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Thursday, October 31, 2024

ALIÁS

                                                            Aliás, 19.

Aliás foi formalmente iniciado há 19 anos. 

Formalmente, porque, como nessa mesma data se disse, o blog recebeu algumas reflexões minhas escritas tempos antes e que se tinham salvado do cesto dos papeis.

De Luis Aguiar-Conraria, do grupo fundador de " A Destreza das Dúvidas", sou devedor de algumas dicas na formatação de parte do Aliás.
Por exemplo, a criação de uma listagem de blogues que, na altura, considerei mais relevantes, e que tenho mantido inalterada desde então.

A "blogosfera" sofreu, entretanto, tombos e rombos provocados pela emergência de outros meios mais sintéticos, mais convenientes a quem tem pouco tempo para pensar e, sobretudo, de expansão incontível e subterrânea.
Da lista de blogues iniciada, e sucessivamente alargada, pelos autores do "A Destreza das Dúvidas" constam hoje 85 títulos dos quais apenas 15 hoje subsistem com antiguidade de presença inferior a duas semanas. Também dos autores iniciais do "A Destreza ..." nenhum tem marcado presença nos últimos anos, estando agora a continuidade a ser assegurada por Rita Carreira, entrada anos mais tarde após a criação do "A Destreza ..."
Também na lista do "Aliás" a sobrevivência observada é idêntica.
 
São dois exemplos, apenas, pois são.
Mas que me parecem significativos da evolução da transmissão e discussão de ideias no mundo: uma evolução no sentido em que a lógica ponderada cede progressivamente lugar ao confronto emocional e irracional.

Wednesday, December 18, 2013

ECONOBLOGOSFERA

P. Krugman comentou ontem aqui a ascendência da blogosfera sobre os anteriores meios de divulgação da evolução da construção, e da desconstrução, do discurso económico. A propósito, cita Onalytica, um blog que se reclama dedicado a "Indicadores Económicos Alternativos", que em Agosto publicou o seu ranking dos 200 blogs "económicos" mais influentes. Como seria de esperar, são em esmagadora maioria de autores norte-americanos.

Também nada surpreendentemente,  "The Conscience of a Liberal" lidera o ranking "Onalytica". Krugman afirma-se, tanto nos meios académicos como junto de todos quantos se interessam razoavelmente pelas questões económicas, como um pensador infatigável e disponível à discussão do que pensa sobre as questões mais polémicas e fracturantes. Pode-se discordar dele, total ou pontualmente, mas não se lhe pode negar a capacidade, o empenho, a frontalidade, a honestidade, com que procura equacionar os rumos das várias rotas do mundo em cada dia que passa e desafiar os outros a demonstrar o contrário. 

A sua presença diária no "The New York Times" seria mais que suficiente para lhe grangear uma notoriedade ímpar entre os seus pares. Krugman, contudo, há muito tempo que se apercebeu que os tempos estão cada vez menos favoráveis à utilização dos media tradicionais como forma de suscitar a discussão sobre questões de interesse universal e susceptíveis de serem apreendidas pela generalidade dos interessados, e a blogosfera assume-se como a plataforma mais conveniente à exposição das ideias de quem tem algumas que valham o tempo de as pensar. 

Uma evidência que muita gente supostamente bem pensante  ainda se recusa, sobranceiramente,  a reconhecer em Portugal. Mas também há quem marque presença regular na econoblosgosfera portuguesa com um sentido de compromisso cívico com a sociedade e sujeição ao contraditório público. Lamentavelmente, o hábito de comentar descamba com muita facilidade para os extremos: ou o inócuo bem visto senhor autor ou a truculência de um desacordo sem fundamento. 

A propósito, destaco a publicação em ibook das crónicas de Pedro Lains editadas no seu blog - A Crise por Dentro, 2008-2013 -. Aplaude-se a iniciativa mas lamenta-se que ela coincida com o termo do blog.
  

Saturday, July 02, 2011

PORTUGAL DOS ASSESSORES

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Leio no Expresso* de hoje que "assessor de Relvas chamou "alforreca" a Passos". A bronca vem relatada na página 11 do primeiro caderno do semanário, com destaque na capa, como pode ver-se na imagem ao lado. Para além de outros mimos, o actual primeiro-ministro é classificado como "vulgar cacique", "abrótea", "vacuidade absoluta". O próprio assessorado, ministro Miguel Relvas, é considerado pelo seu, agora, adjunto político, como "pequeno Torquemada de Tomar". O assessor é João Gonçalves, autor do blogue "Portugal dos Pequeninos", e a sua depreciação vem do tempo em que Passos Coelho ainda não era líder do PSD.
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Não é crível que Passos Coelho seja leitor atento e antigo  do "Portugal dos Pequeninos" . E não é crível porque, tendo vetado Bairrão, que entretanto se havia despedido das funções de director-geral da TVI, por ele se ter declarado, em tempos, contrário à privatização da RTP, mais determinadamente se oporia à nomeação de um assessor se soubesse que este disse pior dele do que Maomé disse do toucinho.

Também é pouco crível que Relvas soubesse ou tenha sido avisado. Estaremos, portanto, perante uma nomeação feita às escuras encaminhada por alguma personagem travêssa ou por algum descuidado  que conhece o Gonçalves político mas não lê o que ele escreve.

E o Gonçalves, por que aceitou a incumbência de comer a sopa depois de ter cuspido nela?
Tinha fome?

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act - aqui

Thursday, June 25, 2009

LIGAÇÕES PERIGOSAS - 2

State of Play é também, para além de um thriller acerca de lobbies e políticos corruptos, uma história de relações entre políticos, jornalistas e bloggers, e a polícia. Como é esperável nestas histórias, cabe aos jornalistas, e agora também ao bloggers, a perseguição da descoberta dos maus da fita. A polícia já deu o que tinha a dar, o jornalismo tradicional segue pelo mesmo caminho: dependentes das vendas e pressionados por quem detem o poder, os jornalistas são cada vez menos independentes nas suas opiniões e investigações. State of Play não vai por aí mas sugere: sem um obstinado que resiste (Russell Crowe), arriscando a pele, o jornal acabaria por ceder às conivências e ligações espúrias de quem nele manda com os lobbies e os políticos.
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Escaparão a esta teia os bloggers independentes, aqueles que não compram nem facturam?
Em muitos casos, sim. A actividade bloguística ao serviço da resistência no Irão, por exemplo, durante os recentes acontecimentos, tem sido decisiva na transmissão de informação bloqueada nos canais de media tradicionais: a televisão, a rádio e a imprensa.
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A blogosfera independente, aquela que não deve obediência a qualquer media online, tende a ser o refúgio da liberdade de expressão, ainda que, em grande parte, os blogs de abordagem política sejam claramente alinhados com as convicções pessoais ou os interesses próprios dos seus autores.
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Não é credível que o negócio PT/ Media Capital/TVI, que hoje constitui a notícia do dia, depois de ter sido referido ontem por MFLeite na entrevista que concedeu à SIC, não fosse do conhecimento do Governo. Ao negar esse conhecimento, o PM assume o ónus da suspeita de querer dominar o canal televisivo incómodo. Que não tenha interferido no negócio, aceita-se. Que não tenha tido dele conhecimento, é demais.
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Wednesday, April 04, 2007

CONTOS AMERICANOS - BLOGGER PRESO, BLOGGER LIBERTADO

Para a História da Blogosfera
Esteve preso durante cerca de 8 meses o blogger Josh Wolf, de 24 anos, por se ter recusado a testemunhar em tribunal a propósito de um vídeo onde ele havia capturado, em 2005, imagens de uma manifestação de protesto na Escócia, durante uma manifestação do G-8. Foi a detenção mais longa até agora observada nos EUA no âmbito de um processo relacionado com os media.
Blogger Makes Deal, Is Released From Jail
By Howard KurtzWashington Post Staff WriterWednesday, April 4, 2007; Page C01
A San Francisco blogger who spent nearly eight months in jail for refusing to testify about an anarchists' demonstration was released yesterday after turning over a videotape of the protest and posting it on his Web site. Josh Wolf, 24, also answered two questions from prosecutors, after striking a deal that ends the longest contempt-of-court term ever served by someone in the U.S. media. Josh Wolf now has the longest contempt-of-court term ever served by someone in the U.S. media. (By Paul Chinn -- The Chronicle Via Associated Press) "I'm completely satisfied with the resolution," Wolf said by phone from California one hour after being released. "There's a very large problem with forcing a reporter to act as an investigator for a government prosecution. . . . It's absolutely a victory." Since the video captured no violent incidents, he said, "it wasn't worth being a martyr for no purpose." Martin Garbus, Wolf's attorney, said he had offered prosecutors a similar compromise in November. "The question is, why did it take this long to persuade the U.S. attorney?" Garbus said. "They were getting embarrassed." The U.S. attorney's office in San Francisco, which agreed to drop the contempt charge after a mediation session Monday, declined to comment. The case sparked a First Amendment debate over whether Wolf is a journalist and whether he deserved protection for the video he shot of the 2005 protest against a G-8 summit meeting in Scotland, since he made no explicit promises of confidentiality. Wolf sold other parts of the tape to local television stations and posted those portions online. In reaching the agreement with prosecutors, Wolf backed off his original position that he would not turn over the footage. A viewing of the video leaves unclear why Wolf fought so hard to protect it. Three protesters in hooded sweat shirts and kerchiefs partly hiding their faces are seen talking to bystanders, followed by a handful of protesters who make no effort to hide their identity. Demonstrators are seen marching with such banners as "Destroy the War Machine," and in one case dragging newspaper boxes into the street to block traffic. At one point they surround a fallen colleague on the sidewalk, and a police officer walks over and tells everyone to stand back. Asked if he was worried about identifying protesters, Wolf said: "I could not answer that question before the grand jury. There were various promises made, both directly and indirectly." He declined to elaborate. Wolf said he believed that prosecutors had him subpoenaed and ultimately jailed "to send a message to the press and public that they will stop at nothing" to compel grand jury testimony. During the protest, San Francisco police officer Peter Shields had his skull fractured by a hooded assailant with a pipe or baseball bat. Wolf said he was 30 yards away at the time but did not see the attack because he was taping a scuffle between police and another protester. As an alternative to testifying, Wolf answered two questions in writing. He said he did not know whom Shields was attempting to take into custody at the time he was struck. Wolf also said he did not see anyone throw or shoot anything at a police car during the demonstration, nor did he learn such information from another source. Prosecutors said they reserve the right to subpoena him again, which Garbus called a face-saving claim. Wolf, whose mother mounted a media campaign on his behalf, used yesterday's settlement to push for a national law protecting journalists from being forced to testify about confidential sources. More than 30 states and the District have shield laws. He said on his blog, Joshwolf.net, that the case "further reinforces the clear and present need for a federal shield law, and I am optimistic that these recent developments will help to pave the way for its passage by Congress." Asked how he coped with being incarcerated, Wolf said: "It was difficult at times, easier at others. You get into a routine, something breaks that routine, and you're very sensitive to that." Prosecutors said in an earlier court filing that Wolf, who is not affiliated with any news outlet, was "simply a person with a video camera" and that his resistance to testifying was "apparently fueled by his anointment as a journalistic martyr." Was he acting as a journalist in videotaping the demonstration? "It was journalism to the extent that I went out to capture the truth and present it to the public," Wolf said. "It has nothing to do with whether or not I'm employed by a corporation or I carry a press pass."