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sexta-feira, 15 de agosto de 2025

"As Artes (e as manhas) dos Quinze Fundadores da SCALA"


Luís Milheiro fez um pequeno caderno, "As Artes (e asmanhas) dos Quinze Fundadores da SCALA", ainda relativo ao 30.º aniversário da Colectividade, em que faz um esboço biográfico, da sua importância no dia a dia da Associação. Transcrevemos o texto dedicado a Henrique Mota:

"A Arte da Ética"

«Felizmente, tenho conhecido grandes seres humanos pela vida fora. Talvez esteja a ser “esquecido”, ao dizer que o Henrique era o homem com um sentido ético mais vincado na sua personalidade.
Talvez.
Mas isso não tem qualquer importância.
Foi um dos meus maiores amigos, porque existia uma empatia única, no nosso círculo de amigos tertulianos. Isso não acontecia, apenas por termos interesses comuns.
Não nos limitávamos a falar de livros, por gostarmos de desporto (não de futebol…), falávamos da actualidade desportiva, em particular dos feitos do nosso “desporto-rei”, o atletismo. E também da sua história.
Estou a falar do grande historiador do desporto almadense (a publicação dos quatro volumes de “Desportistas Almadenses são uma obra ímpar a nível nacional…), que me apresentou o Sérgio Malpique, o Francisco Bastos, o António Calado, o Guilherme Espírito Santo, entre outra gente grande do desporto de Almada.»

(Fotografia de Luís Eme)


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

A Grandeza Humana de Henrique Mota


Hoje, às 16 horas, será apresentado no Fórum Romeu Correia (Sala Pablo Neruda), o opúsculo, "Henrique Mota, Desportista, Associativista e Escritor (1920-2020)".

Esta obra biográfica, da autoria de Luís Bayó Veiga, embora à primeira vista pareça "curta", devido ao seu número de páginas, é fundamental para todos os que se interessam pela história das gentes de Almada, porque tem aquilo que deve ser mais importante num livro: acrescenta, oferece-nos algo de novo.

Já existia um livro, publicado na comemoração do 90.º aniversário de Henrique Mota ("Henrique Mota, Atleta, Treinador, Dirigente e Escritor Almadense"), mas que apenas se debruça sobre o seu percurso desportivo, associativo e literário. Este opúsculo fala sobretudo sobre a sua vivência familiar e profissional, realçando a grandeza humana de um homem, que mesmo não nascendo em Cacilhas, fez mais pela sua história e pelo seu movimento associativo que a maioria dos cacilhenses.

(texto publicado inicialmente no "Casario do Ginjal")


segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

O Blogue de Henrique Mota irá continuar. «Porque Sim.»


O final do ano de 2020, não é motivo para "fechar" o blogue criado para homenagear Henrique Mota. 

Irá continuar. E este "porque sim", deve-se a várias razões. A maior de todas, o facto de ter sido "vítima" de um ano completamente atípico, que não permitiu que fosse homenageado como mereceria.

Além disso, ficaram várias coisas por dizer, sobre o "Pai dos Desportistas Almadenses". Ficam sempre...


sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

A Paixão Azul do Henrique...


Henrique Mota foi atleta do Clube Futebol "Os Belenenses" (é uma pena não termos nenhuma fotografia com o Henrique vestido de azul), aquele que foi sempre o seu clube de coração.

Hoje poderá parecer estranho esta paixão, mas nos anos quarenta e cinquenta, o Belenenses era um grande no futebol, batia-se de igual com o Benfica, Sporting e FC Porto. Só não foi mais vezes campeão, porque foi várias vezes vitima de arbitragens desonestas (como a do famoso Calabote...), de homens vestidos de preto que gostavam mais do vermelho e do verde que do azul.


Além de ter sido Campeão Nacional em 1945/46, foi segundo classificado em 1936/37, 1954/55, 1972/73, e terceiro em 1939/40, 1940/41, 1941/42, 1942/43, 1944/45, 1946/47, 1947/48, 1948/49, 1953/54, 1955/56, 1956/57, 1958/59, 1959/60, 1975/76 e 1987/88.

Conquistou a Taça de Portugal em 1941/42, 1959/60, 1988/89 e foi finalista vencido em 1939/40, 1940/41, 1947/48, 1985/86 e 2006/07.

(Publicamos imagens de dos dos seus ídolos azuis, Artur José Pereira e Matateu)


sábado, 7 de novembro de 2020

O Quarto Volume de "Desportistas Almadenses" (1)


O quarto volume de "Desportistas Almadenses", da autoria de Henrique Mota, embora já estivesse praticamente pronto, a quando do seu falecimento (2001), só seria publicado em 2004.

Por todas as razões, acaba por ser o volume mais actual, pois uma grande parte dos 43 biografados ainda se mantinham em actividade nas modalidades desportivas das quais eram campeões, internacionais e recordistas, a quando do trabalho de investigação histórica do autor. Há duas modalidades que merecem um destaque especial neste volume, a natação e o judo, cujos os atletas estão bem representados (15 biografados) e proporcionaram excelentes resultados desportivos em Almada, com um relevo especial para o título europeu de juniores conquistado por Ana Francisco na natação.

Graças à grande qualidade desportiva do concelho foi possível a Henrique Mota manter os seus critérios, de grande exigência, para que só constassem nos seus volumes de "Desportistas Almadenses", verdadeiros campeões.

Há alguns pontos que merecem uma atenção especial na realização desta obra, uma vez que não foi respeitada a vontade do autor no seu resultado final, que iremos abordar amanhã. 

Felizmente a capa manteve a fotografia de Luís Figo, num belo trabalho gráfico. É uma boa homenagem, penso que ninguém deverá ter qualquer dúvida de que Figo continua a ser a principal referência desportiva da história do Concelho de Almada.


quarta-feira, 4 de novembro de 2020

O Testemunho dos Amigos (XXV)


«
Falar de Henrique Mota, o cidadão simples, tolerante, desportista e amigo, é fácil, ele tem dedicado grande parte da sua vida ao associativismo e ao desporto, como atleta, treinador e dirigente, para nos últimos anos se dedicar à escrita onde já é autor de oito livros dos quais destaco os quatro volumes de “Desportistas Almadenses”, os quais representam um tesouro inestimável no campo cultural e desportivo do nosso concelho e até mesmo a nível nacional.
Durante a sua vida foi um lutador indomável, através de um labor invejável e de uma dedicação notável, assim como de uma entrega total.
Seria pois uma ingratidão como almadense, não deixar pública a minha amizade e gratidão e dizer-lhe, obrigado Amigo, que viva por muitos anos.»

[Humberto Borges, treinador de andebol e associativista]

(Fotografia de autor desconhecido)


sábado, 31 de outubro de 2020

O Testemunho dos Amigos (XXIV)


«Opinar sobre um “Cacilheiro” e Amigo da qualidade de Henrique Mota, Homem com um H grande não é coisa fácil.

Amigo do seu amigo, Chefe de Família exemplar, desportista de moral intocável e escritor de obras editadas em que as suas ideias são transportadas para o papel com a facilidade de interpretação que nos dá ideias de as vivermos.

Pela amizade que me merece, tenho receio de não ser justo na minha apreciação e não ter mais capacidade de exprimir a minha opinião com todas as qualidades que o Mota é merecedor e as possui.»

[Ludgero Brás, antigo comandante dos Bombeiros Voluntários de Almada]

(Fotografia de João Ricardo)


sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O Terceiro Volume de "Desportistas Almadenses"


«Em 1993 foi lançado o terceiro volume dos “Desportistas Almadenses”, com mais quarenta e duas biografias, reforçando o excelente naipe de atletas da Margem Sul, totalizando cento e doze biografias, no conjunto dos três volumes, embora algumas fossem o complemento desportivo de atletas que ainda estavam em actividade. Dois desses exemplos foram Oceano Cruz e Luís Figo, jogadores internacionais  que ainda tinham muito a dar ao futebol, especialmente Figo.

A capa do pintor almadense, Louro Artur, é muito feliz.»


sábado, 17 de outubro de 2020

O Testemunho dos Amigos (XXI)


«Sinto-me muito honrado em falar de Henrique Mota, homem integro, desportista exemplar, que tivemos a ventura de conhecer através do “nosso” Belenenses e depois trabalhando na organização dos Primeiros Jogos Juvenis do Concelho de Almada – 1972.

MEMORANDO, o seu sétimo livro vai certamente encantar os leitores com as suas memórias recolhidas através dos tempos, de uma actividade incrível em variados sectores, descritos, pela sua literatura, simples e escorreita. Acrescido pela sua pesquisa em encontrar os nomes e apelidos de 360 figuras de cacilhenses.

Não posso deixar de evocar neste simples testemunho, a sua magnífica obra, “Desportistas Almadenses”, única em todo o país, que muito particularmente me “toca” pelo seu conteúdo.

Certíssimo que o sétimo livro vai ser como os anteriores, um êxito, os meus sinceros parabéns.»

[José Freitas, treinador de natação]

(Fotografia de autor desconhecido)


terça-feira, 13 de outubro de 2020

O Segundo Volume de "Desportistas Almadenses"


«Claro que a escolha de apenas quarenta e dois almadenses num universo bastante rico, fez com que algumas pessoas questionassem o autor[1] sobre a razão de os seus familiares, valorosos desportistas, não constarem no livro. Isto fez com que Henrique Mota começasse a preparar o segundo volume que seria publicado nove anos depois, em 1984, com trinta e nove biografias. Desta vez já com a inclusão de atletas ainda em actividade.

Romeu Correia voltou a apresentar a obra com uma crónica-prefácio intitulada, “Outros Tempos, Outros Atletas”, onde realça[2] a importância da obra do autor, como fonte de pesquisa no futuro: «Ao dar à estampa esta nova série de pequenas biografias, Henrique Mota enriquece e actualiza o grande mosaico desportivo do nosso concelho. Contribuição indispensável para um mais vasto estudo, que certamente não deixará de ser feito.»



[1]  Nota de Autor do 2º volume de “Desportistas Almadenses”, 1994.

[2]  “Desportistas Almadenses”, 2º Volume, 1984, p 5.


(Texto da autoria de Luís Alves Milheiro, extraído do livro, "Henrique Mota, atleta, treinador, dirigente e escritor almadense", editado em 2010 pela SCALA)


quarta-feira, 7 de outubro de 2020

O Primeiro Volume de "Desportistas Almadenses" (2)


É importante referir que esta primeira obra de Henrique Mota teve um excelente acolhimento por parte do povo almadense e da generalidade da comunicação social.

O jornalista e escritor Carlos Pinhão escreveu o seguinte[1] nas páginas do jornal “A Bola”: «Chama-se “Desportistas Almadenses” o livro que Henrique Mota acaba de publicar e que é, antes de mais, um caso de Amor. De dois amores. Por Almada. Pelo Desporto.

Trata-se de uma série de biografias de quase meia centena de desportistas da terra que atingiram, no plano desportivo, notoriedade não só local, mas também a nível nacional (campeões, recordistas) e alguns até com projecção internacional.»

Não deixa de ser curioso e interessante, observar a componente política presente nas críticas feitas ao livro, devido ao fervor revolucionário que ainda se sentia no país, libertado de uma longa ditadura de quase meio século. A crítica de Luís Alves, publicada[2] nas páginas de “O Século” é um bom exemplo: «Do seu inventário, que é um trabalho único no País, que só um devotado às duas causas – socialismo e desporto – poderia levar a cabo, um trabalho exaustivo e apaixonante que consumiu meses de pesquisa e contactos, se encarregou Henrique Mota, um daqueles antigos jovens que, bem pode orgulhar-se do honesto inventário desportivo que agora oferece ao seu progressivo concelho.»

Viriato Mourão também mantém um discurso[3] sociopolítico em relação à primeira obra de Henrique Mota, nas páginas do “Diário Popular”: «Na sua base, a obra é um original inventário desportivo de 42 biografias de atletas, cobrindo cerca de 70 anos de prática desportiva, no concelho de Almada, onde hoje se repensa o desporto e o espectáculo desportivo em termos que já não admitem a alienação das massas. O documento carinhosamente forjado ao longo de anos de pesquisa por Henrique Mota, treinador de várias modalidades, constitui acima de tudo, uma preciosa contribuição para o historial de Almada progressista cujo quotidiano dos últimos decénios transparece para além dos registos numéricos, frios, através de imagens que passam à história, e de declarações tantas vezes pitorescas.»



[1] “A Bola”, de 16 de Fevereiro de 1976.

[2] “O Século”, de 20 de Fevereiro de 1976.

[3]  “Diário Popular”, de 28 de Junho de 1976.


(Texto da autoria de Luís Alves Milheiro, extraído do livro, "Henrique Mota, atleta, treinador, dirigente e escritor almadense", editado em 2010 pela SCALA)


(Fotografia da Colecção Particular de HM)


terça-feira, 6 de outubro de 2020

O Primeiro Volume de "Desportistas Almadenses" (1)


«Henrique Mota começou por escrever várias biografias desportivas nas páginas do “Jornal de Almada”. Foi de tal forma bem sucedido que o passo seguinte seria a sua publicação em livro, também com a chancela do semanário almadense. Em 1975, quando se davam os primeiros passos da democracia, após a Revolução de Abril, Henrique estreou-se como escritor, com o primeiro volume dos “Desportistas Almadenses”, o primeiro de quatro volumes biográficos das grandes figuras do desporto local (o último volume foi editado postumamente), que são autênticos “Subsídios para a História do Desporto no Concelho de Almada”, como fez questão de referir na capa da sua obra de estreia.

Só uma pessoa com uma presença constante nos meios desportivos locais, desde os anos trinta até à actualidade, poderia construir uma obra tão completa. A sua principal virtude foi ter a coragem de colocar no papel a vida e obra das primeiras grandes figuras do desporto almadense que obtiveram resultados dignos de realce a nível nacional e internacional, comprovados pelas suas biografias.

Romeu Correia no início da sua carta-prefácio[1] com que abre o primeiro volume, sintetizou muito bem o que acabámos de referir: […] «Sem este teu curioso e oportuno trabalho corríamos o risco de não sabermos no futuro o que foi a prática desportiva em Almada e até as modalidades praticadas por alguns dos seus mais destacados atletas […]»

Outro dado curioso foi o facto de Henrique Mota se ter iniciado como escritor, depois da Revolução de Abril, já com cinquenta e cinco anos de idade. Só a abertura democrática tornou possível a transformação em livro dos seus artigos biográficos[2] publicados no “Jornal de Almada”, entre 1973 e 1975, dedicados a atletas já retirados da actividade. Esta iniciativa foi a preparação do “parto feliz” da extraordinária série documental, “Desportistas Almadenses”, que culminou com a publicação póstuma do seu quarto volume, que já estava terminado, antes do autor se despedir de nós.


[1] “Desportistas Almadenses”, Henrique Mota, 1975, p 5.

[2] “Velhos Ídolos Almadenses”, série de artigos publicados no “Jornal de Almada, entre 1973 e 1975.


(Texto da autoria de Luís Alves Milheiro, extraído do livro, "Henrique Mota, atleta, treinador, dirigente e escritor almadense", editado em 2010 pela SCALA) 


domingo, 27 de setembro de 2020

"A Tertúlia do Repuxo"


O "Café Repuxo" da praça Gil Vicente, quase na fronteira entre Cacilhas e Almada, recebeu durante mais de duas décadas anos alguns amigos que enchiam algumas das suas mesas para falar de associativismo, literatura, história, desporto, política, e tudo o mais que quisesse ser tema de conversa.

Naturalmente este encontro de amigos tornou-se conhecido como a "Tertúlia do Repuxo". E foi também nas mesas deste café que foi amadurecida a ideia de se criar no concelho de Almada, uma Associação Cultural. Algo que aconteceria a 5 de Março de 1994, com a fundação da SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada.

Henrique Mota, Fernando Barão, Abrantes Raposo, Victor Aparício, Artur Vaz e Diamantino Lourenço foram os primeiros tertulianos, a quem se juntariam, pouco tempo depois, José Luís Tavares, Jorge Gomes Fernandes, e de uma forma mais esporádica, Henrique Costa Mota, Virgolino Coutinho e Álvaro Costa. Quando a SCALA estava quase a nascer, apareceu o Luís Milheiro, depois ainda surgiria José Luís Guimarães (por pouco tempo...) e Luís Bayó Veiga (já no começo do novo milénio), que foi um dos últimos tertúlianos, juntamente com Luís Milheiro e Diamantino Lourenço.

Esta evocação à "Tertúlia do Dragão" deve-se também ao falecimento há três dias de Abrantes Raposo, que também se manteve na tertúlia quase até ao fim (foram os problemas de saúde que o começaram a afastar...).

O amigo dilecto de Henrique Mota nesta tertúlia era Luís Milheiro, porque ambos gostavam muito de desporto (tinham praticado atletismo os dois e gostavam de praticamente todas as modalidades desportivas...) e quando a conversa versava sobre futebol, atletismo ou outra modalidade, os outros elementos, mais dados às "intelectualidades", formavam outro grupo de conversas. Três dias antes de Henrique Mota se despedir de nós, estiveram os dois à conversa no "Repuxo" sobre o quarto volume dos "Desportistas Almadenses", que estava praticamente pronto e seria publicado postumamente...

(Fotografia de Luís Eme)


sábado, 19 de setembro de 2020

O Testemunho dos Amigos (XV)

«Mantenho uma relação de conhecimento e de amizade com o Henrique Mota que passa já muito dos quarenta anos. Quasi meio século… Tanto tempo meu Deus!

Mas o que é de salientar neste relacionamento comum, de tão longa data, é que em momento algum, a minha consideração e respeito pelo Henrique Mota, foi abalada, nem mesmo simplesmente beliscada.

As suas opiniões e as suas tomadas de posição, mesmo entre amigos, foram sempre ponderadas e pautadas por elevados critérios de lucidez, de dignidade e de extrema sensibilidade humana, os quais não lhe permitiam faltar à verdade e ceder a pressões de muitos, mesmo contra um só, desde que a razão estivesse do lado deste.

Quando falo com o Henrique Mota noto um facto muito curioso e não muito usual. Ele olha-nos nos olhos, não foge com o olhar durante o diálogo e através desse olhar franco e do seu sorriso aberto e generoso, posso constatar a grandeza e ao mesmo tempo a sinceridade e humildade da sua alma.

Quando, com o passar dos anos, passei a ter mais tempo para me interrogar melhor sobre mim próprio, sobre as coisas e sobre os outros, procurei desvendar o segredo, o mistério que fizeram do Henrique Mota um “Homem de Eleição”, um homem simples que não se deixou subverter pelas honrarias e que continua, sem descanso, a preocupar-se com o próximo, divulgando deste tudo o que ele faz e tem de bom.

Cheguei a esta conclusão:

O Henrique Mota nas suas inúmeras actividades de desportista, de técnico desportivo, de juiz de provas atléticas, de dirigente desportivo, de historiador desportivo, actividades essas que, aliás, desenvolveu sempre com trabalho persistente, esforçado e criterioso, dizia eu, dessas actividades bebeu avidamente toda a “Essência” que transborda da prática desportiva nas suas várias vertentes, mas sempre em que o “Desporto” representa verdadeiramente uma “Escola de Virtudes”, uma “Escola de Formação de Homens Íntegros”.

Quando o Henrique Mota termina uma das suas obras e lhe peço para me autografar o correspondente livro é com uma enorme emoção que o vejo escrever:

“Para o Professor Silva Marques com grande amizade e consideração do Henrique Mota”.

Bem haja Henrique Mota. Tenho um enorme orgulho em ser considerado por si como “Amigo”.»

[António Silva Marques, professor de educação física]

(Fotografia de Luís Eme)


segunda-feira, 7 de setembro de 2020

"A Rua Henrique Mota"



Por iniciativa da SCALA, no começo do Outono de 2001 (alguns meses depois do seu falecimento), os serviços de toponímica do Município de Almada foram consultados para que fosse estudada a possibilidade de se atribuir uma artéria no concelho a Henrique Mota.
A proposta foi bem aceite pela Autarquia, que reconheceu o grande contributo que Henrique Mota dera a Almada, especialmente como escritor e dirigente.
Foi aproveitada a oportunidade de se estar a construir uma nova urbanização, no local onde nasceria a maior zona comercial de Almada, onde também está situado o “Almada Fórum”, para se atribuírem ruas a Henrique Mota, Francisco Bastos, Sérgio Malpique e a António Calado (além da biografia entregue de Henrique Mota, foram também pedidas biografias de grandes campeões almadenses, tarefa realizada por Luís Milheiro).

E acabou por ser uma bela surpresa juntar estes grandes atletas e grandes companheiros (as ruas estão todas ligadas entre si) para felicidade dos seus familiares e amigos.»

(Fotografia de Luís Eme)

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

O Testemunho dos Amigos (XI)


«Mas, afinal quem é o Henrique Mota? Perguntará quem, de recente estadia nestas bandas, tem ouvido falar, com relativa insistência, neste nosso amigo.
Se a pergunta me fosse lançada diria ser ele uma das figuras mais curiosas que ao longo da minha vida, me tem sido dado conhecer.
De muito novo – poderá dizer-se no alvor da sua juventude – dedicou-se, com uma paixão sem limites a causa para ele sagrada – o Desporto – praticante, dirigente, preparador, orientador, todas as teclas tocou neste sector.
Ao mesmo tempo dedicou um amor muito grande a uma outra paixão a qual, se intercalava com o Desporto: a sua amada Colectividade: o Ginásio Clube do Sul.
Durante anos dirigiu aquela colectividade, manifestando uma dedicação sem limites. Nos tempos em que a colectividade lutava – ao contrário do sucedido actualmente – com dificuldades quase insuperáveis. Foram os tempos difíceis, mas, ao mesmo tempo, brilhantes.
Tive a ventura de ser, durante vários desses anos, companheiro e colega do Henrique nas tertúlias directivas. Por vezes irreverente, ele não conhecia dificuldades, nem elas o atormentavam. Lutava, mas lutava sempre, para superar as contrariedades – e foram muitas – que nos surgiam pela frente.
Ali cimentámos uma amizade que se tem mantido pela vida fora. Porém, no Ginásio, nem sempre a sua dedicação foi compreendida e reconhecida.
Depois o clube tomou novo rumo, novos objectivos foram alcançados, sendo hoje uma Colectividade sobejamente conhecida. E o Henrique continuou a manter por ela a mesma paixão, o mesmo amor.
Muita coisa que ali se passa sei-o por seu intermédio, pois ele é o meu “informador” oficial.
Mais recentemente dedicou-se a nova tarefa, a literatura. E, tendo como base dos seus escritos, o Ginásio, as gentes de Cacilhas, delas tendo conhecimento como os dedos da sua mão, tem escrito um número de livros – sete, talvez – sempre com o mesmo empenhamento, a mesma entrega total.
Parabéns Henrique! Tens sido um lutador e tens sabido lutar. Os teus livros são a prova evidente de como se luta, com hombridade, por uma causa sagrada.
E a tua – ou tuas – causas são Cacilhas e o Ginásio.
O livro que ora publicas são o testemunho destas minhas sinceras palavras.
Sei que continuarás, até ao dia limite das tuas forças, até à extinção da tua solene personificação, a lutar, a combater.
Uma vez mais: PARABÉNS HENRIQUE.»

[Mário Rodrigues, associativista almadense]

(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O Testemunho dos Amigos (V)


«Nós, "Desportistas Almadenses", estamos eternamente gratos pelo magnífico trabalho histórico, que o Henrique Mota prestou ao Concelho de Almada. Só alguém como ele, atento, generoso e honesto, e também um grande Desportista da nossa Terra, poderia fazer a história do Desporto do Concelho de Almada.
Obrigado Amigo! Foi como se tivéssemos renascido!»

[Francisco Bastos, campeão e recordista nacional de atletismo, almadense]

(Fotografia da colecção particular de HM)

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

O Testemunho dos Amigos (II)



«Meu caro Henrique Mota, este teu livro fica incompleto sem a tua biografia desportiva, pois tu foste, sem contestação possível, uma figura cimeira do desporto almadenses de sempre. O treinador entusiasta de várias modalidade, o tenaz propagandista da cultura física, o dirigente, o carola, que custeou do seu próprio bolso numerosas iniciativas e, para além disto o excelente atleta que todos admiramos, não pode estar ausente desta obra. A colectânea de biografias desportivas ficaria imperdoavelmente mutilada sem a tua justa presença real. Peço-te pois, em nome da verdade que todo o atleta deve defender, que ela seja inserida num posfácio. Valeu?
Teu velho amigo e companheiro de mil tarefas, que te abraça com a maior admiração e ternura.»

[Romeu Correia, escritor e desportista almadense]

(Fotografia da colecção particular de HM)

sexta-feira, 31 de julho de 2020

O "Memorando"...


Em 1999 é apresentado em Almada mais um livro de Henrique Mota, desta vez com um conteúdo diferente, pois "Memorando", é isso mesmo, um livro de memórias. 

É a viagem de uma vida partilhada com tantos amigos, no desporto, no associativismo e na vida, com alguns episódios inesquecíveis.

(Esta obra foi editada com o apoio da Câmara Municipal de Almada, Ginásio Clube do Sul, Junta de Freguesia de Cacilhas, SCALA, Ensul e Talho 20, a fotografia da bonita capa é da autoria do seu filho, José João Mota e o prefácio de Luís Alves Milheiro)

domingo, 17 de maio de 2020

Henrique Mota e o Centenário do Ginásio Clube do Sul


O Ginásio Clube do Sul foi fundado há 100 anos, no dia 17 de Maio de 1920, em Cacilhas.

Foram seus fundadores Armando "Arrôbas", Carlos Durão, Hernâni Jorge da Silva, Joaquim Miranda, José de Oliveira Gendre, Ramon Bayó, Vital Garrido Moreira, Wenceslau Francisco da Silva entre outros (também no Ginásio, não há certezas em relação ao nome de todos os seus fundadores...).

O facto de ter nascido nas margens do Tejo foi aproveitado da melhor maneira, para se tornar num clube com uma vocação diferente das outros colectividades desportivas do Concelho, privilegiando a prática de desportos náuticos (natação, remo e vela). Mas o seu nome diz quase tudo. Ginásio é ginástica. E o Ginásio Clube do Sul desde muito cedo que teve classes de ginástica... Claro que por pressão dos associados, teve de ter a sua equipa de futebol (modalidade que por ser o grande "sorvedouro" do clube acabou extinta em 22 de Agosto de 1967, por se ter tornado incomportável...).

Mas a grande marca do Ginásio Clube do Sul sempre foi o seu ecletismo. Durante a sua já longa vida teve secções de: andebol, atletismo, basquetebol, bilhar, boxe, ciclismo, damas, ginástica, halterofilismo, judo, karaté, kick boxing, natação, pólo aquático, râguebi, remo, ténis de mesa, vela, voleibol, xadrez (e é provável que me possa ter escapado alguma disciplina desportiva...).

Felizmente duas das suas grandes figuras históricas, Henrique Mota e Fernando Barão, que depois de  terem sido atletas e dirigentes  de grande qualidade (o Henrique também foi treinador...), são também os historiadores do clube, pois são os autores da obra, "Ginásio Clube do Sul, 75 anos de Glória", publicada em 1995, que nos oferece o que de mais importante se passou nos primeiros 75 anos de vida do Ginásio do Sul e de Cacilhas.

O Henrique deverá estar muito feliz, onde quer que esteja, por o seu Ginásio ter feito a bonita idade de 100 anos. E no mesmo ano em que ele também festeja o centenário do seu nascimento...

"As Artes (e as manhas) dos Quinze Fundadores da SCALA"

Luís Milheiro fez um pequeno caderno, "As Artes (e asmanhas) dos Quinze Fundadores da SCALA", ainda relativo ao 30.º aniversário d...