrário exacto da irritação que a oscilação da mente provoca. Desirrita, se a palavra existisse. Entramos noutro mundo sempre de novo pela primeira vez. Um mundo ao avesso de bom número das correcções contemporâneas, para as quais é, em larga medida, incomportável. A ajuda que o amigo Hergé dá em certos momentos da vida… As férias vêm aí.


Dito isto, é certo e seguro que logo à noite (escrevo quarta-feira) vou ver o Holanda-Argentina. Espero que a Holanda ganhe, a não ser que ganhe a Argentina. E amanhã decido quem espero que ganhe a final, embora só decida definitivamente depois de ela acabar. À minha maneira, e tirando um dia ou outro, sou um sábio.