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Tuesday, October 01, 2024

MEMORIAL DA MAGNÓLIA x SOULANGEANA "ALEXANDRINA"

 



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Esta magnólia, "Plantada por Sua Excelência o Presidente da República Portuguesa, Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa" em "21 de Março de 2016, Dia Mundial da Árvore", não tem folhas e, obviamente, nem flores. 
Tem líquenes, que a tomaram de assalto, mesmo à beira Palácio Nacional de Mafra, também conhecido por Convento de Mafra.
 
Não é caso inédito, é um caso paradigmático do investimento público que se esgota no acto da criação e no desleixo da manutenção. Não é excepção, é regra.

Mas, afinal, há ou não há, hoje, sobreiros e carvalhos no pinhal de Leiria?
 
Na Serra da Boa Viagem, Figueira da Foz, na área ardida há muitos mais anos, hoje há um bastio denso de acácias sem préstimo; 
Na área ardida pelo fogo que pegou na Peninha (Serra de Sintra) há meia dúzia de anos, e se alastrou até às dunas da Cresmina, apareceu a boa vontade de braço dado com a incompetência e o oportunismo a ensinar às criancinhas como se plantam árvores. Se se salvou alguma, é difícil dar por isso.

Friday, August 04, 2023

HABEMUS PAPAM PRO PLANETA

Há dias transcrevi aqui, neste caderno de apontamentos, parte de um comentário de colunista habitual no Washington Post no último dia de julho sobre a afirmação recente do Secretário-Geral das Nações Unidas:  "... terminou a era do aquecimento global, ... chegou a era da ebulição global ..."  - “The era of global warming has ended,” Guterres declared in a news briefing at the United Nations’ headquarters in New York on Thursday. “The era of global boiling has arrived.”.

Só o A P C contraditou,  chamando em defesa das suas posições conhecidas sobre o assunto um artigo de Henrique Gomes  - Histeria climática ou competitividade e adaptação? Obrigado António.

Supondo conhecer a substância das declarações do Papa Francisco sobre alterações climáticas, deu-me hoje a minha propensão de colecionador ocasionalmente holístico para procurar na net declarações, preocupações, de Francisco sobre o tema.

António,

Penso que conheço em ti a firme devoção à Igreja Católica e a tua admiração pelo Papa Francisco. Não há, dúvida minha, uma evidente dessintonia de perspectivas sobre as causas e a situação do planeta em consequência das  alterações climáticas segundo Guterres, um católico praticante, segundo julgo saber,  o Papa Francisco e as tuas?
Ou, "enfim, cada um o que quer aprova"?...

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O Papa aos jovens: sejam mestres que defendam a vida do planeta

" Também este idoso que vos fala sonha que a vossa geração se torne uma geração de mestres: mestres de humanidade, mestres de compaixão, mestres de novas oportunidades para o planeta e seus habitantes, mestres de esperança. Mestres que defendam a vida do planeta, ameaçada neste momento por uma grave destruição ecológica.” - VATICAN NEWS

JMJ 2023 - Primeiro discurso do Papa Francisco em Portugal 

" ... As grandes questões hoje, como sabemos, são globais e já muitas vezes tivemos de fazer experiência da ineficácia da nossa resposta às mesmas, precisamente porque o mundo, diante de problemas comuns, se mantém dividido ou pelo menos não suficientemente unido, incapaz de enfrentar juntos aquilo que nos põe em crise a todos. Parece que as injustiças planetárias, as guerras, as crises climáticas e migratórias correm mais rapidamente do que a capacidade e, muitas vezes, a vontade de enfrentar em conjunto tais desafios..."

As referências ao ambiente nos discursos do Papa Francisco na JMJ Lisboa 2023 - aqui

" ... Na primeira vez que o Papa Francisco discursou em Lisboa, no contexto da JMJ, a ecologia voltou a não passar despercebida. “O Oceano lembra-nos que a existência humana é chamada a viver da harmonia com um ambiente maior que nós; este deve ser guardado com cuidado, tendo em conta as gerações mais novas”, transmitiu o Santo Padre, no Centro Cultural de Belém (CCB) no encontro com o Presidente da República, as Autoridades, a sociedade civil e o corpo diplomático no primeiro dia de visita a Portugal. 

 

Monday, July 31, 2023

CHEGOU A ERA DA EBULIÇÃO GLOBAL

"... O secretário-geral da ONU, António Guterres, tem o hábito de fazer pronunciamentos apocalípticos sobre mudanças climáticas. Mas é impossível ignorar o seu último aviso quando os cientistas confirmam que julho se tornaria, desde sempre, o mês mais quente registado na Terra. "A era do aquecimento global", declarou Guterres em entrevista colectiva na sede das Nações Unidas em Nova York na quinta-feira. "A era da ebulição global chegou"

Em todo o mundo vimos os efeitos severos do que equivale a uma emergência planetária em andamento. Ondas de calor recentes atingiram a América do Norte, Europa, Norte de África e Oriente Médio,  desencadearam incêndios florestais em ambos os lados do Mediterrâneo e incêndios incineraram milhões de hectares de terra no Canadá. Uma monção recorde inundou partes do norte da Índia. Um aumento nas temperaturas oceânicas confundiu e alarmou os cientistas, enquanto um estudo recente sugeriu que o aquecimento global estava a causar o colapso de um importante sistema de circulação no Oceano Atlântico. Enquanto isso, no inverno hemisfério sul, estão a congelar menos áreas do mar da Antártica..." 

" Apesar da evidência visceral de um planeta em mudança e de todas as súplicas dos funcionários da ONU e cientistas climáticos, há pouca unanimidade sobre o que deve vir a seguir. Governos de todo o mundo apresentaram planos e compromissos para reduzir drasticamente as emissões e descarbonizar suas economias. Mas as medidas necessárias para evitar o aquecimento planetário além de um limite considerado pelo consenso científico como catastrófico para o planeta ainda estão a ser difíceis de vender. Os partidos de direita em todo o Ocidente estão a explorar a inquietação pública sobre as políticas verdes..." - vid. artigo completo aqui.

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correl. - Sick of hearing about record heat? Scientists say those numbers paint the story of a warming world

Histeria climática ou competitividade e adaptação? 

 

Monday, December 19, 2022

NUNCA SUBESTIMEM A ESTUPIDEZ HUMANA

Num ensaio publicado ontem no Público -  O fim da Nova Paz — Ensaio de Yuval Noah Harari  - volta a avisar este autor 

"Nunca subestimem a estupidez humana"...." a estupidez humana é uma das forças mais significativas da História", e"até líderes racionais frequentemente acabam a fazer coisas muito estúpidas". " ...o autocrata russo decidiu acabar com a era mais pacífica da História da humanidade e empurrá-la em direcção a uma nova era de guerra que poderá ser pior do que tudo o que já vimos antes.

De facto, poderá ameaçar a própria sobrevivência da nossa espécie"

Também me parece, e sobre o assunto (o da eventualidade de uma guerra nuclear fazer desaparecer do planeta que habitamos a espécie humana) tenho reflectido neste caderno de apontamentos, dezenas de vezes. Não porque receie que a ameaça me caia em cima, mas que não possam os descendentes desta geração, que usufruiu, apesar de todas as ameaças e conflitos, da possibilidade da existir, serem eliminados, sem deixar rastos, por culpa da estupidez humana. 

Esta manhã, ouço na rádio que foi alcançado, em Montreal,  acordo na conferência para a biodiversidade. entre mais de 190 países. Uma das metas é mobilizar, até ao final desta década, pelo menos 200 mil milhões de dólares por ano, para travar a perda da diversidade biológica.  

COP15: Países alcançam acordo “histórico” e “promissor” que visa proteger 30% do planeta

Não consta que a ameaça da guerra nuclear sobre a eliminação de todos os seres vivos, incluindo os humanos, tenha sido abordada na COP 15. 

Será possível salvar 30% do planeta sem salvar a humanidade?

Já tinha pensado nisso. 




Saturday, September 10, 2022

O VALOR ECONÓMICO E ESTRATÉGICO DA CACA

 

Falando da nossa caca, é um artigo de Jorge Almeida Fernandes, no Público de anteontem.

Transcrevo parte e concluo com informação que recebi de fonte fidedigna sobre o que é afirmado na parte final do artigo de JAF

"Olhemos dois números. Há 8015 mil milhões de seres humanos. E cada habitante do planeta produz diariamente 450 gramas de fezes. Que lhe fazemos? Não é um assunto repugnante que deva ser silenciado por tabus ou preconceitos. É uma questão de saúde pública, de ecologia e agricultura. Hoje, queremos livrar-nos das fezes. No Japão eram objecto de cobiça e foram o segredo da sua alta produtividade agrícola.

Parto de uma investigação da BBC, da jornalista Lina Zelnovich: "Por que é tempo de falar sobre a nossa caca". Os restos dos nutrientes humanos são desperdiçados, remetidos para os nossos oceanos e aterros sanitários em vez de serem devolvidos ao solo. As nossas fezes são um poderosíssimo fertilizante. Os cereais, a fruta e as verduras que comemos estão cheios de substâncias nutrientes, como azoto, fósforo, potássio e muitos outros. ...

Há hoje dispositivos para uso doméstico, que reciclam as fezes e limpam a água de factores patogénicos, permitindo, por exemplo, adubar e regar jardins. E há experiências em maior escala. A DC Water, de Washington, trata de forma inovadora toda a caca dos habitantes da capital americana, produzindo um fertilizante sólido, vendido por uma instituição sem fins lucrativos.

Mas é uma gota de água à escala mundial. E, como era de esperar, a sua aplicação na agricultura tem pela frente um poderoso lobby: a indústria de fertilizantes. Só pela força das crises se fará esta revolução: à terra o que vem da terra."

Sim, é verdade. 

Melhor ainda - não é só em DC- mas DC Water é provavelmente a maior entidade que tem esse programa. Inicialmente, DC Water oferecia o fertilizante a quem o quisesse ir buscar porque mandar o fertilizante para os aterros é mais caro. Mas a realidade económica mostra que as pessoas valorizam mais o que lhes custa comprar, e poucos se dirigiam às estações de tratamento para levantar os fertilizantes que necessitavam.

Foi, então, criada empresa que comercializa, embalando e distribuindo a preço conveniente. Está a ser bem sucedida.

Sunday, July 24, 2022

FAÇA-SE ÁGUA

Se isto é verdade ...

FAÇA-SE ÁGUA

Diz-se, sobre Moisés, que foi um grande líder mas um mau ‘navegador’. Afinal, conduziu o povo judeu para o único lugar do Médio Oriente falto de recursos naturais (até descobrirmos, recentemente, gás natural no Mediterrâneo).

Um dos países com maior stress hídrico no mundo, Israel teve de enfrentar o desafio da escassez da água desde os primeiros anos como Estado. Em criança, lembro-me que as notícias da seca eram uma constante e os israelitas rezavam por chuva enquanto se certificavam de que não desperdiçavam água.

A necessidade moldou a evolução deste sector nos últimos 70 anos. Para sobreviver e desenvolver-se, Israel não teve outra opção senão criar uma série de tecnologias e aplicar práticas inovadoras que aliou a reformas estruturais, legislativas e organizacionais.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água

O sector sofreu alterações significativas em todos os aspetos porque a única forma de lidar com a sua escassez foi equilibrar a população (exigente e crescente) com a gestão integrada dos recursos hídricos.

Como?

Legislámos. Temos uma lei da água e esgotos adaptada ao terreno;

Sensibilizamos do jardim de infância à terceira idade. A água é uma preciosidade;

Dessalinizamos em larga escala. Cerca de 80% de toda a água potável para uso doméstico provém de cinco centrais de processamento e usa-se água salobra na agricultura;

Reduzimos as perdas de água no sistema nacional de abastecimento urbano. É das mais baixas do mundo (5% a 8%);

Controlamos, rigorosa e continuamente, a qualidade da água;

Purificamos e reutilizamos. 95% das águas residuais são purificadas e 87% reutilizadas para a agricultura. A água tratada regressa à natureza.

Apostamos na irrigação de precisão. A por gotejamento foi apenas o começo sendo também o melhor método para aplicar fertilizantes em doses muito específicas. O desenvolvimento de variedades agrícolas menos ‘sedentas’ e a extração de água do ar são também áreas que desenvolvemos.

Apostamos na tecnologia da água. Está em constante evolução.

Não foi um milagre. Foi a soma destes fatores que tornou Israel o líder global no sector da água. Até exportamos para os países vizinhos, como a Jordânia e a Autoridade Palestiniana. Os recursos naturais transcendem fronteiras políticas e podem ser geridos cooperativa e sustentavelmente para maximizar a prosperidade de todos os atores na região. Dizia-se que seria a razão da próxima guerra no Médio Oriente mas, com os acordos que Israel alcançou com os seus vizinhos, a água está a tornar-se numa solução criadora de paz.

Israel percebeu, desde cedo, que precisava de uma solução holística em relação à água, capaz de promover ações não só para a poupar mas também para a produzir. É aqui que podemos contribuir como país com um dos sistemas hídricos mais avançados do mundo. Mais: é nosso dever moral partilhar conhecimento e experiência para encontrarmos a melhor solução para qualquer lugar na terra.

Atualmente, Portugal tem 66% do país em seca extrema e 34% em seca severa. A gravidade é tal que o governo está a preparar novas campanhas de sensibilização para um uso mais eficiente e consciente da água.

Israel tem a experiência e a tecnologia e estamos disponíveis para trabalhar com Portugal para que encontre, mais rapidamente, as melhores soluções para fazer face à escassez deste bem.

Todos temos de agir e podemos fazê-lo juntos.

Embaixador de Israel em Portugal

c/p - aqui

… e isto aqui: A água que se perde na rede de distribuição do Algarve daria para regar 40 campos de golfe

Tuesday, November 09, 2021

EXCELENTÍSSIMO DINOSSAURO

EXCELENTÍSSIMO DINOSSAURO 

Um dinossauro invadiu a Assembleia Geral das @nacoesunidas para convencer os líderes mundiais a levarem a ação climática mais a sério e não escolherem a extinção.

"Ao menos nós tivemos um asteróide. Qual é a vossa desculpa?" - pergunta o dinossauro neste filme do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - @undp - que faz parte da campanha "Não Escolha a Extinção".

Os subsídios governamentais para a extração de combustíveis fósseis rondam os 423 milhões de dólares por ano, o suficiente para vacinar todas as pessoas do mundo contra a Covid-19 ou três vezes o valor necessário para acabar com a fome a nível mundial.

🌍 O mundo não vai eliminar a presença dos combustíveis fósseis a não ser que haja pressão do público para o fazer.

Por isso, partilha esta mensagem com a tua família, os teus amigos e conhecidos e convence-os de que precisamos de agir AGORA!

Estão prontos para parar de subsidiar a extinção da nossa espécie?

Sunday, October 31, 2021

QUESTÕES DE FÉS

 

A,

Leio as tuas arremetidas contra os ambientalistas, persistentes, convictas, com tanta persistência (dura há anos) e convicção que, se não são, parecem imbuídas de um proselitismo fundado numa fé que te tocou, a outros tocou ao contrário, e a mim, profundamente ignorante, não atingem. 

Há, penso que concordas, nas atitudes que sustentam a adesão incondicional a determinada causas uma carga emocional que esmaga qualquer racionalismo.
Ocorreu-me comentar (voltar a comentar, aliás; há anos que defendes os teus argumentos) porque um amigo meu, médico há muitos anos, considera as vacinas contra o covid 19 uma forma das farmacêuticas abarrotarem os cofres. Ele previne o contágio da pandemia tomando o seu Ivermectina diariamente. Não discuto o assunto com ele, que é médico, só falo com médicos quando preciso deles. Mas pergunto-me: será que o meu amigo tem razão (e como ele há muitos no mesmo lado)  e as vacinas são apenas um negócio porque a Ivermectina não passa nos crivos viciados das entidades que comandam os semáforos das autorizações oficiais?
 
Esta a dúvida que, se não me atormenta, é porque penso que a espécie humana é mais ignorante do que crê não ser. 





Sunday, December 27, 2020

Monday, March 23, 2020

SÓ NÃO GOSTA QUEM TEM ALTERNATIVA


E dos pássaros, por aqui, continuamos sem cantos, sem saltitos, sem voos. Só este silêncio de limbo.
Porquê? Não sei.
Diz-nos uma amiga nossa que é preciso dar-lhes de comer para aparecerem. No jardim dela tem comedouro e os pardais chegam em bandos e bulham uns com os outros.
A nós, parece-nos estranho que a passarada tenha desaparecido porque nunca os habituámos a dar-lhes comidinha no prato. Chegavam, saltitavam, debicavam na relva, onde quer que encontrassem o que procuravam, e agora sumiram-se. Porquê?
Seguimos a sugestão da nossa amiga e, desde esta manhã, têm ao dispor prato com arroz descascado, carolino, e flocos finos de aveia. É do que se consome cá em casa.
Por outro lado, recordo-me bem que em casa de meus pais se alimentavam os pintainhos, acabados de sair das cascas, com arroz. Rondava a passarada para petiscar mas a mãe galinha mantinha-os de fora a ver os seus pequenotes comer.
Os pássaros não aparecem, salvo um outro melro para se banhar na piscina deles, cá em casa não temos outra piscina. Porquê?
Dê-lhes alpista, diz-nos a nossa amiga.
Não tivemos alpista em casa. Nunca tivemos aves em cativeiro a pedir alpista, alpista nunca fez parte do nosso rol de compras.

Por outro lado, só não gosta quem tem alternativa.
Nunca ninguém morreu com fome tendo comida à sua frente.
Assim, sendo, concluo: a passarada anda por outro lado onde fisgou melhor petisco, alternativo ao que aqui sempre tiveram à sua vontade, e à ementa que, excepcionalmente, colocámos hoje à sua disposição.
Que lhes faça bom proveito.
Voltem quando entenderem.
Serão sempre bem vindos.



Sunday, March 22, 2020

PARA ONDE FOSTE PRIMAVERA?


20 de Março, começa hoje a primavera.

Ouviste cantar a poupa?
Não. E, tu?
Também não?
É estranho...
Hum! Ela aparece e desaparece, depois volta.
O mais estranho é que também não vejo os nossos melros. Nem a alvéola azul, que todos os dias nos visita, nem o pisco, nem a toutinegra, nem o rabi ruivo, nem os chapins, nem em voo alto, diário, de ida e regresso, a garça real, nem, quando menos se espera, o gaio.
Devem ter ido dar um giro, voltarão ao fim do dia.
E os pardais? Desapareceram os pardais?
Pardais é bicho que nunca desaparece.
Dizem os ecologistas que até os pardais estão a desaparecer.

21 de Março

Estás a ouvir a poupa?
Estou. A poupa voltou.
Voltou e já a vi hoje aqui a picar no jardim.
Mas não vejo os melros nem pardais. O que mais me intriga é que não se veja um único pardal, para amostra. Nem o gato que, sorrateiramente, costuma vir até cá tentar deitar unha em petisco alado distraído
É do frio e do vento. Arrefeceu o tempo, estão escondidos.

Hoje, 22 de Março

Ainda hoje não ouvi a poupa.
Nem os melros, nem os pardais.
E o dia está lindo. Há sol, o céu azul, o castanheiro mostra vigorosos ramos de folhas viçosas, os callistemon thomasi estão exuberante de flores, os outros mais atrasados, nas gravíleas vêem-se todos os dias mais flores, as felícias estão lindas, as rosas sevilhanas estão prenhes de botões e um deles partiu hoje o cálice, a estrelícia mostra ao sol, vaidosa, três exuberantes cristas, os malmequeres vestem-se ufanos de branco rosa, os leptospermum voltaram a ser fantásticas bolas de florinhas rosa, que perduram assim meses sem que o vento ou frio as desanime. Até no jacarandá, que plantámos o ano passado, já estão a apontar rebentos. O ginkgo, que o Miguel plantou há quinze anos, há muito que cresceu mais alto que o plantador, que também cresceu bem, é o gigante da família. Os loureiros estão vigorosos, o pinheiro plantado pela Rita anda em competição de crescimento com o loureiro que ela também plantou.
O loureiro maior, plantado em dia de celebração conjugal, abrigo de melros e pardais, quando precisam, é agora um garboso cone com não menos de uma dúzia de metros de altura.
Tudo tão bonito, mas tudo tão silencioso. Com um dia tão bonito por que razão não comparecem os melros, por que não recreiam os nossos olhos os pardais, por que não voltou a poupa, porque nem sequer a ouvimos cantar?
E as abelhas? Já reparaste que não se vêem abelhas? Ainda há dias saltavam milhares delas nos muitos milhares de florinhas dos leptospermum, das gravíleas, dos callistemon? Por que razão fugiram daqui, agora quando chegou a primavera?

Amanhã voltarão todos: a poupa, os melros, os verdilhões, os pardais, de vez em quando o gaio, a alvéola, a toutinegra, os chapins, o pisco, o rabi ruivo, a garça real, as garças brancas a passear do outro lado da vedação, as gaivotas a dar sinal de temporal, o bando de estorninhos a chegar e a por-se a andar, todos!

Notícia de última hora: cerca do meio dia, foi avistada a alvéola, também o gato já foi visto a rondar.



O tempo do azevinho (à frente na foto) pintar-se de bolinhas vermelhas aconteceu por alturas do Natal. Agora é o tempo dos vizinhos, atrás, os leptospermum se revestirem de flores rosa.

Monday, December 30, 2019

CLUBE DOS MATATUDO


-  É do kremeline? .... Ligava-me ao sr. Putine, faz favor. Diga-lhe que por ordem do Presidente do Catar desejo falar com ele.
- Sr. Putine? ... Sou o ministro das relações externas do Catar. 
- ...
-  Sr. Putine? ... Ah não? Pois, mas sua majestade, o Emir não pode vir.
-  ...
-  Sr. Putine? ... Então está bem. Diga ao sr. Putine que sua majestade Emir do Catar pretende fazer uma encomenda de, para já, uma dúzia de Avangardes... Está bem, eu espero.
- ...
- Para que quer o Catar uma dúzia de Avangardes? Para um campeonato mundial de tiro à lua ... Está bem eu espero.
- ...
- Posso explicar tudo bem explicado o que o sr. Putine quiser. No Catar somos como um livro aberto. ... Está bem, eu espero.
- ...
- É verdade que não somos uma potência nuclear, nem queremos ser. Mas também não somos uma potência no futebol e vamos receber o Campeonato Mundial de Futebol em 2022. Temos dinheiro, uma coisa que é sempre fundamental nestas organizações. Daí querermos aproveitar a oportunidade para antecipar esse importante evento mundial com a organização no próximo ano do primeiro campeonato mundial de tiro à lua ... Está bem, eu espero.
-...
- Participarão neste campeonato os membros efectivos do Clube dos Matatudo. ... Está bem, eu espero.
-...
- São membros efectivos do Clube dos Matatudo todos os que dispõem de arsenal nuclear capaz de destruir o planeta num abrir e fechar de olhos. ... Não, o Catar não pertence ao clube, só organiza o primeiro campeonato de tiro à lua....Está bem, eu espero.
- ...
- O objectivo deste campeonato é o de proporcionar aos seus membros a possibilidade de exercitarem o seu desporto favorito e já não existirem na Terra alvos que mereçam a honra de um tiro dos membros do clube.
- ...
- Tudo o que é caça grossa está praticamente extinta e se algum dos membros se distrai e dá um tiro num elefante, ou num tigre, ou num crocodilo cai-lhe em cima a opinião pública. De modo que, como o sr. Putine diz ter disponíveis uns hipersónicos Avangarde que podem alcançar a lua em meio dia, segundo cálculos do nosso Al-Goritmo, com controlo da trajectória em tempo real e fotografias das posições alcançadas, ocorreu-nos lançar esta ideia inquestionavelmente original e susceptível de grande sucesso. Só precisamos de, pelo menos, uma dúzia de Avangardes. ... Eu espero, sim.
-...
- Foguetões, já experimentámos, sim, mas são uma sensaboria, muito demorados e erráticos e o associado Matuto 1, o mais experimentado, atingiu com um foguetão, contra todas as regras do clube, o Mar da Tranquilidade. Com o agravante de, pelo caminho, quase ter atingido um satélite artificial que nos garante  o uso dos telemóveis, do gps, e de tantos outros electrónicos sem os quais as nossas vidas seriam desesperadas. Temos um código de ética e o sócio só não foi irradiado porque foi o fundador do clube e dispõe do maior arsenal de mísseis, mas não tem o Avangarde nem terá tão cedo. Se tivesse, já se sabe, o negócio seria dele... Espero, sim.
-... 
- Pois essa é também uma vantagem deste campeonato. Quanto mais tiros se mandarem para a lua menos cartuchos ficarão a ameaçar a Terra. Nós, no Catar, o que queremos é o bem do nosso planeta e das pessoas. Conhece outro modo melhor de dar aos sócios do clube a oportunidade para puxarem o gatilho? ... Está bem, eu espero.
-...
- Ainda bem que nos entendemos. Amanhã mesmo enviaremos a encomenda. Se o primeiro campeonato do mundo de tiro à lua for o sucesso que esperamos, avançaremos para o campeonato de tiro a Marte. E depois, sempre por aí fora. Só precisaremos, neste caso, que o Avangarde melhore ainda mais a sua perfomance.

Sunday, December 29, 2019

ENTRE O NATAL E O ANO NOVO


Leio no Expresso de ontem:


A Rússia diz ter desde esta sexta-feira no seu vasto arsenal de mísseis um que é bem mais potente do que todos os outros existentes no mundo. Vladimir Putin garante que o Avangard pode viajar até 27 vezes mais rápido do que a velocidade do som e chegar a qualquer ponto do planeta.”

Idêntica notícia foi transmitida, pelo menos, pela BBC News, pelo Washington Post e pela Aljazeera.
Aliás o Washington Post publicava na última semana do ano passado a informação de que a Rússia estava prestes a juntar ao seu arsenal atómico um míssil nuclear hipersónico. Putin anunciara que o primeiro ensaio tinha sido bem sucedido.
Não serão fake news.
E, no entanto, não tiveram o impacto na opinião pública que o lançamento do primeiro satélite artificial lançado em 4 de Outubro de 1957 pela, então, União Soviética, levado pelo foguetão Sputnik. Os norte-americanos reagiram com o seu primeiro satélite em 31 de Outubro de 1958, ganhando a corrida espacial com  a chegada à lua, com um voo tripulado, em 20 de Julho de 1969, há 50 anos.

É incontestável que a corrida espacial é entusiasmante; já a corrida aos armamentos nucleares uma ameaça tão apocalíptica parece que, por autodefesa do precário equilíbrio mental do mundo, é melhor que não se fale nisso. Com o apocalipse ao virar da esquina o que pode fazer o cidadão comum?
A ameaça de uma destruição maciça da espécie é, pelo menos, tão provável e mais iminente que a destruição do planeta pelas alterações climatéricas mas nenhuma outra Greta Thunberg (para citar a figura mais saliente dos protestos pela destruição da Terra) não suscita qualquer revolta popular global talvez porque, querem acreditar como uma fé inamovível,  o terror de um holocausto global continuará a conter aqueles que têm acesso aos comandos dos arsenais nucleares.
Mas se assim continuará a ser, se o equilíbrio do terror manterá os mísseis sossegados, por que razão continuam a crescer os arsenais e as negociações para a sua redução bloqueadas?
Peter Sellers parodiava em 1964 Dr. Strangelove, num filme de Stanley Kubrick, o desencadear de um ataque norte-americano à Rússia por um general enlouquecido. Como comédia, terminava bem.
Enquanto o mundo considerar que o senhor Putin, o senhor Trump, até o supremo líder Kim Jong-un, ou outros quaisquer que lhe sucedam não são mais do que comediantes da treta, talvez um dia a espécie humana se extinga a rebentar de riso.


Paroquialmente, colegas e amigos trocaram entre si anualmente copiadas mensagens de Boas Festas e Feliz Ano Novo. Até que alguém picou com intencional ironia no Orçamento de Estado para 2020 e, como rastilho, pegou fogo, brando, a uma discussão serôdia entre as virtudes visíveis do capitalismo e a ressurreição da boa nova comunista. Como esperável, ninguém arredou pé das suas convicções cristalizadas ou da sua fé impenitente.
Curioso é que, também neste caso de cada qual olhar para o seu umbigo, ninguém reparou que o senhor Xi Jinping é líder até querer de uma ideologia por estudar: o capitalismo comunista ou, para quem preferir, o comunismo capitalista.



Friday, June 08, 2018

JÁ FOI À CRESMINA?


Se não foi, então vá.
E não se arrependerá, se gosta de dar um pequeno passeio, cerca de 1,6 quilómetros (metade) ou 3 quilómetros na totalidade, a subir e, naturalmente, a descer, entre dunas, coloridas sobretudo nesta época do ano, o mar do Guincho ao fundo, a Serra de Sintra ao lado. Mais informações aqui.



Em 21 de Janeiro e 2 de Abril de 2017 escrevi (vd. aqui) mensagens via-email aos responsáveis pela reserva natural em que se inserem as dunas da Cresmina. Respondeu-me no dia 3 de Abril o Director da Gestão da Estrutura Ecológica.

Transcrevo, de uma resposta longa, as afirmações finais: 


"Assim e depois de várias tentativas e modelos, a estratégia encontrada foi a colocação de “obstáculos” ao longo do passadiço que dissuadissem os cães e pessoas a sair do mesmo. Deixar gradualmente a vegetação natural regenerar e fechar as áreas abertas onde estas saídas ocorrem. Em suma, os “ramos” secos colocados ao longo do passadiço, embora esteticamente possam ser por ora pouco interessantes, esses consistem em estruturas biofísicas com as seguintes funções:

  • Dissuadir a saída do passadiço
  • Evitar a destruição da vegetação nativa pelo pisoteio e alteração da química do solo
  • Fixação das sementes que circulam no ar ao longo do sistema
  • Estrutura de apoio ao crescimento da vegetação mais sensível

A vegetação utilizada foi essencialmente o Pinheiro de Alepo, espécie pioneira e sem interesse para a conservação da natureza, que não sendo a ideal pela sua estrutura de ramos e tipo de madeira, é a mais abundante. Foi esta intervenção de poda seletiva, centrada no corte e eliminação destas árvores com potencial de risco de incêndio, dando primazia ao Junípero espécie autóctone de crescimento mais lento que estava a sofrer pressão e em competição com o pinheiro de Alepo.  Se verificar no terreno, por debaixo destas estruturas está a crescer vegetação natural,  em breve esta irá ocupar estas faixas e os ramos secos que já cumpriram a sua função vão ser removidos ou se degradados vão incorporar no sistema.

Não voltei ao assunto até que, decorrido mais de um ano, pudesse avaliar a consistência dos argumentos da resposta. E não constato agora, que sejam pertinentes. O tempo encarregou-se de minorar o aspecto dos ramos secos secos amontoados ao longo de algumas partes do passadiço, mas as maiores mazelas provocadas por cortes escusados persistem. Por outro lado, de algumas dezenas (centena?) de espécies plantadas protegidas por tubos protectores, não tendo sido cultivadas nem regadas na época própria, poucas sobreviveram, se é que sobreviveu alguma. Como é costume neste país, investe-se e deixa-se o futuro por conta do abandono. 
Abandono que começa também a observar-se na falta de manutenção de alguns segmentos do passadiço.

Dito isto, pareço contradizer o desafio que coloco a abrir este apontamento.
Mas não. Mesmo com os reparos que fiz o ano passado, e que mantenho agora um ano depois, vale muito a pena conhecer a Cresmina. Nem que seja para admirar a paisagem a partir do terraço do "café" instalado cá em cima junto à estrada. Mesmo sem o desfrute do melhor, o passeio.

Sunday, April 22, 2018

Sunday, November 26, 2017

A AGONIA DO TEJO




A seca,  os transvases e os efluentes sem passagem por estações de tratamento de esgotos,
deixaram o Tejo moribundo.

O El País publica aqui uma reportagem - Gretas onde havia água - de que transcrevo a parte inicial:

"Todas las heridas de sus más de mil kilómetros de tronco principal se resumen aquí, a las afueras de Aranjuez. El Tajo, el río más largo de la Península Ibérica, agoniza. Y la sequía, la peor en España de las dos últimas décadas, está dejando más expuestos que nunca sus gigantescos problemas. La imagen en ese punto de Aranjuez lo dice todo: a un lado, el hilo verde y limpio del mermado Tajo; al otro, el negruzco Jarama, con mucho más caudal. Ambos se unen aquí, pero el cauce principal lleva tan poca agua que es incapaz de diluir la contaminación del afluente, que arrastra los desechos de la ciudad de Madrid y su área metropolitana ... "

Leia, veja, e veja se acorda. 

Saturday, September 09, 2017

260 ANOS DEPOIS




 "São as lésbicas que provocam os tufões, como o Irma e o Harvey? Deus sabe.
Rush Limbaugh (comentador televisivo, conservador evangélico) - Agosto 2017

O tufão Harvey é o julgamento divino da América
Jim Bakker (pregador televisivo, cristão evangelista) - Agosto 2017

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"Aprende, Oh Lisboa, que os destruidores das nossas casas, palácios, igrejas, e conventos, a causa da morte de tantas pessoas e das chamas que devoraram vastos tesouros, são os pecados abomináveis, e não os cometas, as estrelas, vapores e exalações, e outros fenómenos naturais." -
Padre Gabriel Malagrida - Juízo da verdadeira causa do Terramoto, 1756 


"Após o terramoto que destruiu três quartos de Lisboa, não descobriram os homens mais sensatos do país uma solução mais eficaz para prevenir a destruição total do que proporcionar ao povo um esplêndido auto-de-fé. Foi então decidido pela Universidade de Coimbra que um infalível segredo para prevenir terramotos seria queimar lentamente, numa grande cerimónia,  a vista de várias pessoas" - Voltaire - Candide - 1759

Sunday, July 16, 2017

ELES SÃO ASSIM PORQUE SÃO ASSIM MESMO

A dois meses e meio das eleições autárquicas, o país já está infestado por outdoors com as fronhas ampliadas dos candidatos e mensagens clonadas de outras que o marketing inventou há largas dezenas de anos. 
Curtas e vazias de sentido, resultam?
Parece que sim. De outro modo não se compreenderia o investimento em tão grande arraial de cartazes para o povo. 

Em Cascais, o senhor Carlos Carreiras faz questão de se impor ao virar de cada rotunda. Umas vezes só, outras acompanhado dos candidatos menores, os das freguesias.
Pelo menos numa rotunda, aquela em que desagua o trânsito da A16 que se dirige ao centro de Cascais pela Avenida de Sintra, o outdoor terá uns trinta metros quadrados de superfície, abarcando todo o arco sul da rotunda. 
Quem é que paga, e porque paga, toda esta exuberância publicitária a um candidato à renovação de mandato se com ele, segundo ele, Cascais avança?

A entrada de Cascais, pela marginal, junto ao Cascais Villa e ao Jumbo é um parque de vários casarões em ruínas há muitos anos. O senhor Carreiras não pode fazer nada para alterar o cenário de abertura de Cascais? Se ele não pode, quem pode?
Alguém alguma vez ouviu o senhor Carreiras falar neste assunto?
Ainda em frente ao Jumbo, do outro lado do caminho de ferro, na frente marítima, há um palacete que, segundo informação que recebi do anterior presidente da edilidade, é do domínio do ministério do ambiente. Crescem-lhe por fora as heras e por dentro os pombos. O senhor Carreiras também, neste caso, não tem nenhum voto na matéria?
No largo da estação de caminho de ferro autorizou o executivo anterior a construção de um imóvel que ocupava quase todo o quarteirão. Não passou das estruturas exteriores, ainda que tivesse sido promovida a venda de apartamentos por Figo e Catarina Furtado. Por razões certamente razoáveis decidiu a câmara do senhor Carreiras mandar demolir o já edificado para nele erguer coisa menos volumosa. Está agora  o terreno arrasado rodeado por uma cerca a cair apodrecida pelo tempo depois de ter estado coberta com cartazes a anunciar o melhor dos mundos para o sítio. 
Não tem nada, ainda neste caso,  a câmara que ver com o assunto?

Os exemplos de degradação urbana em Cascais nem são os únicos naquele município nem uma raridade no resto do país, apesar das actividades de reabilitação que estão a reactivar o sector da construção civil abalado pela crise. Há casos notáveis de recuperação, o centro histórico do Porto, por exemplo, já hoje apaga da nossa memória as imagens de decadência e ruína em que prédios de grande dignidade tinham caído. 

Para onde é que Cascais avança, senhor Carreiras?

Ao lado de Cascais, Oeiras tem progredido a olhos vistos.
Mas é, deveria ser, intolerável que se mantenha há dezenas de anos o enorme monte de ruínas em que se tornaram, com o passar do tempo, as instalações onde foram produzidas estruturas com amianto (ou asbestos) que estão a ser retirados de edifícios públicos por ameaçarem a saúde daqueles que neles trabalham. 
Estas ruínas de amianto situam-se na Cruz Quebrada no ponto onde o vale do Jamor chega ao Tejo, ao lado da via marginal. 
Algum dos candidatos se propõe mandar limpar o terreno da ameaça até que ao sítio seja dado destino adequado aos interesses da comunidade e à salvaguarda da saúde do que habitam perto ou por ali passam?
Se há essa intenção, não consta dos outdoors dos mais que muitos candidatos.
Para onde andam os movimentos ecologistas que não reparam neste escândalo à vista de quem só não vê quem desviar o olhar?

A propósito: Discute-se, menos que o desejável mas discute-se, o número de deputados da AR. 
Mas ninguém discute o número de autarcas que se atropela neste país. Porquê? 



Wednesday, May 31, 2017

TRIUNVIRATO SINISTRO


Com uma carga de suspeições às costas, que aumenta continuamente de peso, Mr. Trump não desacelera de aumentar a parada. Soube-se hoje que vai anunciar a retirada dos EUA do Acordo de Paris sobre alterações climáticas. 

Ainda assim o crude continua abaixo dos 50 dólares (48,40).

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Correl. - The many, many probes into Trump-Russia ties
Trump´s pro-Saudi, pro-Russia, anti-Europe foreign policy

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Act. - (1/6) soube-se esta manhã que Mr. Trump já tuitou que vai tirar os EUA do Acordo de Paris.
Os EUA passarão, deste modo, a fazer parte do trio de países, com a Noruega e a Síria, que ficam fora do Acordo.
A liderança da concretização do Acordo de Paris passará agora para a UE e a China.



Monday, May 08, 2017

USEM O TWITTER SE FAZEM FAVOR!

Saio de Sintra em direcção a Lisboa e enfrento na Rotunda do Ramalhão um cartaz, tamanho XL, verde alface, com a mensagem: "Este é o caminho" , e, ao lado, o emblema do PS.
Volto de Lisboa, e à entrada de Ranholas, aparece-me um cartaz, tamanho XL, vermelho arroxeado, com uma mensagem em letras gordas, a branco, a preencher o espaço disponível, "2,1% - Este é o défice mais baixo da nossa democracia " e, ao lado, o emblema do PS.
A concorrer, do outro lado da estrada, colocou o CDS um cartaz, também XL, com a cara da srª. Assunção Cristas e a legenda "Política Positiva". 



Repare-se que nem só os partidos conspurcam as estradas com cartazes. A "Infraestruturas de Portugal", que reuniu as "Estradas de Portugal" e a "Refer" coloca cartazes com a mensagem "Volte Sempre" Volte sempre, aonde?
Note-se ainda que, neste caso, o outdoor do PS foi colocado escondido atrás do cartaz das "Infraestruturas de Portugal". Propositadamente?

(clicar para ver melhor)


Pelo caminho, num sentido e noutro, encontro outros cartazes, dos mesmos ou de outros partidos. Com a aproximação da batalha municipal, a paisagem urbana, ou à volta dela, volta a ser conspurcada pelos outdoors com que os partidos nos querem vender os candidatos. É um negócio tremendo, como diria o safado Mr. Trump, para as agências de publicidade e actividades afins, e não é totalmente improvável que ele, ou a família dele, não estejam interessados no negócio. 

Mr. Trump governa pelo twitter, o que, reconheça-se, é um meio mais eficiente, muito mais económico, e muito mais eficaz, porque atinge directamente um número incomensuravelmente muito maior de eleitores, do que os imundos cartazes.  

Eu não uso o twitter, não sei sequer como funciona. Mas Mr. Trump não quer outra coisa.
Criticam-no pela boçalidade e ausência de conteúdo  das mensagens tuítadas, mas que conteúdo transmitem as mensagens em outdoors de mais de uma dezena de metros quadrados de superfície?
Por que não usam os partidos portugueses o twitter e abandonam os cartazes? 
Porque não têm falta de recursos financeiros?
O PS, segundo as notícias, vd. aqui, tinha em meados do ano passado dívidas que rondariam os 21 milhões de euros. E pedia aos seus dirigentes que pagassem as despesas.
Os outros, quase todos, segundo consta, estão na mesma. Mas não desistem dos outdoors.
Quem paga?
No fim, os mesmos de sempre.